domingo, 24 de agosto de 2014

Surge a terceira força no RN: novo candidato promete revolucionar campanha ao governo do estado!



João Cupincha: yes, we também can!
Nesse você só não vota se for besta


Ó pobres, miseráveis e sofridos moradores deste estado do Rio Grande do Norte, à beira-mar plantado. Eis que aqui venho e anuncio minha candidatura a governador, o que representa sem dúvida salvação e curso para todo o povo. Faço o comunicado após muito meditar e receber chamamentos e convocatórias; e como sempre estive à disposição do povo assumo tamanha e tormentosa missão.
 
E o faço com um grandioso programa de metas à semelhança do fez o saudoso presidente Juscelino Kubitschek. São todas metas monumentais, que muito atenderão aos reclamos de um estado grande e saudável como logo veremos. 

Teremos quatrocentos anos em quatro, o que levará nosso estado à condição de grande produtor, que é o seu destino histórico e manifesto. Isto posto, seguem minhas metas e propostas:

1) Farei a inauguração, reforma e ampliação de uma grande construção que se chamará Forte dos Reis Magos;

2) Da mesma forma mandarei cavar um grande buraco que será cheio de água. Esse buraco terá o nome de mar. Assim que der tempo vou inaugurar o mar;

3) Para conforto da nossa população o mar será dividido em praias. Praia do Forte, Praia dos Artistas, Redinha, Areia Preta, Ponta Negra e por aí vai;

4) Haverá grande festa quando, na praia de Ponta Negra, eu descerrar a fita de abertura de uma obra chamada Morro do Careca. Por minha própria conta já mandei buscar no Paraguai a areia para a construção do citado Morro;

5) Chegando a noite, vou inaugurar a escuridão;

6) Determinarei que se junte um bocado de cajueiros em Pirangi - que não é de Natal, mas declararei guerra a quem quer que seja dono e o tomarei para nossa cidade. E que ali seja criado o maior cajueiro do mundo. Informo que este será inaugurado em seis meses de gestão. Meu primeiro ano de governo será comemorado com batida de caju;

7) Cavarei um buracão comprido, em forma de estrada; mandarei encher de água à semelhança do mar e ali será inaugurado o rio Potengi. 

8) Promoverei grande poluição desse rio com os dejetos de milhares de casas, pois rios poluídos são prova de que estamos em obra e progresso;

9) Criarei uma grande instituição que será chamada Câmara Municipal de Natal para trabalhar em prol dos natalenses e o mesmo se diga da Assembleia Legislativa;

10) No centro da cidade haverá um grande templo, chamado de catedral. Vamos rezar para que tudo dê certo;

11) Sempre que chover, acredite, será obra de minha realização. E funcionários públicos estarão nas ruas e acompanharão as pessoas com guarda-chuvas para que ninguém se molhe;

12) Serão inaugurados o sol e as nuvens.As nuvens e o sol serão customizados e atrairão novos e mais turistas. O sol e as nuvens serão inaugurados a devido tempo;

13) Em todas ruas que não forem calçadas farei instalar grande quantidade de material chamado areia e no meio da areia muitas pedras;

14) E em todas essas ruas farei implantar uma coisa chamada catabilho, que é para auxiliar o tráfego e controlar os apressados;

15) Criarei algo importantíssimo chamado placa. Placas são objetos planos e largos onde se escrevem coisas. E em cada local onde houver obra de minha administração será colocada uma placa. E isso comprovará a tese de que placas também são grandes obras;

16)  Farei inaugurar uma coisa chamada chão. A prefeitura dará o chão gratuitamente a cada morador. É só passar a pegar o seu e levar para casa. E se você não tiver casa pode se deitar no chão, que já é seu;

17) Vou inaugurar também a maré e o mangue e construirei grande quantidade de buracos;

18) Afinal, vou mandar derrubar o Forte dos Reis Magos e em seu lugar construir as pirâmides do Egito. 

Caríssimo, confio em você e em sua capacidade de escolher o melhor para nosso estado. Vote em mim, pense em  mim. E, acima de tudo, chore por mim. O choro eu garanto. Será livre e sem tributação na fonte dos seus olhos. 



sábado, 23 de agosto de 2014

A violência como ato político



OK, man,vamos matar!
"A guerra é a continuação da política por outros meios". Carl Phillip Gottlieb von Clausewitz tinha toda razão quando fez a afirmativa em sua obra Vom Kriege (Da Guerra), publicada postumamente. As formas democráticas de negociação cedem espaço aos gestos, atos de brutalidade, manifestações da mais essencial e clara barbárie.

Tem sido assim desde os temos imemoriais, quando o homem, ainda em estado básico, resolvia as questões entre as hordas à base do porrete e da pedra, atitude que continuou ao longo do caldeamento das eras até chegarmos às civilizações clássicas e aos fatos que conosco mantêm proximidade histórica: Primeira e Segunda Guerras, Vietnã e Coreia, por exemplo; sem esquecer as revoluções e conflitos muito bem expressos na feroz situação do Oriente, onde as ideologias transformaram em feras humanas os israelenses, palestinos e, óbvio, os americanos, mestres de cerimônia da insanidade e do açoite.

As duas capas selecionadas para ilustrar este artigo dão bem ideia do que afirmo:  ao lado,fanáticos da causa palestina prestes e assassinar compatriotas acusados de traição em conluio com Israel, e (abaixo) o jornalista americano pouco antes de ser decapitado por alguém ideologicamente demencial ligado aos islamitas.

