domingo, 11 de novembro de 2012

Vejo na Folha e compartilho

Como a ditadura ensinou técnicas de tortura à Guarda Rural Indígena


LAURA CAPRIGLIONE
DE SÃO PAULO

Aquele 5 de fevereiro de 1970 foi um dia de festa no quartel do Batalhão-Escola Voluntários da Pátria, da Polícia Militar de Minas Gerais, em Belo Horizonte. "Pelo menos mil pessoas, maioria de civis, meninos, jovens e velhos do bairro do Prado, em desusado interesse", segundo reportagem da revista "O Cruzeiro", assistiram à formatura da primeira turma da Guarda Rural Indígena (Grin). 

Segundo a portaria que a criou, de 1969, a tropa teria a missão de "executar o policiamento ostensivo das áreas reservadas aos silvícolas". No palanque abarrotado, viam-se, sorridentes, autoridades federais e estaduais, civis e militares: o ministro do Interior, general José Costa Cavalcanti (um dos signatários do AI-5, de 13 de dezembro de 1968); o governador de Minas, Israel Pinheiro; o ex-vice-presidente da República e deputado federal José Maria Alkmin.

Guarda Rural Indígena



Reprodução
Cena do filme "Arara", de Jesco von Puttmaker, que mostra cenas da formatura da 1ª turma da Guarda Rural Indígena, em 1970 
Lá estavam também o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), José Queirós Campos; o comandante da Infantaria Divisionária 4, general Gentil Marcondes Filho --que ganharia fama no comando do 1º Exército em 1981, quando militares-terroristas tentaram explodir o Riocentro; secretários de governo e o comandante da PM local, coronel José Ortiga. 

Os 84 índios, recrutados em aldeias xerente, maxacali, carajá, krahô e gaviões, marcharam embandeirados e com fardas desenhadas para a ocasião: calça e quepe verdes, camisa amarela, coturnos pretos, três-oitão no coldre. 

Feito o juramento à bandeira, quando prometeram "defender a nossa Pátria" (conforme registrou reportagem publicada pela Folha), desfilaram para mostrar o que aprenderam nos três meses de formação, sob as ordens do capitão da PM Manuel dos Santos Pinheiro, sobrinho do governador e chefe da Ajudância Minas-Bahia, o braço regional da Funai. 

JUDÔ
A primeira apresentação, de alunos de judô do tradicional Minas Tênis Clube, deu um ar benigno de confraternização infantil. Depois das crianças, foi a vez de os índios --todos adultos-- exibirem seus conhecimentos de defesa pessoal. Também "deram demonstração de captura a cavalo e condução de presos com e sem armas", conforme publicaria o "Jornal do Brasil" no dia 6, com chamada e foto na primeira página, sob o título "Os Passos da Integração". 

O que nenhum órgão de imprensa mostrou --eram tempos de censura-- foi o "gran finale". Os soldados da Guarda Indígena marcharam diante das autoridades --e de uma multidão que incluía crianças-- carregando um homem pendurado em um pau de arara. 

Gravadas há 42 anos, as cenas vêm a público pelas mãos do pesquisador Marcelo Zelic, 49, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo. Zelic coordena uma pesquisa colaborativa feita pela internet intitulada "Povos Indígenas e Ditadura Militar: Subsídios à Comissão Nacional da Verdade".

ARARA
Pesquisando no Museu do Índio, no Rio de Janeiro, Zelic topou com o DVD "Arara", fruto da digitalização de 20 rolos de filme 16 mm, sem áudio.
A etiqueta levava a crer que se tratava de material sobre a etnia arara --índios conhecidos nas cercanias de Altamira (PA) desde 1850. Mas, em vez do "povo das araras vermelhas", como se denominam até hoje seus 361 remanescentes (dados de 2012), era outra "arara" que nomeava a caixa. 

Tratava-se de pau de arara, a autêntica contribuição brasileira ao arsenal mundial de técnicas de tortura, usado desde os tempos da colônia para punir "negros fujões", como se dizia. Por lembrar as longas varas usadas para levar aves aos mercados, atadas pelos pés, o suplício ganhou esse nome. 

No clássico "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil" (1835), que retrata a escravidão no país, o pintor francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), membro da Missão Francesa de artistas e cientistas que dom João 6º patrocinou para estudar e retratar o país, mostra um negro sendo castigado no pau de arara. 

Na ditadura militar (1964-85), porém, o pau de arara só aparecia sob a forma de denúncia, estampando jornais alternativos, em filmes e documentários realizados por militantes oposicionistas. 

Entranhada nos porões, a tortura jamais recebera tratamento tão alegre e solto quanto naqueles 26 minutos e 55 segundos, que exibem o pau de arara orgulhosamente à luz do dia, em ato oficial, sob os aplausos das autoridades e de uma multidão de basbaques.
Fotógrafos e cinegrafistas cobriram o evento, mas a cena, que assusta pela impudência, ficou de fora dos jornais e das revistas. Sobrou, ao que se saiba, apenas camuflada sob o título inocente. 


