sábado, 30 de maio de 2009

Mexendo no Youtube encontrei esta pérola. O grande Caruso, em "O sole mio".
Abraços,
Emanoel Barreto
http://www.youtube.com/watch?v=Y2eWglxp6g0

... No posto abaixo, meu comentário sobre a Copa de 2014.
Futebol para os bobos
Emanoel Barreto

Pois muito bem: neste domingo sai a lista das cidades que serão subsedes da Copa de 2014. Dizem que Natal já está escolhida. Vamos esperar. Já pensou que o dinheiro que será gasto, se Natal for mesmo escolhida, transformaria o Walfredo Gurgel num hospital de excelência?
Fica a indagação.
Alta indagação.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

E aí, vamos gritar gooooooooooooooooool?
Emanoel Barreto

As coisas de jornal estão dizendo que será domingo a escolha das cidades que sediarão a Copa do Mundo de 2004. E que Natal estaria muito bem contada para ser uma delas. Lamentarei profundamente se isso ocorrer. Será dinheiro público investido num estádio de custos milionários, uma "arena" como se diz por aí, que em nada beneficiará esse pobre Rio Grande do Norte.

Enquanto isso segurança, saúde e educação ficam às favas. É compreensível o entusiasmo. Afinal se estará dando ao povo pão e circo. E as massas, anuviadas pela emoção que o futebol ativa, comparecerão em peso, como se estivessem sendo premiadas.

É preciso lembrar que, se essa tal arena for construída, haverá apenas dois jogos em Natal, pelo que estou sabendo. E mesmo que sejam mais, nada justifica gastar esse dinheiro. Nenhuma situação socialmente proveitosa decorrerá desse iniciativa. Nosso índice de desenvolvimento humano não será alterado para melhor.

Espero, sinceramente, que Natal não seja escolhida.

quinta-feira, 28 de maio de 2009


O terror, o terror, o terror...
Emanoel Barreto

O terrorismo, para além de suas manifestações de violência, que ultrapassam o objetivo militar primário, tem a sua maior força de repercussão pelo fato de que atinge vítimas não diretamente envolvidas com aqueles que representam o sistema que se quer atingir. Ou seja: o agrente terrorista tem o maléfico condão de atingir pessoas ao léu, qualquer um que passe no instante de detonação de uma bomba ou qualquer outro artefato mortífero.

Reside aí a força do terror: criar na população um sentimento de medo coletivo que diz: qualquer um, a qualquer hora, pode ser alvo. Tais ações visam demonstrar que, insidiosamente, os agentes terroristas podem se mover silenciosamente e instalar seus artefatos. Com isso, fica claro às pessoas que o Poder não está assim tão aparelhado para impedir que com desenvoltura os atentados sejam praticados.

Todas as ações desse tipo trazem em si uma forte carga comunicacional: o terrorismo é uma ampla e sinistra forma de comunicação. Todo atentado, tecnicamente, é uma espécie de texto, que reafirma a capacidade do grupo de causar danos os mais amplos, profundos e desestabilizadores. Vide o ataque de Osama aos Estados Unidos.

Foram escolhidos cuidadosamente três alvos: as torres gêmeas, como símbolo do capitalismo; o Pentágono, que representa o poderio bélico americano e a Casa Branca, como figuração da tera-mãe. A brutalidade teve todo todo um sentido de comunicação de massa, ferindo o povo americano em seus valores mais caros.

Todo ato, assim, visa repercussão de imprensa, o que termina por validá-lo, perante seus autores, como tática eficaz de guerra. Se não se anuncia tais acontecimentos, os agressores também saem ganhando, pois esse silêncio os beneficiará. Divulgando-se, obtêm o efeito de mídia pretendido. Será sempre um dilema para os jornalistas. Mas, divulgar é preciso, a fim de que as populações possam de alguma maneira prevenir-se.

Mas há uma forma também degradante de terrorismo: o terrorismo de Estado. O exemplo mais recente é o da Coreia do Norte, cujo discurso de poder está centrado na ameaça do uso de armas atômicas. Sem questionar que os Estados Unidos também se arrogam o uso das mesma armas, é preciso que os líderes do mundo usem de bom senso, para pelo menos, contornar a situação.

No mais, é perplexidade e desencanto quanto ao mundo onde vivemos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mesquinhos e cruéis
Emanoel Barreto

A tensão no nordeste da Ásia aumentou ontem com o lançamento de mais três mísseis de curto alcance pela Coreia do Norte (outros três foram lançados na segunda-feira) e o anúncio da Coreia do Sul de que vai aderir formalmente à iniciativa que permite a interceptação de navios suspeitos de carregar materiais ou armas de destruição em massa, gesto que os vizinhos comunistas veem como uma declaração de guerra. Tecnicamente, os dois países permanecem em conflito desde 1950, quando teve início a guerra que dividiu a Península da Coreia. Um cessar-fogo foi estabelecido em 1953, mas as partes nunca firmaram um acordo de paz.

.... A informação é do Estadão e confirma mais que a possibilidade de um conflito armado: a insensatez insana dos dirigentes do mundo. Ao que parece, encaminhar os destinos de um povo, na visão dos envolvidos, é mostrar armas, assim como os pitbulls mostram os dentes: nestes, justifica-se, são animais e agem por instintos; mas, e nos humanos? Só pode ser o seguinte: são feras tidas como racionais, o que as torna especialmente perigosas.

Já percebeu que os dirigentes mundiais sempre reúnem para discutir sobre coisas mesquinhas como dívidas, pressões sobre outros povos, cobranças, intimidações, dinheiro? Isso, quando não se juntam em magotes ideológicos para justificar brutalidades como a marca do bem.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Choro e ranger de dentes
Emanoel Barreto

As coisas de jornal andam falando na reforma política. Financiamento oficial de campanhas e voto só no partido. Ou seja: dinheiro nosso para uma farra eleitoral, mesmo sabendo-se que haverá alguém movimentando caixa dois; e você votando, mas sem saber em quem.

Pergunto: qual a necessidade disso? Não seria melhor empregar esse dinheiro em saúde, educação, segurança, estradas? E porque essa esquisitice de voto no partido? Como serão eleitos vereadores e deputados estaduais e federais? Qual o critério para a escolha dos candidatos eleitos? Se você vota no partido, como alguém será tido como mais votado que outro?

