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terça-feira, 4 de outubro de 2011

De  volta aos bárbaros

Filme a que nunca assisti, mas cujo título ficou na memória foi o assunto que motivou o leitor Manoel Vilaça a me enviar email: O ocaso dos bárbaros. Ele assistiu e, lendo este coranto, encontrou crônica que escrevi, falando a respeito. Animou-se e enviou o email: também a fita foi marcante em suas lembranças.

Tinha eu uns 14 anos quando passava em frente ao Rex e ali vi as fotos no mostruário do cinema que para mim era um território de aventuras: em preto em branco, as imagens mostravam a figuração clássica de Hollywood do que para seus diretores eram os bárbaros: homenzarrões brutais, cobertos de peles de animais, capacetes com chifres de boi. 

Parei e fiquei olhando cada fotografia, imaginando-me parte daquelas tropelias, lutas e glórias. Lembro-me de foto em que um sujeito, munido de colossal estrutura física, ensinava uma linda mulher a usar um arco. Mas fiquei por aí: não vi o filme, o que de alguma forma foi compensador. Passei, dias seguintes, horas e horas revendo um filme que jamais assistira. Nos meus caminhos de menino enfrentei os inimigos dos bárbaros, galopei suas pradarias, enfrentei suas nevascas. 

O filme me impressionou até no nome. Não sabia o que era "ocaso". Minha Mãe me explicou. Assim, no mínimo aprendi uma palavra nova. Mas, muito mais que isso, ganhei, durante um tempo na minha infância, amigos desconhecidos ao lado de quem participei de grandes batalhas. 

Abaixo, a carta de Manoel Vilaça, a quem mando um grande abraço. Quando quiser escrever, escreva e conte as novidades, rapaz. (EB)

Sr. Emanuel, bom dia.
Sobre o filme "O Ocaso Dos Bárbaros" eu o assisti no cine Rex
em 1965 ou 66 ("puraí" assim), tinha mais ou menos 15 anos, lembro-me bem; assisti uma vez só no seu último dia de exibição. Porém este filme ficou gravado na minha mente até os dias de hoje. O que me fascinou neste filme foi o título "O Ocaso" e por ser o 1º filme de bárbaro que assisti; fiquei fascinado pela história. 

Desde Então nunca mais o vi nem o assisti, nem comentário algum em revista do gênero ou jornal, a não ser o "seu", depois de procurar insistentemente sobre "O Ocaso Dos Bárbaros". Jamais filme algum da minha adolecência guardo tão forte memória e lembranças. Por acaso o sr. me dá notícias dele, ja que há mais de trinta e cinco anos o busco no eixo São Paulo-Rio e nunca o encontrei?h

quarta-feira, 16 de março de 2011

 Um texto que não diz nada e o perigo nuclear no Brasil

Vejo na Folha texto que, a rigor, nada informa. Transcrevo e, abaixo, comento.
50 "heróis" tentam evitar catástrofe

Sob grande risco de contaminação, técnicos buscam evitar derretimento de combustível na usina Fukushima 1

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Um grupo de cerca de 50 técnicos da usina de Fukushima 1 é a derradeira esperança do governo japonês para evitar o derretimento de urânio de reatores, danificados após o tsunami da semana passada.
O receio é que haja grande vazamento de combustível. Ontem, a radiação perto da usina diminuiu, mas novos incêndios começaram em dois reatores.
Em cidades próximas, houve fuga de moradores. Longas filas se formaram com pessoas preocupadas em testar seus níveis de contaminação.
O medo chegou a Tóquio, após níveis de radiação terem sido detectados na capital japonesa.
A União Europeia anunciou que testará a segurança de todas as suas usinas. Nos EUA, o presidente Barack Obama prometeu não abandonar a energia nuclear.
Pelo segundo dia seguido, a Bolsa de Tóquio despencou -desta vez, 10,5%, a maior queda desde a crise financeira de 2008. Também caíram diversas Bolsas europeias.
...
Asahi Shimbun/Reuters

Perceba que o texto não tem coerência, não há sequência lógica: pequenas frases são juntadas e dão ao leitor uma tosca visão do acontecimento em sua totalidade. O título fala nos "héróis" mas a matéria não aprofunda, não dá a dimensão enorme e corajosa do feito a que se propõem, não detalha os perigos e como irão enfrentá-los, quais os cuidados para penetrar na usina e o que farão para sanar o grave problema, bem como as consequências sobre a saúde dos 50 homens. 

As usinas da Europa serão reavaliadas, mas também não há detalhes. O pior fica em relação a Obama, que "promete" não abandonar a energia nuclear. Veja só: "prometer" é verbo que traz em seu conteúdo profundo comprometimento com algo positivo, desejável, importante para alguém, para uma organização, para um povo. 

Energia nuclear é algo perigoso, temível e cujos resultados o Japão está exibindo ao mundo. Logo, não seria uma "promessa" de Obama, mas "decisão", decisão de manter a qualquer preço, apesar de todos os riscos, o programa que se utiliza desse tipo de energia nos EUA. A não ser que a promessa seja seu compromisso com os grandes grupos econômicos que a exploram e não têm qualquer interesse em ver-se se esvaírem seus grandes lucros.

O texto não fala no Brasil, vem de agências de notícias e assim não nos teria como prioridade jornalística. Mas, com relação a nosso país, me pergunto: por que insistimos em manter essas usinas quando temos possibilidades de energia eólica e grande potencial hídrico a ser utilizado com tal fim? Não basta o exemplo japonês? 

O Japão tem tradição de enfrentar tragédias nucleares e sua cultura já se provou capaz de tal enfrentamento. Aqui, havendo algo parecido, um vazamento por qualquer motivo, e teremos tragédia descomunal. E com esse tipo de coisa, energia nuclear, não há jeitinho brasileiro que dê cobro às suas consequências.