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quarta-feira, 14 de março de 2012

Acabou de chegar uma chuva de sertão: a bença, minha vozinha

Acabou de chegar uma chuva de sertão. Chuva grande, poderosa. Chuva do tempo velho, quando o sertão era terra de bicho brabo: onça esturrando alto no meio da noite densa. Chuva antiga, muito antiga, tempo em que as mulheres da casa usavam cabelo alto, arrumado num totó. Chuva boa, criadeira, plantadeira de chão, trabalhadeira da terra. De enxada e brotação. 
Arte do livro Asa Branca feita com nanquim e guache - Maurício Pereira

Não sei porquê, mas essa chuva me trouxe essa lembrança de tempo que não vivi. Dá-me a impressão, essa chuva, de uma alegre chegada de avós que moravam nos escondidos da serra, apeando na capital. E de lá me contando muito do trovão explodindo a noite, o corisco vigoroso fatiando o ar na foice, na foice da luz do céu. 

E na noite a cruviana, o frio largo do sertão, faz o homem se arranchar bem firme em cima da sela, puxar a veste de couro e esporear o cavalo em direção da morada. 

Sua bença, minha chuva, chuva velha que me manda, menino que inda sou, sair do meio do paito mode num pegar um difruço. Sua bença, chuva antiga. Sua bença, chuva antiga.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Réveillon Insônia Bar 2010/2011: venha abrir o Ano Novo conosco

Reservas de mesa: 9609-9201/9990-9451
 
Cardápio de mesa para 4 pessoas - R$ 120,00

Pães e antepastos
1 Tábua de Frios
1 Tábua de Rosbife
1 Camarão Aperitivo
2 Filet Aperitivo
Caldo
1 vinho tinto
8 latas de cerveja Skol
1 Champagne para o momento da virada

Cardápio de mesa para 6 pessoas - R$ 160,00

Pães e antepastos
1 Tábua de Frios
1 Tábua de Rosbife
2 Camarões Aperitivo
3 Filet Aperitivo
Caldo
1 vinho tinto
12 latas de cerveja Skol
2 Champagnes para o momento da virada
 
Para mesas com crianças há possibilidade 
de servir hotdog e refrigerantes 
mediante substituição de produtos 
do pacote, com acerto prévio.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ripa na chulipa! E o povo suava e dançava... Ah! como dançava
Emanoel Barreto

Certa vez, como repórter, eu cobria a inauguração da sede de uma entidade assistencialista. Era um sábado de sol forte. Um sol que, dependendo da situação, poderia ser tido por uns como caliente e estimulante, charmoso, um sol com gosto de Jamaica. Outros, quem sabe, o chamariam de tórrido, ou como já se usou dizer, capaz de provocar um calor senegalês.

E o povo chegando, chegando, chegando, se aglomerando numa grande mancha morena e suarenta. E vieram as tais autoridades civis, militares e eclesiásticas. Os políticos falaram, os grandes empresários jactaram-se do grande serviço prestado à comunidade. Enfim, todos, cada um dos falantes cumpriu o seu papel, enaltecendo o feito, ali mostrado em cal, pedra, cimento armado e sol, mas muito sol.

Onze e meia da manhã e começou a circular cerveja servida em copo de plástico, tira-gostos grosseiros vasculhavam até o céu-da-boca das bocas famintas. Alegria, a malta suava e vibrava. Nisso, uma banda, que naquele tempo era chamada de conjunto musical, ataca seu som vibrante e seco, jogando no ar acordes vulgares.

Um sorriso enorme, um sorriso daqueles do gato risonho de Alice-no-País-das-Maravilhas achegou-se a todas as bocas: as alegres, as desdentadas, as bocas das moças bonitas e pobres. Um sorriso de ocasião, plenamente compatível com tão vulgar acontecimento.

Eu e um colega jornalista estávamos numa espécie de mezanino dali observando a cena, quando ele comentou: “Veja, Barreto, como é fácil ter o povo na mão. Como é fácil espremer alegria dessas pessoas.”

Era já então meio-dia. O sol fez rebrilhar seus melhores e mais fortes raios, inundando aqueles corpos de suor e expandindo, em cada músculo, em cada parte daqueles corpos que dançavam aquela festa na verdade tão rude, um sentimento de satisfação braçal, embora maquiada de bons pensamentos de promoção social.

E aquele povo dançou, ah!, como dançou. Dançou até enxugar de si todo aquele convescote. Feito sob medida para os necessitados de dignidade, mas alimentados a pão e circo.