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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Leio na Folha e compartilho texto de Rui Castro a respeito do ódio que pessoas votam a Chico Buarque. Nem ele sabia.

RUY CASTRO

Ódio on-line

RIO DE JANEIRO - Na esteira de seu novo disco, à venda num site para o qual as pessoas podem escrever o que quiserem, Chico Buarque fez uma grave constatação. "Eu achava que era amado, porque as pessoas iam ao show, me aplaudiam, e, na rua, me cumprimentavam", ele disse. "Descobri, na internet, que sou odiado. As pessoas falam o que lhes vem à cabeça. Agora entendi as regras do jogo."

Sim, são as novas regras. Chico Buarque, possivelmente, nunca foi a unanimidade que se pensava -ao lado das multidões que lhe são gratas pela beleza que espalha em letra e música há quase 50 anos, sempre devem ter existido os inconformados com seu sucesso, com seu talento, com suas rimas, talvez até com seus olhos claros.

A diferença é que os que não gostavam dele não se dariam ao trabalho de ir a seus shows para hostilizá-lo e, se passassem por ele na rua, não se disporiam a desfeiteá-lo. A vida real tem seus códigos de convívio -nela, para melhor andamento dos trabalhos, somos mais tolerantes e evitamos dizer o que pensamos uns dos outros. Mas a internet está fora desses códigos.
Nesta, ao sermos convidados a "interagir" e a "postar" nossos comentários, podemos despejar tudo que pensamos contra ou a favor de quem quer que seja. Quase sempre, contra. Uma sequência de comentários -que, em poucas horas, são milhares- a respeito de qualquer coisa nas páginas on-line é uma saraivada de ódios, despeitos, rancores, recalques e ressentimentos. E, não raro, num português de quinta. Pode-se ofender, ameaçar e agredir sem receio, como numa covarde carta anônima coletiva.

Alguns dirão que isso tem um lado bom -com a internet, acabou a hipocrisia e, agora, as pessoas podem se revelar como realmente são. Que ótimo. Resta perguntar quando elas passarão à prática -do ódio on-line contra X ou Y para sua manifestação concreta na rua.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Obama é o cara, mais que isso: Obama é um "bamba"

Notícia na Folha dá a deixa do motivo da vinda de Obama ao Brasil: Obama, "o negro de alma mais branca do mundo", no pior sentido que posso dar a esta expressão, revela jogo de cintura, malandragem de bamba de escola de samba. Veja só: diante da escalada de instabilidade política e social em países produtores de petróleo na África, precata-se e parte para assegurar novas oportunidades. Sintetizando: Obama vem ao Brasil para "ajudar" o país a explorar o pré-sal, é o que informa o jornal.
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https

Isso, como se a Petrobras, empresa de excelência no setor, respeitada em todo o mundo, precisasse da presença americana para tanto. Espanta-me que o governo Dilma tenha aceito essa jogada. Daí o espetáculo de "falar aos nativos", daí a importância, para Obama, de montar um circo midiático, atrapalhar até memo o comércio no Rio, alterar para pior a vida do carioca. 

O negro mais branco do mundo vem nos enganar. E ainda é recebido com honras de estado. Pior: de imperador. Resumo: Obama é um bamba. Obama é o Big Brother do Brasil. Se for ver a fundo deve até mesmo ser um mestre de bateria. Duvido não.

Leia o texto da Folha:

Brasil e Estados Unidos irão cooperar na exploração do petróleo do pré-sal para aumentar a produção do combustível no mundo.
Segundo a Folha apurou, esta é a mensagem que deve constar no comunicado conjunto da presidente Dilma Rousseff e do presidente americano, Barack Obama, que chega amanhã ao país.
A linguagem do comunicado ainda estava sendo negociada. Mas a ideia era mostrar que o Brasil tem interesse nos investimentos americanos no pré-sal e evidenciar para o mercado que a produção deve aumentar.

Com isso, esperam-se efeitos positivos para influenciar no preço do petróleo.
Por um lado, os EUA querem demonstrar que terão acesso a uma nova fonte de produção de petróleo, em um país amigo e democrático.

Ao mesmo tempo, do lado brasileiro, não havia interesse em se comprometer com algo mais concreto, porque a percepção é de que há muitos países interessados em participar de licitações no pré-sal e mesmo em oferecer novas tecnologias.

Paralelamente, continuam as negociações da Petrobras com o setor privado americano. Não se exclui a possibilidade de um acordo de garantia de fornecimento, semelhante ao fechado com a China, Em 2008, o país asiático emprestou US$ 10 bilhões à Petrobras, com o compromisso de a empresa exportar 200 mil barris diários por um período de dez anos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pra tudo se acabar na quarta-feira


Fábio Motta/A

O incêndio na Cidade do Samba, se tivesse sido maior, acabando por completo com o estuário de fantasias e carros alegóricos, assumiria aspecto de tragédia nacional.

Pelo simples fato de que o carnaval, que impera no imaginário brasileiro como uma espécie de sagração à nossa alegria, consagração bacante-tropical a festejar ninguém- sabe-bem-o-quê, poderia não se realizar com a monumentalidade costumeira.

Podemos sofrer em filas o ano inteiro, ver pessoas morrendo na fila do INSS para assegurar um direito, podemos amargar problemas enormes na educação,
na segurança, na cultura, nas estradas, podemos
suportar a tragédia na região serrana do Rio, mas não podemos passar sem o carnaval.
Fábio Motta/AE

É preciso sambar, mais que tudo é preciso sambar. É preciso mobilizar milhares de pessoas pobres e desassistidas para que se iludam com a festa, com a orgia patriótico-escapista de ser um rei na avenida - pra tudo se acabar na quarta-feira.
Não se pode negar a importância do carnaval, não se pode ocultar a beleza daquela ópera malandra e esfuziante cruzando a avenida.

É lindo, é incrível, mas é apenas isso: lindo e incrível. É incrível como o sonho pelo sonho organiza multidões formigando de trabalho para preparar um desfile. É lindo pensar-se o sonho louco de ser nada e ao mesmo tempo ser tudo quando se percorre a Sapucaí. Depois, bem, depois vem o Brasil velho do dia a dia.

Talvez a tragédia do carnaval tragado parcialmente pelo fogo nos devesse levar a pensar que bem mais que um sonho, seria melhor começar a preparar a realidade.