sábado, 17 de março de 2012


A persistirem os sintomas, procure um médico...

Na televisão são muito comuns anúncios de medicamentos, seguidos da advertência que dá título a este artigo. No Brasil, a TV assumiu um papel de grande relevo especialmente por dois motivos: primeiro, o televisor é um bem de consumo durável, ao contrário do jornal que, após lido o que interessa, não terá mais qualquer utilidade; segundo, porque a maioria dos brasileiros não tem dinheiro para outra forma de lazer que não seja assistir televisão.
http://www.google.com.br/imgres?hl=pt-BR&safe=off&client=firefox-a&hs
 Isso atribuiu ao veículo TV, em nosso país, um grande poder uma vez que a televisão, com seu discurso de apelo direto, assumiu o papel de instituição prescritiva, ou seja: de alguma forma determina formas de comportamento, dita moda, induz compreensões de mundo.

Resultado: a publicidade médica tomou a televisão como parceira e a transformou em consultório. Mais resultado: celebridades como Pelé passam a recomendar esse ou aquele produto de uso medicinal, pelo simples fato de que estão associados à sua figura. Pelé anunciava um composto chamado Vitasay, como se fora Vitasay o elemento responsável por sua excelente forma física, o elemento potente que havia garantido a seus músculos a capacidade para chegar onde chegou. Não era verdade. Pelé tinha talento e exercitou-se muito para se manter em forma.

Atores e atrizes mais ou menos famosos também exercitam esse tipo de medicina televisiva. E até anônimos também fazem esses anúncios. É que o poder televisivo foi de tal forma construído, que a publicidade médica, mesmo feita por anônimos, passa por serviço; aquele remédio não está sendo "vendido", você está sendo "informado" de que comprando um determinado comprimido ou xarope ou qualquer-coisa-por-aí, estará tomando um bom medicamento. 

É aí que entra, muitas vezes, a advertência, na verdade uma matreirice para livrar o fabricante de qualquer responsabilidade: "A persistirem os sintomas procure um médico". Espere aí: você é induzido a tomar uma beberagem qualquer para se curar, depois a tal beberagem não faz efeito e somente então você deve ir ao médico? Há aí algo que varia entre o insano, o surrealista e o perverso.

O insano é você ser induzido ao consumo de uma droga por alguém não qualificado; o surrealista é a forma com que a dramaturgia publicitária envolve numa atmosfera quase que de sonho a promessa de cura; o perverso é que muitas vezes a pessoa vai mesmo comprar aquilo simplesmente porque não tem plano de saúde, o sistema público de saúde não funciona e o coitado não tem dinheiro para uma consulta particular.

Estranho país esse, onde medicina é vendida pela TV. Não foi proibido anúncio de cigarro e de bebidas alcoólicas fortes? Por que também não se proíbe essa medicina televisiva?

Concluindo: não é porque Xuxa é apresentada como rainha dos baixinhos que tenha qualquer autoridade para falar a respeito do bem estar e qualidade de vida das crianças. Xuxa transformou-se numa marca, ela própria é um produto, um produto que gera outros produtos. Não tem qualquer autoridade ou autorização para dizer o que é bom ou não para as crianças. Ela apenas induz meninas a comprar coisinhas e mais coisinhas com o dinheirinho dos papais e mamães. Instrutivo, não?
E se você tem mania de ver e acreditar em tudo que se passa na televisão, a persistirem esses sintomas procure um médico...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Caçuá do tempo

--- Walter Medeiros

Vivi lá pelo sertão,
No cheiro do aveloz,
Pelo espinho do cardeiro,
Vendo a boneca do milho
E a Rosinha do amor.

Nada mais belo que as pedras,
Areia, poeira seca,
O entrançado das cercas,
O colorido do mato
E os bichos fazendo som.

Na sombra do umbuzeiro
Ouvi muitos passarinhos,
Vi um luar tão branquinho
Inda menino buchudo
Levava a vida a sonhar.

Agora o sonho é saudade
Do tempo que já se foi
Dentro de um carro de boi
Trancado num caçuá
Cheio de felicidade.

Caatinga adentro encontrava
Pelas plantas do destino
A mais bela flor vermelha
E vasos com mel de abelha;
Como meu mundo cheirava!

Mas ninguém faz o que quer
Fui parar noutros lugares
E aqueles belos luares
Agora apertam meu peito
Mas fazem a minha fé.

