terça-feira, 5 de julho de 2011


De Leonardo Boff, na Carta Maior, transcrevo:

Crise terminal do capitalismo?


Leonardo Boff

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

Leonardo Boff é teólogo e escritor.
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A cara do crime na face da lei

A desarticulação de quadrilha de policiais militares traz a nu realidade que, aqui acolá, se desvencilha das amarras dos segredos da corrupção e explode em escândalo: o uso do aparelho público para fins privados. E isso em área que envolve funcionários públicos sob cuja proteção, em tese, está a sociedade. Funcionários públicos armados e que deveriam exatamente combater o crime se organizam para fins criminosos.

Temos, lamentavelmente temos, a tradição corrupta de uso do público pelo privado. A prática, permita-me, da safadeza como norma; o gesto, entenda, do crime como manifestação de esperteza gratificante; o lucro, é triste, a partir do que seria inegociável. 


Agora, numa ação firme do Comando da própria Polícia Militar em conjunto com o Ministério Público, temos a defraudação exposta e a sujeira escorrendo na sarjeta. Temos a denúncia da corrupção do que seria privado tornado em situação de furtivo, às escondidas, com o uso da autoridade para garantir a segurança de empresários. 


Urgente e necessária a atitude das autoridades. Agora, esperamos que o gesto, a captura dos infratores venha a ter desdobramentos. A impunidade seria inaceitável e incentivo a que tais atos voltem a ser perpretados. 



A respeito do assunto, informa o Diário de Natal:

Uma operação desencadeada na manhã de ontem pela polícia e Ministério Público Estadual (MP) resultou na prisão de 12 policiais militares e três empresários - dentre eles um sargento, um major e um tenente-coronel - nas cidades de Assu, Mossoró, Pendências e Paraú. A ação foi baseada em nove meses de uma investigação conjunta feita pela própria Polícia Militar e por um grupo de promotores de Justiça, que descobriu um esquema de pagamento de propinas em troca de serviços de segurança para empresas privadas.


Comandante-geral, coronel Araújo explica que acusados usavam estrutura da corporação para segurança privada Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Denominada "Batalhão Mall", a operação envolveu mais de 80 homens e 11 promotores e cumpriu todos os mandados de prisão que haviam sido previamente expedidos, além de seis mandados de busca e apreensão. O nome da ação faz referência à "venda" dos serviços realizados pelos policiais, lotados 10º Batalhão da PM (baseado em Assu), em troca da propina que teria sido paga pelos empresários. A investigação flagrou homens desse batalhão usando viaturas e armas da Polícia Militar, além de estarem fardados, em escoltas a pessoas que realizavam serviços bancários para lojas e segurança de postos de combustíveis de Assu, além de segurança 24 horas em alguns locais.

Dentre os presos, está o tenente-coronel que comandava o 10ª BPM, o major responsável pela companhia de polícia de João Câmara e nove soldados. Alguns deles também foram flagrados retirando combustível das viaturas para carros particulares dentro do próprio batalhão. Segundo o comandante-geral da PM, coronel Francisco Canindé de Araújo, a investigação aponta inúmeras falhas dos policiais. "Há vários indícios e provas de que os policiais estavam utilizando a estrutura da Polícia Militar em favorecimento próprio, o que é crime", explicou ele. Ainda de acordo com o coronel Araújo, a sessão de inteligência da PM também participou dos nove meses de investigação, juntamente ao Ministério Público.

Dentre as acusações apontadas pelo Ministério Público na operação, através dos promotores de justiça que compõem o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime (Gaeco) e o Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (Nucap), estão corrupção passiva e ativa, utilização da máquina pública e escolta ilegal, transporte irregular de valores. Os mandados de justiça cumpridos na operação foram expedidos pela Auditoria Militar do Estado, órgão ligado à PM, e pela Vara Criminal de Assu.

Batalhão mall - presos:

- Rodolfo Leonardo Soares Fagundes De Albuquerque, dono de posto de combustível;

- Pedro Gonçalves Da Costa Junior, supervisor geral da rede da Nossa Agência;

- Erinaldo Medeiros De Oliveira "Bebé", dono de posto de combustível em Assu;

- Wellington Arcanjo De Morais, tenente-coronel da Polícia Militar e comandante do 10º BPM;

- Carlos Alberto Gomes De Oliveira, major da Polícia Militar e ex-subcomandante do 10º BPM;

- Francisco Xavier Leonez, sargento da Polícia Militar;

- Manoel Xavier Leonez, soldado da Polícia Militar;

- Jocélio Sandro Bezerra, soldado da Polícia Militar;

- Emerson Dantas Lopes, soldado da Polícia Militar;

- Francine Nogueira Da Silva Júnior, soldado da Polícia Militar;

- Glauco Vasconcelos De Morais, soldado da Polícia Militar;

- Dário Martiniano Bezerra Filho, soldado da Polícia Militar;

- Demétrio Rebouças Torres, soldado da Polícia Militar;

- Iukatan Jefferson Da Silva, soldado da Polícia Militar;

- José Nilton Dos Santos, soldado da Polícia Militar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Abaixo, bela reflexão da professora Josimey Costa a respeito do jornalismo.


A comunicação, o ensino e as pessoas no mundo
Profª Drª Josimey Costa da Silva

Aos formandos de Comunicação Social

Radialismo e Jornalismo - março de 2008

UFRN

          A primeira vez em que pensei em dizer o que vem a seguir foi em 2000, quando fui convidada para ser paraninfa, mas não cheguei a proferir o discurso. Havia, à época, uma noção muito distorcida do que significa ser um profissional da comunicação neste estado e qualquer pessoa, como eu, que criticasse quando necessário as práticas de profissionais e de empresas da comunicação causava uma certa ansiedade. Tanto que fui convidada e logo depois desconvidada... Mas guardei o discurso! E como se pode lucrar com o tempo, haja vista a venda de segundos pela televisão, acredito mesmo que lucrei, pois os tempos hoje são outros. Hoje posso falar e os alunos que aqui se formam podem ter certeza de que isso não vai tirar um emprego sequer de nenhum deles. Há mais espaço para a crítica, há muito mais liberdade para fazer diferença porque o campo da comunicação no Rio Grande do Norte está mudando. E muito.
Queridos alunos, que me permitiram experimentar um gosto que eu não tive no passado, muito obrigada por tão gentilmente me homenagearam com o convite para ser sua paraninfa. Aprendi muito com o seu caminhar os primeiros passos do jornalismo e do radialismo e por tudo o que vi e ouvi, só posso dizer que tenho muito orgulho de vocês, dos alunos que foram e dos profissionais que, com certeza, serão.
Depois disso, posso dizer, enfim, algo sobre o nosso campo de estudo e de trabalho.
As sociedades humanas são fundadas na comunicação. Entre os humanos, é na comunicação, no olhar de um ser para o outro, que toda a condição de humanidade se estabelece. Somos humanos porque nos reconhecem assim, porque nos reconhecemos como seres iguais a outros, também considerados humanos. Portanto, sem comunicação, não há vida humana. É a comunicação que nega a insularização primordial, essencial de cada ser humano.


 A palavra comunicação, do ponto de vista etimológico, é o que pertence a todos ou a muitos. Comunicar, portanto, é o ato de tornar comum, fazer saber. Mas bem a propósito, a acepção “tornar comum” vem em primeiro lugar, e a razão pode ser encontrada buscando-se as raízes da palavra ação: ato, efeito, obra. Comunicação, assim, deve ser entendida como aquele ato de tornar comum que visa a uma nova ação. É assim que entendo a comunicação, e é essa a concepção que quero partilhar com todos aqui, especialmente com meus ex-alunos, hoje colegas, vocês que são o motivo maior da minha presença neste momento. 


A comunicação é cultura e vice-versa. Mas o que tem isso mesmo a ver com o ensino numa universidade? É óbvio que as universidades não existiriam sem comunicação social. Não existe educação sem comunicação. Não existem aulas, não existem livros, não existem professores nem alunos sem a comunicação. E o quê as universidades têm feito pela comunicação humana?


