terça-feira, 11 de outubro de 2016

Corporações indígenas e alienígenas ameaçam dominar o país





Temer, Maria Antonieta e o governo de pinguela



O ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer fez aprovar ontem em primeira votação a PEC da Maldade, cujo objetivo é assujeitar o povo brasileiro ao capital rentista nacional e internacional. 
Retrato por Élisabeth Vigée-Lebrun, 1783.

O mesmo seja dito das grandes corporações – sejam indígenas ou alienígenas, com atuação no chamado campo da economia real. Num caso e noutro todos ganham às custas da massa relegada à sua vida de gado. 

O arrocho, programado para durar vinte anos, terá como consequência prática a inevitável paralisação da economia nacional, queda no poder de compra, estagnação das universidades e seu sucateamento, piora nos já péssimos serviços de saúde e segurança e, claro, aumento da violência e criminalidade via jovens atirados à marginalidade e ao crime. 

Isso apenas para fazer uma lista que caiba num artigo jornalístico. A malta de deputados que aprovou a PEC da Maldade já cobra a fatura e quer cargos – em empresas estatais... 

Quem informa sobre a cobrança é a Folha, jornal aliado do ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer; melhor fonte não há. Aliás, a respeito desse ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer diga-se: seu, digamos, aliado afim Fernando Henrique Cardoso, classificou seu – vá lá – governo, como uma pinguela.

Sabe aquelas pontezinhas que, no interior, se constroem sobre os córregos? Precárias, frágeis, improvisadas, fraquinhas? Pois foi a isso que FHC comparou o governo do ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer. O Brasil segue ao abismo caminhando numa pinguela...

O que o ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer parece não estar vendo é que a História se constrói no dia a dia, na vivência da tragédia humana sobre a face da Terra, não apenas em plenários recheados de acordos cosidos ao preço das joias de Maria Antonieta.  

Agora vêm outras votações na Câmara e no Senado e possivelmente a PEC da Maldade passará. Como também passarão lentos, pesados, encharcados de dor e sofrimento os 20 anos desse Reich de pinguela. 

A peste negra elaborada pelo ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer e seus cornacas deverá derramar-se por ruas, praças, becos, escolas, bares, torcidas de futebol, universidades, camas de hospital, filas, fome e etc..., etc...,etc...,etc... até explodir socialmente em angústia e sofrimento na vida de cada pobre e cada assalariado, cada doente ou jovem sem vislumbre de futuro, cada viúva ou bebê que vai morrer. 

Será uma colheita amarga, vindima do desespero. Gostaria de estar errado, mas temo que o processo histórico levará a algum tipo de dissenso com eiva de tragicidade. 

Para encerrar, acabo de ler que o ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer determinou que o Banco Central está autorizado a emprestar até 10 bilhões de reais ao FMI. Como se vê, Coisa de Maria Antonieta.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Nelson Rodrigues e os Rolling Stones

You can’t always get what you want
O título desta crônica foi tirado de composição dos Rolling Stones. Em tradução livre, quer dizer mais ou menos que você não pode ter tudo o que deseja. E tem tudo a haver com a história que vou contar.
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Seguinte: corria o ano de 1975 e eu era repórter do Diário de Natal, editoria de polícia. Certa vez, procurando telegramas da agências noticiosas que tratassem de assuntos da área policial encontrei uma história incrível. Rodriguiana, totalmente rodriguiana. 
Dizia o seguinte o tal telegrama: um sujeito, batendo pernas por uma rua do Rio de Janeiro, deu de cara com uma cena que o deslumbrou: mulher gravemente bela varria a calçada da casa. O olhar do homem deslumbrou-se com a visão, que gerou nele uma epifania de encantamento; um misto de desejo e ao mesmo tempo respeito sagrado por aquela vênus. 
A partir de então passou a cumprir com seu ritual de ânsias platônicas. A mulher passou a ser a santa deliciosa, a madona de prazeres ocultos, proibidos encantos. O interesse virou obsessão, a obsessão transformou-se em decisão: estava pronto, iria dirigir-se a ela. 
E se assim pensou melhor o fez: certo início de noite, munido de revólver, invadiu a casa e ali encontrou-a. A ela e ao marido. Na sala.  Pego de surpresa, o casal não reagiu. Homem e mulher pediram que se fosse. Caso quisesse assaltar, poderia levar tudo. 
Possesso de todas as vontade, embriagado de licenças, mandou que o casal se calasse. Eles obedeceram. Então, ele mandou: queria que a mulher tirasse a roupa: lentamente. Foi inútil o pedido para que não, não fizesse aquilo. Ele determinou, a arma tremendo na mão e não houve jeito: a mulher obedeceu, trêmula.
Ela livrou-se primeiro da blusa, depois da saia; do sutiã em seguida, e então da peça mais íntima, ao sul do seu corpo fêmeo.  A calcinha caiu ao chão. Afinal, após todas as angústias vividas só para si, ele a viu nua: seios opulentos, ancas suntuosas, o vértice feminino adornado de delicado e denso veludo negro. 
E então, aconteceu: tonto de paixão, atordoado de beleza, ofegante daquela sórdida alegria, o coração desesperado em síncope de blue, ele deixou cair a arma, pediu perdão ao casal, girou nos pés e caiu morto daquela encantação maligna e deslumbrante.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Promessas sérias e atos altaneiros



