sábado, 5 de outubro de 2013

Marina Silva agora madame PSB



Marina, morena Marina, você se pintou...
O ingresso da ex-senadora Marina Silva no PSB é apenas um recurso tático que não compromete seu cerne ideológico? Uma mera atitude precautória de ator político que de repente se viu perdido em meio à chuva, à tempestade política, e precisou dar um drible de corpo plenamente compreensível e justificável, armando seu contra-ataque histórico para daqui a uns anos? 

www.oaltoacre.com
Pode ser. Mas, acima de tudo, o que vejo em Marina é a manifestação da condição humana; a pessoa que, metida em meio a ambiente político de licenças e trocas, termina por adequar-se à “regras”, regras que ela tanto combatia. Daí, sobreviver é preciso...

O exemplo da ambientalista é bastante claro: a velha política das alianças justifica tudo. O chavão por ela adotado diz que entre o partido que queria fundar e o PSB há proximidades suficientemente fortes para que possa se bandear sem sentimentos de culpa moral ou política. 

Não; não há heróis, taumaturgos, grandes líderes, pessoas “acima”. O que temos é a pequena política, a busca da tábua de salvação, o cavalo selado que passa, a corda que é jogada, a fantasia, a maquiagem de ocasião.
Marina, morena Marina, você se pintou...


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A estranha carta que recebi do pior mendigo do mundo



Hoje recebi a seguinte correspondência:

Caro Emanoel Barreto,
Escrevo para informar que hoje ocorreu-me algo terrível. Como sabe, sou mendigo profissional há mais de 20 anos e tenho no meu currículo a subida honra de já ter sido agraciado pela Rainha da Inglaterra como Lord e Sir, Conde e Visconde, Barão e PreclaroMinistro dos Mendigos Ingleses. Sendo assim, qual não foi a minha surpresa quando fui procurado por augusta comissão dos Mendigos Nacionais que informou-me ter sido considerado como “o pior mendigo do mundo”.

Quis saber o motivo de tal desonra. Disseram-me que por ter acumulado grandes cabedais com a sábia aplicação de minhas esmolas da Bolsa havia perdido o título de mendicância, uma vez que agora sou rico. 


Expliquei que oficialmente nada tenho, pois todo o meu suado dinheiro está oculto em paraísos fiscais sob a guarda de Adão e Eva, que agora são grandes capitalistas e sonegadores. Diante disso, foi-me dito que, sendo assim, passei automaticamente à condição de bandidos e criminoso devendo agora ser levado a prisão de segurança máxima. 

Que devo fazer, uma vez que não tenho domínio a respeito da nobre arte da bandidagem? Devo reivindicar algum embargo infringente? Devo liderar uma revolta suficientemente grandiosa, de maneira a chamar a meu favor a opinião pública nacional?
Peço a esmola de um esclarecimento.
Saudações,
Jack Barrabás
......................

Pensei, pensei a enviei a seguinte resposta:

Meu caro Barrabás,

Nada entendo de patranhas e outras criminalidades. Todavia, sugiro que impetre imediatamente um salvo-conduto, habeas corpus, mandado de segurança ou outra medida qualquer do mundo jurídico alegando incapacidade permanente para o exercício da malandragem prisional, já que, fora da prisão, é mesmo um renitente esbulhador da boa-fé alheia.

Suponho que em último caso tente uma candidatura nas próximas eleições, garantindo que, assim, terá imunidade parlamentar a fim de que no plenário e fora dele, nos gabinetes e salas secretas do Poder, possa voltar a esmolar via pedidos de propinas e percentuais em manipulação de verbas públicas. Creio que, desta forma, voltará a ser mendigo; pelo menos uma forma sui generis de mendigo: mendigo de colarinho branco, já pensou? 

Mendigo de colarinho branco é uma iniciativa até agora jamais tentada. Com isso dará grande contribuição à malandragem nacional, podendo até mesmo inaugurar a Escola Nacional de Altos Estudos em Mendicância, iniciativa que, sem dúvida, será levada em grandiosíssima conta. Especialmente conta em paraíso fiscal. Isso o levará direto, outra vez, ao apadrinhamento de Adão e Eva. E você será o primeiro ser humano a regressar ao paraíso
Tenha boa sorte e que os Irmãos Metralhas e Tio Patinhas o ajudem.
Emanoel Barreto




domingo, 22 de setembro de 2013

Extra! Novidades de 1932 que ainda hoje são notáveis!



Um túnel para a China, tiros de canhão e o lindo futuro que nos aguarda

https://www.google.com.br/search?q=canh%C3%B5es+chineses&client=firefox-a&hs=wXo&rls=org
Hoje amanheci em 1932 e tenho a estranha sensação de que há algo errado: meu terrível vizinho, que tem o estranho hábito de ter tanques de guerra em seu jardim, amanheceu tocando clarim e “convocando todos os patriotas à guerra.” 
Ouvi tiros ele informou-me que está atacando o Palácio Presidencial, pois é ali que “encontra-se o mal para a nação.”


Estranhei, porque nosso presidente é um velhinho de 95 anos que costumeiramente vem à minha oficina tipográfica para pedir conselhos a respeito de como seria possível estabelecer um pacto com a China mediante um túnel que nos levaria diretamente à Cidade Proibida.


Informo sempre ao nosso Presidente que sou apenas um tipógrafo que aprendeu esta arte diretamente de Gutenberg. Sendo assim nada posso oferecer a respeito de pactos internacionais; especialmente esse, que nos levará diretamente à China. Mas ele insiste em construir o túnel e sugeri que fosse imediatamente ao Arquiteto Chefe, senhor de sabenças e versado em tais assuntos.


Mas agora o Presidente encontra-se sob fogo de canhão e preciso saber se está bem. Chego ao Palácio Presidencial e, par gáudio meu, tudo está como devia: o Palácio não foi atingido pelos obuses e o Presidente dedica-se a instrutiva conversa com suas plantas carnívoras, a quem sempre recorre quando deve tomar decisões importantes, após, claro, ouvir-me.


Pergunto a ele se teme ser deposto e explico que meu temível vizinho o está atacando a fogo pesado. Ele contesta. E vejo que tem razão, até mesmo pelo fato de que eu mesmo já havia visto que o Palácio está inteiro. Corro então ao meu vizinho e digo-lhe que suas tentativas são inúteis: os canhões estão aprumados para alvo bem distinto e distante do Palácio Presidencial.


Ele admite o erro e diz que, diante disso, o inimigo agora outro. Imediatamente virou os canhões para a minha casa e garante que, sem dúvida, conseguirá obter uma grande vitória. 


Como sei que estou diante de um louco corro e fujo. Nesse momento acabam a munição dos canhões. O vizinho corre a me abraçar e pede que eu o leve ao Palácio Presidencial. Assim o faço e ele propõe ao Presidente: “Presidente, precisamos, com urgência, construir um túnel que nos leve diretamente à Cidade Proibida.”


O Presidente aceita imediatamente, feliciíssimo, e agora estou munido, veja bem, munido de um picareta, a cavar um enorme buraco. Estou suado e cansado. E, acima de tudo, decepcionado com o presidente: esperava que ele me nomeasse Mestre Geral das Construções Inúteis e agora eis-me aqui, suando e exuauto. 

Em silêncio rumino um plano: dizem que haverá um ano de 2013, quando todos os problemas do mundo estarão resolvidos e o belíssimo túnel agora em construção nos ligará às coisas mais belas da China.


Fugi do meu lamentável trabalho, entrei numa máquina do tempo e logo contarei a vocês como será o magnífico ano de 2013.

Abraços,

Emanoel Barreto