Coisas bizarras num país estranho. Estranho a seu povo, aos que se acabam nas filas e não têm atendimento médico, aos que morrem em meio a tiroteios. Certamente haverá teóricos, politólogos, defendendo tais teses. Mas a realidade, crua e cruel, vai mostrar que não têm razão. E, para o povo, haverá choro e ranger de dentes.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os ratos em congresso reunidos
Emanoel Barreto

Os ratos em congresso reunidos,
tramam planos, assumem compromissos.
Compromissos com coisas tenebrosas,
transações escuras, lucrativas.

Os ratos em congresso reunidos,
tramam planos, assumem compromissos.
São espertos, rapidinhos, saltitantes.
Querem lucros, querem mais e sempre mais.

Tenebrosos, transações e sempre mais.
São os ratos, sempre eles, espertinhos.
Bebem leite e depois
já vão dormir.


domingo, 24 de maio de 2009

sábado, 23 de maio de 2009

O dever de respeitar
Emanoel Barreto

O Estadão informa: SÃO PAULO - Maisa Silva, 7 anos, está proibida pela Justiça de participar do quadro Pergunte para Maisa, no Programa Silvio Santos, a partir deste domingo. O alvará que permite que a garota trabalhe na televisão foi cassado nesta sexta-feira, 22, pela juíza auxiliar de Osasco Ana Helena Rodrigues Mellim, que aceitou o pedido feito pela promotora estadual da Infância e da Juventude de Osasco, Susana Müller.

A promotora usou o argumento de que Maisa era submetida a situações impróprias que ferem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela também ressaltou que a participação da garota não observa o direito à liberdade e o respeito à dignidade do ser humano em desenvolvimento. Com relação ao Sábado Animado, a Justiça ainda não se manifestou.
....

Às vezes a Justiça tarda, mas... chega. A decisão proibindo a criança de ser levada a situações vexatórias é um exemplo disso. A forma cruel como era exibida, como se fosse um animalzinho esperto, acabou. Como disse na postagem de ontem, esse tipo de televisão, que explora, da parte do espectador, a manifestação da face sórdida do ser humano, é uma espécie de praga, uma peste negra comunicacional que valida e torna importante o uso das pessoas como seres merecedores de ridicularização e escárnio.


Alguém ainda deve se lembrar de Faustão humilhando, para audiência de milhões de telespectadores, um jovem portador de característica que o senso comum chama de deficiência mental. Ele fora obrigado a se vestir como um cantorzinho que se apresenta sob o nome de "Latino". Lembra? Pequeno e magrinho, o jovem era levado a tentar cantar e rebolar como o citado elemento, para alegria estúpida do público.



Choveu reclamação nos telefones da Globo. Acho até que o Jornal do Brasil, então um jornal respeitável, emitiu editorial a respeito. Anos depois, o indivíduo Faustão, em entrevista, disse que "não sabia" como o jovem fora levado ao programa. "Isso tinha sido coisa da produção".
Infelizmente vivemos uma crise de valores, onde o sério cede lugar à malta de infames; a diversão sadia perde para a baderna e o lazer televisivo se transforma numa pantomima de vilões, gente safada e sem princípios.
No caso da menina Maísa, entretanto, parece que terá um final decente.
(Foto: Carol Carvalho, do Jornal da Tarde)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

The show must goes on...
Emanoel Barreto

Está registrado nas coisas de jornal da Folha que a menina Maísa, que se apresenta ao lado de Sílvio Santos pode estar sendo alvo de crueldade pelo dono do SBT: "Nas duas últimas edições do Programa Silvio Santos, exibidas nos dias 10 e 17 de maio, Maisa passou por situações de 'pranto convulsivo e aparente estado de desespero, enquanto o apresentador e animador de auditório Senor Abravanel aparentava extrema tranquilidade e alegria com o desenrolar dos fatos'", diz um trecho do ofício enviado ao SBT, segundo o comunicado publicado pela Folha.

O baixíssimo nível da programação da TV aberta, seus reality shows, tipos como Sílvio Santos, Gugu Liberato e Faustão são o exemplo mais refinado e perverso desse tipo de televisão. Que não acontece apenas no Brasil. Trata-se de apenas mais uma manifestação da tal globalização, que visa reduzir o mundo a apenas mercado e, para tanto, apela para os sentimentos mais baixos do público. A vulgaridade tornou-se quase que padrão moral a ser seguido, a crueldade marca registrada, o exercício de poder sobre participantes de reality shows uma regra a ser imitada.

A exposição dessa criança é prova disso. Veja o que diz a Folha: A menina Maisa protagonizou uma nova cena de choro no "Programa Silvio Santos", que foi ao ar neste domingo (17) no SBT.
No programa, Silvio Santos diz que não quer mais conversar com a garota. "Porque na semana passada você deu vexame, ficou chorando no palco como se fosse uma criancinha de um mês de idade."
Diante da reprimenda do apresentador, os olhos de Maisa começam a se encher de lágrimas.
"Mas você chora à toa. Parece uma atriz de televisão. Qualquer coisinha fica magoada. Auditório, eu estou falando alguma coisa para ela chorar?", questiona Silvio.
Desconcertada, Maisa olha para o chão e diz que ficou "magoada". Chorando e gritando, ela sai do palco e bate a cabeça em uma das câmeras do programa.
"Que artista cheia de banca", diz Silvio que, em seguida, com o público seguindo em coro, grita: "Medrosa, medrosa, medrosa."
"Tá doendo muito! Posso ir lá para a minha mãe?", pergunta Maisa ao voltar para o palco.
Maisa se dirige até o local onde se encontra sua mãe. No entanto, a mãe se recusa a receber a filha nos bastidores.
Ela se volta para o apresentador: "Silvio, deixa esperar sarar que eu volto. Gosto muito de você, mas está doendo muito."
"Silvio, meu Deus, tá doendo muito. Silvio, semana que vem vou gravar dois programas", grita a garota.
Em seguida, ela toma um copo de água, resolve encerrar o quadro "Pergunte para Maisa" e sai do palco. "Só cria caso. Toda semana ela cria caso", conclui Silvio.

Ao visto, até os familiares se recusaram a amparar a menina. Certamente a ganância pelo dinheiro auferido com sua força de trabalho superou o que seria de se esperar de uma mãe. Mas, o show tem que continuar...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Vamos ter fé. Mas, só em Deus
Emanoel Barreto

As coisas de jornal da grande imprensa alarmam a respeito do câncer da ministra Dilma Rousseff. Na verdade, não é bem assim: Estadão e Folha falam a respeito da doença sem emitir qualquer opininão, mas sabem que o simples falar que uma pessoa está com câncer a inabilita presuntivamente, aos olhos da opinião pública, como pessoa apta ao exercício, por exemplo, da presidência da República.