Como construir uma cidade chamada Natal

Ó pobres, ansiosos e sofridos moradores desta cidade do Natal à beira-mar plantada. Eis que aqui venho e anuncio minha candidatura a prefeito, o que representa sem dúvida salvação e curso para este burgo. Faço o comunicado após muito meditar e receber chamamentos e convocatórias; e como sempre estive à disposição do povo assumo esta missão.

E o faço com um grandioso programa de metas à semelhança do fez o saudoso presidente Juscelino Kubitschek. São, todas, metas monumentais, que muito atenderão aos reclamos de uma cidade grande e saudável como aqui a veremos. 

Teremos quatrocentos anos em quatro, o que levará nossa cidade à condição de grande metrópole que é o seu destino. Isto posto, seguem minhas metas e propostas:

1) Farei a inauguração de uma grande construção que se chamará Forte dos Reis Magos;

2) Da mesma forma mandarei cavar um grande buraco que será cheio de água. Esse buraco terá o nome de mar. Assim que der, vou inaugurar o mar;

3) Para conforto da nossa população o mar será dividido em praias. Praia do Forte, Praia dos Artistas, Redinha, Areia Preta, Ponta Negra e por aí vai;

4) Haverá grande festa quando, na praia de Ponta Negra, eu descerrar a fita de abertura de uma obra chamada Morro do Careca. Por minha própria conta já mandei buscar no deserto do Saara a areia para a construção do citado Morro;

5) Chegando a noite vou inaugurar a escuridão; 

6) Determinarei que se junte um bocado de cajueiros em Pirangi –  que não é de Natal; mas declararei guerra a quem quer que seja dono e o tomarei para nossa cidade. E que ali seja plantado o maior cajueiro do mundo. Informo que este será inaugurado em seis meses de gestão. Meu primeiro ano de governo será comemorado com batida de caju;

7) Cavarei um buracão em forma de estrada, mandarei encher de água à semelhança do mar, e ali será chamado de rio Potengi;

8) Criarei uma grande instituição que será chamada Câmara Municipal de Natal para trabalhar em prol dos natalenses; 

9) No centro da cidade haverá um grande templo, chamado de catedral. Vamos rezar para que tudo dê certo;

10) Sempre que chover, acredite, será obra de minha realização. E funcionários públicos estarão nas ruas e acompanharão as pessoas com guarda-chuvas para que ninguém se molhe;

11) Serão inaugurados o sol e as nuvens. As nuvens e o sol serão customizados e atrairão novos e mais turistas. O sol e as nuvens serão inaugurados a devido tempo;

12) E em todas essas ruas farei implantar uma coisa chamada buraqueira para auxiliar o tráfego; 

13) Criarei algo importantíssimo chamado placa. Placas são objetos planos e largos onde se escrevem coisas. E em cada local onde houver obra de minha administração será colocada uma placa. E isso comprovará a tese de que placas também são grandes obras;

14)  Farei inaugurar uma coisa chamada chão. E haverá um grande programa de casas populares. A prefeitura dará o chão gratuitamente a cada morador. É só passar a pegar o seu;

15) Vou inaugurar também a maré e o mangue e construirei grande quantidade de buracos. 

