domingo, 10 de março de 2013

Recebo e divulgo:



Cordelíricas Nordestinas marca Dia da Poesia em Natal

Documentário produzido por equipe potiguar tem como tema a Literatura de Cordel no Nordeste. Produção é patrocinada pelo Ministério da Cultura

A literatura de cordel ganha destaque especial no próximo dia 14 de março, dia da poesia, com o lançamento do documentário Cordelíricas Nordestinas. A obra retrata a poesia popular, reunindo depoimentos de poetas e pesquisadores sobre os aspectos e a história do Cordel. O lançamento será na Pinacoteca do Palácio da Cultura, às 18
h, e faz parte da programação em comemoração ao dia da poesia, organizada pela Fundação José Augusto. 

Em um passeio poético, o cordel é apresentado em todas as suas formas de expressão no documentário. O caminho é repleto de versos, poéticas e depoimentos que levam a refletir sobre as diversas nuances dessa arte. E para guiar esse passeio, os produtores do vídeo foram em busca das vozes e vivências de quem produz e valoriza a Literatura de Cordel no Nordeste.

O documentário Cordelíricas Nordestinas, produzido pelo coletivo de produtores independentes Caminhos Comunicação & Cultura, é patrocinado com recursos do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel do Ministério da Cultura, na edição 2010, que homenageia o poeta Patativa do Assaré.

O Cordel é uma arte popular caracterizada por uma seqüência de versos que se encadeiam para contar uma história, e geralmente divulgada em folhetos amarrados em cordões, em bancas de revistas ou nas feiras livres. No documentário, essa arte é retratada com o objetivo de valorizar a riqueza das raízes populares brasileiras de maneira lírica.

Cordelíricas Nordestinas

Em aproximadamente 50 minutos de duração, o documentário destaca a figura do poeta sertanejo e os diversos aspectos que compõem a Literatura de Cordel. A tradição do cordel, as normas técnicas, a métrica, a poética, as xilogravuras, entre outros aspectos são evidenciados através de depoimentos de cordelistas e também de pesquisadores da cultura popular com foco no cordel nordestino.

“O cordel é poesia, é cultura popular, é história narrativa, é a arte de rimar, cordel é coisa da gente, é canção, rima e repente, tudo num mesmo lugar”. Essa descrição em forma de versos do cordelista José Acaci, que também é entrevistado no documentário, resume de forma lírica as formas de expressão que a literatura de cordel abrange, um dos aspectos retratados na obra.  

Cordelíricas Nordestinas aborda também a história do cordel, uma arte originária da trovadoresca Europa medieval, que há muito tempo foi incorporada e ressignificada se constituindo numa das identidades do povo sertanejo.

O reconhecimento que a mulher vem alcançando dentro da produção do cordel é outro aspecto evidenciado no vídeo. São destacadas a sensibilidade, a inspiração e também a luta pelo seu lugar na literatura popular, já que o cordel durante muito tempo foi uma atividade em que predominava a figura masculina.       

O período de produção, incluindo pré-produção, filmagens, edição e finalização durou cerca de 1 ano e seis meses.  Foram entrevistados mais de 30 nomes representativos do cordel do Rio Grande do Norte e de outros estados nordestinos. Entre eles, os paraibanos Medeiros Braga, cordelista que publicou vários livros e mais de 80 títulos em cordel, e Bráulio Tavares, que além de compositor, também é cordelista e pesquisador dessa arte.

Guiando o passeio, os poetas potiguares Antônio Francisco, um dos cordelistas de grande destaque no Nordeste, e Crispiniano Neto, que escreve versos há cerca de 20 anos, falam a partir de suas vivências sobre as características do cordel nordestino.

A equipe também ouviu repentistas, com destaque para o pernambucano José Edinaldo dos Santos, mais conhecido como o Ceguinho Aboiador. Uma das gravações foi realizada na cerimônia de criação da Academia norte-rio-grandense de Literatura de Cordel, quando diversos membros da academia foram ouvidos pela equipe de produção.   

No Rio Grande do Norte, além de Natal e Mossoró, foram realizadas filmagens em Parnamirim, Acari, Serra do Mel, Sítio Novo e Venha-Ver. Além da gravação de depoimentos, foram acompanhados também eventos que fazem parte do universo dos cordelistas, cantadores de viola e repentistas. Em Mossoró, a equipe gravou durante o I Festival de Cantadores do Nordeste, evento que reuniu alguns dos melhores cantadores do Nordeste para apresentação de versos de improviso. E em Acari, a Pega do boi no mato, também foi registrada pela equipe.   