No primeiro caso o “justiçamento” de palestinos por seus iguais demonstra o grau de cegueira a que leva o fundamentalismo: a suposta causa e a violência como ação política sobrepõem-se a tudo; e o “inimigo”, qualquer que seja ele, é parte desse “tudo” eleito e delineado para ser isso mesmo: um algo, um tudo que a tudo assujeita e a todos obriga a segui-lo. 

Posta tal ideia em prática não há argumento, sensatez ou proposta que valha a pena ser considerada: a violência assume a primazia das ações, subsome o discurso político e passa a ser afinal a razão de ser de si mesma, torna-se ontológica, essencial em si, a si e para si. Pronto. Simples assim. Quem discordar morre. 

No segundo aspecto o assassinato do jornalista americano James Foley por um matador do Isis (Isis é a sigla em inglês de Estado Islâmico do Iraque e do Levante). É a resposta feroz e perversa à opressão institucional dos EUA sobre os povos mais fracos, resposta violenta que facções mais estúpidas do islamismo tomam emprestadas ao Corão e aplicam, moldam a seus interesses nascidos e deturpados a partir do chamado livro santo. 

Temos, no caso do jornalista, a convergência de ação e reação de forças obscurantistas opostas e que se enfrentam: de um lado o imperialismo das elites americanas; do outro a resposta do islamismo em forma bestial, cruenta, cruel, covarde. 

No meio, a figura do homem capturado e tornado figura icônica, representação essencial do Inimigo, o Grande Satã Americano a quem é preciso exorcizar pela morte. Da mesma forma os EUA capturam e levam a Guantánamo, em Cuba, seus inimigos para torturá-los fora do seu território. Muito conveniente. 

Israel industrializa ainda hoje o chamado holocausto, mas não se furta de matar homens, mulheres e crianças, indiscriminadamente, quando busca aqueles que lhes sejam militarmente hostis na Faixa de Gaza. Um crime justificando o outro, uma aberração clamando seu sucedâneo. E assim caminha a humanidade. O grande problema é aonde chegaremos com isso. Temo que não seja a bom lugar.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Olhai os políticos dos campos...

http://joseernestoponsb.over-blog.es/article-que-se-ve-y-como-hacer-116029420.html
O povo e o tormento político

"Cada povo tem o governo que merece." O ditado é cínico e reducionista, mas em alguma coisa nele encontro razão. Ou seja: os políticos não vêm de outro planeta; não são, portanto, alienígenas: nem no sentido dos filmes de seres do espaço ou na acepção de pessoa de outro país. Nada disso: os políticos brotam do mesmo solo social que o restante da sociedade a quem eles normalmente, costumeiramente, atormentam.

Mas, veja só: não somos o povo do jeitinho, do funcionário que aceita propina para dar andamento no processo, do sujeito que toma lugar de cadeirante no estacionamento, que suborna policial de trânsito? Somos. 


Então, essa cultura, esse estado de coisas, migra, é naturalizado e chega aos escaninhos do Poder, aos gabinetes, aos escritórios das grandes companhias. E daí isso salta para leis que prejudicam, agrega-se às grandes negociatas, torna-se prática abominável, mas tida como demonstração de esperteza, "sabedoria de malandro".

Tal situação somente se modificará com uma ação persistente, firme, constante, consistente. É preciso punir o grandão, o tubarão como também é preciso punir o funcionariozinho que ganha a gorjeta. Da mesma forma é preciso reagir  aos pequenos trambiques, ao desrespeito cotidiano daquele que toma vaga de velhinho em fila, tranca o outro no trânsito. 

Caso continuemos valorizando a esperteza, permanecerá a ordem da perversidade. E os políticos continuarão os mesmos, porque mesmo será o povo que os elegeu e de alguma forma avaliza seus péssimos procedimentos. 


E mesmos serão aqueles que, na oposição, se apresentam como salvadores, bondosos, sábios, magníficos...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O brasilzinho moleque tinhoso

E aí, vai encarar?
Emanoel Barreto

Moleque travesso, tinhoso, peralta.
Saiu da favela disposto a brigar.
Exibe sua força que é magra e rasteira.

É um brasilzinho de muque raquítico.

Moleque travesso, teimoso, assanhado.
Tem jogo de perna é bamba na vida.
De becos escuros briga com a fome.
É um brasilzinho. Que dó que ele dá.

domingo, 27 de julho de 2014

Da importância da ladroagem na vida pública nacional

Louvemos os ladrões

Louvemos os ladrões. São raça antiga, universais sujeitos. Louvemos os ladrões. 
Guto Cassiano

Como os bons médicos, os bons engenheiros, os bons pedreiros, os advogados plenos, há também os bons ladrões. Aqueles que se destacam pela agilidade mental, pelos gestos perfeitos, pelo conhecimento que têm, louvemos os ladrões. Mais justamente aqueles que sob o título genérico de políticos roubam à tripa forra e nada lhes acontece. 


São injustos, cruéis, perversos, malsinados; mas são ladrões, acima de tudo ladrões. São encontradiços desde o governo federal aos governos estaduais, câmara dos deputados, assembleias legislativas, vereadores e gabinetes os mais secretos. Louvemos os ladrões.


São astutos, ligeiros, não têm alma. São ladinos, persistentes, afilados. Astuciosos, fazem leis e essas leis jamais os punem. Louvemos os ladrões, esses sabidos.

 Roncam alto, como roncam. Mas estão sempre acordados nos acordos que perpetram. São ladrões, são miseráveis; que nos roubam, nos assaltam com palavras e com gestos. E assim, fiquemos pasmos, perplexos, cansados. Louvemos os ladrões, pois, afinal, como ladrões, apesar de tudo ainda não nos roubaram a última coisa, o grito que devemos dar: vocês são ladrões e sabem disso. E sabem que nós sabemos que vocês sabem que nós sabemos que vocês são ladrões.