segunda-feira, 8 de abril de 2013



 Morre mais um jornal

Recebo email da poeta e jornalista Marize Castro. Diz ela: Amigos, o jornal O Estado de S. Paulo decidiu fechar o suplemento Sabático. Mais uma triste notícia que pode deixar esta terra mais desolada. Por favor, assinem o abaixo-assinado pela permanência do sabático, um dos melhores cadernos literários do país.
Grata.
Forte abraço.
Marize

Fui até o site que estava recolhendo assinaturas para o abaixo-assinado, mas, lamentavelmente, já haviam sido encerradas. Para completar, já haviam sido encerradas...
https://www.google.com/search?q=fim+dos+jornais+impressos

Mas, na verdade, sei que faria isso em meio a luta de antemão perdida. Empresário não vai atender a reclamo de opinião pública para manter negócio que não esteja dando lucro. É perda de tempo tentar sensibilizar e inverter decisão já tomada.

Quanto ao Estadão, parece, dá sinais de cansaço econômico ante a hegemonia, hegemonia crescente, da Folha. Desse jeito, o jornalão dos Frias chegará à supremacia, derrotado, quando o for, o velho império dos Mesquita.

O que me preocupa, já disse aqui, é a crise de sentido. Num país onde já se lê pouco, essa leitura ficar reduzida ao Twitter e ao Face, além das outras redes sociais. Os donos de jornais, temerosos quanto ao futuro de sua fortuna, como qualquer capitalista, poderão sim um dia acabar com o impresso. E este, apesar de todos os interesses dos mesmos patrões, representam de alguma forma um espaço democrático, uma voz de sociedade civil.

A net tem, obviamente, espaço para uma forma de jornalismo válida. Mas não tem profundidade. Não dá para produzir textos longos como os que podem ser encontradas no impresso. Tente ler um texto muito longo no computador ou mesmo no tablet. Talvez até consiga; mas, daí a ler todo um jornal...


sexta-feira, 22 de março de 2013



De cousas altas e grandemente indomáveis
https://www.google.com/search?q=surrealismo&hl=pt&safe=off&client=firefox-a&hs

Ontem estiveram em minha tipografia e me convidaram a participar de cousas altas e grandemente indomáveis. Quis saber o que são cousas altas e grandemente indomáveis, mas me disseram que não sabiam. Por isso mesmo, insistiram, era necessário a minha participação, pois, sendo ignorantes eu e eles, as cousas seriam como deveriam ser: altas e grandemente indomáveis, somente realizáveis por pessoas que não sabem para o que trabalham nem o que estão fazendo. 

Partimos imediatamente em um bergantim, que, como todo bergantim, era embarcação esguia, tinha dois mastros e velas latinas, ou seja: triangulares. Embarcação rápida e forte.

Após dias e dias de mar aberto, tempestades, calmarias e um início de motim controlado à custa de rum para acalmar os espíritos, chegamos a Isla Mar. Lá aportando, fomos contratados como derrubadores de muros. Trabalho em ação contrária à dos construtores de muros. 

Toda uma nação, destarte, era empregada em tais serviços: uns desfaziam o que os outros erguiam, perfuravam, cavavam ou desenvolviam. Afinal, após anos e anos de trabalho intenso, toda a Isla Mar estava destruída, tal a eficácia dos construtores e destruidores. 

Isto posto, os governantes reuniram-se em monumental conciliábulo e decidiram: o país havia sido destruído pelo povo e assim todo o povo seria levado a países remotos  e pouco recomendáveis, considerando-se aquilo ato de salvação nacional dada a incompetência do povo ao qual havíamos, eu e meus loucos comparsas, sido anexados. 

Assim sendo, e como parte integrante do povo, fomos mandados, como punição, a um país ignoto. Quis a sorte que voltássemos à nossa terra. Aqui chegando deparamo-nos com governantes que, a exemplo de Isla Mar, também estão a desenvolver cousas altas e grandemente indomáveis. 

Dizem que tudo chegará a bom termo e já me chamam a integrar o batalhão de derrubadores de árvores e outros vegetais. Devo sair bem depressa, pois a turma da demolição de casas já está destruindo as paredes da minha morada, enquanto outros, ato contínuo, cavam em seu lugar um grande buraco. 

O objetivo, se afirma, é chegar ao centro da Terra onde esperam encontrar grandes tesouros.


quinta-feira, 21 de março de 2013



Meu amigo, o louco das ruas

Vejo sempre na Roberto Freire a figura do louco. Alto, pele escura, cabelo rapado, usa apenas um calção sujíssimo, certamente sua única roupa. Uma vida humílima e livre. Solto. Como os pardais e os cães ditos vadios.

 Às vezes está no canteiro central cavando com as mãos um buraco junto aos arbustos. Ali se mete, enrodilhado, e dorme.

Outras vezes está naquilo que certamente entende como sendo a sua casa: uma escada de ferro do lado de fora de uma farmácia. O detalhe – sublime absurdo – , é que a escada em vez de levar a uma porta, encaminhará quem a subir a uma parede e pronto. Quem subir vai dar de cara com a maciça parede. A escada que leva a lugar nenhum é a grande saída do louco. Alis, sob a escada, ele arrumou umas caixas e nelas se mete à noite, protegido pelo seu pobre e lindo teto de papelão.

Nada mais poético, patético e terrível: a condição humana exposta a quem tiver olhos para ouvir, ouvir aquela história de vida. Sim porque aquela é uma vida que não pode ser contada, mas compreendida com o ouvido do olhar. Se aqui aparentemente eu a esteja contando em palavras, na verdade eu a conto com as palavras do olhar perplexo menos que com as palavras do texto.

Incrível e maravilhoso louco; necessário e precioso maluco. Ele é meu amigo, mesmo que não saiba que lhe quero bem.





terça-feira, 19 de março de 2013

Matéria recebida para divulgação de interesse público



Sinsp-RN apresenta pauta de reivindicações junto ao Governo do Estado

O Sinsp-RN (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público da Administração Direta do Estado do Rio Grande do Norte) protocolou, nesta terça-feira (19), junto à Casa Civil do Estado, à Secretaria Estadual de Administração e à Secretaria Estadual de Educação pauta de reivindicações aprovada em assembleia da categoria, realizada na última quinta-feira (14).

Os trabalhadores reivindicam política de valorização do salário básico, que garanta reajuste real acima da reposição inflacionária e aplicado anualmente por ocasião da data base.  Dessa forma, assegurando que o valor do salário básico se mantenha, no mínimo, equivalente ao valor do salário mínimo nacional. Nessa linha, a categoria pede reposição salarial de 32,94%. O índice se justifica em virtude do reajuste do salário mínimo nos anos de 2011 (6,86%), 2012 (14,13%) e em 2013 (9,00%).

Ainda na pauta, a categoria reivindica imediata realização de concurso público, sendo este o único meio de ingresso no serviço público, em todos os níveis da administração direta do Estado.  O sindicato pede também o fim do assédio moral e político contra servidores e empregados públicos no estado do Rio Grande do Norte, com a implantação das políticas de combate ao assédio moral.


Informações à imprensa:
Juarez Barroso Pinto – Presidente do Sinsp-RN: (84) 9111-8553
Anna Paula Freire – Assessora de Comunicação: (84)8819-5643
Sinsp-RN: (84) 3201 4130 – (84) 88401607
Site oficial: www.sinsprn.org.br