sábado, 30 de agosto de 2014

Isso aqui, apesar de americano, é um pouquinho de Brasil, Iaiá..



O abismo que nos olha, o perigo que nos ronda

A foto, de autoria de Charles Ebbets, em 1932, quando da construção de um edifício em Nova Iorque, dá-me a sensação de metáfora.


Metáfora do Brasil, metáfora do que seja ser brasileiro, alegoria do que somos, no que nos tornamos e dos riscos que corremos. Detalhe: a despeito de tudo o relato da imagem a mim sugere aquele algo, aquilo intuído a difusamente desejado: aquilo que poderemos vir a ser; com todos os riscos desse vir a ser andado na corda bamba da história, pisando o chão de ferro do tempo, um chão estreito que tem aos lados o abismo. 


Devemos nos afastar do abismo. Nietsche já dizia: quando você olha para o abismo, o abismo olha você de volta. Algo assim ou pelo menos com esse sentido. Não mergulhe, não vá, não caia no abismo.  

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Violência no RN atormenta a sociedade

Bandidos dominam o estado e Secretário de Segurança se omite de debate no programa Grandes Temas


domingo, 24 de agosto de 2014

Surge a terceira força no RN: novo candidato promete revolucionar campanha ao governo do estado!



João Cupincha: yes, we também can!
Nesse você só não vota se for besta


Ó pobres, miseráveis e sofridos moradores deste estado do Rio Grande do Norte, à beira-mar plantado. Eis que aqui venho e anuncio minha candidatura a governador, o que representa sem dúvida salvação e curso para todo o povo. Faço o comunicado após muito meditar e receber chamamentos e convocatórias; e como sempre estive à disposição do povo assumo tamanha e tormentosa missão.
 
E o faço com um grandioso programa de metas à semelhança do fez o saudoso presidente Juscelino Kubitschek. São todas metas monumentais, que muito atenderão aos reclamos de um estado grande e saudável como logo veremos. 

Teremos quatrocentos anos em quatro, o que levará nosso estado à condição de grande produtor, que é o seu destino histórico e manifesto. Isto posto, seguem minhas metas e propostas:

1) Farei a inauguração, reforma e ampliação de uma grande construção que se chamará Forte dos Reis Magos;

2) Da mesma forma mandarei cavar um grande buraco que será cheio de água. Esse buraco terá o nome de mar. Assim que der tempo vou inaugurar o mar;

3) Para conforto da nossa população o mar será dividido em praias. Praia do Forte, Praia dos Artistas, Redinha, Areia Preta, Ponta Negra e por aí vai;

4) Haverá grande festa quando, na praia de Ponta Negra, eu descerrar a fita de abertura de uma obra chamada Morro do Careca. Por minha própria conta já mandei buscar no Paraguai a areia para a construção do citado Morro;

5) Chegando a noite, vou inaugurar a escuridão;

6) Determinarei que se junte um bocado de cajueiros em Pirangi - que não é de Natal, mas declararei guerra a quem quer que seja dono e o tomarei para nossa cidade. E que ali seja criado o maior cajueiro do mundo. Informo que este será inaugurado em seis meses de gestão. Meu primeiro ano de governo será comemorado com batida de caju;

7) Cavarei um buracão comprido, em forma de estrada; mandarei encher de água à semelhança do mar e ali será inaugurado o rio Potengi. 

8) Promoverei grande poluição desse rio com os dejetos de milhares de casas, pois rios poluídos são prova de que estamos em obra e progresso;

9) Criarei uma grande instituição que será chamada Câmara Municipal de Natal para trabalhar em prol dos natalenses e o mesmo se diga da Assembleia Legislativa;

10) No centro da cidade haverá um grande templo, chamado de catedral. Vamos rezar para que tudo dê certo;

11) Sempre que chover, acredite, será obra de minha realização. E funcionários públicos estarão nas ruas e acompanharão as pessoas com guarda-chuvas para que ninguém se molhe;

12) Serão inaugurados o sol e as nuvens.As nuvens e o sol serão customizados e atrairão novos e mais turistas. O sol e as nuvens serão inaugurados a devido tempo;

13) Em todas ruas que não forem calçadas farei instalar grande quantidade de material chamado areia e no meio da areia muitas pedras;

14) E em todas essas ruas farei implantar uma coisa chamada catabilho, que é para auxiliar o tráfego e controlar os apressados;

