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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Diz o Estadão

'Se o presidente Lula abusar, cabe à Dilma controlar', diz FHC sobre Ministérios

Ex-presidente diz que mandatários está interferindo demais na formação do novo governo

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://atravessando.files.wordpress.com


Anne Warth, da Agência Estado
SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta sexta-feira, 3, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está interferindo demais na formação da equipe de ministros da presidente eleita, Dilma Rousseff. Porém, ponderou que cabe a ela limitar os abusos que Lula cometer . "O presidente Lula sempre me criticou porque dizia que eu me metia demais na política depois da presidência. Agora e ele quem está se metendo demais", disse, após participar da inauguração do Orquidário Professora Ruth Cardoso no Parque Villa Lobos, na Capital paulista.
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O jornalismo declaratório, quando vazado na declaração em si, sem qualquer motivo que não o próprio declarar, é tão vazio quanto o silêncio dos omissos. No caso, as palavras de FHC são a prova disso. Tal tipo de "acontecimento", a declaração do tucano, é fruto da sugestão, da pauta. Portanto, do jornal. Ou seja: como o Estadão sabe que sempre que for convidado o ex-presidente vai disparar farpas contra Lula, o busca para proferir tais pronunciamentos. Qualquer desculpa serve, percebe?

Pergunto: por que ele foi chamado a dizer o que disse? Qual a importância do seu pronunciamento? Ele tem alguma representatividade na constituição do Governo Dilma? Seria mais ou menos chamar Pelé para opinar a respeito de qual seria a melhor política de saúde a ser implementada pelo próximo governo. Falta, percebe?, legitimidade, pertinência ao declaratório.
Quem sabe, o Estadão não deveria procurar Dilma para que se pronunciasse a respeito de como deverá ser feita oposição ao seu mandato.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

No velho oeste ele nasceu...
Emanoel Barreto

A Folha registra: Principal alvo de críticas do PT no programa eleitoral, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desafiou nesta quinta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma conversa "cara a cara", quando o petista "puser o pijama".


Dizendo-se vítima de mentiras, FHC disse que Lula foi mesquinho ao não reconhecer o legado do PSDB e assumir a paternidade da estabilidade da moeda.

"Estou calado há muitos anos ouvindo. Agora, quando o presidente Lula vier, como todo candidato democrata eleito, de novo, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil. No PT que seja", discursou FHC.

Estranho o comportamento do ex-presidente. A sensação que passa é daqueles filmes de caubói, quando um valentão quer se afirmar como o mais rápido gatilho do velho oeste e desafia oponente que detém tal, digamos qualificação.

A que ponto chegamos: rezas na campanha, gente se dizendo grande e fervoroso católico e agora um ex-presidente partindo para desafio. Oremos, oremos muito...

Imagem: http://www.recordrio.com.br/images/noticias/duelo_320_01.jpg

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

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A volta do sociólogo. Para que mesmo?
Emanoel Barreto

O chamamento a FHC para "ajudar" a campanha de Serra é um erro técnico no momento que vivemos. Primeiro, ele não tem liderença, influência junto a ponderáveis parcelas de população ansiosas por ouvir os seus pregões; segundo, o espaço que ocupará poderia muito bem servir a inserção de outras mensagens a favor de Serra. Pura perda de tempo.

Se não fosse assim, a campanha de Dilma poderia trazer dos arquivos da história a foto de FHC ao lado de Lula quando, aí sim, defendia a verdadeira democracia, como nesta foto, em 1978.


 Mas não é isso o que ocorre nem a campanha petista precisa de tais artifícios. E o apelo à volta do tucano apenas mostra a quantas está a campanha do PSDB. A busca de fatos novos em cara velha e já fora da agenda pública e midiática há tempos. Além disso, não se deve esquecer que os votos de Dilma estão cristalizados. E, se bem me parece, são muitos votos... 