Direção

O documentário Cordelíricas Nordestinas é fruto de uma parceria entre os jornalistas Alexandre Santos e Bruna Mara Wanderley, que pretendiam destacar a literatura de cordel em uma obra audiovisual e viram no edital do Ministério da Cultura, uma oportunidade de concretizar a ideia. Além da inspiração, os dois dividem a direção do documentário.  

Além de jornalista, Alexandre Santos é fotógrafo e documentarista. Ele trabalha com produção audiovisual há nove anos e é um dos fundadores do coletivo de produtores independentes Caminhos Comunicação & Cultura, que realiza projetos com foco na valorização da cultura popular. Entre suas produções se destaca a série Alma das Ruas, que retrata, em cinco documentários de curta-metragem, aspectos da vida de personagens da vida real, que vivem nas ruas de Natal. Um de seus trabalhos mais recentes, o curta Maré Alta, foi selecionado em 1º lugar no III Festival internacional de Cinema de Baía Formosa, e será exibido no próximo mês de abril, no Festival Off Plus Camera, na cidade de Cracóvia, na Polônia.

A jornalista Bruna Mara Wanderley atua com produção cultural e musical, e estreia na direção audiovisual com o documentário Cordelíricas Nordestinas. Ligada às expressões artísticas pela vivência no teatro, música e dança, ela também integra o coletivo Caminhos Comunicação & Cultura, tendo atuado em diversos projetos culturais de capacitação na área audiovisual, realizados pelo grupo. Em sua experiência com a área audiovisual, destaca-se a produção do documentário ficcional Mais que um filme legendado, lançado em 2008, sobre os anseios da comunidade surda no Rio Grande do Norte. 
    
Distribuição

O lançamento do documentário Cordelíricas Nordestinas contribui para a valorização da cultura popular através da difusão do vídeo no Estado. Serão feitas mil cópias do vídeo, que serão distribuídas em todos os municípios potiguares.

Além disso, o projeto contempla uma versão voltada para o público surdo, com o uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras. Nas cópias que serão distribuídas, também está prevista a inclusão da audiodescrição, um recurso de tecnologia assistiva que transforma o visual em verbal, contribuindo para a inclusão de pessoas cegas junto ao público de produtos audiovisuais.
Na estreia do documentário, a equipe do Coletivo Caminhos Comunicação & Cultura pretende reunir os entrevistados e pessoas que colaboraram para a obra ser realizada em uma noite que renderá homenagens à poesia popular nordestina.
Mais informações sobre a produção do documentário através dos telefones: (84) 8810-7111 (Dayana Oliveira), 9173-6180 (Alexandre Santos) ou 9157-6340 (Bruna Mara Wanderley).





sexta-feira, 8 de março de 2013

Uma aventura em África: a mulher e seu elefante

Já disse neste coranto que tenho um avião, um biplano da Primeira Guerra Mundial. Preciosa máquina, ágil como uma garça em voo, tornou-se um grande parceiro que comigo compartilha momentos, horas, vida. Como Natal é o ponto mais próximo da África, e como tenho longeva admiração por aquele continente, costumo atirar-me até lá, em voos que a licença poética me permite dizer que  duram meia hora, meia hora de alegria sobre mar reluzente.
http://www.google.com.br/search?q=mulher%20africana&oe=utf-8&rls=org.mozilla


Então, na travessia, vejo transatlânticos pesados, lerdos como arcas, passando ao lado de embarcações pequenas e corajosas. Observo grandes sombras afundadas se deslocando em meio a mar mítico e assombroso em sua plentude de água. Imagino que sejam grandes monstros, os monstros que habitavam os mares tenebrosos, tão temidos pelos antigos navegantes.


Chegando à África passo a costear o continente. Grande, largo, misterioso, habitado por fauna primeva e basal, paraíso bruto, aquele mundo sempre me atraiu. Voando baixo, costeio suas bordas. Ali estão pessoas, pescadores chegando da luta, e, lá adiante, depois de muito voar, chego a praias desérticas, ausentes da presença humana, mas habitadas vez por outra por animais que estranhamente ali se chegam.


Elefantes e leões, por mais paradoxal que possa parecer, caminham aquelas paragens vazias de homens. Devo dizer que, de tanto viajar à África, de viajar a África, desenvolvi notável perícia em aterrissar em terreno tão difícil e hostil. Jamais enterrei as rodas na areia. Se isso acontecesse haveria desastre brutal e, em caso de fugir ao ataque de feras, jamais o conseguiria.