Acabou de chegar uma chuva de sertão: a bença, minha vozinha

Acabou de chegar uma chuva de sertão. Chuva grande, poderosa. Chuva do tempo velho, quando o sertão era terra de bicho brabo: onça esturrando alto no meio da noite densa. Chuva antiga, muito antiga, tempo em que as mulheres da casa usavam cabelo alto, arrumado num totó. Chuva boa, criadeira, plantadeira de chão, trabalhadeira da terra. De enxada e brotação. 
Arte do livro Asa Branca feita com nanquim e guache - Maurício Pereira

Não sei porquê, mas essa chuva me trouxe essa lembrança de tempo que não vivi. Dá-me a impressão, essa chuva, de uma alegre chegada de avós que moravam nos escondidos da serra, apeando na capital. E de lá me contando muito do trovão explodindo a noite, o corisco vigoroso fatiando o ar na foice, na foice da luz do céu. 

E na noite a cruviana, o frio largo do sertão, faz o homem se arranchar bem firme em cima da sela, puxar a veste de couro e esporear o cavalo em direção da morada. 

Sua bença, minha chuva, chuva velha que me manda, menino que inda sou, sair do meio do paito mode num pegar um difruço. Sua bença, chuva antiga. Sua bença, chuva antiga.

domingo, 11 de março de 2012

Louvemos os ladrões

Louvemos os ladrões. São raça antiga, universais sujeitos. Louvemos os ladrões. 
Guto Cassiano

Como os bons médicos, os bons engenheiros, os bons pedreiros, os advogados plenos, há também os bons ladrões. Aqueles que se destacam pela agilidade mental, pelos gestos perfeitos, pelo conhecimento que têm, louvemos os ladrões. Mais justamente aqueles que, sob o título genérico de políticos, roubam à tripa forra e nada lhes acontece. 


São injustos, cruéis, perversos, malsinados; mas são ladrões, acima de tudo ladrões. São encontradiços desde o governo federal aos governos estaduais, câmara dos deputados, assembleias legislativas, vereadores e gabinetes os mais secretos. Louvemos os ladrões.


São astutos, ligeiros, não têm alma. São ladinos, persistentes, afilados. Astuciosos, fazem leis e essas leis jamais os punem. Louvemos os ladrões, esses sabidos.

 Roncam alto, como roncam. Mas estão sempre acordados nos acordos que perpetram. São ladrões, são miseráveis; que nos roubam, nos assaltam com palavras e com gestos. E assim, fiquemos pasmos, perplexos, cansados. Louvemos os ladrões, pois, afinal, como ladrões, apesar de tudo ainda não nos roubaram a última coisa, o grito que devemos dar: vocês são ladrões e sabem disso. E sabem que nós sabemos que vocês sabem que nós sabemos que vocês são ladrões.

sábado, 10 de março de 2012

A história secreta da construção da Arena das Dunas

A Torre de Babel também constará dessa magnífica arrancada para o progresso

O Governo afinal poderia mostrar serviço: iria construir um hospital. Antes, porém, o Secretariado reuniu-se e decidiu que o hospital deveria funcionar numa nuvem. Assim poderia se deslocar por todo o estado e prestar um excelente serviço ao povo. Abriu-se a competente licitação. Grandes e conceituadas empresas nacionais e internacionais, com inesgotáveis currículos em construção de grandes obras em nuvens se apresentaram, e a mais graduada delas foi  escolhida.
http://www.google.com.br/imgres?hl=pt-BR&client=firefox-a&hs=J49&sa

A empresa montou seu canteiro de obras em grandes, enormes balões estratosféricos, mas surgiu um problema: não havia nuvens, ou melhor, uma nuvem suficientemente grande para dar-se início à grande obra. O Secretariado então se reuniu e chegou à conclusão de que seria necessário contratar empresa especializada na fabricação de nuvens especiais, nuvens que fossem capazes de sustentar um hospital como aquele, grandioso e altamente necessário à rede pública de saúde.

Foi novamente aberta licitação e grandes construtoras de nuvens compareceram ao certame, sendo escolhida sem dúvida a mais competente. Mas, houve outro problema: para construir nuvens seria necessário uma altíssima montanha, pois assim seria mais fácil a nuvem ser fabricada e ganhar altura. E, claro, veio a mais qualificada empresa de construção e erguimento de montanhas, e foi contratada.