O filme é parte do acervo sobre 60 povos indígenas, coletado durante quatro décadas pelo documentarista Jesco von Puttkamer (1919-94) e doado em 1977 ao IGPA (Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia), da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Descendente da nobreza alemã, mas nascido no Brasil, Von Puttkamer sabia o que era a repressão. Foi preso pela Gestapo quando concluía os estudos em química na Universidade de Breslau (Alemanha), por se recusar a se alistar no Exército durante a Segunda Guerra (1939-45). Safou-se ao provar que era cidadão brasileiro nato. 


Trabalhou como fotógrafo no Tribunal de Nuremberg (1945-46), que julgou hierarcas nazistas por crimes de guerra. Já de volta, foi um dos fotógrafos oficiais da construção de Brasília (1956-60). Nos anos 1960, integrou pela primeira vez uma expedição em busca de tribos isoladas no Brasil central. Nunca mais largou os índios. 

Deixou 43 mil slides, 2.800 páginas de diários de campo e filmes na bitola 16 mm que, desenrolados, chegariam a 330 km. São registros delicados e muitas vezes emocionantes da aproximação dos índios e de seu encontro com as frentes de exploração --e também das epidemias e mortandades por gripe, varíola e sarampo. 

Em um documentário sobre Von Puttkamer, o sertanista Apoena Meirelles afirma: "Jesco nunca se promoveu, nunca enriqueceu, permaneceu no anonimato, mas seu trabalho possibilitou que se denunciasse e se documentasse muita coisa errada da política indigenista". É o caso das aulas de pau de arara. 

GRIN
A formatura foi o ponto alto de uma longa preparação. Em 23 de novembro de 1969, reportagem no "Jornal do Brasil" mostrou os índios da Grin em sala de aula e contou o que aprendiam: princípios de ordem unida, marcha e desfile, instruções gerais, continência e apresentação, educação moral e cívica, educação física, equitação, lutas de defesa e ataque, patrulhamento, abordagem, condução e guarda de presos. 

Em 12 de dezembro de 1969, nota no Informe JB, coluna política do "Jornal do Brasil", fazia troça de tipo racista dos "selvagens": "O presidente da Funai, Queirós Campos, dizia que a Guarda Indígena vai de vento em popa. Só há um problema, o do uniforme. Começa que não há jeito de fazer com que os futuros guardas usem botina ou qualquer tipo de sapato, [...] machuca-lhes os pés. O quepe já perdeu toda a tradicional seriedade porque é logo enfeitado com uma pena atravessada. Finalmente, a fivela e os botões não param no lugar certo pois, como tudo o que brilha, são invariavelmente colocados na testa e nas orelhas." 

Na formatura, porém, botas, fivelas e botões tiniam, tudo no lugar e sem penachos ""o filme mostra o capitão Pinheiro se desdobrando para ajeitar os cintos dos soldados. A ressalva foram os cabelos: não houve quem convencesse os krahô a aparar as melenas que lhes desciam até os ombros. E assim eles desfilaram. 

O ministro Cavalcanti discursou em nome do presidente Emílio Garrastazu Médici: "Nada até hoje me orgulhou tanto quanto apadrinhar a formatura [...] da Guarda Indígena, pois estou certo de que os ensinamentos recebidos por eles, neste período de treinamento intensivo, servirão de exemplo para todos os países do mundo". 

No dia seguinte, "os índios líderes, hígidos, sadios, fortes e inteligentes", segundo Cavalcanti, embarcaram rumo a suas respectivas aldeias. Decolaram fardados, armados e com soldo mensal de 250 cruzeiros novos (pouco mais de R$ 1.000, em valor atualizado). 

ANTROPOLOGIA
"Nunca vi cena como essa. Já vi muitos filmes antigos, de 1920, 1930, 40, 50, 60. Mas cena como essa do pau de arara nunca apareceu", disse Sylvia Caiuby Novaes, professora da USP, onde coordena o Lisa ""Laboratório de Imagem e Som em Antropologia. Ela assistiu ao filme "Arara" a convite da Folha. 

"Isso, por um lado, é expressão do fato de os índios, naquele momento, muito antes dos celulares com câmeras, serem filmados o tempo todo. Desde os índios de 'cartão-postal' do Xingu, na época dos Villas Bôas, passando pelos 'índios gigantes', Silvio Santos filmando na Amazônia, os índios eram objeto no nosso olhar curioso", diz ela. "Eles eram aquilo que nós não éramos mais. O retrato da nossa alteridade. Moravam na 'Mata Virgem', eram [vistos como] puros, próximos da natureza." 

Segundo a antropóloga, a cena do pau de arara demonstra a existência de uma "face muito sombria do contato entre o Estado brasileiro e os grupos indígenas". A face iluminada foram os esforços de "pacificação", encetada por iniciativa governamental e levada a cabo por homens corajosos e tantas vezes voluntaristas, como os irmãos Orlando e Cláudio Villas Bôas. 

