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Motim na PM do
Rio Grande do Norte
O Jornal de Hoje publicou manchete que diz: “Bombeiros
e Polícia Militar entram em greve nesta terça-feira no Rio Grande do Norte”. O motim,
a exemplo do que ocorreu em Salvador, é forma de protesto contra as más condições
de trabalho dos policiais, situação que implica falha no policiamento e ineficácia na
proteção ao cidadão.
Claro
que ninguém em sã consciência aprova ou defende a tropa amotinada, a perda de controle
dos comandantes sobre seus comandados. Mas é preciso entender que os insubordinados
são a ponta do iceberg que refere uma sociedade solapada em seus valores e
instituições.
Assim,
quando as elites não respeitam elas próprias suas leis aqueles que são os responsáveis
por manter tais leis também se tornam indiligentes, ou seja: o afrouxamento dos
costumes políticos, o descalabro nas ações do governo, a falta de respeito da
elite e dos políticos pela sociedade é algo que também repercute na tropa,
serve de caldo de cultura compartilhado pelos soldados e dispara o seu motim.
A
baderna do governo é a espoleta dos amotinados. Dialogar é a solução.
Repercussão na imprensa
A Tribuna do Norte, em texto de Valdir Julião, informa:
Os praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do
Norte confirmam a deflagração de paralisação dos serviços a partir da
próxima terça-feira (22), a fim de forçarem o governo estadual a
apresentar uma proposta de envio da Lei de Promoções para votação na
Assembléia Legislativa.
Um grupo de praças está acampado desde a quarta
(9/04) em frente a Governadoria, no Centro Administrativo de Lagoa Nova,
onde pretendem ficar até à Copa do Mundo, caso o governo não reabra a
mesa de negociação ou não atenda as reivindicações da categoria, como um
reajuste no soldo salarial de 56,7%¨, porque o último ocorreu em
janeiro de 2012.
O vice-presidente da Associação Nacional de Praças, cabo Jeoás Santos,
diz que a categoria não teme pelo esvaziamento da paralisação, nem por
eventual pedido de ilegalidade do movimento junto à Justiça Estadual por
parte do governo. Jeoás Santos lembrou que a paralisação dos serviços
pelas Polícias Militares nos estados começou em 1997 e, mesmo não
havendo uma previsão constitucional sobre o direito de greve dos
policiais militares, “o nosso entendimento é que também não existe uma
regulamentação que nos proíba fazer a paralisação”.