terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Cajueiro de Pirangi é notícia nacional. Na Folha:

Poda de maior cajueiro do mundo vira briga na Justiça no RN

LUCIANA RIBEIRO
DE SÃO PAULO
O cajueiro de Pirangi, conhecido como o maior do mundo, invadiu estradas do Rio Grande do Norte e virou motivo de ação judicial na cidade de Parnamirim (região metropolitana de Natal).
Com uma copa de quase 10 mil m2, a árvore invadiu uma faixa de cada sentido da RN-63 --o cajueiro fica no canteiro central da estrada. 

Um grupo de 12 moradores vizinhos ao cajueiro entrou na Justiça, em dezembro do ano passado, para que seja feita a poda. A vizinhança teme que a árvore avance em direção a suas casas, segundo o advogado dos autores da ação, José Wilson Gomes Neto. 

A Associação dos Moradores de Pirangi do Norte, responsável pela administração da árvore há dois anos, é contrária à poda. O presidente da associação, Francisco Cardoso, acredita que a poda possa matar o cajueiro.A planta está em época de floração, e o verão não é um momento indicado para o corte, segundo o diretor técnico do Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN), Leonardo Tinôco. De acordo com ele, o momento ideal para realizar a poda é após o mês de maio.

Douglas Cometti-25.abr.2010/Folhapress
Poda de maior cajueiro do mundo vira briga na Justiça na cidade de Parnamirim, no Rio Grande do Norte
Poda de maior cajueiro do mundo vira briga na Justiça na cidade de Parnamirim, no Rio Grande do Norte
 
CONSERVAÇÃO
Tinôco afirmou que não há nenhum registro oficial anterior de poda e que o Idema é favorável à desapropriação das casas vizinhas ao cajueiro para permitir que a árvore cresça livremente.
O diretor técnico disse ainda que, se dependesse do órgão, só seria permitido cortar 160 m2.
A árvore é uma unidade de conservação municipal, está localizada em terreno do Estado, mas é administrada pela associação. Os galhos do cajueiro de Pirangi crescem de forma anômala --transformam-se em raízes ao chegar no chão.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pequena história minha ou de como a UFRN vai vigiar fantasmas

A UFRN pede em documento aos professores com mais de 50 anos - eu tenho quase 60 -, uma série de exames de saúde. Louvável e proveitosa ideia visando preservar o que resta de vida a essa massa de indivíduos a quem a vida já muito atacou a golpes de muito trabalho, choques de estresse, horas e horas de leitura noturna, produção acadêmica sob pressão, ansiedade, cansaço e que tais. Todavia, algo chamou-me  a atenção. 
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Mais que a atenção do homem comum, a atenção do repórter foi desperta. Explico: nada tenho contra quem chamei de "homem comum". Não há desdouro em essa assertiva. O que quero dizer é que o repórter, - jornalismo é sina, é fado, se nasce jornalista e tipógrafo - é um sujeito desconfiado. 

Com o tempo a desconfiança passa à personalidade e aí o sujeito está perdido: sente-se na obrigação de estar atento a tudo. Não é por acaso que existem jornalistas investigativos. Quanto ao homem comum, não. Vê uma coisa estranha, desvia e vai embora. O repórter vê a mesma coisa e... vai atrás dela. Ai o pulo do gato, a grandeza e a perdição do jornalismo.

Pois bem: dentre as determinações do documento em que sou chamado - intimado?- a fazer os tais exames há algo que chamou-me o faro: diz assim: "Os resultados dos seus exames, juntamente com sua ficha de Exame Médico Ocupacional - EMO - veja a sigla: EMO. EMO, EMO, EMO. Deve ser coisa de grande doutoriça - e uma via do ASO - outra sigla de grande prestígio esotérico-burocrático - serão mantidos em sigilo por um período mínimo de 60 anos, de acordo com a legislação vigente."

Quando li isso meus olhos saltaram das órbitas. Um período mínimo de 60 anos? Olhei para um lado, virei-me para o outro. Senti-me como personagem de 1984: o Grande Irmão quer me pegar, pensei. O que a Universidade quer com um documento retido por no mínimo 60 anos? Querem saber da minha saúde para o meu bem ou querem me vigiar? Daqui a 60 anos terei quase 120 anos e serei um velhinho absolutamente inofensivo, salvo se ainda tiver forças para falar. 

Em seguida, pensei: e se de repente as mentes burocráticas acharem 60 anos pouco e ampliarem esse prazo para 200 anos? E depois para seiscentos? Que tal mil anos? Já pensou, mil anos de investigações sobre a saúde do sujeito? E se daqui pra la eu morrer e não tiver o direito de morrer porque os documentos encontram-se sob apreciação pelas lentes de médicos especializadíssimos em descobrir doenças as mais disparatadas? 

Serei preso depois de morto? Haverá algum departamento para atender a reivindicações de fantasmas pedindo que se os libere para o descanso final? Irei para o Inferno? Terei pelo menos o direito de ir para o Inferno? E se a Universidade mandar correspondência ao Cão dizendo para não me aceitar porque posso contaminar alguém com jornalistite? Dante me receberá? Será meu advogado no Hades? O que farei, já que tal retenção documental me insinua algo como uma Santa Inquisição Universitária guardando provas não-sei-de-quê contra mim? 

Não sei, meu Deus! Não sei! Não sei! Não sei! Quisera ser ator shakespeariano para dar grande essência dramática ao meu imenso desespero, como na cena célebre da caveira: To be or not to be! 

Vou tentar me acalmar. 

Pronto, passou. Agora, mais calmo, posso assegurar que não sou um indivíduo contagioso salvo pelas palavras que digo em sala de aula. Mesmo assim vou atender às determinações. Especialmente porque, olhando assim meio de lado, parece que vi um sujeito me observando do lado de fora. Sim, tenho certeza. Está me observando. Vejo até o binóculo. Vou já fazer os exames. O Grande Irmão zela por mim.