Primeiro como empregados e depois como líderes da Expedição Roncador-Xingu, os irmãos foram a ponta de lança do plano de ocupação do território brasileiro, a Marcha para o Oeste, anunciada à meia-noite de 31 de dezembro de 1937, em discurso radiofônico proferido por Getúlio Vargas, diretamente do Palácio Guanabara. 

"O verdadeiro sentido de brasilidade é a Marcha para o Oeste", bradou Vargas. "No século 18, de lá jorrou o caudal de ouro que transbordou na Europa e fez da América o continente das cobiças e tentativas aventurosas. E lá teremos de ir buscar: dos vales férteis e vastos, o produto das culturas variadas e fartas; das entranhas da terra, o metal, com que forjar os instrumentos da nossa defesa e do nosso progresso industrial." 

Os irmãos Villas Bôas embrenharam-se no Brasil central com a missão assinalada pelo presidente: "Encurtar distâncias, abrir caminhos e estender fronteiras econômicas". Construíram, por exemplo, 19 pistas de pouso ao longo de 1.500 km de picadas que abriram. Isso encurtou as viagens do Rio para os EUA, que, por falta de apoio em terra, eram bem mais longas, pois tinham de margear o litoral. 

Os irmãos localizaram 14 povos indígenas desconhecidos. A maioria acabaria transferida para o Parque Nacional do Xingu, idealizado pelos irmãos Villas Bôas com o apoio do marechal Cândido Rondon (1865-1958), do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-97) e do sanitarista Noel Nutels (1913-73). O presidente Jânio Quadros, em 1961, assinou o decreto de criação do parque, garantindo uma área de 27.000 km2, quase uma Bélgica. 

Já sob a ditadura, virou show midiático o trabalho de atração, contato e remoção dos índios encontrados no caminho das estradas em construção. Em abril de 1973, "O Cruzeiro" estampou na capa o título "Sensacional!", seguido pela chamada: "Orlando Villas Bôas fotografou com exclusividade os ÍNDIOS GIGANTES". 

A foto mostrava os panará, então isolados e chamados de kreen-akarore. Além de ter suas terras invadidas por garimpeiros, estavam no meio do traçado da BR-163 ""que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA). Depois se viu que não se tratava de gigantes coisa nenhuma.
A população (ou o que restou dela) foi removida em 1975 para o Xingu, a 250 km da terra panará. "Fizemos isso porque eles estavam morrendo por causa do contato com os brancos", disse Orlando. Doenças e massacres já haviam eliminado dois terços dos panará.

REFORMATÓRIO

A Comissão Nacional de Verdade, cujos trabalhos incluem os crimes do Estado contra os índios, tem mostrado que, além de "atrair", "pacificar" e "remover", a política indigenista do regime de 64 também conjugou os verbos "reprimir", "punir" e "torturar". Obstinado em desenvolver um sistema de controle dos índios, o criador da Grin, capitão Pinheiro, ergueu em 1969 um reformatório-presídio para índios. 

O Reformatório Krenak (assim chamado por ficar em terras dos krenak), em Resplendor (MG), perto da divisa com o Espírito Santo, funcionava como colônia penal e de trabalhos forçados, para "reeducar os desajustados e confinar os revoltosos que se recusavam a sair de suas terras tradicionais", explica Benedito Prezia, antropólogo e assessor do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), entidade ligada à Igreja Católica e responsável pelas mais contundentes denúncias de desrespeito aos direitos humanos dos índios brasileiros durante o regime militar. "Aquilo era um verdadeiro campo de concentração étnico", diz o pesquisador. 

Nos registros oficiais consta a chegada de 94 índios ao Krenak entre 1969 e 1972, quando foram transferidos para a Fazenda Guarani, pertencente à PM de Minas Gerais, no município de Carmésia. Os motivos alegados para as prisões eram "atrito com chefe do posto indígena", "vadiagem", "uso de drogas", "embriaguez", "prostituição", "roubo", "saída da aldeia sem autorização", "relações sexuais indevidas", "pederastia", "homicídio", "agressão à mulher", "problemas mentais". Mas são registros incompletos, que não permitem que se entenda o que se passava no local. 

Para José Gabriel Silveira Corrêa, 39, professor de antropologia da Universidade Federal de Campina Grande (PB), a ditadura foi "um momento de recrudescimento das práticas de violência que eram comuns nos postos indígenas". 

"Ao formar a Grin e o Presídio e Reformatório Agrícola Krenak", diz Corrêa, "Pinheiro tornou sistemáticas essas práticas e ainda deu a elas uma aparência de legalidade, já que ele era o representante oficial do órgão de tutela estatal." 

