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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Deífilo, a voz do mestre, a voz do povo

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O grave estado de saúde do folclorista Deífilo Gurgel dá-me a sensação exata do quanto são importantes os velhos estudiosos, seus trabalhos e crença naquilo que fazem. São homens do tempo, parceiros da identidade mais íntima e mais anímica do povo. São eles quem guarda as coisas etéreas,valores, verdades populares, o imaginário fabuloso das lendas, mitos fulgurantes, causos extraordinários, representações fantásticas. 

O anúncio de sua morte, depois desmentido, causou-me um sentimendo de perda, de ausência, lacuna. Deífilo encarna, em seu saber e em sua presença, os idos do tempo, cantigas velhas, a brisa das lembranças que acodem quando falamos de povo, em sua aceção de grande coletivo de almas e suas crenças ingênuas, plenas de uma certa beleza que as gentes e os comuns têm da vida. 

Em sua obra está o sertão grande em hora de noite fechada, o vendo zunindo no tronco do arvoredo, o homem esporeando o cavalo fugindo da cruviana. Em sua voz estão os cantares, capelinhas e folguedos que o tempo de hoje teima em esquecer.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cano estoura e buraco quase traga ônibus; Caern diz que a culpa é do chão
Emanoel Barreto

"O ônibus da linha 60, entre Pajuçara e Mirassol, caiu numa vala provocada pelo rompimento de uma tubulação da Caern, provocando susto nos passageiros. O acidente ocorreu ontem às 6h20, na Avenida Antônio Basílio, em Morro Branco, na Zona Sul." 

A informação é do Diário de Natal, seguida de "esclarecimento" da Caern dizendo que houve "vazamento repentino" com o estouro da tubulação. O jornal informa, porém, que moradores da imediações já haviam percebido que a presença da água há dias.  

Ônibus quase afunda e a culpa é do chão (Foto: Joana Lima)
Das duas uma: ou os moradores estavam tendo alucinações, o que provavelmente deve ser verdade, já que o povo tem essa lamentável tendência de mentir e exagerar, além de ver coisas do outro mundo ou a Caern deveria procurar nas entranhas da terra algum tipo de tatu gigantesco a abrir buracos no oco do mundo.

Talvez até mesmo devesse a Caern, encontrando o tatu, se associar a alguma empresa mineradora e expandir sua esfera de interesses.

Uma coisa me chama a atenção e me choca: a leniência, a pachorra, a lentidão espojada do que chamamos de "autoridades" neste país. 

Os moradores já haviam notado a presença do vazamento, a Caern não; ao que parece, as pessoas devem tomar providências, as autoridades não; o povo pode sofrer, as autoridades não se importam. 

E ainda saem com desculpas que somente alguém muito ingênuo ou vocacionado às práticas de autoflagelação se submete a acreditar. Acho que devemos começar a procurar o tatu.