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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A força da democracia

O processo de globalização, que a princípio serviu de trampolim econônico ao neoliberalismo, apresenta agora nova faceta via redes sociais: a formação de comunidades virtuais com vigor para atuação no âmbito da sociedade civil. Mais que isso, com força suficiente para a deflagração de acontecimentos como os que hoje dominam os noticiários a respeito do chamado mundo árabe.

O obscurantismo de regimes ditatoriais de direita ou de esquerda, ou situações do mais absoluto absurdo como na Líbia, é contestado de forma eficaz como resultado da comunicação instantânea e mobilizadora. Creio que uma nova forma de manifestação política se desenha na África e Oriente Médio. Países de confissão religiosa islâmica começam a se distanciar da maneira autoritária, pior que isso, autocrática de seus dirigentes.

A juventude especialmente, irrigada de informações, parece perceber que há algo mais no mundo do que prega o Alcorão ou pelo menos suas interpretações mais rancorosas e intolerantes. Ao mesmo tempo, altera-se possivelmente o quadro da hegemonia americana naquelas regiões com a possibilidade de surgimento de governos não-alinhados às determinações de Tio Sam.

O importante é que os movimentos libertários tenham consequências históricas concretas e que a democracia comece a ser vivida enquanto processo permanente.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Se o povo não presta, acabemos com o povo

O regime de Muamar Kadafi começa a estalar. E parece que o mármore do inferno se acende para o ditador da Líbia, há 41 anos no poder. Setores do Exército debandam, embaixadores se afastam do velho regime, tribos leais dele se distanciam. A situação da Líbia dá continuação ao dominó de queda de regimes ditadoriais de povos seguidores do Islã na África e Oriente Médio. 

As ações de Kadafi, que beiram e até superam a insanidade, revelam um espírito autocrático movido por uma ânsia de poder inaceitável. Metralhar pessoas indefesas até mesmo com o uso da Força Aérea é algo que demonstra o quando ele e seus íntimos seguidores estão, na verdade, desesperados. É como numa situação de teatro do absurdo: se o povo se revolta, acabemos com o povo. Depois, reinaremos um país sem gente. E tudo estará em paz. 
Kadafi: o ditador age com total brutalidade contra os líbios

Outro aspecto a ressaltar é a comunicação em rede que tem deflagrado esses movimentos. Povos tomando a si a imagem de outros povos que buscam tempos novos, desencadeando movimento internacionalista num tipo de sociedade até então fechada ao Ocidente e conhecida como Mundo Árabe e periféricos. Refiro o Irã.

Os milagres da comunicação instantânea estão apenas começando. Suponho que em horizonte historicamente não muito distante o Ocidente também se levantará contra as formas sutis de ditaduras aqui vividas.

Para tanto, é preciso uma mobilização continuada, persistente e firme de sociedade civil. As coisa podem e devem mudar na rota da democracia.