"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Zooastrologia: veja se você é esquiliano ou esquiliana
ESQUILO - Veja bem como são os de Esquilo. São pessoas rapidíssimas, parecendo sempre aflitas, desesperadas, permanentemente com algum problema insolúvel.
Choram por tudo, torcem as mãozinhas e desesperam-se facilmente. A ansiedade é seu permanente mal. Especialmente quando são obrigadas a conviver com os de Lacrau, truculentos que só eles.
Se você é de Esquilo, jamais ingresse na política. Não terá estômago nem nervos para isso. Mas será um excelente entregador de pizza. Se conseguir frear a moto.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Veja que perigo já corremos antes mesmo da próxima eleição
Os planos loucos de um futuro deputado
Fui procurado ontem por um tipo
que se dizia disposto a candidatar-se a deputado estadual na próxima eleição.
Estava eu em minha oficina de tipografia quando sou informado de sua presença.
Disse-me a que veio e, ante minha surpresa, pois jamais pensara que alguém assim
viria a meu encontro, mostrou-me sua “lista de intentos públicos”, o que foi suficiente
para saber de antemão que o sujeito já pode se considerar eleito[1].
Eis o que dizia o documento que
me chegou às mãos:
1.
Assumo
o compromisso de permitir que todos tenham direito a respirar;
2.
Para
isso pagarão preços módicos os que tiverem salário-mínimo como remuneração;
3.
Farei a
inauguração de escombros e outras ruínas, a fim de que sejam transformados em
atração turística;
4.
Importarei,
da mesma forma, ruínas e lixo de países distantes e exóticos a fim de que tais
espólios venham a ser inseridos em nosso patrimônio histórico;
5.
Estimularei
a implantação de empresas construtoras de buracos;
6.
Implantarei
o Plano Nacional de Ordenha de Abelhas e Centopeias;
7.
As
cobras e os ratos passarão à condição de insetos. E os insetos passarão à condição
de cobras e ratos. Creio que isso abrirá um novo campo à ciência e haverá grandes
progressos em nosso país;
8.
Haverá
estímulo especial a um novo esporte que farei popularizar: corrida de carros fúnebres.
Será evento de grande atratividade turística.
9.
Destruirei
todos os monumentos históricos e em seu lugar serão erguidos buracos ao
contrário, buracos no ar, efetivamente uma grande iniciativa;
10. Mandarei derrubar a Arena das Dunas e em
seu lugar será construída uma nova Arena das Dunas, em tudo semelhante à
anterior. É muito importante preservar a memória histórica;
11.
Instituirei
a figura do aleijado suplementar. Ainda não sei o que isso significa, mas minha
assessoria já desenvolve altos estudos a fim de determinar o que isso venha a
ser;
12. Afinal, criarei para mim um mandato eterno,
transmissível como herança a meu filho, ao filho do meu filho, ao filho do
filho do meu filho, etc... etc... etc... e instalarei meu gabinete em ambiente
livre de gravidade. Não gosto de qualquer coisa que lembre gravidade,
seriedade, trabalho;
13. Espero que todos sejam otários. E que,
acima de tudo, votem em mim.
Após receber o terrível documento
fiquei seriamente preocupado. Ainda tentei chamar a polícia, mas o homem
escapou, gritando: “Nada tente. Ninguém pode impedir a marcha da História.”
Só me restou chorar. E preparar
este relato.
domingo, 15 de setembro de 2013
Ignorância, descaso, estupidez. Veja a que ponto chegou a cultura no RN
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Walter Medeiros
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“Obra de Navarro virou tapa vidro quebrado no Hotel
dos Reis Magos.” Com estas palavras o jornalista Eduardo Alexandre
denunciou, no Facebook um dos maiores e emblemáticos descasos do poder
público potiguar para com a cultura e seus artistas.
O descaso com a obra
do pintor Newton Navarro, que parece ser homenageado somente da boca prá
fora e pela força popular, pois assim não fosse nem a Ponte do Forte teria
recebido seu nome.
Desde que foi publicada a foto de Eduardo Alexandre
recebe opiniões, críticas e manifestações de revolta com o “destino” dado
à obra. Francisco Lira diz que “Isso é vergonhoso”; Múcio Câmara considera
que “isso é crime!”; Francisco Barca afirma que “Não dá para se acreditar
numa coisa desta. É uma violência contra a arte em geral”;
Paulo Henrique
Mota propõe que “vamos no local retirar”; Francisco Barca defende
que “temos que responsabilizar também as pessoas que fizeram e/ou
permitiram uma coisa desta”; Paulo Henrique Mota opina que “não podemos
obrigar esse louco gostar de Arte, mas podemos proteger das mãos desses
loucos” e Francisco Barca diz que “a arte é patrimônio da
humanidade”.
