Domingo, Novembro 29, 2009

Foto: Horst P. Horst
Depois que esse tempo passar...
Emanoel Barreto

Uma beleza de letra de Paulinho da Viola.

A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto

Quero fechar a ferida
Quero estancar o sangue
E sepultar bem longe
O que restou da camisa
Colorida que cobria minha dor

Meu amor eu não esqueço
Não se esqueça por favor
Que eu voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo esse tempo passe
Para beijar você




Imagem: http://www.brasilescola.com/upload/e/Regencia%20de%20DOM%20PEDRO%20BR%20ESCOLA.jpg
Heróico brado retumbante
Emanoel Barreto

Diz a Folha Online: A operação deflagrada ontem pela Polícia Federal para investigar irregularidades no governo do Distrito Federal e o suposto envolvimento do governador José Roberto Arruda (DEM) no esquema de propina para a base aliada na Câmara Legislativa provocou um clima de apreensão em toda a cúpula nacional do DEM.

Único governador do partido, Arruda estava com a exposição em alta na mídia nos últimos meses. Dava entrevistas a grandes veículos de comunicação, com o intuito de valorizar a imagem da legenda em todo o país. Comandará os festejos dos 50 anos da capital
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Digo eu, citando o Hino Nacional: você sabe qual foi o "brado retumbante" do povo heróico de que nos fala o hino? É o seguinte: "Dá pra acabar com tanta roubalheira?!!!!"

Resposta: "Dá não! Já estamos muito acostumados, ou melhor, viciados. E esse vício de roubar é coisa incurável. E dane-se o heroísmo do povo..."

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Voltarei a escrever neste sábado.
Emanoel Barreto





Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Foto: http://veja.abril.com.br/130900/imagens/veja_essa1.jpg
A mulher como fêmea lasciva
Emanoel Barreto

A modelo Joana Prado, que viveu a Feiticeira na Band, não deixou que um programa exibido em Fortaleza (CE) mostrasse vídeos seus como a personagem ou imagens do ensaio que fez para a revista "Playboy". Joana, que participava do programa ao lado do marido, Vitor Belfort, disse que se sentia mal vendo imagens da época.

"Eu me sinto constrangida quando me vejo dançando porque minha história hoje em dia é totalmente diferente. (...) Se vocês pudessem me respeitar eu gostaria que não mostrassem imagem de Feiticeira ou foto de 'Playboy' porque eu vou me sentir mal", disse a modelo, com a voz embargada, ao apresentador João Inácio, da TV Diário.

Joana falou sobre o seu passado após o apresentador explicar à plateia que uma parte do programa havia sido cancelada a pedido da modelo. "Eu achei que já tinha sido feito um acerto entre a produção e vocês, mas como não houve..."

"Eu tenho coisas mais legais pra falar. Eu tenho três filhos e eu não quero que a referência deles seja essa. Outro dia meu filho falou pra mim: 'Ah mamãe, você dançava de biquíni.' Eu falei, 'eu dançava filho, mas hoje em dia a mamãe vive outra história'", disse Joana.

Na entrevista, Joana ainda disse que a "Casa dos Artistas", reality show do SBT, foi um marco em sua vida. "Foi um momento em que as pessoas puderam ver a Joana pessoa. Eu não ganhei o prêmio de R$ 1 milhão, mas ganhei um prêmio muito maior, que foi esse reconhecimento das pessoas."
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O texto acima é da Folha Ilustrada Online. A personagem da notícia bem poderia ser enquadrada naquele estilo de Nelson Rodrigues de "meu passado me condena". Esse seria o óbvio ululante, do mesno Nelson. Contudo, reconfigurando o olhar sobre a ex-Feiticeira, o que temos? Encontramos um ser humano que em período de juventude, por imaturidade e alienação, deixou-se manipular pela indústria cultural, exibindo sua condição de mulher reduzida ao comportamento de fêmea lasciva.