Simon & Garfunkel Sound Of Silence Legendado

O pecado de ser comunista e uma parábola quanto a esse mal

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E aí, Frei Damião disse: "Quereis o comunismo?"
E o povo respondeu bem alto: "Quereis!"
Emanoel Barreto

Corria o ano da graça de 1978 quando fui pautado para entrevistar a venerável figura de Frei Damião, o santo do sertão, amado do povo, protegido de Deus e de Nossa Senhora. Vindo da distante cidade de Bozzano, Itália, para cuidar do rebanho de sertanejos, preservar a fé e encaminhar as almas todas para o Céu.

Fui à cidade de Ceará Mirim, pouco mais de 30 minutos de Natal, onde ele se encontrava. Encontrei-o na igreja matriz. Abençoado templo povoado por imagens de santos e de anjos, querubins e serafins. A pequena e cândida figura atendia em confissão a enorme fila de mulheres cobertas por véus e envoltas em doce auréola de rezadeiras, como só as existem no Nordeste. Mulheres suadas de fé.

E eu fiquei olhando para elas. Atentei para suas bocas que fervilhavam baixinho rezas velhas, mistérios sussurrados em uma língua estranha que jamais consegui apreender desde quando, ainda menino, olhava minhas tias fervorosas diante de uma vela e de uma imagem de Nossa Senhora. Deviam ser coisas muito altas, evoladas da inefável religião dos bons, áugúrios de uma vida melhor depois da morte, quem sabe o repouso calmo no regaço da Virgem.

Preste atenção na boca de uma velha rezadeira: é ali que mora a alma, tenho certeza. A minha mente de repórter, todavia, estava preocupada com algo mais urgente e menos devoto: o tempo. Eu tinha hora para voltar à Tribuna do Norte e fazer o meu texto.

Com alguma insistência junto a um auxiliar do beato consegui parar a confissão e ele me atendeu. Confesso, sem trocadilho algum, que nem mesmo sei o que perguntei. Mas, o que mais valia era relatar o encontro dulcíssimo do pastor com o seu rebanho, captar o ambiente angélico, a doçura do olhar do Frei, seus conselhos e penitências passadas àquelas pessoas sacras e pias.

Saí, confesso novamente, com a alma cheia de alguma candura - certamente meu coração de repórter feio e mau tocado pelos instantes miríficos. Assim, de volta à Redação, encontro com outra figura humana portentosa: Dorian Jorge Freire, diretor de Redação. Católico, minúsculo de tamanho mas enorme em sabedoria e humanismo.

Terminado o meu texto, Dorian, que também tinha grande espírito de humor, contou-me o seguinte: Certa vez, Barreto, Frei Damião estava com suas missões pelos sertões distantes. Fazia sua costumeira pregação contra o pecado, a devassidão e o adultério. Defendia o sacramento do matrimônio e dizia que, sem ser casado, o casal era "como o cachorro e a cachorra, o touro e a vaca." . Advertia também a todos contra o perigo do comunismo vermelho e ateu.

E dizia: "O comunismo é pecado grande, pecado mortal. O comunismo é a besta-fera que vem para desafiar o Evangelho. O comunismo é o perigo até mesmo para as mocinhas." O povo olhava e ouvia tudo, pasmo, temeroso, pronto para fugir, caso o comunismo chegasse a qualquer instante.

Parecia até que o comunismo estava por ali, pronto para desferir seu bote. Afinal, Frei Damião fez sua última invectica contra o comunismo periculoso e bradou ao povo sertanejo, como se fora um novo Conselheiro: "E então, quereis o comunismo?, e o contrito povo, procissão desvelada e crente, respondeu piedosamente, em coro monumental "Quereis!"

Face Face Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces

Julio Cortázar
Notas do bestiário

O nosso tsunami é de lama e jorra dos gabinetes

Foto: Wilton Júnior/AE
O nosso tsunami não vem do mar, das profundezas daquilo que os gregos chamavam talassa, o mar abissal, enigma da vida, força elemental a atrair do homem a atenção, o medo a inquirição filósofa. Nosso tsunami vem da terra alta e cai sobre nós também como mar. Mas mar de lama em sua manifestação mais material e exata e mar de lama em sua formulação metafórico-política: incúria, lassidão gestora, desapego à responsabilidade, perplexidade de última hora encenada para o espetáculo midiático: agora serão despejados tantos milhões para ajudar aos flagelados, oh my God!. Depois, finda a última manchete, esse ser que vive tão-somente, se muito, 24 horas, chega o paulatino esquecimento, a naturalização da tragédia como coisa consumada, as famílias buscando cada uma às suas próprias custas, reconstruir seus destroços e cultuar a memória dos seus trágicos fantasmas. Nosso tsunami não é natural, pelo menos não completamente. Nosso tsunami também jorra dos gabinetes, é um crime de lesa-sociedade; mas de uma sociedade que tem em si grande parcela de culpa, pela ocupação iconsequente do solo, pela apropriação indébita e louca dos espaços à natureza, pelo avanço desenfreado de transformar terra em terreno, coisa a ser vendida, lucro encharcado, charco negocial. Tudo isso sem que se perceba ou se tenha preocupação com o desequilíbrio ecológico, o desmonte de biomas, o delicado convívio entre espécies e meio-ambiente. O homem como ser aterrador do seu próprio chão. A tragédia do Rio passará, como passaram muitas outras. Autoridades competentes darão declarações e tudo voltará a dantes. Até que volte nova e poderosa chuva e leve tudo, outra vez, aos abismos do nosso tsunami de lama. Um tsunami bem brasileiro.

