"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
sexta-feira, 4 de maio de 2007
A grande presença do Homem Aranha
Campanha publicitária disfarçada de notícia ou não, o certo é que o Homem Aranha está atraindo as atenções e ajudando nos mecanismos escapistas do, aí sim, perigoso cotidiano.
Agora, o herói perde sua tradicional roupa com as cores da bandeira americana e de repente está vestido com um colant totalmente negro, torna-se arrogante e adorador de seu próprio ego.
Soturno em sua indumentária de trevas, o personagem como que busca expressar seu lado desconhecido - traz, para o contexto da narrativa, uma fugaz, superficialíssima questão existencial, o drama de ser, intimamente, algo híbrido, deformado: uma aranha, para nós, símbolo do perigo, silencioso e pérfido. Mas que, ao mesmo tempo, luta, maniqueisticamente, "ao lado do bem".
Vivemos um tempo de fabulações do horror, da simulação e da dissimulação. O cinema, que sempre viveu de codificar as ilusões, davaneios e, também, crítica do homem a respeito de sua condição existencial, está atualmente passando por um período de total falsificação de suas histórias, com o uso abusivo de efeitos especiais.
Infelizmente, na vida, não dá, para, num toque de teclado de computador, fazer as coisas virarem boas e, no fim, tudo dar certo. No mais, é lamentar que os jornais estejam perdendo tempo com esse tipo de coisa.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Viver bem
com as suas mãos rosadas,
é sinal que a vida desperta num brilho de cristal,
o cristal do orvalho da noite que passou.
Assim deve ser a vida:
suave, delicado presente
que recebemos todos os dias.
Vamos viver bem esse presente.
Mesmo que depois ele mostre seus perigos.
Viver bem é responder
com o gesto do abraço
ao grito que nos ameaça;
é transformar em canção
o grito que muitas vezes
está ardendo dentro de você.
Viver bem é dizer sim
a quem só recebeu da vida
o desprezo e o não.
Viver bem é dar atenção
ao olhar inocente da criança.
É ajudar. É unir.
É seguir em frente,
mesmo quando tudo
diz que chegou a hora de desistir.
Viver bem é olhar para si mesmo
e sentir que um sorriso diz mais que mil palavras.
É saber que há pedras no caminho.
Mas, apesar das pedras,
o caminho chama e aí você diz: eu vou.
Viver bem é acreditar,
é descobrir o mar
e os barcos que nele habitam.
É estar de mãos dadas com a simplicidade.
Viver bem é um desafio,
um mistério, um encontro.
É caminhar no escuro,
mesmo sentindo o medo arranhar seus pés.
É acreditar no Maravilhoso
e entender a magia
dos momentos,
de todos os momentos,
desse grande momento que se chama Vida.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Ontem, deu-se ao povo pão e circo
A alegria do brasileiro vive, nas cores da TV, esse mundo paralelo onde tudo se resolve no capítulo final da telenovela. A tristeza desse povo se espalha como enchente nas calçadas e encharca de incertezas o dia de amanhã.
Os jornais estão cheios de medos e as notícias são como anúncios que vendem tragédias. O sofrimento inflacionou o mercado da dor e já não há mais lugar para tanta desolação.
É triste.
terça-feira, 1 de maio de 2007
Trabalhador, hoje é teu dia. É mesmo?
É mesmo?
Hoje, serás honrado, e teus esforços para contribuir para com o PIB serão celebrados.
Teu salário mínimo será minimizado, esquecido, encolhido, para dar lugar às laudações ao lucro que dás, com tua operosidade, aos cofres de quem te paga.
Trabalhador, hoje é teu dia.
É mesmo?
Hoje, tribunos esquecerão os tributos diretos ou indiretos que pagas, somente para dizer como és importante, mola mestra da economia e da produção. E não é mentira. Mas, mentirosas serão as homenagens, salamaleques e reverências.
Trabalhador, hoje é teu dia.
É mesmo?
Não, acho que não. Teu dia é o suor, o cansaço, o salário pouco, a desgraça do pé na lama, a fila do SUS, o filho doente, a dívida atrasada, o coração tropeçando, a manchete mostrando a vitória dos curruptos. Amanhã, trabalhador, sem festa, nem foguetes, aí sim, será teu dia.
sábado, 28 de abril de 2007
A solidão
ou prumo. A solidão é tempo sem ontem e sem futuro.
Solidão é o vazio, emoção dormindo.
E no sono desse tempo sem dono, somos todos
caminhantes, navegando sem bússola ou carta.
A solidão é algo tão grande que não tem tamanho.
A solidão é o nada de tudo, é o mínimo que chega e
ocupa tudo. E quando sai, nos deixa pobres de nós
mesmos. Um nada sem fim.
