sexta-feira, 14 de junho de 2013



Os crimes 

do Padre Heusz

Ele diz : “O salário do pecado é a morte”; e pune os pecadores do hóstias envenenadas

 
“Os crimes do Padre Heusz” é o título do romance que envuiei à Editora Sebo Vermelho. O lançamento ocorrerá emdia 10 de  julho próximo, a partir das 19h no Solar Bela Bista. “Os crimes...” conta a história do Padre Heusz, que toma ao pé da letra a assertiva bíblica “o salário do pecado é a morte” e pune os pecadores com hóstias envenenadas.
As hóstias, no entanto, não recebem poção bruta ou grosseira; ao contrário, a  fórmula do veneno leva o pecador, pouco antes de morrer, a estado de beatificação, sensação de estar em paz, gozo místico.  Padre Heusz não quer que os pecadores sofram fisicamente,  sintam angústia ou sequer percebam que estão morrendo, mas partam em completa sensação de paz. Isso porque não se  sente um assassino; acredita-se em missão, pois em sonho que um anjo lhe aparecera convocando-o a punir os pecadores. Então, pede a um químico que produza o delicado veneno.
O prefácio é do escritor François Silvestre. O livro é dedicado aos repórteres policiais Pepe dos Santos, Genésio Pitanga e Ubiratan Camilo (in memoriam).
 O relato da história é feito por meio de cartas que o Padre Heusz envia ao editor de um jornal que aos poucos vai se envolvendo na trama até o confronto final, quando o sacerdote tenta matá-lo em uma caverna profunda que havia sido transformada em catedral.
A obra trata, em meio ao suspense em que foi construída, da questão da condição humana, da queda, das incertezas e questionamentos entre os conceitos do Bem e do Mal. Como exemplo pode-se citar o personagem que é sósia do Padre Heusz e vai à sua procura.
É um homem rico, cruel, invejoso e sem limites morais. É essa inveja que o leva a capturar e martirizar Padre Heusz, a quem acredita um santo. E como entende que todo santo deve ser martirizado, confia estar dando a Padre Heusz aquilo que todo santo deseja. E o prende a uma roda medieval de tortura, usada pela Santa Inquisição. O sequestrador considerando-se um  “piedoso inquisidor”.
Supõe que, morto o padre, poderia assumir sua personalidade e assim tornar-se um digno sacerdote. Padre Heusz escapa no último instante.
Há situações que foram tiradas da vida profissional do autor no exercício do jornalismo. Foram usadas para dar maior verossimilhança à narrativa. Como exemplo, a invasão da redação onde trabalha o personagem que é editor do jornal. De repente, chega ao local um homem perseguido por multidão que queria o seu linchamento.
O fato foi transposto ao livro. Eu realmente enfreitei tal situação na Tribuna do Norte, quando um homem que havia surrado o pai foi perseguido e refugiou-se na redação.
Quando a turba foi expulsa o arruaceiro explicou o motivo de haver corrido até o jornal: como a Tribuna pertencia a Aluizio Alves e este era tido como o protetor do povo, o fugitivo fora ao jornal para ser “protegido por Aluizio”.
O romance é uma sucessão de acontecimentos bizarros e terríveis situações, com os personagens levados ao limite da condição humana. Tudo se passando em meio a momentos de terror e um final absolutamente inesperado. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Mossoró, minha segunda pátria



Mossoró, minha segunda pátria ou a luz de Lampião brilhou menos que a de Santa Luzia

Tenho Mossoró como uma espécie de segunda pátria, terra iluminada pelo olhar de Santa Luzia, luzente cruzeiro das procissões e crenças boas do povo. Hoje a cidade comemora sua vitória sobre o bando de Lampião em meio à festa de balas coloridas, vivas, alegres. Ou, para acompanhar o título desta homenagem, naquela dia distante a luz de Santa Luzia iluminou mais que o brilho baço do bandido armado.
Foto: mural de Riacho da Cruz

Passei grandes e bons momentos naquela cidade. Ali aprendi a andar de bicicleta e assisti a muitos filmes no Pax. Adorava ir ver uma tartaruga que nadava num grande espelho d'água de uma bela praça. Saudades, Mossoró, saudades.