Afinal, todas as empresas trabalharam, cada um em sua especialidade e o monumental nosocômio foi dado como pronto. Todavia, desde o início das obras até sua conclusão haviam se passado muitos anos, o Tesouro fora levado à falência e, o que é pior, todo o povo morrera por falta de assistência médica, já que não havia hospital para atendimento. E como não havia mais povo, muito menos os doentes, o hospital era agora desnecessário. O que fazer?

Resposta: o Governo tomou grandes empréstimos com um grande objetivo: iria importar doentes e afinal inaugurar seu hospital. Mas doentes, especialmente doentes importados, doentes fabricados em países distantes e de grande evolução industrial, custavam muito caro. Não deu para comprar. O Governo então tomou sua mais sábia decisão: contratou grande entidade especializada em fazer chover. E a empresa veio e fez chover, transformando em chuva a nuvem onde estava o hospital, que veio abaixo de forma estrepitosa para gáudio da equipe governamental.
https://www.google.com.br/search?q=torre+de+babel&hl=pt-BR&client

Houve uma grande, torrencial inundação. E quando a inundação passou, os olhos estarrecidos de quem sobrou puderam contemplar tudo de bom que fora feito pelo governo: dos escombros surgiram as formidáveis obras da Arena das Dunas. E, como o Governo não descansa, agora estamos esperando pelas obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014.

Nota da Redação: ao encerrarmos esta edição fomos informados que, para acompanhamento das obras de mobilidade urbana, foram recuperadas as plantas da Torrre de Babel, cujas obras terão início em caráter de urgência urgentíssima. Lá de cima, os governantes - que teem grande visão -, poderão contemplar como serão grandiosas e vastas, a perder de vista, as obras de mobilidade urbana.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Complexo de vira-lata ou que entrem os palhaços

Quer dizer então que o Governo aceitou o pedido de desculpas do cartola Jérôme Valcke. Continuamos os mesmos: o velho complexo de vira-lata. Vamos receber com ademanes e tremeliques, luvas e salamaleques aquele que, apoiado na inteentona Copa do Mundo, nos mandou um chute no traseiro. 

http://rascunhosarrabiscado.blogspot.com/2009/02/os-palhacos-somos-nos.html
Se a Fifa já está impondo ao país uma despesa monumental, tirando do nosso povo um dinheiro que fará falta a hospitais, escolas, universidades, estradas e segurança pública, não seria de estranhar a sucumbência.

Afinal, somos mesmo o país do faz de conta. Sendo assim, nada a estranhar: primeiro porque há obras que estão mesmo atrasadas, as tais obras de mobilidade não se movem e no fim o que se quer mesmo é o circo, não é mesmo? Então, que entrem os palhaços, que somos nós mesmos. Estamos apenas reformando a fantasia, vamos sambar e ainda pagar para sambar.
O que somos

http://complaintsbook.blogspot.com/2008/10/rosa-azul.html
No Dia da Mulher um registro especial, com marcas de passos e gestos de afeto, a Minha Mulher. Que a meu lado é sempre um gesto de luz e a delicada sensação de que tudo o que vivemos e estamos a viver é a reafirmação de tudo o que somos: a divina coragem de estar.

Um beijo especial a Minhas Filhas e Minha Neta, as primeiras sempre meninas, a segunda criança ainda.



 
CORAGEM PARA VIVER
--- Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br  
A cada ano - há alguns anos - no dia 8 de Março faço uma homenagem a uma mulher, para registrar de forma significativa o seu Dia Internacional. Já homenageei muitas mulheres, no seu dia ou fora dele, em função das lutas que travam diuturnamente por melhores dias para a humanidade. Neste ano de 2012 envolve-me um desejo de fazer um registro que vem se delineando através dos anos e que considero ser hora de fazê-lo, escolhendo uma amiga que nem conheço pessoalmente, mas que tem um significado imenso para a têmpera de luta dos brasileiros.