A solidão é tão grande que nos invade como água de
tempestade. E traz em si todos os silêncios da palavra fim.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
As mãos do mestre
(Charles de Gaulle)
Conheci, isso há muitos anos, um titereteiro chamado Zé Relampo.
Não sei se ainda é vivo. Titereteiro é o artista popular
que trata com títeres, ou, mais claramente,
é o brincador de joão-redondo. Pois bem,
Zé Relampo, que me foi apresentado pelo
professor e folclorista Deífilo Gurgel,
era um grande mestre na arte do teatro de bonecos.
Acompanhado por um fotógrafo, isso no já distante
ano de 1974, cheguei à casinha de Zé Relampo, num
bairro periférico de Natal, sequer me lembro aonde.
Era manhã. A matéria abordaria exatamente a
criatividade da arte dos bonecos, sua função social,
sua crítica ferina aos poderosos, a representação
emblemática de cada um dos bonecos.
Por trás da empenada, Zé Relampo ia levantando seus
tipos para a ação do fotógrafo, enquanto eu anotava
os aspectos mais representativos da encenação.
Fiz a matéria, redigi o texto e perdi Relampo de vista.
Anos, muitos anos depois, reencontrei Zé Relampo.
Mais velho, quem sabe mais pobre, mais artista
possivelmente, uma vez que o sofrimento atiça,
aguça e estilhaça a sensibilidade. Estava em sérias
dificuldades financeiras, há tempos sem fazer
uma brincadeira para ganhar dinheiro.
Explica-se: ele trabalhava muito para entidades
oficiais, ligadas à cultura ou ao ensino. E há tempos
não havia um só convite. Dei um jeito de mobilizar
alguns amigos e conseguimos o dinheirinho que
ele precisava. Cerca de 15 dias depois, eis que me
aparece o mestre titereteiro. E vinha com um presente:
esculpida em madeira própria para a criação de
personagens de joão-redondo, a cabeça de um negro,
bem ao estilo popular, ao mesmo tempo grosseiro e expressivo.
Foram as mãos humildes do mestre, agradecendo
pela pequena ajuda. Ainda hoje esse negro está comigo,
em meu escritório, pertinho do computador.
Mas Zé Relampo, nunca mais. Sumiu, como os
relâmpagos, que desaparecem depois que a chuva passa.
E Zé Relampo era realmente uma tempestade quando se apresentava.
quarta-feira, 25 de abril de 2007
A defesa da vida, a beleza humana
terça-feira, 24 de abril de 2007
A toga enxovalhada
Ao todo, doze magistrados estão indiciados. E espero que a Polícia Federal leve adiante e aprofunde as investigações, punindo-se todos os que forem evetivamente pegos em culpa. Entretanto, os doze magistrados envolvidos são número insuficiente para que se atribua a todo o Poder a lama em que aqueles estão chafurdando.
Mas, se o número é ínfimo em relação à totalidade da magistradura, esse tipo de corrupção é significativamente indicativa de que o processo de malversação dos valores éticos e morais na sociedade brasileira está mais forte e pulsante do que nunca.
Ou seja: a corrupção, que parecia endêmica ao Legislativo e ao Executivo, pode ser claramente percebida no Judiciário. Mais claramente: há um clima, um caldo cultural neste país, que favorece a prática de crimes envolvendo privilégios da ocupação de funções públicas, tudo sob uma sólida suposição de impunidade. Há uma microfísica da corrupção, que se espalhou por todos os Poderes.
Instaurou-se no Brasil, ao longo do nosso processo histórico, a política do jeitinho, a facilitação cavilosa de proteção e desculpa aos atos e erros de amigos e familiares. Ainda somos, tenho certeza, o país do nepotismo, dos favores e do prestígio mal-intencionado. A coisa pública serve de negócio aos empreendedores do crime sutil e educado dos que têm o Poder na mão.
Vamos ver o que acontece com os magistrados que estejam com a toga presa às engrenagens de tenebrosas transações. O Judiciário não é um Poder acima dos demais Poderes. Pode e deve ser transparente e visívei em sua internalidade. A respeitabilidade de seus membros não deve servir de manto ocultador de falhas e crimes.
Os juízes em culpa serão julgados pelo mesmo Poder que integram. Qual será a sua sentença? A opinião pública está em choque e cobra satisfações.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Crônicas para Natal
A fé renasce todas as manhãs
na Igreja do Galo.
Suas paredes e sua torre,
feitas de pedra,
são a construção divina
do instante humano
voltado para o céu.
A Igreja do Galo,
perpétua como o amanhã,
tem nos passos
dos seus fiéis um depósito de fé.
Com seus santos,
com sua arquitetura sólida,
magnífica,
monumental,
a Igreja é mesmo
como um cantar de galo.
