quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Zooastrologia: veja se você é esquiliano ou esquiliana



     Zooróscopo
https://www.google.com.br/search?q=esquilo&client=firefox-a&hs


ESQUILO - Veja bem como são os de Esquilo. São pessoas rapidíssimas, parecendo sempre aflitas, desesperadas, permanentemente com algum problema insolúvel. 

Choram por tudo, torcem as mãozinhas e desesperam-se facilmente. A ansiedade é seu permanente mal. Especialmente quando são obrigadas a conviver com os de Lacrau, truculentos que só eles. 

Se você é de Esquilo, jamais ingresse na política. Não terá estômago nem nervos para isso. Mas será um excelente entregador de pizza. Se conseguir frear a moto.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Filosofia, pura filosofia

Al Caparra, o gangster chic

Veja que perigo já corremos antes mesmo da próxima eleição



Os planos loucos de um futuro deputado

Fui procurado ontem por um tipo que se dizia disposto a candidatar-se a deputado estadual na próxima eleição. Estava eu em minha oficina de tipografia quando sou informado de sua presença. Disse-me a que veio e, ante minha surpresa, pois jamais pensara que alguém assim viria a meu encontro, mostrou-me sua “lista de intentos públicos”, o que foi suficiente para saber de antemão que o sujeito já pode se considerar eleito[1].

Eis o que dizia o documento que me chegou às mãos:
1.      Assumo o compromisso de permitir que todos tenham direito a respirar;
2.     Para isso pagarão preços módicos os que tiverem salário-mínimo como remuneração;

3.     Farei a inauguração de escombros e outras ruínas, a fim de que sejam transformados em atração turística;

4.     Importarei, da mesma forma, ruínas e lixo de países distantes e exóticos a fim de que tais espólios venham a ser inseridos em nosso patrimônio histórico; 

5.     Estimularei a implantação de empresas construtoras de buracos;

6.     Implantarei o Plano Nacional de Ordenha de Abelhas e Centopeias;

7.      As cobras e os ratos passarão à condição de insetos. E os insetos passarão à condição de cobras e ratos. Creio que isso abrirá um novo campo à ciência e haverá grandes progressos em nosso país;

8.     Haverá estímulo especial a um novo esporte que farei popularizar: corrida de carros fúnebres. Será evento de grande atratividade turística. 

9.     Destruirei todos os monumentos históricos e em seu lugar serão erguidos buracos ao contrário, buracos no ar, efetivamente uma grande iniciativa;

10. Mandarei derrubar a Arena das Dunas e em seu lugar será construída uma nova Arena das Dunas, em tudo semelhante à anterior. É muito importante preservar a memória histórica;
11.   Instituirei a figura do aleijado suplementar. Ainda não sei o que isso significa, mas minha assessoria já desenvolve altos estudos a fim de determinar o que isso venha a ser;

12. Afinal, criarei para mim um mandato eterno, transmissível como herança a meu filho, ao filho do meu filho, ao filho do filho do meu filho, etc... etc... etc... e instalarei meu gabinete em ambiente livre de gravidade. Não gosto de qualquer coisa que lembre gravidade, seriedade, trabalho;

13.  Espero que todos sejam otários. E que, acima de tudo, votem em mim.

Após receber o terrível documento fiquei seriamente preocupado. Ainda tentei chamar a polícia, mas o homem escapou, gritando: “Nada tente. Ninguém pode impedir a marcha da História.”

Só me restou chorar. E preparar este relato.




[1][1]

domingo, 15 de setembro de 2013

Ignorância, descaso, estupidez. Veja a que ponto chegou a cultura no RN



Walter Medeiros


“Obra de Navarro virou tapa vidro quebrado no Hotel dos Reis Magos.” Com estas palavras o jornalista Eduardo Alexandre denunciou, no Facebook um dos maiores e emblemáticos descasos do poder público potiguar para com a cultura e seus artistas. 

O descaso com a obra do pintor Newton Navarro, que parece ser homenageado somente da boca prá fora e pela força popular, pois assim não fosse nem a Ponte do Forte teria recebido seu nome.

Desde que foi publicada a foto de Eduardo Alexandre recebe opiniões, críticas e manifestações de revolta com o “destino” dado à obra. Francisco Lira diz que “Isso é vergonhoso”; Múcio Câmara considera que “isso é crime!”; Francisco Barca afirma que “Não dá para se acreditar numa coisa desta. É uma violência contra a arte em geral”; 

Paulo Henrique Mota propõe que  “vamos no local retirar”; Francisco Barca defende que “temos que responsabilizar também as pessoas que fizeram e/ou permitiram uma coisa desta”; Paulo Henrique Mota opina que “não podemos obrigar esse louco gostar de Arte, mas podemos proteger das mãos desses loucos” e Francisco Barca diz que “a arte é patrimônio da humanidade”.

