quarta-feira, 16 de novembro de 2011

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1007488-em-tratamento-contra-cancer-lula-raspa-cabelo-e-barba.shtml
A nova cara de Lula e um discurso de François Silvestre


Vendo essa foto de Lula e nela o vulto do ex-líder sindical em batalha contra o câncer, lembrei-me agora de 1982 quando, candidato a deputado federal, o escritor François Silvestre, orador olimpiano, dizia, se não me falha a memória, "que a humanidade caminha no mundo sua louca aventura pela história". 

O que têm a haver entre si Lula e o dito de François? Muito. Para mim, o despenhadeiro existencial que hoje vive Lula é a comprovação das palavras do meu amigo, em sentido largo. Cada um de nós é parcela íntima da humanidade e está sujeito aos desvios, imprevistos, ameaças, temores, vitórias. 

Quem se lembra da figura de Lula sindicalista percebe o choque entre a imagem presa na retina da memória e a figura atual. Tudo é história, essa manifestação da obra humana em seu presente contínuo auspicioso ou não. 

Daqui a alguns meses veremos o resultado da luta e, quem sabe, o retorno de Lula à sua velha imagem. E a história, bem, essa continuará em sua louca aventura feita de fatos e de homens. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Tempo e a Vida

Emanoel Barreto
O Tempo escorre nas mãos da Vida.
A Vida escapa das mãos do Homem.
O Homem corre ao Infinito.
E se abraça nas mãos de Deus.
ZOORÓSCOPO
GORILA - Os gorilianos são tidos como violentos, glutões, mandões, brutais. Mas, quando estão sob a influência de pessoas nascidas em Beija-flor ou Abelha tornam-se dóceis e só usam sua força para nobres causas. Já as mulheres que vêm ao mundo como gorilianas devem deixar de lado suas tendências de lutadoras de sumô.

domingo, 13 de novembro de 2011

A Sala Escura e o Mictório

--- Walter Medeiros*  
 
As jornadas revolucionárias dos anos 70 eram literalmente de quem fazia a hora, conforme tão fortemente descreveu Geraldo Vandré em sua canção “Caminhando”. Era preciso lutar contra a ditadura militar, e para esta luta cada um tinha de fazer sua parte em meio a um mar de dificuldades e adversidades.

A clandestinidade levava à necessidade de parecer “normal” e natural o encontro entre estudantes em bares, onde, a título de se divertirem, planejavam e realizavam tarefas de mobilização do Movimento Estudantil. Tanto que me lembro de uma frase pronunciada por um estudante e colega de turma no Curso de Direito da UFRN, que dizia: “quando escreverem a história da revolução brasileira, os bares terão um capítulo muito especial”.

Esta reflexão chega por conta de notícia que vemos no site do Ministério da Justiça, segundo a qual “Exposição Na Sala Escura da Tortura chega a Brasília”, através da Comissão de Anistia, pelo projeto Marcas da Memória. São sete telas inspiradas nos relatos de Frei Tito durante seu exílio na França, que ficam expostas no Museu Nacional da República até 20 de novembro corrente. 

Os quadros, que pertencem ao acervo do Instituto Frei Tito de Alencar, foram pintados a óleo pelos artistas Julio Le Parc, Gontran Guanaes Netto, Alejandro Marcos e José Gamarra. A exposição denuncia a tortura. Frei Tito foi preso por participar do congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes – UNE, em Ibiúna, em 1968. Durante 30 dias, aquele religioso sofreu torturas nas dependências do DOPS.

A sala escura era algo que gerava dramáticas interrogações entre os militantes, que estavam dispostos até a enfrentá-la, se preciso fosse, mas que era encarada com temor, pois o ser humano não nasce para isto. Apareciam até situações descontraídas e hilárias, pois ninguém é de ferro, que poderiam também levar algum a declamar versos de uma canção cantada por Helena de Lima em seu célebre LP “Uma noite no Cangaceiro”, que dizia: “Ris, podes rir, não faz mal/ todo amor, afinal,/ deixa o peito sangrando...”. 

Tão inserida no contexto estava aquele instrumento ditatorial, que fez parte de uma canção de Chico Buarque que era mais um dos seus verdadeiros gritos de guerra – “Vai levando”, que dizia: “Mesmo com o nada feito,/ Com a sala escura,/ Com um nó no peito,/ Com a cara dura,/ Não tem mais jeito,/ A gente não tem cura”.
Pois lá pelos idos de 1976 cerca de 60 estudantes da UFRN resolveram ficar solidários a cerca de 100 estudantes que se manifestaram nas ruas de São Paulo. Resultado: todos foram depor na Assessoria de Segurança e Informação – ASI da UFRN ou na Polícia Federal, que ficava perto da Maternidade Januário Cicco. Na Polícia Federal, o Delegado Hugo Pôvoa interrogava um militante, enquanto um já estava preso e outros eram esperados para depor.
O interrogatório era tão áspero, a situação era tão tensa, que
o militante estava preocupado com todo aquele aparato. 

De repente, o inquiridor se afasta e abre uma porta, de onde o interrogado não vê nenhum sinal de luz. O policial entra na sala e fecha a porta. O militante imaginou, por um momento, que poderia ser a Sala Escura, já que havia se negado a responder algumas coisas sobre a organização do movimento. Mas não era; para seu alívio e alívio do interrogador. Era apenas a porta do sanitário.
*Jornalista

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A sensata loucura
Aquela ponte sempre tivera sobre aquele homem o sentido de um desafio e despertara estranha sensação de complementaridade: a ponte sobre o rio fora partida ao meio por uma grande chuva. Assim, só tinha metade da pista. Ele também havia sido destruído em parte; somente tinha movimentos da cintura para cima. Acidente de carro. A sensação de proximidade se dava na lamentável condição de aleijados, ele e a ponte. O desafio era cruzar o rio mesmo sem a ponte. Ou seja: ele queria chegar ao outro lado do rio, voltar de alguma forma e contar à ponte como era chegar ao outro lado. Devia isso à ponte. A ela sentia-se apegado e amigo.

http://www.google.com.br/imgres?q=uma+ponte+destruida
Passou a fazer planos: contratar um homem forte que o atirasse até à outra margem do rio; ser puxado por uma corda até lá; pessoas em fila o iriam passando de mão em mão, cruzando a correnteza; esperar por um milagre ou o pior de tudo: desistir. Mas, entendeu, desistir não era exatamente planejar: desistir é uma forma de acovardar-se.