16) Afinal, vou mandar derrubar o Forte dos Reis Magos e em seu lugar construir as pirâmides do Egito. Tenho dito. 

Caríssimo, confio em você e em sua capacidade de escolher o melhor para nossa cidade. Afinal, serão obras assim que nos levarão ao futuro. Como prova de que quero botar para quebrar já derrubei o Machadão – não sei se você viu como ficou bacana. Não acredite em nenhum outro candidato. Tudo o que este disser serão mentiras e fabulações. Precisamos dar um banho de realidade em nossa cidade Natal.


sábado, 3 de setembro de 2016

O PSDB é quem manda



O presidente terceirizado

O ex-vice-presidente-e-ex-presidente-interino-Michel-Temer deixou tal situação para enveredar por caminho agora mais vexatório: ele, você deve se lembrar, havia se queixado em carta a Dilma quanto à sua condição de “vice-presidente decorativo”. Agora ficou pior. Agora o ex-vice-presidente-e-ex-presidente-interino-Michel-Temer deixou de ser decorativo para ser presidente terceirizado.

Bem pior, não é mesmo? Agora o ex-vice-presidente-e-ex-presidente-interino-Michel-Temer é caudatário do PSDB, que não brinca em serviço. Sim, e ele também deverá atender aos puxões de orelha do centrão. A terceirização implica obediência. Ou faz ou racha. 

Como se deu a terceirização: o partido tucano, como não pôde assumir o protagonismo com o golpe terceirizou ao ex-vice-presidente-e-ex-presidente-interino-Michel-Temer encargo e label de passar uma vassoura nos direitos trabalhistas e fazer escoar a Petrobras ao capital internacional, além de garantir ao capital rentista mais lucros e gorduras.  

Mais claramente: o ex-vice-presidente-e-ex-presidente-interino-Michel-Temer é aquele sujeito que vai passar à história como o obediente mandatário, o obreiro do desmonte, o jardineiro da desertificação. 

Assim, como presidente terceirizado, cuja parceria com o PSDB tem data certa para acabar – 2018 está ali na esquina e o PSDB vai demiti-lo – o ex-vice-presidente-e-ex-presidente-interino-Michel-Temer sabe que vai arrostar todos os desgastes decorrentes dos ataques aos trabalhadores, enquanto o tucanato ficará à espreita e – não tenha dúvida –, lhe fará oposição oportunista e tática sempre que julgar necessário. 

Resumo: o ex-vice-presidente-e-ex-presidente-interino-Michel-Temer continua como decorativo ao assumir sua condição de presidente terceirizado. E o que é pior: não tem mais a quem mandar carta lamentando sua desdita.
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Foto: https://www.google.com.br/search?q=temer&client=firefox-b&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiLlcfIi_POAhUHgpAKHeO1C-8Q_AUICSgC&biw=1920&bih=922#imgrc=XkAFAFXVcWx--M%3A


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Lembranças do sertão



http://www.flickr.com/photos/gustavopenteado/sets/72157621789524333/detail/


Saudade de Ti Zé Guilherme
Este rosto de vaqueiro lembrou-me fortemente a imagem de Ti Zé Guilherme, na verdade tio de Minha Mãe. Senhor das terras da Fazenda Jordão, acres de terra seca e nordestina, região central do Rio Grande do Norte.

Rijo como um cardeiro, forte como um lajedo, tinha no corpo espigado a marca do sertanejo. Tomava rapé e fumava cigarros de fumo bruto. Pai de Zé Guilherme Moço, Lurdinha e Mariinha. Luquinha, filho mais novo, lidava com o gado e o roçado.

Seu cavalo chamava-se Soberano. Era bicho arisco e difícil de selar e enredear. Cavalo bom de gado e ligeiro; zanho que só ele. Eu era doido por aquele cavalo. Bicho castanho, alto de cernelha, crina preta. Espantadiço, olho de coisa braba, jeito de cangaceiro.