Ontem, quando por lá estive, parei numa praia bela, bela de uma beleza grande, agressiva e árida, intensa e desafiadora. Estava eu na companhia abençoada de um maço de cigarros e de uma garrafa de bourbon, aquela sagrada bebida do Kantucky. Amparado do sol por um coqueiro de somba bondosa e balouçante, fiquei a admirar a paisagem em que estava imerso.


De repente, saindo das verdejantes brenhas, sai um elefante. Imponente ser vivo, grandioso e forte. Presas do mais puro marfim. A segui-lo, minutos após, uma núbia. Mulher de grande porte, seios opulentos, ancas suntuosas, coxas de Salomé, vértice fêmeo delicioso. Caminhou atrás do portentoso animal e gritou-lhe algo, uma ordem, coisa assim. Tão logo ouviu o grito primal o bicho ergueu-se nas patas traseiras e barriu poderosamente. Escultura imensa recortada contra o céu.


Devo dizer que jamais vi cena igual: dois seres básicos, plenos de beleza bárbara e grandiosa, convivendo momento indescritível. Acho que até o sol parou para homenagear. Em seguida, num salto ágil e preciso, ela agarrou-se à orelha esquerda do animal e postou-se escanchada naquela besta formidável. 

Depois gritou nova ordem. O elefante apressou o passo, virou-se e entrou na floresta novamente. Corri para o meu avião, liguei o motor e sobrevoei aquela cena. Ela viu o avião que subia, fez um gesto ao elefante e ambos desapareceram para sempre da minha vista, encobertos pelas ramagens altas da floresta densa.

quarta-feira, 6 de março de 2013



UNIMED – Luxo e falta de médicos
--- Walter Medeiros – waltermedeiros@supercabo.com.br
 
A UNIMED – Cooperativa de Trabalho dos Médicos vem há alguns anos repetindo práticas perigosas para quem pretende manter-se e realizar o seu objetivo mais importante, que seria prestar serviços de saúde. Ao invés de investir e desenvolver esforços para atender as necessidades dos clientes, investe na aparência, criando diuturnas e seguidas situações de conflito e crise com pessoas que precisam do atendimento. Ao invés de facilitar a vida de quem paga caro pelo plano de saúde, opta por sempre dificultar esse atendimento, irritando muita gente.

Os clientes sabem que quando precisam fazer certos exames, procedimentos ou cirurgias são obrigados a se deslocar até uma unidade da cooperativa localizada à rua Joaquim Manoel ou na Apodi, dependendo do assunto. Sabem que lá chegando encontrarão prédios caracterizados, climatizados, com estacionamento pago (nem isso oferecem), portas automáticas, móveis modernos, monitores de última geração, controle automático de fichas. Encontrarão também muitas pessoas vestindo trajes elegantes, a maioria expondo beleza natural e maquiagens.  

Tudo isso, no entanto, de nada serve quando o usuário chega para marcar o que poderia ser marcado no consultório, sem essa relação de desconfiança que poderia ser resolvida por outro estilo de auditoria que não aquela que leva toda clientela a se humilhar aos pés do médico auditor. Além da humilhação, em meio a tanta beleza existe uma grande desorganização, que faz com que sócios de atendimento preferencial sejam atendidos depois, em vista de falta de controle e gerência. Além do que, se o sistema de informática falha, a pessoa morre à míngua, pois os funcionários não utilizam o método manual para atender essas emergências, inclusive nas faltas de energia. Aí está outra aberração: falta de energia suspende atendimento, ao invés de manterem o serviço através de no-break ou geradores.

Parece muito, mas tem coisas mais graves: as remunerações dos médicos credenciados e cooperados, que é irrisória e está afastando muitos profissionais dos quadros da UNIMED, em todas as especialidades. Aí sobra para os clientes, que pagam o plano de saúde e em muitos momentos têm de pagar consultas e procedimentos particulares aos médicos de confiança, que a cooperativa mantinha como cooperados mas tiveram de deixar o vínculo, recusando-se a trabalhar por remuneração aviltante. 

Basta permanecer minutos num desses pontos ou outros prédios suntuosos da UNIMED, para tomar conhecimento da vasta lista de médicos bons que deixaram os quadros da cooperativa. Consequentemente, essa situação do plano de saúde no qual as pessoas confiaram - muitas delas desde a sua fundação – levam os cidadãos a se sacrificarem financeiramente, se quiserem continuar sendo atendidas pelos médicos de sua confiança.

