sábado, 20 de abril de 2013

Recebo e divulgo



“Pietá – Leve o que Quiser”

A Guria Produtora traz pela primeira vez à Natal/RN, diretamente do Rio de Janeiro, a banda “Pietá”, para apresentação única no Teatro Alberto Maranhão, dia 27 de abril, às 20h30. O palco será ocupado pelo trio de
músicos/atores formado por Juliana Linhares (voz), Frederico Demarca (violão) e Rafael Lorga (percussão).

O show “Leve o que Quiser” vem coroar o primeiro ano de trabalho do Pietá.
Inspirados na música homônima, a banda convida o público a visitar o
universo intimista onde tudo começou: uma casa, uma sala, fogão e
cachorro. Três sotaques unidos pela musica popular regional original
brasileira acústica de jardim.

O projeto “Pietá” surgiu no início de 2012 através do encontro da
natalense Juliana Linhares com os cariocas Frederico Demarca e Rafael
Lorga. Atores, os três se conheceram na faculdade de teatro e, com
carreiras musicais já em andamento, uniram-se. Desde então vem fazendo
diversos shows pela cidade do Rio de Janeiro, levando um repertório
transitório, transeunte, transitivo, por vezes autoral, por vezes
saudação.

O cardume do show também conta com os músicos convidados Neemias Lopes e
Paulo Sarkis, luz de Ronaldo Costa e som de Eduardo Pinheiro.

É com imenso prazer, vontade, coração batendo mais forte que a banda pega
o avião para finalmente voltar à bolsa uterina do mar quente do nordeste e
apresentar aos potiguares a sua música.

A Guria Produtora é uma empresa especializada em oferecer soluções para
eventos, teatro, shows, vídeos, congressos, festas e etc. Atua em Natal
desde 2012 e está presente nos maiores eventos da cidade com equipes de
produção e coordenação de produção.

Serviço:

“Pietá – Leve o que Quiser”
Quando: dia 27 de Abril
Onde: Teatro Alberto Maranhão
Horário: 20h30
Ingressos Antecipados: Donna Casa (Midway Mall- 3º Piso / Tel: 3344-4352)
e na bilheteria do Teatro Alberto Maranhão.


Chamem Diógenes! 

A vinda do ministro Joaquim Barbosa a Natal causou-me alguma perplexidade. Não pelo fato em si: a vinda extemporânea de autoridade para verificar a doentia, renitente, cruel, encruada situação de descalabro dos setores da Justiça no RN e segmentos com este conexos. Não; nada disso. O que chamou a minha atenção foi o festejo – justo, afinal de contas – , a um homem por ser honesto. Ou seja: chegamos ao cúmulo de um absurdo paradoxo; conseguimos aquilo que Diógenes, o filósofo cínico, não conseguiu: descobrimos um homem digno. e vibramos com tal exceção.


E isso não se deu sob o alumiar da tocha que ele portava ao meio-dia em sua busca enlouquecida e bela, mas sob o espocar dos flashes das máquinas dos repórteres fotográficos. Quer dizer: a procura transformou-se em espetáculo; a visão meio pop do ministro, o espetáculo da moralidade exposta em meio às manchetes.

O ministro visitou a nossa vergonha e falou a respeito do que todos sabemos: o Rio Grande do Norte é uma lástima. Depois da visita ao sistema penitenciário ele foi embora, não sem antes falar rapidamente a respeito da nossa Justiça, ela mesma tão trôpega e lamentável. 

Esperemos que de sua vida reste, pelo menos, uma réstia de dignidade. Enquanto isso, vamos acender tochas. E rezar, rezar muito, para que sirvam para nos mostrar o caminho pelo menos da sensatez, já que a dignidade fica mais acima.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Umas coisas que lembrei

http://www.flickr.com/photos/gustavopenteado/sets/72157621789524333/detail/



Saudades de Ti Zé Guilherme
Este rosto de vaqueiro lembrou-me fortemente a imagem de Ti Zé Guilherme, na verdade tio de Minha Mãe. Senhor das terras da Fazenda Jordão, acres de terra seca e nordestina, região central do Rio Grande do Norte.

Rijo como um cardeiro, forte como um lajedo. Tomava rapé e fumava cigarros de fumo bruto. Pai de Zé Guilherme Moço, Lurdinha e Mariinha.  O filho Luquinha, seu rebento mais novo, lidava com o gado e com o roçado.

Seu cavalo chamava-se Soberano. Era bicho arisco e difícil de selar e enredear. Cavalo bom de gado e ligeiro; zanho que só ele. Eu era doido por aquele cavalo. Bicho castanho, alto de cernelha, crina preta. Espantadiço, olho de coisa braba, jeito de cangaceiro.

