sexta-feira, 17 de maio de 2013




Do povo, pelo povo, para o povo

Olá,
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Um amigo me disse hoje algo muito interessante: “No Brasil temos eleições; não temos democracia.” Não é um trocadilho, apesar de parecer muito. Há algo de sutil nessa afirmativa: o fato de você eleger alguém não significa que ele o represente efetivamente. Não é porque alguém se diz “representante do povo” que ele seja isso, efetivamente. 

Por implicação, hão haverá democracia enquanto governo do povo, pelo povo, para o povo, pois não haverá povo realmente representado por aqueles que se dizem tal. E isso pelo fato simples de que o representante não veio do ser coletivo, não viveu seus problemas, anseios e angustias, necessidades e urgências. 

Se essa pessoa empoderada não tiver vínculos orgânicos com aqueles que diz representar não haverá essa representação; haverá sim uma farsa, na maioria das vezes uma tragédia. 

Agora, o paradoxo: mesmo assim é preciso manter esse sistema de votação. Ele é, em potência, a possibilidade de que algum dia o povo venha mesmo a ser representado. A encenação dará lugar ao teatro válido do drama histórico.


sexta-feira, 3 de maio de 2013



Ave, sertão brabo do Pade Ciço;
Ave, cavalo bom de gado

Vi na televisão que hoje é o Dia do Sertão. A bença a meu Padim Pade Ciço do Juazeiro, a Frei Damião e aos vaqueiros rezadores, aqueles que curam no rastro. A bença às benzedeiras e à santas mulheres antigas, aquelas que iam à missa de mantilha, terço na mão, fé no olhar.
 
http://freeormind.blogspot.com.br/2010/05/sertao-um-pedaco-do-pais-informacoes.html
Nasci em Natal, mas me considero sertanejo de gosto e vontade de ser de lá. Li em Guimarães Rosa que o sertão é uma grande espera. 

Mas ele não se referia ao sertão do Nordeste, virava-se a outra instância do sertão: a vastidão do campo largo, batido de vento e percorrido pela vida dos agrestes que por lá moravam no tempo que ele cifrou em seu livro famoso. Era um outro sertão, não o nosso; não tinha seca nem vaqueiro encourado. Mas também é bonito e dele me apego.

Nosso sertão tem a brabeza das coisas que não têm pena de gente: pedras e calor sem dó. Mas quando chega chuva criadeira o sertão vira um mar, um mar que só o sertanejo entende em sua alma de bicho de Deus.

Ave sertão, ave Maria, ave rezadeiras e o bicho lobisomem; ave cavalos bons de gado.

segunda-feira, 22 de abril de 2013



You can’t always get what you want

O título desta crônica foi tirado de composição dos Rolling Stones. Em tradução livre, quer dizer mais ou menos que você não pode ter tudo o que deseja. E tem tudo a haver com a história que vou contar.
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Seguinte: corria o ano de 1975 e eu era repórter do Diário de Natal, editoria de polícia. Certa vez, procurando telegramas que tratassem de assuntos da área encontrei uma história incrível. Rodriguiana, totalmente rodriguiana. 

Dizia o seguinte: um sujeito, batendo pernas por uma rua do Rio de Janeiro, deu de cara com uma cena que o deslumbrou: mulher gravemente bela varria a calçada da casa. O olhar do homem deslumbrou-se com a visão, que gerou nele uma epifania de encantamento; um misto de desejo e, ao mesmo tempo, respeito sagrado por aquela vênus. 

A partir de então passou a cumprir com seu ritual de ânsias platônicas. A mulher passou a ser a santa deliciosa, a madona de prazeres ocultos, proibidos encantos. O interesse virou obsessão, a obsessão transformou-se em decisão: estava pronto, iria dirigir-se a ela. 

E se assim pensou melhor o fez: certo início de noite, munido de revólver, invadiu a casa e ali encontrou-a. A ela e ao marido. Na sala.  Pego de surpresa, o casal não reagiu. Homem e mulher pediram que se fosse. Caso quisesse assaltar, poderia levar tudo. 

Possesso de todas as vontade, embriagado de licenças, mandou que o casal se calasse. Eles obedeceram. Então, ele mandou: queria que a mulher tirasse a roupa: lentamente. Foi inútil o pedido para que não, não fizesse aquilo. Ele determinou, a arma tremendo na mão e não houve jeito: a mulher obedeceu, trêmula.