Ele diz ter escutado diversos "relatos de aprisionamentos, trabalhos forçados, regime de prisão solitária, surras e desaparecimentos de presos". Era uma prática de violência recorrente, "mas o pior de tudo é que o capitão fez com que fosse praticada pelos próprios índios, submetidos que estavam a um regime policial". 

Benedito Prezia aponta o "caráter perverso" de transformar índios em "agentes colaboradores no massacre de seu próprio povo". Mas nem nisso a ditadura foi original, ele salienta. "Relatos de jesuítas no século 17 já mencionam o uso de indígenas para capturar negros da Guiné que haviam fugido do jugo da escravidão", diz. 

Em tempos de "Brasil Grande", de integração nacional ("integrar para não entregar", dizia a propaganda oficial) e da construção de estradas como a Transamazônica rasgando a floresta, os índios estiveram no centro do maior projeto estratégico do regime militar. 

Apesar disso, curiosamente "a narrativa sobre os crimes da ditadura em relação aos direitos humanos quase nunca inclui a questão indígena", observa Marcelo Zelic. Ele arrisca uma hipótese: "No fundo, isso mostra como, mesmo nos círculos democráticos mais combativos, as populações indígenas ainda não são vistas como portadoras de direitos." 

BALANÇO
Três anos depois da pomposa formatura da primeira turma da Grin, o jornalista José Queirós Campos, presidente da Funai, já tinha sido apeado do cargo e substituído pelo general Oscar Jerônimo Bandeira de Mello. Fazia-se o balanço das ações. 

"Tudo deu errado", cravou o jornal "O Estado de S. Paulo" em outubro de 1973, em reportagem escondida na parte inferior da página 52, perto dos classificados. 

Sobravam denúncias de espancamentos, arbitrariedades, insubordinação e até estupros cometidos pelos guardas que retornaram às aldeias. Na ilha do Bananal, um caboclo foi pego com quatro garrafas de cachaça (o que era proibidíssimo pela Funai). Apurou-se que foi obrigado "a praticar orgias com guardas carajás". 

Os jornais relataram a tortura cometida por guardas indígenas contra um pescador, também flagrado com cachaça para uso pessoal. Preso, foi obrigado a ir caminhando até a delegacia, a cinco quilômetros de distância, sob golpes de borduna. 

Outro agente da Grin usou o soldo que recebia para montar um bordel na aldeia. A situação chegou a tal ponto, ainda segundo "O Estado de S. Paulo", que o cacique carajá Arutanã, da ilha do Bananal, pediu à Força Aérea Brasileira (FAB) que extinguisse a Grin. 

Em 1972, sem glórias, Pinheiro já havia sido destituído da Funai. Não se formaram novas turmas. No final da década a Guarda Rural Indígena começou a ser desmobilizada. Segundo Corrêa, isso não bastaria para extinguir suas práticas de violência. "Há relatos sobre índios que, atualmente, quando precisam punir alguém, levam-no às proximidades da casa do 'capitão' indígena, amarram-no em árvores e surram-no, revivendo antigas práticas ensinadas pelo órgão tutelar". 

"O reformatório e a Guarda Indígena são apenas exemplos do muito que há a investigar pela Comissão Nacional da Verdade", diz Zelic. "Outros casos já estão em levantamento, como o dos guarani-caiová, que sofreram algo que beira o genocídio nas remoções feitas durante a ditadura." 

E conclui: "Só assim, com a verdade, a sociedade não índia entenderá a necessidade de respeitarmos as terras e os direitos dos povos indígenas".



Trouxe a muriçoca?
 Era uma vez Brasileiro. Quando foi um dia Brasileiro, sem saber como, estava numa fila enorme. Perguntava a um e a outro por que estava ali. E a resposta que obtinha era essa: "Não sei. Eu  estou nessa fila e também não sei porquê." 

Nisso chegou um funcionário que trazia no peito um crachá, que informava qual o órgão público onde ele trabalhava: Instituto das Instituições Instituídas para Instituir novas Instituições e Cobrança de Taxas e Emolumentos, Tributos, Contribuições de Melhoria, Propinas e Etc...".

Brasileiro dirigiu-se a ele: "Senhor, posso saber o que faço nesta fila?"
O funcionário respondeu: "Não sei. O senhor vai ter que pegar uma ficha para se informar. Vá até aquele guichê, para receber a sua ficha."
Brasileiro: "Obrigado."

Foi ao guichê, esperou em outra fila e afinal foi atendido.
"Ficha?", disse o funcionário.
"Ficha", respondeu Brasileiro.
Então, o funcionário perguntou: "Trouxe muriçoca?"
Brasileiro quase cai para trás e quis saber: "Muriçoca? Pra que muriçoca?"