E diz que, na vida,
se pode sempre
esperar
pelo próximo amanhecer.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Uma greve inaceitável
Além disso, é próprio das corporações policiais regimentos baseados no respeito à disciplina e à hierarquia, princípios diretamente atingidos com as paralisações. Colocando-se a abordagem num plano mais amplo, percebe-se a fragilidade organizacional do Estado brasileiro, a presença de uma cultura do desequilíbrio social em seu aparelho policial, a fim de que objetivos pecuniários sejam atingidos por esses servidores armados.
A Polícia Federal vem fazendo um excelente trabalho de prevenção e repressão ao crime organizado, merece e deve ser bem remunerada. Mas, paralisar suas atividades é algo inaceitável. É preciso bom senso dos policiais para não deflagrar tais movimentos e sensibilidade do governo, em atender às suas reivindicações.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Copa do Mundo: não será uma disputa. Será uma intentona
Enquanto isso, milhões de crianças clamam por escola, saúde, educação e esperança de futuro.
Enquanto isso, toda uma nação grita por segurança e os bandidos, como carcarás do asfalto, pegam e matam suas vítimas com a ferocidade dos que sabem que ficarão impunes.
É lamentável, é incrível como neste país se tomam tais decisões sem se levar em conta circunstâncias históricas e sociais, inversão de valores e respeito a prioridades. O que o povo tem a ganhar com uma Copa do Mundo? Quem pagará pelos estádios restaurados, por novos estádios, por toda a infra-estrutura, enfim?
Caso o Governo Lula dê apoio a essa intentona, estará cometendo no mínimo um grave equívoco. E o povo não merece mais esse gol-contra.
domingo, 15 de abril de 2007
Ao sul do teu corpo
o corpo humano tem alturas, declives, curvas.
Ao sul do corpo, dois montes se bifurcam
atraindo olhares para a topografia da estética.
E elas estão sempre ali: almofadas portáteis,
são possivelmente a mais preguiçosa parte do corpo.
São também a elegância faceira e feiticeira,
cujo ímã está conectado a todos os olhares.
Displicentes no biquíni suntuosamente mínimo,
elas caminham pela praia e pela vida.
No mais, é o balanço do tempo.
E as montanhas sempre ao sul do corpo, seja qual for o mapa.
sexta-feira, 13 de abril de 2007
O monstro atacou. Logo virou manchete
Entendo que o jornalismo, por dever de ofício, não pode negar-se a mostrar o pavor e o triste, mas não deve fazer deles seu material básico para a notícia. Mas é assim que ocorre: estranhamente, as pessoas são levadas a escolher a brutalidade para se entreter, o estarrecimento como atrativo do olhar social. Um jornal com primeira página somente de boas notícias fatalmente seria levado à falência. Faltaria o componente essencial que o jornalismo estabeleceu historicamente: a tensão.
E não estou falando dos jornais sensacionalistas. Falo da imprensa séria. É que há, entre jornal e leitor, um acerto prévio de que, diariamente, em suas páginas serão encontradas notícias de alguma forma inusitadas. É importante falar da violência para denunciá-la, do crime para acusá-lo, do terror para repudiá-lo. Mas jamais banalizar a dor como mercadoria, manchete vendável ao prazer monstruoso da curiosidade mórbida.
Falo isso em função de fotos que vi na Folha Online e na TV, mostrando um crocodilo que havia arrancado o braço de um funcionário de zoológico em Taiwan. Fotos e vídeo mostram claramente o braco preso às mandíbulas do animal, como naqueles filmes de sangue e suspense, massacres e lacerações.
São imagens chocantes. O material poderia muito bem ter sido editado, de maneira a veicular a informação, sem detalhar a brutalidade. Mas aí prevelaceu a lógica de crueldade, não se levando em conta o olhar de perplexidade e o gesto de repúdio, o susto e o grito de se ver, no jornalismo, tanto horror perante os céus.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Crônicas para Natal: Os barcos do Potengi
rota, desafio e prazer
aos barcos e homens que o vivem.
O rio Potengi, estuário de águas mansas
enroscado na Ribeira,
tem em seus barcos habitantes calmos,
seres vivos de madeira.
Construídos com dedicação e detalhes,
são obras primas da simplicidade.
Sem imponência ou grandiosidade programadas,
eles são como o povo:
enfrentam a travessia sem medo de que,
em meio às águas, surja, de repente, grave pesadelo.
Barcos, do Potengi,
amigos singelos
da gente navegante.
quarta-feira, 11 de abril de 2007
O legado de Ícaro
terça-feira, 10 de abril de 2007
O Brasil está dando certo...
Na verdade, deveria ter dito: "O Brasil está dando um certo..."