Simulacro e manipulação
Leio na Folha matéria com o título "Áudio da produção vaza duas vezes antes de festa do "BBB11". Logo a seguir a explicação de Boninho, o cérebro maculoso que dirige a tramoia: o vazamento de diálogos se dá
"atendendo a pedidos, às vezes vamos deixar vazar o áudio! Por que não? É mais diversão pro PPV e aí todo mundo fica sabendo como funciona!". O PPV é pay per view, o grupo de tolos que paga para ser achincalhado, assistindo ao BBB. O vazamento de áudio em TV resulta de falha humana: algum técnico esquece de desligar um microfone e conversa que deveria ficar em privado cai em domínio público. Assim, nada melhor que simular a falha, a fim de esquentar a audiência. O telespectador/voyeur tem a impressão de que penetrou em ambiente fechado, ingressou no serralho das mulheres do sultão e as viu em todo o seu esplendor e nudez vetados aos olhos dos comuns. Esse trabalho de manipulação, essa falsificação da realidade do BBB, que em si já é uma realidade falsificada, é mais um produto maléfico da indústria da comunicação, embrutecendo as pessoas e as domesticando ao interesse de um sistema que tem por origem e fim o lucro. Às favas com aquela coisa velha e indesejável chamada dignidade humana.

Forame oval por via percutânea com prótese de amplatzer
A esotérica formulação que intitula esta nota encontrei na Tribuna do Norte, em matéria informando sobre a operação que a prefeita Micarla de Sousa sofreu em São Paulo. Graças a Deus isso que você leu não quer dizer que Micarla passa mal. Ao contrário, recupera-se satisfatoriamente. A respeito, diz a matéria:
Micarla, o marido Miguel Weber e a mãe, Dona Miriam
A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, internada desde o último dia 11 de janeiro, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde submeteu-se, no dia 13, a procedimento de fechamento de forame oval por via percutânea com prótese de amplatzer, recebeu alta no domingo (16). No entanto, a prefeita ainda não retornará a Natal.  Por orientação da equipe médica que a acompanha, coordenada pelo Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, Micarla deverá permanecer em São Paulo nos próximos dias, para acompanhamento médico.
Bom, voltando ao forame oval por via percutânea com prótese de amplatzer, como sou um jornalista velho, superado  e de tais tratados não entendo, suponho deve ser parte do vasto vocabulário de algum repórter científico, sabido que só ele, e portanto dominador de coisas altas e percucientes, que a minha pobre formação não alcança. Todavia, lembro que, quando era estudante, meus professores ensinavam que em casos que tais o repórter deve pedir explicação ao especialista - médico, engenheiro, filósofo, jurista, físico, químico ou inspetor de quarteirão - e repassar ao leitor de forma clara, sem o uso da linguagem hermética. Mas, como os tempos mudaram, vou estudar mais um pouco, quem sabe em alfarrábios, e encontrar o sentido de tão magnificente expressão. Mas, que impressiona, impressiona...

A volta da assombração
Vejo na Folha: Ex-líder do Haiti Baby Doc volta ao país após 25 anos de exílio. Baby Doc, aliás
Jean-Claude Duvalier, cria do velho, cruel e feiticeiro Papa Doc, aliás François Duvalier, só pode ser para assombrar seu pobre, aliás miserável povo, depois de tudo que ele e sua grei familiar fizeram por lá e após o terremoto que literalmente destruiu a nação, pior, o povo, as pessoas, as gentes. Talvez assessorado por uma turba de zumbis queira encontrar o caminho das pedras que o leve ao palácio presidencial, aliás mais uma vez, tombado pelo tremor horrendo que varreu toda a ilha.


E pro Walfredo, nada?
A governadora Rosalba Ciarlini mantém sob fogo cerrado a administração passada, expondo o desastre que herdou. Certíssima ela está. É preciso transparência, buscar erros, mostrar desníveis entre o que o governo passado prometeu e o que realmente fez. Na TV, o Rio Grande do Norte era uma maravilha. Rosalba está mostrando que não era bem assim. Agora, uma pergunta: o que a atual administração está fazendo, por exemplo, com relação ao Walfredo Gurgel? Se a coisa estava tão ruim, seria ótimo demonstrar competência dando um jeito no maior hospital público do Estado. Até porque ali se tratam casos de urgência e emergência...

Eminentes bandidos 
O deputado Paulo Maluf, o juiz Nicolau dos Santos Neto, Juiz Lalau e o conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo Robson Marinho estão com fortunas de origem ilícita retidas pelas autoridades da Suíça. Ali, suspeita de uso de recursos públicos, seu desvio ou sonegação de imposto de renda têm caminho certo: esse dinheiro fica retito até decisão judicial. Maluf tem a bagatela de 446 milhões, Lalau sete milhões e Marinho quantia não informada. Aqui todos são autoridades, lá eminentes bandidos.

Muy amigos
Corre nas coisas de jornal da internet que o procurador geral de Justiça Manoel Onofre Neto considera bastante sólidos os indícios de negociata entre o deputado Gilson Moura e seu suplente o Sargento Siqueira. Todo mundo se lembra da "renúncia" de Moura, finalzinho do mandato, para dar a Siqueira o lugar de deputado a fim de que este ganhasse foro privilegiado na ação que responde por corrupção quando era vereador. Onofre afirma que as negociações envolveram votos, cargo e dinheiro. Agora, quer a quebra dos sigilos bancário e telefônico da dupla. Agora, uma coisa não entendo: por que esses processos correm em "segredo de justiça"? Se é coisa de interesse público deveria ser às claras.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Conselhos úteis para você entrar na banda podre

Para ter acesso à banda larga governos estão anunciando programas e projetos. Como é coisa de burocracia e de tais sabenças não entendo, mas tenho curiosidade de desvendar os mistérios de outra banda, a banda podre, entrevistei um corrupto aposentado, de férias em Natal. Não sabia? Pois saiba que tem corrupto aposentado, tem sim. Esse, vive no Tahiti e fica em Natal mais umas duas semanas. Pois bem: depois de puxar um fumaceiro enorme em seu cubano legítimo, ditou:

Para ingressar na banda pobre siga os seguintes passos:

1 - Pode começar como líder comunitário.
2 - Depois, filie-se a um partido. Qualquer partido.
3 - Candidate-se. Pode ser até mesmo a vereador.
3 - Eleja-se a qualquer preço. Literalmente.
4 - Tenha jogo de cintura e vá fazendo o jogo. Uma propina aqui, uns 20% ali e assim por diante.
5 - Aumente o patrimônio, ajude os amigos e os familiares. Faça mais negociatas.
6 - Na eleição seguinte deputado, depois deputado federal, senador, governador. Se der, presidente da República.
7 - Refaça o caminho se sofrer algum revés. 
8 - Acima de tudo não tenha vergonha de uma derrota política. Jamais tenha vergonha de recomeçar. Jamais tenha vergonha de nada. Vergonha é coisa que não existe em nosso vocabulário. 
9  - Se sofrer acusações, processos, até mesmo pena de prisão não tema: você jamais será pego. Jamais.
10 - Lembre-se que a Justiça é cega. Como tal, é deficiente visual o que não deixa de ser uma deficiência física. E todo deficiente deve ser protegido.
11 - Como legislador você criará leis que protejam a Justiça Cega e ela lhe ficará muito grata.
12 -  Torne-se o campeão dos deficientes e inclua tecnicamente, entre as deficiências, as deficiências morais. Assim terá blindado seus próprios comportamentos criminosos. 
13 - Então, quando vierem prendê-lo, alegue deficiência moral, lembrando que é ato de lesa humanidade explorar ou encarcerar um deficiente. Desta forma estará livre e jamais, jamais como eu disse, será pego.
14 - Foi procedendo neste caminho que progredi em toda a minha vida e afinal, cansado de tanto roubar, pois também sou um deficiente de preguiça, requeri aposentadoria especial com lucros de 200% sobre tudo o que já afanei da sociedade. A aposentadoria foi concedida imediatamente.

Hoje, encontro-me confortavelmente instalado no Tahiti, passo férias jamaicanas e, para descansar, vou sempre às ilhas Fiji, onde me finjo de um bom velhinho, amparado por algumas sobrinhas que contratei a peso de ouro. 

Se você tem talento, engenho e arte para a corrupção tem todo o meu apoio. Bem-vindo à banda podre.

PS: E nada mais me disse nem lhe foi perguntado.

Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces

Bela Lugosi

...................................Preciosidades do Henfil................................

Felipe Dana - 15.jan.201/AP

Um dominó trágico desceu na noite de relâmpagos. E as águas do céu se abateram sobre a terra e o homem.

Uma avalancha se arremeteu ladeira abaixo com invasão e ímpeto de fúria elemental e houve choro e ranger de coisas que se despedaçavam. 

Era a engenharia reversa da natureza, matando. 

A queda estrondosa de rochas brutas abalou corações que dormiam - e de repente todos se viram mortos por pedras e montanhas que se despencavam com fragor. 

Um vesúvio frio e implacável dominou tudo. E dessa tormenta o que restou foram as manchetes.

.............................Preciosidades do Henfil------------------------

Vejo na Folha:

Varejo de "amostra grátis" quer se expandir no Nordeste

MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO
As chamadas "lojas de amostra grátis" ainda são novidade na capital paulista. Apesar disso, já têm planos de expansão pelo país.
As empresas, que têm cerca de seis meses em São Paulo e por volta de 70 mil associados, miram o Nordeste. O motivo: as indústrias que expõem nessas lojas querem cada vez mais saber como os consumidores da região avaliam os produtos. 

No modelo de negócio, o cliente visita a loja e escolhe o que quer levar para casa, com um limite preestabelecido. Há desde alimentos a cosméticos e vestuário.
Em troca, tem de responder a questionário com pontos que interessam à indústria, além de pagar taxa de anuidade (de R$ 25 a R$ 50). 

"É a opinião dos consumidores que interessa às empresas. Trata-se de uma pesquisa imparcial, em que o cliente escolhe o produto e se propõe a dar sua avaliação", diz Luiz Kajibata Gaeta, sócio-proprietário do Clube Amostra Grátis, que abriu uma loja na Vila Madalena em maio e conta com 17 mil associados.
Segundo ele, as empresas já demonstram interesse em colher informações de outros mercados, especialmente do Nordeste. "Diante dessa demanda, estamos nos organizando e já planejamos abrir uma unidade em Recife no primeiro semestre de 2011." 

A Sample Central -que inaugurou a sua primeira unidade em junho na região da avenida Paulista e tem 53 mil cadastros- também pretende abrir uma unidade na região no próximo ano.
A região Sul é vista como outra opção. "Estamos fazendo um levantamento com a indústria e sentimos o Nordeste como forte potencial", afirma João Pedro Borges, gerente-geral e sócio da loja.
Segundo o IBGE, o Nordeste é a região que mais aumentou sua participação no PIB (Produto Interno Bruto) entre 2004 e 2008. Além disso, ultrapassou pela primeira vez o Centro-Oeste no financiamento ao consumo, ficando atrás apenas do Sudeste e do Sul, de acordo com informações de setembro deste ano do Banco Central. 

FORMATO INOVADOR
A gerente de marketing da Sadia, Patrícia Cattaruzzi, vê o conceito da loja como um "formato inovador". A empresa já expôs dois lançamentos na Sample Central e, para a gerente, foi uma experiência positiva. 

"Com essa ferramenta, é possível ter um termômetro do que seria o lançamento, ao percebermos quantas pessoas o escolhem na loja, e ainda trabalhar questões específicas pelos questionários que os clientes respondem."
As lojas de amostra grátis têm a maior parte de seu faturamento justamente das pesquisas, que são pagas pela indústria.
O blog Noticiaemverso envia e publico o poema abaixo. Creio que o autor,cujo nome ainda não descobri, está inaugurando uma forma de literatura de cordel, o netcordel. Segue, abaixo:

A chuva ainda não deu trégua, o sol não raiou
As pessoas ainda juntam os cacos do que restou
É preciso força para retomar a vida, o mundo
Depois de se perder quase tudo num segundo

Tragédia natural não é exclusividade, é verdade...
Por que, então, sofremos mais com as tempestades?
Deus é brasileiro, não temos terremotos nem furacão
Mas pecamos no planejamento, vontade e organização

Portugal passou por suplício como o que se apresenta
Em falecimentos, só 10% daqui: pouco mais de quarenta
Na terra que zombamos ter pouca inteligência
Governos dão de goleada quando há urgência

A Austrália, do outro lado, foi ainda mais exemplar
Como mostrou, na TV, um brasileiro que lá foi morar
Eles monitoram o nível dos rios com grande precisão
Por carta, avisaram todos com 24 horas de antecipação

Mas aqui o relevo é outro, uns dirão
Por si só não justifica, não é explicação
Populismo, impregnado, responde por esse mal
Ah, se nossa inteligência fosse a de Portugal...

(http://noticiaemverso.blogspot.com)
Twitter: @noticiaemverso

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces

Isadora Duncan
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Tema de Golden Arm Man

Amy Winehouse - Back To Black - Aqui, uma grande intérprete

 Leio no Jornal da Tarde:

Astrônomo propõe mais um signo no zodíaco

A chegada de um novo signo do zodíaco é a tese defendida pelo astrônomo Parke Kunkle. Em entrevista à rede NBC, ele afirmou que a mudança no alinhamento da terra deveria incorporar ao calendário o signo Ophiuchus Serpentário. Com isso, teríamos 13 signos e não mais 12 como acontece atualmente.
De acordo com o astrônomo, Ophiuchus é um signo que já existe em algumas versões do zodíaco e que há uma constelação com esse nome.

Kinkle afirma ainda que a mudança não aconteceu da noite para o dia e que ela aconteceu por causa da movimentação da Terra e do Sol.

A astróloga Titi Vidal afirma “nada mudou” no calendário do zodíaco. “A atrologia que se usa no ocidente é feita com base na divisão do céu em 12 fatias iguais de 30 graus para determinar cada signo. Esta nova proposta é feita com base na constelação, método diferente para calcular o signo”, explica.
Segundo ela, as pessoas podem continuar seguindo o calendário atual, que tem mais de 5 mil anos. “Continua tudo igual”.

Confira abaixo os calendários
Tabela para quem nasceu antes de 2009
Aquário – 21/1 – 18/2
Peixes – 19/2 – 20/3
Áries – 21/3 – 20/4
Touro – 21/4 – 21/5
Gêmeos – 22/5 – 21/6
Câncer – 22/6 – 22/7
Leão – 23/7 – 23/8
Virgem – 24/8 – 22/9
Libra – 23/9 – 23/10
Escorpião – 24/10 – 22/11
Sagitário – 23/11 – 21/12
Capricórnio – 22/12 – 20/1
Nova tabela proposta para quem nasceu depois de 2009
Capricórnio: 20/01 – 16/02
Aquário: 16/02 - 16/03
Peixes: 11/03 – 15/04
Aries: 18/04 - 13/05
Touro: 13/05 – 21/06
Gêmeos: 21/06 – 20 /07
Câncer: 20/07 - 10/08
Leão: 10/08 - 16/09
Virgem: 16/09 - 30/10
Libra: 30/10 -  23/11
Escorpião: 23/11 - 29/11
Ophiucus/Serpentário: 29/11 – 17/12
Sagitário: de 17 de Dezembro a 20 de Janeiro

Amy Winehouse cantou bêbada e caiu durante seu show em Recife

 Recebo e divulgo o Livro Crônica dos Senhores do Castelo. Contatos: http://www.senhoresdecastelo.com.br/
 
Uma missão, dois Senhores de Castelo e incontáveis perigos. A batalha pelo Multiverso começa agora!
 
Em um passado longínquo, um conflito épico foi travado em todo o Multiverso. Para garantir o futuro e o equilíbrio de todos os reinos, um grupo de combate especial, chamado Senhores de Castelo, foi criado. Depois de anos de guerras devastadoras, os Senhores de Castelo conquistaram a vitória e por mais de três milênios zelaram pela harmonia e pela prosperidade nos quatro quadrantes do Multiverso.

 
Mas a paz fica ameaçada quando a princesa guerreira Laryssa e seu companheiro androide tentam reativar a magia ancestral do Globo Negro, um artefato de grande poder.

 
Em meio a perseguições por seres grotescos e por um temível feiticeiro, o caminho da princesa cruza com o de dois poderosos Senhores de Castelo – Thagir, um pistoleiro com braceletes mágicos, e Kullat, um cavaleiro que manipula energia. Tem início então uma eletrizante jornada, em que habilidades de guerra, magia e tecnologia decidirão o destino de todo um planeta.
O poder verdadeiro é o primeiro livro da saga dos Senhores de Castelo

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Brasil - Cazuza

Natureza em fúria: foi um rio que passou em muitas vidas

A tormenta, ou melhor, o tormento que desabou na região serrana do Rio não pode ser creditada à natureza. Pelo menos não unicamente. Centenas de anos de descaso político, o que inclui todos, eu disse todos os governos, terminaram no que vimos.

Foto: Marcos de Paula/AE

A lamentável classe política brasileira  - não é uma classe, claro, mas vamos chama-la assim - somente vê no povo um depósito de votos que de dois em dois anos é aberto para fortuna - no sentido maquiaveliano do termo - de alguns. Vejo no Estadão a matéria a seguir, onde especialista fala sobre, e deplora, esse acontecimento no Rio de Janeiro.

''Brasil não é Bangladesh. Não tem desculpa''



Marcos de Paula/AE

"O Brasil não é Bangladesh e não tem nenhuma desculpa para permitir, no século 21, que pessoas morram em deslizamentos de terras causados por chuva." O alerta foi feito pela consultora externa da ONU e diretora do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, Debarati Guha-Sapir. Conhecida como uma das maiores especialistas no mundo em desastres naturais e estratégias para dar respostas a crises, Debarati falou ao Estado e lançou duras críticas ao Brasil. Para ela, só um fator mata depois da chuva: "descaso político."

Como a senhora avalia o drama vivido no Brasil?
Não sei se os brasileiros já fizeram a conta, mas o País já viveu 37 enchentes, em apenas dez anos. É um número enorme e mostra que os problemas das chuvas estão se tornando cada vez mais frequentes no País.

O que vemos com o alto número de mortos é um resultado direto de fenômenos naturais?
Não, de forma alguma. As chuvas são fenômenos naturais. Mas essas pessoas morreram, porque não têm peso político algum e não há vontade política para resolver seus dramas, que se repetem ano após ano.