A resposta: "Aqui só tira ficha quem traz uma muriçoca. Se não trouxe, vá para aquela fila. Lá, eles dão fichas que dão direito a uma muriçoca. Você vai ao Criatório Nacional de Muriçocas, apresenta a ficha, eles lhe dão a muriçoca, você volta aqui, pega nova ficha para eu atendê-lo novamente, eu lhe dou uma ficha e depois você vai para outra fila. Será atendido por outro funcionário e ele vai informar porque você está na fila."
Brasileiro dirigiu-se à fila para pegar a ficha de atendimento no Criatório Nacional de Muriçocas. Depois de muito esperar, recebeu a ficha de número 900.000.000.000.890.000.789.982.000.000.000.777.663.000.444. 000.767.980.765.000.000.123.456.789.3334-687.987.987.095.876.456.4329.899.999.
678.543.765.900.888.076.776 e tal, pá-pá-pá.

Quando Brasileiro viu a ficha sentiu que estava numa enrascada. Não tinha a menor idéia do motivo por que estava ali, ninguém sabia informar nada e ele ainda tinha que pegar fichas e mais fichas. Resolveu sair e ir para casa. Quando um guarda notou que ele estava saindo, disse: "Vai sair?" 

Brasileiro respondeu: "Vou, não aguento mais ficar aqui e vou embora."
O guarda foi curto e grosso: "Pode não. Depois de entrar aqui, só sai depois de atendido. Volte já para a fila, para pegar a ficha da muriçoca."

Brasileiro argumentou: "Mas, quando eu vou ser atendido? Já viu o número da minha ficha?" E mostrou o papel com o absurdo número ao guarda.

O sujeito fez uma cara de espanto; "Óóóóóóóóó." Então, chamou Brasileiro a um canto e disse: "Negócio seguinte. Eu posso dar um jeitinho..."
"Pode?", perguntou Brasileiro quase feliz.
"Posso", garantiu o outro. "Mas precisa rolar uma merreca. Sacomé, né?"
"Seicomé", disse Brasileiro. "E quanté?" 

Era pouco garantiu o guarda. Por um salário mínimo ele daria a Brasileiro uma muriçoca e ele poderia afinal saber porque estava ali, depois de cumpridas as demais formalidades, claro. O guarda facilitou: aceitava cheque. Brasileiro nem pensou duas vezes: passou um cheque sem fundos ao guarda. Poucos minutos depois estava com uma linda muriçoca num belo e transparente frasco. O guarda era contrabandista de muriçocas.

Em seguida Brasileiro encaminhou-se ao funcionário encarregado de receber as muriçocas. Chegando lá, o homem disse: "Adianta não. Tá faltando um carimbo que eles dão na asa direita da muriçoca, atestando a procedência. Além disso, tá faltando duas meias, um pedaço de pneu de caminhão e três palitos de fósforo, para fazer juntada ao processo."

Brasileiro deu um grito de desespero e quis fugir para outro país. Quando já ia pulando a cerca que dava para outro país, o mesmo guarda da muriçoca pulou em cima dele e disse. "Teje preso. Pra fugir, também tem que pegar ficha... Somente saiu daqui depois que os home deram ficha a ele..."

Brasileiro então, implorou: "Posso ao menos me suicidar?"
O guarda: "Tá difícil. O país é pobre e só tem um revólver público para suicídios. E mesmo assim tá faltando bala. Pegue aquela fila ali e..."

Brasileiro nem esperou: caiu seco ali mesmo, mas não foi enterrado porque não tinha tirado ficha para morte... A família entrou com um processo pedindo direito a enterro mas os juízes estão em greve...

---Falando nisso... você tirou ficha para ler este texto?


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Vejo na Folha e compartilho

Capa de revista dos EUA trará Barack Obama com cara de idoso

Um Barack Obama envelhecido irá estampar a capa da próxima edição da revista "Bloomberg Businessweek", que trata das previsões para o segundo mandato dele. Nesta quinta-feira, a publicação divulgou esta capa e também a do candidato perdedor, o republicano Mitt Romney, que, obviamente, não será publicada. Obama derrotou Romney nas eleições desta terça, ganhando um segundo mandato com 303 votos no Colégio Eleitoral, contra 206 do adversário republicano, conforme a contagem mais atualizada. 

Veja abaixo as imagens:

Reprodução


Paulinho Freire torra dinheiro com iluminação natalina

Leio na Tribuna que a prefeitura de Natal vai gastar quase 1,5 milhão em iluminação durante o período das festas de fim de ano. Mas o prefeito Paulinho Freire não havia dito que não faria esse tipo de despesa? Que a situação do erário não permite? Que adotaria uma atitude austera neste fim de gestão? Se disse, esqueceu. E vamos torrar dinheiro público em coisa desnecessária. 

Outra coisa: ele disse também que dará apoio “logístico” ao Carnatal. Não vi nenhum jornal questionando o que seja esse apoio. Não deveria dar apoio nenhum. O Carnatal é uma festa particular, seus lucros enormes vão todos para seus donos, os donos da Destaque. Portanto, nada de dar apoio ao Carnatal.

Abaixo, a matéria da Tribuna.

