Caras Amigas,
Caros Amigos,
Após, digamos, uma grande luta, consegui afinal recolocar o computador para funcionar. E cada vez mais me convenço do seguinte: essas máquinas têm uma espécie de vida. Quero dizer: algo como uma quase-vida.
Ao contrário dos livros, que são amigáveis, sensíveis ao toque das mãos e jamais faltam ao que deles esperamos, os computadores, não: são bichos bonitos, uma espécie de ave-do-paraíso, porém indócil e imprevisível. Quando menos se espera, eles nos enviam, como direi, uma mensagem dizendo que não obedecem. E pronto.
Livros são seres vivos bons e pacificados. Têm essência e consistência. Livros pensam. E a cada leitura, se for mesmo um bom livro, vocês podem navegar e navegar em suas páginas que, de alguma maneira, encontrão um novo encanto, um porto mais adiante, uma paisagem que a sensibilidade até então não habia percebido.
Quanto aos computadores, são como os pôneis dos tempos do correio a cavalo: intrépidos, impulsivos; corcoveiam em suas dunas digitais. E se o cavaleiro não for bom ou estiver distraído, pode, vejam só, ser destruído.
Anos e anos de pesquisa e trabalho podem ser levados para a zona etérea do disco ríogido e desaparecer em meio ao seu mar de informações. Então, adeus e só nos resta chorar. Se tanto.
Continuo amigo dos computadores, mas com saudade das velhas e boas máquinas de escrever. Quero ter sempre um por perto, mas sempre pronto para o próximo sobressalto. Espero que o mesmo se dê com vocês.
Emanoel Barreto
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