segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Vejo no Estadão e compartilho

Morre aos 95 anos, em Londres, o historiador Eric Hobsbawm

Segundo a família, ele morreu em um hospital da capital britânica após enfrentar uma longa doença

01 de outubro de 2012 | 8h 12
 

estadão.com.br
Texto atualizado às 8h34
Eric Hobsbawm em janeiro de 2008 - Roland Schlager/Efe
Roland Schlager/Efe
Eric Hobsbawm em janeiro de 2008
 
LONDRES - Morreu nesta segunda-feira, 1, aos 95 anos, Eric Hobsbawm, considerado um dos maiores historiadores do século 20. O jornal britânico Guardian disse que a família confirmou que Hobsbawn sofria longamente de pneumonia.

Veja também:
link
A vida e a obra de Hobsbawm, por Elias Thomé Saliba


Segundo a filha do escritor marxista, Julia Hobsbawm, ele morreu no começo da manhã de segunda no hospital Royal Free de Londres, onde estava internado, disse a Efe. Entre suas obras mais importantes estão "História do século 20, 1914-1991" e "Guerra e paz no século 21".
É dele também a série composta pelos livros "A era das revoluções", "A era do capital", "A era dos impérios" e "Era dos extremos". Seu último livro, "Como mudar o mundo", uma coleção de ensaios, foi publicado no ano passado 2011.

A vivência de Hobsbawm como aluno durante a década de 1930 na Alemanha ajudou a consolidar suas visões de esquerda. Em 1936, na Inglaterra, ele entrou para o Partido Comunista, do qual foi integrante durante décadas, apesar de ter se desiludido com a União Soviética.

Hobsbawm publicou o primeiro de três livros cobrindo o "longo século 19" em 1962, em que abrange o período 1789-1914. No segundo volume, "Era dos extremos", tratou do período até 1991. Hobsbawn nasceu na Alexandria, no Egito, em 1917, filho de pais judeus. Ele cresceu em Viena e em Berlim, mudando-se para Londres em 1933, mesmo ano em que Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha. O historiador deixa a mulher, três filhos, sete netos e um bisneto.

Com Efe e AP

domingo, 30 de setembro de 2012

TREVOR JONES conducts Last of the Mohicans

Magnífico -The Last of the Mohicans - The Gael (Acoustic Guitar Version)

Encontrei este texto de Nelson Rodrigues e mostro a você.
 http://www.releituras.com/nelsonr_menu.asp

Complexo de vira-latas

Nelson Rodrigues


Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto:

— Não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: — desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo passou em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: “extraiu” de nós o título como se fosse um dente.

E hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: — é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: — se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: — o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade:

— eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: — sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto joga dores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado do Flamengo. Pois bem: — não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

A pura, a santa verdade é a seguinte: — qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma:

— temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “com plexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: — “O que vem a ser isso?” Eu explico.

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Por que, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: — e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: — porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.

Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.

O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota.
Insisto: — para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

Texto extraído do livro “As cem melhores crônicas brasileiras”, editora Objetiva, Rio de Janeiro (RJ), p 118/119, e ao  livro “À sombra das chuteiras imortais: crônicas de chutava”, seleção de notas de Ruy Castro – Companhia das Letras – 1993.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Shadows - Apache (The Final Tour)

The Shadows - Theme for young Lovers live on Final Tour

Encontrei esta pérola que compartilho com você.

Nelson Rodrigues me ensinou a delirar

De Marcelo Monteiro

Cheguei ao Globo algumas semanas antes do começo da segunda temporada de Nelson Rodrigues no jornal, em 1962. Vim indicado pelo irmão dele, Paulo, e passei a ilustrar a coluna deste, que se chamava "Se a cidade contasse...". Nelson chegou em março e logo comecei a acumular os desenhos para os textos dos dois irmãos. Por dez anos, fui o único a exercer esta função no jornal, e acredito que tenha sido o único a ilustrar as colunas de Nelson (tanto no Globo quanto no "Jornal dos Sports"), inclusive "A vida como ela é". 
http://semioticas1.blogspot.com.br/2012/08/unanimidade-para-nelson-rodrigues.html

 Como conhecia meu pai de longa data (o arquiteto e ilustrador Monteiro Filho), Nelson me tratava como um filho. E isso ele demonstrava com os apelidos mais estapafúrdios. 

