domingo, 8 de março de 2026

 A vida acaba,

a palavra fica

  Por Emanoel Barreto

A última vez que publiquei aqui foi dia 17 de outubro de 2024. Ainda assim, verifiquei hoje, um público fiel mantém vigilância diária nesta página, numa espécie, creio, de visitação arqueológica, buscando talvez as matérias mais antigas como novidades: afinal o que ainda não se viu mesmo velho é fato novo.

Às vezes digo a mim mesmo: quando se nasce com a inquietação da palavra há de se cumpri-la à luz da vela de uma vida que se esvai enquanto você escreve, redige, fala consigo mesmo, se perde no labirinto da sua própria imaginação, caminho que nunca acaba. No fim a vida acaba, a palavra fica.

E por que parei de escrever? Não sei. Digamos que as palavras que estavam escondidas em minhas mãos se esvaíram a cada texto, até que se extinguiram. Só pode ser isso. Consultei um amigo, que é cientista e louco e ele me assegurou: quem gosta de redigir tem sim um estoque de palavras e o excesso de uso as consome temporariamente. Depois quem se extingue é você e então suas palavras ficam órfãs, à procura de outras mãos onde possam se sentir acolhidas. E, acolhidas, começam uma nova ciranda –  e assim sucessivamente.

Então, hoje, veio-me a vontade de escrever e descobri que as palavras voltaram. Regressei ao teclado do piano do computador e compus esse pequeno solo, todo cifrado nos sons silenciosos do texto.

Obrigado, espero voltar amanhã.

 

 

 

 

 

 

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