Custa caro se preparar?
Não. O Brasil é um país que já sabe que tem esse problema de forma recorrente. Portanto, não há desculpa para não se preparar ou se dizer surpreendido pela chuva. Além disso, o Brasil é um país que tem dinheiro, pelo menos para o que quer.

E como se preparar então?
Enchentes ocorrem sempre nos mesmo lugares, portanto, não são surpresas. O problema é que, se nada é feito, elas aparentemente só ficam mais violentas. A segunda grande vantagem de um país que apenas enfrenta enchentes é que a tecnologia para lidar com isso e para preparar áreas é barata e está disponível. O Brasil praticamente só tem um problema natural e não consegue lidar com ele. Imagine se tivesse terremoto, vulcão, furacões...


Titãs- Vossa Excelencia - Entendo nessa composição um resumo da tragédia brasileira. Que grita no horrendo rio que passou na vida de muita gente, os mortos e aquelas que vão lembrar dos mortos

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Abrahan Lincoln

Ó aí, ó: tem mulher boa no pedaço! Ou: veja as coxas das minhas empregadas

Newton Santos/Hype/Folhapress

O uso do corpo da mulher como produto, ou parte de um produto o que é bem pior, já que a pessoa, o indivíduo, passa a ser prótese da marca, uma peça descartável, levou o bar Hooters, em São Paulo, a expor graçonetes em trajes atrativos à clientela masculina, como leio em matéria da Folha, abaixo transcrita.

O master franqueado - nome boniiiito, né? -, Marcel Golmieh tem a desfaçatez de dizer, veja só, que as jovens são treinadas para transformar "galanteios - a velha e sórdida cantada - em vendas". Como se isso protegesse a dignidade dessas trabalhadoras. Ao invés, expõe o cerne maculoso e imoral da empreitada comercial. Leia a matéria, veja as fotos. Ah, uma pergunta: porque ele não levou suas filhas ou irmãs, tias ou a mãe para cumprir com esse papel?

Garçonetes de shortinhos ofuscam cardápio de novo bar


Rafael Balsemão
O Hooters, aberto em novembro passado na Vila Olímpia, se autodenomina um restaurante, com um cardápio que lembra casas como Outback e Applebee's. O grande diferencial do local, entretanto, são as garçonetes, mundialmente conhecidas como garotas Hooters. São elas que dão a cara de bar ao espaço, além dos 25 televisores de plasma de 42 polegadas espalhados pelos ambientes. 


Newton Santos/Hype/Folhapress
Bar Hooters, franquia de uma rede tradicional americana, chama a atenção pelas garçonetes de shortinhos
Bar Hooters, franquia de uma rede tradicional americana, chama a atenção pelas garçonetes de shortinhos

Impossível não notar as moçoilas, em seus minúsculos shortinhos laranjas que lembram os trajes de uma dançarina de axé. Para afastar as frequentes cantadas --e os velhos babões--, as meninas recebem "treinamento bastante rigoroso", como explica Marcel Golmieh, que tem o cargo de "máster franqueado" do Hooters no Brasil: "Elas têm que decorar uma cartilha confidencial com 12 passos." É no livreto que está o segredo para transformar os galanteios em vendas. 

Entre os pratos, além das famosas "chicken wings" (asas de frango, R$ 25, com dez unidades), as "onion rings" (anéis de cebola empanados, R$ 18) podem abrir a refeição, acompanhadas de chope Devassa (R$ 6,90, 355 ml). Vale ainda experimentar o "mushroom swiss burger" (R$ 25), com cogumelos salteados, e o "gourmet hot dog" (R$ 23), com molho de cheddar e pimenta.
A beleza está nos olhos de quem vê

Na Folha: esgoto com resíduo de fertilizante despejado em Geismar, no Estado de Louisiana (EUA). A imagem integra livro "The day after tomorrow: Images of our earth in crisis" (Foto: J. Henry Fair)

Linda imagem: enigmática, desafiante. Quem sabe, uma manifestação inovadora de natureza morta. Abaixo, veja o que é essa imagem.

É realmente natureza morta. Diz a Folha, na legenda da foto: lixo tóxico despejado em Convent, no Estado de Louisiana (EUA); material é o resíduo da produção de fertilizantes (Foto: J. Henry Fair)
Memórias póstumas de Sônia Braga ou essas recordações me matam

A atriz Sônia Braga declinou de papel que faria na minissérie "Lara com Z", na Globo. Li nas coisas de jornal que circulam na internet que o motivo fora a cobrança, por parte dela, de "cachê internacional". Explicando: a ex mulher-mais-sexy-do-Brasil teria tido a petulância de cobrar cachê alto demais para quem já não é mais tão bela. 

Ou seja: Sônia Braga não é mais "Sônia Braga", o padrão, o ser estético-erótico que encarnava quando no papel de "Gabriela". Lembra de Gabriela? Pois bem, a Globo comparou Sônia com Sônia-Gabriela e viu que o fantasma tem maior valor. Mas, como fantasmas não atuam em produções globais...

Sônia-Gabriela passou porque o tempo passa e o tempo não para. E o suporte material  da atriz, seu artefato corporal, ingressou em outras idades e vieram as naturais transformações do corpo-objeto.

Isso faz com que ela passe a ser comparada a si mesma e nessa luta Sônia sai perdendo. Tornada  pelo show business protagonista e antagonista ao mesmo tempo duas mulheres se digladiando num mesmo dispositivo, o corpo envelhecedor é enxotado frente ao corpo fêmeo belo, e o passado leva vantagem; já não se quer mais pagar ao corpo presente aquilo que se pagaria ao corpo passado. E a bela é transformada em fera decadente, assombrada pelo espectro de si mesma. Suas recordações são sua morte.

 Na matéria que li, ela faz alusão a algo como respeito próprio, atenção ao que é em si, competência dramática, algo assim, para não aceitar a contraproposta da emissora. Tem razão. O problema é que, quando jovem, imergiu, como muitas, na ilusória realidade de considerar-se como sendo jovem, quando apenas estava jovem.Vera Fischer, que não tem um milionésimo do talento de La Braga, que o diga. Há quanto tempo não a vê brilhando nas novelas da Globo? Nem verá mais, pessoa, nem verá mais. O sarcófago do show business é implavável.

