domingo, 12 de outubro de 2014

Marina foi se pintar



Aécio deitou-se  espertamente em Rede esplêndida


http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/08/marina-promessas-ineditas-politica-2014.html
O esperado pronunciamento de Marina perdeu a oportunidade de ser historicamente dramático para assumir a condição de ato patético. Teria acumulado poderosa carga retórica caso inserido ao processo histórico poucas horas após o primeiro turno. Isso teria revelado decisão, ousadia, capacidade de assumir riscos em meio ao fragor dos acontecimentos. 

O que aconteceu, todavia, foi uma demorada, longuíssima espera, tomando-se como parâmetro o tempo eleitoral e suas urgências. Ocorreu o seguinte: o prazo se escoava e o candidato tucano não tinha tempo a perder aguardando que a morena Marina terminasse de se pintar. Enquanto ela se maquiava no camarim político, seu desejado pronunciamento distanciava-se do instante preciso e ela desperdiçava o momento psicossocial perfeito para assumir, até mesmo com glamour midiático, a atitude vigorosa de valquíria amazônica.

Não tomo como referência o ato em si, o gesto teatral que também é marca da política desde as ágoras atenienses. Fixo como referente a firmeza do ator político, coragem pessoal para dizer “eu sou assim e quem quiser que me aceite assim”. Faltou a Marina essa decisão rápida, essa robustez de rocha.
Suas palavras, uma semana após a eleição, funcionaram muito mais como um “dê licença”, para entrar na festa tucana que um “cheguei e estou aqui”. Sua demora em tomar partido pareceu muito mais relutância que reflexão, incerteza em vez de meditação, claudicância em lugar de marco rijo cravado no chão instável do território político.  

Primeiro Marina perdeu, até taticamente, a oportunidade de colocar-se como fiel da balança. Depois, deixou escapulir a chance de apresentar-se como figura impávida, decidida e decisiva, aliada ideal para o Dia D de Aécio Neves. Perdeu a chance porque não é nem uma coisa nem outra. Como demorou demais assumiu papel no elenco de apoio, ajudante de remo na canoa tucana.

Marina, ao anunciar a sucumbência, lembrou a carta “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável”, apresentada por Aécio, na qual estão elencados propósitos que, aparentemente, atenderiam os desejos de um ambientalista; no caso ela mesma. Marina os enunciou e aplaudiu. 

Todavia, no intricado ambiente ideológico-comunicacional o que se deu foi o seguinte: não foi Aécio quem aderiu a Marina; foi ela quem a ele se juntou, percebe? Ele, não ela, apresentou uma carta de princípios. Ao ler os propósitos de Aécio ela nada mais fez que isso mesmo: ler os propósitos de Aécio. O documento é dele. Ela apenas acompanha os ditames aecistas. Ele é o protagonista, ela o apoia. Não é ator antagonista. Como não tem bancada ou partido sequer poderá esboçar qualquer cobrança proximamente, uma vez que não tem poder de pressão. 

Quanto a Aécio, caso eleito e vindo a realizar alguma das metas de conciliar desenvolvimento com sustentabilidade, poderá dizer que cumpre com seu próprio programa. Ela unicamente o secundou. 

O político mineiro, mineiramente, disse coisas que a atrairiam e ela deixou-se atrair. Para ele, Marina agora é um trunfo. Para ela, Aécio tornou-se algo como um líder. E tudo o que a pretendida Rede Sustentabilidade poderia anunciar no futuro como fruto de sua essência agora é propriedade política do PSDB, devidamente registrada no cartório da história. Aécio puxou a Tancredo. Sabido, foi paciente e afinal deitou-se espertamente em Rede esplêndida.

sábado, 11 de outubro de 2014

Segundo turno: Aécio e a alucinação coletiva


http://mashable.com/category/titanic/

Aécio quer reduzir Dilma a pó ou não embarque no Titanic

O trabalho ideológico desenvolvido pelo PSDB visa cumprir com uma proposta político-viral-epidemiológica. Ou seja: é preciso contaminar o eleitor médio, convencê-lo de que o país vive um caos, levar adiante a sensação de que tudo está em vias de afundar. Aécio, por sua vez, seria o grande navio, a nau salvadora a nos tirar da jangada nacional prestes a se desmanchar num mar de ondas turbulentas.

A questão, ideológica em essência, cumpre exatamente com aquilo a que seus formuladores pretendem: aparentar verdade naquilo que é apenas aparência. Mais claramente: apresentar como novo, vigoroso, reluzente, alguém que é exatamente o oposto. É que os óculos especiais da ilusão ideológica são feitos para isso mesmo: iludir e manipular, convencer e seduzir. 

São como os óculos para filmes em 3D: servem unicamente para exacerbar uma sensação. No caso, de que estamos desencaminhados, sem rumo ou guardião. Diante disso surge o taumaturgo, o defensor heroico e bravo, seguindo-se a expectativa de alívio. Afinal, tudo bem: Aécio será o nosso Morfeu. Ele nos fará sonhar. 