Explicando: o Brasil está dando um certo desprezo à vida das pessoas, quando permite que os bandidos ajam com tanta liberdade no Rio;
O Brasil está tendo um certo descaso com a educação, quando deixa que as escolas públicas caiam no descrédito e no abandono;
o Brasil está dando um certo abandono aos passageiros de avião, quando deixa que os descontroladores de vôo fiquem planando e as pessoas sofrendo nos aeroportos.
O Brasil está dando um certo apoio ao sofrimento das pessoas nas filas do SUS, quando faltam médicos nos postos de saúde e os medicamentos escasseiam;
o Brasil está dando um certo incentivo a políticos aproveitadores, quando demora tanto a fazer a reforma política;
o Brasil está tendo um certo desapreço com a Amazônia, quando permite a continuação das queimadas e o avanço das fazendas, detruindo a floresta;
o Brasil está tendo um certo desrespeito aos direitos humanos, quando permite que ainda haja trabalho escravo em fazendas.
O Brasil está dando um certo valor à fome do povo, à fome do povo por gols, por jogos panamericanos na TV, pelo brado de Galvão Bueno, heróico e retumbante, anunciando alguma vitória da Seleção... Espera, certamente, que um dia, num passe de mágica, esteja todo o povo satisfeito e as pessoas vivendo felizes para sempre.
domingo, 8 de abril de 2007
O salário da brutalidade
Uma das mais terríveis conseqüências será a savanização da amazônia, com a floresta tropical úmida transformada em um largo espaço de vegetação pobre e rasteira. As mudanças climáticas serão devastadoras, pois a floresta funcionada como elemento de equilíbrio climático da Terra.
A cultura ocidantal, em função dos rumos históricos que tomou, colocado o certo conceito de progresso como elemento a ser permanentemente observado, não importanto os custos sociais e ambientais rsultantes, dá bem uma idéia de que tipo de mentalidade presidiu e preside as intenções supostamente desenvolvimentistas da elite sócio-econômica mundial.
Os desníveis sócio-econômicos, por sua vez, permitiram a premitem a formação de multidões de pobres e miseráveis que, em função de suas condições de existência e ignorância, tambêm vêm no meio ambiente apenas uma fonte predatória de retirada da sobrevivência e depósito de lixo.
Assim, lixo e luxo, cobiça e miséria, trabalham numa espécie de parceria do absurdo para a destruição ambiental, das espécies animais e vegetais e do próprio homem. O perigo ronda a nossa existência, cavamos nosso próprio abismo e agora ele diz que está pronto e vai, sim, cobrar o preço de sua existência. O salário da nossa brutalidade será, não tenha dúvida, a nossa morte.
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Dança do ventre
e habitou entre nós.
Movimentos fortes,
femininos gestos,
curvas siamesas
que enviesam sonhos.
E dos véus e mãos que se encaminham
surge a mulher,
feita toda de lentos caminhos,
passos vagarosos,
tendas e mistérios.
Lendas que se achegam,
gestos faiscantes,
brisas do deserto,
curvas lampejantes.
A dança do ventre é vida
que se espalha e fica contida, toda,
no instante mesmo
desse desmaio programado e calmo.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
O martírio de um homem digno
O assunto está quase saindo da agenda, mas vale a pena comentar: restou sobejamente esclarecido que ele estava sob efeito de poderosas medicações, que resultaram em transtornos emocionais e comportamentais, cujas conseqüências sociais foram o furto de algumas gratavas de griffe e enorme repercussão no jornalismo.
A grande falha da imprensa, que cobriu o fato como episódio, foi exatamente não fazer referência ao Henry Sobel que sempre se postou a favor de causas humanitárias e enfrentou a ditadura - foi ele quem participou de uma cerimônia ecumênica em São Paulo, quando do sepultamento do jornalista Wladimir Herzog, apresentado pelos seus algozes como suicida. Se o fosse, teria sido sepultado em área apropriada a tanto, já que Wladimir era judeu e os judeus repudiam os suicidas. Sobel o sepultou com todas as honras. Estava aí a sua resposta silenciosa e firme à ditadura. O sistema começou a balançar a partir desse fato.
Ao falar sobre o incidente nos Estados Unidos, disse, em declarações à imprensa, ser impossível "explicar o inexplicável" e que o "Henry Sobel que se estava vendo ali, nao era o "Henry Sobel que todos já conheciam" - referindo-se a seus dramas atuais.
O jornalismo não tem o direito de atormentar um homem de bem quando este passa por uma queda, mas tem a obrigação de exaltar seus passos e feitos, que em muito superam essa queda. Henry Sobel é um exemplo a ser seguido: honrado, digno e justo.
terça-feira, 3 de abril de 2007
Os controladores que descontrolam a vida do País
De fundo, é justa a reivindicação salarial dos sargentos amotinados, mas foi perversa a forma como se procedeu para assegurar ganhos salariais e de mudança de estatudo, com a desmilitarização do setor.