Prefeitura gastará R$ 1,5 milhão em iluminação natalina

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) abriu licitação na modalidade tomada de preços, do tipo menor preço global, para contratação da empresa especializada para execução de serviços e engenharia, sob forma de fornecimento, confecção, montagem, manutenção e desmontagem dos elementos que compõem a iluminação natalina 2012 da cidade do Natal, extensiva ao mês de janeiro de 2013, para enaltecer os festejos dos Reis Magos. O valor total que será gasto pelo município é de quase R$ 1,5 milhão.

Anteriormente, o prefeito Paulinho Freire havia dito que o município não gastaria com a iluminação natalina. Porém, segundo a Prefeitura do Natal, a determinação de Paulinho Freire foi que a iluminação natalina seja feita com o aproveitamento de estrutura e peças usadas no ano anterior, de forma a obter o melhor efeito possível com menor custo e sem comprometimento da qualidade. Com isso, a Semsur elaborou projeto que utilizará recursos oriundos da Contribuição Sobre Iluminação Pública com valor exato de R$ 1.494.000,00.
saiba mais
O aviso de licitação foi publicado no Diário Oficial do Município no dia 31 de outubro passado e a abertura das propostas será na manhã do dia 16 de novembro. O projeto contempla a iluminação natalina na BR-101, avenidas Salgado Filho, Roberto Freire e Prudente de Morais, Praça Pedro Velho (Praça Cívica), Palácio Felipe Camarão (prefeitura), três presépios, o pórtico da entrada de Natal e três árvores natalinas. 

A tradicional árvore de Mirassol, que terá decoração verde e amarela alusiva à copa de 2014, e duas árvores na zona Norte, uma no conjunto Panatis e outra flutuante no Rio Potengi, também serão contempladas, assim como a recuperação dos três Reis Magos. A previsão da Semsur é que as árvores, em especial a de Mirassol, sejam entregues no prazo de 15 dias após iniciados os trabalhos. 

O titular da Semsur, Luiz Antônio Lopes, afirma que mesmo antes do prefeito determinar o reaproveitamento dos enfeites natalinos de anos anteriores, a secretaria já havia tomada a decisão de "fazer uma decoração natalina de qualidade, mas sem gastos vultosos".

O secretário acrescentou que apesar de haver recursos na fonte Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip), optou pela "tradição e pela manutenção da iluminação pública que é um direito do contribuinte, além de ser um elemento de segurança pública".

Em 2011, a Prefeitura do Natal investiu R$ 3,754 milhões na contratação de empresa para realizar a iluminação natalina da capital potiguar. O valor foi referente a "serviços de engenharia, sob forma de fornecimento, confecção, montagem, manutenção e desmontagem dos elementos", ficando até janeiro deste ano para "enaltecer os festejos dos Reis Magos". O contrato entrou em vigor no dia 1º de novembro de 2011 e teve vigência de 110 dias.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Programa Grandes Temas entrevista
Vereadora Eleika -  http://www.paraibamaster.com.br
vereadoras eleitas sob o lema da ética

Gravei hoje à tarde o programa Grandes Temas, na TV Universitária, tendo a ética na política como foco. Participaram as professoras Amanda Gurgel e Eleika Bezerra, vereadoras eleitas exatamente sob a consigna de exercer mandatos centrados em atitudes coerentes com o que se espera do agente público.O programa irá ao ar às 19h.
Vereadora Amanda - http://www.rota83.com/eleicoes

Amanda e Eleika destacaram-se e se elegeram a partir de pronunciamentos que a sociedade queria ouvir. A primeira tornou-se nacionalmente conhecida ao expor a lamentável situação da educação no Rio Grande do Norte. 

O pronunciamento caiu nas redes sociais e sua configuração como pessoa midiatizada contribuiu decisivamente para a vitória.

A professora Eleika, que tem toda uma biografia voltada para o ensino, anunciou que doará os vencimentos de vereadora a instituições de caridade; ao lado de um trabalho de convencimento de que não se pode cair no pessimismo, conseguiu votos suficientes para chegar à Câmara.

Enfim, é isso: o programa irá ao ar logo mais. Um abraço,
Emanoel Barreto



quarta-feira, 31 de outubro de 2012



A história do louco que tece teias de aranha

Fui hoje procurado por um louco que me propôs sociedade em seus planos delirantes: fiação e tecelagem de teias de aranha. Respondi que sou apenas um tipógrafo, que nada entendo de tais e delicadas cousas: minhas mãos foram feitas para as tintas e o prelo, o papel e os tipos. Melhor não, melhor não. 
http://b-sonambulando.blogspot.com.br/2010/03/voce-sabia-que-o-material-mais.html

Ele insistiu e convidou-me a ir até à sua ilha, onde me mostraria a arte de fiar teias de aranha. Imaginei-a distante e situada em mares nevoentos, povoada por animais míticos e de há muito desaparecidos. Mas ele disse-me que não, que sua ilha estava perto. Onde?, quis eu saber. E ele apontou-me, pela janela, onde estava a ilha: estava ali, flutuando no meio da rua, em frente à minha tipografia.