Esta abordagem faço na qualidade de cliente Unimed desde data próxima à sua fundação – com um pequeno hiato involuntário de alguns dias de Agmed. Já cheguei a escrever cartas para a direção que resultaram em melhorias no atendimento e nos tratamentos do seu hospital. Torço sinceramente para que a cooperativa encontre um rumo menos preocupante que este, onde o sinal vermelho para a sua saúde como plano é a debandada de muitos bons médicos. A UNIMED jamais deveria considerar normal essa situação. Mas trata como se nada de importante estivesse acontecendo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013




Afasta de mim este cálice



Da cruz não se desce, disse o cardeal polonês Stanislaw Dzinisz, lembrando uma frase de seu conterrâneo Carol Wojtila, o papa João Paulo II. Encontrei a frase no Portal Vermelho e com ela concordo plenamente. 

https://www.google.com/search?q=papa&hl=pt&safe=off&client=firefox-

A atitude do Papa, por mais que os prelados de Roma digam que não, deu ao ato um significado de queda, de desfazimento da aura papal, pois até então os ocupantes do cargo saíam da vida para ingressar na bruma da morte, envoltos no cerimonial pomposo da desdita santa, a alma voando rumo às dimensões altas da fé dos crentes chorosos.

O ritual do morrer-papa, digamos assim, conferia à posição dos que a ocupavam a estatura do mistério, a grandiosidade significante de uma maneira de ascender. Mas a saída do Papa não foi mais que isso, uma saída, um bater em retirada, a condição humana sobrepujando a situação do homem-símbolo.

O acontecimento trouxe também à visão geral as questões do Vaticano enquanto organização, ambiente de disputas, império. Sumiu a instituição. E o teólogo sucumbiu, mostrou-se apenas um homem pequeno, buscando refúgio em meio a tempos de incerteza.

domingo, 20 de janeiro de 2013



Rodolfo é fera!
--- Walter Medeiros 
 
Uma noite de música memorável. Um passeio numa trilha musical de surpreendente primor. Assim podemos definir em pequena parte o espetáculo liderado pelo cantor potiguar Rodolfo Amaral em 17 de janeiro de 2013 no Teatro Riachuelo. Um palco que não é para qualquer um, que foi ocupado em toda sua magnitude por ele e seus convidados Ângela Rô Rô e Glorinha Oliveira. Todos acompanhados por um grupo de músicos de alta qualidade.

A apresentação de Rodolfo Amaral envolve incontáveis gestos da história da nossa música, aliados a melodias que atravessaram épocas e se juntam a outras que têm menos tempo de compostas, porém trazem a impressão de que teriam vindo de priscas eras. Assim ele faz uma síntese de canções de repercussão universal, algumas do romantismo e da fossa, outras da saga popular, e finda sendo aplaudido de pé pelo teatro lotado de gente de todas as idades, inclusive meu sogro, de 96 anos, a quem observei várias vezes aplaudindo com entusiasmo.

Nova roupagem para “Súplica cearense”, bela performance com o fado “Casa das Mariquinhas”, estonteante interpretação de “Brasileirinho”, emocionante sutileza em “Ne me quitte pas” e a retumbante releitura de “Fera Ferida” surpreenderam a muitos que viram pela primeira vez o novo astro da música surgido em terra potiguar. Tudo isso somado aos momentos inesquecíveis em que cantou com Glorinha Oliveira, mulher de história ímpar no cancioneiro brasileiro, e Ângela Rô Rô, que comprova o sucesso que começa a fazer e sem dúvida fará no cenário nacional.

Por um momento ele teve de relatar a triste situação pela qual passou em 2012, quando foi a uma consulta médica e saiu de lá com uma paralisia facial, vítima de um erro médico que chocou, preocupou e ameaçou a sua carreira de cantor. O problema está no âmbito da Justiça. Quanto ao artista, as dúvidas foram tiradas na sua apresentação, que teve uma produção primorosa, digna dos grandes astros da música, dos grandes palcos e das grandes platéias.

Conhecia Rodolfo Amaral das suas apresentações e entrevistas na TV. Desde a primeira música que o vi cantando percebi que se tratava de um fenômeno. Apesar do contratempo acima referido, sua carreira será muito além do que almejam alguns iniciantes. Natal terá de aceitar a sua ida para outros centros, onde já se vislumbram portas que se abrem para ouvi-lo e encontrar nele uma nova voz digna do seu espaço no meio artístico. 

Enquanto saía para o estacionamento, ouvia as opiniões espontâneas do público: “muito bom”, “ele é eclético”, “dinivo”, “maravilhoso”, “emocionante”. O próprio Rodolfo Amaral disse que considerava aquela momento o seu “réveillon”. Reveillon que vem depois de um período tão difícil de tratamento e que deságua nada mais nada menos que no maior palco que poderia encontrar em solo potiguar e, para sua maior emoção, com o casarão cheio e aplaudindo de pé.