Não pense que estou contra a liberdade de informação. Nada disso. O que alerto aos leitores é quanto ao fato de que as formulações jornalísticas muitas vezes, sob a alegação de objetividade, ou seja, estar apenas relatando os fatos como aconteceram, trabalham ocultamente formulações que visem prejudicar adversários políticos. Tanto Folha como Estadão registraram, sem destaque, que a ministra está usando "uma peruquinha básica", no dizer do Estadão.

E não é segredo para ninguém que as direções da Folha e do Estadão não morrem de amores pelo PT e por Lula. Então, aprendam a ler jornais lendo nas entrelinhas. Reafirmo: acreditem em jornais; mas, fé, só em Deus.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dicas para um foca
Emanoel Barreto

Bom, como disse ontem, escrevo hoje para Alexsander Santana, que deseja ser jornalista. Primeira coisa; faça o curso de jornalismo. O curso lhe dará a formação profissional, ética e base teórica para o exercício da profissão. Os cursos estão passando por amplas reformulações e formação de quadro com professores capacitados.

Quanto ao trabalho mesmo, o batente, como chamamos na redação, o bom profissional precisa ter disponibilidade, ou seja: estar disponível literalmente a qualquer momento para ao trabalho. Jornalista é como policial ou médico: a qualquer momento pode se precisar dele.

Se você, digamos, cumpriu seu expediente e vai para casa e no meio do caminho encontra um incêndio, deve, pelo menos, informar à chefia de redação, quando não você mesmo cobrir o acontecimento. Pede que lhe mandem um repórter-fotográfico e faz a cobertura. Se o acontecimento for enorme, como por exemplo a brutalidade de Bin Laden contra as torres gêmeas, então vem uma equipe inteira.

Jornalista precisa ter fontes. Ou seja: se você é repórter policial, repórter político ou econômico, ou qualquer outra área, precisa conhecer gente, ter seus telefones, saber onde encontrar suas fontes a qualquer hora do dia ou da noite.

Jornalista precisa ser ético, deve saber respeitar as pessoas e manter uma distância crítica, mas polida, com os entrevistados. Precisa ter equilíbrio quando vai redigir suas matérias. Precisa ter três saberes profissionais: saber de reconhecimento, que diz respeito à sensibilidade quanto ao potencial noticioso de uma ocorrência (o caso do incêndio); saber de procedimento, que refere às atitudes a tomar para apurar bem um fato e saber narrativo, que é relativo à sua capacidade de redigir clara e sinteticamente o ocorrido.

Em poucas palavras Alesxandro, é isso. Faça o curso e venha a ser um foca brilhante e disposto a enfrentar desafios. Grato pelo seu e-mail e coloco-me à sua disposição. (EB)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Não é por aí, Vida...
Emanoel Barreto

Fui hoje a sessão solene na Assembléia Legislativa, em homenagem póstuma a meu amigo e de alguma forma mentor Leônidas Ferreira. Médico, político, homem de esquerda, era dotado de uma singularidade: sabia que trabalhar pelo social pode ser feito, mesmo sob governos conservadores. Assim, foi secretário de Saúde e Chefe da Casa Civil do governador José Agripino, realizando excelente trabalho.

Relembro sua figura amena, que deplorava os ódios encravados na alma humana. Dizia: "A gente deve se ligar às pessoas pelo amor. O ódio faz de você escravo de quem você chama de inimigo." Conciliador, tinha sempre uma palavra pacificadora: "Não é por aí: vamos conversar."


Lembro-me ainda de viagem que fizemos a Mossoró. Não fui como jornalista, mas como amigo. Convidou-me e lá nos atiramos de carro até lá. Antes, uma parada em Angicos, onde visitou família do seu antigo conhecimento. A dona da casa, senhora de modos artísticos, tocou-nos algumas valsas num velho e manco piano. Instrumento desafinado, mas, mesmo assim, capaz de nos fazer perceber a linha melódica. Que se perdia, tristemente, no ar morno e solitário da noite do sertão.

Em Mossoró visitamos o ex-governador Tarcísio Maia na Fazenda São João. Tarcísio era uma figura de enigmática serenidade. Recebeu-nos com o afeto que só os grandes senhores sabem dispensar, com gestos ao mesmo tempo efusivos e milimetricamente sóbrios.

Voltamos de avião. Lá de cima víamos o Rio Grande do Norte que ele tanto amava, suas paisagens e belezas. Depois, o tempo nos separou. Ele seguiu sua missão de médico e de político, trabalhando em ações de entidade internacional de saúde, e eu o meu jornalismo e, depois, professor.

E então, de repente, como se se tivessem passados apenas alguns minutos, estou eu na Assembléia, chorando a sua morte nas palavras do deputado Lavoisier Maia, que fez a saudação à sua figura histórica. A saudade mostrou como a vida é rápida. E todo o nosso tempo cabe, ele todo, numa minúscula gota da eternidade.

Não é por aí, Vida: você não devia ter levado Leônidas assim, tão depressa.
...
*Recebi e-mail de um jovem que se identifica como Alexsander, que quer ser jornalista. Pede-me conselhos a respeito da profissão. Amanhã, Alexsander, publicarei sua mensagem e falarei a você a respeito da nossa profissão. (EB)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Foto do ônibus espacial Atlantis
Para onde vamos?
Emanoel Barreto
Tão pequenos no espaço flutuando
Qual o rumo, qual direção a tomar?
Por que vida, de onde veio, aonde vai?
Tão pequenos no espaço flutuando.

sábado, 16 de maio de 2009

Com meu filho? Com meu filho, não!
Emanoel Barreto

Sob o título "Brasileiro desiste, sim", o jornalista Clóvis Rossi publicou artigo na Folha, que vai, parcialmente, transcrito abaixo:

Lembra-se daquela história de que "brasileiro não desiste nunca", muito usada na propaganda do governo? Pois não é que um dos garotos propaganda da história desistiu do Brasil? Chama-se Ronaldo Nazário de Lima, mais conhecido como Ronaldo Fenômeno, e confessou ontem, durante a sabatina Folha, que prefere educar os filhos na Europa.

Por dois motivos básicos: segurança e educação. Ronaldo contou que, quando seu filho vem ao Brasil e se junta a garotos brasileiros da mesma faixa etária, é impressionante a quantidade de palavrões que dizem os amigos do filho. Já Ronald é "doce", "europeu", diz o pai. Na prática, quer dizer o seguinte: a educação que recebe na Espanha, onde vive com a mãe, o torna mais civilizado que seus companheiros no Brasil. Quando observei que a comparação parecia racista, o jogador devolveu: é apenas realista. Fechou com uma frase irrespondível: "A gente tem que pensar nos filhos".
..................