O mesmo se diz da polícia federal, que já acena com um movimento de greve. Também não são raras as mobilizações das polícias militares e civis dos estados, em busca de melhores salários.
O Estado brasileiro, por sua parte, também tem culpa. É do Estado, aqui entendido em sentido amplo, a responsabilidade pela remuneração desses servidores. Permitir a defasagem salarial é efetivamente inaceitável, pois a atividade é estressante. A manutenção desse estado de coisas permite a formação desse tipo de massa crítica, que desencaminha tais setores de seus perfis originais, fazendo-os buscar assemelhar-se a entidades sindicais civis cujos serviços, paralisados, não trazem conseqüências tão drásticas.
Será preciso haver sensibilidade para com as reivindicações, mas sem permitir a quebra da disciplina e o caos instalado. Acima de tudo, é preciso prever que, com a desmilitarização, os controladores estarão fora ao alcance do código penal militar e assim poderão manter todo o País refém de seus objetivos pecuniários, sempre que o desejarem.
Deve-se resolver o assunto de uma vez por todas. Atender às reivindicações, dentro do bom senso e das possibilidades do erário, mas deixar legislativamente claro que é inadmissível que uma minoria explore taticamente a sociedade em geral, a fim de atingir seus objetivos.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
A necessidade da fama
Trata-se, de fundo, de uma questão existencial. Alguém que viu seu tempo passar, viveu inegavelmente momentos de grandiosidade, foi arrogante e vaidoso e de repente compreende que a vida é passageira, rápida e ilusória em seus instantes de aplausos.
A necessidade de ter a fama preservada com um marco, o desejo de, de alguma forma, igualar-se Pelé, mesmo que seja só por espelhamento, movem o jogador que mendiga glória tão mesquinha: a de enganar-se com um suposto milésimo gol, como quando festejava as grandes vitórias em tardes de domingo, Maracanã lotado. Que saudade.
É a pobreza humana, que se manifesta na busca de construir uma estátua que se desmanchará quando o jornal for atirado de lado e a manchete for parar no lixo.
domingo, 1 de abril de 2007
Literalmente, um morto-vivo
SAIU NO NEW YORK TIMES
Gerentes de uma editora americana estão tentando descobrir por que ninguém notou que um dos seus empregados estava morto, sentado à sua mesa havia cindo dias, até que alguém perguntou se ele estava bem.George Turklebaum, 51, que trabalhava como revisor em uma firma de Nova York há 30 anos, sofreu um ataque cardíaco no andar onde trabalhava (andar aberto, sem divisórias) com outros 23 funcionários.
Ele morreu na segunda-feira, mas ninguém notou até o sábado seguinte pela manhã, quando um funcionário da limpeza o questionou por que ainda estava trabalhando no final de semana.Seu chefe, Elliot Wachiaski, disse: "O George era sempre o primeiro a chegar todo dia e o último a sair no final do expediente.Ele estava sempre envolvido no seu trabalho e o fazia sozinho."
Ironicamente, George estava revisando um livro médico quando morreu.Sugestão: de vez em quando, balance a cabeça para os seus colegas de trabalho terem certeza de que você está vivo. E...moral da história : "Não trabalhe demais. Ninguém nota mesmo... Só quando você atrapalha a faxina... "
sábado, 31 de março de 2007
A castidade com que abria as coxas
A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.
Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres
em mim ressuscitados.
Era Adão,primeiro gesto nu
ante a primeira negritude de corpo feminino.
Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.
terça-feira, 27 de março de 2007
De como o pobre leva uma vida de segunda mão e o ricaço sorri e festeja sua doce vida
Era a chamada República de Ribeirão Preto, pois seus integrantes eram todos daquela cidade e na mansão se encontravam para festas e negócios escusos, dizia a imprensa há um ano, louvando-se nas denúncias de Francenildo, caseiro do delicioso antro e testemunha privilegiada do que ali se passava.
Resultado da ação de Francenildo: está desmpregado,vive de pequenos serviços e foi abandonado pela mulher que levou consigo o filho do casal, temento represálias. Palloci está deputado federal, tem livro publicado e vive muito bem. O processo contra ele dormita em alguma gaveta do Supremo Tribunal Federal, esperando parecer do Ministério Público. Quando, ninguém sabe.
Essas informações estão nos jornais e já podem ser incorporadas ao repertório de desgraças que compõem o cotidiano anônimo, a vida barata, angustiantezinha, péssima, a existência de segunda mão de milhões de brasileiros.