Maravilhado com tal encanto, acompanhei-o a lá e, apoiando o pé na praia linda que cercava a ilha, senti seu suave balouço, como se a rua fosse um mar calmo e de águas leves. E a ilha partiu e com ela fomos, a ilha passeando pelas ruas e as pessoas gritando: “Vejam que ilha mais linda!”

Então, perguntei onde estaria a fiação de teias e ele me apontou uma caverna em meio a vegetação densa. Lá chegando vi seres leves que teciam. Ele pegou a ponta de um fio e, para minha surpresa, comecei também a tecer, mesmo sem ter sido nunca tecelão. 

Ficamos horas naquele trabalho, até que a ilha aportou novamente à minha porta. Ele, então, perguntou se eu queria continuar a ser tecelão de teias de aranha. E eu, olhando as minhas mão enegrecidas pelas tintas, recusei: disse que não tinha direito de trabalhar com aqueles sonhos, mas viver a pedra das palavras. 

Ele agradeceu e disse: “Se algum dia decidir-se em contrário escreva a história de mim e desta ilha e eu saberei que você começou a ser tecelão.” Em seguida partiu. 

Quanto a mim, acho que estou pensando em escrever a história que me foi pedida.

Reproduzo do Observatório da Imprensa

Parem as máquinas! Outro jornal foi para as nuvens

Por Alberto Dines em 30/10/2012 na edição 718
O Grupo Estado fez tudo o que podia para salvar o Jornal da Tarde? O que deu errado na história do mais inventivo vespertino brasileiro desde o lançamento da Última Hora, em 1951?
A empresa editora do Estado de S.Paulo investiu em talentos, buscou os melhores jornalistas, pagava excelentes salários e oferecia um grau de liberdade único.

O Jornal da Tarde tinha fibra, surpreendia, era engraçado, dramático, empolgante, arrasador. Local, nacional e cosmopolita, erudito e popular, político e futebolístico, influente e esculachado. Requintado numa edição, espalhafatoso na seguinte, jornal-revista nos moldes do Herald Tribune que lhe serviu de paradigma inicial.
E, no entanto, durou apenas 46 anos.

O que deu errado e o que deixou de ser feito para salvá-lo?
Ruas vazias
Este obituário deveria ser longo, remoído, sofrido, de outro modo não se entenderá a extensão e a profundidade desta trágica ascensão e queda em menos de meio século.
Os principais ingredientes são visíveis e o primeiro deles é gritante: nem todas as empresas familiares têm a disciplina, a coesão e o espírito corporativo de um clã como os Ochs-Sulzberger, que controlam o poderoso The New York Times há 116 anos.

O príncipe primogênito não é necessariamente o melhor monarca. O sucessor do Dr. Julinho, Júlio de Mesquita Neto, era uma ótima pessoa, jornalista experiente, gentleman, determinado, mas seu irmão mais novo, Ruy Mesquita, era melhor como jornalista. Homem de redação.
Para acomodar a bipolaridade, a família achou mais fácil criar um novo jornal. Poderiam ter pensado num jornal semanal ou revista nacional (como fez a Editora Abril dois anos depois ao lançar Veja).

Eram homens de jornal, em suas veias latejava o pulso diário. Imaginaram que sairia mais barato lançar outro jornal numa praça que já dominavam (o salto da Folha de S.Pauloaconteceu em 1975). Sendo nominalmente um vespertino, poderia sair às segundas-feiras e aproveitar o material futebolístico dos domingos vedado ao matutino Estadão.

Então lançaram o Jornal da Tarde, um vespertino como o nome indica, numa época em que a vertiginosa motorização urbana começava a engarrafar nossas metrópoles e tornava impossível distribuir um jornal durante o dia. Não se preocuparam em conhecer a experiência da Última Hora, de Samuel Wainer (inclusive porque o jornal foi patrocinado pelo arqui-inimigo da família, o caudilho Getúlio Vargas).
Os Mesquita também ignoraram a sabedoria de Roberto Marinho, “vespertineiro”nato, que soube enfrentar a vibração popular das manchetes de Wainer rodando O Globocada vez mais cedo e distribuindo-o em todos os cantos do Rio de Janeiro enquanto as ruas estavam vazias.

[Quando em 1960 este observador tentou ressuscitar o Diário da Noite carioca, convertendo-o ao formato tabloide, tentou simultaneamente devolvê-lo à condição de vespertino. Proclamava-se como “o único diário carioca que não era feito na véspera”: começou rodando às 11 horas; um ano depois as rotativas eram acionadas no início da manhã.]

