quarta-feira, 22 de março de 2017



Temer sofre derrota na reforma da Previdência  
A reforma da Previdência marcou a primeira derrota do assim chamado presidente Temer. É que sua também chamada base aliada não teve coragem de enfrentar e enforcar o funcionalismo público dos estados.

Os servidores iriam sentir-se diretamente prejudicados e exatamente pelos sujeitos que foram eleitos para defender seus direitos.
Frente ao dilema, os deputados e senadores foram ao, digamos, presidente, e expuseram a situação: é mais fácil escorchar os funcionários federais que aniquilar o funcionalismo estadual. 

O funcionário federal se insurge contra um ser juridicamente ficcional, a União. Já nos estados os eleitores, esganados pelos deputados e senadores, sabem quem é exatamente o seu algoz; e podem não presenteá-lo com um novo e riquíssimo mandato. 

Assim, Temer foi advertido de que, em votação, a reforma da Previdência sofreria acachapante derrota. O jeito foi baixar a cabeça e tentar garantir o voto da patota em 2018.

Ninguém admite, mas foi uma derrota.
Assim, deve-se manter a pressão pelas redes sociais e blogs. Os políticos sabem que esta praça virtual tem força e a temem. Temer também.  



Deputado quer anistiar criminosos da Lava Jato

O relator da reforma política, deputado Vicente Cândido, do  PT de São Paulo, defende anistia aos criminosos envolvidos na Lava Jato. 

Ao aplaudir tal iniciativa Cândido expõe bem até que ponto chega o cinismo da chamada classe política brasileira. O indivíduo também defende a lista fechada de candidatos a deputado na próxima eleição. Já disse tudo, não é mesmo?

Segundo registrou a Folha de S. Paulo, disse o elemento a respeito da anistia: “Temos que ter pensamento estratégico. O que é melhor para a sociedade nesse momento? Até aprovar uma anistia, seja criminal, financeira, tudo é possível, não é novidade no mundo.”

Suspeito que, na verdade, as tais estratégicas seriam a adoção da lista fechada e do perdão generalizado aos celerados enredados com a Lava Jato. Isso sim seria o melhor para os políticos, não para a sociedade brasileira. 

Claro: com isso todos os criminosos sairiam impunes e, na sequência, a sociedade não saberia mais em quem estaria votando, assegurando-se uma espécie de aberração jurídica: alguns são escolhidos previamente dentre uma elite de políticos profissionais e esses são colocados na cabeça da chapa. 

Você vota no partido e esses tipos estarão automaticamente eleitos.
O sujeito que relatará a reforma política quer mais: tem ânsia de que a sociedade arque, via um fundo público, com os custos das campanhas. 
A Folha afirma que deputados estimam os custos da esbórnia: a farra poderia chegar a dois bilhões e quinhentos milhões de reais. Assim não dá. Temos hospitais a manter e escolas a sustentar.

A única coisa com que concordo é tornar o voto não-obrigatório, como consta no projeto a ser apresentado. Da forma atual você tem a obrigação, não o direito, de eleger representantes mesmo que não queira. Ou seja: os políticos não são eleitos; eles se fazem eleger.

No mais, prepare-se: dia 4 de abril a reforma política será apresentada ao plenário da Câmara. Quem vai pagar a conta é você. 



terça-feira, 21 de março de 2017



Terceirização no trabalho e a ética do descarte humano

A Câmara dos Deputados deve aprovar hoje a terceirização geral de todas as atividades dos trabalhadores. 

Além de ser uma forma de desregulação das atividades laborativas a reforma alcança aspecto de grande relevância: instaura uma nova ética; a ética da desnecessidade da pessoa, sua sucumbência à condição de algo assemelhado a uma peça; uma peça viva na máquina empresarial. 

É a ética da falta de ética, sob argumentação de que é racional a administração de gente como se uma pessoa fosse um pedaço, um fragmento, um exemplar a ser descartado a qualquer momento desde que e se a empresa a considerar como uma “desnecessidade”.
O mesmo que você faz quando a bateria do seu carro pifa e você põe uma nova.

A ideia é a precarização extrema das relações trabalhistas. Racionaliza-se tal situação com uma apropriação de discurso: o patronato passa a dizer que tem por finalidade garantir maior empregabilidade, assegurar que o trabalhador sairá mais facilmente do desemprego.

O fator ética entra novamente em questão, pois parece que o gestor empresarial está movido pelos mais nobres sentimentos de humanismo e altruísmo.

O empresário seria alguém, então, com altíssimas preocupações sociais, tanto que enviou seus representantes políticos para criar uma lei que favorece o trabalhador. 

Talvez fosse melhor terceirizar o povo. Como seria isso? Não sei. Mas garanto que os deputados e os senadores, juntos, conseguiriam preparar essa lei direitinho. E seria aprovada sem vetos, viu?