Quando descobriu que eu havia tido uma pequena militância esquerdista, trabalhando em jornais do Partido Comunista, passou a me chamar de "ex-quase-perigoso-revolucionário". Falava alto, para todo mundo da redação ouvir. Outro apelido muito comum (e, acreditem se quiserem, carinhoso) era "ridículo". Mas logo descobri que não era exclusivo. Eu trabalhava em uma espécie de mezanino e de lá não via a editoria de esportes. Um dia, ouvi a voz grossa dele berrando: "Ô ridículo!!" Desci correndo. Surpreso, Nelson respondeu: "O que você está fazendo aqui? Não gritei teu nome, gritei 'ridículo'!". Ele estava chamando o Freitas, o contínuo. A gargalhada foi geral!

 A vida era uma aventura. Era difícil saber o que ia brotar daquela mente criativa,
se a crônica do dia teria algum personagem surreal. Quando menos esperava, Nelson surgia com um tipo novo. Eu tinha que pensar rápido e raramente ele se metia. Uma das poucas vezes em que lembro de intervenção foi no Sobrenatural de Almeida. Fiz o esboço às pressas e fui mostrar. Já tinha cartola, capa... Ele gostou de tudo isso, mas pediu: "Bota um pouco mais sinistro". 

E por falar nesta alcunha, teve até um personagem que chamava Andrade, o Sinistro. Era um pessimista com a seleção brasileira.Foi em uma das últimas copas que Nelson assistiu. Achei aquele particularmente difícil e fui perguntar a árvore genealógica do figura.Ele me chamou para perto e falou baixinho: "O Andrade é o Evandro (Carlos de Andrade, que era diretor de redação na época). Mas não faz ele parecido!" De fato, Evandro tinha sido cronista esportivo do "Diário carioca" e adorava discutir os aspectos técnicos da coisa. 

Ou seja, era o contrário do Nelson, que de técnico não tinha nada. Vocês podem imaginar, então, as discussões futebolísticas dos dois. Naturalmente, fiz o Andrade baixinho, atarracado, o oposto do Evandro.

  Uma das últimas lembranças que tenho de Nelson infelizmente não é alegre. Em 1980, nos meses finais de vida, ele vinha à redação com uma enfermeira. Um dia fui acompanhando os dois até o hall de elevadores, onde passou um repórter esbaforido e falou para ele: "Estão cogitando teu nome para a Academia Brasileira de Letras!" Nelson botou a mão no ombro dele e disse, laconicamente: "Não dá mais tempo". Doeu ver aquilo...
 Em tanto tempo de convivência, acabei aprendendo a viajar junto com ele. É isso, se posso definir em uma frase: Nelson Rodrigues me ensinou a delirar.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Flamenco Guitar Solo Spain

Recebo e divulgo



Academia quer participação no Conselho Consultivo do Rádio Digital
Pesquisadores desejam opinar no processo

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) encaminhou carta ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo Silva, solicitando vagas, para observadores da academia, no Conselho Consultivo do Rádio Digital. A carta, assinada pelo presidente da entidade, professor Antonio Hohlfeldt, explica que “a participação da academia se faz necessária nesse processo, pela expertise de seus pesquisadores, que podem colaborar com as discussões, oferecendo análises, estudos e diagnósticos do setor”. O Conselho Consultivo do Rádio Digital foi criado pela Portaria nº 365, de 14 de agosto de 2012 e, em sua composição, há representantes do Governo Federal, do Poder Legislativo, do setor de radiodifusão e da indústria.

A Intercom - uma instituição sem fins lucrativos, destinada ao fomento e à troca de conhecimento entre pesquisadores e profissionais atuantes no mercado – tem acompanhado as discussões sobre a implantação do rádio digital no Brasil desde 2001, por meio de artigos publicados pelos pesquisadores integrantes do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora.  A entidade procura não somente refletir sobre o processo de migração tecnológica, como também colabora com a construção de políticas públicas para o setor.

Em 2007, um grupo de 72 pesquisadores sócios da Intercom divulgou carta pública na qual questionava o Ministério das Comunicações acerca da tecnologia e dos métodos que seriam utilizados na implantação do rádio digital no Brasil. O movimento culminou com um encontro, em Brasília, em 13 de dezembro de 2007, entre o então ministro das Comunicações Hélio Costa e uma comissão formada por três professores escolhidos pelo grupo: Luiz Artur Ferraretto (UFRGS), Nair Prata (UFOP) e Nélia Del Bianco (UnB). Na reunião, o ministro apresentou várias explicações de ordem técnica sobre o rádio digital e ouviu da comissão a preocupação acerca da tecnologia e dos métodos que poderiam ser utilizados no processo.