E ele já tinha duas pernas covardes e uma ponte aleijada. Não dava para desistir. Foi assim que resolveu assumir o risco. Um velho amigo o empurraria em sua cadeira de rodas a toda velocidade e ele sairia planando de um lado a outro do rio. Seria uma grande vitória: dele e da ponte que de alguma maneira teria atravessado o rio com sua pista inexistente.


Então, no dia aprazado, o velho amigo apareceu para ajudá-lo. Mas era um velho autêntico. Setenta anos. Com grande dificuldade empurrava a  cadeira de rodas, que movia-se centímetro a centímetro sobre a ponte mutilada. Aquela pobre e corajosa cena comoveu a um jovem que passava nas imediações. Aproximou-se e lhe foi contada a aventura que ali claudicava. 
O jovem era um louco e dizia caminhar nas nuvens. Assim, depois de reafirmar sua loucura, tirou o homem da cadeira e começou a caminhar em direção ao final da pista. Ali chegou, meteu começou a caminhar nos ares e continuou a andar até chegar ao outro lado do rio. Ato contínuo fez a volta, sempre caminhando no ar.


Chegando à ponte depositou o homem em sua cadeira de rodas e sumiu. E o homem, o velho e a ponte comemoraram aquela grande vitória: acreditar no que ninguém mais acredita; acreditar especialmente naquilo que ninguém sequer suponha que exista. Esse o segredo da sensata loucura.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Recebo e divulgo:

Lançamento de documentário “Os Cão da Redinha”

Bloco tradicional do carnaval de Natal tem sua historia contada em documentário



http://www.google.com.br/imgres?q=os+c%C3%A3o+redinha+bloco+carnaval&hl
Quem já não ouvir falar dos Cão da Redinha? Um dos blocos mais tradicionais do carnaval natalense, tem sua historia contada em documentário e será lançado na terça-feira, 08 de novembro de 2011, às 15h no Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão, localizado na Ribeira. O documentário é uma produção independente, sem recursos públicos, ou apoio de empresas e resulta de um trabalho de dois anos empreendido pelo Coletivo Audiovisual Potiguar. O documentaristas Alexandre Santos e Èrica Lima da Caminhos, Comunicação & Cultura, juntaram-se ao radialista Jurandyr frança e ao Professor de Comunicação Social da UFRN, Ruy Rocha para um registrar em linguagem audiovisual  esse importante aspecto da cultura potiguar.

Os Cão é um bloco que faz parte do calendário carnavalesco do estado, muito comentado durante o carnaval, pela imprensa local e até nacional. No entanto, o documentário Os Cão da Redinha, além de revelar aspectos históricos e  entrevistar um dos fundadores do bloco, ainda mostra toda a irreverencia e criatividade dos seus foliões.

Os brincantes utilizam a lama do manguezal para fazer suas fantasias. Num cenário belo, na foz do Rio Potengi, milhares de pessoas se reúnem para fazer um carnaval em que as barreiras econômicas se dissolvem.

Sempre expressando a irreverência, a criatividade e a alegria típicas dos festejos, fica evidente o contraste entre o bloco e as micaretas, com investimentos grandiosos, bandas criadas e sustentadas por poderosos mecanismos da indústria cultural. Seguindo uma proposta diferente, os Cão não cobram pelo abadá, não investem em propaganda, não contam com a divulgação sistemática em emissoras de Rádio e TV, não são controlados por empresas e nem recebem altas quantias em dinheiro público. Mesmo assim, reúnem mais de cinco mil pessoas na terça-feira de carnaval.

Trata-se de uma expressão verdadeiramente popular, o que sugere uma reflexão sobre os diferentes aspectos que a cultura assume atualmente. O documentário começou a ser feito em 2008, quando os realizadores iniciaram uma pesquisa com os foliões e realizaram um  registro fotográfico durante a festa. Em 2009, foram iniciadas as gravações.

O Coletivo Audiovisual Potiguar é grupo informal, composto por Alexandre Santos, Érica Lima, Jurandyr França e Ruy Rocha.







Um abraço fraterno,





Alexandre Santos



Serviço:

O que: Lançamento de documentário Os Cão da Redinha

Quando: 08 de novembro (terça-feira)

Local: Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão

Hora: 15horas

Entrada gratuita



Outras informações entrar em contato com a equipe

Alexandre Santos – 9977-6464

Érica Lima – 8805-5468

Jurandyr França  - 8822-3261

Ruy Rocha – 9164-2479   
A capitã dos mares

Ontem tive uma das grandes alegrias da minha vida: minha neta começou a escrever sua primeira obra de ficção. Tem o título de "A capitã dos mares" e contará as aventuras de uma menina que comanda navio de piratas em busca de um tesouro a partir do mapa de um pirata holadês já morto. Detalhe: o mapa é "amaldiçoado" - imagine só..., o que confere maior intensidade à trama. E o título foi escrito em letras góticas.

Fiquei impressionado pelo seguinte: ela tem apenas 12 anos e jamais havia escrito algo assim. Estava em minha casa e perguntou-me como se faz uma história. Expliquei que o enredo básico é ter um personagem principal que tem um objetivo a alcançar, mas, entre ele e o objetivo há um opositor, qualquer que seja este. A luta para atingir o objetivo constitui toda a trama.


Ela disse: "Eu sei: mas o problema são os detalhes". Ou seja: as cenas, o quadro a quadro da ação romanesca. Para explicar,  narrei uma suposta cena num porto. Dez minutos depois, minha surpresa: "Vovô, venha ver." Ela já havia composto o primeiro parágrafo, incluindo diálogos, aprofundando em muito a minha sugestão. Tivemos que parar em seguida, pois seu irmãozinho queria porque queria ver uns filmes de Mickey no Youtube.

Ficou-me, contudo, a maravilhosa impressão de ver minha neta escrevendo. Mais tarde vou ligar para ela, a fim de saber o que mais já produziu. Será que a capitã dos mares já embarcou em busca do tesouro? Estou certo que sim. E acompanharei de perto esse mundo de aventuras.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Emoções, milhares de emoções

--- Walter Medeiros* 
– waltermedeiros@supercabo.com.br

Milhares de pessoas (cerca de 4 mil) proferiram na manhã do sábado, cinco de novembro de 2011, a uma só voz, a conhecida e ecumênica “Evocação à Serenidade”, uma prece com a qual Alcoólicos Anônimos começa e encerra suas reuniões: “Concedei-me, Senhor, a Serenidade necessária para Aceitar as coisas que não posso modificar; coragem para modificar aquelas que posso e Sabedoria para distinguir umas das outras”. A emoção compartilhada naquele momento já dava uma idéia da dimensão do encontro que aquela irmandade promoveu em Natal.

