"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
sábado, 27 de novembro de 2010
Leio no portal Terra e compartilho: os criminosos parecem não estar dispostos a se entregar, apesar de esforços do coordenador do movimento Afroreggae, José Júnior. Ao invés de obter sinais de boa vontade dos marginais, recebeu ameaças. Leia a matéria:
RJ: coordenador do AfroReggae diz que recebeu ameaça de presos
Luis Bulcão Pinheiro
Mais cedo, o comandante do Batalhão de Choque Polícia Militar do Rio, coronel Waldir Soares Filho, disse que acredita que há a possibilidade que traficantes tentem passar pelo bloqueio da polícia, ao invés de se entregar, conforme o recomendado. "A hipótese mais real é essa, de tentar passar sem ser identificado", disse.
De acordo com o comandante, a recomendação é de que os traficantes se rendam apresentando as armas sobre a cabeça como determinam as normas internacionais. Segundo ele, até o momento ninguém se apresentou dessa forma. Desde o início dos ataques, no último domingo, pelo menos 38 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro.
Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso. A partir de então, os ataques se multiplicaram.
Na segunda-feira, cartas divulgadas pela imprensa levantaram a hipótese de que o ataque teria sido orquestrado por líderes de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. O governo do Rio afirmou que há informações dos serviços de inteligência que levam a crer no plano de ataque, mas que não há nada confirmado. Na terça, a polícia anunciou que todo o efetivo foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Foram registrados 12 presos, três detidos e três mortos.
RJ: coordenador do AfroReggae diz que recebeu ameaça de presos
Luis Bulcão Pinheiro
O coordenador do AfroReggae, José Junior, afirmou no final da tarde deste sábado que ficou muito chateado porque recebeu uma carta do presídio federal de Catanduvas, no Paraná, com ameaças pelo trabalho de tentar tirar as pessoas do tráfico. Ele deixou a favela da Grota, no Complexo do Alemão, por volta das 18h após tentar negociar a rendição de traficantes.
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| O olhar do soldado (Sérgio Moraes) |
José Junior chegou ao Complexo do Alemão no início da tarde deste sábado, para auxiliar na negociação da rendição dos criminosos. Ele subiu a comunidade, passando pelas barricadas da polícia e disse que foi tentar resolver o problema. O coordenador do AfroReggae não deu detalhes de quando recebeu a carta e sobre o conteúdo das ameaças.
Mais cedo, o comandante do Batalhão de Choque Polícia Militar do Rio, coronel Waldir Soares Filho, disse que acredita que há a possibilidade que traficantes tentem passar pelo bloqueio da polícia, ao invés de se entregar, conforme o recomendado. "A hipótese mais real é essa, de tentar passar sem ser identificado", disse.
De acordo com o comandante, a recomendação é de que os traficantes se rendam apresentando as armas sobre a cabeça como determinam as normas internacionais. Segundo ele, até o momento ninguém se apresentou dessa forma. Desde o início dos ataques, no último domingo, pelo menos 38 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro.
Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso. A partir de então, os ataques se multiplicaram.
Na segunda-feira, cartas divulgadas pela imprensa levantaram a hipótese de que o ataque teria sido orquestrado por líderes de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. O governo do Rio afirmou que há informações dos serviços de inteligência que levam a crer no plano de ataque, mas que não há nada confirmado. Na terça, a polícia anunciou que todo o efetivo foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Foram registrados 12 presos, três detidos e três mortos.
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Abaixo, a crônica da zona de tiro no Rio. E uma seleção de fotos do conflito.
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| Bandidos regem e confronto bate resistência do tráfico (Sérgio Morais) |
Emanoel Barreto
Leviatã chegou às ruas do crime no Rio. A mão pesada do Estado finalmente se fez sentir, implacável e necessária, sobre aqueles que aterrorizavam aquela infeliz metrópole.
Estava na hora daquela gente bronzeada mostrar seu valor: e em meio a tiros, explosões e presença firme do Poder, com apoio pessoal do presidente Lula, os criminosos estão finalmente em desvantagem.
Leviatã chegou. O Apocalipse dos bandidos parece ter soado. Não é o momento de recuar. Não é um confronto entre exércitos; é um combate contra um magote de homicidas armados e perigosos.
Leviatã chegou. A ofensiva contra os bandidos homiziados no Complexo do Alemão terá, neste final de semana, contornos mais intensos e dramáticos, é o que dizem as informações. Teme-se também que agressões sejam feitas nas ruas para tentar aterrorizar a população neste sábado/domingo.
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| Policial do Bope patrulha em área de conflito (Fernando Bizerra) |
Nos jornais diz-se que os homicidas querem "negociar" antes que as tropas invadam e dominem por completo o Complexo do Alemão. Não é mais o tempo para isso. As tropas das Forças Armadas e da Polícia não podem, sob pena de pôr tudo a perder, acatar essa "negociação". Os resultados psicossociais seriam pesadíssimos e permitiriam à hidra o renascimento de muitas cabeças em pouco tempo.
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| Soldado do Exército (Antonio Scorza) |
Clima de perplexidade tomaria conta das pessoas honradas que vivem naquela área: "Quer dizer que nos fizeram passar por tudo isso, ficar entre dois fogos, morrermos, para, no fim, entregar aos bandidos a vitória moral desse confronto?" - essa seria a grave indagação a percorrer a espinha dorsal arrepiada da opinião pública local e de todo o país.
A tragédia brasileira nos levou a tal situação. A omissão das elites, em sua busca de lucro sem limite e sem senso de consequencias históricas, permitiu o surgimento desse quadro de calamidade. Mas, objetivamente, temos um dado desolador de violência dos criminosos e, diante disso, não é possível contemporizar.
Simplesmente, não dá mais para conviver com tal estado de coisas. E, sendo assim, pelas mãos do presidente Lula, Leviatã chegou.
Jamais se vira tamanha e tão bem organizada atuação do Estado. Os criminosos estão acuados. E vão perder. Leviatã chegou.
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Volto a escrever neste sábado.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Se balançar cai. E pode ser bem podre
Emanoel Barreto
Esse promotor Maurício Lopes parece não perceber o ridículo em que está se metendo ao literalmente perseguir o palhaço Tiririca.
Emanoel Barreto
Esse promotor Maurício Lopes parece não perceber o ridículo em que está se metendo ao literalmente perseguir o palhaço Tiririca. Veja só, o que diz a Folha: "O promotor Maurício Lopes pediu à Justiça que o deputado eleito Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, seja condenado a cinco anos de prisão. Essa é a pena máxima para o crime de falsidade ideológica, do qual o humorista é acusado".
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Rio, Brasil
Janio de Freitas
JÁ FIZERAM com os passageiros de ônibus, há pouco tempo, agora repetem com os de uma van: jogam a gasolina e tocam fogo sem esperar que os passageiros desçam. Desta vez, quatro não conseguiram sair antes de sofrer consequências do incêndio. É possível entender esse grau de perversidade?
Doze mortos. Um horror, como um confronto em qualquer frente de combate militar, mas ocorrido na região da velha e tão cantada Penha.
Já ontem mesmo, "especialistas" -como agora se diz à vontade na imprensa- criticaram a violência mortífera da polícia. Têm razão quanto à violência e à adjetivação, mas se calaram antes de dar resposta a uma pergunta. Denúncias levaram à busca de alguns dos incendiários, que receberam a polícia a bala e se deu o longo combate. Como deveriam ser buscados?
Os bandos de criminosos armados já ultrapassaram há muito tempo as condutas da marginalidade voltada para o assalto, o roubo, o latrocínio, a fuga ao cerco ocasional.
E, sem rapapés, a verdade simples é que os bandos do crime bem armado já não deixam margem alguma para serem enfrentados com padrões menos bárbaros do que os seus próprios.
A urbanização de favelas, a melhoria de suas casas, as Unidades de Polícia Pacificadora, tudo isso é humanamente necessário, está bem feito onde foi feito e não deve parar. Mas, no seu aspecto de correção e prevenção de tendências a condutas marginais, começou muito tarde. A dimensão quantitativa e de criminalidade a que os bandos armados chegaram não permite, a esta altura, a espera pelos resultados do trabalho de reparação nas áreas contaminadas.
Será penoso, mas, sem ter pensado em tempo na reação aos governantes que fizeram de nossas cidades o que elas são, pelo visto estamos destinados a ir aceitando, cada vez mais, até que já nos seja indiferente, a solução mortífera como solução para nossa mínima segurança.
...
Está coberto de razão o jornalista. Não há como enfrentar esses criminsos, a não ser em cadeia de ação e reação. Firme e direta. Os bandidos estão organizados, atuam como terroristas, matam e traficam ante os olhos de uma sociedade que cada dia fica mais a ser sua refém.