Fui à fazenda acho que só umas duas vezes. Ali vi Vovó Lulu, mulher de Ti Zé Guilherme, pilando café. Colhido, não sei como, naquelas terras bravias. Passei a chamar Vovó Lulu de Vovó Lulu porque todos os meninos a tinham nessa conta: vovó de todos, abraço gostoso em colo de mulher grande, matrona, dessas que amparam, protegem, refugam medo de tudo. Ô, Vovó Lulu, que saudade...

Ela era assim: sertaneja gorda, bonachona, o cabelo preto Mesclado de fios alvos. Ttudo puxado para trás, enfeixado num totó. A pele branca de há muito recoberta por um bronzeado entranhado, como somente o sol do sertão ferrenho pode fazer. Se você não é nortista, não sabe do que eu falo.

Lá no Jordão tinha também uma vaca de quem gostava muito: chamava-se Mangaba e dava um leite bom que só o cão. Naquele tempo, idos de 1959, era assim: quando uma coisa era mesmo muito boa, a gente dizia que era “boa que só o cão”. Não era “bom que só Deus”, mas bom que só o cão. Esquisito, né? Mas era assim mesmo: bom que só o cão...

A Fazenda Jordão me veio à mente hoje. Mexendo nessas coisas da net vi a foto deste vaqueiro. E me chegou também, de repente e num minuto, uma saudade tardia daqueles tempos. Saudade esquecida nas gavetas avoengas da memória de um menino que hoje já chega aos sessenta e dois anos. 

Às vezes esse menino me chama e me diz: rapaz, Soberano ainda espera ser montado; para que você e ele somados, atirados contra o vento, rápidos como um corisco, se metam na caatinga em procura de Mangaba: é hora de tirar  leite. O leite dos peitos fartos. Daquela vaca sertaneja.

Mas hoje eu vivo o meu hoje e digo: Ave, Maria. E dai-me, Senhora Mãe, cabresto, espora e sela; coragem e decisão, que o tempo é de seca é pó. 
O menino já levou muito arranhão de espinhos, espinhos de macambira. E meteu os pés no chão do sertão da capital. Sertão que veio depois; depois, muito depois, dos dias belos de alvor, o alvor lá no Jordão. 

Do sertão que teve de andar nos tempos de sua vida, em páginas perigosas, encharcadas de jornal. Depois de esquipar maluco, feito um cabrito sem freio, pelas terras reluzentes lá da Fazenda Jordão. Eita! Eita,Barreto Velho, que a briga é de faca! Trançada na mão direita. É de doze polegadas!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Faces  Faces  Faces  Faces  Faces  Faces  Faces

Margareth Thatcher



 Morre mais um jornal

Recebo email da poeta e jornalista Marize Castro. Diz ela: Amigos, o jornal O Estado de S. Paulo decidiu fechar o suplemento Sabático. Mais uma triste notícia que pode deixar esta terra mais desolada. Por favor, assinem o abaixo-assinado pela permanência do sabático, um dos melhores cadernos literários do país.
Grata.
Forte abraço.
Marize

Fui até o site que estava recolhendo assinaturas para o abaixo-assinado, mas, lamentavelmente, já haviam sido encerradas. Para completar, já haviam sido encerradas...
https://www.google.com/search?q=fim+dos+jornais+impressos

Mas, na verdade, sei que faria isso em meio a luta de antemão perdida. Empresário não vai atender a reclamo de opinião pública para manter negócio que não esteja dando lucro. É perda de tempo tentar sensibilizar e inverter decisão já tomada.

Quanto ao Estadão, parece, dá sinais de cansaço econômico ante a hegemonia, hegemonia crescente, da Folha. Desse jeito, o jornalão dos Frias chegará à supremacia, derrotado, quando o for, o velho império dos Mesquita.

O que me preocupa, já disse aqui, é a crise de sentido. Num país onde já se lê pouco, essa leitura ficar reduzida ao Twitter e ao Face, além das outras redes sociais. Os donos de jornais, temerosos quanto ao futuro de sua fortuna, como qualquer capitalista, poderão sim um dia acabar com o impresso. E este, apesar de todos os interesses dos mesmos patrões, representam de alguma forma um espaço democrático, uma voz de sociedade civil.

A net tem, obviamente, espaço para uma forma de jornalismo válida. Mas não tem profundidade. Não dá para produzir textos longos como os que podem ser encontradas no impresso. Tente ler um texto muito longo no computador ou mesmo no tablet. Talvez até consiga; mas, daí a ler todo um jornal...