Pode-se dizer que Natal viveu naquele fim de semana um momento marcante para o Centro de Convenções de Ponta Negra. Ali estiveram reunidos milhares de membros de A.A., entidade que ajuda as pessoas a parar de beber com base na troca de experiências. Tratava-se do XXIII Seminário Nordeste de A.A., que reuniu participantes de todos os estados da região para discutir, em dois dias, o tema “A.A. – Um caminho sem fronteira – Uma mensagem universal”.

Seja qual for o número de participantes, quatro mil, mais ou menos, o certo é que cada pessoa que se encontrava ali era uma história de alcoolismo, um relato de dramas do dia a dia de bebedor problema. Pessoas que estão sem beber, porque trocaram a vida de bêbados por uma vida nova, de busca da sobriedade. Gente de todas as idades e condições sociais, homens e mulheres que, dependendo do tempo que têm nos grupos de recuperação de alcoólicos, conhecem outros de eventos anteriores, pois é costume reunirem-se neste evento anualmente.

Não precisa de tanto esforço para perceber e constatar que o alcoolismo é um problema que se agrava a cada dia. Antigamente, alcoólatras eram exceções, tanto que eram estigmatizados pela condição de embriaguez contumaz. Atualmente, entretanto, a bebida está presente de forma generalizada, os alcoólatras tornaram-se um percentual muito significativo, o que já vem acendendo certos alertas na sociedade, que já reconhece o alcoolismo como doença desde 1967, através da Organização Mundial de Saúde.

Ao mesmo tempo em que discutem seus problemas, os alcoólicos promovem um Seminário para Profissionais, no qual são passadas importantes informações para médicos, psicólogos, assistentes sociais, advogados, jornalistas e muitos outros profissionais que se envolvem com o tratamento ou outros problemas dos alcoólatras. Promovem também um entrosamento com Al-Anon, entidade idêntica ao A.A., mas que cuida de parentes e amigos dos alcoólatras. Enquanto A.A. apresenta um lema para seus membros – “Evite o primeiro gole”, Al-Anon reforça e dirige o lema para a vida em paz: “Evite o primeiro atrito”.

Além deste leque de atividades, que mobilizam seus membros na região nordeste inteira, Alcoólicos Anônimos ofereceu uma oportunidade ímpar para a sociedade potiguar. Das 20:00 às 21:30 h promoveu uma Reunião de Informação ao Público, na qual foi explicado como funciona o seu programa de recuperação de alcoólatras. Na ocasião falaram membros da irmandade – um homem e uma mulher, uma representante de Al-Anon, um profissional de saúde e representantes da Junta Nacional do A.A.. Valeu à pena comparecer, pois se tratou de verdadeiras aulas sobre o valor da vida.

*Jornalista
Meu caro amigo

É por essas e outras que digo: o velho jornal impresso é - sempre será -, essencial. Não há como substituir a ludicidade do papel, o contato, o dobrar, o recortar daquela notícia ou foto. Saudades - até mesmo saudades alegres, que já nos chegam impressas, prontas para guardar.

Confirmando minhas palavras essa capa magnífica do Estado de Minas, dedicada a Chico Buarque. Valeu pelo inesperado, pelo conteúdo, pela escolha estética, pela graça, pela sensibilidade, pela proximidade que isso estabelece com o leitor. Veja. E concorde comigo.

domingo, 6 de novembro de 2011

Reportagem da Band mostra momento em que cinegrafista é baleado

A morte doi cinegrafista Gelson Domingos é a demonstração exata dos riscos a que estamos submetidos nessa profissão. Abaixo, as últimas imagens feitas por ele.

sábado, 5 de novembro de 2011

Deu na Tribuna

Operação apreende alimentos

A apreensão de 1.875 quilos de alimentos que estavam acondicionados em freezer abaixo da temperatura mínima exigida levou quatro funcionários do Carrefour da zona Norte a prestarem depoimentos na Delegacia do Consumidor (Decon), situada na avenida Coronel Estevam, antiga avenida 9, no Alecrim. "Nós fizemos medições com as próprias máquinas da loja e o freezer só dava entre 5º e 6º", disse o delegado Sílvio Nunes Silva, o qual informou que foi jogado detergente em cima de todo o volume de carnes, frangos, peixes e hambúrgueres, para que não fossem reaproveitados e depois levados para o aterro sanitário de Ceará Mirim: "A gente levantou que o prejuízo foi de R$ 20.500".
Emanuel AmaralArakén Farias, diretor-geral do Procon EstadualArakén Farias, diretor-geral do Procon Estadual
Os quatro funcionários do setor de carnes estavam acompanhados de uma advogada e nenhum dos cinco quis falar com a imprensa. Todos seriam liberados depois de ouvidos pelo delegado Sílvio Nunes Silva, que não quis informar em quais artigos eles deverão ser indiciados, porque ainda faltam identificar e intimar para depoimento o responsável pelo setor de carnes e  o gerente da loja do supermercado. Será solicitada uma perícia ao Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep) para embasar o inquérito  criminal.

Sílvio Nunes informou que a operação começou por volta das 10 horas da manhã, com a participação do Ministério Público e dos Procons estadual e municipal, instituições para as quais ele vai mandar cópias de DVD com as imagens feitas no local da apreensão dos alimentos impróprios para o consumo humano.

De acordo com as informações dos Procons haviam produtos estragados e alguns enlatados estavam amassados. Além disso, a ação ainda encontrou outras irregularidades no estabelecimento, como alguns produtos anunciados nos encartes com promoção e oferta flagrados no estabelecimento com o preço acima dos divulgados. Um chaleira, por exemplo, que aparecia no encarte com o preço de R$ 12,90 estava sendo comercializada por cerca de R$ 50.

O diretor-geral do Procon Natal Lailson Medeiros, disse que a apreensão faz parte de uma ação desenvolvida nas reuniões do grupo que congrega órgãos que trabalham em Defesa do Consumidor. O diretor também explicou que a escolha da loja foi baseada nas quantidade de reclamações recebidas. "Essa é a loja de supermercado recordista de reclamações nos Procons, por isso foi a indicada para essa 'blitz'", disse.

Já o diretor-geral do Procon Estadual, Arakén Farias, alertou  sobre a possibilidade do supermercado ser fechado. "O Procon orientou aos gerentes que se adequassem mais rapidamente, pois em caso de reincidência, o estabelecimento poderá ser fechado ou interditado por tempo indeterminado.", comentou.