O honesto pagando o preço de ter integridade; o ricaço desfrutando do convescote do Poder, comendo as tâmaras da doce vida. O honrado atirado à margem, à sarjeta da vida; o mastim das benesses pronto para mostrar os dentes, protegido por um mandato federal. Oremos.
sexta-feira, 23 de março de 2007
Mais dinheiro para os políticos
Esperemos que sim e que ele consiga fazer algo para que os políticos, seus colegas, não prossigam funcionando como saqueadores do dinheiro do povo brasileiro.
Caso venha a ser aprovado em plenário, o reajuste será uma espécie de esbórnia, uma festa em que predominam o hedonismo e o desregramento. Mais que isso, será um acinte, uma ofensa, uma forma de criminalidade política com requintes de perversidade, ante quem ganha salário mínimo, sofre nas filas do SUS e sabe que o dia seguinte será igual, em sofrimento e dor.
Vamos ver como as coisas andam. Vade retro.
quinta-feira, 22 de março de 2007
Se deixarmos a água morrer
vamos fazer uma reflexão:
se deixarmos que a água acabe,
se permitirmos que os rios sequem,
as nascentes morram,
as fontes desapareçam,
Se deixarmos água escorrer
no esgoto,
se perder nas sarjetas,
transformar-se em limo,
Somente teremos, se tivermos,
lágrimas para irrigar sofrimentos,
sofrimentos que nós mesmos buscamos.
quarta-feira, 21 de março de 2007
Campanha política no You Tube: a nova arma da política
Enquanto isso, todos os recursos comunicacionais são mobilizados, para popularizar nomes e, paralelamente, desgastar adversários. É o caso da senadora Hilary Clinton, mulher do ex-presidente Bill Clinton, apresentada em um filmete no You Tube como se fora a figura do Grande Irmão, o Big Brother do livro "1984", de George Orwell, obra levada às telas do cinema pelo diretor Ridley Scott.
No You Tube, uma imagem da senadora é atacada por uma manifestante que, de martelo na mão, investe contra a tela onde seu retrato está pintado. Mas o adversário da Hilary, o candidato democrata Barack Obama, também já foi alvo desse tipo de recurso de mídia, com o objetivo de desgastá-lo.
Como a internet ainda é um território ainda não totalmente disciplinado legalmente, é bem provável que na próxima campanha para prefeito, no Brasil, venha a ser utilizado largamente e com grande repercussão. Ainda é uma mídia altrnativa, eleitoralmente, mas com largas possibilidades de obtenção de êxito.
Filmes no You Tube, orkuts e blogs poderão e serão usados para enaltecer e principalmente desgastar candidaturas. A Justiça Eleitoral não terá como controlar esse país virtual, essa terra enigmática e imponderável, libertária e anarquista que é a internet.
Basta postar alguma mensagem contra alguém, fazer repercussão nas mídias impressa e televisiva e a audiência na net estará garantida. Sem controle de horário e de conteúdo. Vamos aguardar.
terça-feira, 20 de março de 2007
Vamos salvar os animais e o bicho-homem
De acordo com reportagem divulgada nesta terça-feira pelo jornal alemão Bild, Knut é visitado por centenas de pessoas todos os dias, come frango desfiado com purê e dorme com um urso de pelúcia - segundo os funcionários do zoológico, ele costuma pegar no sono ouvindo canções de Elvis Presley.
segunda-feira, 19 de março de 2007
Second Life: a vida falsificada na internet
Chama-se Second Life e, na verdade, como mentira, servirá para compensar o vazio de uma sociedade globalizada, onde se busca a aparência em vez da essência.
Com o Second Life pode-se viver dentro do computador. Seu ícone se relacionando com outros e permitindo a experienciação de um mundo paralelo. A fuga da realidade deverá encantar a muitos.
Pessoas poderão abandonar a monotonia de suas vidas no cotidiano e viver relacionamentos falsificados, imergindo num mundo virtual.
A experiência é nova, ainda não há indicativos de que terá adesão em massa: mas é uma promessa escapista da opressão do dia-a-dia. E certamente não faltará quem deseje colocar a máscara da internet e viver momentos de satisfação.
domingo, 18 de março de 2007
Vidas que se apagam
Sofria especialmente por uma delas, a que fora sua grande paixão juvenil, sucumbir acossada pelo tempo, esgarçando a beleza antiga em rugas, desmanchando-se aos poucos em morte lenta, dissolvendo a vida pingo a pingo.
Não li o texto do velho cronista, homem que viveu nos tempos de Bilac, das valsinhas, sonetos fechados com chave-de-ouro, serenatas e suspiros de meiga ansiedade: romance. Li o texto que falava sobre o texto.
Não lamento as mulheres que envelhecem, a beleza que murcha, se encolhe e cai. Não lamento os homens que se encurvam, ficam tristes e perdidos em seus desertos vazios, ocultos em cada um.
Homens e mulheres são e estão presos à condição humana; presos à vida como a ávore presa ao chão. Mas, se presa ao chão a árvore ganha vida, o homem, preso à vida, caminha depressa para o seu fim.