É uma mulher destemida, lutadora, que tem como maior referência o ânimo de superação. Conforme ela mesma conta, num dia qualquer da vida, sem aviso prévio, abruptamente uma mielite transversa meou-lhe o corpo, tornando-a paraplégica. Há 27 anos, usa uma cadeira de rodas para deambular e enfrenta um turbilhão de dificuldades. Uma limitação gritante, uma vez que se viu banida da locomoção e da sensibilidade tátil. Ficou reduzida a apenas braços e cabeça. Mesmo diante de todo esse quadro ela não se julga uma pessoa doente, pois o que tem é a seqüela do triste ocorrido.

Durante todos esses anos, a nossa amiga, que estava saindo da sua juventude, com 36 anos, precisou de alguns apetrechos e muito exercício de paciência, improviso e capacidade para se adaptar. Recorda que um dia uma emergente advogada, moça simpática, inteligente e bonita, ao sair do Tribunal deixou-lhe uma anotação: “Entra no Google e pesquisa auto-hemoterapia - trabalho do Dr. Luiz Moura”. Agradeceu e guardou a anotação. Fez a pesquisa e ficou encantada com o que leu e viu depois no DVD que a mesma advogada lhe passou. Convencida do efeito benfazejo da auto-hemoterapia, não obstante o ceticismo próprio do cargo de Delegado de Polícia que exerceu durante alguns anos, resolveu experimentar, convicta de que mal não faria.

Ficou estupefata ao fazer uma ultrassonografia e constatar que um cisto de ovário detectado em exame anterior e que deveria ser objeto de uma cirurgia, havia desaparecido. Vítima havia anos de uma trombose, que recidivara duas vezes, ficou com a perna esquerda mais grossa do que a outra, incluindo a nádega, o que lhe causava um grande problema postural. Qual não fora a surpresa ao notar que não mais precisava de um calço e que a perna que sofrera a trombose estava quase igual à outra. A sua lesão é medular, com ausência de locomoção e sensibilidade a partir do nível T-4 (4ª vértebra torácica), o que significa dizer que estava inerte do peito para baixo. Todas essas passagens estão documentadas com atestados e exames.


Empunhando a bandeira do otimismo, ela tem sucesso como mãe, como esposa e como profissional. Quatro filhos formados e bem endereçados na vida, além de um marido sempre encantado consigo. Depois de paraplégica ascendeu, por concurso, aos cargos de Delegado de Polícia e Analista Judiciário, reforçando a certeza de que luta é a sua palavra de comando. Agora as suas taxas estão excelentes. Tudo dentro da normalidade. A trombose que tinha na perna esquerda foi, totalmente, recanalizada, conforme exame recente. Sua estima está em alta. Nunca se sentiu tão bem. Afirma que “No meu sentimento de amor, gostaria que o tema AHT fosse estudado para melhorar a saúde de todos, principalmente daqueles mais carentes de recursos financeiros”.

Na declaração mais recente que fez, continua “encantada com a Auto-Hemoterapia. Encantada e agradecida! Faço-a regularmente”. Dentro da sua faixa etária, afirma que está ótima. Acha que não vai mais andar, mesmo por que nunca esperou por isso. Mas dá uma das maiores lições de vida, ao afirmar que “não se anda apenas com as pernas”. Genaura Tormin, Técnica Judiciária, escritora e poeta em Goiás, pronuncia palavras emocionantes: “Embora não marque o chão com minhas passadas, o meu coração é livre, altaneiro e ganha asas, alicerçado sempre na coragem e na alegria de viver”.
Por tudo isso, que é apenas uma pequena amostra da grandiosidade desta pessoa humana excepcional, rendo-lhe aqui a minha mais elevada homenagem neste Dia Internacional da Mulher.
*Jornalista
---
Saiba mais sobre Genaura Tormin no seu blog LEVE, LIVRE E SOLTA

segunda-feira, 5 de março de 2012

Desmatou? Precisa pagar multa não, ok?


http://naturezaecologica.com/tag/amazonia/impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal.
O novo Código Florestal criou uma selva de incentivos aos desmatadores. Praticamente todos serão liberados de pagar as multas devidas não ao governo, mas à sociedade, aquela que deverá suportar as consequências desse tipo de ação criminosa. O país institui, cinicamente, a impunidade aos que ofenderam brutalmente a natureza.  Veja trecho de matéria da Folha a respeito:

A aprovação do novo Código Florestal, prevista para esta semana, deve levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$ 1 milhão

A Folha obteve a lista sigilosa e atualizada das 150 maiores multas do tipo expedidas pelo órgão ambiental e separou as 139 que superam R$ 1 milhão. Dessas, 103 (ou pouco menos que 75%) serão suspensas se mantido na Câmara o texto do código aprovado no Senado. Depois, ele segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff. 