Nota
O Carrefou emitiu nota à imprensa, a respeito da operação realizada ontem, nas dependências de sua loja da Zona Norte:

"Com relação à visita do Procon de Natal na loja Carrefour Natal Zona Norte, localizada Av. Dr. João Medeiros Filho,  2.005, a empresa esclarece que atendeu imediatamente a recomendação do órgão e retirou os produtos indicados da área de venda. A rede está averiguando internamente a questão e qualquer irregularidade decorrente de uma quebra de procedimento será rigorosamente apurada e reparada. O Carrefour informa que mantém rígido controle dos produtos oferecidos em suas gôndolas, a partir de processos de verificação e supervisão, seguindo de maneira estrita as determinações do Código de Defesa do Consumidor".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Presente de grego para o povo grego

http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/1000731
Na Grécia querem derrubar George Papandreou porque o primeiro-ministro pretende levar ao povo um referendo a respeito do empréstimo que viria solucionar temporariamente a crise da economia grega. 

Os grandes não querem isso: querem que a crise seja solucionada pelo lado dos especuladores. O povo é acessório, como sempre tem sido.

Mas o primeiro-ministro tem razão: quem vai pagar essa dívida é o povo com o seu trabalho, seu sofrimento a redução de seus direitos; não os especuladores. Esses sempre são protegidos, amparados, escondidos, homiziados se preciso for por governos e quejandos.

Informa-se que, por isso, o ministro cairá. Devendo assim vir ao seu lugar alguém "mas ajuizado". Como sempre acontece. Como sempre acontece.
E esse ajuizado será um péssimo presente de grego - para os gregos.

Li na Folha

Potiguar faz sucesso em São Paulo com doces árabes


MARÍLIA MIRAGAIA
DE SÃO PAULO

Quando chegou ao Brás, na São Paulo dos anos 1970, Francisco das Chagas Neto, 53, comia feijão com arroz, farinha e carne -comida de gente "muito humilde".

Letícia Moreira/Folhapress
Ninho de pistache, uma das receitas de sobremesas árabes de seu Chico, da CH Doces
Ninho de pistache, uma das receitas de sobremesas árabes de seu Chico, da CH Doces                    

Nascido no Rio Grande do Norte e criado na cidade de Iguatu, no Ceará, decidiu morar em São Paulo com o "entusiasmo" de ser padeiro.
O trabalho surgiu no balcão de um restaurante libanês, ponto de encontro de árabes que negociavam tecidos naquele bairro. 

Não havia "nada de coxinha". Eram servidos quibes, esfihas, caftas e doces cobertos de nozes e mel.
Sem nunca ter lidado com panelas, foi enviado à cozinha. Ali, aprendeu os macetes daquelas receitas: pão achatado, carne temperada com especiarias e as muitas camadas das sobremesas. 

A tarefa mais árdua era decifrar as recomendações em outro idioma. "Não entendia nada, achei que eram gagos." Começou, então, a trocar vocabulário com os colegas recém-chegados do Oriente.
Quando deixou Halim, seu "mestre" libanês -hoje dono de restaurante homônimo no Paraíso, em São Paulo-, Chico já reunia algumas receitas e falava um pouco de árabe. 

Letícia Moreira/Folhapress
Seu Chico em sua fabrica de doces árabes
Seu Chico em sua fabrica de doces árabes  
Entre uma e outra investida, chegou a ser o responsável pelo restaurante do clube Homs, na avenida Paulista, um dos mais tradicionais redutos da comunidade árabe.
Há 15 anos, vendeu um Fusca e fundou a CH Doces, que hoje produz 5.000 sobremesas por dia, como ninho de pistaches, maamoul ou fatayer (veja ao lado).
Levava amostras de seu produto para os conhecidos até se transformar em revendedor de restaurantes como Raful e Folha de Uva, e de tradicionais empórios da região da 25 de Março, na capital.
Seu Chico, que ostenta a bandeira libanesa em um anel dourado, diz que a clientela no centro se dissipou. Agora, o potiguar terá de conquistar, com seus doces árabes, o paladar dos chineses. 

ONDE ENCONTRAR
CH DOCES
Rua Eliezer José de Macedo, 485, Vila Císper, São Paulo, tel. 0/xx/11/2541-1781
FOLHA DE UVA
Rua Bela Cintra, 1.435, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11/3062-2564
HALIM
Rua Doutor Rafael de Barros, 56, Paraíso, tel. 0/xx/11/3884-8502
RAFUL
Rua Com. Abdo Schahin,118, Centro, São Paulo, tel. 0/xx/11/3229-8406
A máquina e o gás aberto


Corria o ano de 1974. Meu primeiro ano como jornalista. Uma tarde calorenta de rachar. A redação do Diário de Natal funcionava na Deodoro, onde hoje só existe saudade. Naquele tempo o DN tinha um suplemento dominical, o Módulo 3  onde os repórteres exercitavam seu lado mais criativo, com textos trabalhados.

Eu era repórter policial, um aprendiz de redação. Pois bem, foi nessa tarde suarenta que apareceu na redação, vindo-se sei lá de onde, o fotógrafo Paulo Saulo, com uma pequena escultura em vidro de lâmpada fluorescente. Uma pequena cegonha cheia de água colorida, que exibia, todo orgulhoso. E contou, cheio de si: “Isso é feito à base de fogo. O cara, o artista que faz esses bichinhos, trabalha o vidro a quente e faz qualquer coisa com o vidro. Quer fazer uma matéria com ele?”

É claro que aceitei na hora. Seria uma bela matéria para o Módulo. E lá me fui eu, na sacolejante Kombi do jornal, rumo à Ribeira, onde ficava a oficina do tal artista. Chegando, Paulo Saulo, hoje falecido, saltou rápido da Kombi e indicou onde iríamos fazer a matéria: “É ali. Naquela casa, que vamos fazer a matéria com o cara.”

Chegamos, nos apresentamos e o artista, alegre com a possibilidade de ficar conhecido, recebeu-nos de braços abertos. Eu perguntei: “Onde vai ser a entrevista?” Ele respondeu “ali” e apontou para a sua “oficina”. Olhei, confesso, e não gostei do que vi: um quartinho apertado, quentíssimo, cheio de bujões de gás - lembre-se de que o homem trabalhava com fogo. Intimamente comecei a ficar preocupado com aquela reportagem.

Fogo, local apertado, gás, nenhuma segurança, huuum... Mas, afinal, eu estava ali para fazer a matéria. E entrei. O homem fechou a portinha do quarto, acendeu o maçarico, pegou uma lâmpada fluorescente de onde se tinha retirado toda aquela tinta branca que recobre o vidro, que, assim, ficou completamente transparente. Claro, tinha que ser transparente, para ser possível ver a água colorida dentro da escultura.

