segunda-feira, 17 de dezembro de 2012



Play it again, Sam



O piano usado no filme Casablanca foi vendido por mais de 600 mil dólares. Ou seja: alguém pagou bem caro por um sonho. Em algumas das suas 58 teclas o ator e cantor Dooley Wilson traçou os acordes de  "As Times Goes By", que embalou os corações de muita gente em 1942: eras quando a Segunda Guerra explodia, mas em meio ao fogo havia um outro fulgor: Humphrey Bogart e Ingrid Bergman faziam arder corações, mãos, abraços, toques...



Uma frase que nunca foi pronunciada, “Play it again, Sam”, é até hoje marca do filme, pista para lembrar da cara sempre esfumaçada de Bogart. E do rostinho adorável de Ingrid.  
  
Dooley fazia o papel de um músico cantor, que com seu piano de rodinhas – o tal que foi vendido – andava de lá para cá no bar: até o momento em que alguém não disse a frase que ficou famosa, supostamente ao fim de As Times Goes By.


Então, play it again, Sam. 
Ou melhor: viva outra vez, Sam. Viva outra vez.




domingo, 16 de dezembro de 2012

TV DO VELHO BARRETO - O jornalista Emanoel Barreto comenta coisas de jornal

Olá, começo a publicar hoje esta TV do Velho Barreto. Abraço grande e vamos ao vídeo.
 Emanoel Barreto

sábado, 15 de dezembro de 2012



Chegue logo,
bem depressa,
mais ligeiro, tenha dó

A manhã começou com jeito de chuva. Chuva criadeira, chuva sertaneja, daquelas que chegam e dizem que agora acabou-se a seca. Chuva que tange o calorão para longe e dá de presente ao açude água muita, mato verde nascendo nos aceiros, plantas sorrindo nos olhos do vaqueiro, gado pastando solto, menino esquipando em lombo de burro.
http://www.portalsplishsplash.com/2009/05/falta-de-chuva-e-o-inverno-no-sertao.html

Até disse à chuva que era ela bem-vinda e que visse para ficar. Mas ela não era chuva sertaneja. Era uma chuva viajante. Chegou aqui e foi não sei para onde, molhar que tipo de terra, fazer não sei o que lá. Só não fez foi chover: essa não era uma chuva chovedeira: era mesmo chuva viajeira.

Na televisão tem dado que os profetas do inverno, homens velhos do sertão de antigamente, dizem que teremos tempo bom no dia certo: que virão chuvas boas, amigas, dessas de correr água, cachos de água na biqueira das casas, os bezerros correndo no pátio.

Vamos lá, chuva; venha que o sertanejo já não aguenta mais. O gado está morrendo, o olhar ficando triste, a terra rachando. Venha chuva, e traga água e pinte o sertão todo de verde. Chegue logo, bem depressa, mais ligeiro, tenha dó.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012




Desejo de matar
Sociedade que cultiva um esquizofrênico culto às armas e à violência –  há até mesmo feiras de armas, como aqui há feira de gado, e os cidadãos têm liberdade para se manter armados –,  os americanos enfrentam novamente o fantasma da sua própria loucura.

Um jovem atacou e matou 27 pessoas numa escola em Connecticut; mais detalhadamente numa adorável cidadezinha de 25 mil habitantes. Ele é mais um da série de loucos armados que podem aparecer a qualquer momento e matar pessoas inocentes e indefesas. 

E o pior é que isso é produto autêntico, genuíno, legítimo, da própria sociedade americana. Esses criminosos jamais desaparecerão de lá. Tornaram-se uma espécie de curiosidade danosa, lamentável, do doentio culto às armas.

Eles se perguntam por que isso acontece: a resposta pode estar na cintura de qualquer pai de família ou num porão escuro onde o próximo matador esteja planejado um morticínio.

Abaixo, matéria da Folha a respeito do assunto:

  Atirador mata pelo menos 27 em escola em Connecticut, nos EUA

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Um atirador abriu fogo na manhã desta sexta-feira em uma escola da cidade de Newtown, no Estado de Connecticut, nos Estados Unidos. A polícia diz que funcionários e crianças estão entre os mortos e feridos no incidente. 

A estimativa de mortos ainda não foi confirmada pela polícia, mas a imprensa americana e a agência de notícias Associated Press informam a morte de 27 pessoas. Dentre elas, o número de crianças mortas varia entre 14 e 18.