Hoje como modelo, e apesar do olhar compreensivo, podemos encontrar no seu discurso, de alguma forma, o mesmo discurso dos que pensam pela fórmula meu passado me condena. A repulsa ao que foi, pelo menos ao que fez, é a exposição da vergonha do ser na TV Diário, uma emissora que explora as mais baixas e degradantes filigranas da condição humana.

As atitudes do passado repercutem no presente, e tudo o que fomos ou fizemos é vívido em algum momento do futuro. Não há como escapar. Nosso passado, assim como a sombra, caminha ao nosso lado. Podemos fugir de muitas coisas. Da nossa sombra, não. Mas, não temos culpa de ter uma sombra...


Terça-feira, Novembro 24, 2009

Noturno
Emanoel Barreto

É noite.
Um corvo se mistura, em silêncio, à escuridão, sua amiga.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Foto: http://images.google.com/imgres?
O sol morto de preguiça e a chuva que não quer cair
Emanoel Barreto

Ideias rarefeitas, pensamento quase parado. O mundo está cansado e velho. As novidades das coisas de jornal estão amarrotadas de tanto se repetir: tragédias, bombas, insultos, tramas.

O tempo se esvai e vai em seu passo. Às vezes de tartaruga; noutras, corrida de guepardo.

A tarde está mansinha e o céu meio sonolento de sol, que é quando o sol, por capricho, quer deixar de iluminar para dar lugar a alguma chuva. Dessas chuvas que não têm vontade de chover, entende?
Dessas chuvas miudinhas. E tímidas como meninas que vão se apresentar em seu primeiro recital na escola. Enfim, é isso: estou com ideias rarefeitas e pensamento quase parado. Melhor assim que comentar as velhas e volutas coisas de jornal. Amanhã eu volto.

Domingo, Novembro 22, 2009

Imagem: http://images.google.com/imgres?
O mundo não acaba em 2012. O mundo já acabou. Ou quase isso
Emanoel Barreto

Não, não creio que o mundo acabe em 2012. Seja por objetiva racionalidade, seja porque entendo que não se pode acabar aquilo que já se extinguiu. Às vezes acho que é isso mesmo: o mundo acabou. Por preguiça de se banir o mal, desordem ética, repetição da brutalidade e consumo diário da adrenalina da crueldade e da desumanização. Aí, penso: acho que o mundo acabou.

Veja só: a interminável e inúmera repetição das barbaridades dos governantes, as massas oprimidas pela fome e pelo desespero do existir e pela ansioso temor do que virá dia seguinte, isso não é indicativo de que o mundo acabou? O que não se renova, o que permanece estático na dinâmica da estupdez isso é ou não é o fim mesmo?

A rigor nada há de novo nos jornais, nas coisas de jornal. Talvez até mesmo os jornais devessem deixar de ser veiculados, até segunda ordem. Seja em impresso, TV, rádio ou internet. Por quê? Pelo fato mesmo de que nada há de novo na face da Terra. Cada tragédia, cada grito é apenas o eco de outros milhares de gritos, gritos já antigos, cansados, gritos anciãos, lamentos langorosos de um tempo que se repete.

Sim: o mundo acabou. Nós é que não percebemos. E ficamos a vagar como almas perdidas, deambulando numa eternidade diária que criamos. Enquanto isso não mudar, o mundo continuará acabado. Ou quase isso.


Sábado, Novembro 21, 2009

Rogério Cassimiro - 22.jul.2008/Folha Imagem
Quanto vale e biografia de um homem
Emanoel Barreto

O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PTB) morreu na noite desta sexta-feira aos 63 anos. Ele estava internado no hospital Sírio-Libanês, onde fazia tratamento contra um câncer no intestino.

Celso Pitta foi prefeito de 1997 a 2000 e sua gestão foi marcado por várias denúncias
Em janeiro deste ano, o ex-prefeito foi submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino e, desde então, fazia tratamento com quimioterapia no hospital.