Participei da fila de opiniões definindo que “Estão
avessando nosso mundo”. Enquanto isso, Tião Madruga considerou “um
verdadeiro atentado aos bons costumes, causando um prejuízo irreparável ao
patrimônio histórico-cultural do nosso estado”. E Francisco Barca indagou
a Eduardo Alexandre Garcia, Dunga, como acha que pode ser
encaminhada esta demanda.
Iaperi Araujo, como Presidente do Conselho Estadual
de Cultura, informou que já fez um apelo por oficio ao Presidente da
FUNCARTE – Fundação Capitania das Artes sobre esse painel que a gente não
sabia como estava. “Agora vejo que a situação está pior do que
pensávamos”. Defende intervenção já e que “A FUNCARTE devia ir ao hotel e
resgatar os pedaços imortais da obra de Newton”.
Eduardo Alexandre Garcia, por fim, responde a
Iaperi dizendo que acha mais. Para ele “O Hotel deve ser interditado já, e
sua posse passada de volta para o Governo do Estado, que não devia tê-lo
vendido, a preço de restar o que é hoje, ainda recuperável, tombado e
preservado como marco histórico do turismo no Rio Grande do
Norte”.
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(15/09/2013)
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Travessias, muitas travessias
Dos perigos de fazer uma viagem perimetral de inspeção
Caro leitor,
Devo
dizer-vos que encontro-me hoje no ano de 1789 e estou a serviço de empresa
para a qual trabalho mas cuja finalidade operacional não tenho condições
de explicar qual é, pois nunca a entendi. Percorro algum país em
viagem perimetral de inspeção. Também não sei exatamente o que isso
significa, mas cumpro com meu mister da melhor forma possível: interrogo
pessoas a esmo, pergunto como vai o tempo, inquiro se nasceu algum novo
carneiro, busco informar-me sobre qual a idade de uma formiga, indago
se um peixe pode ser segrado rei, se uma cobra pode prescrever
receituário médico e coisas que tais. Como vedes, coisas jurisconsultas e
altíssimas.
Anoto
tudo e logo em seguida jogo as anotações fora. Em seguida a mim vem um
inspetor que recolhe meus escritos, os lê e os arremessa no mato, e
atrás dele vem outro e faz a mesma coisa e logo após outro, outro e
outro, e isso se repete indefinidamente. Mas, atentai bem, estas foram
as instruções que recebi para que fosse levada e efeito uma eficaz
viagem perimetral de inspeção. Sendo assim, como cumpro com inominável
prazer e desesperada ânsia este fado, creio que estou me saindo muito
bem.
A
carruagem em que me desloco é uma espécie de inferno ambulante, tal o
calor impregnante que me acossa em meio a estrada sacolejante. Já
superamos, eu e os outros infelizes viajores que cumprem comigo este
périplo insano, cada um com seus motivos, chuvas que mais se assemelham
às mais imponentes cachoeiras, ataques de salteadores, perseguição de
matilhas e gritos de pavor de velhas devotas em lugarejos insólitos -
elas emitem guinchos terríveis quando nos veem em nosso lastimável
estado: roupas sujas, cabelos eriçados, botas enlameadas, olhos
injetados, pensando, tais e bondosas criaturas, que somos representantes
do Maldito. Velhos curas nos expulsam apresentando o crucifixo. Como
medida de bom senso fugimos sem parar.
Afinal,
digo-vos, aproximo-me do término de minha viagem e eis que surge o
gerente geral de viagens perimetrais de inspeção e me avisa: "Vais
iniciar imediatamente uma viagem perimetral de inspeção, pois dizem que
nos confins deste país maltas de desocupados, biltres temíveis, répobros
insondáveis, ímpios impudentes e homens mal-faladores, além de néscios
preguiçosos e beócios empedernidos preparam surtida contra a lei e
contra ordem e, destarte, El Rey precisa de dados e números para
preparar as defesas de todos os burgos."
Diante
de tal quadro fugi, pois horrendo medo se apoderou de mim,
inopinadamente, ao sentir que meu trabalho é cousa de louco ou de alguém
a este assemelhado. Embrenhei-me na primeira e mais feroz floresta,
cujas árvores têm arestas e espinhos de mais de um metro de comprimento e
aliei-me ao primeiro magote de ímpios e outros banidos que encontrei.
E, assim, senti-me pleno e lesto: depois desta fuga participarei de
assaltos aos burgos mais solenes e preclaros, ataques a cidades ilustres
e luminosas e jamais, nunca mais, farei novamente uma viagem perimetral
de inspeção.
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