A vida acaba,
a palavra fica
Por Emanoel
Barreto
A última vez que publiquei aqui
foi dia 17 de outubro de 2024. Ainda assim, verifiquei hoje, um público fiel
mantém vigilância diária nesta página, numa espécie, creio, de visitação arqueológica,
buscando talvez as matérias mais antigas como novidades: afinal o que ainda não
se viu mesmo velho é fato novo.
Às vezes digo a mim mesmo: quando
se nasce com a inquietação da palavra há de se cumpri-la à luz da vela de uma
vida que se esvai enquanto você escreve, redige, fala consigo mesmo, se perde
no labirinto da sua própria imaginação, caminho que nunca acaba. No fim a vida
acaba, a palavra fica.
E por que parei de escrever? Não sei.
Digamos que as palavras que estavam escondidas em minhas mãos se esvaíram a
cada texto, até que se extinguiram. Só pode ser isso. Consultei um amigo, que é
cientista e louco e ele me assegurou: quem gosta de redigir tem sim um estoque
de palavras e o excesso de uso as consome temporariamente. Depois quem se
extingue é você e então suas palavras ficam órfãs, à procura de outras mãos onde
possam se sentir acolhidas. E, acolhidas, começam uma nova ciranda – e assim sucessivamente.
Então, hoje, veio-me a vontade de
escrever e descobri que as palavras voltaram. Regressei ao teclado do piano do
computador e compus esse pequeno solo, todo cifrado nos sons silenciosos do
texto.
Obrigado, espero voltar amanhã.
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