Presidente americano Barack Obama chora ao falar sobre o tiroteio na escola Sandy Hook em Newton, nos EUA; pelo menos 27 morreram em escola em Connecticut, nos EUA
O ataque aconteceu por volta das 10h locais (13h em Brasília) na escola Sandy Hook, em uma área próxima a Newtown, quando um atirador entrou na escola e começou a efetuar disparos. Um pai de aluno ouvido pela emissora NBC diz que o atirador disparou durante uma reunião administrativa no prédio.
O chefe de polícia do condado de Danbury, Al Baker, confirmou que há crianças mortas após os disparos e dezenas de feridos, entre alunos e funcionários. Segundo a rede de TV CNN, o diretor e uma psicóloga da escola estariam entre as vítimas.
A Casa Branca informou que o presidente Barack Obama foi avisado sobre o incidente por volta das 10h30 (13h30 em Brasília) e acompanha a situação. Ele telefonou para o governador do Estado, Daniel Malloy, oferecendo ajuda federal nas investigações do incidente.
 

ATIRADOR
Segundo a polícia, o atirador, identificado como Ryan Lanza, está morto, mas não foi determinado se ele foi morto pela polícia ou se cometeu suicídio. Ele teria usados duas armas, um revólver e uma pistola, que foram apreendidas, e um colete à prova de balas.
Agentes consultados pela Associated Press disseram que o criminoso seria um homem de 20 anos que teria relação com a escola, mas não especificaram que tipo de laço teria. Os agentes ainda investigam a hipótese da participação de um segundo atirador.

Um cordão de isolamento foi feito na frente do hospital e do quartel dos bombeiros onde se concentram as ações da polícia. A imprensa e parentes dos alunos da escola foram ao local.
A escola atingida tinha 39 professores e cerca de 650 alunos de educação infantil e primária, entre cinco e dez anos. 

CHOQUE
 
O caso assustou pais de alunos e moradores da cidade de 25 mil habitantes que fica a 120 km de Nova York. 

Em entrevista ao canal CBS, Stephen Delgiadice, pai de uma menina de oito anos, disse que sua filha ouviu duas explosões e os professores pediram que ela ficasse em um canto. "É preocupante, especialmente nesta cidade, que sempre imaginamos ser o lugar mais seguro dos Estados Unidos". 

"Newtown é uma cidade calma. Eu nunca esperava que isso fosse acontecer aqui. É muito assustador. Nossas crianças não estão a salvo aqui", disse Lisa Bailey, mãe de três filhos.





Enquanto seu lobo vem...
A assim chamada classe política no Brasil deixou de ser um conjunto representativo da vontade popular, passando a ser em boa parte dos  casos arregimentação de grupos que visam unicamente garantir a si e aos seus uma vida boa, cheia de privilégios e bonanças, além, claro, de um belo contracheque mensal.
http://desenhosparacolorir.blogspot.com.br/2011/02/historia-da-chapeuzinho-vermelho.html

No Rio Grande do Norte o último e lamentável episódio diz respeito à Câmara Municipal de Natal, sempre ela. Melhor, sempre “eles”, os vereadores. Por algum motivo insatisfeitos com seus já altos proventos , salários, pagamentos, subsídios, dinheiro, arame, mufunfa, o que seja lá o que eles, digamos, lapam desta pobre e esquecida Terra de Poti.

O subsídio do prefeito foi fixado em R$ 25 mil; antes do reajuste o valor pago era de R$ 14 mil. Já o de vice-prefeito pula de R$ 11,2 mil para R$ 20 mil, o que representa um aumento de 78,5% para os dois cargos. Os  vereadores alasgtram de R$ 15 mil para R$ 18 mil, um aumento de 20% no  salários. Very Good. Ou melhor: Oh, my god!

Faço este nariz de cera para dizer: isso é produto de um caldo de cultura política em que aproveitadores de todos os matizes achacam os cofres públicos a título de estar prestando um serviço público. É uma forma de patrimonialismo: a coisa pública tratada como se fosse algo privado, administrado à escolha do dono do Poder – mesmo que seja um dono temporário.

Claro, os vereadores dirão que estão agindo dentro da lei. Se for assim, creio que a lei seja a forma de legitimação do crime. Os lamentáveis vereadores de Natal, ferocíssimos em sua ganância, agem como o logo de Chapeuzinho Vermelho: mandam o povo passear no bosque e vão, bem depressa, devorar a vovozinha.

O problema é que, agora, vez  por outra aparece um caçador chamado Ministério Público...