A sociedade brasileira permitiu, pelas suas classes dominantes, que chegássemos a tal situação. Agora o governo do Rio faz, tardiamente, ação social nos amibientes de favela. Ação digna de crédito, urgente e necessária, diga-se. Mas, infelizmente, há um lado que assumiu o crime como forma de vida. Uma minoria, entenda-se, mas a cujos atos o cidadão dito comum está exposto, de forma cruel e vergonhosa.
O Estado tem sim obrigação de enfrentar a bala esses criminosos. É preciso apertar o cerco e aplicar, em todo o país, uma política de segurança pública. Existe, suponho, a possibilidade de que o crime entre em fase de migração do Rio e São Paulo para outros estados, uma vez que a ação da polític parece ter tornado insuportável sua sobrevivência naquelas cidades.
Os malfeitores são organizados, têm dinheiro e inteligência suficiente para perpetrar essa migração. Cabe agora uma ação federal, abrangente e forte, a fim de coibir que tais pessoas venham infernizar a vida de quem só deseja viver em paz.
Foto: http://tudoglobal.com/files/2010/11/Viol%C3%AAncia-no-Rio.jpg
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Voando nas asas do caos aéreo
Emanoel Barreto
As empresas aéreas foram chamadas pelo Governo e levaram um carão: ao que a Anac havia precebido, programavam monumental overbooking, que resultaria no mais completo caos durante o Natal e Ano Novo.
Ou seja: essa é a visão de um certo tipo de empresário que visa somente o lucro, deixando às favas o social.
Atentariam até mesmo contra o seu mercado e por um motivo simples: não haveria como mudar de uma empresa para outra, já que todas estariam atuando segundo o mesmo plano. Ao que parece, a intentona foi frustrada.
É um exemplo típico da desordem como ordem, a vivência de uma segunda natureza, com a habitualidade de comportamentos antissociais, sabidos antecipadamente como impuníveis pelo próprio fato de que nunca são punidos. Vejamos, vejamos no que vai dar...
Emanoel Barreto
As empresas aéreas foram chamadas pelo Governo e levaram um carão: ao que a Anac havia precebido, programavam monumental overbooking, que resultaria no mais completo caos durante o Natal e Ano Novo.
Ou seja: essa é a visão de um certo tipo de empresário que visa somente o lucro, deixando às favas o social.
Atentariam até mesmo contra o seu mercado e por um motivo simples: não haveria como mudar de uma empresa para outra, já que todas estariam atuando segundo o mesmo plano. Ao que parece, a intentona foi frustrada.
É um exemplo típico da desordem como ordem, a vivência de uma segunda natureza, com a habitualidade de comportamentos antissociais, sabidos antecipadamente como impuníveis pelo próprio fato de que nunca são punidos. Vejamos, vejamos no que vai dar...
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Terrorismo sem terroristas
Emanoel Barreto
As ações de extrema violência de criminosos no Rio de Janeiro parecem indicar que os bandidos estão a perder espaço e assim partem para atos que começam a se assemelhar aos de terroristas. Só falta começarem a explodir bombas em supermercados.
É que os bandidos não lutam contra a ordem em seu plano ideológico, não a contestam em sua matriz essencial. Antes, e apenas isso, tentam preservar seu naco de mercado: garantia de que continuarão o tráfico e certeza de impunidade aos assaltos.
Ou seja: de alguma forma reproduzem a ordem, uma vez que agem movidos pelo mesmo espírito capitalista que rege o sistema. Por isso não são assemelhados juridicamente a terroristas e como tal combatidos.
De qualquer forma as autoridades, agora quando se inicia um aparente ciclo virtuoso de vitórias, precisam manter o cerco e amplir as ações sociais onde os criminosos detinham o mando.
É preciso manter um aparelho policial amplo e de ações intensas, garantindo ao cidadão o direito de ir e vir. Pelo menos isso. É preciso também retirar da corporação policial sua banda pobre, os corruptos, os algozes; de farda ou não, fim de que esse serviço público cumpra com suas finalidades.
Foto: http://www.google.com/imgres?
Emanoel Barreto
As ações de extrema violência de criminosos no Rio de Janeiro parecem indicar que os bandidos estão a perder espaço e assim partem para atos que começam a se assemelhar aos de terroristas. Só falta começarem a explodir bombas em supermercados.
Ou seja: de alguma forma reproduzem a ordem, uma vez que agem movidos pelo mesmo espírito capitalista que rege o sistema. Por isso não são assemelhados juridicamente a terroristas e como tal combatidos.
De qualquer forma as autoridades, agora quando se inicia um aparente ciclo virtuoso de vitórias, precisam manter o cerco e amplir as ações sociais onde os criminosos detinham o mando.
É preciso manter um aparelho policial amplo e de ações intensas, garantindo ao cidadão o direito de ir e vir. Pelo menos isso. É preciso também retirar da corporação policial sua banda pobre, os corruptos, os algozes; de farda ou não, fim de que esse serviço público cumpra com suas finalidades.
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Um lamentável mal-entendido
Emanoel Barreto
"A democracia no Brasil sempre foi um lamentável mal-entendido". A assertiva é de Sérgio
Buarque de Holanda em seu Raízes do Brasil. E é. Se não, como explicar a formação do PMDB em guerra de movimento para apoderar-se de tudo o que "lhe fosse de direito" no butim da eleição de Dilma?
Ulysses Guimarães, nos páramos aonde esteja, deve estar em lágrimas. Chega a ser incrível, pior, lamentável, pior ainda, repulsivo, como um grupo se arroga o direito de dominar cargos e escalões a fim de lançar esse processo de empoderamento às alturas mais escusas. Por que tanta ânsia de poder? Para servir ao povo é que não é.
O Estado passa a ser tido como uma espécie de concha onde, a exemplo do caranguejo ermitão, o grupo se encastoa, toma posse e usa a seu bel prazer. Os grandes destinos nacionais, as questões históricas mais relevantes, são tratados como se fizessem parte de um conchavo, um mesquinho acerto de contas - e no fim é isso mesmo.
O blocão, como ficou chamado na imprensa o monólito peemedebista, foi uma orquestração visando garantir ao partido, outrora tão representativo, um largo e grosso naco de poder, com o intuito mesmo do poder. Às favas a democracia.
À falta um projeto historico-ideológico de assumir o poder, se busca uma solução fisiológica: garantir espaço, e espaço cômodo a pessoas, como se integrar um governo fosse praça de mercado onda bufarinheiros espertos buscam se aquinhoar.
Nossa cultura política está centrada nessa cordialidade, termo tão buarquiano, que confunde o público com o privado e priva o social de uma verdadeira democracia, já que resultante, tal situação, de um negócio, pior, uma chantagem: ou nos dá cargos ou providenciamos a ingovernabilidade.
Parece que o blocão não deu certo, foi implodido porque tinha face de escândalo. Parece que não deu certo. Parece... Nestas paragens brasílicas nunca se sabe...
Imagem:http://www.google.com/imgres?imgurl=http://4.bp.blogspot.com/_WpJy5x0xUSA/TECmMK01R
Emanoel Barreto
"A democracia no Brasil sempre foi um lamentável mal-entendido". A assertiva é de Sérgio
Buarque de Holanda em seu Raízes do Brasil. E é. Se não, como explicar a formação do PMDB em guerra de movimento para apoderar-se de tudo o que "lhe fosse de direito" no butim da eleição de Dilma?
Ulysses Guimarães, nos páramos aonde esteja, deve estar em lágrimas. Chega a ser incrível, pior, lamentável, pior ainda, repulsivo, como um grupo se arroga o direito de dominar cargos e escalões a fim de lançar esse processo de empoderamento às alturas mais escusas. Por que tanta ânsia de poder? Para servir ao povo é que não é.
O Estado passa a ser tido como uma espécie de concha onde, a exemplo do caranguejo ermitão, o grupo se encastoa, toma posse e usa a seu bel prazer. Os grandes destinos nacionais, as questões históricas mais relevantes, são tratados como se fizessem parte de um conchavo, um mesquinho acerto de contas - e no fim é isso mesmo.
O blocão, como ficou chamado na imprensa o monólito peemedebista, foi uma orquestração visando garantir ao partido, outrora tão representativo, um largo e grosso naco de poder, com o intuito mesmo do poder. Às favas a democracia.
À falta um projeto historico-ideológico de assumir o poder, se busca uma solução fisiológica: garantir espaço, e espaço cômodo a pessoas, como se integrar um governo fosse praça de mercado onda bufarinheiros espertos buscam se aquinhoar.
Nossa cultura política está centrada nessa cordialidade, termo tão buarquiano, que confunde o público com o privado e priva o social de uma verdadeira democracia, já que resultante, tal situação, de um negócio, pior, uma chantagem: ou nos dá cargos ou providenciamos a ingovernabilidade.
Parece que o blocão não deu certo, foi implodido porque tinha face de escândalo. Parece que não deu certo. Parece... Nestas paragens brasílicas nunca se sabe...