E aí? As palavras do jogador, que não levam em consideração, claro, aspectos históricos que resultaram no que o Brasil é, revelam, de alguma maneira, o pessimismo nos abate. Digo nós, porque somos um povo com baixa auto-estima. Sempre o que vem "de fora" vemos como melhor que o nosso. Qualidade? Basta olhar as frutas que os supermercados vendem: lá fora, seriam comida para porcos, se fossen.

Temos o que Nelson Rodrigues chamava de "complexo de vira-lata", como se fôssemos um povo de segunda. O problema é nos transformamos num povo dionisíaco demais, hedonista demais, folgazão demais, deixando de lado, ou pelo menos para depois, questões estruturais e conjunturais graves. Temos um índice altíssimo de corrupção. Nosso congresso, às vezes creio que melhor seria chamá-lo de bando ou quadrilha. E formar bando ou quadrilha é crime. É o que os americanos chamam de conspiracy: conspiração. Temos um congresso conspirador e corruto.

Não dou razão a Ronaldo. Ele próprio um bacante. Vocês sabem ao que me refiro... Acho que os problemas históricos do Brasil podem e devem ser resolvidos. Não podemos sucumbir às nossas próprias desgraças, mesmo que elas pareçam fazer parte da nossa genética social. Precisamos banir, isso sim, da vida pública, os carrascos imorais e crueis das elites que colonizam este país, ideológica e economicamente.

Mas isso é processo longo, penoso e estafante. Precisamos reduzir nosso carnavalismo e descobrir que, mesmo sendo bom um grande porre de alegria, festa e mulatas bonitas, há algo mais na vida: trabalho e seriedade. Mais que isso, honradez deveria ser o nosso lema.

sexta-feira, 15 de maio de 2009


A estrela sobe
Emanoel Barreto

"Susan Boyle, a desempregada escocesa de 48 anos se tornou hit da internet graças à sua voz." A técnica de redação jornalística permite esses pequenos milagres: produzir a biografia de uma pessoa em apenas 17 palavras. O texto curtíssimo permite, de forma alusiva, que o leitor de alguma maneira trace suposições quanto ao passado de Susan, suas dificuldades, sofrimentos até; quando afinal brilhou o sol da internet no You Tube e a fez uma super-estrela de futuro reluzente.

Dois aspectos: o valor intrínseco e não reconhecido da cantora e os mecanismos de mídia que permitem a alguém, em questão de dias, tornar-se mundialmente conhecido. Para o bem ou para o mal.
Susan revelou-se num programa de calouros. Hoje, assediada pela imprensa, é tida como uma espécie de divindade da fama.

É assim que se passam as coisas de jornal: alguém chega ao pódio da fama seja pelos próprios jornais ou outros meios, como Susan em seu programa de calouros e os jornais, depois de construir o mito, sobre ele se remetem, como se não percebessem que fora coisa criada por eles mesmos. Forma-se uma espiral de sucesso.

Que Susan brilhe e encante o mundo. Mas, que fique registrado, o contrário, com outra ou outras pessoas poderia acontecer e serem elas levadas ao mais miserável ostracismo, como aconteceu no Brasil, com os donos da Escola Base. Acusados injustamente de abusos sexuais a crianças.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Divulgação/Fotomontagem Folha Online
Os Velhos Olhos Azuis
Emanoel Barreto

O cineasta americano Martin Scorsese dirigirá o filme "Sinatra", que contará a vida e a carreira do artista americano, informou a versão on-line da revista "Variety" nesta quarta-feira.

Os estúdios Universal Pictures e Mandalay Pictures produzirão o filme, que terá roteiro de Phil Alden Robinson e levou anos entre a elaboração do projeto e a liberação dos direitos autorais do cantor, administrados pela Frank Sinatra Enterprises.

Frank Sinatra (acima, em diversas fotos) ganhará biografia no cinema pelas mãos de Martin Scorsese Sinatra (1915-1998) foi um dos maiores ícones da indústria do entretenimento do século 20, fazendo enorme sucesso como cantor (foi vencedor de 11 prêmios Grammy) e ator (vencedor do Oscar em 1954 por sua atuação em "A um Passo da Eternidade".

.......................

O texto acima é da France Presse, publicado na Folha, e uma coisa chamou-me a atenção: o fato de apontar Sinatra como integrante da "indústria do entretenimento". Discordo. Um cantor da estatura d'Os Velhos Olhos Azuis está acima disso. Suas canções, pelo peso cultural que representam, tocam mais fundo que algo como as músicas, por exemplo, de Madonna, uma velha, mas velha mesmo, aproveitadora do marketing.

Entendo que a música, a grande música, aquela de bom gosto, refinada, que nos traz sensações e evocam sentimentos mais intensos de percepção da vida, não devem ser vistas apenas como "entretenimento". Chico Buarque é entretenimento? Creio que não. Mas, vamos esperar o filme e ver o que ele nos conta.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Isso é incrível!
Emanoel Barreto

Veja o que diz a Folha: O filme "Divã" ultrapassou neste fim de semana a marca de 1 milhão de espectadores nos cinemas brasileiros.
Segundo o Filme B, a comédia foi vista por 1.085.456 de pessoas, sendo que neste fim de semana, ela atraiu 150 mil espectadores ao cinema. O longa, dirigido por José Alvarenga Jr., é protagonizado por Lília Cabral, no papel de uma mulher de meia-idade que se separa do marido (José Mayer) e acaba se envolvendo com dois homens mais jovens (interpretador po Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond).

O filme ficou em terceiro lugar nas bilheterias nacionais, com R$ 1,2 milhão. Na sua frente, ficaram os blockbusters "X-Men Origens: Wolverine" (com R$ 4,6 milhões) e "Star Trek" (R$ 1,4 milhão).

...... A notícia exultante da Folha informa algo realmente muito bom: um filme nacional com grande bilheteria. Mas traz outro aspecto, esse não tão bom: o fato de que a colonização cultural vinda dos Estados Unidos predomina sobre esse tipo de obra de arte. Tanto, que o jornal comemora, ao anunciar o sucesso de público.

Somos um país de grandes artistas, diretores e pessoal técnico. Na música, nas letras, no teatro, no cinema. Mas, apesar disso, o predomínio americano é tão forte que produções nacionais cinematográficas são poucas, não há investidores.
Trata-se de algo preocupante. Nós não nos representamos nas telas, não há Brasil nas salas de cinema. A paisagem, o mundo cinematográfico que vemos vem dos Estados Unidos. E isso tem grande capacidade de impregnar o imaginário coletivo, provocando um efeito de descolamento frente à nossa realidade.