Fez isso e começou a trabalhar. O calor foi aumentando, até se tornar insuportável. O homem era realmente um mestre: tornava o vidro incandescente e trabalhava com rapidez. Paulo Saulo, encapetado, saltava de um lado para o outro, escolhia ângulos, colocava a objetiva em planos mais altos, mais baixos, fechava nas mãos do artesão, pegava planos gerais da cena.
Eu, que já havia feito um quem-é-quem com o homem, suava em bicas, até que ele afinal deu por concluído o seu trabalho, apresentando-nos uma estatueta de não-sei-lá-o-quê.

Terminamos tudo. Dei graças quando saí incólume do quartinho; até mesmo porque, nos cinco minutos finais, pensei estar sentindo cheiro de gás. Agradecemos, fomos para a redação e fui preparar o texto. Ficou bom, bom mesmo, para a minha alegria de foca.

Saulo embrenhou-se no laboratório fotográfico do jornal e toca a demorar, a demorar, a demorar, até que, cansado de esperar, fui até lá e o encontrei:
“E aí, Paulo, as fotos ficaram boas?”
“Não”, foi a resposta.
“Mas porque não ficaram?”
Ele olhou para mim com a cara mais lambida do mundo: “A máquina estava sem filme.”

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Na Folha



RUBEM ALVES

Despedida


Minha alma é movida pelas ausências; mas, nos jornais, não há lugar para ressurreições

ESSA CRÔNICA é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever em Cotidiano.
Devo ter perdido o juízo. Minha decisão contraria um dos dois maiores sonhos de cada escritor. Primeiro, o sonho de ser um best-seller. Encontrar algum livro seu nas prateleiras da livraria Laselva, nos aeroportos. Confesso: sou vítima dessa vaidade. Mas não aprendo a lição. Nos aeroportos, vou sempre visitar a Laselva na esperança de lá encontrar um dos meus livros. Saio sempre desapontado.
O outro sonho dos escritores é ter seus textos publicados num jornal importante: ser lido por milhares de leitores. O que significa reconhecimento duplo: do jornal que os publica e dos leitores. Isso faz muito bem para o ego. Todo escritor tem uma pitada de narcisismo.
Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: "Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas..." E ele se pergunta se "não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas..." Respondo: Sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos estão pesando. E como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar.
A obrigação: é isso o que pesa. Quereria ser capaz de viver um poeminha do Fernando Pessoa: "Ah, a frescura na face de não cumprir um dever... Que refúgio o não se poder ter confiança em nós..." Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever. Sinto -pode ser que não seja assim, mas é assim que eu sinto-que já disse tudo. Não tenho novidades a escrever. Mas tenho a obrigação de escrever quando minha vontade é não escrever.
Não é qualquer coisa que se pode publicar num jornal. O próprio nome está dizendo: "jornal", do latim "diurnalis"; de "dies", dia, diurno; o que acontece no dia; diário.
O tempo dos jornais é o hoje, as presenças. Mas minha alma é movida pelas ausências: nos jornais, não há lugar para ressurreições.
Acho que aconteceu comigo coisa parecida com o que aconteceu com a Cecília Meireles. Escrevendo sobre ela, Drummond falou o seguinte: "Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me sempre a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Por onde erraria a verdadeira Cecília, que, respondendo à indagação de um curioso, admitiu ser seu principal defeito 'uma certa ausência do mundo'"?
Deve ser alguma doença que ataca preferencialmente os velhos e os poetas. A Cecília descrevia o tempo da sua avó com "uma ausência que se demorava". E Rilke se perguntava: "Quem assim nos fascinou para que tivéssemos um olhar de despedida em tudo o que fazemos?" O sintoma dessa doença é aquilo que a Cecília disse: uma certa ausência do mundo.
O místico Ângelus Silésius já havia notado que temos dois olhos, cada um deles vendo mundos diferentes: "Temos dois olhos. Com um, vemos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro, vemos as coisas da alma, eternas, que permanecem". Jornais são seres do tempo. Notícias: coisas do dia, que amanhã estarão mortas.
E é por isso vou parar de escrever: porque estou velho, porque estou cansado, porque minha alma anda pelos caminhos do Robert Frost, porque quero me livrar dos malditos deveres que me dão ordens desde que me conheço por gente...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

TRF obriga governo a conceder identidade a apátrida


ANNA RUTH DANTAS - Agência Estado

Em decisão inédita no Judiciário brasileiro, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região confirmou a decisão da Justiça Federal do Rio Grande do Norte, que reconheceu um africano como "apátrida" (caso daquele que não é reconhecido como cidadão de nenhum país) e, com isso, determinou que a União assegure identidade brasileira e o direito a exercer atividade remunerada. 


O africano Andrimana Buyoya Habizimana, que reside em Natal, nasceu em Burundi e fugiu para o Brasil em um navio cargueiro. O caso se tornou alvo de discussão no Judiciário porque nem o país de origem, nem a África do Sul ou o Brasil reconheciam o africano como cidadão. 

A União recorreu da decisão em primeira instância, mas perdeu na Corte Regional. Na sentença judicial, agora confirmada, o magistrado observou que "inexiste Estado que considere o autor (africano) como seu nacional, ou que se manifeste pela pretensão de acolhê-lo". "Considero que a negativa do pedido (de conceder identidade brasileira) implicará, na prática, a redução do autor (Andrimana Buyoya) à condição de coisa, eliminando a possibilidade de desenvolvimento de sua personalidade, o que se atrita - e muito - com o princípio da dignidade da pessoa humana.(Estadão)

Algumas histórias estranhas: coisas de jornal ( 2 )

O visitante noturno disse: "Eles estão me perseguindo"

Redação da Tribuna do Norte, Natal, uma noite em 1982, precisamente 21h30. Lembro, pois olhei o relógio logo depois da saída do visitante noturno e do seu intrigante relato. Começou assim: eu estava já com umas quatorze horas de trabalho  -- começado às sete da manhã quando fizera a pauta, seguindo o restante do expediente em preparar o segundo caderno até a hora do almoço. Depois, a partir de uma da tarde eu havia reiniciado, cuidando do funcionamento da redação até a hora em que o homem entrou sem ser anunciado. 


Na redação ninguém além de mim e da diagramadora Tânia, competente profissional que sempre encontrava uma boa solução gráfica e estética para o noticiário da página 5. Até mesmo Moacir Oliveira, o velho Moaça, diagramador-chefe, já não estava.


Eu saí um instante do aquário onde ficava a sala de diagramação quando vi a figura sentada a um birô. Peguei uma matéria em cima da minha mesa. Nisso, ele se dirigiu a mim. Veio direto como lâmina de florete: "Sou um perseguido político." E detalhou: trabalhava numa TV pública onde comia o pão que o diabo amassou nas mãos de pessoas ligadas ao sistema. Já havia sido transferido diversas vezes até vir para Natal, onde estava na TV Universitária. Mas, garantiu, sentia-se perseguido pelos agentes da ditadura.


