domingo, 22 de janeiro de 2012

Um elegante buraco em traje de gala para festa de black-tie

Obra de arte é parte das obras de mobilidade da Copa

Este elegante buraco está amalocado em frente à minha casa desde junho do ano passado. Segundo disse, aproveitou as chuvas de então para, em processo de geração espontânea, nascer e reivindicar direito de existir. Detalhou que, sendo um ser humanizado, direito tem a direitos humanos. E, caso intentem retirá-lo dali, promoverá atos de protesto reunindo a seu redor outros e maiores buracos de sua espécie humanizada. 

Vaidoso, o buraco. Ante a proximidade do carnaval, vestiu-se à moda dos grandes bailes de priscas eras e garante que fará um belo carnaval. Creio que meus vizinhos, profundamente honrados com a criatura, devam lhe prestar respeitos, honras e aplausos. 

Se você atentar bem verá que o buraco é também entendido em arte. Em processo de meta-apresentação se mostra como uma distinta entidade de escultura abstrata e reafirma sua sofisticação. Nada mau, não?

Para você ver: nos tempos hodiernos, as coisas se tornam fetiche e ganham vida. Assim, espero que o finíssimo buraco continue lá. Até porque, para mim, tem grande utilidade: posso manobrar tranquilamente meu carro quando vou sair de casa, uma vez que os motoristas que trafegam pela rua têm obrigatoriamente de desviar a fim de evitar colisão com a obra d'arte. Desta forma, o eminente buraco cumpre também papel de disciplinador do trânsito e assegura a minha tranquilidade, protegendo o meu carro. 

Creio  mesmo, diante disso, que o citado Sr. seja parte das obras de mobilidade urbana da Copa. Creio, não: estou convicto. Esse buraco é sim uma obra da Copa. Viva! Eu bem que sabia que a Copa iria deixar um grande legado. Sensacional.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O que é Anonymous? O que é o Plano?

Uma mensagem de não-conformidade. Para pensar sobre o tipo de mundo em que vivemos.
É livre, mas não é independente...

A pressão que o governo americano exerce sobre a internet como espaço libertário, e a eficácia com que essa pressão é exercida, vide o episódio Sopa, põem por terra a suposição de que esse campo seja livre, aberto, anárquico. Pode até ser em essência, intenção e prática. Todavia, algo não pode ser deixado de lado: pode até ser libertária, aberta, anárquica, mas a internet não é independente. Não é como um jornal impresso, que, a rigor, somente deixará de circular por falência, alguma forma pontual de censura como foi o caso do Estadão, ou ascenso de ditadura, algo bastante improvável. 

Quanto à internet, todos nós, usuários, somos sim dependentes de um sistema cujo controle, em última instância, está sob mãos que podem nos calar, e o que é pior: com inteiro amparo legal, por mais que essa legalidade tenha um profundo conteúdo antidemocrático. Lei é lei. A internet é controlada na China, em Cuba, Coreia do Norte e Mianmar, por exemplo. 

Certo que ali temos sistemas onde não há liberdade. Como é certo também que os poderes da democracia formal também são, para uso das elites, assemelhados aos poderes ditatoriais: quando o sistema de comunicação começa a se tornar liberto demais, quando prejudica interesses das grandes corporações, vem uma legislação que protege tais interesses e torna a liberdade na rede equiparada ao crime. É essa farsa, é essa atitude tático-jurídica que põe fim ou pelo menos mitiga a força do seu grande, massivo número de participantes.

Sabemos todos que os jornais impressos também são controlados por grandes corporações, mas, historicamente, foram os jornais que, quando da vigência de ditaduras, se voltaram contra estas, mesmo que as tenham apoiado em seu nascedouro. O Brasil que o diga. Não faço a defesa desse tipo de democracia, mas entendo que ela se torna terreno próprio às conquistas de sociedade civil, ocupação de espaços, avanço em direção a uma sociedade que busca justiça social. 


Suponho, desta forma, que o afã com que alguns  anteveem o fim do impresso, com um certo cântico alegre e juvenil, colocando o impresso como artefato jurássico, não analisam o perigo que é termos apenas a grande rede de computadores como forma e meio de comunicação, seja de massa ou interpessoal. Sei do fenômeno de mercado que cerca o impresso, sei de sua queda de vendas, sei dos que racionalmente estimam seu fim para dentro de mais alguns poucos anos. 

Sei também que a história não se escreve em linha reta. Fora assim, os romanos ainda estariam dominando o mundo, já que a reprodução do seu poder se daria naturalmente, a par do desenvolvimento tecnológico especialmente no plano bélico, o que lhes garantiria a força e o domínio. Domínio gerando mais domínio, estagnação dos dominados gerando mais estagnação. Não foi assim, como vimos. 

Como os donos de jornais também são em grande medida donos de sistemas de comunicação na net, veja-se o Grupo Folha, estimo que haja intenção de agregar a força de um e outro sistemas, consolidando assim seu poderio. Claro que isso pode não acontecer, a partir mesmo do meu argumento de que a história não se escreve em linha reta. Quanto ao fim ou não do impresso estamos todos no terreno das especulações.Vejamos o que vai acontecer.

Mas, voltando à questão central deste artigo, meu temor é que havendo o fim do impresso fiquemos sob o guante do Grande Irmão, dominador de toda a malha comunicativa, estabelecendo de forma planetária o totalitarismo de uma corporação ou de corporação de corporações aliada aos Estados, uma vez que os Estados são colonizados pelo interesse privado. Isso, esse domínio, se fará sem resistência? Creio que não, coletivos como o Anonymous são um demonstrativo disso. 

Seria importante a existência do impresso, como seria importante sua convergência com a net, que, aí sim, funcionaria como espaço privilegiado à sua crítica, denúncia e acusação de erros perpetrados pelos donos dos jornalões. 