Já notou que, nos comerciais, a paisagem urbana é feita em locações que relembram a arquitetura americana? Preste atenção e verá que tenho razão. E isso em função de que vemos tantos filmes de Hollywood, que essa paisagem já se entranhou em nossa cultura visual.

Os publicitários perceberam isso. E se utilizam desse estratagema para ampliar o efeito de verdade dos comerciais para vender carros, por exemplo. Espero que "Divã" continue a ter sucesso. E que o cinema brasileiro consiga ter o reconhecimento que merece.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009


A morte do guerreiro
Emanoel Barreto

Morreu hoje, sem que houvesse aviso fúnebre, o semanário O Poti. Em seu lugar, a marca Diário de Natal. Na verdade, o Poti era o mesmo Diário, só que com outro nome, já que não mudava a diagramação nem apresentava matérias em profundidade, que marcam um semanário.

Mas a marca, o nome-de-jornal O Poti nos levava às nossas tradições mais profundas, ao apego telúrico, lembranças de um tempo arcaico e heróico. O tempo em que o guerreiro Felipe Camarão, o Poti, ao lado da mulher e heroína Clara Camarão dava combate aos holandeses.

Acho que não se brinca assim com os símbolos que fazem parte da vida de um povo. Jornais, de alguma forma, mesmo com a redução de leitores do jornal impresso, fazem parte da vida de uma cidade, são seu reflexo. E, mesmo tendo conteúdo ideológico conservador não-declarado, escondem, lá no fundo, a alma da sociedade sobre a qual se remetem.

Lamento pela morte d'OPoti. Era a leitura preferida do Meu Pai e eu o acompanhei. Trabalhei no Diário e fiz muitas matérias para O Poti. Isso faz parte dos meus afetos jornalísticos. Foi n'O Poti que publiquei texto de página inteira, dia 13 de outubro de 1981, em matéria magistralmente editada por Vicente Serejo e Enéas Peixoto, diagramador imbatível.

A matéria era uma carta ao papa João de Deus, intitulada "Beatíssimo Papa". O sacerdote estava em visita a Natal. Ali eu fazia um resumo da história da cidade e sua tradição católica. Falava do povo, sua fé cristã e, lá para as tantas, me referia também à beleza e sensualidade da mulheres. E lembrava que, belas como eram, não deveriam ser recriminadas em sua candura faiscante nas praias. Pois eram, em razão mesmo de tal beleza, expressão viva de Eva. E, portanto, filhas também de Deus, que as havia criado a todas, seminuas e lindas.

Por motivo dessa carta recebi do Vaticano carta assinada pelo monsenhor C. Seppe, assessor direto de João de Deus. Ali, agradecia e enviava bênção do Papa para mim e minha família.

Hoje, com O Poti morto, e o Diário reduzido a condição de tablóide, somente tenho a lamentar. Não gostei da feição gráfica. A tipagem escolhida para os textos não é a mais apropriada. A letra dá ao jornal uma feição chapada e dificulta a leitura. Faltam as colunas, falta a cara de Natal.
Lamento, lamento muito. Mas, consumatum est.

sábado, 9 de maio de 2009


Os anos 50, os anos dourados
Emanoel Barreto
Os tempos passados são sempre os melhores: no calendário da memória estão as relíquias mais queridas, perfis mais amigos, um certo ar de inocência e graça. Até mesmo estado de graça. É assim que vejo os anos 50. Natal sem televisão, a Rádio Poti era a nossa TV Globo. Tinha até um cast de artistas, programas dominicais e uma programação imbatível.
Ainda me lembro de um programa "Telefone pedindo bis", em que uma menina, a depois minha amiga Nadja Lopes Cardoso, sempre telefonava pedindo que se tocasse mais uma vez "Is now or never", com Elvis Presley. No fim, as mais pedidas tocavam outra vez.
Tinha também o noticioso "O Galo informa". E, quando o galo cantava em edição extraordinária, Natal parava. Era o mesmo efeito que tem hoje o plantão do Jornal Nacional. Ao meio dia, um programa de humor, onde se destacava o personagem Toxó, bobo que só ele. Mas suas besteiras davam o tom da piada. Todo o roteiro era produzido por artistas da Poti.
A locutora Sandra Maria era uma das mais belas vozes. Na Rádio Nordeste, aos domingos, o "Balança mas não cai", produzido no Rio. Às sete da noite, na Poti, "Jerônimo, o herói do sertão", cujas fitas vinham da Rádio Nacional. TV chegou a Natal nos anos 60, por iniciativa do empresário Luis Cavalcanti, que tinha uma loja famosa a Casa das Máquinas.
Mexi um pouco nas gavetas da memória e esses personagens saltaram para me abraçar. Espero que abracem você também.

sexta-feira, 8 de maio de 2009


O ladrão atencioso: rouba, mas amanhã devolve
Emanoel Barreto

Deu na TV: nos Estados Unidos, um assaltante invadiu com calma e diplomacia uma loja e exigiu que o balconista lhe entregasse 50 dólares. O homem ouviu o anúncio de assalto, manteve-se calmo e... não entregou o dinheiro. Ao que vi, o assaltante não estava armado.


Ante a resistência, o assaltante pediu para falar com o gerente. O balconista ligou para o gerente e passou o telefone ao ladrão que, então, pediu... um empréstimo. O gerente atendeu e, dia seguinte, o homem voltou à loja e devolveu o dinheiro. Disse que precisava dos dólares para pagar um táxi. E, como estava sem dinheiro, resolveu fazer o assalto que se transformou em empréstimo.


É o que talvez se possa chamar de ética no crime. Na verdade, uma situação fantástica, que dá bem a dimensão do quanto a vida pode ser estranha, até mesmo bondosamente estranha. Trata-se de uma idiossincrasia, esse assalto. Da parte do assaltante, revela um drama íntimo, talvez um pedido de socorro, um discurso comportamental em que alguém, em meio aos seus dilemas internos, se socorre de situação-limite. É isso que ainda me faz acreditar no ser humano.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Tá ligado?
Emanoel Barreto

A manipulação, a alienação, o descolamento dos jovens frente à realidade é algo que preocupa. O consumismo, um hábito, estilo de vida. A tolice, quase um requisito.

No fim, quando se derem conta, estarão de costas para si mesmos e perderão a noção de que o tempo passou.