Foto: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnHf16HSKYZ3L2RJ6o_fd0TWqD0ILAbClSOKk_wton7z9Js-ztV19vMbRy6X_cbWAGeI4tQuxQZ-KB12hkNTQdMvrDlHHYHtVJNRFYumZf-9XS0W7wKIrXBY9OfmNSGGm50rfR/s320/Lula-e-FHC-2.jpg&imgrefurl=http://oemunctorio.blogspot.com/2009_05_01_archive.html&usg=__Sthb4X6z-ZrStSWvxj2U__OQHwQ=&h=264&w=320&sz=24&hl=pt-br&start=0&sig2=ZX9h8w_Lf_qZQkBgwDKSrQ&zoom=1&tbnid=LhwYyuXtveNv2M:&tbnh=149&tbnw=179&ei=xIuvTJCyDMH78AbNgqSdCQ&prev=/images%3Fq%3Dfhc%2Be%2Blula%2Bem%2Bporta%2Bde%2Bfabrica%26um%3D1%26hl%3Dpt-br%26safe%3Doff%26client%3Dfirefox-a%26rls%3Dorg.mozilla:pt-BR:official%26biw%3D1024%26bih%3D425%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=134&vpy=80&dur=1100&hovh=204&hovw=247&tx=84&ty=84&oei=xIuvTJCyDMH78AbNgqSdCQ&esq=1&page=1&ndsp=9&ved=1t:429,r:0,s:0

sexta-feira, 17 de setembro de 2010


Morte, dor e fama, muita fama
Emanoel Barreto

A obra do artista Gil Vicente é feita para chocar. Truísmo à parte o que se vê é o trabalho de alguém que quer expressar alguma forma profunda de "ódio ao sistema", colocando-se o autor como sicário ou algoz de duas vítimas indefesas.

O trabalho pode ser analisado sob o prisma da estética da crueldade de Antonin Artaud. O poeta francês defendia uma "arte cruel". Aqui no sentido de uma arte que expressasse de forma crua um certo dado do real.

Ao assumir-se como personagem de sua própria obra, o autor evoca, para antagonistas de sua protagonização, duas figuras emblemáticas da política nacional sobre eles despejando todo o seu ódio. O negativismo intenso, o niilismo exacerbado se volta até mesmo contra os que veem o quadro uma vez que os coloca como um aquém integrado a este mesmo quadro e, portanto, participantes  do establishment que as duas vítimas representam, segundo a ótica do artista.

FHC como o sociólogo de esquerda, o medalhão ideológico que aderiu por inteiro ao neoliberalismo; Lula enquanto ator também de esquerda que teria "traído" a classe operária ao ligar o PT a forças conservadoras como o PMDB.

Gil Vicente não se pejou de colocar-se como um fanático, um carrasco que executa dois seres humanos cujas expressões faciais indicam profundo abatimento, amarrados, jugulados a um ser impiedoso que os executa de forma meticulosamente cruel.

E isso num tempo em que se busca a paz, o consenso, a civilização por oposto ao ato ali representado. Quer certamente ser amaldiçoado e será. No fundo o discurso do quadro implora para que o criador seja execrado, com isso alcançado fama, muita fama. É, é isso: fama, muita fama.

Obra de arte recebe críticas. Transcrevo da Folha (EB)


Marcelo Justo/Folhapress Obra que estará na Bienal causa polêmica por "matar" FHC e Lula






DE SÃO PAULO

A "Série Inimigos", de Gil Vicente, está causando polêmica antes mesmo de ser exposta na Bienal de São Paulo, que será inaugurada na próxima terça-feira. Nela, o artista retrata a si mesmo matando personagens famosos como Fernando Henrique Cardoso e Lula.

Nesta sexta-feira, a OAB-SP (Ordem dos Advogados de São Paulo) divulgou uma nota em que se coloca contra a exposição da série, "por fazer apologia ao crime".

Leia abaixo a nota na íntegra.


"Uma obra de arte, embora livremente e sem limites expresse a criatividade do seu autor, deve ter determinados limites para sua exposição pública. Um deles é não fazer apologia ao crime como estabelece a vedação inscrita no Código Penal Brasileiro.

A série de quadros denominada "Inimigos", do artista plástico Gil Vicente, é composta por obras as quais retratam, dentre outras, o autor atirando contra a cabeça do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, noutra mostra o mesmo autor, de posse de uma faca, degolando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essas obras, mais do que revelar o desprezo do autor pelas figuras humanas que retrata como suas vítimas, demonstra um desrespeito pelas instituições que tais pessoas representam, como também o desprezo pelo poder instituído, incitando ao crime e à violência.

Certamente não se pode impedir que uma obra seja criada, mas se deve impedir que seja exposta à sociedade em espaço público se tal obra afronta a paz social, o estado de direito e a democracia, principalmente quando pela obra, em tese, se faz apologia de crime.

Por esse motivo é que a OAB/SP está oficiando os curadores da Bienal de São Paulo, para que essas obras de Gil Vicente, da série "Inimigos" não sejam expostas naquela importante mostra."
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