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sexta-feira, 1 de julho de 2011

História suja

Reproduzo abaixo matéria da Folha a respeito de Strauss-Khann, aquele do FMI e seu envolvimento com a camareira de um hotel. De repente a mulher, de vítima, é acusada de ter "experiências - sexuais - prévias" e que seria envolvida com tráfico de drogas e por aí vai. É uma história suja em que pela demonstração de que a mulher não seria santa justifica-se o assédio do poderoso. Leia e se assoe.

Camareira mentiu sobre detalhes da acusação contra Strauss-Kahn

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Em carta enviada à Justiça de Nova York, os promotores do caso do ex-diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disseram que a camareira admitiu ter mentido sobre importantes detalhes da sua acusação contra o francês. De acordo com a nova versão, após o incidente ela teria continuado seu trabalho antes de avisar a gerência do hotel sobre a agressão sexual.
"A autora da queixa, desde então, admitiu que o depoimento era falso e que, logo depois do incidente no quarto 2086, passou a limpar um quarto próximo e só depois fez o mesmo no 2086, antes de denunciar o caso a seus supervisores", indicaram os promotores, segundo documentos do tribunal.

Mario Tama/France Presse
Ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn deixa corte de NY ao lado da mulher, Anne Sinclair; ele foi libertado sem fiança
Ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn deixa corte de NY ao lado da mulher; ele foi libertado sem fiança
Caso a nova versão do depoimento seja confirmada em audiência, a tese defendida pela defesa do ex-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional) --de que a relação sexual teria sido consensual-- deve ganhar força.
Na carta enviada pela promotoria, afirma-se que a suposta vítima deixou o quarto e limpou outro cômodo antes de denunciar a suposta agressão, ao invés de, em pânico, ter corrido imediatamente à gerência, como antes afirmara.
"No curso da investigação, a acusadora mentiu aos promotores distritais assistentes sobre vários outros assuntos, incluindo sua história, experiências prévias, circunstâncias presentes e relacionamentos pessoais", diz um trecho do documento.
Segundo Benjamin Brafman, um dos advogados de defesa do francês, Strauss Kahn será declarado inocente.
Os últimos elementos relacionados ao caso "reforçam nossa convicção de que será declarado inocente (...). É um grande alívio", disse.
A justiça nova-iorquina suspendeu nesta sexta-feira a prisão domiciliar de Strauss-Kahn, mas as acusações por crimes sexuais abertas contra ele não foram abandonadas.
REVIRAVOLTA
O Tribunal Penal de Nova York libertou nesta sexta-feira o ex-diretor-gerente do FMI que estava há um mês e meio em prisão domiciliar.
Strauss-Kahn foi libertado sem fiança --o que indicaria que as acusações são menos graves do que as inicialmente apresentadas.
Mary Altaffer/Associated Press
Ex-diretor-chefe do FMI chega a corte de Nova York para nova audiência; francês foi libertado após reviravolta no caso
Ex-diretor-chefe do FMI chega a corte de Nova York para nova audiência; francês foi libertado após reviravolta no caso
O canal de TV americano CNN diz ainda que há algumas condições para a libertação do francês, que continua sem o passaporte e deve voltar para novas audiências. As acusações não foram derrubadas e ele continua sendo processado.
A TV mostrou imagens de Strauss-Kahn deixando a corte, sorrindo, ao lado da mulher.
O caso de Strausss-Kahn sofreu uma reviravolta na noite de quinta-feira quando o jornal "The New York Times" revelou, com fontes ligadas ao caso, que havia fortes suspeitas sobre a credibilidade da vítima.
Estas suspeitas teriam sido apresentadas na audiência desta sexta-feira, o que teria resultado na libertação do francês.
ACUSAÇÕES
Strauss-Kahn, 62, foi preso em 14 maio sob suspeita de abuso sexual, tentativa de estupro, ato sexual criminoso, aprisionamento ilegal e toque violento contra uma camareira de 32 anos do luxuoso Hotel Sofitel, em Nova York. Ele nega as acusações.
O escândalo o levou a renunciar ao cargo no FMI e acabou com suas chances de concorrer à Presidência francesa em 2012, à qual era um dos favoritos.
Na noite de quinta-feira, contudo, o "NYT" afirmou, com base em fontes anônimas, que a suposta vítima mentiu sobre o incidente repetidas vezes.
Os advogados de defesa apuraram que a camareira recebeu depósitos que somaram US$ 100 mil nos últimos dois anos --em suposta evidência de que ela teria sido paga para inventar a acusação.

