quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Foto: Lula Marques/Folha Imagem

A falsa rebeldia ou rebeldes sem causa

Emanoel Barreto

A Folha Online traz a foto acima, com o seguinte texto: "Alunos ficam pelados na sala da reitoria da Unb (Universidade de Brasília) em repudio ao ato contra Geyse Arruda na Uniban." Pergunto: o que tem a UnB com a questão da jovem que foi apupada pelos colegas, por vestir-se com vestido curto demais? Por que tentar politizar (existe uma política do corpo, lembra?) numa universidade o que aconteceu em outra, a Uniban?

A jovem foi agredida pelos colegas na Uniban. Errado. Muito errado. Erraram todos os que o fizram. Todavia, levando o caso para outra visão, distanciada e crítica, o que temos? Temos, objetivamente, uma moça que, manipulada pelos padrões da indústria da moda, que diz que a mulher para ser vista como bela deve mostrar-se semidesnuna, revela-se frívola e desconhecedora de que a mulher não precisa assumir-se como objeto sexual para se impor ou anunciar-se como bela.

E os rapazes e moças da UnB, por que não comparecem seminus no cotidiano de suas aulas? Se esse seria o normal de cada um, a convicção de cada um, esse comportamento idiossincrático deveria tornar-se corriqueiro. Ai, sim, seria o exercício de uma política do corpo consequente. Cada um vestindo-se, ou desvestindo-se a seu talante, e exigindo respeito a essa individualidade.

O que ocorreu em Brasília foi apenas uma manifestação tardia, um ersatz, um sucedâneo tolo dos já distantes protestos e happenings dos anos 1960. Naquela época existia todo um sentimento de contracultura, uma postura forte de ruptura com os padrões. Hoje, apenas tentativa pálida de protesto de um grupo de jovens que, certamente, preferiu um comportamento discrepante e fugaz, em vez de fazer seus deveres de casa.

Nenhum comentário: