A capitã dos mares
Ontem tive uma das grandes alegrias da minha vida: minha neta começou a escrever sua primeira obra de ficção. Tem o título de "A capitã dos mares" e contará as aventuras de uma menina que comanda navio de piratas em busca de um tesouro a partir do mapa de um pirata holadês já morto. Detalhe: o mapa é "amaldiçoado" - imagine só..., o que confere maior intensidade à trama. E o título foi escrito em letras góticas.
Fiquei impressionado pelo seguinte: ela tem apenas 12 anos e jamais havia escrito algo assim. Estava em minha casa e perguntou-me como se faz uma história. Expliquei que o enredo básico é ter um personagem principal que tem um objetivo a alcançar, mas, entre ele e o objetivo há um opositor, qualquer que seja este. A luta para atingir o objetivo constitui toda a trama.
Ela disse: "Eu sei: mas o problema são os detalhes". Ou seja: as cenas, o quadro a quadro da ação romanesca. Para explicar, narrei uma suposta cena num porto. Dez minutos depois, minha surpresa: "Vovô, venha ver." Ela já havia composto o primeiro parágrafo, incluindo diálogos, aprofundando em muito a minha sugestão. Tivemos que parar em seguida, pois seu irmãozinho queria porque queria ver uns filmes de Mickey no Youtube.
Ficou-me, contudo, a maravilhosa impressão de ver minha neta escrevendo. Mais tarde vou ligar para ela, a fim de saber o que mais já produziu. Será que a capitã dos mares já embarcou em busca do tesouro? Estou certo que sim. E acompanharei de perto esse mundo de aventuras.