Todd Heisler/France Presse
Strauss-Kahn (segundo da dir. para a esq.) durante audiência; francês foi libertado mas não pode sair dos EUA
Strauss-Kahn (segundo da dir. para a esq.) durante audiência; francês foi libertado mas não pode sair dos EUA
Os promotores teriam ainda conversas gravadas da camareira com indivíduos sobre o pagamento pela acusação de agressão sexual, destaca o jornal.
A polícia descobriu ainda supostos vínculos da vítima, uma guineana de 32 anos, com atividade criminosa, incluindo lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. A mulher também teria mentido para obter seu visto de permanência nos Estados Unidos.
Segundo o "New York Times", as novas evidências poderiam resultar na libertação de Strauss-Kahn.
"É um desastre, um desastre para ambas as partes", disse um funcionário ao jornal.
 
CASO
A camareira alega ter entrado no quarto achando que não havia ninguém e que Strauss-Kahn saiu do banheiro nu, em sua direção. Ele a teria agarrado e tentado colocar seu pênis na boca da camareira por duas vezes, além de impedir que ela deixasse o local. 

Após ser detido em um avião quando se preparava para voltar à França, Strauss-Kahn passou duas noites em uma delegacia do Harlem e quatro na prisão de Rikers Island, antes de conseguir mudar para a prisão domiciliar em um luxuoso apartamento de Manhattan, depois de pagar uma fiança de um milhão de dólares. 

Além de pagar US$ 1 milhão de fiança e mais US$ 5 milhões em caução, o ex-diretor do FMI foi obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica, restringir-se a um regime de saídas e visitas muito rígido e entregar todos seus documentos de viagem.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Deu na Folha:

Bruna Surfistinha diz ter saudades da liberdade da prostituição

ROBERTO KAZ
DE SÃO PAULO
Em uma cena do filme "Bruna Surfistinha", a protagonista Deborah Secco encara inerte a câmera, enquanto um homem se vale de seus dotes sexuais.
 
 
"Foi assim mesmo na primeira vez", disse Raquel Pacheco, 26, olhando para a tela do cinema. "Eu estava nervosa, não sabia me portar como garota de programa. Pensava: 'O que eu estou fazendo aqui? Será que meus pais viram a carta que deixei?'" 

Nove anos após o abandono de lar, família e nome de batismo, Raquel --ex-Bruna Surfistinha, a garota de programa mais famosa do país-- vê sua história chegar ao cinema. O filme, baseado na biografia "O Doce Veneno do Escorpião" (Panda Books), estreia hoje em 350 salas.
A pedido da Folha, Raquel acompanhou uma exibição. Comentou as principais cenas, como o momento em que liga para a mãe, no meio da noite, e permanece calada: "Eu não tinha coragem de falar. A última vez que conversamos foi em 2004". 

Ex-aluna do Bandeirantes, tradicional colégio paulistano, Raquel fugiu de casa aos 17 anos, após repetidas brigas com a família.
Rumou para um bordel nos Jardins, que visitara um dia antes. "Eu tinha ligado para vários privês anunciados nos classificados. Visitei três, escolhi o menos pior."

