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domingo, 11 de setembro de 2011

De como o 11 de setembro estava previsto desde 1799

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Estava eu ocupado, e mui, em trabalhos tipográficos, quando se me apresentam à casa onde moro dois elegantes cidadãos: um elegante e bem postado orangotanto, fidalgo, logo o vi, e um sisudo grou, tambem ele homem de grandes ascendências e preclaros ancestrais. Trabalhava eu na preparação de éditos me encomendados por monarca de ilha distante e ignota, senhor de selvas e ondas de mar turquesa. Como sabeis, sou tipógrafo. Arte que aprendi com o Mestre de Mogúncia, idos de 1450.



Queria tal graúdo personagem comunicar a seus súditos que ninguém deveria ler os tais éditos, uma vez que tratavam das terríveis coisas do mundo como guerras, pestilências, corrupção dos costumes e outras debacles, a fim de que aquele honesto e ingênuo povo não se abalançasse a buscar tais e tremendos sucessos. Naquela ilha imperavam a mansidão e a concórdia e assim, queria o monarca, tudo deveria permanecer. 

Devo dizer que neste momento encontro-me em pleno ano de 1799, quase adentrando, como se nota, o Século XIX. Devo dizer que espero mui desse século, cujos albores, parece, encaminharão a humanidade a patamar mais elevado. Mas, voltemos aos dois senhores. Parei o trabalho e fui atendê-los.

Após as apresentações de praxe disseram a que tinham vindo: queriam que eu preparasse jornal - um jornal mágico logo descobri - onde se publicariam todos os infortúnios do mundo. Tudo o que fosse se tornar fato e realidade. Se isso fosse feito, asseguraram-me, e o jornal destruído em fogo de fogueira feita com madeira do monte Olimpo todos os males seriam retirados da Terra, e o século vindouro e todos os demais seriam plenos de idades fabulosas, eras magníficas e grandes ocorrências, chegando a humanidade a seu destino e fado: de bem viver feliz, até até. O jornal purgaria por antecipação os males que viriam a se pôr.

Disse-lhes que era apenas um gráfico, um dono de tipografia, não tendo acesso aos dons de Merlin. Não, rebateram, eu não precisaria prever a vida do mundo. Apenas anotar e fazer publicar em jornal tudo o que me dissesse bela e dramática pitonisa a quem fizeram chamar - e  logo adentrou à minha casa, envolta em volutas espessas, enignática dama. Fiz-lhe profunda reverência, a mulher entrou em transe a logo passou a prever o que iria o mundo viver e sofrer a partir do Século vindouro e daí em diante. 

Ao iniciar-se meu trabalho os grandes senhores retiraram-se, não sem antes me advertir: ninguém, ninguém poderia ler o jornal, que seria levado à fogueira olimpiana isento de olhar de homem. Assenti com a cabeça e eles saíram. A tudo o que a mulher dizia, minha mão, trêmula, anotava. Eram horrores demais, temores demais, cataclismas intensos, tragédias incontáveis, explosões e armas inacreditáveis. Datas e líderes explodiam às palavras da vidente. 


Percebi que minha missão era também algo terrível: tinha ali, literalmente, os destinos do mundo, da vida, de tudo. Caso aquela missão tivesse bons frutos um simples tipógrafo gutemberguiano mudaria a repetiviva estrada da história: guerras e horrores liderados por loucos crentes em sua própria loucura, aqui e no ignoto Oriente.
http://www.google.com.br/imgres?q=11+de+setembro&hl=pt-BR&safe


A mulher não parava de prognosticar, vaticinar, profetizar e adivinhar, até que o mundo chegou a final de Apocalipse, com o acionamento de arma tão tremenda que é difícil crer que algo assim possa ser criado pela mente humana e usada por mão carrasca. Após terminar, três dias depois os seu trabalhos, exausta e branca, a pitonisa foi levada por um cortejo de aias que a amparavam, desaparecendo e meio a brumas.


Mal parei: refiz-me também da minha luta e corri à oficina, onde tipos preciosos, manejados por Gutemberg em pessoa me esperavam para o próximo passo. Trabalhei sozinho durante dias. Dispensara todos os auxiliares: o jornal não podia ser lido. Ao fim e ao cabo de toda a travessia mandei que mordomo fosse convidar os dois senhores - o jornal estava pronto.