Segundo a carta, os pesquisadores da Intercom têm se manifestado em defesa da construção de uma política pública para a implantação do rádio digital que assegure a manutenção da gratuidade do acesso ao rádio, a transmissão de áudio com qualidade em qualquer situação de recepção, a adaptabilidade do padrão a ser escolhido ao parque técnico instalado, a co-evolução e a co-existência do digital com o analógico, a oferta do aparelho receptor com potencial de popularização, a escolha de uma tecnologia não-proprietária e com potencial de integração do meio a outras mídias digitais.

De acordo com o documento, “a Intercom entende que a criação Conselho Consultivo do Rádio Digital representa um avanço no sentido de ouvir todos os segmentos envolvidos no processo de implantação do sistema de rádio digital”, mas solicita vagas para observadores da academia, com direito a voz, e que uma delas possa ser um representante da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. 

O Ministério das Comunicações confirmou que recebeu a carta e que o documento está sendo analisado.

Brasileira vende virgindade em leilão



“Uma catarinense de 20 anos está leiloando sua virgindade pela internet, após aceitar participar de um documentário de um cineasta australiano. Os lances para fazer sexo com Catarina Migliorini já chegam a US$ 155 mil (cerca de R$ 315,3 mil) e vêm de compradores dos EUA, Índia, Brasil e Austrália.” Encontrei a notícia no Portal IG e me veio uma pergunta: até que ponto chegaram as relações fictícias e a mulher se apresenta como produto.

A  prostituição é antiga, o comércio do ato sexual vem das eras mais remotas e tem como marco a efemeridade daquele encontro, uma vez que o homem chega até ela mas não sente-se responsabilizado por qualquer resultado daí resultante: gravidez ou contágio venéreo, por exemplo.

Usada, a mulher objeto do desejo torna-se coisa do passado implicitamente estabelecido nesse pacto comercial às esconsas. A obliquidade do relacionamento também estabelece à mulher uma espécie de poder: ela é que é a procurada, estabelece o preço do corpo e dos atos que com ele se poderão cometer. Mas esse poder é falso, a mulher será sempre a desditosa, uma vez que passável adiante até o próximo e qualquer parceiro. No fundo, o sacrifício será sempre dela. 

No caso dessa jovem, ao que parece plenamente inserida no métier como você verá na transcrição abaixo, o cinismo do falso poder que ela pensa exercer dá o tom do glamour criado pela midiatização do negócio. Não coloco em pauta o valor virgindade, questiono a forma como um ato cotidiano, um coito, ganha forma de coisa estranha, um estardalhaço, como se fora algo tão inacessível que seria preciso um bordel na internet para se realizar.

Segue a matéria:


Virgindade de brasileira já vale mais de R$ 315 mil em leilão na internet

Catarina Migliorini, 20 anos, está na Indonésia e participa de documentário do diretor australiano Justin Sisely

iG São Paulo | - Atualizada às
Reprodução
Catarina Migliorini, que está leiloando a virgindade na internet

Uma catarinense de 20 anos está leiloando sua virgindade pela internet, após aceitar participar de um documentário de um cineasta australiano. Os lances para fazer sexo com Catarina Migliorini já chegam a US$ 155 mil (cerca de R$ 315,3 mil) e vêm de compradores dos EUA, Índia, Brasil e Austrália.

Catarina e o russo Alexander Stepanov, 21 anos, foram selecionados há cerca de dois anos pelo cineasta Justin Sisely, idealizador de "Virgins Wanted". O documentário, que segue o formato reality show, contará a história dos dois jovens, que terão suas primeiras relações sexuais com o vencedor dos leilões.

Temendo eventuais problemas judiciais na Austrália, Sisely desistiu de filmar o projeto em seu país. Enquanto espera o fim do leilão, que começou em 17 de setembro e termina em 15 de outubro, Catarina está na Indonésia.

Em entrevista à Fox News em 2011, o cineasta disse que os virgens ficarão com todo o dinheiro dos lances, para que ele não possa ser acusado de ganhar dinheiro com a iniciativa. Na mesma entrevista, Sisely disse não se preocupar com a polêmica. "Considero que isto é arte, não prostituição", afirmou.

Em entrevista ao jornal australiano Herald Sun, Catarina garantiu que não foi pressionada a participar do projeto. "Vou seguir até o fim com o leilão", disse ela. "Espero encontrar alguém depois, porque o leilão é uma oportunidade de negócio, e não uma oportunidade amorosa."

De acordo com as regras do leilão, publicadas na internet, a relação sexual acontecerá até dez dias depois de o vencedor ser definido. Catarina terá de passar por um exame médico que garanta sua virgindade ao comprador.