Pelo texto, serão perdoadas todas as multas aplicadas até 22 de julho de 2008, desde que seus responsáveis se cadastrem num programa de regularização ambiental. As punições aplicadas depois disso continuarão a valer. 

Para conseguir o perdão, o produtor terá três alternativas: recompor a reserva legal (metade da área pode ser com espécies exóticas), permitir a regeneração natural ou comprar área de vegetação nativa de mesmo tamanho e bioma do terreno desmatado.

domingo, 4 de março de 2012

Samvel Yervinyan 3 (HD)

Bela foto de Cartier Bresson

Leio no L&PM Blog e compartilho ( http://www.lpm-blog.com.br/?p=14150 )

Marilyn Monroe por Cartier-Bresson

No set de filmagem de Os desajustados (The misfits), em 1960, as lentes do fotógrafo Henri Cartier-Bresson flagraram uma moça de ar melancólico e olhar distante. Cabisbaixa, nem parecia a estonteante musa do cinema, que despertava a cobiça dos homens mais poderosos do mundo com sua beleza irresistível. Altiva, nunca decepcionou diante das câmeras. Mas os instantes precisos capturados pelo mestre da fotografia deixam transparecer uma Marilyn Monroe que poucos conheciam. Seu brilho radiante era, às vezes, só uma fachada para o público quando, na verdade, seu estado de espírito era sombrio.
Em Cartier-Bresson: o olhar do século, o biógrafo Pierre Assouline comenta este episódio da gravação de Os desajustados:
Mesmo ao cobrir um evento muito bem organizado, também acompanhado por vários colegas, Cartier-Bresson sempre consegue tirar pelo menos uma foto com a sua marca pessoal. É o que acontece em 1960, quando John Huston filma “Os desajustados”, e seus fotógrafos da Magnum revezam-se nas filmagens, dois a dois. Apesar do excesso e da superabundância de imagens, tanto em qualidade quanto em quantidade, ele consegue tirar uma foto de Marilyn sob os olhares dos demais, única por sua composição, sua ironia e sua ternura. Talvez a atriz não estivesse totalmente alheia à magia do momento. Durante o jantar da equipe, o fotógrafo coloca sua Leica sobre uma cadeira vazia à sua direita. A atriz chega atrasada. Um olhar à máquina, outro a Cartier-Bresson, o tempo de associar um ao outro e ele já tira proveito da ocasião:
- Você gostaria de conceder-lhe sua bênção?
Ela faz que senta sobre a Leica, roça-a de leve com as nádegas, esboça um sorriso malicioso e pronto…
As fotos de Cartier-Bresson e sua Leica “abençoada” fazem parte da exposição “Quero ser Marilyn Monroe” que entra em cartaz na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a partir de 04 março. Serão 125 obras de 50 artistas distribuídas nos 500 m² da mostra. Uma oportunidade imperdível para ver de perto, além das fotografias de Cartier-Bresson, o trabalho de artistas como Andy Warhol, Douglas Kirkland, Cecil Beaton, Milton H. Greene, Richard Lindner, Kim Dong-Yoo, entre outros. 

O último gol de Garrincha pelo Botafogo mostrado pelo histórico "Canal 1...

Uma bela imagem

http://www.personal.psu.edu/wbs14/blogs/equine_breeds/Black%20and%20White%20Percheron%20Picture.jpg

sábado, 3 de março de 2012

Cena clássica - Blow-up - de Antonioni (Yardbirds Scene)


Cartola da Fifa diz que Arena das Dunas está com obras atrasadas

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, agiu de forma grosseira ao se referir aos atrasos nas obras da Copa, quando citou que a construção de estádios está atrasada, e que assim o Brasil deve levar "um chute no traseiro", para aprender a cumprir prazos. Matéria da Folha registra quando ele diz: "O Beira-Rio está com obras paradas. Estádios como Maracanã e Arena das Dunas devem ser concluídos depois do previsto no cronograma".
http://www.google.com.br/imgres?q=jerome+valcke&hl=pt-BR&safe=off&client

Mais claramente, para quem pensa que está tudo bem com o estádio do RN: as obras estão atrasadas sim. Basta ver a mínima quantidade de operários e máquinas empenhados na obra. Mas, voltando ao cartola: ele age assim pelo fato mesmo de que nosso país se acocorou perante os dirigentes máximos do futebol mundial. Para ter aqui uma Copa o país fez concessões demais, se ajusta ao que determinam os grandes da Fifa. 