Enfim, apresento este artigo ensaístico como forma de expor  perplexidade ante um grande século que ainda está ensaiando seus passos na história.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Uma viagem de 45 anos é o tema do
novo livro do médico Tarcísio Gurgel

Janela aberta para o mundo é o novo livro do médico e escritor Tarcísio Gurgel, que será lançado no próximo dia 28 de Janeiro, às 17 horas, na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall em Natal-RN. O livro, bilíngue – português e inglês - trata do ano que o autor passou nos Estados Unidos como estudante e das experiências que vieram em seguida. Ele mostra como conheceu outras partes daquele país, com o que traz importantes informações, orientações, vivências e fatos hilários que viveu no decorrer destes anos, que não são poucos: faz 45 anos que ele concluiu os estudos proporcionados através do intercâmbio do American Field Service.

Com uma memória privilegiada e um senso de organização raro, o autor resgata momentos, fatos, informações e fotografias, que com o passar do tempo vão se revelando preciosidades, e que vale à pena ler e ver. Cada pagina da obra traz uma síntese madura e qualificada do pensamento sobre intercâmbio estudantil e os valores sociais e humanos que o autor tão bem soube adquirir e cultivar durante todas essas décadas. Trata-se de uma leitura que com certeza vai valer à pena.

O livro é uma espécie de viagem no tempo e no espaço, que começa com a narração sobre “West Chicago - Intercâmbio em Illinois, EUA (1965/1966)”; descreve em seguida como se sentiu “Vivendo nos EEUU - Uma experiência ímpar, singular, exclusiva e diferente”; fala sobre “O American Field Service (AFS) - Promovendo a formação do cidadão pleno”; detalha a “Convivência na Família Americana - Morando com a minha família norte-americana e estudando em West Chicago”; cita – “Letras de Saudade - As cartas que enviava e recebia – palavras de parentes e amigos”; e conta viagens que fez posteriormente ao ano do intercâmbio, a Denver, que descreve como “Um retorno emocionante e compensador”; Nova Iorque e Flórida (Miami, Kennedy Space Center e Disney World).

Tarcísio Gurgel tem 63 anos, é médico e perito aposentado do INSS. Em fins do ano passado foi aos EUA, onde, em West Chicago, lançou o livro para colegas de High School e foi orador da festa, que reuniu estudantes da época. Foi da segunda turma de brasileiros a participar do American Field Service - AFS. Foi intérprete no navio americano HOPE, que passou um ano em Natal, nos idos de 1971. Depois da viagem aos EUA, onde ficou um ano, tomou gosto por viagem e em todas as férias ou recesso está de mala na mão. 
 
O autor já conhece mais de 50 países, de todos os continentes. Em suas viagens, viveu os episódios mais variados e surpreendentes. Na viagem mais recente, em Nova Iorque foi recebido pelo diretor do AFS, a quem entregou um exemplar do seu livro e deixou outros para a biblioteca. Em 2007, ao completar 60 anos, contava 32 países e lançou seu primeiro livro - Batendo asas, onde e como. Agora lança Uma janela para o mundo em português e inglês.
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Texto: Walter Medeiros – DRT/RN 468

A menina que não existe mais

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2012/01/19/292461-luiza-voltou-do-canada-e-foi-parar-na-tv
Menos Luíza, que está no Canadá

Voltou Luíza, que estava no Canadá. Desceu dos seus quinze minutos de fama, da nuvem da internet, do avião que veio do Canadá. Voltou Luíza, que estava no Canadá.

Na hipercomunicação sua vida foi assim: nasceu de um ato falho na TV e existia porque não era vista. Agora, voltou do Canadá e deixou de existir porque ela não era ela; ela era "menos Luíza, que está no Canadá"; foi vista e acabou a graça. 

O efeito viral dessa pandemia que se chama hipercomunicação é uma influenza cuja influência mata os seres microscópicos nascidos em seus muitos tubos de ensaio e, parece, não há vacina sendo fabricada. A não ser que haja uma vacina e eu não saiba. Talvez a vacina não esteja aqui: não está porque está no Canadá.

Leio no Correio da Paraíba, estarrecido; há dinheiro para esbanjar com a Fifa, mas falta atendimento a filha de trabalhador

Menina com doença rara fica sem remédios

Maria Fernanda, de quatro anos, sofre de dermatomiosite juvenil, doença rara que causa inflamação na pele e nos músculos. Por ser um problema crônico, o tratamento precisa ser feito sem interrupção, mas os pais da criança não têm condições de comprar os medicamentos, que custam por mês R$ 14 mil.

A família, que mora em Vigário Geral, na zona norte do Rio de Janeiro, recorreu à Justiça para que os remédios fossem fornecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). No entanto, o parecer foi negativo.
O pai da menina, Luis Fernando Gonçalves, é técnico em elétrica e não tem condições financeiras de comprar os medicamentos para a filha que sonha em ser bailarina, mas devido a inflamações musculares,não pode fazer muito esforço.

- Eu me sinto um inútil como pai de família, que não consegue comprar remédio para a filha. Não sei por que a Justiça não nos atendeu, pois tínhamos todos os documentos comprovando o quanto a doença dela é grave.
A Defensoria Pública Federal entrou com um recurso no fim do ano passado e aguarda um novo julgamento para o caso.

Segundo Eraldo Silva Júnior, defensor público federal, esta não é uma decisão padrão da Justiça, mas a Prefeitura do Rio alegou que seria atribuição do Estado fornecer medicamento de alto custo que, por sua vez, informou que o medicamento não é padrão, não podendo então ser fornecido pelo SUS.
Segundo a Defensoria, o recurso será apresentado aos juízes que irão julgá-lo até o início de fevereiro.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O vídeo que deu origem a essa conversa de Luíza que está no Canadá é esse logo abaixo. Um efeito viral inesperado para a agência que criou o comercial de venda de apartamentos.