Por sua vez, o vencedor do leilão terá de passar por um exame médico para mostrar que não possui doenças sexualmente transmissíveis. As regras definem que, durante a relação sexual, o comprador não poderá estar drogado, envolver uma terceira pessoa, beijar a virgem, realizar qualquer fantasia ou fetiche, usar brinquedos eróticos, telefone ou qualquer aparelho de gravação. A duração mínima da relação sexual - que, segundo o site, é definida como "o pênis entrando na vagina" - é de uma hora.
Só uma relação sexual é exigida e nenhuma outra pessoa além do comprador e da virgem poderão entrar no local. Não haverá filmagem deste momento.



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Chet Baker Retrato em Branco e Preto

Recebo e divulgo



Com apenas uma sala do centro cirúrgico em funcionamento, caos no HWG continua
Nada detém o caos em que se transformou a saúde pública no RN.  O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN) encaminhou ofício, nesta segunda-feira (24), à governadora Rosalba Ciarlini, à Secretaria Estadual de Saúde, ao Conselho Regional de Medicina e à direção do Hospital Walfredo Gurgel  informando e solicitando providências quanto a situação de absoluto caos e violação de direitos humanos no maior hospital público do estado.
Neste momento, das sete salas do centro cirúrgico do HWG, apenas uma está em condição de funcionamento para atender os três milhões de cidadãos do Rio Grande do Norte. As outras salas estão ocupadas, por falta de vaga em UTI, com cinco pacientes em situação gravíssima nos respiradores e aparelhos de anestesia, e sem médico acompanhante.

 Os anestesiologistas estão dando cobertura a estes pacientes quando sua função  é a execução dos procedimentos anestésicos para cirurgias, que não tem condições de serem realizadas pela falta de salas. Há risco de morte tanto para os pacientes que estão em sala aguardando vaga em UTI, quanto aos os que estão aguardando sala para cirurgia. 

domingo, 23 de setembro de 2012

Você tem a liberdade de ser obrigado a votar

Você é obrigado a ter a liberdade de votar e por ter a liberdade de votar é livre para ser obrigado a votar e, votando, exerce a liberdade de ter a liberdade de ser obrigado a votar porque ser livre para votar é a obrigação de ser obrigado a não ter a liberade de decidir se quer votar ou não. Moral da história: ninguém está livre do voto. Faço votos que isso um dia mude.

Veja que beleza: Stand By Me

Leio no portal Nominuto a respeito da morte do meu professor Armando Viana. Lembro de suas aulas de química, quando levava à sala de aula tubos de ensaio e fazia demonstrações, misturando substâncias que aos meus olhos produziam efeitos que beiravam à magia. Belíssimas aulas, professor; aulas incríveis. Meu abraço e minha saudade. 

Segue a matéria.

Morre o ex-vereador Armando Nobre Viana

Ele estava internado há quase dois meses no Papi e ontem sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Por Lara Paiva


O ex-vereador de Natal, Armando Nobre Viana, morreu na tarde de sábado (22) no Hospital Papi, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Ele estava internado há quase dois meses na unidade de saúde. O seu velório está acontecendo no Cemitério Morada da Paz, em Emaús, e o sepultamento será no final da manhã de domingo (23).

Ele era farmacêutico e bioquímico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi um dos primeiros profissionais a ter o registro no Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte.

Foi professor de Química do Colégio Marista, Nossa Senhora de Fátima, Atheneu, Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Desde o ano de 1954, ele era proprietário de farmácias e também teve laboratórios de análises clínicas. Deixou uma esposa, quatro filhos, dez netos e seis bisnetos.
 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O insustentável peso do Walfredo Gurgel

Leio estarrecido na Tribuna do Norte sobre a situação do Hospital Walfredo Gurgel: o descalabro, o desrespeito, o inaceitável como padrão de funcionamento. Os médicos fizeram bem ao mobilizar-se e denunciar, denunciar com veemência, tal abuso. O Walfredo Gurgel é um problema de saúde pública, literalmente. Instalou-se historicamente um quadro de funcionamento insatisfatório, o que sinaliza outra coisa: um quadro de governos insatisfatórios.

Governantes entram e saem com planos mirabolantes. Quando em campanha, os candidatos a governador teem planos, políticas públicas criados por marqueteiros, que transformam problemas sociais em argumento de campanha e põem toda a sua criatividade na elaboração de quadros sociais maravilhosos e pronto: o eleito será o avatar de um ser miraculoso, que transformará a realidade de pesadelo num sonho delicioso. Quando tomam posse, despertam e veem que não é bem assim.

O atual governo não é diferente: prometeu muito, prometeu tudo, prometeu mais que o tudo, seja o que for esse tudo. E agora o que temos é uma situação insustentável. Falta dinheiro para o hospital e sobra sofrimento e dor a quem precisa de atendimento. Vamos esperar que, no mundo vivido, o insustentável peso do Walfredo seja colocado na balança da seriedade e do trabalho.


