Chegue logo,
bem
depressa,
mais
ligeiro, tenha dó
A manhã começou com jeito de
chuva. Chuva criadeira, chuva sertaneja, daquelas que chegam e dizem que agora
acabou-se a seca. Chuva que tange o calorão para longe e dá de presente ao açude
água muita, mato verde nascendo nos aceiros, plantas sorrindo nos olhos do
vaqueiro, gado pastando solto, menino esquipando em lombo de burro.
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http://www.portalsplishsplash.com/2009/05/falta-de-chuva-e-o-inverno-no-sertao.html |
Até disse à chuva que era ela
bem-vinda e que visse para ficar. Mas ela não era chuva sertaneja. Era uma
chuva viajante. Chegou aqui e foi não sei para onde, molhar que tipo de terra,
fazer não sei o que lá. Só não fez foi chover: essa não era uma chuva chovedeira:
era mesmo chuva viajeira.
Na televisão tem dado que os
profetas do inverno, homens velhos do sertão de antigamente, dizem que teremos
tempo bom no dia certo: que virão chuvas boas, amigas, dessas de correr água,
cachos de água na biqueira das casas, os bezerros correndo no pátio.
Vamos lá, chuva; venha que o
sertanejo já não aguenta mais. O gado está morrendo, o olhar ficando triste, a
terra rachando. Venha chuva, e traga água e pinte o sertão todo de verde. Chegue
logo, bem depressa, mais ligeiro, tenha dó.
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