 Montagner e Maria Fernanda Cândido: o Brasil de presidente novo

 O brado retumbante

Impressionante a forma como a Câmara dos Deputados foi apresentada ontem na minissérie Brado Retumbante: tipos boçais aplicadíssimos em seus computadores, outros presos ao celular: são esses os nossos representantes. Com isso, a produção da Globo parece ser um desses raros instantes de inteligência nas coisas da emissora dos Marinho. 

O ator Domingos Montagner faz o papel de um novo presidente da república, e que república. Cercado por um ministério de tipos ávidos, inconfiáveis, homens de intenções rasteiras, o ator conseguiu assumir expressão facial de um homem inseguro, alguém pisando em gelo fino. 

Ressalte-se o aspecto existencial, bastante humano, do personagem: ao ser acordado por um amigo que o comunica que será o próximo presidente, Paulo Ventura, o deputado que vira presidente de uma hora para outra, está curtindo ressaca pesada - que o diga a garrafa de uísque quase vazia jogada a um canto. 

Vêm a seguir o choque, a perplexidade, o temor da nova responsabilidade por parte de Ventura, veja só: um homem separado, uma voz que prega no deserto da política das espertezas está envolvido com a mulher de um colega, um senador baiano, típico representante da política miúda, feita a retalhos, safada, brasileiríssima.

Temos então a mais pura realidade transposta à ficção. Temos, efetivamente, verossimilhança: representação exata, ou pelo menos aceitável do real pela ficção, que critica o real do qual é ilação. Ficção como realidade escandida, levada às consequências máximas da dramaturgia televisiva, cuja enunciação ganha força exatamente pelos liames firmes com aquilo que representa.

A minissérie é carnavalizada, aqui no sentido de uso do carnaval como elemento crítico e atuante em meio à condição dionisíaca que deflagra: o Brasil como pátria de pilantras - que preguiça. Creio que a série tem tudo para atender a um determinado tipo de público que, à falta de um brado retumbante na vida, ganha esse grito no meio da tragédia que nos chega pelas antenas de TV. A arte de viver com a fé, só não se sabe fé em quê.

FEMEN: Mulheres protestam tirando a roupa na Ucrania

Recebo e divulgo comunicado dos estudantes de Comunicação




O primeiro Encontro Nacional sobre o Direito à Comunicação (ENDC)  ocorre  entre os dias 09, 10 e 11 de fevereiro  de 2012 na Universidade Católica de Pernambuco, em Recife.  Ate lá estão ocorrendo uma série de atividades de formação sobre o evento em várias universidades do país. No dia 31/01 ( terça-feira) será a vez da UFRN sediar uma dessas prévias para o  ENDC, a atividade ocorrerá no  Auditório do  “B” CCHLAa partir das 14h30

Entre os temas abordados estão esclarecimentos sobre a construção e  importância do ENDC, a trajetória do Centro Cultural Luiz Freire  e ainda a exibição do documentário “ TV AlmaSebosa” que trata, entre outros temas,  da falta de respeito aos Direitos Humanos na TV brasileira.

 O debate promete ser interessante e o Centro Acadêmico Berilo Wanderley convida  todos os estudantes, professores, Comunicadores comunitários, pesquisadores, representantes de ONGs,  grupos da juventude, movimentos sociais e associações  para participar desse evento, que está sendo realizado pela organização do ENDC em parceria com o  CABW, DCE/UFRN  e o núcleo da Revista Viração aqui no estado.

Então marquem na agenda, no dia 31/01 a UFRN vai discutir  sobre Direito à comunicação e sua participação é mais do que fundamental nesse debate. Contamos com a presença de todos.

Se liga:

 O Que: Pré-encontro sobre o ENDC na UFRN

Quando: 31/01/2012, a partir das 14h30 no Auditório B do CCHLA

Onde: Auditório  B do CCHLA

Mais informações: 
Organização do Pré-Encontro local: Ticianne Perdigão e João Victor (C.A. UFRN)
Contatos: Ticianne 84 88757505 e João Victor 84  8865-942

Tudo sobre o ENDC em : http://endc.org.br

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012


Historinha brasileira: a sofrida vida de um corrupto


Aproniano trabalhava de pedreiro. Paulo trabalhava de médico. Josepha Crescência trabalhava de advogada. Asclepíades trabalhava de corrupto. Pobre-diabo. Dava um duro danado para sustentar a família e até mesmo aquela sogra rabugenta. Começou trabalhado na Câmara Municipal, onde teve excelente desempenho intermediando verbas. 

Insatisfeito, o povo exigiu mais dele e tornou-o deputado estadual. Coitado. Como sofreu, avançado horas e horas noite adentro, executando grandes planos. Resultado: o povo cobrou mais do pobre-diabo, que tornou-se deputado federal. Aí sim, foi sofrimento grande.
http://www.google.com.br/imgres?q=corrup%C3%A7%C3%A3o&hl=pt-

Mais e mais lhe foi cobrado. Cansadíssimo, foi com notável esforço que o convenceram, ou melhor, intimaram a novo e terrível tormento: chegar ao Senado. Desesperado, sem saber mais o que fazer para atender ao povo ("Acho que esse povo quer que eu morra..."), continuou a trabalhar de corrupto, com inomináveis suplícios. 

O povo queria mais - veja como o povo é cruel - agora vinha a forçá-lo a ser governador. "Ó, Senhor, que atroz destino, fado e sina", lementava-se na solidão, ajoelhado ante um oratório, e se perguntava: "Por quê? Por quê? Por quê?". Entregou-se ao martírio de trabalhar duplamente, como governador e como corrupto. 