O maior erro é realizar aqui o campeonato mundial. Esse é abuso inaceitável. Qualquer pessoa de bom senso sabe que não precisamos de estádios, mas de hospitais, segurança, escolas, estradas dignas desse nome, cultura, qualidade de vida.  O segundo maior erro é um Estado sucumbir aos interesses de entidade privada, que vai lucrar bilhões em detrimento dos interesses nacionais, mais claramente do ser coletivo a quem chamamos povo. 

Para encerrar: o Rio Grande do Norte não tinha nada que ter puxado para cá a construção de um elefante-branco. Ou será que este riquíssimo estado pode ser dar a esse luxo? Sugestão: vá ao Walfredo Gurgel e encontre a resposta. 

Leia a matéria da Folha: 

Valcke sobe o tom para criticar Brasil


País está atrasado e precisa de 'chute no traseiro', afirma cartola

DE SÃO PAULO


A Fifa aumentou a pressão sobre o Brasil por conta de atrasos na Copa de 2014.
O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, elevou o tom de reclamações contra o país, o que já tinha feito no início da semana. Recorreu até a termo chulo para expressar sua indignação. 

"Nós deveríamos ter recebido este documento [Lei Geral da Copa] assinado em 2007, estamos em 2012. Você tem que se empurrar, tem que receber um chute no traseiro e entregar a Copa do Mundo", afirmou o dirigente em evento da International Board, que decide as leis do futebol.
A Lei Geral da Copa chegou a ser aprovada em comissão no Congresso, mas, por um erro, será votada novamente. 

Ao contrário do que disse no ano passado, o cartola da Fifa agora entende que nem as obras nos estádios estão bem. "Não compreendo porque as coisas não avançam. A construção dos estádios não está nos prazos. Por que tantas coisas estão atrasadas?", indagou o dirigente. 

O Beira-Rio está com obras paradas. Estádios como Maracanã e Arena das Dunas devem ser concluídos depois do previsto no cronograma.
Sua críticas também se estenderam às áreas de hotelaria e aeroportos. Para ele, há quartos de hotéis suficientes no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas não em Manaus. 

E pareceu lamentar o fato de ter aceitado acabar com a regionalização da Copa, o que aumenta as viagens.
"Tomamos a decisão de mover os times em só uma parte do Brasil para minimizar viagens, mas os organizadores explicaram que tinham que espalhar [os jogos] pelo país", contou. "Tendo apoiado a decisão do Brasil, temos que assegurar que os fãs e a mídia vão seguir seus times." 

Valcke ironizou o país por pensar mais em ganhar a Copa do que em organizá-la.
"A prioridade na África do Sul era organizar a Copa, e não ganhá-la. Parece que tudo que o Brasil quer é ganhar e isso tem que mudar."

Leio na Folha e compartilho

Exposição sobre Marilyn Monroe reúne 125 obras e filmes da diva

DE SÃO PAULO
Heidi Popovic
"Marilyn Contemporary" (2008 - foto) é uma das atrações expostas em "Quero Ser Marilyn Monroe!", montada na Cinemateca
"Marilyn Contemporary" (2008 - foto) é uma das atrações expostas em "Quero Ser Marilyn Monroe!", montada na Cinemateca

Pela primeira vez no Brasil, a exposição "Quero Ser Marilyn Monroe!" desembarca na Cinemateca Brasileira (zona sul de São Paulo) em 4 de março, celebrando os 50 anos da morte da diva.

Exposição sobre Elvis Presley vem a SP

Até 1º de abril, o público pode conferir gratuitamente 125 obras de arte e filmes de uma das principais estrelas do cinema. Entre as peças estão trabalhos de artistas consagrados como Andy Warhol, Allen Jones, Peter Blake e Henri Cartier-Bresson.