A candidatura do tucano tem por objetivo promover uma espécie de alucinação e uma forma de delírio. Mas a realidade que se esconde por trás dela é a carranca feia, a repetição do filme da época de FHC: a prevalência do capital sobre o trabalho, o desmanche do Estado, arrocho salarial, a universidade sucateada, a quebra do monopólio da Petrobrás. Fiquemos por aqui. 

Aécio aspira a presidência para cumprir o que o tucanato não pôde fazer nos dois governos de FHC ajustar a maioria à minoria, disciplinar a história aos ditames de poucos, garantir-lhes o sustento de classe, o império dos seus sentidos e sentimentos. 

Assim, a campanha oposicionista caminha passo a passo e visa reduzir Dilma a pó. Para tanto é preciso que os comerciais do tucano se espalhem como o pir-lim-pim-pim da boneca Emília nas fabulosas histórias de Monteiro Lobato. E então que se leve a plebe ao estado alucinógeno do voto. A ideologia inconscientemente vivida em gesto político estupefaciente. 

Não há como prever com exatidão o resultado da luta eleitoral. Mas estou convicto de que, ao contrário do que muitos pensam, a candidatura de Aécio não é a solução para os problemas nacionais. E, mesmo que o país esteja numa jangada e ele pilotando um navio, saiba: esse navio é o Titanic. Resta saber: você sabe nadar?



segunda-feira, 6 de outubro de 2014



Wellington Medeiros em “Artigos para sempre”


Uma seleção de 60 entre os 307 artigos que o jornalista Wellington Medeiros publicou n’O Jornal de Hoje, entre março de 2004 e maio de 2010 compõe o livro “Artigos para sempre”, com 210 páginas, editado pela Terceirize sob a coordenação do jornalista Walter Medeiros e que será lançado no dia 10 de outubro, na livraria Saraiva, do Midway Mall em Natal.

Wellington Medeiros tem uma presença importante no Jornalismo, no Rádio e na TV potiguar. Sem citar seus feitos seria defectivo contar a história dos meios de comunicação do Rio Grande do Norte. Sua trajetória se dá num período onde as ocorrências e os fatos cheios de significados e poder de mudança fluem a cada momento.

Ele entra no radiojornalismo no momento exato de alcançar os últimos tempos da vida romântica das redações e passa a assistir e participar da incorporação da modernização técnica e tecnológica. Do rádio de radionovela à programação computadorizada; da TV preto e branco das retransmissoras aos links ao vivo; das impressoras planas às off-set ele transitou como um dos profissionais mais completos dos últimos cinquenta anos.

”Artigos para sempre” proporciona ao leitor uma fascinante viagem por estes meandros percorridos pelo autor, e representa um valioso registro histórico da vida norte-rio-grandense. Seu estilo único transporta a todos para dias, horas e lugares com grande riqueza de expressão, o que faz da obra um documento com qualidade garantida para todas as bibliotecas.

A leitura dessa obra acrescentará, com certeza, impressões de beleza, sentimento e vida de uma forma bem particular. Do pé de serra onde passou parte da sua infância aos ofícios nos moldes de antigamente e os corredores do poder, ele mostra o suficiente para se ter ideia de importantes passagens da vida desse grande comunicador.

É ler e comprovar.

Comunicação, sempre          

Wellington Medeiros é natalense e iniciou a carreira profissional no Jornal do Comércio de Natal em 1963. Em fevereiro de 1965 ingressou na Rádio Cabugi, onde exerceu por 15 anos - de 1966 a 1980 - o cargo de Diretor de Radiojornalismo.

É formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Turma Berilo Wanderley (diplomada em 15 de dezembro de 1979) e nesses 48 anos de jornalismo, ocupou os cargos de Assessor de Imprensa na Prefeitura de Natal, do Governo do Estado e durante 10 anos a Direção--geral da Imprensa Oficial do Estado que à época editava o jornal “A República”.

O seu histórico profissional inclui o Jornal do Comércio de Natal, 1963/1965; Rádio Cabugi, Agência Transpress, Tribuna do Norte, correspondente da Folha de São Paulo; Instrutor do Método TWI no SENAI/RN; Departamento de Jornalismo da TV Tropical, Rádio Tropical AM/CBN Natal; Técnico da Fundação Estadual de Planejamento Agrícola – CEPA/RN, Fundação IDEC/RN e Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente - IDEMA.

Entre outras atividades, foi ainda coordenador executor da campanha de marketing da primeira rede de supermercados de Natal (grupo Mini-Preço), palestrante em várias ocasiões, membro do Conselho Diretor da Fundação José Augusto e membro da comissão julgadora para a escolha do Operário Padrão - 1983 – promoção SESI/ O Globo.

Em meio a muitos títulos que recebeu, destacam-se Amigo do Teatro Infantil - Teatro de Amadores de Natal - TAN, Medalha do Mérito Presidente Café Filho – jornalista do ano – 1982, Medalha do Pacificador e Mérito Cultural do Rio Grande do Norte, concedido pelo Conselho Diretor da Fundação José Augusto.

Quem acompanhou a série de artigos publicados ininterruptamente às segundas-feiras, durante seis anos, sabe que terá em mãos um livro preservando importantes momentos observados pelo jornalista em quase meio século de atividade em rádio, jornal, televisão e assessorias.