15) Criarei algo importantíssimo chamado placa. Placas são objetos planos e largos onde se escrevem coisas. E em cada local onde houver obra de minha administração será colocada uma placa. E isso comprovará a tese de que placas também são grandes obras;

16)  Farei inaugurar uma coisa chamada chão. A prefeitura dará o chão gratuitamente a cada morador. É só passar a pegar o seu e levar para casa. E se você não tiver casa pode se deitar no chão, que já é seu;

17) Vou inaugurar também a maré e o mangue e construirei grande quantidade de buracos;

18) Afinal, vou mandar derrubar o Forte dos Reis Magos e em seu lugar construir as pirâmides do Egito. 

Caríssimo, confio em você e em sua capacidade de escolher o melhor para nosso estado. Vote em mim, pense em  mim. E, acima de tudo, chore por mim. O choro eu garanto. Será livre e sem tributação na fonte dos seus olhos. 



sábado, 23 de agosto de 2014

A violência como ato político



OK, man,vamos matar!
"A guerra é a continuação da política por outros meios". Carl Phillip Gottlieb von Clausewitz tinha toda razão quando fez a afirmativa em sua obra Vom Kriege (Da Guerra), publicada postumamente. As formas democráticas de negociação cedem espaço aos gestos, atos de brutalidade, manifestações da mais essencial e clara barbárie.

Tem sido assim desde os temos imemoriais, quando o homem, ainda em estado básico, resolvia as questões entre as hordas à base do porrete e da pedra, atitude que continuou ao longo do caldeamento das eras até chegarmos às civilizações clássicas e aos fatos que conosco mantêm proximidade histórica: Primeira e Segunda Guerras, Vietnã e Coreia, por exemplo; sem esquecer as revoluções e conflitos muito bem expressos na feroz situação do Oriente, onde as ideologias transformaram em feras humanas os israelenses, palestinos e, óbvio, os americanos, mestres de cerimônia da insanidade e do açoite.

As duas capas selecionadas para ilustrar este artigo dão bem ideia do que afirmo:  ao lado,fanáticos da causa palestina prestes e assassinar compatriotas acusados de traição em conluio com Israel, e (abaixo) o jornalista americano pouco antes de ser decapitado por alguém ideologicamente demencial ligado aos islamitas.

No primeiro caso o “justiçamento” de palestinos por seus iguais demonstra o grau de cegueira a que leva o fundamentalismo: a suposta causa e a violência como ação política sobrepõem-se a tudo; e o “inimigo”, qualquer que seja ele, é parte desse “tudo” eleito e delineado para ser isso mesmo: um algo, um tudo que a tudo assujeita e a todos obriga a segui-lo. 

Posta tal ideia em prática não há argumento, sensatez ou proposta que valha a pena ser considerada: a violência assume a primazia das ações, subsome o discurso político e passa a ser afinal a razão de ser de si mesma, torna-se ontológica, essencial em si, a si e para si. Pronto. Simples assim. Quem discordar morre. 

No segundo aspecto o assassinato do jornalista americano James Foley por um matador do Isis (Isis é a sigla em inglês de Estado Islâmico do Iraque e do Levante). É a resposta feroz e perversa à opressão institucional dos EUA sobre os povos mais fracos, resposta violenta que facções mais estúpidas do islamismo tomam emprestadas ao Corão e aplicam, moldam a seus interesses nascidos e deturpados a partir do chamado livro santo. 

Temos, no caso do jornalista, a convergência de ação e reação de forças obscurantistas opostas e que se enfrentam: de um lado o imperialismo das elites americanas; do outro a resposta do islamismo em forma bestial, cruenta, cruel, covarde. 

No meio, a figura do homem capturado e tornado figura icônica, representação essencial do Inimigo, o Grande Satã Americano a quem é preciso exorcizar pela morte. Da mesma forma os EUA capturam e levam a Guantánamo, em Cuba, seus inimigos para torturá-los fora do seu território. Muito conveniente. 

Israel industrializa ainda hoje o chamado holocausto, mas não se furta de matar homens, mulheres e crianças, indiscriminadamente, quando busca aqueles que lhes sejam militarmente hostis na Faixa de Gaza. Um crime justificando o outro, uma aberração clamando seu sucedâneo. E assim caminha a humanidade. O grande problema é aonde chegaremos com isso. Temo que não seja a bom lugar.