As árvores de Natal
Natal está perdendo suas árvores devido à estupidez dos seus administradores. Cerca de 100 árvores foram cortadas em cem dias, em apenas duas avenidas. Ante a necessidade de preservar o meio ambiente, recorremos à sensibilidade do poeta paraibano Augusto dos Anjos, em soneto que é um verdadeiro manifesto, após o que não deveríamos precisar dizer mais nada.
A árvore da serra
As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...
— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!
sexta-feira, 16 de março de 2007
Parece até Matrix. Será?
Na Inglaterra, a Rainha chegou, há poucos dias, a receber a ganhadora do BB de lá. Era uma jovem indiana, que fora vítima de racismo por parte dos demais participantes. Veja-se a que ponto chegou a força da TV: uma cabeça coroada recebendo uma celebridade de ocasião.
Esse programa é uma iniciativa perversa. Em sua total ênfase à banalidade, em sua busca de colocar em pauta trivialidades e frivolidades, além da monumental ignorância e incultura de seus participantes, o programa reafirma um dos mais lamentáveis traços do estágio social que estamos vivendo: a discussão da tolice.
A Folha anuncia também que um argentino será introduzido na casa e que um brasileiro será levado ao BB da Argentina. Trata-se de uma ação de marketing, que atiçará, ainda mais, olhares e ouvidos ao que se passa ali.
A realidade está sendo tão falsificada, que às vezes dá até para pensar que já estamos vivendo no mundo de Matrix. Será?
quinta-feira, 15 de março de 2007
Um poema
Feitos
Que vim fazer nessa terra?
Contemplar, certamente,
Essas flores vermelhas
De contornos amarelos;
A árvore sertaneja, toda verde,
Balançando ao vento forte;
Aquelas nuvens brancas
Que fazem belo fundo para o edifício;
Os senhores dos ventos
Que emitem este som para o âmago.
Mais que isso, conseqüente,
Vim sofrer aquelas dores de amor,
Sentir a dificuldade do pão de cada dia,
Olhar as noites frias nas sarjetas,
Buscar felicidade em cada canto.
Além disso, certamente,
Vim conhecer as injustiças sociais,
Lutar clamando por melhores dias,
Abrir caminhos para fantasias,
Amar o mundo e buscar a paz.
quarta-feira, 14 de março de 2007
TV estatal: para que gastar dinheiro com isso?
Além de ser um sistema de comunicação preso a um projeto político, e portanto correia de transmissão do ideário do governo e do governante, representará um grave dispêndio de recursos, que melhor seriam aplicados junto às TVs públicas, para que cumpram melhor e com mais qualidade as suas funções de divulgação cultural e jornalística.
Do modo como a proposta está apresentada, sem sequer passar pelo senado e pela câmara dos deputados, representa apenas a criação de um sistema de comunicação de massa monolítico e de mão única, passando, permanentemente, mensagens favoráveis ao governo, num trabalho de agendamento estatal da opinião pública.
É algo atrasado e manipulador. Lembra a determinação getulista que criou a Voz do Brasil, que até hoje agrilhoa todas as rádios brasileiras, obrigadas a retransmitir um programa acrítico e superficial e que, a rigor, não informa nada. Limita-se a relatar atos da burocracia dos três Poderes, num desfile oficialalesco.
terça-feira, 13 de março de 2007
Encruzilhada*
a boca aberta, o brado.
Não adianta o brado,
a decisão, o gesto.
Não adianta o gesto,
o caminhar, coragem.
Não adianta a coragem,
a decisão, o passo.
Não adianta o passo,
o olhar longe, a força.
Não adianta a força,
a mão sutil, poesia.
Não se adiante.
Não adianta.
*A tristeza habita todas as manchete. E as mãos tristonhas dos pobres do mundo dizem que, lamentavelmente, não adianta.
segunda-feira, 12 de março de 2007
BBB: a humilhação como atração principal
Faustão, além do linguajar rasteiro, cheio de artimanhas verbais, está pronto para humilhar, a qualquer instante, quem lhe caia às maõs, para alguma "entrevista" - às vezes algum coitado, sem fama ou dinheiro, é chamdao ao palco para falar sobre alguma tolice.
O apresentador prima por salientar aspectos da vida em que alguém sempre sai perdendo, punido por uma exposição de mídia que atrai olhares e juízos de valor a respeito da vítima. Alguém termina sempre como culpado por ter sido submetido a algum vexame. E o público uiva, aplaudindo o infortúnio purgando, cada indivíduo, previamente, o medo de um dia ali estar, exposto e midiaticamente espancado.
