segunda-feira, 19 de abril de 2010

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O povo, na frente da televisão, esquece...
Emanoel Barreto

A próxima campanha presidencial levará aos pontos mais altos o sentido da política como espetáculo. Nas mídias eletrônicas, TV e internet, então, esse sentido se dará de maneira total, pelo menos na totalidade dos telespectadores que também tenham acesso à net.

Tanto Dilma quanto Serra não são candidatos carismáticos, arrebatadores. Assim, suas equipes de marketing terão grande trabalho em colocá-los, enfeixá-los, seria a palavra certa, em pacotes midiático-discursivos expondo-os como se fossem semideuses.

Capazes de, com apenas palavras, edulcoradas em cenários de convencimento, afirmar-se como aptos a ser vistos como grandes timoneiros da grande nau chamada Brasil.

Há, é claro, em uma e outro, uma essência bem própria e peculiar: suas convicções, visões de mundo. Até mesmo, quem sabe, utopias, intenções efetivamente boas. Mas aos diversos tipos de eleitorado a que se dirigirão será preciso vender o que entendem como sendo "bom para o Brasil" e, especialmente, "bom para aquela parcela de eleitorado".

É aí que entram em cena as bruxarias dos marqueteiros, suas fórmulas miraculosas de perfectibilidade das candidaturas, ajustadas milimetricamente ao senso comum de cada classe, cada segmento de classe, cada eleitorado.

Dilma sairá embalada pelo prestígio histórico de Lula, Serrá deverá desenvolver um discurso que o apresente como capaz de manter a atual situação de aparente equilíbrio da situação sócio-econômica. Tanto isso foi percebido, que sua assessoria já engendrou, de empréstimo ao americano Obama, o lema "o Brasil pode mais".

Isso admite a estabilidade vivida pelo país, mas acena que será preciso um grande condottiero a fim de que tudo continue seguindo bem. Ele, não Dilma, seria esse ser especial, dotado de competência e experiência administrativa suficientes e necessárias a tão grande empresa.

Haverá uma grande batalha de símbolos, discursos e propostas midiáticas. O probema é que, entre o alarde da propaganda, o anúncio de uma era fabulosa de paz, progresso e prosperidade, e a realidade dura e fervente, há um grande abismo.

O povo talvez até saiba disso, mas, na frente da televisão, esquece...

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