Sônia Braga colou a si a imagem do mulherão, apenas o mulherão, corpo a ser vendido, visto e analisado apenas enquanto mulherão. Desumanizou-se e passou a fetiche de si mesma, objeto da indústria cultural. 

Agora, certamente reivindicando espaço pelo talento, talento que sem dúvida tem, faz-se a comparação da pessoa com o objeto. E como o objeto não está mais presente, torna-se a pessoa um zumbi à procura de vida própria - mas a vida já passou. Sem dúvida já habita a carcaça de outra beleza, que na sequência virá a ser desprezada. Sônia Braga tornou-se um exercício de memórias póstumas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

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Coco Chanel
 Assange sob risco de pena de morte nos EUA

Informa o Estadão: LONDRES - Os advogados de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, disseram que seu cliente corre "sério risco" de ser condenado à morte ou de se tornar um prisioneiro em Guantánamo caso seja extraditado para a Suécia, onde é acusado de delitos sexuais, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian.
Os representantes legais de Assange, apresentando um resumo de como defenderão o australiano no caso da extradição, argumentam que é provável que os EUA tentem sua extradição assim que ele for enviado à Suécia. Sob custódia dos americanos, Assange "correria sério risco de ser detido em Guantánamo ou algum outro lugar".

Assange, junto de seus advogados, dá entrevista após audiência em Londres

O temor pela extradição e possibilidade de execução de Assange nos EUA mostra o quanto naquele país se respeita a liberdade de expressão, constitucionalmente garantida.

As revelações do WikiLeaks a respeito de conversas de autoridades americanas sobre aliados, altamente pejorativas, causaram fúria nos ambientes diplomáticos do país do Norte, bem como junto ao governo Obama e segmentos extremistas do país.
A denúncia de como procede a diplomacia americana, ou seja, o trazer-se a público coisas que a alta hierarquia supunha secretas foi, em essência, o motivo para a perseguição a Assange. Ficou claro que não é impossível chegar-se, com competência jornalística, à obtenção de documentos que registram as declarações.

O que fica mais claro, todavia, é a questão da liberdade de expressão e de informação. Os Estados Unidos são um país de paradoxos: querem impedir que outros países detenham tecnologia que permita a fabricação de artefatos nucleares, quando são o país que mais os tem; dizem defender a democracia, no entanto patrocinaram golpes de Estado que abalaram, exatamente, a democracia em outros países; criticam os extremistas islâmicos e seus atos insanos como o atentado às Torrres Gêmeas, mas lançaram bombas atômicas sobre o Japão; se dizem defensores da igualdade racial mas tinham, à sua maneira, um apartheid contra o qual se insurgiu, e foi morto, Martin Luther King. 

Será preciso muito bom senso das autoridades europeias a quem o caso WikiLeaks está entregue a fim de que a farsa de defesa da democracia não redunde numa prisão injusta e, quem sabe, de consequências desastrosas, calando uma voz que apenas exercia o direito de informar.

 Da Folha:

Sem-teto locutor que virou fenômeno na web vai parar na delegacia de Hollywood 

DE SÃO PAULO
DA ASSOCIATED PRESS, EM LOS ANGELES
Um sem-teto que virou notícias após sua voz de veludo conquistar a internet e os EUA quase acabou entrando nas páginas policiais.
A polícia foi chamada quando Ted Williams e sua filha começaram uma discussão acalorada na noite de segunda-feira no hotel Renaissance Hollywood, disse a policial Catherine Massey.
 
Os dois foram mantido na delegacia de Hollywood por menos de uma hora, e não foram presos, explicou Massey, que não quis revelar o nome da filha.
"Não sei se falavam alto demais", mas a discussão por volta das 21h levou a um registro de perturbação, explicou Massey nesta terça-feira.
"Foi algo pequeno. Os dois estavam nervosos, mas não houve sinais de abuso visível", disse Massey. "Eles foram trazidos, acalmaram-se, falamos com eles e os liberamos."
Ela disse não saber o motivo da discussão. 

VIDA NOVA
O ano mal começou, e a vida de Ted Williams mudou completamente. Para melhor. Um dos primeiros hits na internet nos EUA em 2011 fez o sem-teto virar notícia em todo o mundo, receber diversas propostas de trabalho e, ainda por cima, reencontrar a mãe após 20 anos separados.

Doral Chenoweth III/AP/Columbus Dispatch
O sem-teto de voz de ouro, Ted Williams, 53, se reencontra com sua mãe, Julia, 90, após mais de 20 anos
O sem-teto de voz de ouro, Ted Williams, 53, se reencontra com sua mãe, Julia, 90, após mais de 20 anos 

Ted Williams,53, ex-locutor de rádio que foi morar na rua após uma luta contra as drogas e o álcool, atraiu milhões de visitantes no site YouTube após o jornal "The Columbus Dispatch" publicar um vídeo na segunda-feira. No vídeo, Williams aparece pedindo esmola em uma estrada de Columbus, em Ohio, usando suas habilidades vocais. 

Até quinta-feira passada (6), Williams já tinha aparecido em programas de TV, incluindo o "The Today Show", para falar sobre ofertas de trabalho para ser locutor do time de basquete Cleveland Cavaliers e da empresa de alimentos Kraft.
"Me sinto como Susan Boyle", disse Williams ao "Columbus Dispatch". "Ou Justin Bieber."
Boyle é a britânica que teve sua forte voz descoberta em um show de talentos na TV, e o canadense Bieber tornou-se uma das celebridades mais populares no mundo após começar publicando seus próprios vídeos no YouTube. 

Na TV, Williams lembrou de seus dias trabalhando como DJ nos rádios, nos anos 1980, antes da luta contra o álcool e as drogas. Em 1993, ele estava em abrigos para sem-tetos e chegou a passar algum tempo na prisão. 