O exemplo mais claro são as Cassetadas, em que pessoas são mostradas em situações ridículas, grvadas em vídeos caseiros. Faustão está fazendo a louvação de um relacionamento cotidiano baseado no deboche e na falta de respeito. Banaliza a dor e o sofrimento de quem é ofendido.
No que refere ao Big Brother, há o elogio à falta de escrúpulos, a reverência à desonestidade, a absolvição de qualquer culpa moral, tudo sob o pálio de que ali há uma "competição".
Competição que se apresenta às claras como um jogo sujo, um processo de ocultção dos verdadeiros interesses da Globo: lucrar a qualquer preço, retirar dinheiro de tolos que fazem ligações de celulares e aumentam em mais alguns milhões a fortuna do grupo Marinho.
E como as pessoas participam... Dão "opiniões", manifestam-se "indignação", "criticam", "falam" sobre as "qualidades" de indivíduos que participam de uma espécie de turnê da estupidez mas que, apesar disso, são capazes de mobilizar uma ponderável parcela da nação.
No fundo, de alguma maneira, todos sabem que estão vendo e sendo chamados a participar de uma grotesqueria, sabem que estão imersos numa encenação à qual todos se curvam de bom grado. As pessoas flutuam entre a realidade e a encenação dessa tragédia programada: o BBB levará alguém ao pódio da vitória do um milhão mas, antes, vai triturar os demais participantes.
O BBB é uma manifestação de que tipo de sociedade está sendo construída. Pessoas são humilhadas, levadas a fazer publicamente atos em que suas condições físicas e emocionais são levadas ao limite. Sua intimidade, também. Gente é açulada a agir de maneira sórdida e truculenta. O público é chamado a presenciar com prazer atos de degradação.
É o espetáculo da violência estetizada. A brutalidade, literalmente, como padrão global de qualidade.
domingo, 11 de março de 2007
Crônicas para Natal
As pequenas e audazes
caravelas do Potengi
repousam calmas
em seu silêncio de água.
São animais de madeira,
dóceis e treinados.
Mas quando estão nevegando,
mastigando instantes,
percorrendo momentos,
esfregam-se no corpo líquido
da água-mulher
e são desbravadores de prazer.
O Centro Náutico Potengi,
onde a força do braço
é motor de popa,
é a pátria das águas,
desses barcos
e de seus marinheiros.
E são todos corsários
da vida forte, amigos do sol
e do suave ondular
das águas que abraçam as
ágeis embarcações.
sexta-feira, 9 de março de 2007
O Senhor da Guerra chegou: a polícia manda o povo calar
Trata-se de uma foto-editorial clássica: perfeita sob todos os enquadramentos, sólida enquanto captura de um momento intenso, pujante pela forma como demonstra a brutalidade como o homem é dominado, pungente como depoimento daquele momento de vida de um brasileiro.
O mais lamentável é que relata como brasileiros são colocados nas ruas para oprimir outros brasileiros, que vêm a público dizer que não concordam com a vinda, ao País,de um homem que representa a nação mais autoritária e arrogante do mundo.
Um homem que, utilizando-se da política do big stick, invade com suas tropas outros países sob a alegativa de defensor das liberdades e da democracia. Bush vem ao Brasil unicamente para defender os interesses do sistema de dominação que representa e integra.
A foto foi publicada também na grande imprensa americana. Tecnicamente perfeita, humanamente tocante, é em si um lamento e uma advertência trágica: o turismo do Senhor da Guerra é garantido por forças policiais; o gemido de um povo, sua dor, seu protesto, é calado ao pisar das botas e golpes de cassetete.
quinta-feira, 8 de março de 2007
O Dia da Minha Mulher
e belo o nome de
todos os nossos sentimentos.
E guarda, frente ao mundo,
um silêncio que é só seu;
um silêncio tão forte e tão denso,
que é idioma que somente
eu e ela o podemos falar.
Viramos, eu e ela, par
que se transformou em um;
dois que se fizeram únicos;
Somos um gesto e estamos
longe, no grande silêncio de nós dois.
terça-feira, 6 de março de 2007
Bush vem aí
Em suma, vem pressionar o presidente Lula para que facilite a presença de investidores americanos no País e, mais que isso, deixar claro que os Estados Unidos têm interesse no etanol aqui produzido,mas que não haverá qualquer redução no que diz respeito às sobretaxas que incidem, lá, sobre esse produto.
Vem, claro, reafirmar uma política de dominação, mediante um discurso aparentemente amigável.
Para os Estados Unidos, o Brasil só é parceiro quando lhes interessa; mas parceiro de segunda linha, parceiro prestador de serviços.
Caso o Governo brasileiro não adote uma retórica mais firme, de agora por diante, quando o gigante do Norte apresenta fraqueza com relação ao etanol, continuaremos como periferia submissa, nessa e nas demais questões econômicas.