Pedi licença um minuto. Estava em fase final do fechamento, já com algum atraso. Eu lhe pediu mais uns quinze minutos, que o atenderia. Atenderia, diga-se, à base de muita boa vontade, pois pendulava entre o cansaço mais pesado e o sono certeiro. Bom, mas passaram-se os quinze minutos. Só que, quando olhei pelo vidro do aquário para a redação, o canto mais limpo. 


O homem cabisbaixo, de voz vestida de angústia havia desaparecido. Tão silenciosamente como havia chegado tinha saído. Isso deu-me uma sensação ruim. Um rápido e intenso processo de culpa: como eu tinha feito aquilo? E se aquele homem morresse em alguma esquina da tortura ou prisão? Por que não o havia atendido imediatamente? Essas perguntas foram o meu tribunal e a minha sentença durante vários dias.


Hoje, passados esses anos todos, veio-me à memória aquele estranho noturno: não deu-me qualquer detalhe das perseguições sofridas em Natal ou de quem as perpetrava. Só que agora questiono: seria verdade mesmo o que dissera? Ou seria aquilo produto de alguma mente transversa em busca de notoriedade num jornal de oposição?


Não tenho a resposta. Mas de uma coisa tenho certeza: a figura que se apresentou a mim naquela noite tinha algo de muito pesado sobre os ombros: ou realmente a perseguição dos esbirros ou a ponderosa noite de sua crença de estar sob perseguição, o que vem a ser a mesma coisa.
Notícia triste
--- Walter Medeiros* 
 
A semana começa com o sol aberto, temperatura elevada, trânsito da segunda-feira de acordo com a retomada do serviço, depois do feriado do Dia do Servidor seguido de fim de semana. No caminho da Unicat, Graça tira dúvidas sobre as plantas e um pé de ipê que ostenta algumas flores no canteiro da avenida. E aos poucos nos preparamos para a rotina do atendimento ao público e preocupações com o andamento do nosso serviço.

Como sempre, esperávamos encontrar aquele rosto jovem, alegre, brincalhão, porém forte e sério quando necessário, de uma das nossas colegas de trabalho. Ela foi das primeiras pessoas com quem mantivemos contato. Ajudou a nos acolher em nosso novo ambiente de trabalho, há poucos meses. Farda caqui, botas e boné, que não tiravam em nada sua vaidade, principalmente mostrada em seu longo cabelo.

De longe nem vimos que ela não estava em seu local de trabalho. Até porque antes mesmo já nos informavam que a violência tão presente em nossa sociedade a havia atingido. Jovem, 28 anos, com filhos adolescentes, havia sido mais uma vítima. Pelo ar chegavam as palavras inesperadas, chocantes, lamentáveis: “mataram Emmanuelle”. Emmanuelle era a vigilante que orientava o serviço no atendimento preferencial da Unicat. Foi assassinada com seis tiros. 

Nem tivemos tempo de conhecê-la melhor, de conhecer seus filhos, seus familiares. Apenas sabíamos que era separada do marido. O mais, era no trabalho o seu expediente imenso, sempre atenta, respeitosa e vigilante, como manda a sua profissão. E os sonhos que tinha de melhorar de vida, para usufruir melhor as coisas do mundo e garantir aos seus filhos uma vida digna e um bom futuro. Sempre se procura retardar um adeus; mas em algum momento isso é impossível. Por isso temos de dizer agora, sem ter para quem apelar: “Adeus, Emmanuelle! Que a sua vida eterna lhe dê boa guarda”.

Na recepção onde ela trabalhava, outro vigilante está cumprindo seu horário. Mas a cadeira onde ela sentava está parada junto à parede. Sobre ela alguém colocou uma rosa vermelha, em homenagem à colega de trabalho.
*Jornalista

sábado, 29 de outubro de 2011

Ocupação na USP pede saída da PM e intensifica polêmica

Alckmin critica estudantes rebelados e afirma que "ninguém está acima da lei"

Confronto na Cidade Universitária ocorreu na quinta-feira, após a polícia flagrar alunos portando maconha

DE SÃO PAULO

A ocupação do prédio da administração da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo, causa polêmica entre os alunos da USP.
Depois do confronto com a PM na noite de anteontem, cem estudantes invadiram o prédio. Dizem que só saem de lá quando a PM for proibida de entrar no campus "em qualquer circunstância".
O tumulto de anteontem ocorreu após três estudantes de geografia serem flagrados com maconha no campus.
Houve reação de outros alunos, que tentaram impedir que o trio fosse detido.
Os manifestantes jogaram pedras nos PMs, que usaram bombas de efeito moral e cassetetes. No fim, eles acabaram levados à delegacia.
A ocupação do prédio ocorreu ainda naquela noite. Ontem, opiniões de quem passava por ali eram divergentes.
"Prefiro ser revistado pela polícia a ser abordado pelo ladrão", disse Augusto de Oliveira, 19, aluno de turismo.
"Eles estão fazendo exatamente o que a gente achou que iam fazer: ir atrás de quem não devia", disse Isabela Serapião, 24, de letras.
Ao menos três alunos relataram que, na quinta, PMs abordaram estudantes de forma truculenta no entorno da FFLCH. Outros disseram que alunos já foram abordados dentro da moradia estudantil e de centros acadêmicos.
Questionada, a PM não se manifestou sobre o assunto.
O grupo da ocupação não permitiu a entrada da Folha no prédio. Muitos mantêm os rostos cobertos. Da janela não se via sinais de depredação.

LEI PARA TODOS
Ontem ,o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que vai apurar se houve excessos. "A lei é para todos. Ninguém está acima da lei, A PM está há mais de 50 dias fazendo policiamento para proteger todos na USP", disse.
"Não tem estudante ferido, nós tivemos policial ferido e viaturas danificadas."
A Folha, no entanto, ouviu relatos de alunos feridos.
A PM disse que dois policiais e dois jornalistas se machucaram e seis carros da polícia foram depredados.
O reitor da USP, João Grandino Rodas, afirmou em entrevista à rádio CBN que levará os fatos para análise do Conselho Gestor do campus.
"Se perceber abuso, a universidade tomará as cautelas necessárias e fará as ações para que coisas desse tipo não voltem a acontecer."