         As primeiras escolas superiores eram cooperativas de alunos. Alunos que eram senhores maduros, oriundos de centros de comércio, interessados em conhecimento geral, na época chamado de essências universais. Nada dessa moçada universitária que a gente conhece hoje, portanto.
No século 13, universidades de eruditos desenvolveram-se em organismos jurídicos com estruturas administrativas bem definidas. Essas estruturas geraram a massa crítica de pensamento fundamental para o surgimento do Renascimento e do Iluminismo como renovação da cultura humana.
Numa universidade contemporânea, se repassa o saber discursivamente formulado e se transforma cada uma das esferas da experiência humana num saber racional, assegurando-se a sua utilização técnica. Nessa confluência entre o saber e a sua utilização é que reside a essência da universidade atuais.
Na universidade, deve-se questionar, principalmente, a dimensão institucional da comunicação e dos meios, e não somente a dimensão instrumental. Deve-se buscar uma formação crítica, um conhecimento dos princípios do saber para além das suas meras aplicações. As aplicações puras são do âmbito do saber técnico. O saber mais amplo, que insere a técnica no contexto social e cultural, na dimensão humana: isso é o saber universitário.
Assim, o papel da universidade não é apenas produzir técnicos de nível superior. A universidade tem responsabilidade numa formação mais humanística, e não somente para o desenvolvimento de habilidades técnicas e de conhecimento desvinculado do agir social.
Hoje em dia, temos escassas oportunidades de refletir sobre o que fazemos e sobre como o fazemos nestes tempos em que se vive, simultaneamente, todas as dimensões contraditórias da história, nestes tempos em que as horas se transformam celeremente em segundos. Se as universidades formam profissionais capazes de refletir e atuar nos processos da comunicação - ou seja, no próprio cerne da vida social - poderemos intervir conscientemente na construção do mundo em que vivemos, na sociedade em que estamos inseridos. Poderemos, efetivamente, dirigir os nossos destinos.
Utopia? Talvez. Especialmente se continuarmos a trilhar o caminho que já estamos seguindo. Fazer pensar, levar a conhecer não é fácil, nem se consegue de qualquer jeito. As sociedades humanas evoluíram a tal ponto que o construir o conhecimento e conhecer o próprio processo de conhecimento são aventuras cada vez mais complexas. No mínimo, é preciso condições adequadas para o conhecimento florescer. No caso das universidades, espaços físicos, laboratórios, instrumentais, equipamentos. É indispensável, também, a presença daquela figura, que entra na constituição de qualquer ser humano adulto letrado contemporâneo: o professor. O professor ainda e sempre, é necessário, pois ele tem uma função importante a desempenhar na construção do conhecimento e na utilização social desse conhecimento, segundo princípios que não podem jamais se dissociar de um agir ético. Ele tem a responsabilidade de introduzir humanidade no processo do ensino-aprendizagem.
         Ética é o ramo do conhecimento que pondera sobre a conduta humana, estabelecendo os conceitos do bem e do mal, numa determinada sociedade, em determinada época, mas segundo princípios universais de respeito à vida. A ética também pode ser entendida como o exercício de um olhar sobre si com vistas ao agir moral. Através dela, se pode analisar e aprofundar os fatos morais dos quais podem ser deduzidas as regras para o comportamento humano. 
O pensar ético parte do princípio de que todo homem, espontaneamente, deve saber o que é bom e o que é mau, que ações devem ser praticadas, e quais não. Isso seria próprio da natureza do homem. A política visa o bem comum; a ética política visa os meios de se atingir esse bem comum. 


         Podemos pensar que, hoje, a comunicação social é ditada grandemente por interesses comerciais nos veículos de massa; que as universidades têm suas própria existência ameaçada pelo risco de se tornarem apenas fábricas de técnicos de nível superior; que a ética serve principalmente para a elaboração de códigos inócuos de um exercício profissional questionável; que a sociedade, enfim, desaba numa indesejável entropia excesso de individualismo. 