Impresso em papel de grande qualidade, ilustrado com imagens desenhadas à perfeição e textos de grande poder narrativo e descritivo, aquela obra era algo preciosíssimo. Lacrei-a em enorme envelope, entregando-a absolutamente fechada ao grou e ao orangotango. Não nos falamos. Ato contínuo, dirigiram-se eles a um outeiro onde já estava pronta a fogueira do Olimpo. Vetustos e sérios seguiram em sua carruagem. Nunca mais os vi.


Passou-se o tempo e, de lá para acá, vi, li e escrevi a respeito de grandes males e enormes ocorrências e dores profundas. Duas Grandes Guerras, revoluções e destroços. Duas bombas atômicas. Tudo isso fora previsto pela pitonisa. Minha compreensão terminou por ensinar-me algo que recusava a acreditar: algo havia dado errado com os respeitáveis grou e orangotango. Algum miserável acontecimento os havia colhido, impedindo que o mundo seja hoje um local digno e aprazível.


A minha suspeita de que algo ocorrera àqueles dois senhores foi confirmada: os honoráveis homens voltaram à minha casa e, como naquele dia distante, estava eu na oficina. 
Foram trazidos à minha presença e contaram, olhos injetados de angústia: o jornal fora lido! Lido minutos antes de ser levado à fogueira. 


Como assim?, quis saber. Muito simples: para ser queimado o jornal teve que ser retirado do envelope. Nesse instante o lacaio que o levava às mãos dos seus mestres pousou os olhos na manchete, caindo fulminado por um colapso, tão horrenda era a notícia. Outros acorreram a ele e entraram em pânico. Enlouquecidos, puseram-se a correr gritando ao mundo o que aconteceria. Formou-se multidão e o jornal foi lido a todos, que se puseram a gritar. Em meio a isso acusaram o grou e o orangotango de feitiçaria e atos cabalísticos. Eles conseguiram fugir e ao longe viram acesa a fogueira e queimado o jornal, mas era tarde: o mundo continuaria a trilhar sua senda enternamente - até que venha o último artefato.


PS: os dignos senhores ainda estão em minha casa. De repente pediram que eu ligue a televisão. Hoje é 11 de setembro.

sábado, 19 de março de 2011

A Folha informa que aviões da França começaram a atacar alvos terrestres de Muamar Kadafi. Ao que tudo indica haverá uma dura inversão no rumo dos acontecimentos. As forças do ditador não terão como enfrentar o poder de fogo francês. Abaixo, a matéria.

Avião francês lança ataque contra veículo militar de Gaddafi

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Onda de RevoltasAtualizado às 14h51.
Um caça francês lançou neste sábado o primeiro ataque contra as forças do ditador líbio, Muammar Gaddafi. O alvo foi um veículo militar líbio, segundo o Ministério de Defesa francês.
O porta-voz do ministério, Thierry Burkhard, disse que o ataque foi lançado às 16h45 GMT (13h45 em Brasília), quando o jato atirou contra o veículo militar.
Este foi o primeiro ataque da campanha internacional militar de proteção de civis na Líbia desde que a resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a intervenção foi aprovada, na noite de quinta-feira.

Sebastien Dupont/AFP
Caça francês Rafale decola da base de Saint-Dizier, rumo à Líbia; governo confirmou primeiro ataque no país
Caça francês Rafale decola da base de Saint-Dizier, rumo à Líbia; governo confirmou primeiro ataque no país

Burkhard não deu mais detalhes sobre o local do ataque ou possíveis vítimas. Ele disse, contudo, que nenhum ataque contra os jatos franceses foi registrado.
O canal de TV árabe Al Jazeera, que cita fontes anônimas, diz que os aviões de guerra franceses já destruíram quatro tanques líbios, no sudoeste da cidade de Benghazi. O relato não foi confirmado. 

Mais cedo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, alertou que aviões franceses já sobrevoavam o território líbio e estavam intervindo para evitar ataques das forças de Gaddafi em Benghazi, reduto dos rebeldes no leste do país.
Ele anunciou o ataque como cumprimento da resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) que estabelece uma zona de exclusão aérea na Líbia, mas ressaltou que o ditador Muammar Gaddafi ainda tem tempo de desistir da ação militar contra os rebeldes da oposição. 

"Nossos aviões já estão prevenindo ataques na cidade de Benghazi", disse Sarkozy, acrescentando que estão "preparados" para intervir também contra tanques de guerra.
Mesmo antes do anúncio oficial, fontes militares diziam que vários caças franceses sobrevoavam o território líbio, no que seria uma missão de reconhecimento que duraria toda a tarde. 
 
