quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017



Leio na Carta Capital e reproduzo:


Pesquisa
Lula lidera eleições de 2018 em todos os cenários, diz CNT/MDA

Na pesquisa espontânea, Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar nas intenções de voto, a frente de Marina Silva, Aécio Neves e Michel Temer

Lula lidera a pesquisa estimulada para o primeiro turno, com 30,5%

Leia também

Lula desponta como o nome mais forte para as eleições presidenciais de 2018, segundo a pesquisa CNT/MDA divulgada na quarta-feira 15. O ex-presidente lidera as intenções de voto no primeiro turno tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada. Nos seis cenários imaginados pela pesquisa para o segundo turno, o petista aparece em três e lidera todas.

 A extrema-direita também está bem cotada: o candidato mais lembrado espontaneamente depois de Lula é o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). 

Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 138 municípios nas 25 unidades federativas, das cinco regiões, entre os dias 8 e 11 de fevereiro. 
Conhecido por declarações com forte conteúdo de extrema-direita e de desrespeito aos direitos humanos, Bolsonaro arregimentou 6,5% das intenções de voto, colocando-se atrás de Lula (16,6%), mas a frente de políticos tradicionais e que já disputaram outros pleitos, como Aécio Neves (2,2%) e Marina Silva (1,8).

A um ano e meio do pleito, os indecisos são o maior contingente: 57,1%. Michel Temer foi citado como candidato favorito por 1,1% dos entrevistados, seguido de Dilma Rousseff (0,9%), Geraldo Alckmin (0,7%) e Ciro Gomes (0,4%). Brancos e nulos somam 10,7%.

No cenário em que a intenção de voto foi estimulada, isto é, foram fornecidos os nomes dos candidatos ao primeiro turno, Lula fica em primeiro lugar com 30,5%. Mas Bolsonaro aparece na sequência com 11,3%, tecnicamente empatado com Marina (11,8%) e próximo de Aécio (10,1%). Candidato do PDT, Ciro Gomes corre por fora, com 5%. Brancos e nulos somam 16,3% e os indecisos são 11,3%. 

Em outro cenário, o governador de São Paulo, Geraldo Alckimin (PSDB-SP) aparece como o candidato do PSDB no lugar de Aécio Neves. Neste quadro, Lula tem 31,8% das intenções de voto, seguido de Marina Silva (12,1%), Jair Bolsonaro (11,7%), Geraldo Alckmin (9,1%) e Ciro Gomes (5,3%). Os entrevistados que declararam voto nulo/branco são 17,1% e os indecisos, 11,9%. 

No terceiro cenário, sem Alckimin e Ciro no primeiro turno em 2018, Lula é apontado como favorito por 32,8%, seguido de Marina (13,9%). O senador tucano Aécio Neves e Jair Bolsonaro conseguem resultados bastante próximos, com 12,1% e 12%, respectivamente. 

Segundo turno 

Na comparação com a pesquisa CNT/MDA de outubro de 2016, Lula cresceu, especialmente em cenários hipotéticos de segundo turno. No levantamento realizado no ano passado, Lula liderava a corrida presidencial, mas perdia para Aécio Neves (PSDB) no segundo turno por 37,1% a 33,8%. Na pesquisa divulgada nesta quarta-feira 15, Lula bateria Aécio por 39,7% a 27,5%. O atual levantamento foi realizado entre 8 e 11 de fevereiro, pouco após a morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, companheira do ex-presidente por 40 anos. 

Apesar da boa colocação na pesquisa estimulada, o deputado Jair Bolsonaro não foi citado como alternativa em nenhum dos cenários da pesquisa para o segundo turno. 

Em um possível segundo turno, Lula vence com 39,7% no cenário em que o adversário é Aécio Neves (27,5%). Quando o adversário hipotético é Michel Temer, as intenções de voto em Lula crescem: 42,9% para o petista ante 19% para o peemedebista. Na hipótese de Lula enfrentar Marina Silva no segundo turno em 2018, o petista arregimenta 38,9% das intenções de voto, contra 27,4% para a candidata da Rede.

Na alternativa em que o senador Aécio Neves enfrenta o atual ocupante da presidência, Michel Temer, o tucano leva a melhor, com 34,1% das intenções de voto, ante 13,1% que preferiram o peemedebista. Quando Marina Silva é apresentada como opção diante de Temer, ela vence com 34,4%, ante 16,8% do peemedebista.