Divulgação
Débora Secco em cena de "Bruna Surfistinha"
A atriz Deborah Secco, protagonista do filme "Bruna Surfistinha", que estreia nesta sexta-feira em todo o Brasil

Diante da cena em que Deborah Secco acerta os termos de serviço com a dona do estabelecimento, Raquel comentou: "Eu estava assustadíssima. Até então, só tinha transado com meu primeiro namorado. Mas saí de casa decidida a me prostituir".
No lupanar, foi apodada Bruna. "Nem sabia que existia nome de guerra. Uma menina falou que combinava comigo. Topei." 

Em uma cena do filme, Deborah Secco, fascinada com o farto cardápio de clientes, diz, em off, que "estava adorando ser a menina mais popular do colégio".
"Era verdade", disse Raquel. "Eu não tinha sensualidade, não era uma adolescente bonita, mas me destacava por ser menos prostituta que as outras." 

Raquel tardou a se acostumar com o ofício. "Foram três meses até que eu me entregasse à Bruna." Para evitar o encontro com antigos conhecidos, inventou, também, uma nova organização geográfica. "Quando eu era Raquel, ia ao cinema no shopping Paulista. Quando virei Bruna, passei a ir no Morumbi Shopping." 

Ao ver uma cena de Deborah Secco bêbada e drogada na boate Love Story, quartel-general das garotas de programa em São Paulo, Raquel se diz nostálgica: "Não sinto falta da prostituição em si, mas dessa sensação de liberdade. Eu não tinha ninguém, mas não tinha cobrança". 

Hoje, ela está casada com um ex-cliente. Seu livro vendeu 250 mil cópias.
Perdeu contato com os amigos que fez quando era Bruna. Tampouco fala com os conhecidos do período Raquel pré-Bruna. 

Tem esperança de que os pais assistam ao filme, "para ver como são retratados". Na pré-estreia, em São Paulo, Raquel lamentou não estar junto deles. "Tudo bem, eu errei, me prostituí, os decepcionei, mas já faz seis anos que parei."

sábado, 31 de julho de 2010

 Proteção aos criminosos
Emanoel Barreto

A Operação Arcanjo, deflagrada na madrugada de ontem pela Polícia Rodoviária Federal e o Ministério Público Estadual, resultou na prisão de quatro pessoas que integravam uma quadrilha de aliciamento de mulheres, com atuação na principal na região Oeste. Com ajuda da Polícia Civil e Militar, foram cumpridos ainda sete mandados de busca e condução coercitiva. Entre os clientes do esquema de prostituição estavam políticos, empresários e profissionais da “alta sociedade”.


As prisões incluíram uma mulher e três homens, um dos quais se encontrava de férias em Brasília e os demais em Apodi. Os mandados foram cumpridos também em Umarizal e Portalegre. Os “serviços” da quadrilha eram oferecidos nesses municípios e também em Mossoró e Natal. Em entrevista coletiva no final da manhã de ontem, o promotor de Justiça Olegário Gomes e o superintendente da Polícia Rodoviária Federal-PRF, Francisco Charles Lindemberg, deram informações sobre a operação, mas afirmaram que os nomes dos presos serão mantidos sob sigilo, bem como os dos clientes.
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O texto acima é da edição de hoje da Tribuna do Norte e traz informação gravíssima. O jornal admite publicamente sua incompetência, pelo menos num primeiro momento: não conseguiu investigar, descobrir e publicar os nomes dos criminosos envolvidos: os aliciadores e os que desfrutavam dos corpos das mulheres.

Contentou-se com a informação da polícia e pronto.

Se a TN não pôde apurar os nomes, deveria agora dar andamento a um trabalho de jornalismo investigativo e denunciar todos os criminosos, especialmente os da elite. A matéria também não justifica o porquê de os nomes terem sido ocultados. Isso, entendo, é uma forma de privilégio.

Uma das formas de combater o crime é expor os criminosos ao olhar público. Não há porque escondê-los num conveniente e nublado silêncio informativo.