No final da quinta-feira, um Williams emocionado se reuniu com sua mãe em Nova York, assediado por dezenas de equipes de jornalismo. O encontro chegou a ser adiado por causa de disputas entre as redes de TV, segundo o "Dispatch". 

Williams disse na TV que ficou conhecido entre motoristas em Columbus que passavam por ali apenas para ouvir sua "voz de ouro".
Agora com as ofertas de trabalho, ele diz que, em cinco anos, espera se tornar um diretor de programação de rádio e ajudar suas filhas e filhos em Columbus.
A lição que deu foi: "Não julgue um livro pela capa, todo mundo tem sua própria história."

Dengue, o tubarão vem aí

Vejo na Folha: Atualmente 16 Estados têm risco muito alto de ter surto de dengue, divulgou nesta terça-feira o Ministério da Saúde.
São eles Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins. São Paulo tem risco moderado.
O grau de risco foi calculado a partir de seis fatores, entre eles o número de casos em anos anteriores e a infestação do local por larvas do mosquito Aedes Aegypti, que transmite o vírus. 

A colocação do Rio Grande do Norte entre os Estados ameaçados pela dengue causa preocupação especialmente por um aspecto: a responsabilidade, ou falta desta, por parte das autoridades. Mas um aspecto não pode ser descurado: a participação social.

Campanhas locais e nacionais têm sido feitas de forma intensiva. E se as autoridades não apresentam um bom desempenho no combate à dengue, a população, facilmente, pode colaborar: basta tomar as medidas preventivas, fáceis, muito fáceis, que na TV, no rádio, jornais e panfletos ocupam espaço e tempo visando alertar a todos.

É muito comum as pessoas terem medo de tubarão. Que tal terem medo também da dengue, que mata muito mais que a fera dos mares?

Deve vir aí nova campanha. Compete a todos dar a sua contribuição.
O estudo da corrupção em suas origens mais remotas e de como é inútil o seu tratamento

Corria o ano de 1202 quando fui procurado, no escuro azulado mais profundo da floresta onde havia instalado minha tosca e rude choupana, por um velho dragão aposentado. Devo dizer que tratava-se, aquele nobre e distinto animal, de arquiduque de nomeada e homem de grandes intenções, o que me fez estranhar a visita sendo eu apenas um pobre a viver naquelas paragens, inculto e de pensamento tateante.

Apeando do unicórnio, apresentou-se-me e disse que precisava dos meus préstimos. Ora, a única coisa que sabia fazer era lenhar para preparar minhas frugais e básicas refeições. Mesmo assim, coloquei-me a seu dispor.
Enalteceu meu ignoto labor e sussurrou-me: Sei que fazeis aqui grandes experiências e supremos feitos em matéria de preparação de beberagens e outros produtos. Assim sendo, sois grande e  sapiente médico e assim deveremos levar ao mundo vossos saberes, a tirar a humanidade de suas dores e malefícios. Na verdade eu apenas preparava sopas grosseiras, mas, diante de tais elogios, convenci-me de que era médico e imediatamente ele me conferiu grau e diploma. Isto feito, aprestou-me a acompanha-lo às Índias e depois à Pérsia.

Lá chegando, fizemos farta distribuição de infusões e soluções, poções e tisanas tão eficazes que redundaram em efeitos prodigiosos. Todos se curavam do que quer que estivessem sentindo e fomos aclamados herois e benévolos. Quem tinha dores, estas as passavam, quem era louco se transformava em sábio e legislador e todos se curvavam ante nossas excelências.

Deixando Pérsia e Índias para trás rumamos a país distante chamado Brasil onde reinava grande mal. Era um mal tão terrível que nenhum tratado médico jamais o havia descrito, nem mesmo eu, o maior médico do mundo o conhecia e o sabia tratar: chamava-se a tal doença de corrupção. Esta era encontradiça em ambientes de alto coturno, onde os doentes enriqueciam tanto mais adoeciam.

Pusemo-nos a fazer preparados os mais insólitos, mas, quanto mais se os bebiam, pior ficavam os doentes e, consequentemente, mais ricos. Desesperados, fomos ao centro hospitalar onde esta peste mais se espalhara, conhecido como Congresso Nacional. Ali, homens e mulheres apresentavam os piores sinais de tão terrível mal: o indumento era caríssimo, pingando ouro e pedras preciosas, perfumes raros exalavam das ancas das mulheres conhecidas como deputadas ou senadoras que se utilizavam de carros invulgares. Seus pares, deputados ou senadores, também estavam untados de vestes noblíssimas e carregavam, em pastas de couro do mais alto labor, documentos secretos em pergaminho autêntico. E todos falavam uma única expressão: "Precisamos lucrar, precisamos lucrar, precisamos lucrar."

Instalamos ali nosso consultório. Percebemos que a corrupção era uma espécie de maligna loucura que dominava aquelas mentes monomaníacas. Uma espécie de derivativo crônico da ganância, da ambição. Entrando em contato com grande sábio do Oriente, ele nos incidou que tal doença não tem cura e, pior, é contagiosa, espalhando-se com vigor incomum até mesmo imbricando-se ao corpo e à mente de quem tenta combatê-la. 

Perseveramos em nosso desígnio, mas baldadas foram todas as tentativas. Afinal, quando notei que o arquiduque dragão começava a brilhar os olhos quando via um cheque, tomei sábia decisão: embarcamos na primeira nau que seguia de volta à minha distante floresta. Ali despedi-me do ilustre homem, que seguiu para o seu castelo, prometendo que iria fundar nova ciência, a alquimia. 

Para quê?, perguntei-lhe. E ele me respondeu: "Para criar a Pedra Filosofal, que torna tudo em ouro", e correu depressa a lidar com seus novos afazeres. Estava contaminado. E tanto é verdade que estava doente, que a corrupção nos tempos atuais é descrita nos tratados médicos como um dragão, que tem a cara do meu triste amigo.

Quanto a mim, somente restou abrir uma tipografia e hoje escrevo esta história, registro mui antigo do grande mal que, dizem, ainda hoje aflige aquela infeliz nação.