Uma estranha realidade

Cansado de notar que o que chamamos de realidade reserva-nos unicamente a sazonal repetição de fatos como eleições, quando os discursos anunciam que o Paraíso está próximo, narro aqui a visita que ontem recebi do Sr. Ornitorrinco, notável e sábia criatura que teve a generosidade de chegar-se a minha oficina tipográfica. 
Segundo me disse, estou sob séria ameaça de ser preso devido a atividades de subversão e atos conspiratórios. Estranhei, pois não sou dado a conluios ou conchavos de qualquer natureza nem atento contra a lei ou contra a ordem.
Mas, para não cansar meu ocasional leitor digo que após horas de edificante e elucidativa conversa aquele bom homem retirou-se, não sem antes advertir-me novamente de que poderia ser preso a qualquer momento. 
Após sua saída voltei a trabalhar com meus tipos, compondo este coranto, quando ouço poderosas, raivosas batidas à porta.
Corri a atender àquela confusão e eis que entram uns dez escaravelhos, todos homens de má catadura e péssimos modos, que em poucos minutos me manietaram e me puseram a ferros, levando-me em seguida a uma masmorra. 
Naquele miserável ambiente estavam recolhidos outros homens, todos acusados de sedição e ódio, motim e outras desobediências.
Nenhum de nós entendeu nada daquelas acusações, a não ser quando a figura alta de um magistrado nos apareceu. Era ele um macaco-prego e se dizia de ascendência alemã, coisa muito comum a tais símios. Explicou que todos estávamos ali - sendo aquele tempo o ano de 1795 -, sob suspeição de haver inventado o computador e o telefone, a energia elétrica e outras cousas malsinadas como o automóvel e a bomba atômica.
Todos os que estavam ali recolhidos dissemos que se travava da mais pura inverdade, uma vez que tais e perigosas maravilhas somente seriam criadas muitos anos depois, conforme explicamos. Então, para minha surpresa, eis que chega o Sr. Ornitorrinco.
Tão logo adentrou àquele lúgubre ambiente apresentou-se como espião e mostrou fotografias da minha oficina, fotografias tomadas à sorrelfa, onde eu era visto preparando uma bomba atômica. E todos os demais infelizes também eram vistos em seu ambiente de trabalho criando engenhos danosos e coisas terrificantes; as fotos eram a prova maior. 
Sob o choque das fotografias ficamos perplexos uma vez que aquelas imagens eram inverídicas; sendo, claro, fruto de algum truque que desconhecíamos uma vez que sequer sabíamos da existência da arte fotográfica, que sequer fora inventada.
Em desespero pedimos para confabular, o que nos foi permitido, surgindo assim a nossa defesa: 1) nada daquilo existia; portanto, não poderíamos ser autores de tais e perigosos portentos; 2) sendo assim, deveríamos ser soltos imediatamente. 
O Sr. Ornitorrinco e o macaco-prego, homens tinhosos, rebateram. Comprovando o que diziam abriram as portas da masmorra e nos atiraram em meio ao mundo.
E o que vimos foi o que o leitor também vê: o descalabro, a loucura das ruas, o computador onde você lê este coranto. Atônitos, recuamos, voltando à masmorra. E agora, o que fazer? Não criamos nada disso mas tudo o que não criamos está aqui. Até que ponto essa irrealidade vai nos assediar?
 Sem resposta, atiramo-nos masmorra adentro. Após muito correr chegamos a uma porta. Saímos. O futuro e todo o seu horror haviam ficado para trás.
Voltei à minha tipografia a fim de terminar este texto. Mas, para meu desespero, eis que está à minha porta um novo e estranho personagem: um grande, gigantesco molusco se apresenta, diz que é deputado e temo que traga algo terrível em suas palavras.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017



Congresso custa 28 milhões por dia
Em texto de Dyelle Menezes o site Contas Abertas traz as seguintes e estarrecedoras informações:
A Bacanal, de Peter Paul Rubens (https://pt.wikipedia.org/wiki/Bacanal)

Em texto de Dyelle Menezes o site Contas Abertas traz as seguintes e estarrecedoras informações:
“Apesar do déficit de R$ 139 bilhões previsto para as contas públicas em 2017, o esforço do Congresso Nacional para reduzir as suas despesas não será dos mais relevantes. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal têm orçamento previsto de R$ 10,2 bilhões para 2017. Isso quer dizer que o trabalho dos parlamentares brasileiros custará o equivalente a R$ 28 milhões por dia. Os valores das dotações das “ Casas Legislativas” estão previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual.”
Você tem ideia do que seja o custo de duas casas legislativas chegar a R$ 28 milhões por dia? Certamente você jamais ganhará isso em toda a sua vida, mesmo sem se aposentar, como pretende o sistema que hoje detém o poder sob seus guantes.
O dinheiro destinado aos integrantes do congresso nacional seria muito mais bem empregado em políticas públicas dignas desse nome. Sendo como é, torna-se bastante claro o motivo pelo qual falta dinheiro para saúde, educação, obras de viação, segurança, investimento nas universidades e, claro, aposentadoria.  
Diz mais o site: “O maior orçamento é o da Câmara dos Deputados. Além de 513 deputados, a Casa possui cerca de 16 mil funcionários efetivos e comissionados trabalhando todos os dias (ao contrário do que diz o site não creio que todos trabalhem todos os dias). No total, estão previstos R$ 5,9 bilhões. Dessa forma, R$ 4,4 bilhões, o que representa 81% do orçamento, será destinado ao pagamento de pessoal e encargos sociais.”
Não creio que, em sã consciência, e de boa-fé, alguém acredite que a Câmara precisa de 16 mil funcionários. Nem os deputados, muito menos os que ali ganham salários altíssimos acreditam que sejam eles mesmos necessários.
Se fossem todos, algum dia, cumprir expediente não haveria lugar para tanta gente. Creio até que valeria notícia com destaque no New York Times, com certeza. Já pensou, um bando de pessoas sequiosas por prestar serviço, trabalhar em prol do país?
 Com certeza valeria o grito: “Breaking News!!!”
Mas, trata-se, está claro, de uma farra com o dinheiro da nação. E farra que resulta de cultura secular de uso do público para atender a minorias. Os bacantes, porém, não se preocupam e seguem com a bacanal, orgia garantida por lei.
E tudo o que vai em demasia para alguém certamente faltará aos demais; aqueles que realmente necessitam mas sobrevivem de salário mínimo e morrem às portas dos hospitais.
O preço histórico a ser pago, os custos sociais que já estão sendo pagos pelos desgraçados das filas e das dores, é cobrado todos os dias: seja com o morticínio da violência nas ruas, seja com o grito de desespero dos desvalidos implorando um atendimento no SUS.
Atendimento que nunca chegará.