sábado, 3 de agosto de 2013

A vitória de um jovem jornalista

Bruno Barreto agora 
tem dez anos de jornal

Exatamente há dez anos eu encaminava um menino a O Mossoroense. Parece que foi ontem. Hoje, jornalista formado, ele comemora, eu comemoro essa passagem de tempo e lhe mando um abraço. Mando a Bruno Barreto, meu sobrinho-filho, toda a minha alegria em saudação a essa vitória construída passo a passo, notícia a notícia, manchete a manchete.

Quando falei com Cid Rosado, um dos diretores, para que Bruno integrasse a equipe do tradicional O Mossoroense ele respondeu: "Pode mandar o menino pra cá." E deu certo. O menino enfrentou todos os desafios.


Veio, viu e venceu, seguindo os passos que eu advertira: "Siga carreira no jornalismo político. É ali que você poderá crescer. No jornalismo político aprenderá a interpretar os fatos, delimitar os limites do momento histórico, delinear suas consequências. Poderá, enfim, aprender o mundo, experienciar a história sendo feita a quente."


Ele aceitou e não se arrependeu. E como se fosse um minuto passou-se esse século pequeno que são dez anos de vida profissional, o que quer dizer a vida ela mesma, em sua inteireza e fragmentação, grandeza e desafios, beleza e enfrentamentos.


A meu sobrinho Bruno, menino grande que cresce no jornal, segue este texto que o tem como manchete de sua jovem vida. Vamos em frente, menino, que o tempo não tem tempo de esperar por ninguém. Pois a vida só se faz quando é feita como coragem. E isso você tem de sobra. 


E fique com esta manchete, em corpo 72.

Al Caparra, o gangster chic

Al Caparra, o gangster chic

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Padre Heusz em Mossoró


Vou lançar livro do Padre Heusz em Mossoró

É isso: estarei participando da Feira do Livro de Mossoró, cidade onde tenho raízes e amizades. Mossoró, povoada de boas lembranças. Terei oportunidade de rever muita gente e abraçar jornalistas. Percorrer ruas, rever paisagens, revisitar a saudade, viver alegrias.

Um abraço, Mossoró. Estou chegando.

sábado, 27 de julho de 2013

Cartum

Al Caparra,o gangster chic

O dinheiro ou a fé



O papa e os poderes de Roma
A vinda do papa Francisco implicou, no plano jornal-midiático, uma polifonia opinativa, gestos retóricos os mais diversos; cada um buscando dar uma explicação, uma interpretação a respeito do significado da visita. Este é apenas, em processo de metalinguagem, mais um dos tais textos. Curto, muito curto.
 
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Fica bastante claro que Francisco diverge por completo de todos os que o antecederam. A partir do fato de ser latino-americano. E surge num contexto em que a Igreja enfrenta literalmente concorrência com o protestantismo, especialmente em suas facções mais comerciais, pregadoras que são de uma certa teologia da prosperidade ou algo que o valha.

O papa vem no sentido oposto: valorização dos pobres, respeito às pessoas que estão em tal condição de classe, não aliança com a busca de sentido para a vida via ganho montanhas de dinheiro. Ou uma religião tio patinhas.

Parece-me que, em meio à crise que vive, a Igreja é instada pelo seu chefe supremo à busca de novos caminhos. Para tanto terá que conviver –  e vencer – os poderes interna corpore ao Vaticano, o lado mais, digamos, mundano da Igreja. Aquele lado que tem um banco poderoso, é envolvido com pedofilia, acata preconceitos. 

Se começar a vencer isso já será um bom começo de caminho.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Prego batido, ponta virada.

Padre Heusz agora está na rua 

Prego batido, ponta virada; lancei o livro. Coquetel assinado por Nara Buffet; música, voz e talento de  Tereza Souza que se apresenta no InsÔnia Bar, privilegiado mirante do Mercado de Ponta Negra, todas as sextas e sábados. 

Foi uma festa bonita sob a direção geral de Nana Barreto, minha mulher. Amigos, alunos e alunas foram festejar. Champanhe para todos, abração, grato.

As fotos são de Canindé Soares, Nana Barreto e meus alunos.

 

O livro está disponível na Livraria do Campus e por este blog.






























