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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Operação Impacto resultou num sopapo na cara do povo. Um dos indiciados, o Sargento Siqueira, tornou-se afinal, cumprindo os rituais da grotesqueria política que infesta este infeliz Estasdo, deputado-bibelô: vai enfeitar, na mesinha de centro da Assembleia Legislativa, a falsa vaga deixada pelo deputado reeleito Gilson Moura. Na qualidade de penduricalho político o único gesto de Siqueira como "parlamentar" será participar da posse da governadora eleita.

Antes disso Siqueira, caso queira fazer algum discurso não o poderá: sequer quererão querê-lo os deputados: está na hora do remanso de fim de ano. Ócio e preguiça para todos. 

É por essas e outras que os Titãs compuseram Vossa Excelência, poderosa, indignada, melhor dizenro irada canção contra... bem... os digamos assim... Faça o seguinte: logo abaixo está o post com o show dos Titãs. Você entenderá o que quero dizer.

Foto: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://arquivos.tribunadonorte.com.br/fotos/66492.jpg&imgrefurl=http://tribunadonorte.com.br/noticia/tj-cassa-liminar-e-determina-posse-imediata-de-sargento-siqueira-na-al/167608&usg=__G0wAFE9TGiweskQU3PmHqLOyHm4=&h=500&w=750&sz=32&hl=pt-br&start=0&sig2=j3aYqSqbt2Xz2tWT_E9ZGw&zoom=1&tbnid=pWyYLIb5kh4opM:&tbnh=132&tbnw=170&ei=M2IKTca3N4eglAfqz7yXAQ&prev=/images%3Fq%3Dsargento%2Bsiqueira%26um%3D1%26hl%3Dpt-br%26safe%3Doff%26client%3Dfirefox-a%26sa%3DN%26rls%3Dorg.mozilla:pt-BR:official%26biw%3D1024%26bih%3D407%26tbs%3Disch:10%2C104&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=621&oei=E2IKTdOsJsX_lgfbx_CSBQ&esq=9&page=1&ndsp=10&ved=1t:429,r:7,s:0&tx=53&ty=50&biw=1024&bih=407

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A marca do Zorro ou de como o sargento Siqueira se transformou no Sargento Garcia
Emanoel Barreto


A atitude da Mesa da Assembleia Legislativa, negando posse ao sargento Siqueira, aliando-se assim ao Ministério Público que contesta sua assunção ao mandato, mostra pelo menos um resquício de consciencia social e respeito  a esse ser coletivo a quem chamamos povo. Siqueira assumiria no vácuo deixado pelo deputado Gilson Moura, no que aparenta ser uma espécie de negaça, uma drible e uma afronta aos princípios republicanos.

Tomando conta do mandato Siqueira passaria a ter foro privilegiado uma vez que o processo contra ele, oriundo da Operação Impacto, o revestiria da armadura de parlamentar. A renúncia de Moura é vista como um conluio para beneficiar o colega de partido. 

O episódio é típico da nossa pequena política, aquela de bastidores, praticada nos escaninhos mais mofados da política. Aquela da troca de favores e benemerências cavilosas, onde a coisa pública passa a ser usada como proriedade do mandatário, em detrimento das mais comezinhas regras da moral e da ética. A política como epílogo da decência. 

Nossa cultura política é assim: sem grandes gestos, sem atos de grandeza, sem valoração de princípios, sem coerência ideológica.

Mas o sargento Siqueira teve a experiência dolorosa, vexatória, de ficar esperando inutilmente para tomar posse: como nenhum membro da Mesa compareceu à Casa, ele ficou plantado ontem, a tarde inteira, à espera de Godot. Mas, como na peça de Samuel Beckett, debalde foi a espera. Siqueira passou a humilhante situação de ver seus pais, um respeitável casal de mais de 80 anos, sofrer inutilmente, expostos publicamente ao vexame.

O gesto da Mesa, duro mas necessário, ficou nele como sendo a marca do Zorro: aquele "Z" que o heroi mascarado deixa fincado na testa dos seus antagonistas, labéu e pecha a denunciar que ali estava alguém que se postava contra os interesses sociais. Com o gesto, a Assembléia transformou o sargento Siqueira numa espécie de Sargento Garcia, atrapalhado e toleirão, a serviço de causa nada louvável.