Afilhado político do deputado Paulo Maluf (PP), Pitta administrou a Prefeitura de São Paulo no período de 1997 a 2000. Sua gestão foi marcada por uma série de denúncias. A principal delas foi o esquema de corrupção batizado de "escândalo dos precatórios".

Ele acabou afastado do cargo por 18 dias --sendo substituído por seu vice-prefeito, Regis de Oliveira--, mas retomou o cargo em seguida. Concorreu a deputado federal e perdeu em duas ocasiões, mas manteve sua filiação ao PTB.

Em julho do ano passado, Pitta foi preso pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Satiagraha, que investiga crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. O ex-prefeito e os demais investigados presos foram soltos depois.

A investigação da PF resultou em uma denúncia do Ministério Público Federal, que acusou Pitta por corrupção passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e organização criminosa. Todos os pedidos foram integralmente aceitos pela Justiça Federal.
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Construímos nossa biografia e nossa imagem cotidianamente. O que fazemos, especialmente aquilo que socialmente se torna exposto em nosso comportamento, e no que dizem a respeito delo, constituem uma espécie de patrimônio pessoal socialmente apropriado. Nossa vida de alguma forma passa a pertencer aos outros, ao juízo coletivo, que é um misto de severidade e leviandade.

Severo, tal juízo o é quando opinião pública injusta incide sobre alguém. Leviano, quando o disse-me-disse espalha rumores, confusões, mentiras a respeito de alguém, seja figura de relevo ou simples mortais sem vida midiática.

A leitura do perfil biográfico de Pitta, que transcrevi da Folha Online, é um deplorável legado à sua memória. O homem, plenamente imantado da condição do político, morre, deixando aos seus filhos a acabrunhada missão de defender um pai que, à nação, era sinônimo de corrupto.

Temos, de alguma forma, uma espécie de missão: agir segundo a ética. Não apenas por ser algo necessário; melhor diria, essencial, ao convívio social, mas também por apreço a si próprio. Quem age em sentido contrário termina por lavar-se com a pegajosa substância que impregna, na política, o gesto feio, a coisa feia, da qual, e todos sabem disso, jamais será possível se livrar.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009


Foto: reprodução
A mulher do presidente ficou nua. Mas ninguém comprou a foto
Emanoel Barreto

Deu na Folha Online: Uma foto da primeira-dama da França, Carla Bruni, posando nua em 1993, tirada pelo fotógrafo de moda Michel Comte, não encontrou comprador em um leilão organizado nesta sexta-feira em Paris, uma vez que o preço máximo oferecido ficou abaixo do preço de reserva.

O preço inicial da fotografia de Bruni, que na época trabalhava como modelo para destacados estilistas, foi fixado em 4.000 euros.

O preço de venda estimado da imagem, leiloada na casa Druot por um colecionador alemão, foi estimado entre 6.000 e 9.000 euros.

No entanto, o maior valor oferecido pelos participantes do leilão foi 5.800 euros, em menos de 90 segundos.


Como era inferior ao preço de reserva, a oferta não foi aceita.
Em abril de 2008, uma fotografia idêntica de Bruni foi vendida na casa Christie's de Nova York por US$ 91 mil.


Dois meses depois de se casar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a foto de Carla Bruni gerou enorme interesse entre os meios de comunicação e colecionadores.
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Vivemos, como dizia Guy Debord, a sociedade do espetáculo, da vivência do cotidiano como uma espécie de encenação, comportamentos cifrados, atitudes regidas, expressas em ações inconscientemente mecanizadas.

A rigor, qual o valor, qual a importância essencial da foto de uma mulher nua? Nenhum, pode-se responder sem qualquer reflexão, por mínima que seja. Então, por que a foto, à época de sua divulgação, causou tando alarido? Simples, porque se trata de mulher de presidente de uma das potências mundiais.