A exposição conta com a famosa foto "Red Velvet Pose", de Tom Kelley, para a "Playboy", e a atriz entre o lençóis de "One Night with Marilyn", do fotógrafo Douglas Kirkland, entre outras imagens.
A lendária foto da "sex symbol" sobre a grande de ventilação do metrô também faz parte da mostra, que inclui filmes como "Os Homens Preferem as Louras" e "O Pecado Mora ao Lado".

Acesse o site Catraca Livre para saber informações sobre eventos gratuitos ou populares.
Quero Ser Marilyn Monroe! - Cinemateca Brasileira - lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, zona sul, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3512-6111. De 4/3 a 1º/4. Seg. a sex.: 9h até o fim da última sessão de cinema. Sáb. e dom.: 10h até o fim da última sessão de cinema. Grátis.

Divulgação
Marilyn Monroe (foto) retratada por Douglas Kirkland, em 1961; exposição sobre a atriz começa em 4 de março
Marilyn Monroe (foto) retratada por Douglas Kirkland, em 1961; exposição sobre a atriz começa em 4 de março  

Mel Ramos/Licensed by VAGA, New York, NY
A partir de 4 de março, "Quero Ser Marilyn Monroe!" traz a obra em litografia "Peek-a-Boo", de Mel Ramos
A partir de 4 de março, "Quero Ser Marilyn Monroe!" traz a obra em litografia "Peek-a-Boo", de Mel Ramos
A menina que virou a cabeça dos alunos e do professor

Por Leide Franco


Mais uma sexta-feira à noite. Enquanto uns lotam os bares e festejam as happy hours, estávamos contemplando a vida acadêmica, no cumprimento da semana, nas últimas quatro aulas consecutivas que marcam a proximidade do fim e as poucas horas que faltam para o dia acabar. UFRN, setor II, bloco B, sala 3, esse é o caminho percorrido para chegar até o que seria só mais um dia de aulas da disciplina Oficina de Texto III, ministrada pelo “Velho Barreto” (professor Emanoel Barreto) e sua camisa lilás clarinho, sua calça jeans presa na cintura por seu cinto de couro marrom; conjunto esse que vestia os seus mais de trinta anos de vivência direta com o jornalismo.

Nada fora do normal. Sala de aula grande com em média trinta alunos, aparelhos de ar condicionado congelando a pele, o ranger da porta em consequência do entra e sai dos alunos com seus celulares nas mãos que teimam e escolhem tocar sempre durante as aulas. Cada um em seu canto, cada um ocupando seu espaço. Uns atraídos pelas exposições explicativas do professor e outros em outro mundo: O virtual. É a prova da inclusão digital e a chegada da rede Wi-Fi que se instalou por quase toda universidade, conectando mundos.

Repetindo: Até então nada diferente do habitual, a não ser uma menina aparentando uns 8 anos de idade, de pele cor de cravo ou canela, cabelos curtos, olhos decididos. Vestia calça cor de rosa, sapatilhas também rosa quase bailarina e uma blusa branca florida. Ela abriu a mesma porta que rangia, entrou vagarosamente pela sala de aula, “desfilou” leve, quase na ponta dos pés, fazendo um caminho em forma de “U” quadrado, carregando um aparelho de celular com as duas mãos, pronta para deixar em um endereço certo. 

Qual?
Quem? 

Essas eram as perguntas que todos faziam silenciosamente enquanto acompanhávamos com o movimento da cabeça os seus passos firmes. Todos pararam e olharam ao mesmo tempo o seu percurso que parecia ensaiado. Afinal, quem seria aquela pequena grande notável em um habitat tão diferente do seu?

Foi questão de uns dez segundos essa viagem na qual todos nós embarcamos. Ela chegou determinada, estava resolvida, confiante de que estava no lugar certo e de encontro à pessoa certa: Seu pai que estava sentado na última fila e na última cadeira, onde findava o “U” quadrado. Mas seria mesmo o pai dela? Foi o que imaginamos sem nem nos preocupar em perguntar se era isso mesmo. Ficamos um tanto tocados por aquela cena distinta. Continuando a sua missão, ela entregou o celular a ele, sentou-se na cadeira ao lado como se ela fosse sempre sua, nos ignorou e nem se incomodou em corar as bochechas de vergonha por causa da atenção que despertou em todos e que fez o professor Barreto calar por aqueles segundos. 