Afinal, cansado, melhor dizendo, exausto, decidiu-se. Reuniu toda a família e anunciou sua retirada da vida pública. "Após anos e anos trabalhando em favor do povo e da corrupção, injustiçado pela imprensa, injuriado pelos advrsários, quero comunicar que, ao contrário de Dom Pedro, não fico."

"Por que, papai?", quis saber o filho mais velho. 

Ele respondeu: "Não trabalhe tanto como o seu velho pai. Corrupção é coisa de muita responsabilidade. Cansa muito. Não insistam, que não mais trabalharei de corrupto. Não peçam mais de mim tal sacrifício."

"E o senhor vai trabalhar de que, se somente sabe trabalhar de corrupto e corruptor?", rebateu uma filha.

"Meus filhinhos", disse, com os olhos em lágrimas, "agora papai vai estar mais em casa. Agora papai não precisa mais trabalhar de corrupto. Acabaram-se meus dias de sofrimento. "Agora", disse com um sorriso no olhar, "papai vai trabalhar de empreiteiro." 

E assim foi feliz para sempre ao lado dos seus entes queridos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Ratos atacam no Senado: é a espécie senatus ratorum brasiliorum perigosorum

 Leio na Folha: "Senado suspende trabalhos para se livrar de ratos". Temos aí missão impossível. O Senado está infestado há aníssimos, muitos aníssimos, por ratos terríveis que ali entraram em processo de evolução e criaram uma nova espécie: o senatus ratorum brasiliorum perigorosum. São animais notívagos, podendo também atuar de dia, mas sempre à meia-luz. 

A espécie foi descoberta por cientista que, por precaução, escondeu-se no anonimato. Passou a temer pela própria vida quando um ratorum brasiliorum deixou em sua cama a cabeça de sua sogra, imitação perfeita do que fez o God Father de Mário Puzo, lembra? O cientista, além de anônimo, passou a viver com mania de perseguição e hoje esconde-se numa ilhota dos mares do sul.

Mas, voltemos ao ratorum brasiliorum: trata-se de animal esperto. Chegou ao ponto de transformar seus guinchos em fala, a fala em pronunciamento parlamentar e hoje domina todo o Senado. Se vir um deles precate-se: deve ser considerado armado e perigoso.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Leio na Folha e compartilho

Itaú deixa folha semelhante a de maconha em campanha publicitária


DE SÃO PAULO
O Itaú Unibanco aproveitou um vídeo com mais de 35 milhões de visitas na internet para uma campanha publicitária de sustentabilidade que visa diminuir o uso de papel.
O banco fez adaptações na peça original, mas esqueceu de apagar a imagem semelhante a uma folha de maconha estampada em uma almofada ao fundo da imagem.

O deslize repercutiu na internet. Usuários deixaram comentários no Youtube e no Twitter indicando a almofada com a imagem no cenário. O filme original com o título em inglês já teve mais de 35 milhões de visitas. A versão do Itaú que está no site da campanha já foi vista por mais de 370 mil pessoas.
No comercial que passa na TV a folha de maconha não aparece.

O filme mostra um bebê dando risadas cada vez que uma folha de papel é rasgada em sua frente. Ao fundo, um narrador convida os clientes a escolher a opção de extrato digital para evitar o desperdício de papel. "Use o papel para o que realmente vale a pena", diz a peça.

Na adaptação, o banco reforçou a roupa do bebê com o laranja da logomarca e modificou uma tolha que aparece ao fundo de verde para azul. Já a almofada estampada com a imagem da folha de maconha permaneceu.
Procurado, o Itaú ainda não se manifestou sobre o assunto.
Confira o vídeo do Itaú na internet:

CAT STEVENS - LADY D'ARBANVILLE


Fala que eu te escuto

A genial charge de Alan Sieber, na Folha. O consumismo faz você chegar ao ponto de comprar veneno só porque está na promoção. Há uns anos um amigo meu viu uma fila no shopping. Era para comprar celular. Ele entrou na fila e logo depois era o feliz comprador de um celular. Pouco depois lembrou-se de que já tinha um. Ficou com os dois e eu o orientei: agora você jamais ficará sozinho; quanto estiver carente ligue a si mesmo e diga : "Fala que eu te escuto."
PS: não é piada.






quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vídeo mostra soldados americanos supostamente urinando sobre corpos de soldados afegãos. A barbárie da guerra, a estupidez como método.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces

Pablo Neruda
http://www.google.com.br/imgres?q=neruda&hl=pt-BR&safe=off&client=firefox-a&hs
A Rede Bandeirantes promove o reality show Mulheres Ricas. Uma afronta, um escárnio a quem trabalha com dignidade. Claro, o programa foi feito para causar impacto. De tal forma que, ao criticá-lo, você acaba fazendo a divulgação. Metacomunicação à parte, não se pode ficar calado. É preciso manifestar indignação. 

A exposição das socialites é um discurso cujo centro é: veja como elas são e sinta só como você vive: em filas, esperando uma vaga no SUS, temendo ser assaltado, sendo assaltado, explorado, humilhado. 

A par disso fica a sugestão de que esse deveria ser o modo de vida, o padrão social,  a circunstância existencial, preferencial de estar no mundo, o sentir-se bem à custa de uma vida fútil, frívola, leviana. No fundo diz-se também o seguinte: você está errado em ser pobre, você é pobre porque merece ser pobre; já elas... são ricas porque merecem ser ricas...

Segue o texto da Band a respeito do programa.