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Show Paul McCartney em São Paulo (21/11/10) Let It Be
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domingo, 21 de novembro de 2010
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Vão tirar Odair José do esquecimento
Emanoel Barreto
Um cantor chamado de brega é "reavaliado" pelos cantores "cultos", aqueles de estética, forma e conteúdo dito "primorosos".
Ele mostrava a tragediazinha vulgar das empregadas domésticas, a vida das pessoas invisíveis, sua filosofia de boteco barato, mas - e aí é que afinal encontrou-se o detalhe importante - de alguma forma aludia também a angústia que atinge o mais refinado estilista ou o mais desgraçado estivador. A dor é o homem.
O problema é que os cultos sempre esquecem que muitas das manifestações culturais urbanas, das mais toscas às mais elaboradas, têm alguma simbolização da vida em suas manifestações de tragédia e espetáculo sem ensaio e sem fim. Vem assim o resgate do artista, assim como o mandato de deputado federal resgata a Tiririca o direito de o povo chão ser ouvido, engravatado e tudo o mais, no plenário da Câmara.
Uma coisa, entretanto, não está sendo levada em conta: a inserção impossível de Odair no espaço real dos compositores e cantores sérios. Quero dizer com isso que ele não tem vínculos intensos com tais espaços, que se referenciam por cantores como Zeca Baleiro. Pode ser até que alguém compre o disco a ser lançado por Odair. Mas daí a supor que ele lotaria um teatro com fãs de Baleiro é outra história.
A arqueologia do trabalho de Odair permitirá um olhar "sociológico" a respeito de sua obra, quem sabe até se arrisque alguém a uma tese. Mas, só isso. De qualquer forma, até que enfim tiraram Odair do tal lugar. Um lugar chamado esquecimento.
Sobre o assunto, leia abaixo matéria da Folha.
Odair José, agora cult, grava inéditas
Produzido por Zeca Baleiro, novo álbum faz parte de tentativa do cantor de receber reconhecimento artístico.
Rotulada de "cafona" no passado, obra do compositor é valorizada agora por artistas da nova música brasileira.
MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO
Não é de hoje que o valor da obra de Odair José, 61, vem sendo reavaliado.
Quando, em 2006, o compositor foi homenageado com o tributo "Eu Vou Tirar Você Desse Lugar", em que artistas pop como Pato Fu, Paulo Miklos, Mundo Livre S/A e Mombojó regravaram suas canções, algumas pedras foram arrancadas do muro que o separa dos compositores "sérios" da MPB.
Agora, o cantor prepara álbum de canções inéditas que pode contribuir com esse movimento agregador.
Previsto para chegar às lojas no primeiro trimestre de 2011, "Praça Tiradentes" está sendo produzido por Zeca Baleiro e vai contar com repertório composto especialmente para Odair por artistas como Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Chico César.
Baleiro conta que a lista de candidatos a emplacar uma música na voz de Odair era grande, mas a ideia é que o próprio compositor colocasse suas canções na roda.
Trata-se de Odair José, agora entronizado senão à condição de culto, mas elevado ao altar de "cult". De repente descobrem que o velho rapaz trazia em suas músicas um tipo de representação da existência humana que vale a pena ser percebido como digno de atenção.
Emanoel Barreto
Um cantor chamado de brega é "reavaliado" pelos cantores "cultos", aqueles de estética, forma e conteúdo dito "primorosos".
Ele mostrava a tragediazinha vulgar das empregadas domésticas, a vida das pessoas invisíveis, sua filosofia de boteco barato, mas - e aí é que afinal encontrou-se o detalhe importante - de alguma forma aludia também a angústia que atinge o mais refinado estilista ou o mais desgraçado estivador. A dor é o homem.
O problema é que os cultos sempre esquecem que muitas das manifestações culturais urbanas, das mais toscas às mais elaboradas, têm alguma simbolização da vida em suas manifestações de tragédia e espetáculo sem ensaio e sem fim. Vem assim o resgate do artista, assim como o mandato de deputado federal resgata a Tiririca o direito de o povo chão ser ouvido, engravatado e tudo o mais, no plenário da Câmara.
Uma coisa, entretanto, não está sendo levada em conta: a inserção impossível de Odair no espaço real dos compositores e cantores sérios. Quero dizer com isso que ele não tem vínculos intensos com tais espaços, que se referenciam por cantores como Zeca Baleiro. Pode ser até que alguém compre o disco a ser lançado por Odair. Mas daí a supor que ele lotaria um teatro com fãs de Baleiro é outra história.
A arqueologia do trabalho de Odair permitirá um olhar "sociológico" a respeito de sua obra, quem sabe até se arrisque alguém a uma tese. Mas, só isso. De qualquer forma, até que enfim tiraram Odair do tal lugar. Um lugar chamado esquecimento.
Sobre o assunto, leia abaixo matéria da Folha.
Odair José, agora cult, grava inéditas
Produzido por Zeca Baleiro, novo álbum faz parte de tentativa do cantor de receber reconhecimento artístico.
Rotulada de "cafona" no passado, obra do compositor é valorizada agora por artistas da nova música brasileira.
MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO
Não é de hoje que o valor da obra de Odair José, 61, vem sendo reavaliado.
Quando, em 2006, o compositor foi homenageado com o tributo "Eu Vou Tirar Você Desse Lugar", em que artistas pop como Pato Fu, Paulo Miklos, Mundo Livre S/A e Mombojó regravaram suas canções, algumas pedras foram arrancadas do muro que o separa dos compositores "sérios" da MPB.
Agora, o cantor prepara álbum de canções inéditas que pode contribuir com esse movimento agregador.
Previsto para chegar às lojas no primeiro trimestre de 2011, "Praça Tiradentes" está sendo produzido por Zeca Baleiro e vai contar com repertório composto especialmente para Odair por artistas como Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Chico César.
Baleiro conta que a lista de candidatos a emplacar uma música na voz de Odair era grande, mas a ideia é que o próprio compositor colocasse suas canções na roda.
Trata-se de Odair José, agora entronizado senão à condição de culto, mas elevado ao altar de "cult". De repente descobrem que o velho rapaz trazia em suas músicas um tipo de representação da existência humana que vale a pena ser percebido como digno de atenção.
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Meu caminho e o barro
Emanoel Barreto
Retiro do barro do meu caminho a estátua que de mim construirei.
E depois, como é de barro, minha estátua beberá de toda chuva.
E molhada se desfará abundantemente
E voltará a ser o barro por onde continuarei a caminhar.
E então reconstruirei uma nova estátua.
E assim será sempre. Dantes e depois.
E depois já não saberei quando sou dantes ou depois.
Não saberei se sou estátua, barro ou caminho.
E o caminho barrará os passos da sempre estátua.
Estarei ao mesmo tempo morto e imortal.
Pois o barro é a eternidade que se prende aos nossos pés.
Emanoel Barreto
Retiro do barro do meu caminho a estátua que de mim construirei.
E depois, como é de barro, minha estátua beberá de toda chuva.
E molhada se desfará abundantemente
E voltará a ser o barro por onde continuarei a caminhar.
E então reconstruirei uma nova estátua.
E assim será sempre. Dantes e depois.
E depois já não saberei quando sou dantes ou depois.
Não saberei se sou estátua, barro ou caminho.
E o caminho barrará os passos da sempre estátua.
Estarei ao mesmo tempo morto e imortal.
Pois o barro é a eternidade que se prende aos nossos pés.
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sábado, 20 de novembro de 2010
ESCOLA VIVA
--- Walter Medeiros
Uma curiosidade que eu tinha havia muitos anos findou sendo esclarecida nesta semana, através da entrevista do meu amigo radialista Adamires Futado ao programa Memória Viva, da TV Universitária. Contando passagens da sua infância, Adamires referiu-se ao grupo escolar onde estudou, o Áurea Barros. Aquela declaração reacendeu minha vontade de saber onde exatamente situava-se aquela escola, pois também estudei lá, nos idos de 1963/64. Naquele tempo, Natal tinha até escola rural, pois estudei também na Escola Rural Professor Manoel Dantas, na Avenida Prudente de Morais, entre o Senai e a Escola Sebastião Fernandes.
Mas Adamires falou sobre alagamentos imensos da área no Tirol, fazendo-me lembrar os períodos chuvosos nos quais cheguei até a me perder em Natal - recém-chegado de Alagoas, onde morei sete anos - confundindo o Quartel da Polícia com o Palácio do Governo, seguindo, portanto, para rumo diferente da minha casa, à época na rua Alberto Maranhão. Nosso amigo disse, então, que o grupo Áurea Barros funcionava onde hoje é a Casa do Professor. Foi o suficiente para eu dar uma passada naquele local e contemplar a esquina, hoje tão diferente daquele prédio bucólico da minha infância.
