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sábado, 3 de setembro de 2011

Faces   Faces   Faces  Faces Faces  Faces  Faces  Faces Faces  Faces  Faces  Faces  

Vincent Price
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Deu na Folha:

Bruna Surfistinha diz ter saudades da liberdade da prostituição

ROBERTO KAZ
DE SÃO PAULO
Em uma cena do filme "Bruna Surfistinha", a protagonista Deborah Secco encara inerte a câmera, enquanto um homem se vale de seus dotes sexuais.
 
 
"Foi assim mesmo na primeira vez", disse Raquel Pacheco, 26, olhando para a tela do cinema. "Eu estava nervosa, não sabia me portar como garota de programa. Pensava: 'O que eu estou fazendo aqui? Será que meus pais viram a carta que deixei?'" 

Nove anos após o abandono de lar, família e nome de batismo, Raquel --ex-Bruna Surfistinha, a garota de programa mais famosa do país-- vê sua história chegar ao cinema. O filme, baseado na biografia "O Doce Veneno do Escorpião" (Panda Books), estreia hoje em 350 salas.
A pedido da Folha, Raquel acompanhou uma exibição. Comentou as principais cenas, como o momento em que liga para a mãe, no meio da noite, e permanece calada: "Eu não tinha coragem de falar. A última vez que conversamos foi em 2004". 

Ex-aluna do Bandeirantes, tradicional colégio paulistano, Raquel fugiu de casa aos 17 anos, após repetidas brigas com a família.
Rumou para um bordel nos Jardins, que visitara um dia antes. "Eu tinha ligado para vários privês anunciados nos classificados. Visitei três, escolhi o menos pior."

Divulgação
Débora Secco em cena de "Bruna Surfistinha"
A atriz Deborah Secco, protagonista do filme "Bruna Surfistinha", que estreia nesta sexta-feira em todo o Brasil

Diante da cena em que Deborah Secco acerta os termos de serviço com a dona do estabelecimento, Raquel comentou: "Eu estava assustadíssima. Até então, só tinha transado com meu primeiro namorado. Mas saí de casa decidida a me prostituir".
No lupanar, foi apodada Bruna. "Nem sabia que existia nome de guerra. Uma menina falou que combinava comigo. Topei." 

Em uma cena do filme, Deborah Secco, fascinada com o farto cardápio de clientes, diz, em off, que "estava adorando ser a menina mais popular do colégio".
"Era verdade", disse Raquel. "Eu não tinha sensualidade, não era uma adolescente bonita, mas me destacava por ser menos prostituta que as outras." 

Raquel tardou a se acostumar com o ofício. "Foram três meses até que eu me entregasse à Bruna." Para evitar o encontro com antigos conhecidos, inventou, também, uma nova organização geográfica. "Quando eu era Raquel, ia ao cinema no shopping Paulista. Quando virei Bruna, passei a ir no Morumbi Shopping." 

Ao ver uma cena de Deborah Secco bêbada e drogada na boate Love Story, quartel-general das garotas de programa em São Paulo, Raquel se diz nostálgica: "Não sinto falta da prostituição em si, mas dessa sensação de liberdade. Eu não tinha ninguém, mas não tinha cobrança". 

Hoje, ela está casada com um ex-cliente. Seu livro vendeu 250 mil cópias.
Perdeu contato com os amigos que fez quando era Bruna. Tampouco fala com os conhecidos do período Raquel pré-Bruna. 

Tem esperança de que os pais assistam ao filme, "para ver como são retratados". Na pré-estreia, em São Paulo, Raquel lamentou não estar junto deles. "Tudo bem, eu errei, me prostituí, os decepcionei, mas já faz seis anos que parei."

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

 Transcrevo do Estadão.

Vem aí o filme dos pracinhas

Acompanhamos os ensaios do nacional A Montanha, de Vicente Ferraz, que será todo rodado na Itália

Flavia Guerra - O Estado de S.Paulo
O Brasil foi o único país da América Latina a enviar tropas à Europa durante a 2.ª Guerra Mundial. Cerca de 25.324 soldados de várias regiões brasileiras combateram na Itália. Destes, 2.762 foram feridos e 465, mortos no conflito que mudou os rumos da História. Há pouco mais de uma semana, cerca de 20 homens de uniforme reproduziam em uma fazenda de Pindamonhangaba cenas que fizeram parte do dia a dia desses soldados, como sobreviver em condições precárias, resistir à fadiga e à fome, caminhar em um campo minado.
Joana Mariani/Divulgação
Joana Mariani/Divulgação