Ela livrou-se primeiro da blusa, depois da saia; do sutiã em seguida, e então da peça mais íntima, ao sul do seu corpo fêmeo.  A calcinha caiu ao chão. Afinal, após todas as angústias vividas só para si, ele a viu nua: seios opulentos, ancas suntuosas, o vértice feminino adornado de delicado e denso veludo negro. 

E então, aconteceu: tonto de paixão, atordoado de beleza, ofegante daquela sórdida alegria, o coração desesperado em síncope de blue, ele deixou cair a arma, pediu perdão ao casal, girou nos pés e caiu morto daquela encantação maligna e deslumbrante.

sábado, 20 de abril de 2013



Tanto horror perante os céus

Dzhokhar Tsarnaev. O nome, quase impronunciável por um ocidental, designa o jovem suspeito de haver participado das atrocidades praticadas em Boston. Quero tratar da tragédia, aqui, de um ângulo que, pelo calor do momento, o jornalismo hard não tem tempo de fazer: tomo como referência o aspecto existencial, o humano, o trágico, patético, demencial ou quase isso, desse rapaz.
 

O ser humano em sua ira. Ira transformada em causa; e as causas justificam tudo. Aliciam, consomem, adoidam e mandam que as pessoas assim justificadas se atirem às mais tortas intentonas.
Reprodução/Twitter.com/abc7 - Da Folha de S. Paulo
Seu sofrimento, sua dor vertida em ideologia santificam todos os gestos.

 E lá se foi ele, armado, tonto, ao lado do irmão, “justiçar” multidão festiva em sua maratona. Depois, um depois terrível, tornou-se o acossado, o perseguido, a fera a ser detida. E terminou assim, acabou como está na foto. Colou-se na imagem tétrica que personifica o monstro , nos mostra o monstro ferido. E que, mesmo ferido, parece estar algemado.

Ó tempos, ó costumes! Tudo tão triste, tão triste, na vida e miséria humana – não vale a pena tal luta. Espero jamais rever tanto horror perante os céus.

Recebo e divulgo



“Pietá – Leve o que Quiser”

A Guria Produtora traz pela primeira vez à Natal/RN, diretamente do Rio de Janeiro, a banda “Pietá”, para apresentação única no Teatro Alberto Maranhão, dia 27 de abril, às 20h30. O palco será ocupado pelo trio de
músicos/atores formado por Juliana Linhares (voz), Frederico Demarca (violão) e Rafael Lorga (percussão).

O show “Leve o que Quiser” vem coroar o primeiro ano de trabalho do Pietá.
Inspirados na música homônima, a banda convida o público a visitar o
universo intimista onde tudo começou: uma casa, uma sala, fogão e
cachorro. Três sotaques unidos pela musica popular regional original
brasileira acústica de jardim.

O projeto “Pietá” surgiu no início de 2012 através do encontro da
natalense Juliana Linhares com os cariocas Frederico Demarca e Rafael
Lorga. Atores, os três se conheceram na faculdade de teatro e, com
carreiras musicais já em andamento, uniram-se. Desde então vem fazendo
diversos shows pela cidade do Rio de Janeiro, levando um repertório
transitório, transeunte, transitivo, por vezes autoral, por vezes
saudação.

O cardume do show também conta com os músicos convidados Neemias Lopes e
Paulo Sarkis, luz de Ronaldo Costa e som de Eduardo Pinheiro.

É com imenso prazer, vontade, coração batendo mais forte que a banda pega
o avião para finalmente voltar à bolsa uterina do mar quente do nordeste e
apresentar aos potiguares a sua música.

A Guria Produtora é uma empresa especializada em oferecer soluções para
eventos, teatro, shows, vídeos, congressos, festas e etc. Atua em Natal
desde 2012 e está presente nos maiores eventos da cidade com equipes de
produção e coordenação de produção.

Serviço:

“Pietá – Leve o que Quiser”
Quando: dia 27 de Abril
Onde: Teatro Alberto Maranhão
Horário: 20h30
Ingressos Antecipados: Donna Casa (Midway Mall- 3º Piso / Tel: 3344-4352)
e na bilheteria do Teatro Alberto Maranhão.