O bem que não encontra eco no parlamento
Flávio Rezende
escritorflaviorezende@gmail.com

Tem umas coisas que podem até ter explicação, mas, pessoalmente, não    consigo digerir. Por exemplo, agora na política, o tempo na mídia é determinado pela representatividade dos partidos, ai, pergunto, se a disputa é por um novo parlamento, determinar o tempo dos que postulam ocupar um novo espaço, pelos que já ocupam, não é totalmente fora de propósito? O correto é que todos que postulam saiam em igualdade de condições, portanto o tão precioso tempo deve ser igualitário, posto que, como está os aquinhoados com mais tempo, terão imensa vantagem, maculando logo de cara, a tal democracia eleitoral.

Outra coisa, o camarada disputar o cargo estando no poder é de uma falta de bom senso incrível. Por mais que tenhamos leis, que separem as atividades do cara no poder e, as da campanha dele, lógico, claro, indiscutível que as inaugurações, as aparições, as declarações, a mídia espontânea do cara, são de longe, uma vantagem com relação aos demais, maculando assim, a tal democracia eleitoral.

Vez por outra recebo e-mails de propostas que encontram em meu ser guarita e que me remetem a grande alegria interior. Cito um que propõe que os políticos passem a pagar por suas aposentadorias, que elas sejam iguais à de todos nós, pessoas comuns, que eles vão trabalhar em seus próprios carros, paguem suas passagens aéreas do próprio bolso e seus funcionários também, que só tenham um mês de férias e que respondam a processo sem imunidade nenhuma. Eles receberiam um ordenado, diga-se, de médio valor, incentivando assim aos postulantes destes cargos não estarem ali em busca de emprego e, sim, para defender ideias, posições e aceitariam trabalhar por salários medianos, como os padres, alguns funcionários públicos, militares e a grande maioria do povo brasileiro.

Essas propostas podem parecer inocentes, ingênuas, mas nos países sérios, onde as coisas funcionam de maneira mais próxima ao mundo real, tudo isso é absolutamente normal. Aqui, as vestais do poder, sequer admitem discutir o assunto. Vez por outra leio que um ou outro político, levanta questões parecidas, mas, ninguém dá atenção, nem a mídia, que bem podia levar um cara desses para muitas entrevistas, expondo suas ideias de tal forma, que pudesse criar um forte movimento social de mudanças radicais.

Tempos atrás pensava que o Partido dos Trabalhadores seria portador de boas novas para o povo brasileiro, que mudanças aconteceriam, ledo engano, hoje, assisto desfilar nos canais de TV e, nas revistas e jornais que leio, a alta cúpula do partido desnuda em sua sede de poder eterno, flagrado em má conduta de mesadas partidárias aos mesmos vampiros que, antes, eram apontados como os capetas da república.

Em nome dessa tal governabilidade santos e belzebus se misturam cada qual com suas razões e defendidos por advogados de alto poder remuneratório, num caldeirão tão quente, que a razão se evapora na medida em que a emoção proporcionada pelo capital promove em suas vidas, o mergulho profundo num mar de dólares, euros, mulheres peladas, cuecas recheadas, dossiês, contrabandos, jogos de azar, traições, contradições e maldições, apagando da mente esperançosa dos idealistas e das pessoas de bem, todo um depósito de crenças num sistema político imaculado e correto.

Não nego e sou grato ao Partido dos Trabalhadores pelas grandes vitórias na condução do Brasil a pelos bons momentos e projetos sociais implantados, mas, não nego também, a decepção pela maneira como tentou se perpetuar no poder, por estes planos, antes condenáveis e, agora, igualmente utilizados.

Dilma mostra certa disposição em caminhar em outras direções, espero que tenha vontade e determinação para acabar com a nomeação de pessoas por critérios partidários, implantar uma ampla reforma política acabando com o ouro do poder, reformando o judiciário, mudando leis arcaicas e fora de época e, deixando esse povo da base aliada comendo na sua mão, esse povo precisa deixar de receber milho e levar uma surra de ética, ir para a cadeia quando delinquir, ficar preso quando desviar, voar e andar com as próprias pernas, sentir calor no trânsito, pegar engarrafamento, usar o cheque especial, chega de assessores, ECT free, gráfica, carro, mordomo, rapariga e desserviço ao Brasil. Se o petróleo é nosso, se a soja é nossa, se a Amazônia é nossa, por qual motivo as câmaras municipais, assembleias estaduais, a câmara federal e o senado são deles? 


Flávio Rezende é escritor, jornalista e ativista social em Natal.