AÇÕES SÓ NO PAPEL
A presença da PM no campus foi decisão quase unânime do Conselho Gestor após o assassinato do aluno Felipe Ramos de Paiva, em maio.
Há 50 dias, a universidade assinou um convênio com a Secretaria de Segurança Pública para colocar o plano aprovado em prática, com instalação de duas bases e treinamento dos policiais militares para atuar especificamente no campus -mas essa parte do convênio ainda não saiu do papel.
(RAPHAEL SASSAKI, CRISTINA MORENO DE CASTRO, TALITA BEDINELLI E MARIANA DESIDÉRIO) (Folha de S. Paulo)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Corregedoria deu prazo para que Nicolau fosse julgado

Condenação ocorre 13 anos depois da fraude
Magistrada nega responsabilidade por atraso
A decisão que condenou os envolvidos no escândalo do Fórum Trabalhista de São Paulo a devolver ao erário os recursos desviados --treze anos depois da fraude-- ocorreu depois da interferência da Corregedoria Nacional de Justiça e da Corregedoria da Justiça Federal da 3ª Região, informa reportagem do editor deste Blog na edição de hoje (27/10) na Folha (*).

Atendendo a pedido do Ministério Público Federal ao Conselho Nacional de Justiça, foi dado o prazo de 60 dias para que as duas ações civis públicas fossem julgadas pela juíza federal Elizabeth Leão, da 12ª Vara Federal. Segundo o MPF, a magistrada estava com o caso há cerca de oito anos.

Entre os condenados a devolver R$ 203 milhões ao patrimônio público (valores que serão atualizados na execução da sentença) estão o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, o senador cassado Luiz Estevão de Oliveira Neto, os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho, José Eduardo Ferraz, Antônio Carlos da Gama e Silva, a Construtora Ikal Ltda., Incal Indústria e Comércio de Alumínio Ltda. e várias empresas vinculadas ao Grupo OK. Cabe recurso da decisão.

Consultada, a juíza Elizabeth Leão prestou as seguintes informações:

O Ministério Público Federal, mesmo ciente de duas exceções de suspeição interpostas em face desta magistrada, apresentou expediente administrativo à Corregedoria do TRF-3 sob alegação de demora desta magistrada em julgar as ações civis públicas. Em razão disso, a Exma. Desembargadora Federal Corregedora estabeleceu um prazo de 60 dias para julgamento desses processos após decisões definitivas das referidas exceções. Assim, como dito, à época do aludido Expediente Administrativo, tramitavam duas exceções de suspeição: a primeira proposta pelo réu Nicolau dos Santos Neto em 07/08/2009, julgada pelo TRF em 24.05.2010, interpostos embargos de declaração em 10.03.2011, cuja decisão foi disponibilizada no Diário Eletrônico em 24.08.2011. A outra exceção de suspeição foi interposta pelo réu Luiz Estevão de Oliveira Neto em 23.02.2011 e julgada em 17.06.2011 e transitada em julgado em 22.07.2011. Considerando que as exceções de suspeição suspendem o andamento processual até seu julgamento pelo órgão competente, não houve qualquer atraso no julgamento desses processos por parte desta magistrada. Assim, foi em decorrência da manifestação do MPF que a ilustre Corregedora estabeleceu prazo para julgamento das ações civis públicas para momento posterior à publicação das decisões definitivas das exceções.
Em dezembro de 2008, reportagem da Folha revelou que Nicolau, Estevão, Monteiro de Barros e Ferraz haviam entupido os tribunais com 112 recursos e várias manobras para procrastinar as ações e evitar o cumprimento das penas nos processos criminais.

Para os advogados dos réus do caso do TRT, trata-se do legítimo direito de defesa por meio de recursos legais consagrados na Constituição.

Para o MPF, trata-se de medidas protelatórias para impedir a realização da Justiça. (Da Folha).

Deu na Tribuna

Analista vê fortalecimento da oposição 
O jornalista, consultor político e professor titular  da Universidade de São Paulo (USP), Gaudêncio Torquato, fez uma análise sobre o novo cenário político do Rio Grande do Norte após o rompimento do vice-governador Robinson Faria (PSD). Potiguar, ele acompanha de longe, porém com assiduidade e precisão, a cena política do Rio Grande do Norte. Gaudêncio Torquato avaliou que a decisão da governadora de nomear para o núcleo central do Governo auxiliares advindos da época em que era Prefeita de Mossoró, pode gerar uma "mossorolização do Estado e causar certa indignação por parte dos natalenses". "Se ela centrar seu governo muito em cima da assessoria que vem desde a época de prefeita vai ser daqui a pouco carimbada como o estado central de Mossoró", destacou.
DivulgaçãoGaudêncio Torquato alerta para risco de mossorolizaçãoGaudêncio Torquato alerta para risco de mossorolização
Sobre o rompimento com o vice-governador, Torquato assinalou que  o Estado ganha, pelo menos do ponto de vista estratégico, com o fortalecimento de uma base oposicionista, segundo ele, praticamente inexistente até então. "Víamos um bloco mais ou menos homogêneo em torno da governadora e agora se forma um grupo na oposição que com vistas no futuro está mais forte", destacou ele.

O peso da nova oposição, de acordo com o professor, não está na força da ex-governadora Wilma de Faria e sim em torno do vice-governador Robinson Faria. Ele acredita que diante dos fatos revelados nos últimos dias pelos protagonistas da política potiguar, em médio e longo prazos se tenha condição para o fortalecimento de uma base oposicionista para o Governo. "Evidentemente que Robinson, com seu perfil mais jovem, tem condições sem dúvida de ganhar densidade no quadro estadual, vez que já foi presidente da Assembleia por três vezes e tem o apoio de um grupo de deputados e prefeitos, que ainda o acompanham", enfatizou.

A forma como se deu o rompimento do vice-governador com o sistema comandado por Rosalba Ciarlini, segundo Torquato, é mais um ponto em favor de Robinson Faria. Isso porque, explicou ele, a suposta humilhação sofrida, quando da negativa em renomeá-lo para a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, dá ao caso um ingrediente emotiva muito forte no processo. "Emocionalmente pode ter um plus. Eu acho que isso contribui para acirrar ainda mais os ânimos", complementou o professor da Usp.