Depois de acomodada, com suas pequenas pernas suspensas na cadeira, pegou o laptop do “pai”, conferiu com atenção alguma coisa que se apresentava na tela do computador. Fuçava e digitava daquele jeito como todos da sua geração, como todos os que não sabem o significado da era não-digital. O que ela via naquele laptop era algo do tipo que exercia sobre ela e sobre seus olhos donos de cílios “impiscáveis” grande poder. De repente cansou, guardou o computador na mochila do “pai”; saiu pelo mesmo caminho que chegou. Poucos minutos depois voltou com a mesma desenvoltura de antes, sentou-se na mesma cadeira, prestou atenção de um jeito como uns não estavam fazendo, ouvia atentamente o que professor dizia e fazia aquela cara de menina que de tudo já entendia.

quinta-feira, 1 de março de 2012


"Estou doente, estou muito doente..."

No País havia um problema: uma grande epidemia de dengue destruía a saúde das pessoas, ocupava todas as manchetes e levava medo, democraticamente, a todos o pontos, mesmo os mais distantes. De repente, alguém se lembrou: "Vamos falar com a Autoridade. A Autoridade pode dar jeito nisso. Toda Autoridade dá jeito em tudo."

A repercussão foi a maior possível: todos os moradores do País se reuniram em praça pública e tomaram a decisão de procurar a Autoridade. Houve gritos de regozijo, palavras de apoio e alegria incontida: a Autoridade iria atender ao povo, mobilizar esforços, compor comissões de alto escalão e logo, logo, a dengue seria superada e expulsos por decreto todos os mosquitos.

De repente, porém, um do povo gritou: "Mas, onde encontraremos a Autoridade? Alguém viu a Autoridade por aí?" E a resposta unânime: "Não!"; ninguém tinha visto a Autoridade nos últimos vinte anos. Mistério. O que fazer? Rápido em sua ação, um homem sugeriu: "Vamos formar uma Comissão Popular de Insatisfação-CPI e assim, quem sabe, encontraremos a Autoridade." Outro completou: "Muito bem. Além do mais, será um trabalho de arqueologia, uma grande descoberta. Já pensou? Encontrar uma Autoridade? Ganharemos o Nobel da Ciência Arquelógica."

E a partir daí, toca a procurar. A CPI não media esforços e era acompanhada diariamente pela TV, rádios, jornais e internet. As manchetes diziam: "Autoridade foi vista viajando em jatinho particular"; "Autoridade desaparece em meio a uma nuvem de mosquitos da dengue"; "CPI invade favela procurando Autoridade, mas a recebida a bala por traficantes"; e afinal: "CPI descobre pista da Autoridade".

Quando essa última manchete saiu, causou grande comoção nacional. A dengue já havia matado milhares de pessoas e o possível sucesso da CPI era festejado nas ruas. A CPI empenhou-se ainda mais, até que enfim um grande jornal deu com exclusividade: "CPI descobriu casa da Autoridade e marca audiência para amanhã".

O País inteiro parou: amanhã, finalmente, a Autoridade iria ser acionada e iria tomar as providências cabíveis à gravidade do caso. No dia da reunião, a CPI chegou pontualmente e foi recebida por um mordono que, pondo o indicador sobre os lábios disse: "Psiu... Silêncio, a Autoridade está doente..." A CPI controlou seu pânico: "Será que a dengue pegou a Autoridade?"
Passou-se um tempinho, até que, afinal, a Comissão foi recebida pela Autoridade.

Pé ante pé, seus integrantes da CPI se aproximaram e seu Presidente disse: "Excelentíssima Autoridade: estais doente?"

"Siiim", respondeu a Autoridade com um fio de voz.

"E o que tendes?", foi a angustiosa pergunta do presidente da CPI.

"Ó, não queirais saber, meu justo cidadão", disse a Autoridade. E completou: "Estou gravemente doente. Gravamente doente de... caspa." Disse isso virou-se para o outro lado e declarou que tinha acabado de morrer.


Diante da reprovação da governadora Rosalba lembro o poeta Bosco Lopes. O poema é triste mas é verdade.

Riogrande

Rio grande da morte
Rio grande sem sorte
Rio grande sem forte
Rio Grande do Norte


Rio pequeno do Norte
Rio finito do corte
Rio seco de sorte
Rio Grande do Norte


Rio sem cais sem porto
Rio você já foi morto
Rio de leito torto


Rio chorando de fome
Rio triste sem nome
Rio cansado que some