A socialite Narcisa Tamborindeguy, a empresária Val Marchiori, a arquiteta Brunete Fraccaroli, a piloto Débora Rodrigues e a joalheira Lydia Sayeg expõem o dia a dia profissional e familiar. Elas são protagonistas de "Mulheres Ricas", o novo programa da Band, produzido pela Eyeworks/Cuatro Cabezas.
Um reality show em formato documental traz para a TV o cotidiano de cinco mulheres poderosas e ricas do eixo São Paulo/Rio de Janeiro. Luxo, carros importados, joias caríssimas, viagens internacionais e muito, mas muito mesmo, champanhe. Acostumadas com tudo do bom e do melhor e, mesmo assim, ainda não estão satisfeitas.
Um dia de ira

Michel Goldfarb Costa, de 33 anos, empresário, é o homem que em dia de ira saiu louco pelas ruas de S. Paulo disparando uma pistola que manejava com habilidade, segundo leio na net. A matéria é da Folha e segue após este texto. A narrativa do jornal paulista não é das melhores: é um texto tipo telegrama, que não dá ao leitor a sensação humana, o drama pungente que se passou. Coisas da Folha e seu Manual de Redação, que permitiu, por exemplo, a ocultação do nome do acusado, que somente identifiquei no Estadão. 

O jornal dos Frias desenvolveu ao longo do tempo esse tipo de texto: malfeito, chocho, uma espécie de bricolagem onde você vai juntando pedaços de um mesmo fato e suas conexões. É como se o redator ficasse saltando de uma frase a outra, fazendo uma montagem, tudo em nome da "objetividade", esse pretenso distanciamento do repórter perante aquilo que narra ou descreve. Ao fim da leitura fica a sensação de que houve na verdade foi incapacidade de contar a história, dadas as idas e vindas do texto. Uma lástima.Veja e confirme o que digo.

Polícia identifica suspeito de fuga alucinada em São Paulo

GIBA BERGAMIM JR.
DE SÃO PAULO


Ele saiu de casa com um pistola automática e munições nas mãos. Deixou a namorada dormindo e foi embora. Roubou carros e bateu mais de uma vez, atirou aleatoriamente nas pessoas e nos veículos que trafegavam pela zona sul de São Paulo e sumiu, deixando para trás dois baleados, automóveis destruídos e paulistanos em pânico.

Começa assim o roteiro da investigação da polícia sobre o suspeito de protagonizar a fuga alucinada num percurso de 40 quilômetros entremeada por tentativas de assassinato, na madrugada desta segunda-feira. Ele é um administrador de empresas.A família do suspeito pediu para que ele não fosse identificado. Diz ter certeza de que foi sequestrado e que se seu nome for revelado ele pode correr risco de morte.
Transtornado e aos gritos, segundo as vítimas, ele atirou a esmo em plena avenida Tancredo Neves, no Sacomã, após bater um táxi roubado contra outro automóvel.

A saga começou às 5h20, na avenida dos Bandeirantes, no sentido da rodovia Anchieta. Ali, quase em frente à pista do aeroporto de Congonhas, o administrador abandonou seu Corolla blindado, segundo a versão da polícia.
Com a arma em punho, foi até o semáforo fechado e mandou o taxista Elias da Silva, 37, e uma passageira descerem do carro, um Meriva. 

Antes de qualquer reação, ele atirou várias vezes no lado da passageira. "Ele estava alucinado e queria fugir dali", disse Elias, que saiu do carro, ajudou a passageira a sair e viu o atirador partir.
Em alta velocidade, o atirador chegou com o Meriva na avenida Tancredo Neves. 

No cruzamento com a avenida Nossa Senhora das Mercês, ele bateu o táxi em um Fiat Brava, dirigido pelo instalador de TV a cabo David Neves, 29, que estava com a mulher, Hérika, e o filho Thalles, de dois meses. O carro foi lançado 50 metros adiante. 

"Meu filho ficou prensado contra o banco do motorista. A cadeirinha o salvou. Foi um horror", desabafou Neves.
Testemunhas dizem que o atirador desceu do carro e voltou a disparar. Manuseava a pistola com técnica, afirmam as pessoas ouvidas pela polícia.
A vítima seguinte foi o eletricista Emiliano Borges, 50, que estava dentro de sua Ecosport, acompanhado de sua mãe. Ele foi atingido na barriga. "Ele gritou 'sai que eu tô em fuga, filho da puta', e atirou contra a porta várias vezes", contou Borges a familiares no hospital, ontem. 

Mas o atirador não conseguiu ligar a Ecosport e partiu em direção a outras vítimas. No meio da Tancredo Neves, atirava contra tudo e todos. Atravessou a via e correu em direção ao Logan do engenheiro Ademir Guerreta, 61, que seguia no sentido marginal. "Ele chegou e atirou. Tive tempo de desviar a cabeça e pôr a mão. O tiro pegou de raspão", contou ele, mostrando o ferimento. 

Depois de abordar o Logan, o atirador prosseguiu. Foi até o Polo da professora Ivete Cruz e atirou várias vezes, atingindo a coluna lateral do carro. "Eu pedi calma e ele foi me arrancando de dentro do carro", lembra a professora. 

O atirador assumiu o controle do Polo e saiu em alta velocidade. Andou 600 metros e bateu contra um ônibus sem passageiros e descarregou a arma.
Mas a saga não terminou aí. Após a batida, o atirador então abordou o motorista de um Ford Ka e fugiu.
A série de colisões continuou. Na avenida do Estado, região central da cidade, o atirador bateu o Ford Ka, tomou um Celta de outro motorista e bateu novamente, agora na marginal Tietê, na altura na ponte da Casa Verde (zona norte). 