Em Mossoró em 09/08/2013 ( Fotos da Gazeta do Oeste e Nana Barreto)


































terça-feira, 23 de julho de 2013

Uma noite (quase) de terror

A vigília ao papa e o atentado que não aconteceu
A visita do papa Francisco lembrou-me a vinda a Natal do papa João Paulo II, em 1991. Naquela época eu estava no Diário de Natal, dirigindo a editoria de Cidades, e recebi a incumbência de passar a noite em vigília nas imediações da casa onde ele iria pernoitar, em Ponta Negra.  Motivo para tanto: em reunião com o superintendente Albimar Furtado, o editor-geral Vicente Serejo e a chefe de redação Margareth Martins temíamos que o papa, em local tão desprotegido, pudesse ser vítima de algum atentado. Ele já tinha sido atacado em Roma, imagine em Natal... Diante disso tomou-se a precaução: um jornalista ficaria atento a tudo o que pudesse acontecer.

Na companhia do repórter-fotográfico Marcus Ottoni segui para o local de minha vigilância: uma residência desocupada, taticamente ocupando ponto privilegiado de observação. Detalhe: eu não tinha autorização do esquema de segurança para fazer a cobertura. As credenciais eram poucas e tinham sido destinadas aos repórteres e, como eu era editor, por consequência não tinha credencial. Marcus Ottoni, sim.

E às seis da noite meti-me num carro do jornal e começamos o trajeto até Ponta Negra, saindo do Diário, que ficava na Deodoro. Incrível como foi fácil passar pelas patrulhas que estavam na área. Ninguém nos parou, nada de pedido de explicações, não se exigiram identificação ou autorização para a cobertura. 

Chegamos ao local cerca de vinte minutos depois e fomos direto para a casa. Tinha início ali uma das mais longas noites da minha vida: a espera por algo que, de coração, não desejávamos que acontecesse, ou seja: dois jornalistas, paradoxo, pedindo para que não houvesse o que noticiar.

Ottoni encontrou uma cadeira velha e desconjuntada na varanda da casa. Você já deve ter percebido que passaríamos a noite ao relento. A casa nos havia sido cedida, mas de portas fechadas, percebe? Assim, preparamo-nos para o que desse e viesse. No meu caso, até mesmo uma eventual prisão por estar, sem autorização, uma área de segurança. Eu era, literalmente, um invasor. 

Marcus Ottoni fixou obsessivamente a objetiva na casa e ficamos ali, parados, tendo ao fundo o som do mar e o céu profundo. As horas se passavam com a lentidão de um tempo manco. Como não tinha nada a registrar comecei a anotar pequenos acontecimentos, registrando a hora em que se davam.

Assim, olhe: às dez horas um casal passou de mãos dadas na praia; meia hora depois um barco pesqueiro, pequeno, chegou à praia; uma hora depois  ouvimos passos de coturnos pisando firme no pavimento de pedra e comentamos: “OK. Agora vamos ser presos.” Ou melhor: eu seria preso. Mas foi alarme falso a tropa passou e não foi até aquela casa que, tecnicamente, era “suspeita”.

Como nada mais acontecia além desses acontecimentos mínimos tentei dormir, deitado no chão. Terrível experiência; sem travesseiro não dá. Nem tente, se algum dia for obrigado a tão dura vivência. Ao fundo, o barulho das ondas quebrando chegava a ser aterrador pelos ouvidos cansados. A repetição interminável doía: entrava cabeça adentro e se transformava em uma tortura. Afinal, já de manhãzinha, uma estrela cortou o céu e anotei: seis e meia da manhã. 

Pronto, pensei, terminou o tormento. Nesse instante houve uma movimentação de tropas. Os soldados, lado a lado, formavam uma rede humana de homens armados, correndo em direção à praia. Pensamos: só pode ser coisa séria. E preparamo-nos: olhamos para o mar, temerosos de ver a qualquer momento um barco ou algo que o valesse vindo rapidamente em direção à praia para algum tipo de ataque ao papa.
Rebate falso: os soldados apenas formavam um cordão de isolamento. E por um motivo simples: o papa havia se acordado e iria sair até a varanda da casa onde estava. E então aconteceu: João Paulo II chegou à varanda e começamos a gritar: “Pa-pa! Pa-pa! Pa-pa!”

Nesse momento a varanda da casa onde estávamos havia sido invadida por um batalhão de repórteres do Rio e São Paulo, para flagrar o acontecimento. Não sei como, mas eles haviam descoberto nosso esconderijo. Lá chegando, ficaram espantados com aqueles dois loucos tresnoitados e queriam saber: “Vocês estavam aqui? Passaram a noite... aqui?!!!”
“Sim”, foi a resposta.
“Vocês são loucos?”
“Também”, garantimos. 