Mas a semana reservava-me outra surpresa boa. Fui convidado para falar a um grupo de pessoas na Escola Municipal Professor Celestino Pimentel, na Cidade da Esperança – Avenida Pernambuco. Lá vamos nós, pelo caminho, resgatando lembranças de quando Aluízio Alves inaugurou aquele conjunto habitacional feito pela FUNDHAP (Fundação de Habitação Popular). Tinha uma prima que morava na avenida Paraíba e íamos visitá-la. Uma dificuldade: o ônibus passava longe da sua rua, alguns taxis não aceitavam corrida para lá, pois os carros atolavam nas ruas de areia de duna. Da mesma forma que anos depois costumava estudar na casa do amigo Luiz Laércio Rocha da Silva, que virou especialista da aeronáutica, coisa que não pude ser porque minha altura ficava um centímetro aquém do exigido.
Chegando à escola, uma boa surpresa. O ambiente apresenta uma vitalidade imensa.
As instalações dignas de não deixar a desejar perante outras escolas de qualidade. A diretora, Josyáurea Fernando Atanázio nos recebeu e a professora Eunice Bracho, da Equipe Pedagógica logo nos convidou a conhecer a escola, na qual era realizada uma feira de ciências. Quinze salas de aula, com visíveis contribuições de vários prefeitos, sucessivamente, inclusive a atual. Laboratório de informática de ótimo padrão, auditório, biblioteca, estúdio de uma rádio comunitária, cozinha, corredores, pátio, equipamentos esportivos, tudo organizado, limpo e bem cuidado. A surpresa se dá, pois o que se diz da escola pública é outra coisa.
Mas eu já tinha passado por agradável surpresa parecida, em outro ano, quando a professora Nadja Lira me convidou para falar sobre “Saudade” (http://www.rnsites.com.br/humaniza_29.htm) na escola municipal Santa Catarina, na Zona Norte.
As instalações dignas de não deixar a desejar perante outras escolas de qualidade. A diretora, Josyáurea Fernando Atanázio nos recebeu e a professora Eunice Bracho, da Equipe Pedagógica logo nos convidou a conhecer a escola, na qual era realizada uma feira de ciências. Quinze salas de aula, com visíveis contribuições de vários prefeitos, sucessivamente, inclusive a atual. Laboratório de informática de ótimo padrão, auditório, biblioteca, estúdio de uma rádio comunitária, cozinha, corredores, pátio, equipamentos esportivos, tudo organizado, limpo e bem cuidado. A surpresa se dá, pois o que se diz da escola pública é outra coisa.
Mas eu já tinha passado por agradável surpresa parecida, em outro ano, quando a professora Nadja Lira me convidou para falar sobre “Saudade” (http://www.rnsites.com.br/humaniza_29.htm) na escola municipal Santa Catarina, na Zona Norte.
Como escola não se faz somente com paredes, corredores e salas, ouvimos os relatos sobre o seu funcionamento. Os alunos, que têm suas atividades didáticas, podem usufruir de outras atividades esportivas, artísticas e culturais. Naquela ocasião foi feita apresentação da banda da escola, na qual os alunos aprendem a tocar vários instrumentos. Abrilhantaram a ocasião tocando o Hino Nacional Brasileiro – era 19.11, Dia da Bandeira; uma música de Lady Gaga, que mostra a sua atualização; e uma música nordestina. Naquele mesmo espaço a comunidade ensaia uma quadrilha junina.
Diante de tanta atividade, o pensamento volta-se logo para o descaso para com a organização. Mais um engano. Diante da dificuldade de transmitir individualmente as normas de disciplina da escola, foi confeccionado um imenso painel com direitos e deveres dos que fazem aquele estabelecimento de ensino, além do que são realizados pequenos mutirões de arrumação. Resultado: não se vê lixo no chão, chiclete nos cantos, nem riscos nas paredes.
A conscientização deu certo e todos se sentem responsáveis pela conservação. Claro que em meio a tudo isso sabemos que existem muitos problemas, entre eles aqueles alunos que insistem em dar trabalho, mas que são tratados com firmeza e respeito pedagógico. Como um que queria continuar sentado enquanto era executado o Hino Nacional. Um olhar explicativo e um gesto discreto da vice-diretora a dez metros de distância foi suficiente para fazê-lo erguer-se e permanecer perfilado com os demais colegas. Viva a Escola!
Arena das Dunas sequer é mencionada entre projetos dos estádios para 2014. Culpa de Drácula?
Emanoel Barreto
O projeto da Arena das Dunas não foi apresentado em Nova Iorque durante evento em que foram mostrados os projetos dos estádios para a Copa de 2014. A notícia até então não repercutiu no jornalismo de acá. Parece que temos falta de pauteiros em nossas redações. Mas, a valer algum caiporismo, o nome do responsável pelo Arena das Dunas é Christopher Lee, o mesmo do ator que interpreta Drácula. Não sei se o projeto da Arena está sendo vampirizado, mas... Bom, acabo de ver a matéria na Folha e transcrevo:
A proposta era apresentar, em Nova York, os 12 projetos de estádios para a Copa do Mundo de 2014. Mas a 2014 Brazil World Cup Architectural Summit, que ocorreu na quinta e sexta-feira, revelou só dez dos eleitos e alguns constrangimentos.
Christopher Lee, do escritório Populous, causou estranhamento ao não mencionar a reforma da Arena das Dunas, em Natal, sob sua responsabilidade.
Em vez disso, preparou apresentação sobre o estádio idealizado para a Olimpíada de Londres, em 2012.
Pelos corredores, comentava-se que a omissão se deveu ao fato de que o projeto está sob risco de suspensão. Lee minimizou a polêmica e disse que se tratava de um evento de design esportivo.
O estádio de Natal chegou a ter suspensa a concorrência para a contratação da empresa construtora, depois de o Ministério Público do Rio Grande do Norte apontar falha no edital. O governo alterou o documento e foi autorizado a retomar o processo.
A arquiteta convidada a falar sobre a reforma do Maracanã, Cátia Castro, afirmou que o projeto precisa de mudanças quase diárias para conciliar as exigências da Fifa com o tombamento da estrutura externa do estádio.
O projeto, cujo orçamento era de R$ 430 milhões, alcançou R$ 705 milhões devido às ordens da Fifa e do COL para mantê-lo como palco da final. A reforma, a ser financiada pelo governo, pode custar 25% a mais do que o valor licitado, segundo o edital.
Por fim, para representar São Paulo, foi escolhido o escritório de Ruy Ohtake, responsável pelo projeto do Morumbi, já rejeitado pela Fifa.
O COL, o governo do Estado e a prefeitura paulistana oficializaram a indicação do estádio do Corinthians para a abertura da Copa. A decisão depende de chancela da Fifa.
Segundo a organização, Anibal Coutinho, autor do projeto corintiano, recusou convite para representar São Paulo em Nova York.
"Ele disse que o Corinthians não queria assumir a responsabilidade de aparecer oficialmente como o estádio da Copa", falou à Folha Marcos de Souza, da Mandarim Comunicação, que fez os convites aos arquitetos.
"Como o escritório do Ruy Ohtake desenvolveu um trabalho de longo prazo, e o projeto estava completo, embora vetado pela Fifa, achamos que isso fazia parte da história dos preparativos."
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As coisas de jornal do Estadão informam:
"Um dia após receber alta, Alencar volta a hospital para transfusão de sangue
'SÃO PAULO - O vice-presidente da República, José Alencar, deu entrada no Hospital sírio-libanês para realizar uma transfusão de sangue, informou sua assessoria nesta sexta-feira, 19. Ele havia tido alta do hospital na quinta, 18, após permanecer 24 dias internado.
No dia 25 de outubro Alencar deu entrada no hospital para tratar de uma obstrução intestinal. Na última segunda-feira, 15, o vice-presidente foi transferido para um quarto comum depois de três dias na unidade coronária (semi-intensiva) do hospital, após sofrer um enfarte agudo do miocárdio na quinta-feira da semana passada".....
Há pouco conversava sobre o assunto: até que ponto vale uma vida assim? Alencar sabe, qualquer pessoa de bom senso entende, que esse caminho, na situação em que se encontra o vice-presidente, não tem volta.
Louvo a capacidade guerreira de resistir. Sem dúvida, se o problema fosse noutro plano, numa grande luta a favor do social, por exemplo, ele seria um líder, um leão a comandar o combate.
Mas pergunto, no plano existencial que vida é essa. Qual a satisfação de estar vivo sofrendo tanto?; o corpo pressionado ao máximo, a fim de manter preso a si o anima vital? Não sei se tal sofrer vale a pena ser assim tão cultivado. Aplaudo o grande guerreiro e a sua fibra, mas fico a pensar se vale a pena.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
De como o Baronete Alberany, o Abominável, parte para enfrentar o Duque de Hermida y Aragão, mas, antes, se defronta com situação de grande injustiça, que será de bom alvitre resolver. Eis sua nova carta, relato dos seus grandes gestos.
........
Terra Brasilis, 15 de junho de 1730
Ó leitor bondoso, nada temais que a mim me possa afligir. Sou astuto, intenso e reprovável, e c’os malévolos posso contender. Eis o que vos narro logo agora e a partir daqui.
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Lembrai-vos de que, em certa noite, apoderamo-nos eu, o Marquês de Camisão y Astúrias e os biltres que me seguem, de um velho, tabelião e usurário, extirpamos-lhe os bens e o metemos bem e posto a ferros? Pois, bem, depois de assumir perante o Marquês a ingente missão de enfrentar o Duque de Hermida y Astúrias, que, dizem, mantém comércio com o Cão, descobri-me, apavorado, em meio a terrível dilema: como tomar-lhe as terras se é homem malsão e desalmado? Como enfrentar tão tenebrosa criatura? Perdido em meus pensamentos, eis que passo frente ao cárcere do citado velho. E sem meias palavras resolvi-me a lhe pedir conselhos. Não vos quedeis perplexo pela consulta a quem pusera em situação vil e degradada, que é de mim usar e aproveitar, especialmente daqueles a quem posso, sem medo e meio gesto, submeter a tudo o que desejo.
Munido de meus solertes propósitos dele me aproximei e disse: Sois por certo vilão de grande monta, senão não estaríeis aqui calado e preso. Mas vos faço agora proposta e trato, e se souberdes comigo tratar, vos tirarei do calabouço e vos livro do garrote vil.
Eis que ele respondeu tão prontamente, que a mim até mesmo surpresou: Sim, disse, entro em trato convosco e bem depressa, já que nada mais tenho a perder. Aí, mandei que o livrassem e contei-lhe a desgraça que vivia. Ele, célere, celerado intenso, logo então a falar aconselhou: Vinde em minha companhia, ó velhaco, que juntos faremos cousas grandes. Traze então vossos mais astuciosos servos, carpideiras, velhas e bruacas, que com o Cão não se pode arrefecer. Traze também desordeiros e homens de força rude, para o caso de algum confronto. Enfrentaremos o Duque e seus algozes e os poremos a todos a servir. De senhores virarão labéu de homens, de poderosos a serviçais dobrados.
Fiz isso e logo partiu toda a terrível comitiva. E pelos caminhos se promoveram insultos, aterrando os pobres passantes. E do povo aqueles sem prestar logo a nós se aliavam, que é do ordinário aos seus se ajuntar. Mas então perguntei ao usurário qual o plano que estava a urdir. Disse-me ele: Não ficou certo com o Marquês que quando um grande não pode do povo tirar se atira sobre outro seu igual e o expropria, para ser assim monopolista? Sim, confirmei. Pois bem, continuou ele. Para tanto é preciso pois, fazer o nobre, em aparência de bandido tornado, ser tido em tal situação. E de augusto a torpe proclamado, e assim merecer penas da lei: seja por amplo e sórdido desacato ou discrepância e torpe sedição. E isso é bem fácil de fazer, pois que o nobre já traz em si tão crimes lestos, que basta uma folha que o desabe.
Como faremos isso, mente perniciosa, como provaremos que o Duque é homem vil?, quis saber. A resposta deixou-me atônito e parvo: Não sei. E continuou: pelos caminhos encontraremos, até chegar-lhe ao castelo, a solução aos nossos mui percalços. E eu, como já não podia recuar, atirei-me ao lado daquele louco e proclamávamos cousas sem sentido, atraindo grande multidão. Seguia o nosso préstito à larga quando aos longes se nos divisou: lá vinha em sentido oposto, outra grande e enorme procissão. E lhes ouvíamos os gritos, baldões e pronunciação de injúrias.
Afinal se encontraram os dois séquitos e no meio do que vinha encontrava-se amarrado homem. Coberto e feridas, macerado por torturas mais cruéis, gemia o pobre, mas não era ouvido. E estava-lhe na lomba o chicote, que diziam lhe ser punição. A seu lado vinha homem togado, que logo se apresentou como juiz. Perguntei-lhe o que se passava, mas foi a voz do forçado que falou: Foi furto famélico, meu Senhor! Furto famélico! Apoderei-me de três pomos para a fome matar dos filhos meus e da molher que comigo é minha esposa! Nada mais! E por isso então estou punido e temo até que à forca vá!
Nesse momento o tabelião usurário demonstrou grande escrutínio. Disse-me: Não tendes, como o Marquês, um camisão que, se usado, ele flutua? Sim. Foi a resposta. Então, continuou, vistamo-los eu um e Vossa Mercê outro. E saltemos a fluir aos olhos vedores e deixai o resto à minha conta.
Vestimos os camisões e nossos patifes nos atiraram ao alto. E os olhos pararam maravilhados: dois homens a voar bem bonançosos. Tomou então a palavra o usurário e gritou ao juiz e aos demais: Este homem aqui não é culpado! Mas o juiz então lhe redarguiu: É culpado sim, de culpa plena, que sentença até lhe perpetrei. Rebateu assim o usurário: Quem dentre vós que não tem fome? Quem dentre vós compareceu ao carrasco e ao verdugo, ao janízaro e ao cruel beleguim porque fome sentia e pão não tinha? É crime pois então buscar comida?
A multidão virou-se contra o juiz e a favor do homem. Mas os prebostes do juiz o cercaram de apoios e puxaram o preso perto a si. E então o usurário foi rasante e pasmou a todos seu saber. Apoderou-se do juiz e o elevou e o trouxe para perto de mim. Falou-lhe então o grave usurário: seu tabelião e bem me conheceis. Sabeis dos meus tratos e negócios e conheço-vos todos os vossos. Somos iguais e estamos empatados. Vilanagens e todas as baixezas formam nossos catálogos precedentes. Assim,preciso-vos para dois intentos: primeiro, liberai aquele pobre indivíduo. Três pomos não matarão o dono de clamor. E depois ide a nosso lado, prender outro, esse sim, vil e lamentável. Se não, proclamarei vossos males a esta patuléia e sabeis bem qual o resultado.
O juiz respondeu e foi enfático: Se é assim, se é para o bem de Têmis e justiça geral e amplidão, designo que o pobre seja solto e partamos ao mal subjugar. Eu e o usurário descemos, soltamos o juiz e este proclamou que se fosse solto aquele que estava a sofrer. E afinal convocou todo o seu povo a com ele a se nos ajuntar, a fim de dar cabo a grande injusto, cujos crimes haveria de punir. O povo urrou e aplaudiu a tão ilustre magistrado. E todos se apressaram então a nos comboiar, que nobre missão nos esperava.
Eis que agora vos deixo, meu leitor, que comigo tempo já perdestes. Mas esperai porém que muito breve, boas novas logo vos trarei.
Curvo-me a vosso serviço e me posto e mui,
Baronete Alberany, o Abominável
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Madonna: de como festejar quem não merece
Emanoel Barreto
Vejo no Estadão matéria com o título "Madonna é a 11ª mulher mais influente do século XX". A seguir vem notícia, que diz:
NOVA YORK - A revista Time publicou nesta quinta-feira,19, sua lista das 25 mulheres mais poderosas do mundo no século XX, em relação liderada por Jane Addams, a primeira americana a ser premiada com o Nobel da Paz, e que conta com Madonna, Hillary Clinton e Angela Merkel.
Ernesto Rodrigues/AEA rainha do pop durante visita a São Paulo, em fevereiro de 2010Segundo a publicação, Jane lidera a lista por seu trabalho em defesa do voto feminino e pelos direitos trabalhistas das mulheres, assim como por sua atitude como pacifista.
Na sequência aparecem, respectivamente, Corazón Aquino, ex-presidente das Filipinas, e a bióloga americana Rachel Carson, fundamental para o início do movimento ecológico.
Em quarta está a estilista francesa Coco Chanel, e, em quinta, a cozinheira americana Julia Child. Completam os dez primeiros lugares a ex-primeira-dama americana e atual secretária de Estado Hillary Clinton, a cientista polonesa Marie Curie, a cantora americana Aretha Franklin, a política indiana Indira Gandhi e a americana Estée Lauder, criadora da empresa cosmética que leva o seu nome.
Figuram na lista ainda a cantora Madonna (11ª), a política israelense Golda Meir (13ª), e a atual chanceler alemã, Angela Merkel (14ª).
Nos cinco últimos lugares da relação são citadas a empresária americana Martha Stewart, madre Teresa de Calcutá, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, a apresentadora de televisão Oprah Winfrey e a escritora inglesa Virgínia Woolf.
...
Uma coisa a estranhar: o título destaca alguém que ficou em 11º primeiro lugar. Uma clara inversão de valores, não concorda? Mas é isso: para dar noticiabilidade ao assunto o jornal recorreu ao fato de que Madonna, excelente eu autopromoção, funcionaria como elemento de destaque.