Como não é comum que primeiras-damas sejam expostas em situação de nudez, o voyeurismo público tornou-se ávido pela imagem. A suposição implícita de leviandade, de quebra de um presuntivo decoro do papel social de uma primeira-dama, foi o toque de cristal que disparou a curiosidade da mídia, que contrastava seu passado profissional com sua situação posterior.

Passada a onda vem a realidade: é apenas uma foto, mais uma, de beldade expondo seus dotes finamente captados por fotógrafo competente, um artista. Que compôs, como um pintor, o retrato encantador da beleza feminina.

A imagem, que traduz uma espécie de tímida sensualidade - observe a posição dos pés lembrando uma menininha, a contida voluptuosidade da imagem como um todo - sugere encanto, evanescência, sedução maravilhada, alumbramento da modelo e do seu observador.

Artisticamente, é isso. Midiaticamente, apenas uma jogada que, como se viu, não valeu a pena. Ela já declarou que não renega o passado e o marido parece estar muito bem com a mulher. Afinal, como dizia antigo ditado, tanto faz ver como saber que tem.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Foto: http://1.bp.blogspot.com/_Eoo8xAkT6rc/SWTS8HxWxtI/AAAAAAAAAOQ/SETn5LWK44E/s400/Cascavel_sul2.jpg

O fim da peçonha
Emanoel Barreto

O Brasil quer valorizar suas credenciais diplomáticas promovendo a reconciliação no Oriente Médio, ao receber na semana que vem o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, apenas duas semanas depois de uma visita do presidente de Israel, Shimon Peres.

O diálogo Brasil-Irã conta com o apoio do governo americano, já que, segundo autoridades brasileiras, o presidente Barack Obama pediu em março ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que conversasse com Ahmadinejad.

"Acreditamos que é muito mais importante manter um diálogo com o Irã do que simplesmente dizer não, deixá-los estigmatizados e isolados", disse Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, semana passada a jornalistas no Rio. "Obama disse que um diálogo entre o Irã e o Brasil é importante."

Obama tem dito que o tempo está se esgotando para que a diplomacia resolva o impasse em torno do programa nuclear iraniano, que potências ocidentais suspeitam estar voltado para a produção de armas atômicas. Teerã afirma que seu objetivo é gerar eletricidade para fins civis.
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Pincei os trechos acima da Folha Online. Ali está indicado, por implicação, que a diplomacia brasileira aproveita o momento histórico favorável para alavancar a presença do país como ator proativo no cenário internacional. Por decorrência da gravidade política, afigura-se o presidente Lula como figura central na tratativa de impasses entre as nações.

Os jornalões afirmam que Lula, após cumprido o mandato, teria interesses em passar a integrar os quadros da ONU como interlocutor privilegiado, tornando sua figura histórica bastante sobrelevada. Lula estaria também sonhando em ser o próximo Prêmio Nobel da Paz, é o que dizem as ilações dos grandes jornais brasileiros.

Especulações à parte, há um dado concreto. E este vem dos Estados Unidos: a preocupação de Obama com o arsenal nuclear do Irã. É válida a preocupação, pois o mundo está precisando de civilização, o que pode-se ler como paz, respeito humano, alimentos, equilíbrio, justiça social...

Mas, por outro aspecto, há um dado paradoxal: por que os Estados Unidos têm tal preocupação? Afinal, são o país como o maior potencial destrutivo do planeta. Desmanche do enigma: os EUA sim, podem ter armas nucleares, os outros, não. Percebe o paradoxo? Eles são o bem, as armas em seu poder estão em mãos responsáveis. O "perigo" está nos outros...

O discurso, em si, é vazio, pois não implica destruição das armas atômicas, mas, tão-somente, o desarme dos demais países. Assim, fica mesmo difícil conversar. As bombas devem ser varridas da face da Terra, claro. Mas, o discurso americano é falso. Seria como a cascavel pregando o fim da peçonha.