Entre os 20 oficiais, cinco eram atores. A tarefa de Daniel de Oliveira, Júlio Andrade, Togun, Francisco Gaspar e Ivo Canelas não era se preparar para desarmar campos minados, mas sim viver na pele o que os oficiais da lendária FEB (Força Expedicionária Brasileira) passaram durante a guerra. O treinamento fazia parte da preparação para rodar, em fevereiro, o longa A Montanha

Com direção de Vicente Ferraz, que há quatro anos vem preparando o filme, A Montanha retrata, justamente, a ação de quatro pracinhas em Monte Castello, na Itália, quando, após um ataque surpresa, sofrem pânico e acabam se perdendo do grupo. Quando se dão conta, estão perdidos entre as linhas alemãs e aliadas. Sem saber se devem voltar para a posição da noite anterior ou para a linha da FEB, sob o risco de serem acusados de deserção, eles acabam por vagar a esmo enfrentando frio, neve, até que encontram uma aldeia abandonada onde passam a noite. No dia seguinte, um correspondente de guerra se junta ao grupo. É ele quem, sem querer, acaba dando aos pracinhas a ideia perfeita para "serem perdoados" do crime de deserção: cumprir uma tarefa até então considerada impossível, que é a de desarmar o campo minado mais temido da Itália. No caminho, o grupo acaba encontrando outros "desertores": um partigiano (como eram chamados os heróis da Resistência italiana) e um oficial alemão cansado.      
In loco. Para que a veracidade adquirida com o treinamento com os oficiais da 12.ª Companhia de Engenharia de Combate Aeromóvel seja ainda mais real, todo o filme será rodado na Itália, em montes nevados do nordeste italiano, em cenário que reproduz fielmente as condições enfrentadas pelos brasileiros quando combateram na Europa. "Imagine que, somado a tudo isso que você viu hoje aqui, nós ainda vamos ter de encarar a neve e o frio. Imagine que os pracinhas não tinham nem preparo nem equipamento para sobreviver neste ambiente de aridez branca. Foi terrível. Por isso, desde o começo, eu queria filmar no próprio local em que as ações reais se passaram, na Toscana, mas, por questões de orçamento, transferimos tudo para a região de Friuli-Venezia Giulia", contou Ferraz, que dirige seu primeiro longa de ficção brasileiro. Antes, Ferraz ganhou público e crítica com o documentário Soy Cuba - O Mamute Siberiano e rodou também O Último Comandante, filmado na Costa Rica. "Quando, há alguns anos, com a formação que eu tenho, diria que filmaria uma história sobre o Exército brasileiro? Fiz escola de cinema em Cuba e cresci durante a ditadura. Isso é sinal de que o País mudou muito."

O comentário do diretor se refere à maneira como os oficiais da 12.ª Companhia receberam diretor e equipe para o treinamento expresso que realizaram durante três dias. "Foi incrível a recepção que tivemos. Além deles condensarem para nós um curso que levaria em geral nove semanas para ser feito, deram total apoio e entenderam muito bem a nossa ideia", comentou Ferraz.
Na hora de aprender como se explode um quilo de TNT, Daniel de Oliveira foi quem deu o disparo. E o que se viu e sentiu foi a sensação "quase" real de um campo de guerra. "Não há como negar que isso seja emocionante. Imagine os soldados vivendo sob o frio, com medo do inimigo, com fome, sem saber o que seria o dia seguinte, tendo de caminhar por campos minados e desarmá-los. Um ataque de pânico não é de se estranhar", comentou Daniel, que havia saído direto do Projac (onde gravava cenas da novela Passione) para Pinda. "Não peguei os primeiros dias de treinamento, mas só o que vi e aprendi hoje já mudou minha percepção de uma guerra. Esta experiência fará toda diferença quando estivermos filmando na Itália."
As filmagens, em fevereiro e março, devem durar seis semanas. Ao grupo de brasileiros, irá se juntar o italiano Sergio Rubini e o alemão Richard Sammel, de Bastardos Inglórios. O papel do jornalista de guerra, ainda que seja um jornalista brasileiro, será do ator português Ivo Canelas. O elenco internacional se justifica diante de uma realidade que está se tornando comum no cinema brasileiro: a coprodução. Orçado em R$ 9 milhões, A Montanha será coproduzido por Matias Mariani e Isabel Martinez (respectivamente das brasileiras Primo Filmes e Três Mundos Produções), o italiano Daniele M Azzocca (da Verdeoro) e o português Leonel Vieria (da Stopline).