Nas metrópoles brasileiras, em 1966, um autêntico jornal da tarde já era uma anomalia, arcaísmo, embora o Le Monde, vespertino denso e inabalável, continuasse a ser a voz da França politizada e intelectualizada. Acontece que o Le Monde brasileiro – ou paulista – deveria ser o Estadão, patriarcal, definitivo. Pelo menos, assim o queriam os Mesquita.
Ao Jornal da Tarde restou a opção de ser brilhante e bravo. E o foi ao longo de 15 anos. As prioridades e apostas da empresa privilegiavam sempre o jornal-primogênito, ao caçula cabiam as sobras do banquete. A fase vespertina foi formalmente encerrada em 1988, muito antes já rodava de madrugada.
De luto
Quando o delírio digital obrigou os jornais brasileiros a se reinventar, o Grupo Estado contentou-se em adotar os paradigmas emitidos pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e resolveu transformar o JT num veículo insignificante, periférico, popularesco. Um jornal que nasceu sofisticado não poderia caber num modelito brega. O resultado não poderia ser diferente.

A única experiência que poderia salvar o JT jamais foi cogitada integralmente, aquela que, desde o nascimento, lhe foi negada: ser um jornal da tarde, efetivo, autêntico, vespertino stricto sensu, jornal do dia, antecipador dos telejornais da noite e dos matutinos do dia seguinte.

Em muitas cidades do mundo tentou-se a fórmula de vespertinos segmentados,
 dirigidos aos jovens e/ou determinadas zonas urbanas servidas por redes de transporte público. As experiências estão em curso, não se tem notícia de que o Grupo Estado a tenha tentado.

Junto com a última reforma gráfica do Globo, em homenagem ao seu passado a versão digital passou a ser vespertina, isto é: o fluxo contínuo foi substituído por uma periodização a partir da tarde. Por enquanto, a mudança é simbólica. Mas o jornalismo é, em si, um conjunto de símbolos, a começar pelo culto a Mercúrio, o deus dos intercâmbios. Não se tem notícia de que o Grupo Estado tenha feito alguma especulação em torno dessa alternativa.

No passado, o grito “Stop the presses!” – ou “Parem as máquinas!” – tinha uma entonação triunfal: a tiragem estava sendo interrompida para a atualização do jornal. Era o momento supremo, hora estelar, em matéria de palpitação noticiosa.

Hoje, param as máquinas em sinal de luto. Para chorar o fim daquele formato que melhor simbolizou o jornalismo – o jornal.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

 O fim do Jornal da Tarde

Sempre que se fala a respeito do fim do jornalismo impresso repito um mantra: quem vai acabar com o jornal impresso não é o esgotamento do modelo; quem firmará o ponto final será o patronato, sua falta de compromissos com o jornalismo como serviço ao público, seu compromisso único com o mercado. E, dentro desse processo, vem o comunicado do grupo do Estadão, informando o fim do Jornal da Tarde. 

Não se pode comparar um jornal impresso, em termos de conteúdo, largueza de informação e opinião, com o noticiário via internet, onde os textos precisam necessariamente ser curtos. A resultande disso, entendo, é uma crise de sentido manifesta na superficialidade, especialmente da informação. Aqui posso, estou fazendo isso agora, fazer análises que, se desenvolvidas de forma coerente, cumprem com o propósito de atitude interpretativa.

Agora, querer dizer que um jornal de internet consegue o mesmo feito que um impresso é esconder a realidade, ou seja: enxugar custos e dar ao leitor um jornalismon pífio. Lamento o fim do JT e tudo o que foi, especialmente quando seguia a direção editorial de Mino Carta, quando criatividade e competência informativa caminhavam juntas. O exemplo estão nestas capas que reproduzo do portal Brasil 247. 

Segue a nota da direção do JT, justificando o fim do jornal.

Em nome do Grupo Estado comunico que, a partir de 1º de novembro, o Jornal da Tarde deixa de circular por uma decisão empresarial, tomada para o aprimoramento do foco estratégico da companhia.

A determinação leva em conta o objetivo de investir no Estadão com uma estratégia de multiplataforma integrada (papel, digital, áudio e vídeo e mobile), para levar maior volume de conteúdo a mais leitores, sem barreira de distância e custos de distribuição.

O tradicional Jornal do Carro será incorporado ao Estadão com edições às quartas, quintas, sábados e domingos. Essa medida ajudará a ampliar a estratégia de marcas que compõe o universo do Estadão, representadas pelos cadernos Esportes, Metrópole, Paladar, Viagem, Caderno 2, Casa, Economia & Negócios, Link, Divirta-se, entre outros.

Ao longo de seus 46 anos de circulação, o JT foi pólo de inovação e criatividade e, com seu jornalismo dinâmico e design gráfico, influenciou gerações de leitores e de profissionais que nele trabalharam.  Quero agradecer pela confiança e apoio de todos os que participaram dessa história: jornalistas, colunistas, publicitários, equipe de arte, integrantes das áreas comercial e administrativa, e das áreas de produção e distribuição.


Francisco Mesquita Neto
Diretor Presidente do Grupo Estado