Errou porém o jornal: o enquadramento deveria se voltar para personalidades mais importantes, como Madame Curie, além de questionar porque Madre Teresa ficou no final da lista. Madonna é apenas uma cantora oportunista, um ídolo pop, intérprete de canções sem qualquer profundidade, seja em forma ou conteúdo. Aretha Franklin está acima de Madonna, como voz e como pessoa icônica, mas isso não foi levado em consideração.
Preferiu-se a baladação e o apelativo, numa artista que só tem performance.
Emanoel Barreto
Vejo no Estadão matéria com o título "Madonna é a 11ª mulher mais influente do século XX". A seguir vem notícia, que diz:
NOVA YORK - A revista Time publicou nesta quinta-feira,19, sua lista das 25 mulheres mais poderosas do mundo no século XX, em relação liderada por Jane Addams, a primeira americana a ser premiada com o Nobel da Paz, e que conta com Madonna, Hillary Clinton e Angela Merkel.
Ernesto Rodrigues/AEA rainha do pop durante visita a São Paulo, em fevereiro de 2010Segundo a publicação, Jane lidera a lista por seu trabalho em defesa do voto feminino e pelos direitos trabalhistas das mulheres, assim como por sua atitude como pacifista.
Na sequência aparecem, respectivamente, Corazón Aquino, ex-presidente das Filipinas, e a bióloga americana Rachel Carson, fundamental para o início do movimento ecológico.
Em quarta está a estilista francesa Coco Chanel, e, em quinta, a cozinheira americana Julia Child. Completam os dez primeiros lugares a ex-primeira-dama americana e atual secretária de Estado Hillary Clinton, a cientista polonesa Marie Curie, a cantora americana Aretha Franklin, a política indiana Indira Gandhi e a americana Estée Lauder, criadora da empresa cosmética que leva o seu nome.
Figuram na lista ainda a cantora Madonna (11ª), a política israelense Golda Meir (13ª), e a atual chanceler alemã, Angela Merkel (14ª).
Nos cinco últimos lugares da relação são citadas a empresária americana Martha Stewart, madre Teresa de Calcutá, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, a apresentadora de televisão Oprah Winfrey e a escritora inglesa Virgínia Woolf.
...
Uma coisa a estranhar: o título destaca alguém que ficou em 11º primeiro lugar. Uma clara inversão de valores, não concorda? Mas é isso: para dar noticiabilidade ao assunto o jornal recorreu ao fato de que Madonna, excelente eu autopromoção, funcionaria como elemento de destaque.
Errou porém o jornal: o enquadramento deveria se voltar para personalidades mais importantes, como Madame Curie, além de questionar porque Madre Teresa ficou no final da lista. Madonna é apenas uma cantora oportunista, um ídolo pop, intérprete de canções sem qualquer profundidade, seja em forma ou conteúdo. Aretha Franklin está acima de Madonna, como voz e como pessoa icônica, mas isso não foi levado em consideração.
Preferiu-se a baladação e o apelativo, numa artista que só tem performance.
A estranha história de Ranulfa, a moça triste
Emanoel Barreto
Ranulfa era uma boa moça. Mas uma moça triste. Afinal, chamava-se Ranulfa. E era triste de uma tristeza-auta-de-sousa, cabisbaixa e terna. Estranho isso, não?, uma tristeza terna. E de tanta ternura era a tristeza que Ranulfa a ela se apegara.
Caminhava a vida sempre ao lado de sua tristeza, com ela trocava confidências, comunicava segredos e indecisões, vontades e até mesmo raivas que, de tão pudicas, a moça não as vivia. Afinal, era uma moça triste e tristeza é algo tão grande que ocupa todos os espaços na alma de quem está triste; e assim, em Ranulfa, não havia lugar para as raivas.
Mas as raivas eram persistentes e seguiam a moça e sua amiga, a tristeza. Seguiam nas não tentavam se impor. Como disse, as raivas eram pudicas, ou seja: queriam ser sentidas mas não expressadas, porque as raivas também eram raivas tristes. As raivas queriam apenas um lugar junto à tristeza de Ranulfa.
Um dia, a tristeza disse a Ranulfa que iria partir. Ranulfa disse que não fosse, senão ela ficaria com saudade e quem tem saudade, saudade muita, termina por ficar triste. Mas como a tristeza teria ido embora, Ranulfa não poderia mais ser triste, e sem a sua tristeza não poderia viver.
A tristeza porém insistiu e insistiu tanto que Ranulfa disse: vá. E a tristeza se foi. Então, as raivas pudicas pediram licença e se apresentaram. Conversaram com a moça e fizeram um longo passeio juntas. Explicaram a ela que não tinham coragem de se apresentar ao mundo, porque o mundo é dominado pelas raivas explosivas e elas, como eram tímidas e pudicas, achavam que não poderiam competir com as raivas grandes.
Mas a moça, de tanto conviver com a tristeza e com ela se aconselhar, explicou às raivas pudicas que elas poderiam sim lutar no mundo e se fazer impor. E então, um dia, em meio a uma grande e densa névoa, a moça e as raivas pudicas se uniram e gritaram alto. A moça tornou-se alegre e intensa, um turbilhão.
Anos depois volta a tristeza. Estava desiludida com o mundo. Queria outra vez um lugar na alma da moça. Mas, dessa vez, foi ela quem não a quis ali. E disse à tristeza: vá embora. Depois que acolhi as minhas raivas e passei a falar e a gritar disseram que estou louca.
Então, é assim e louca que que quero ficar. Que ódio.
Emanoel Barreto
Ranulfa era uma boa moça. Mas uma moça triste. Afinal, chamava-se Ranulfa. E era triste de uma tristeza-auta-de-sousa, cabisbaixa e terna. Estranho isso, não?, uma tristeza terna. E de tanta ternura era a tristeza que Ranulfa a ela se apegara.Mas as raivas eram persistentes e seguiam a moça e sua amiga, a tristeza. Seguiam nas não tentavam se impor. Como disse, as raivas eram pudicas, ou seja: queriam ser sentidas mas não expressadas, porque as raivas também eram raivas tristes. As raivas queriam apenas um lugar junto à tristeza de Ranulfa.
Um dia, a tristeza disse a Ranulfa que iria partir. Ranulfa disse que não fosse, senão ela ficaria com saudade e quem tem saudade, saudade muita, termina por ficar triste. Mas como a tristeza teria ido embora, Ranulfa não poderia mais ser triste, e sem a sua tristeza não poderia viver.
A tristeza porém insistiu e insistiu tanto que Ranulfa disse: vá. E a tristeza se foi. Então, as raivas pudicas pediram licença e se apresentaram. Conversaram com a moça e fizeram um longo passeio juntas. Explicaram a ela que não tinham coragem de se apresentar ao mundo, porque o mundo é dominado pelas raivas explosivas e elas, como eram tímidas e pudicas, achavam que não poderiam competir com as raivas grandes.
Mas a moça, de tanto conviver com a tristeza e com ela se aconselhar, explicou às raivas pudicas que elas poderiam sim lutar no mundo e se fazer impor. E então, um dia, em meio a uma grande e densa névoa, a moça e as raivas pudicas se uniram e gritaram alto. A moça tornou-se alegre e intensa, um turbilhão.
Anos depois volta a tristeza. Estava desiludida com o mundo. Queria outra vez um lugar na alma da moça. Mas, dessa vez, foi ela quem não a quis ali. E disse à tristeza: vá embora. Depois que acolhi as minhas raivas e passei a falar e a gritar disseram que estou louca.
Então, é assim e louca que que quero ficar. Que ódio.
FIM
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Luta sem trégua, uma dor sem fim
Emanoel Barreto
Diz a Folha: O vice-presidente da República, José Alencar, irá receber alta nesta quinta-feira do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde está internado desde o dia 25 de outubro para o tratamento de uma suboclusão intestinal.
Na quinta-feira, Alencar sofreu um infarto agudo do miocárdio e foi submetido a um cateterismo, que não mostrou obstruções arteriais importantes.
Na noite de sexta-feira, o vice-presidente foi transferido para a unidade semi-intensiva. Na segunda-feira, ele foi para um quarto normal.
Alencar continua o tratamento do câncer no intestino, de acordo com o último boletim médico, divulgado na terça-feira.
De acordo com o médico Roberto Kalil, o infarto de Alencar foi consequência de uma série de fatores, entre eles, o forte tratamento a que ele vem se submetendo contra o câncer.
Na manhã de sábado, depois de mais de 16 horas de viagem, a presidente eleita Dilma Rousseff e o presidente Lula desembarcaram em São Paulo para uma visita de 40 minutos com o vice.
No dia 8 deste mês, ele voltou a se alimentar por via oral depois de passar duas semanas recebendo alimentação por sondas.