Participei da fila de opiniões definindo que “Estão avessando nosso mundo”. Enquanto isso, Tião Madruga considerou “um verdadeiro atentado aos bons costumes, causando um prejuízo irreparável ao patrimônio histórico-cultural do nosso estado”. E Francisco Barca indagou a  Eduardo Alexandre Garcia, Dunga, como acha que pode ser encaminhada esta demanda.

Iaperi Araujo, como Presidente do Conselho Estadual de Cultura, informou que já fez um apelo por oficio ao Presidente da FUNCARTE – Fundação Capitania das Artes sobre esse painel que a gente não sabia como estava. “Agora vejo que a situação está pior do que pensávamos”. Defende intervenção já e que “A FUNCARTE devia ir ao hotel e resgatar os pedaços imortais da obra de Newton”.

Eduardo Alexandre Garcia, por fim, responde a Iaperi dizendo que acha mais. Para ele “O Hotel deve ser interditado já, e sua posse passada de volta para o Governo do Estado, que não devia tê-lo vendido, a preço de restar o que é hoje, ainda recuperável, tombado e preservado como marco histórico do turismo no Rio Grande do Norte”.

(15/09/2013)

FOTO: EDUARDO ALEXANDRE GARCIA

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Travessias, muitas travessias

Dos perigos de fazer uma viagem perimetral de inspeção
Caro leitor, 

Devo dizer-vos que encontro-me hoje no ano de 1789 e estou a serviço de empresa para a qual trabalho mas cuja finalidade operacional não tenho condições de explicar qual é, pois nunca a entendi.  Percorro algum país em viagem perimetral de inspeção. Também não sei exatamente o que isso significa, mas cumpro com meu mister da melhor forma possível: interrogo pessoas a esmo, pergunto como vai o tempo, inquiro se nasceu algum novo carneiro, busco informar-me sobre qual a idade de uma formiga, indago se um peixe pode ser segrado rei, se uma cobra pode prescrever receituário médico e coisas que tais. Como vedes, coisas jurisconsultas e altíssimas.

Anoto tudo e logo em seguida jogo as anotações fora. Em seguida a mim vem um inspetor que recolhe meus escritos, os lê e os arremessa no mato, e atrás dele vem outro e faz a mesma coisa e logo após outro, outro e outro, e isso se repete indefinidamente. Mas, atentai bem, estas foram as instruções que recebi para que fosse levada e efeito uma eficaz viagem perimetral de inspeção. Sendo assim, como cumpro com inominável prazer e desesperada ânsia este fado, creio que estou me saindo muito bem.

A carruagem em que me desloco é uma espécie de inferno ambulante, tal o calor impregnante que me acossa em meio a estrada sacolejante. Já superamos, eu e os outros infelizes viajores que cumprem comigo este périplo insano, cada um com seus motivos, chuvas que mais se assemelham às mais imponentes cachoeiras, ataques de salteadores, perseguição de matilhas e gritos de pavor de velhas devotas em lugarejos insólitos - elas emitem guinchos terríveis quando nos veem em nosso lastimável estado: roupas sujas, cabelos eriçados, botas enlameadas, olhos injetados, pensando, tais e bondosas criaturas, que somos representantes do Maldito. Velhos curas nos expulsam apresentando o crucifixo. Como medida de bom senso fugimos sem parar.

Afinal, digo-vos, aproximo-me do término de minha viagem e eis que surge o gerente geral de viagens perimetrais de inspeção e me avisa: "Vais iniciar imediatamente uma viagem perimetral de inspeção, pois dizem que nos confins deste país maltas de desocupados, biltres temíveis, répobros insondáveis, ímpios impudentes e homens mal-faladores, além de néscios preguiçosos e beócios empedernidos preparam surtida contra a lei e contra ordem e, destarte, El Rey precisa de dados e números para preparar as defesas de todos os burgos."

Diante de tal quadro fugi, pois horrendo medo se apoderou de mim, inopinadamente, ao sentir que meu trabalho é cousa de louco ou de alguém a este assemelhado. Embrenhei-me na primeira e mais feroz floresta, cujas árvores têm arestas e espinhos de mais de um metro de comprimento e aliei-me ao primeiro magote de ímpios e outros banidos que encontrei. E, assim, senti-me pleno e lesto: depois desta fuga participarei de assaltos aos burgos mais solenes e preclaros, ataques a cidades ilustres e luminosas e jamais, nunca mais, farei novamente uma viagem perimetral de inspeção.