Depois disso, o atirador sumiu. Não foi visto por mais ninguém.
Segundo policiais, ainda pela manhã, uma pessoa que se identificou como namorada do atirador foi à delegacia e disse que ele saiu de casa, em Cotia (Grande SP), quando ela estava dormindo. 

Duas vítimas reconheceram o suspeito por foto no 26º DP, no Sacomã. O delegado Marcos Manfrim recebeu a informação de que o atirador teve um surto psicótico.
"Nasci de novo", foi a frase mais vezes repetida por vítimas hoje na delegacia.
Colaborou LAURA CAPRIGLIONE

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Recebo e divulgo

Hospital procura familiares de paciente internado

O Setor de Serviço Social do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) procura parentes ou amigos do paciente, Heleno Teodósio da Silva, 65 anos, vítima de um acidente na BR 101, próximo a localidade de São José do Mipibú. Ele é natural de Macaíba e permanece em estado grave desde o dia 29.12.2011, data em que foi admitido no Walfredo Gurgel. Qualquer informação, que possa levar à identificação de familiares ou conhecidos, deve ser repassada ao Serviço Social através do número 3232-7533. O Serviço Social funciona 24h.

Para outras informações: Assessoria de Imprensa do Hospital Walfredo Gurgel, fone 3232-7619


O tango e o raio laser

Hoje de manhã precisei fazer pequena intervenção cirúrgica no olho direito. Raio laser para retirar uns grânulos que tornavam opaca a visão, corrigida em 2009 por lentes intraoculares nos dois olhos. Creio que o olho esquerdo também será submetido a idêntico tratamento proximamente. Nada preocupante, antes exultante porque, para quem usa óculos desde os dez anos, e sem eles via o mundo como um estranho conjunto disperso de manchas coloridas e totalmente distorcidas, voltar a ver as coisas como são é algo grandioso, inimaginável. 

Costumo dizer que antes das lentes encastoadas eu via a vida como numa pintura impressionista. Mas nada da beleza da arte de Monet, antes como um vendaval de borrões irritantes, desnorteadores, horríveis, deprimentes. Sem o uso de óculos eu sequer conseguia voltar sozinho para casa. Dá para imaginar? Não, não dá, se você nunca foi míope em alto grau não dá.

Mas voltemos ao tema de abertura deste relato: logo ao entrar no consultório uma surpresa agradável. Um aparelho tocava música instrumental suave. Envolto pelo clima relaxante encaixei a cabeça no aparelho que faria as descargas de laser no olho; o médico aplicou-me um colírio anestésico e fixou meu rosto entre duas hastes de metal com uma espécie de fita. Em seguida, mandou que começasse a respirar lentamente, concentrando-me no ir e vir do ar. Isso, disse, ajudaria a relaxar. A cabeça não pode, não deve se mexer.

http://www.google.com.br/imgres?q=tango&hl=pt-BR&safe
Concentrei-me naquele exercício respiratório, mas era difícil desligar-me dos procedimentos do médico. Explico: para que o olho fique aberto e a operação não se transforme num desastre - é raio laser, lembra? - é preciso outro gesto técnico: afixar ao olho um aparelhinho rígido, que impede as pálpebras de se fecharem. Em ato reflexo eu tentava fechar o olho, que se derramava num dilúvio lacrimal.  Mas a música continuava. Voltei minha atenção para os acordes e o aparelhinho foi afinal afixado. 

A máquina de laser foi ligada e vi uma intensa, intensamente suave chuva de pontinhos vermelhos. Essa, digo, não é a minha cor favorita. Bem pouco reconfortante, concorda? Mas, era o vermelho ou nada de visão nova. Enfim, passado esse pequeno ritual, o médico começou a fazer o que vou chamar de "disparos". Eram ruídos bem baixinhos, delicados, pianíssimos ruídos que me alegravam a ansiedade de voltar a ver o mundo como ele é.

Faziam assim, esses ruídos: pá!, pá!, pá!, certeiros, firmes, diretos. Cada um, creio eu, atacando , aqueles grânulos que insistiam em me reduzir a visão
- como faria Flash Gordon, esse meu grande amigo de infância, lembrança que eu julgava desbotada. Já pensou, uma batalha interplanetária em seu olho? Incrível, não? 

Mas é possível sim, ter um mundo no olhar. E isso eu tenho: meu olho, veja só, era um mundo disputado pela luz e pela sombra. E defendido por Flash Gordon, imbatível camarada meu, parceiro de muitas aventuras. 

E Flash Gordon venceu. Agora, quando redijo este coranto luminoso, o olho e o olhar já se sentem bem melhor.

Para encerrar, a música continuava ao fundo. Agora era um tango, a cadência amada de Gardel. O CD tocava "Tango para Tereza". Se você conhece, sabe do que estou falando. A síncope, a melodia, a força desse tango são enlevantes. Enfim: para completar minha exultação, estava ali, bem ao lado, uma Tereza, a minha Terezinha, Minha Mulher, minha Tereza, que esperava docemente o resultado daquela batalha vitoriosa. Que bom. E, não tenho dúvida: foi esse o nosso tango mais belo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Recebo e divulgo

Alcoolismo

Neste 8 de janeiro compartilho a informação de que há 22 anos, nesta data, eu começava a escrever "Abelardo, o alcoólatra", livro que está disponibilizado na rede e que pode ser lido e/ou transferido através do link http://www.rnsites.com.br/abelardo.pdf . O livro teve uma edição impressa em 1990, que está esgotada e teve lançamento em 17.07.1990.
Sds.

Walter Medeiros

sábado, 7 de janeiro de 2012

Lembrança da Festa de Santos Reis
--- Walter Medeiros
 
Dia desses, comentando com uma amiga sobre um fato ocorrido nos anos setenta, quando ela emprestou sua casa no Alto do Juruá para estudantes da UFRN realizarem uma reunião política clandestina, ela ficou meio sem jeito, pois não fazia parte do grupo, já que era, então, formada, e voltou-se com uma resposta inesperada: “Walter, eu acho que você está ficando velho”. Interessante como é fascinante lembrar coisas que ocorreram em momentos nos quais quem não foi contemporâneo do contexto jamais saberá realmente a sua importância, por mais simples e aparentemente sem influência que tais coisas pareçam.

Quando falam em velhice, trago exemplos que me estimulam a tratar o tempo com mais tranqüilidade, pois ainda não tenho direito à vaga de idoso, embora tenha a certeza de que alguns cabelos brancos que já tenho seriam suficientes para ninguém questionar o uso de uma delas ou até a utilização de filas preferenciais em supermercados e outros lugares. Mas nem tenho idade nem minha consciência permitiria tal contravenção. Ao renovar a minha habilitação, ano passado, quiseram entregar-me uma ficha preferencial, mas expliquei que teria ainda de entrar na fila comum.

Os exemplos acima referidos são comparações que faço entre uma mulher de 35 anos que encontrei na Serra do Sobrado, em Mata Grande, Alagoas, município que me concedeu o honroso Título de Cidadão. Lugar distante, alto, de acesso íngreme, aquela lavradora é casada, tem filhos e se considera velha para aprender a ler. Mais recentemente, encontrei um rapaz de 40 anos, de Ceará-Mirim, que sonha em voltar para sua cidade para se estabelecer definitivamente, por se achar velho e sem muitas outras coisas prá fazer na vida.

A única razão nos seus argumentos poderia ser o fato de não ter mais nenhuma chance de se projetar como jogador de futebol.
Tem o terceiro exemplo, que é o grande estímulo: meu sogro, 95 anos, atravessou duas guerras mundiais, viu chegarem os primeiros automóveis no sertão, criou gado, plantou, dirigiu, viajou, dançou forró e tudo mais. Pois bem: ele tem como parâmetro Oscar Niemeyer e outros longevos, para afirmar sempre que quer viver pelo menos 120 anos. 

Na passagem de ano estava lá na Pedra do Rosário assistindo aos fogos da Ponte Newton Navarro, caminhando sem problemas e sem doença nenhuma. Festejava mais um belo momento do Ciclo Natalino.

Hoje, 6 de Janeiro, a grande festa é de Santos Reis. Aí tenho de relembrar, mesmo sem ser velho ou idoso, uma noite em que fui com uma amiga para aquela comemoração tão tradicional de Natal. Ainda tinha poucas barracas, a Missa e um Parque de Diversões. 

Depois de passearmos, comermos alguns salgados e doces, resolvemos andar na Roda Gigante. Lá de cima, ainda uma vista sem a cortina de edifícios, a ponte nova e nem mesmo a Zona Norte, pois havia apenas Redinha e Igapó eis que tomamos um susto com um movimento brusco. Faltou energia. Justo na hora em que estávamos no ponto mais alto. O apagão demorou muito. E não se dignaram e desembarcar quem estava na roda com tração manual. Foi triste. Mas transformou-se numa bela lembrança para mim e minha amiga.
*Jornalista

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Peter Paul & Mary - Blowin in the wind (Tonight In Person 1966)

Peter Paul and Mary, 500 Miles

Se é a mentira verdadeira ela sim é a verdade

Os mentirosos começaram a mentir enlouquecidamente. E diziam que se era verdade que era mentira verdade era que era verdade de mentira e que verdadeiramente todos mentiam e assim a verdadeira mentira deveria ser honrada, seguida e tornada lei e ordem. E assim foi dito e assim foi feito.
http://www.google.com.br/imgres?q=a+mentira&hl=pt-BR&safe=off&client

E nos mais respeitáveis plenários, câmara secretas de governos e justiça estabeleceu-se a mentira como valor máximo e base de todos os procedimentos. Multidões se reuniram e adoraram a mentira e a ela construíram ídolos que não eram falsos exatamente por serem falsos.

Quando foi um dia um mentiroso cometeu a loucura de dizer uma verdade ao admitir em plenário que estava mentindo. Logo foi preso e levado ao patíbulo; e então ele gritou que seu julgamento fora falso por ter sido dirigido por leis falsificadas. 

E então as pessoas ficaram pasmas ao encontrar-se com a verdade de que estavam todos mentindo. Mas estavam tão acostumadas com a mentira que disseram que a verdade era uma impostura e não era verdade que era mentira mentir e sendo assim as leis falsificadas eram verdadeiras. E sendo verdadeiras, deviam condenar o homem que havia admitido mentir. E veio a carrasco e ele foi verdadeiramente morto. 

Mas ninguém acreditou em sua morte porque, diziam, se ele afirmava que as leis que o haviam condenado eram falsas, também falsa fora a sua morte. E assim tudo foi esquecido e a mentira pôde imperar sem ser crime nem nada. Porque, se a mentira não era nada, nada havia acontecido. 

Deu na Folha:

 Álbum dos Beatles é vinil mais vendido pelo terceiro ano
DE SÃO PAULO
O clássico "Abbey Road", dos Beatles, foi o vinil mais vendido nos Estados Unidos pelo terceiro ano consecutivo, informa a revista "Rolling Stone". 

Segundo informações oficiais, "Abbey Road" vendeu 41 mil cópias em 2011, mais do que as 35 mil vendidas em 2010. Em 2009, o total de cópias comercializadas foi de 34.800. 

Entre os dez vinis mais vendidos no ano nos EUA estão ainda "21", de Adele, "The King of Limbs", do Radiohead, e dois álbum diferentes da banda The Black Keys.