E hoje, como na música famosa, hoje em Mossoró o que explode nas trincheiras da alegria é o amor. Terra da resistência, firme como o chão duro do sertão, Mossoró tem o timbre da coragem, a marca da honradez, o selo dos grandes compromissos. 

Um abraço aos mossoroenses. A cada rua, a cada casa, a cada coração um abraço.

domingo, 9 de junho de 2013

Pequena 

carta à chuva

Cai uma chuva noturna e boa. Amiga do vento, a chuva se espalha como um véu d’água, um solidéu, algo assim. Como se fossem bichinhos vivos, os pingos enfeitam vidraças e correm para se aninhar não sei aonde.

Acho que o barulho da chuva é a sua voz. Uma voz que tem o brilho perolado da água, um cheiro de mato e chão. A chuva é a mãe do arco-íris que dorme nas nuvens, a avó de todos os roçados, prima do gado sertanejo, irmã da floração das plantas. A chuva é verde em essência. Irmã gêmea da vida.

Obrigado, chuva, por chover.


Emanoel Barreto

terça-feira, 4 de junho de 2013



Olá,

Estou afastado do Coisas de Jornal devido a muitos afazeres. Mas em breve voltarei a escrever cotidianamente. 

Um abraço e até mais.

Emanoel Barreto

sexta-feira, 17 de maio de 2013




Do povo, pelo povo, para o povo

Olá,
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://blogducana.

Um amigo me disse hoje algo muito interessante: “No Brasil temos eleições; não temos democracia.” Não é um trocadilho, apesar de parecer muito. Há algo de sutil nessa afirmativa: o fato de você eleger alguém não significa que ele o represente efetivamente. Não é porque alguém se diz “representante do povo” que ele seja isso, efetivamente. 

Por implicação, hão haverá democracia enquanto governo do povo, pelo povo, para o povo, pois não haverá povo realmente representado por aqueles que se dizem tal. E isso pelo fato simples de que o representante não veio do ser coletivo, não viveu seus problemas, anseios e angustias, necessidades e urgências. 

Se essa pessoa empoderada não tiver vínculos orgânicos com aqueles que diz representar não haverá essa representação; haverá sim uma farsa, na maioria das vezes uma tragédia. 

Agora, o paradoxo: mesmo assim é preciso manter esse sistema de votação. Ele é, em potência, a possibilidade de que algum dia o povo venha mesmo a ser representado. A encenação dará lugar ao teatro válido do drama histórico.


sexta-feira, 3 de maio de 2013



Ave, sertão brabo do Pade Ciço;
Ave, cavalo bom de gado

Vi na televisão que hoje é o Dia do Sertão. A bença a meu Padim Pade Ciço do Juazeiro, a Frei Damião e aos vaqueiros rezadores, aqueles que curam no rastro. A bença às benzedeiras e à santas mulheres antigas, aquelas que iam à missa de mantilha, terço na mão, fé no olhar.
 
http://freeormind.blogspot.com.br/2010/05/sertao-um-pedaco-do-pais-informacoes.html
Nasci em Natal, mas me considero sertanejo de gosto e vontade de ser de lá. Li em Guimarães Rosa que o sertão é uma grande espera. 

Mas ele não se referia ao sertão do Nordeste, virava-se a outra instância do sertão: a vastidão do campo largo, batido de vento e percorrido pela vida dos agrestes que por lá moravam no tempo que ele cifrou em seu livro famoso. Era um outro sertão, não o nosso; não tinha seca nem vaqueiro encourado. Mas também é bonito e dele me apego.

Nosso sertão tem a brabeza das coisas que não têm pena de gente: pedras e calor sem dó. Mas quando chega chuva criadeira o sertão vira um mar, um mar que só o sertanejo entende em sua alma de bicho de Deus.

Ave sertão, ave Maria, ave rezadeiras e o bicho lobisomem; ave cavalos bons de gado.