E os jornalistas passaram também a gritar ao papa que, virando-se para nós, lá de onde estava, acenou com os dois braços. 

Estava terminada a missão. Voamos para o jornal. Eu para redigir a matéria a quente, Ottoni para o ritual da revelação dos filmes e produção das fotos. Terminei o texto lá para as oito da manhã e fui para casa. Às seis da noite preparei-me para voltar ao jornal. Agora para editar todo o meu trabalho.

Quando ia saindo, minha filha mais nova, espantada com aquele trabalho maluco do pai, perguntou: “Meu Deus, papai: de novo?”



sexta-feira, 19 de julho de 2013

A guarda municipal e a epidemia da repressão



O Detefon da repressão

Ver na net as cenas de ontem, quando estudantes foram atacados pela guarda municipal com choques e sray de pimenta, deu-me a exata sensação de presenciar um ato de teatro do absurdo, ou seja: a violência partiu daqueles que deveriam impedir a violência. Mas, por efeito do espelho mágico da ideologia, os estudantes é que foram os “violentos” ao protestar na Câmara Municipal de Natal.

Mais que isso, a perversidade da situação se expressava da seguinte forma: como se fossem perigosos insetos os estudantes eram dedetizados com aquele cruel armamento. 

Na verdade quem precisava de Detefon eram os guardas; eram eles os insetos, eram eles os portadores, os vetores do vírus dessa, digamos, bio-violência, bio-brutalidade que tão bem sabem exercitar nos laboratórios da repressão que ataca os atos públicos. 

Rapazes foram atacados, moças foram agredidas; puxadas pelos cabelos, arrastadas. Muitos dos manifestantes levaram choques. 

Lamentável. 

Então, diante do que se viu, a constatação é de que a epidemia de violência contaminou o aparelho repressivo. A vacina contra essa epidemia é a palavra, o grito corajoso, firme, dos jovens. A serena firmeza de dizer não.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Corrupção como patrimônio imaterial





Prever para prevaricar

http://mspontocom.com.br
Cachaça: o termo cachaça passou a ser respeitado no mercado norte-americano depois de muita luta; como designação de produto tipicamente brasileiro. Quer dizer, respeita-se um bem imaterial, seu preparo, a cultura, o debruçar espiritual do artífice sobre a sua obra, a arte enfim. Do mesmo modo que o francês defende seu champanha.

 Temos porém, além da cachaça, outro produto bem brasileiro, possivelmente jamais igualado por qualquer outro país: temos a corrupção. Chegamos, pelo menos quase, à perfeição: trata-se de elaborado processo, sinuosas manipulações. 

Que vão do planejamento, conhecimento jurídico-burocrático dos meandros e das leis a serem burladas e manipuladas a favor do corrupto e seus corrompidos até a execução; na certeza de que, falhado o plano espetacular, nada acontecerá. A impunidade faz parte do processo. Não impede uma nova intentona, está nos genes da cultura política e empresarial brasileira.

E ficam os partidos se acusando mutuamente, manchados e moralmente trôpegos, mas acusando-se sem parar o que dá à vida pública da a sensação de que a finalidade da política, aqui política partidária, é unicamente a troca de desaforos e blasfêmias contra o bem social, processos e 
delações premiadas.

Assim, urge que se tomem as providências para registrar a corrupção nacional, a fim de que lá fora não nos tentem tomar esse licor, patenteando-o. E o que é pior: que tenhamos de comprar no mercado internacional algum caderno de métodos e técnicas de corromper. Não tenho dúvida de que, ocorrendo isso, se formariam imediatamente grupos e lobbies

Todos cobrando seus vinte por cento de comissão, alegando que seria muito importante o país importar esse bem como commodity, sob o lema positivista: prever para prover. Ou melhor: prever para prevaricar.
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ZOORÓSCOPO
Cavalo - Conhecidos pelo temperamento digamos, forte, para não estúpido, o cavaliano atrita-se facilmente. Mesmo que o parceiro
Guido Daniele
não o tenha provocado. Cavalo, no entanto, não deve casar com mulher nascida em Hiena. A mulher em Hiena não leva desaforo para casa e ainda sai rindo depois de dar o troco ao agressor.