O vice-presidente, que enfrenta um câncer na região abdominal há mais de dez anos e já passou por mais de 15 cirurgias, está sofrendo com os efeitos colaterais do novo tratamento. No começo de outubro Alencar passou três dias internado no mesmo hospital.
Em setembro, o vice-presidente internou-se no hospital para tratar um edema agudo de pulmão.
Em julho, ele ficou sete dias internado no hospital. Ele passou por um cateterismo (exame para verificar as condições de vasos sanguíneos).
Por conta do tratamento, o vice-presidente decidiu não concorrer nas eleições deste ano, por considerar uma injustiça com os eleitores.
Alencar retomou as sessões de quimioterapia no início de setembro do ano passado, pouco depois de exames terem demonstrado que os tumores abdominais haviam voltado a crescer. Por isso, interrompeu o tratamento experimental a que se submetia nos Estados Unidos.
............
O drama de Alencar, abordado na linguagem fria da notícia sequer pode ser mensurado em toda a sua aterradora essência: conviver o homem, em seu próprio corpo, com aquilo que um dia, próximo ou distante, o irá matar.
Não se trata da irrrevogabilidade da morte, aliviada pela álea da vida que não nos dá, quando em estado de higidez, sinal de quando iremos morrer. Vamos vivendo e pronto. Mas, a quem está com câncer há já a certeza e a causa determinante. Passa-se a conviver com o destruidor encravado no íntimo do ser.
À queda, o retorno; a cada dor a injeção que acalma o corpo em desespero e repara momentaneamente o homem insulado. Alencar vem cumprindo o sofrido ritual do tratamento submetendo o corpo e a mente a um travbalho que salva um pouco, mas também fere e fere muito.
A campanha nessa guerra torna-se pior porque no fundo sabe-se que não haverá salvação, apenas alívio. Mas, ao lado disso, a firmeza de um caráter que não se vergou nem se dobra à ventania bruta de um mal sem limite.
Emanoel Barreto
Diz a Folha: O vice-presidente da República, José Alencar, irá receber alta nesta quinta-feira do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde está internado desde o dia 25 de outubro para o tratamento de uma suboclusão intestinal.
Na quinta-feira, Alencar sofreu um infarto agudo do miocárdio e foi submetido a um cateterismo, que não mostrou obstruções arteriais importantes.
Na noite de sexta-feira, o vice-presidente foi transferido para a unidade semi-intensiva. Na segunda-feira, ele foi para um quarto normal.
Alencar continua o tratamento do câncer no intestino, de acordo com o último boletim médico, divulgado na terça-feira.
De acordo com o médico Roberto Kalil, o infarto de Alencar foi consequência de uma série de fatores, entre eles, o forte tratamento a que ele vem se submetendo contra o câncer.
Na manhã de sábado, depois de mais de 16 horas de viagem, a presidente eleita Dilma Rousseff e o presidente Lula desembarcaram em São Paulo para uma visita de 40 minutos com o vice.
No dia 8 deste mês, ele voltou a se alimentar por via oral depois de passar duas semanas recebendo alimentação por sondas.
O vice-presidente, que enfrenta um câncer na região abdominal há mais de dez anos e já passou por mais de 15 cirurgias, está sofrendo com os efeitos colaterais do novo tratamento. No começo de outubro Alencar passou três dias internado no mesmo hospital.
Em setembro, o vice-presidente internou-se no hospital para tratar um edema agudo de pulmão.
Em julho, ele ficou sete dias internado no hospital. Ele passou por um cateterismo (exame para verificar as condições de vasos sanguíneos).
Por conta do tratamento, o vice-presidente decidiu não concorrer nas eleições deste ano, por considerar uma injustiça com os eleitores.
Alencar retomou as sessões de quimioterapia no início de setembro do ano passado, pouco depois de exames terem demonstrado que os tumores abdominais haviam voltado a crescer. Por isso, interrompeu o tratamento experimental a que se submetia nos Estados Unidos.
............
O drama de Alencar, abordado na linguagem fria da notícia sequer pode ser mensurado em toda a sua aterradora essência: conviver o homem, em seu próprio corpo, com aquilo que um dia, próximo ou distante, o irá matar.
Não se trata da irrrevogabilidade da morte, aliviada pela álea da vida que não nos dá, quando em estado de higidez, sinal de quando iremos morrer. Vamos vivendo e pronto. Mas, a quem está com câncer há já a certeza e a causa determinante. Passa-se a conviver com o destruidor encravado no íntimo do ser.
À queda, o retorno; a cada dor a injeção que acalma o corpo em desespero e repara momentaneamente o homem insulado. Alencar vem cumprindo o sofrido ritual do tratamento submetendo o corpo e a mente a um travbalho que salva um pouco, mas também fere e fere muito.
A campanha nessa guerra torna-se pior porque no fundo sabe-se que não haverá salvação, apenas alívio. Mas, ao lado disso, a firmeza de um caráter que não se vergou nem se dobra à ventania bruta de um mal sem limite.
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
O banco de Sílvio Santos e a descoberta de Atlântida
Emanoel Barreto
Nos últimos dias tive pouco tempo para o Coisas de Jornal. Salvo as atualizações das cartas de Alberany, agora Baronete, mas ainda abominável, nada pude redigir.
De qualquer forma o mundo, velho mundo, continua o mesmo. Se os jornais respeitassem rigorosamente que somente o que é novidade é notícia, nada seria noticiado. Escândalos são idênticos àqueles que os antecederam, morticínios idem, corrupção política ibidem.
Talvez jornais só devessem sair se fosse descoberto um novo continente. Salvo uma extraordinária descoberta do que restou de Atlântida, isso é bastante improvável.
Mas os jornalistas precisamos manter o mundo informado a respeito de suas velharias, quase dizia velhacarias...
Que triste, não? Enquanto isso, tem gente que espera na fila para descobrir que o médico do posto de saúde faltou mais uma vez...
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
A professora Arlete Araújo e o professor Manuel Lucas, candidatos a reitora e vice da UFRN na última consulta à comunidade universitária para sucessão do reitor Ivonildo Rego, divulgaram carta aberta de agradecimento, cuja transcrição segue abaixo.
.......
Concluído o processo de consulta à Comunidade Universitária para escolha
do Reitor e Vice-Reitor, nós, que constituímos a chapa Um Novo Olhar
para a UFRN, nos dirigimos a todos os professores,
técnico-administrativos e alunos que expressaram a sua confiança
mediante o voto em nossas idéias, para manifestar nossos agradecimentos
pelo apoio e estímulo recebidos no pleito.
Durante toda a campanha apresentamos e defendemos um projeto de gestão
que contemplava um conjunto de iniciativas acadêmicas e administrativas
baseadas nos princípios da transparência, da participação, da autonomia
e da democratização interna do espaço púbico. E o fizemos sempre
pautados por uma conduta ética, de respeito às diferenças no campo
programático e de defesa intransigente de uma instituição republicana
que assegurasse a impessoalidade no trato da coisa pública, a
publicização de seus atos, a legalidade e a transparência. Também não
descuidamos de qualificar o debate, tanto apresentando um programa em
sintonia com os problemas atuais da UFRN, como levantando um conjunto
de proposições na forma de artigos sobre temas candentes da gestão
universitária.
Estamos convictos da importância de termos oferecido um projeto
alternativo à nossa Comunidade Universitária. Permanecemos convencidos
que o debate fortalece a instituição e exige que as candidaturas façam
a interlocução com seus diversos segmentos e dessa forma se comprometam
com um programa de gestão em sintonia com as demandas existentes, de
modo que a responsabilização do gestor público possa vir a ser algo
concreto e passível de cobrança no futuro.
A confiança depositada em nossos nomes será objeto de balizamento para
nossas ações cotidianas e fará com que o compromisso com a UFRN seja
permanentemente reafirmado. Não nos furtaremos a exercê-lo!
Muito obrigado a todos que acreditaram e acreditam na UFRN que sonhamos!
Natal, 15 de Novembro de 2010
Arlete e Manoel Lucas
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Após encotrar-se com o Marquês de Camisão y Astúrias, o Baronete Alberany,o Abominável, traça com seu anfitrião ilustre conversação, fixando planos para aquele que pretende tornar-se Faraó. Nesta carta ele narra o que então se passou.
Terra Brasilis, 14 de junho de 1730
Eis o que vois falo:
após tornar-me apto a conhecer as instâncias da ciência e pôr- me a par de altos conhecimentos, Sua Graça envidou-me a sérios planos. Eis o que se deu: Estais pronto a ajudar-me no intento de logo logo tornar-me Faraó?, disse-me ele.
Encantado pela distinta honra de trabalhar com aquele iluminado ser, expus então o que se deu e vos dou agora a saber: Vossa Graça, indaguei, para a construção da pirâmide não precisaremos de extensas terras e de muita mão de obra? Sim, ele concordou de imediato.