Gaudêncio Torquato assinalou ainda que o vice-governador pertence a um partido considerado o "pêndulo" do cenário federal, uma vez que nasceu como partido independente. "Eu vejo o PSD como balança do Governo Federal e ninguém pode dispensar uma força dessas", destacou o professor. Ele disse que apesar dos indícios apontados, o quadro político futuro é imprevisível, sobretudo porque em política não se pode precisar cenários com tanta antecedência. Vai depender, atestou ele, de como anda a economia e de como a população analisará o atual governo. " Quem manda na política hoje é o bolso. O cidadão sente primeiro o bolso que alimenta o estômago. Se em 2014 a governadora Rosalba estiver muito bem, parabéns, ela vai ser reeleita. Se estiver capenga e não tiver conseguido cumprir as promessas de campanha sobrará para ela a derrota e quem está na oposição vai ganhar com isso", finalizou o professor.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O detalhe da qualidade

Walter Medeiros
waltermedeiros@supercabo.com.br

As Centrais do Cidadão, com este ou outros nomes que foram ganhando à  medida que se instalaram Brasil afora, aliaram a facilidade que criam  para quem tem problemas a resolver nos órgãos públicos que elas reúnem  a uma eficiência que veio do modelo de serviço diferente. São uma  espécie de serviço avançado, com capacidade de solucionar muitos dos  problemas vividos pela clientela. Para tanto, necessitam de excelente  estrutura; funcionários com qualificação destacada, e por isso mesmo  até melhor remunerados; e gerência exigente, para garantir o melhor  fluxo do serviço.

Poucas vezes precisei dos serviços das Centrais do Cidadão, mas sempre  observei e procurei acompanhar sua atuação, com extremo respeito  àqueles que fazem a linha de frente do serviço público. Ciente da  orientação do serviço, conforme divulgado ao público, vivo na torcida  para que aqueles servidores mantenham o padrão proposto, sem perder a  qualidade, que é um dos destaques mais importantes para a impressão  que a sociedade tem do serviço. Cada unidade é exemplo de atividade,  resultado e atendimento à clientela, diferente da imagem pejorativa  que fazem do serviço público, segundo a qual o servidor vai para a  repartição tomar cafezinho e conversar.

Sou servidor público, uma das coisas que mais gosto é cafezinho, mas  trabalho muito e faço jus aos meus proventos. Da mesma forma que a  grande maioria dos servidores, injustiçada por esta imagem distorcida,  principalmente aqueles das Centrais do Cidadão. Que estas brincadeiras  de mau gosto sejam correntes em meios humorísticos, até se entende e  sabemos que existem servidores que dão margem a esta situação. Mas  considero de uma infelicidade e grosseria imensa a afirmação do  governador Marconi Perilo, que disse no final de semana passado em  Natal que entregaria serviços públicos a organizações não  governamentais, porque, segundo ele, trabalho de servidor público não  rende. Acho que ele está mal encaminhado.

Mas o que pretendo mostrar mesmo é que o serviço da Central do Cidadão  precisa manter todo cuidado com o padrão, exercitando a todo momento o  que os administradores modernos em seus modismos absorveram e chamam  de check list, pois qualquer item que falte cria problemas. O fato é  que minha habilitação venceu e fui ao Detran na Central do Cidadão do  Via Direta. Renovada a Carteira, o atendente perguntou se eu queria  receber o documento em casa ou no posto do Correio que fica no mesmo  local. Optei por receber no Correio, Em 72 horas.

Tranquilo com a renovação da Carteira Nacional de Habilitação - CNH,  não tive tempo nem pressa para ir buscar, até porque sou daqueles que  têm seguro no veículo, mas não arriscam. Se a habilitação está  vencida, quem dirige é a mulher que, aliás, é portadora de uma  carteira “D”, com autorização para dirigir até ônibus e carreta. Isto  porque apesar de fazer décadas que não me envolvo em acidentes de  trânsito, tenho a impressão de que a Lei de Murphy funciona aí: se eu  dirigir sem a carteira, é quase certo que algo acontecerá.

Mas resolvi ir buscar o documento no Correio, conforme acertado.  Surpresa ao chegar ao local: a carteira foi enviada para o meu  endereço. E não foi por engano, pois optara por ir buscar no local. É  que se não for buscada em cinco dias, segue pelo correio. Como vimos, não foi isso que ficou acertado, nem me avisaram desse procedimento.  Por conta desse detalhe, que compromete a qualidade do serviço, dei a viagem perdida e desencontrei da carteira, pois enquanto fui buscar,  tentavam entregar o que eu não pedi.
*Jornalista

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mostra Cinema e Direitos Humanos chega a Natal

A sexta edição da Mostra circula pelas capitais brasileiras até dezembro com
temáticas em defesa dos Direitos Humanos

No mês de novembro o IFRN Cidade Alta será palco da pluralidade dos
Direitos Humanos e da acessibilidade. É que entre os dias 03 e 09 de
novembro, acontece no campus a 6ª edição da Mostra Cinema e Direitos
Humanos na América do Sul.

Um total de 46 filmes, incluindo títulos inéditos no país, estão na programação
da 6ª Mostra, que segue até 1º de dezembro, pela primeira vez, nas 27 capitais
brasileiras. O evento é dedicado a produções que abordam questões referentes
aos Direitos Humanos, produzidas recentemente nos países sul-americanos.
Na edição desse ano, há um destaque para filmes que abordam as temáticas
de defesa das crianças e adolescentes, idosos, cidadania LGBT (Lésbicas,
Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e saúde mental.

Todas as sessões têm entrada franca e ocorrem em locais com acessibilidade
para pessoas com deficiência. Sessões com sistema de audiodescrição e de
closed caption (voltadas a deficientes visuais e auditivos, respectivamente)
também ocorrem em todas as cidades da Mostra.

As obras mais votadas pelo público são contempladas com o Prêmio Exibição
TV Brasil nas categorias longa, média e curta-metragem. A programação tem
curadoria do cineasta e curador Francisco Cesar Filho.

A Mostra é uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência
da República, com produção da Cinemateca Brasileira/MinC e patrocínio da
Petrobras.

FILMES

A programação é organizada nas seções Contemporâneos, com a produção
recente sul-americana, Retrospectiva Histórica, dedicada ao tema Direito à
Memória e à Verdade, e Programas Especiais, incluindo obras de Carlos
Diegues, Laís Bodanzky e Walter Salles. No total, estão presentes produções
dos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador,
Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

PRÉ-ESTREIAS

· Quem se Importa, de Mara Mourão (Brasil)
· Céu Sem eternidade, de Eliane Caffé (Brasil)
· E A Terra Se Fez Verbo, de Érika Bauer (Brasil)
· TAVA – Paraguay Terra Adentro, de Lucas Keese, Lucía Martin e
Mariela Vilchez (Paraguai/Argentina)
· Quatro Litros por Tonel, de Belimar Román Rojas (Venezuela/Argentina)
· Ocupação, de Angus Gibson e Miguel Salazar (Colômbia)
· Pequenas Vozes, animação de Jairo Eduardo Carrillo e Óscar Andrade
(Colômbia) (Fonte: Assessoria de imprensa)