Reprodução
Capa do disco "Abbey Road", dos Beatles
Capa do disco "Abbey Road", dos Beatles; disco foi o mais vendido do ano no formato vinil

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Easy Rider Opening


http://www.google.com.br/search?q=globo+terrestre&hl=pt-
De como se criar um mundo novo e tornar magnífico um grão de areia

Sendo eu homem de poucas luzes, afeito a trabalhos básicos e elementais, sempre procurei aproximar-me de quem poderia ensinar algo a meu parco saber. Assim, no ano de 1201, trabalhando como lenhador nas brenhas mais profundas de floresta vasta, dali levando às aldeias meu pobre lavor que servia de aceso aos casebres por onde perambulava com meu cavalo carregado travei conhecimento com velho de muitas sabenças, tido como esquisito e morador de distâncias, garantidas em sua inacessibilidade pelos longes da citada floresta. Ensinou-me ele a escrever, a ler e a contar.


Em gratidão passei a colaborar com seus inventos. Como o velho era homem arredio às gentes, e não tendo outro a o servir, por uns tempos afastei-me do trabalho de lenhar a fim de ajudá-lo. Naquele então, ele desenvolvia experiências com a arte vidreira, criando ciosamente ora vidro plano ora encurvado. O primeiro tipo de vidro era aplicado às janelas de sua grande e tosca moradia, deixando entrar a radiosa luz solar; o segundo tipo permitia-nos a sensação miraculosa de observar coisas distantes, tornando-as aparentemente perto. Destarte, podíamos observar o sol através de vidros curvos, pretíssimos, sem que isso nos cegasse os olhos. Ou a lua, vista com lentes transparentes, encontrando assim todos os mistérios daquele ser do cosmo. Olhávamos também grãos de areia que se nos apareciam tão grandes como se fossem outros mundos. 

Assim, com a visão de detalhes aumentada, cada grão, era isso o que se nos aparentava, tinha montanhas e vales inóspitos, planícies, cavernas e artimanhas geográficas como o existem na Terra. O velho então decidiu: iria criar uma maneira de tornar-se tão pequeno, tão formidavelmente minúsculo, que seria capaz de explorar um grão de areia a fim de saber se ali havia vida humana ou a isso parecida. Perguntei porque não tentávamos chegar à lua, empresa que a mim pareceu mais fácil, já que não seria necessário a inversão do nosso tamanho.

Ele preferiu não. Explicou que o que se poderia encontrar na lua também o seria no grão, sem a necessidade de voo tão arriscado a local tão distante. Como era aprendiz, concordei com o mestre e nos atiramos a experimentos de beberagens e poções que, antes, ele ministrava a porcos, pássaros e outros seres viventes. Maravilhosamente, o velho começou a conseguir o encolhimento dos bichos até que um dia um enorme cavalo tornou-se tão pequeno que só o pudemos enxergar graças a vidro miraculosamente poderoso que amplificou a  visão do animal caminhando num grão de areia. 

O velho exultou: passou a aspergir suas poções sobre plantas, a largas porções de florestas, a lagos e a rios e todos se tornavam microcóspicos; e ele, em bandeja de vidro majestoso, os levava ao grão onde já estava o cavalo e ali criava um outro mundo, em tudo semelhante à Terra.

Afinal, um dia fomos examinar nossa criação e vimos que pululava de vida. O velho então disse que deveríamos nos separar, pois iria habitar aquele mundo antes grão seco e hoje planeta maravilhoso e pleno. Quis saber se o acompanharia à empreitada, mas recusei: "Não, mestre; não mereço tal honraria. Deixo-me ficar aqui no mundo grande, para ver o que acontece."

E assim foi: ele bebeu sua poção prodigiosa e pouco depois foi sumindo, sumindo, sumindo. Observei seu encolhimento em possante lupa, até que o vi, pequenino, caminhando em vale verdejante. Como já era versado na arte da vidraria, apressei-me a criar preciosa ampola de cristal de alta pureza, enchendo-a com o mais delicado ar da floresta para que ali flutuasse aquele novo mundo. 

Desde aquela data até hoje, quando tornei-me tipógrafo de ofício, guardo a ampola e, vez por outra, dou-me a olhar aquela minúscula perfeição e vejo que o velho está feliz. Ontem me disse que vai começar um grande ciclo de navegações, para conhecer o seu planeta...


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O país das estatísticas 

Os indicativos de que o Brasil é a sexta economia do mundo certamente não convenceram aqueles que vivem em favelas. A respeito o IBGE registra: mais de 11 milhões de brasileiros vivem em tais condições. Desta forma, há algo errado, algo perversamente certo ou as duas coisas ao mesmo tempo. 
 
Creio que temos as duas coisas ao mesmo tempo: o país evoluindo economicamente em benefício de uma minoria e uma lamentável divisão do bolo. E isso, a realidade das favelas, o lado perverso, não inclui os que não têm plano de saúde, os que têm escola deficiente, os que vivem de subemprego, os desempregados, os que vivem com aposentadoria que beira a afronta, os famintos...

Todos esses integram a parte perversa, aquela que não está nos padrões de sexta economia do mundo, acima do Reino Unido, veja só. Toda essa parte vive no Brasil atrasado, o Brasil que vê a locomotiva da história passar e sequer tem tempo de lamentar, pois precisa pegar o ônibus lotado para chegar ao trabalho e não perder o emprego de salário-mínimo. 

Há uma larga distância entre o mundo das estatísticas que alegram os governantes deste país e o Brasil real, o Brasil favelado, amedrontado pelos traficantes, espezinhado, perdido nas filas, implorando um atendimento médico. Há uma brutal diferença entre o país da propaganda governamental e o Brasil vivido e respirado, o país do faz de conta que tá tudo bem para o bem de todos e felicidade geral da nação. Oremos.