Vão para o orkut, usem o MSN. Depois, não digam mais nada. Afinal, vc pde sta flando so c a galera e naum ntar q a vda si passouuuu...


terça-feira, 5 de maio de 2009

Valha-me, minha Nossa Senhora!
Emanoel Barreto

Nos Estados Unidos, instituições bancárias foram submetidas a um "teste de estresse", para ver se suportariam a pressão da crise que eles mesmos, os bancos, criaram. Trata-se da mais inimaginável perversão econômica: bancos, veja só, estressados. Mais claramente: atribuiu-se a entidades jurídicas vorazes por dinheiro a condição de viventes, tornando-as sensíveis a choques emocionais. Como diriam os americanos: "Oh! My God!"

Logo os bancos, empresas que trabalham com o capital improdutivo e se regem pelos mais rígidos princípios da insensibilidade e crueldade para com a condição humana, têm, pelos seus donos, a desfaçatez de impetrar status igualitário ao Homem.

Daqui a pouco eles irão falar que os bancos estão com depressão - não a depressão em seu sentido econômico -, mas a depressão mesmo, aquela que se abate sobre aqueles que têm dívidas e prejuízos com as insânias cometidas por esses mesmos bancos.

Brasileiramente, digamos: "Valha-me, minha Nossa Senhora!"

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Conversando com Drummond
Emanoel Barreto

Bêbado, louco ou largamente humano?
Não sei. Não sei. Não sei.

Mas a estátua, com certeza, fala,
em seu silêncio de bronze eterno e sábio:
"Sei que tens razão. Mas, de qualquer forma,
também não sei, não sei, não sei..."

sábado, 2 de maio de 2009

O silêncio que se forma
Emanoel Barreto

Uma das formas de uma sociedade se reconhecer e se refletir é no seu jornalismo. Um jornal, uma emissora de TV, uma rádio, de alguma forma refletem essa sociedade, seja complexa ou mais simples. O que vem ocorrendo no jornalismo de Natal é algo assombroso, preocupante: uma espécie de desmanche em veículos tradicionais, em suas marcas e equipes, distanciando-os de sua verdadeira razão de ser: seus vínculos com a cidade, com o Estado, enfim, com a energia sócio-cultural pulsante.

Recentemente, o Diário de Natal promoveu demissões em massa, retirou de cena profissionais experientes e grandes promessas do jornalismo. Como o Diário agora é impresso em Pernambuco, foi demitido todo o pessoal gráfico. Comenta-se até que O Poti, tradicional título que publica aos domingos, será extinto para atender a questões mercadológicas.

O Poti faz parte dos afetos sociais de Natal e do Estado. É uma marca querida, é a cara dos domingos. A Rádio Poti, a primeira de Natal, dissolveu-se silenciosamente e agora tem outro nome - nem sei qual é, nem quero saber - advindo do grupo Associados, que detém controle sobre os veículos.

A TV Cabugi agora é InterTV, marca distante e fria, adstrita a grupo empresarial de fora. A Rádio Cabugi, vibrante rádio popular, inserida histórica e cotidianamente na vida do povo, cedeu lugar à Rádio Globo Natal e perdeu todos os liames com a cidade.

Um jornalismo ou uma programação que não refletem o dia a dia de sociedade sobre a qual se remete tornam-se, por isso mesmo, portadores de mensagens vazias. Que até podem atender aos interesses empresariais, mas que, inelutavelmente, são vazios de sentido social imediato, que só o telúrico e o emocional, providos e provedores de afeto com o seu público, podem garantir.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia do Trabalho
Emanoel Barreto

É..., hoje é teu dia. Tu podes parar.
Bebe tua cachaça. Não é bom parar?
Fica bebo, faz besteira. Pois hoje é teu dia.

Tem crise na praça e tu vais pagar.
Quem é o culpado, o dono da crise?

Já sei: não tem dono? O dono és tu.
Eles fizeram tudo, ganharam dinheiro.
Tão podres de ricos e assim vão ficar.

Então, pobre tolo, festeja este dia.
Mas depois vem a crise. Com cara de morte
e quer te abraçar.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Chá, vitamina C e cama
Emanoel Barreto

A iminente pandemia de gripe suína faz pensar: na fragilidade, pequenez humana. De repente um vírus surge, infecta pessoas e a humanidade toda começa a viver o temor global da ameaça invisível. Somos sim, pequenos, fracos, temerosos ante o desconhecido, como se inesperadamente estivéssemos vivendo um filme de terror.

Só que o monstro não é Drácula ou alguma entidade que apenas é perigosa nas telas. É um ator ou atriz e provoca um efeito de medo sob a direção de algum afamado cineasta. Agora, o personagem é algo minúsculo, mas que se espalha com ferocidade vertiginosa e nos põe aceso o sentimento da espera angustiante: "Serei eu atingido?"

É uma espécie de ser ou não ser, todos querendo não ser. É algo como "E agora?", todos querendo o depois. O medo é que, desta vez, não bastam chá, vitamina C e cama.

quarta-feira, 29 de abril de 2009


Alerta sobre a gripe suína
Emanoel Barreto

Cientistas amigos meus me informaram dos reais perigos e dimensões da gripe suína. Ao contrário do que diz a mídia, a doença não está assim tão longe dos brasileiros. Pode irromper a qualquer momento, em surto incontrolável. Motivo: a gripe teve origem aqui mesmo, no Brasil.

Explico: a gripe tem origem nos suínos - deputados e senadores - que viajaram com as passagens pagas pelo dinheiro público. Como estiveram em várias partes do mundo, por onde passaram foram contaminando as pessoas.

O problema é que voltaram e agora representam ameaça real e iminente de contaminação. Assim, cuidado: se você tiver contato com qualquer deputado ou senador envolvido no escândalo das passagens, acautele-se: poderá ser vítima do vírus existente em sua alma política.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Um amigo me mandou uma mensagem
Emanoel Barreto

Recebi do grande amigo Moisés de Lima mensagem que tentei publicar nos comentários da matéria sobre o uso indevido de passagens de avião pelos deputados e senadores. Não sei por que, mas não deu certo. Tentei responder ao e-mail dele. E também não deu certo. São essas coisas da internet, sabe?

Moisés é um desses amigos que já nascem irmãos da gente. Jornalista, músico dos bons, cidadão do mundo, toca seu contrabaixo invertido, como o velho Macca dos Beatles. Moisés e sua banda, Os Grogs, fazem um som bonito, forte, intenso. É bluesman e também homem de rock. E, acima de tudo, uma grande figura. Sim: Moisés é o primeiro, da esquerda para a direita, na foto de Alexandro Gurgel.
Segue a mensagem do Mosa, junto com um grande abraço.