PARA ENTENDER
Como o Brasil foi parar na 2ª Guerra
Em um mundo dividido entre o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados (Estados Unidos, Inglaterra e França), o cenário geopolítico da 2.ª Guerra era mais que complexo. Até o final dos anos 30, ainda que simpatizasse com as diretrizes políticas nazifascistas, o Brasil de Getúlio Vargas tentou permanecer neutro. 

Mas os Aliados, sobretudo os EUA, que haviam feito empréstimos ao Brasil e que estavam interessados em construir bases no estratégico Nordeste brasileiro, acabaram convencendo o País a declarar guerra ao Eixo. E assim, em 1943, o Brasil enviava as primeiras tropas para combater, principalmente, na Campanha da Itália. Além do combate, o País enviou pilotos da Força Aérea, patrulhou o Atlântico com navios da Marinha e forneceu matéria-prima (sobretudo borracha).

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Coronel Nascimento esmurra político safado e o cidadão a meu lado ruge: "É isso!"
Emanel Barreto

Somente ondem vi o filme Trope de Elite 2. Falta de tempo, uma coisa e outra e deixei pra lá. Mas, afinal, fui. À parte o fato de que é produção de excelente qualidade, temos ali resumo bem acabado do que seja a nossa sociedade, manifesto em personagens-tipo: o agora Coronel Nascimento em sua crença cega na polícia, os políticos criminosos versus político decente, o policial bom contra o policial bandido, o jornalista safado contrafação da jornalista martirizada.

No início do filme sarcástico letreiro adverte que se trata de "ficção" - apesar das veementes verossimilhanças com o real. Esse real é efetivamente o mundo social de fato, o antro bem brasileiro, o brazilian way of crime em suas diversas manifestações: desde o bandido em sua figuração de agente de violência física, até aquele que ocupa o Poder, tornando o crime orgânico àquele.

A cena em que Nascimento ataca e espanca um político safado foi programada sem dúvida para obtenção de efeito catártico nas plateias de todo o país. O cidadão sente-se personificado no personagem que deita mãos nesse tipo de gente, normalmente impune e afinal impunível uma vez que quase sempre tais facínoras são detentores de mandato e, portanto, donos de muito dinheiro. Soube que quando do lançamento do filme as pessoas aplaudiram a cena.

A obra é ficção sim, mas, acima de tudo, pela sua intensidade, é reflexo poderoso do real, talvez uma espécie de pleonasmo crítico desse real. A reiterada ocorrência de corrupção na nossa vida pública, todavia, não deve ser entendida como algo acima, adventícia, de fora dos nossos costumes cotidianos. Não: os políticos corruptos, os policiais corruptos são advindos da sociedadade mesma, de seus fundamentos e alicerces.

Não é aqui que funcionários públicos, podendo, se utilizam de carros de repartição para uso em fins de semana? Não é aqui que, se possível, se faz aquela contramãozinha rápida só para evitar um incômodo retorno bem mais adiante? Não é aqui que aquele leva para casa uma caixinha de clipes de cima do birô para usar no trabalho escolar do filho? Não é aqui que se utilizam fotocopiadoras do trabalho para interesses pessoais, poupando-se alguns reais e uma fila chata na xerox da esquina?

Pois são essas licenças, essa mostra de "esperteza", elevadas a milésia potência, que dão a pista para os grandes crimes de colarinho branco, dão ao policial corrupto a oportunidade de utilização da máquina de sua corporação para fins delituosos e ao detentor de mandato o sórdito direito de usar o Estado como coisa própria.

É esse o esquema mental do brasileiro que o Coronel Nascimento mostra: a cultura da corrupção como estilo de vida, o glamour cínico de quem quer se dar bem.

Logo ao início o filme sugere que Nascimento vai morrer em meio a rajadas de tiros. No final, aí marcante influência do cinemão americano, ele escapa milagrosamente com apoio providencial dos seus chapas do Bope, que chegam barbarizando a banda podre da polícia e pondo em fuga os atacantes. A meu lado um cidadão disse "é isso!", aplaudindo o poderoso revide de Nascimento ante os policiais corruptos.

Tropa de Elite 2 insinua que haverá a terceira parte. O policial atormentado narrando pela voz incisiva do ator Wagner Moura a grande crise da existência, a grande crise política, a crise de sermos brasileiros. Sabe?, gostaria que houvesse Tropa de Elite 3. Não é isso mesmo? Claro, claro que é. É isso!