Burkhard confirmou o envio de jatos Mirage e Rafale neste sábado para a cidade de Benghazi, com a missão de impor a zona de exclusão aérea de 150 km por 100 km. "Toda aeronave que entrar nesta zona pode ser derrubada", disse.
A intervenção, segundo Sarkozy, foi acordada após uma reunião com líderes de mais de 20 países. Sarkozy disse em breve pronunciamento que todos decidiram aplicar efetivamente a resolução, aprovada há dois dias. 

"Juntos decidimos garantir a aplicação da resolução do Conselho de Segurança exigindo o cessar-fogo imediato e o fim da violência", disse Sarkozy. "Concordamos em usar todos os meios necessários, em particular os meios militares, para garantir a decisão".
Ele ressaltou, contudo, que a medida permite a intervenção militar visa a proteger o direito dos civis de protestar pacificamente e não decidir o rumo do país africano. A intervenção "acontecerá enquanto houver qualquer pressão de Gaddafi contra Benghazi", disse Sarkozy.

LIBERDADE
Diante do fantasma da ocupação no Iraque, Sarkozy fez questão de ressaltar que a intenção da comunidade internacional é proteger os civis líbios e seu direito de protestar pela libertação "da escravidão à qual estão submetidos há muito tempo".
Ele garantiu que a comunidade internacional não vai interferir na escolha do futuro da Líbia, decisão que cabe unicamente ao seu povo.

Ian Langsdon/Efe
Presidente francês, Nicolas Sarkozy, assiste a reunião de crise sobre a Líbia; intervenção militar começou
Presidente francês, Nicolas Sarkozy, assiste a reunião de crise sobre a Líbia; intervenção militar começou

"A luta pela liberdade é deles. Nossa intervenção não é por qualquer resultado específico, mas apenas para evitar crimes" contra os civis, disse Sarkozy. "Estamos intervindo pelo povo, para que possam escolher seu próprio destino. Seus direitos não podem ser anulados pela repressão e violência". 

O presidente francês ressaltou ainda que ainda há tempo de evitar uma maior ação internacional no território. "Gaddafi ainda tem tempo de recuar e se submeter à resolução", disse o francês. "As portas da diplomacia estarão abertas quando a violência parar". 

ATAQUE
Mais cedo neste sábado, um avião militar foi derrubado nos arredores de Benghazi, deixando uma nuvem de fumaça negra. Um repórter da Associated Press viu o avião cair, em meio ao som de artilharia.
Os rebeldes alegaram que o avião era um caça militar de Gaddafi, que bombardeava a cidade.

Patrick Baz/AFP
Montagem mostra momento em que avião das forças de Gaddafi é derrubado nos arredores de Benghazi
Montagem mostra momento em que avião das forças de Gaddafi é derrubado nos arredores de Benghazi
Já o porta-voz do governo, Ibrahim Musa, negou a queda do avião. Ele também negou que as forças do governo atacaram cidades líbias e disse que são os rebeldes que violam o cessar-fogo. "Nossas forças armadas continuam a regredir e se esconder, mas os rebeldes continuam nos atacando e nos provocando", disse Musa.
Os jovens de Benghazi reagiam como podiam. Alguns recolhiam garrafas para fazer coquetéis Molotov. Outros moradores usavam estrado de camas e pedaços de metal para bloquear as estradas e impedir o avanço das tropas por terra.
A rede de TV Al Arabyia registra também bombardeios das forças de Gaddafi contra os rebeldes em Zintan e disse que ao menos cinco morteiros caíram em seus arredores. 

AGRESSÃO
Antes mesmo da declaração de Sarkozy, Gaddafi alertou, via um porta-voz, que qualquer intervenção internacional na Líbia será uma "clara agressão".
"Isto é injustiça, isto é uma clara agressão", disse Gaddafi, em uma carta enviada à ONU, à França e ao Reino Unido. 
 
"Vocês também vão se arrepender se tomarem um passo para interferir nos nossos assuntos internos", continuou Gaddafi.
Segundo o porta-voz, Gaddafi enviou ainda uma carta separada aos Estados Unidos, na qual disse que todos os líbios estão preparados para morrer pelo país. 

O ditador reverte assim as declarações de seu chanceler, Moussa Koussa, que foi a público menos de 24 horas atrás dizer que a Líbia aceitava a resolução da ONU e decretava assim cessar-fogo imediato e a interrupção de todas as operações militare