.....Grande Barreto:

Soube através de um papo com tua filha Irma que tinhas este blog. Parabéns, mestre. Sou seu leitor, seguidor do teu trabalho e que agora estendo a este site. Tu és um grande texto, ético como poucos em teu ofício e um fantástico ser humano. Me lembro que fostes um dos primeiros a me acolher quando dei os primeiros passos na profissão lá na Tribuna do Norte em 1988.
Força sempre.
Abraços.
Moisés de Lima

PS. visite o site Som do Vialejo do teu brother Graco Medeiros, que sempre fala em ti.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O progresso que fracassou
Emanoel Barreto

O governo americano poderia assumir o controle da fabricante de veículos GM (General Motors) em troca de oferecer outros US$ 11,6 bilhões em ajuda à montadora, segundo o plano da empresa para acelerar seu plano de reestruturação --que envolve ainda a extinção da marca Pontiac, o corte de de 21 mil empregos e o fechamento de 13 unidades nos EUA até o final de 2010. A notícia está na Folha Online e traz uma informação paralela: o Estado americano assumindo o papel que originariamente seria do capital.

Isso vem de encontro aos mais sacros princípios do capitalismo, que vê no Estado um ente que deve o mais possível ser mantido afastado do mercado que, por si só, encontraria "naturalmente" as suas próprias soluções. Na verdade, o que o mercado encontrou foi o seu próprio e angustiante problema. Tramou-o, executou-o com frieza exemplar e agora tem de se curvar à constatação: não é solução para problemas históricos da produção, muito menos para a solução social desses problemas.

Exige-se, por consequência, a presença estatal para disciplinar aqueles que queriam a desregulamentação total. A história não é algo que se construa linearmente. Nada garante que uma determinada situação implique necessariamente uma outra, sem que haja em sentido contrário algum movimento. Ou seja: o neoliberalismo apregoou aos quatro cantos do mundo que o capitalismo seria etapa insuperável do desenvolvimento, até mesmo como decorrrência do falido "socialismo real", quando caíram o Muro de Berlim e o império soviético.

Agora, uma nova situação se posta. O mundo caminha e mais do que nunca se exige ao mundo uma revisão de valores políticos e ideológicos, para a construção de um tempo onde o trabalhador não seja apenas mais uma peça da máquina empresarial. O mercado é criação perigosa e que pode fugir ao controle dos seus criadores, devorando-os quando não é contido.

sábado, 25 de abril de 2009


Vamos passear de avião?
Emanoel Barreto

O poder opinativo da charge é nada desprezível. Que o digam os políticos e outras personalidades de mídia. Eminentemente editorial, a charge é uma espécie de piada a partir do mundo real. Mas uma piada corrosiva, ácida, uma sátira, uma denúncia. Pela charge os políticos se tornam lamentáveis.

Dizem que Getúlio Vargas colecionava as que saíam com ele. Mais para fazer tipo, claro. Porque, com o Departamento de Imprensa e Propaganda, o famigerado DIP, publicar charge era uma concessão, uma liberalidade, que o ditador concedia até mesmo como forma de se auto-propagandear.

Mas ilustração como essa, publicada hoje pela Folha, funciona como petardo, míssil jornalístico a cair sobre o Congresso, onde verdeja a cultura da corrupção como coisa sagrada. Deputados e senadores, muitos deles, veneram a corrupção como algo sacro, respeitável, bento; querido e nascido do mais íntimo de suas almas escuras.

Por isso a importância das charges. Mas, para entendê-las, é preciso ser leitor, leitor diário de jornais. Acompanhar a vida da cidade, do Estado ou do País, do mundo até, a fim de compreender a piada impressa em seu contexto. No mais, é continuar fazendo carga sobre as imoralidades do Congresso, essa casa onde muitos são porcos.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Eles querem Santos Dumont
Emanoel Barreto

Causam perplexidade, senão indignação, as palavras do senador Epitácio Cafeteira(PTB-MA): "Daqui a pouco, estaremos recebendo vale-transporte", quando reclamava das medidas moralizadoras no uso das passagens aéreas pelos parlamentares. Não, ele não quer vale-transporte, quer mais. Se dessem chance, certamente iria querer até mesmo o Air Force One, o avião que transporta os presidentes americanos, com Santos Dumont como piloto .



O que no Brasil chamamos de classe política, além de sociologicamente ser um erro, incorre em outro deslize: na presença de desclassificados como portadores de diploma de legislador ou governador. Não é isso o que se tem visto, em mais um escândalo?



No Congresso há uma teia escusa, escura e sinistra aos interesses públicos, comerciando passagens, promovendo tramoias, enganando, ludibriando, furtando. Os jornais não devem nem podem parar de denunciar e expor seus nomes. É preciso punição pública, já que para eles não haverá punição penal.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Os detetives e o mundo real
Emanoel Barreto

Piratas virtuais invadiram os computadores do Pentágono e tiveram acesso a dados do projeto de construção do avião caça Joint Strike Fighter, um dos mais caros já empreendidos pelo Departamento de Defesa dos EUA, orçado em US$ 300 bilhões. A administração de Barack Obama está tomando medidas para conter essa escalada, inclusive contratando piratas virtuais. A ideia é contratar pessoas que exercem esse tipo de atividade para que elas ajudem a melhorar a segurança das redes de comunicação do país.

A informação saiu na Folha. Dá a impressão de que estamos falando de filme de espionagem. A vida imitando a ficção. O que mais estranho, todavia, é o fato de se estarem gastando 300 bilhões de dólares para a confecção de armas, quando o mundo precisa de alimentos, progresso e paz. A insanidade dos governantes alimenta a fome de guerra e ajuda a enriquecer os matadores.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Vossa Excelência me respeite!"
Emanoel Barreto
Deu na Folha: O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa bateram boca nesta quarta-feira no plenário do tribunal. Barbosa acusou o presidente da Corte de estar "destruindo a credibilidade da Justiça brasileira" durante o julgamento de duas ações --referentes ao pagamento de previdência a servidores do Paraná e à prerrogativa de foro privilegiado. "Vossa excelência me respeite. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim. Saia à rua, ministro Gilmar. Faça o que eu faço", afirmou Barbosa.
Em resposta, Mendes disse que "está na rua". Barbosa, por sua vez, voltou a atacar o presidente do STF. "Vossa Excelência não está na rua, está na mídia destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro."
Irritado, Mendes também pediu "respeito" a Barbosa. "Vossa Excelência me respeite", afirmou. "Eu digo a mesma coisa", respondeu o ministro.
Os ministros Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello atuaram como "bombeiros" para tentar encerrar o bate boca. "A discussão está descambando para um campo que não coaduna com a disciplina do Supremo", disse Marco Aurélio ao pedir o encerramento da sessão.
Barbosa chegou a afirmar que Mendes não estava falando com os seus "capangas de Mato Grosso". O ministro disse que decidiu reagir depois que Mendes tomou decisões incorretas sobre os dois processos analisados pela Corte.
http://mais.uol.com.br/view/206350 - clique aqui para ver o vídeo.