Fui à fazenda acho que só umas duas vezes. Ali vi Vovó Lulu, mulher de Ti Zé Guilherme, pilando café. Colhido não sei como naquelas terras bravias. Passei a chamar Vovó Lulu de Vovó Lulu porque todos os meninos d fazenda a tinham nessa conta: vovó de todos, abraço gostoso em colo de mulher grande, matrona, dessas que amparam, protegem, refugam medo de tudo. Ô, Vovó Lulu, que saudade...

Ela era assim: sertaneja gorda, bonachona, o cabelo preto mesclado de fios alvos. Tudo puxado para trás, enfeixado num totó. A pele branca de há muito recoberta por um bronzeado entranhado, como somente o sol do sertão ferrenho pode fazer. Se você não é nordestino não sabe do que eu falo.

Lá no Jordão tinha também uma vaca de quem eu gostava muito: chamava-se Mangaba e dava um leite bom que só o cão. Naquele tempo, idos de 1959, era assim: quando uma coisa era mesmo muito boa, a gente dizia que era “boa que só o cão”. Não era “bom que só Deus”, mas bom que só o cão. Esquisito, né? Mas era assim mesmo: bom que só o cão...

A Fazenda Jordão me veio hoje à mente . Mexendo nessas coisas da net vi a foto deste vaqueiro. E me chegou também, de repente e num minuto, uma saudade tardia daqueles tempos. Saudade esquecida nas gavetas avoengas da memória de um menino que ainda teima em morar em mim

Às vezes esse menino me chama e me diz: "Rapaz, Soberano ainda espera ser montado; para que você e ele somados se metam na caatinga à procura de Mangaba: é hora de tirar  leite. O leite dos peitos fartos daquela vaca sertaneja."

Mas isso é só lembrança. Hoje eu vivo o meu hoje e digo: Ave, Maria, que tempo é esse? Mas, dai-me Senhora Mãe, coragem, espora e sela; coragem e decisão, que o tempo é de seca é pó. E que vez por outra, Senhora, me venham as lembranças de Ti Zé e do cavalo Soberano


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Faça um bom negócio



https://www.google.com.br/search?q=brasil&client=firefox-b&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjejLf68dfMAhXK6SYKHTTFCSoQ_AUICSgD&biw=1920&bih=922#imgrc=TZekceEgSRFA1M%3A
 Vende-se 
um país



Em política não há gratidão
nem reconhecimento."

(Majó Theodorico Bezerra, político da velha guarda, filiado ao antigo PSD)

Vende-se um país, largo, bem montado. Vende-se um país, bom de se morar. Vende-se um país, alto, florestado; vende-se uma terra, boa de plantar. Ah! Vende-se mais. Vende-se tudinho, dá-se até que seja; só que, lá por trás, vem minha gorjeta.Vende-se esta terra, pode olhar seu moço. Já viste maior, rica, mais ornada? Viste rios maiores, grossos, caudalosos, todos bem bonitos, prontos pra pescar?

Vende-se um país. Vende, vinde, veja. É aqui mesmo, entende? Começa na praia, vai até lá longe, onde bem de noite, sempre o sol se esconde. Tem índio, tem bicho, tem folha e tem mato. Também tem cidade, que vale se ver.

Vende-se um país. Já tem quem o queira. Se tu não te apressas, perdes a pechincha. A venda é ligeira, por baixo do pano. Sem rastros, caneta, papel assinado. Me pagas primeiro, depois vamos ver... O povo é ordeiro, ganha uma miséria, só olha TV. Besteira, nem liga o que tu vais fazer. Pagou, tem direito: pagou, vai entrar. Tu entras sozinho. Tu vais me dizer: "Valeu velho amigo, é terra pra valer.

Vende-se um país. Todo, por inteiro. Mas venhas depressa ou se entrega tudo.Compra este país, tá muito barato, tá de preço baixo, abaixo do mercado. Se não compras agora...mau negócio fazes.
É uma pechincha, muito conservado. Vende-se um país. Bato-lhe o martelo. Dou ao cavalheiro que lá no cantinho, fez gesto discreto e dobrou o preço.