Então, disse-lhe eu, mandemos vossos trabalhadores e escravos já a vossa terra repartir, delimitando o local de tão grande obra, feito grande e a ser inigualado. Mas a resposta que me deu calou-me a boca e entonteceu o meu raciocínio. Disse-me: Não. Mas por quê, Vossa Graça?, indaguei. Sem as terras não teremos obra, sem obra crescimento, sem crescimento pirâmide alguma, e tereis a vossa glória desabada.
Ele insistiu: Não. E explicou-me. Suas terras eram para o cultivo e as austeras produções, amanho e belíssimas colheitas. E como faremos?, quis saber então. Teremos terras, assegurou-me. Ante tal declaração logo intuí e disse: Já sei, tomaremos a terra ao povo, que a não nunca soube cultivar? Também não, asseverou, cenho cerrado. Também não, porque o povo não tem terra. E a quem a tem, quando a tem, está em área de paul que a nada serve, a não ser a nuvens de pernilongos e outros insetos malfazejos. O povo, Baronete, não tem nada. Nada a não ser os próprios braços, que esses nem mesmo lhes são seus, pois que vive a mendigar trabalho, implorando uma códea de pão. Pão preto e de travoso gosto.
Então, como faremos, Vossa Graça: ergueremos a pirâmide nos ares? Ele sorriu blandícias e demonstrou sabença: Baronete, tiraremos as terras de outro nobre. Que como eu não é bondoso e justo. Mas avaro e entesourador, não as cultivando com carinho intenso, como faço eu em meu saber.
Ó, Vossa Graça, que carinho, que grandeza de espírito. Deixa ao povo as suas pobres terras para que nelas possam com os mosquitos estar em serena convivência e temperança. E tomareis a um nobre igual a vós aquilo do qual não aproveita. Grande senso de justiça tendes! Eia!
Vistes, vistes como age de bom grado um grande Faraó? Eis aqui toda a minha justiça. Mas, ó, que infeliz sou - surpreendeu-me. E eu disse: Sois infeliz, Vossa Graça? Mas, como, se tendes um futuro eminente? Ao que ele respondeu: As terras que predendo, Baronete, pertencem a sórdido vilão, o Duque de Hermida y Aragão. E, dizem, e afirmou isso com olhar de medo, dizem que tem comércio com o diabo. E ante tais coisas mesmo um Faraó, um ser divino,deve atuar com cautela e parcimônia.
Percebendo o altivo sofrimento de Sua Graça, assumi postura varonil: Ah! Quer dizer que temos aqui um tratante que mantém contatos e presta serviços a Belzebu, heim? Diante de minhas palavras, o grandioso homem admitiu que sim e o fez com um triste acenar de cabeça.
Mas eis que então eu reagi de pronto: Não temais, nobre senhor, assegurei: Irei enfrentá-lo em seus próprios domínios. Esqueceis que tenho comigo súcia de velhacos de grande porte, homens loucos afeitos ao perigo? Esqueceis que me acompanham molheres feiticeiras e macabras, adivinhos falantes e terríveis, videntes e profetas embusteiros? Ó, nobre senhor, considerai vosso intento coisa feita. Deixai-me liderar a minha grei e ao fim e ao cabo vos trarei as alvíssaras mais lucentes e hermosas e daremos a nosso ofício mãos à obra, construindo monumental pirâmide.
E dizendo assim pedi licença, e de sua presença me saí. Reuni meu bando de ordinários, atirando-me à grande empreitada: enfrentar e vencer o Duque de Hermida y Aragão, abrindo ao meu senhor largos espaços.
Mas, eis que agora vos deixo leitor meu, ilustre anfitrião de mis palavras. Em breve retorno em outra carta, vos narrando o que se assucedeu.
Deste que vos honra e preza,
Baronete Alberany, o Abominável.
Terra Brasilis, 14 de junho de 1730
Ilustre leitor, grande letrado, eis agora o que se vos passo a relatar de minha convivência com Sua Graça, o Marquês de Camisão y Astúrias. Caso tenhais paciência de me ler até o fim, vereis quantas cousas boas e dignos projetos estamos a fabular.
Eis o que vois falo: após tornar-me apto a conhecer as instâncias da ciência e pôr- me a par de altos conhecimentos, Sua Graça envidou-me a sérios planos. Eis o que se deu: Estais pronto a ajudar-me no intento de logo logo tornar-me Faraó?, disse-me ele.
Ao que de pronto respondi, contrito: Com todo o fito do meu ser e todas as forças que do corpo e mente me acudirem. Ó, exultou, então, tomai saber do que se passa em minh'alma gentil e industriosa. É missão minha e empenho pessoal chegar a tão subida posição. E tornar o povo tão feliz, por servir de bom grado a mim Senhor, que não posso abdicar das lutas, ingentes esforços que já se me avizinham. Meu primeiro passo, já o sabeis, será construir, erguer e erigir magnífica pirâmide, dossel de eterna pedra onde repousará magnífico o meu sarcófago.
Encantado pela distinta honra de trabalhar com aquele iluminado ser, expus então o que se deu e vos dou agora a saber: Vossa Graça, indaguei, para a construção da pirâmide não precisaremos de extensas terras e de muita mão de obra? Sim, ele concordou de imediato.
Então, disse-lhe eu, mandemos vossos trabalhadores e escravos já a vossa terra repartir, delimitando o local de tão grande obra, feito grande e a ser inigualado. Mas a resposta que me deu calou-me a boca e entonteceu o meu raciocínio. Disse-me: Não. Mas por quê, Vossa Graça?, indaguei. Sem as terras não teremos obra, sem obra crescimento, sem crescimento pirâmide alguma, e tereis a vossa glória desabada.
Ele insistiu: Não. E explicou-me. Suas terras eram para o cultivo e as austeras produções, amanho e belíssimas colheitas. E como faremos?, quis saber então. Teremos terras, assegurou-me. Ante tal declaração logo intuí e disse: Já sei, tomaremos a terra ao povo, que a não nunca soube cultivar? Também não, asseverou, cenho cerrado. Também não, porque o povo não tem terra. E a quem a tem, quando a tem, está em área de paul que a nada serve, a não ser a nuvens de pernilongos e outros insetos malfazejos. O povo, Baronete, não tem nada. Nada a não ser os próprios braços, que esses nem mesmo lhes são seus, pois que vive a mendigar trabalho, implorando uma códea de pão. Pão preto e de travoso gosto.
Então, como faremos, Vossa Graça: ergueremos a pirâmide nos ares? Ele sorriu blandícias e demonstrou sabença: Baronete, tiraremos as terras de outro nobre. Que como eu não é bondoso e justo. Mas avaro e entesourador, não as cultivando com carinho intenso, como faço eu em meu saber.
Ó, Vossa Graça, que carinho, que grandeza de espírito. Deixa ao povo as suas pobres terras para que nelas possam com os mosquitos estar em serena convivência e temperança. E tomareis a um nobre igual a vós aquilo do qual não aproveita. Grande senso de justiça tendes! Eia!
Vistes, vistes como age de bom grado um grande Faraó? Eis aqui toda a minha justiça. Mas, ó, que infeliz sou - surpreendeu-me. E eu disse: Sois infeliz, Vossa Graça? Mas, como, se tendes um futuro eminente? Ao que ele respondeu: As terras que predendo, Baronete, pertencem a sórdido vilão, o Duque de Hermida y Aragão. E, dizem, e afirmou isso com olhar de medo, dizem que tem comércio com o diabo. E ante tais coisas mesmo um Faraó, um ser divino,deve atuar com cautela e parcimônia.
Percebendo o altivo sofrimento de Sua Graça, assumi postura varonil: Ah! Quer dizer que temos aqui um tratante que mantém contatos e presta serviços a Belzebu, heim? Diante de minhas palavras, o grandioso homem admitiu que sim e o fez com um triste acenar de cabeça.
Mas eis que então eu reagi de pronto: Não temais, nobre senhor, assegurei: Irei enfrentá-lo em seus próprios domínios. Esqueceis que tenho comigo súcia de velhacos de grande porte, homens loucos afeitos ao perigo? Esqueceis que me acompanham molheres feiticeiras e macabras, adivinhos falantes e terríveis, videntes e profetas embusteiros? Ó, nobre senhor, considerai vosso intento coisa feita. Deixai-me liderar a minha grei e ao fim e ao cabo vos trarei as alvíssaras mais lucentes e hermosas e daremos a nosso ofício mãos à obra, construindo monumental pirâmide.
E dizendo assim pedi licença, e de sua presença me saí. Reuni meu bando de ordinários, atirando-me à grande empreitada: enfrentar e vencer o Duque de Hermida y Aragão, abrindo ao meu senhor largos espaços.
Mas, eis que agora vos deixo leitor meu, ilustre anfitrião de mis palavras. Em breve retorno em outra carta, vos narrando o que se assucedeu.
Deste que vos honra e preza,
Baronete Alberany, o Abominável.
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