......O ministro Joaquim Barbosa, um dos pilares morais desta nação, agiu como costuma agir: com força, vigor discursivo e ênfase em favor da coisa pública. Ao que pude perceber, vendo o vídeo, o que se discutia era a concessão de aposentadoria aos notários, ou seja: donos de cartórios. Cartórios são verdadeiras minas, fábricas de papéis com fé pública, vendidos a peso de ouro. Por que notários aposentados, como se fossem servidores comuns?

Eles devem ter sua própria aposentadoria. Sinceramente, não sei como isso se dá, mas, desamparados é que não ficam. Ao que percebi, tratava-se de manobra para beneficiar os notários. Coisa boa é que não era. Veja o vídeo e tire conclusões.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Agressão a uma criança
Emanoel Barreto

Maísa, a menininha encantadora que apresenta programa no SBT, está sofrendo assédio de dois paparazzi, o que obrigou a família a tomar precauções com ela até na escola, a fim de que não seja incomodada pelos dois fotógrafos.

Essa é uma das mais lamentáveis formas de jornalismo: fotógrafos que perseguem celebridades de forma impiedosa, tirando-lhes a privacidade e, se possível, intimidade. O jornalismo tem muitas formas perversas de manifestação, desde a distorção intencional de noticiário, opiniões enviesadas para ludibriar o leitor, até chegar a essa forma de nada recomendável de manifestação.

No caso, o desrespeito a uma criança assume proporções criminais, especialmente pelo fato de que se trata de alguém em fase de formação e cuja exposição de mídia, por si só, precisa ser bem monitorada pelos pais, a fim de que um muito compreensível deslumbre com a fama não venha a ter consequâncias desastrosas.

Paparazzi são pessoas que se voltam para o chamado jornalismo de faits divers, cuja essência são a banalidade e a frivolidade. Tudo o que alguém famoso faça e que puder ser captado pelas lentes se transforma em notícia, mesmo que não tenha importância alguma que não seja a exposição mesma de pessoa célebre. Chega à esfera criminal e como tal deve ser tratada.

domingo, 19 de abril de 2009

Um xerife na política
Emanoel Barreto

O delegado Protógenes Queiroz, que dirigiu a Operação Satiagraha, agora que está sob fogo nutrido, e buscam transformá-lo de investigador a investigado, admitiu que pode ser candidato. Só não disse a que cargo nem por qual partido. A Operação Satiagraha investiga o banqueiro Daniel Dantas por fraudes e outros atentados aos dinheiros públicos, além de tentativa de corrupção de investigadores da PF, a fim de que não o indiciassem.



Não é pouca coisa e as elites sabem que não é. Portanto, estão mobilizadas para a desestruturação moral e profissional de Protógenes. Segundo tem dito às coisas de jornal em todo o Brasil, estaria sendo chamado pela opinião pública a ingressar na política e, em pronunciamentos públicos, é chamado de "o delegado do povo".



Somente há uma coisa de que não gosto: a transformação de alguém em herói de ocasião, que passa a ser tido e havido como a essência da honradez e capaz de mudar tudo no ensombrado e viscoso mundo do Congresso Nacional. Nada mais reducionista. De qualquer forma, Protógenes parece ser um policial correto. Vamos ver no que vai dar.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pensam que somos burros
Emanoel Barreto

Uma definição de notícia diz que notícia é tudo o que o jornalista queira que seja notícia. Ou seja: dotado do poder de publicar o que queira, basta selecionar um fato, um fato qualquer, mesmo o mais desimportante, que é possível elevá-lo a essa condição. A Folha on line terminou por confirmar isso: publicou essa foto, de ocorrência incidental, creio que no Afeganistão ou coisa que o valha, e mandou para a grande rede.

Não há dúvida de que, em sua essência, essa ou é uma confissão de total incompetência ou uma manifestação de idiotice. Outro aspecto, esse grave, que revela como as agências internacionais podem manipular o sentido do que seja notícia. A foto foi enviada por uma agência.

Do mesmo modo como essa briga de jumentos foi elevada à condição de notícia, e foi acriticamente aceita, é possível mandar informações deturpadas a respeito de determinado acontecimento importante, angulando-se a sua cobertura sob determinado enfoque. E o público, sem condições de avaliar o fato, saber de outras informações, termina por aceitá-lo como verdadeiro. Leia jornais, mas aprenda a ter comportamento que não seja ingênuo. Senão, vão pensar que o público é mesmo burro.

quinta-feira, 16 de abril de 2009


Os perversos, sempre eles
Emanoel Barreto

A Folha informa: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o cálculo do rendimento da poupança precisa e vai mudar, mas ponderou que o assunto será discutido "com carinho" para que os poupadores que têm seu dinheiro aplicado na modalidade não saiam prejudicados.
"Vou ter uma conversa com o ministro Guido [Mantega, da Fazenda] e vamos discutir sobre isso com carinho. Precisamos proteger os poupadores, mas não podemos permitir que pessoas que tenham muito dinheiro apliquem tudo na poupança", disse Lula durante solenidade de apresentação dos novos oficiais generais, em Brasília.
"A poupança é para salvaguardar os interesses da maioria da população que não tem muito dinheiro. Para que eles não tenham prejuízo, vamos fazer isso [mudança] com muito cuidado porque queremos preservar o que temos de mais sagrado, que são os poupadores", completou.

.... Em outras palavras, o pequeno poupador vai ser prejudicado - mais uma vez prejudicado - por causa da ganância, da fome financeira das elites. Uma iniciativa como a caderneta de poupança, única modalidade acessível ao investimento do trabalhador, uma forma de proteger seu limitado patrimônio financeiro, "precisa e deve", como disse Lula, ser modificada, exatamente em função dos que têm muito dinheiro.

Revela-se mais uma vez a cara perversa do capital, sua incompatibilidade com o social, seu desprezo pelo que seja humanidade. De sua ação ruinosa resultam malefícios os mais brutais, cujas repercussões mais sinistras se espalham a chegam aos arrabaldes mais distantes da pobreza, do desamparo, da solidão social que encobre a vida dos despossuídos.

É triste, mas é verdade: o pobre vai ficar mais pobre. E os ricos, não tenha dúvida, encontrarão mais formas de ficar mais ricos.