Mas eu prefiro um exercício de otimismo crítico. Vocês sabem, o pessimista diz que é possível, mas muito difícil. E o otimista diz que é muito difícil, mas perfeitamente possível. Eu sou desse time.


Qualquer sistema como uma sociedade, ou um sistema de comunicação, são estruturas muito complexas. Envolvem diversos elementos em correlação constante e sua existência e desenvolvimento estão em dependência direta da sua capacidade de reformulação contínua. Há, na própria natureza desses sistemas, uma capacidade de aut-eco-organização que surpreende muitas vezes os analistas, os experts, ao abrir rumos em direções inesperadas. As disputas eleitorais são exemplares nessa área.


Agora, mesmo, estamos vivendo uma discussão importantíssima sobre o que é a comunicação pública. Em 2000, essa discussão não passava dos discursos não lidos dos professores universitários. Hoje está em todos os jornais, nas agendas da câmara e do senado federal. São ou não são tempos novos e muito mais estimulantes? E isso nada mais é do que reorganização. 


É justamente na reorganização que cabe uma ação ética por parte de todos nós. A ação que visa o bem comum é que pode alterar a marcha da entropia e reorganizar os sistemas responsáveis pela nossa existência. Isso não é utópico, não é só teórico, nem está distante de nós. Isso diz respeito a cada um que está aqui, a mim e aos concluintes, a quem me dirijo especialmente.


         Sejamos éticos no agir. Lembremo-nos de que a comunicação visa a ação comum, e a sobrevivência de cada um e de todos depende de visarmos, com essa comunicação, o bem comum. O que nós fazemos como comunicadores necessariamente tem efeito social e nos cabe uma responsabilidade enorme por isso. Não nos enganemos imaginando que nossos atos só dizem respeito a nós mesmos, que o nosso trabalho só deve beneficiar a nós mesmos e que o resto do mundo é o resto. Só existimos porque esse mundo existe. Por isso, ele não é o resto. O mundo somos nós. Nós o afetamos tão profundamente quanto ele nos afeta.


         Portanto, sejamos éticos no ensinar, sejamos éticos no aprender, sejamos éticos no comunicar, sejamos éticos no viver. Não entendo vida de outra forma. E não poderia desejar nenhuma outra coisa a vocês.

sábado, 2 de julho de 2011

George Harrison Got My Mind Set On You (2009 Stereo Remaster)

the beach boys barbara ann live

Cherchez la femme

Leio na Folha e, abaixo, comento.

Ex-diretor do FMI é solto após reviravolta

Segundo Procuradoria, camareira mentiu sobre os detalhes de suposto ataque sexual de Dominique Strauss-Kahn
Acusações contra ele não foram totalmente retiradas, porém; caso pode ter impacto sobre a eleição francesa
Don Emmert/France Presse

Ao lado da mulher, Anne Sinclair, Strauss Kahn sai da Suprema Corte em liberdade, sem pagar fiança e sem tornozeleira de monitoramento eletrônico

ÁLVARO FAGUNDES
DE NOVA YORK

O ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn, acusado de atacar sexualmente uma camareira de hotel em Nova York, foi liberado da prisão domiciliar, devido a dúvidas sobre a credibilidade da suposta vítima.
Ele removeu a tornozeleira eletrônica e terá de volta US$ 6 milhões pagos de fiança (incluindo US$ 5 milhões depositados em garantia).

As acusações ainda não foram retiradas, contudo, e ele não pode deixar os EUA, uma vez que seu passaporte está retido. Ele volta a se apresentar à Justiça em 18 de julho.
Caso seja inocentado, pode provocar uma reviravolta na disputa presidencial francesa, no ano que vem. Strauss-Kahn é uma das principais figuras do Partido Socialista, de oposição.
Os procuradores continuam a afirmar que acreditam que o ex-diretor do FMI atacou a camareira, mulher de 32 anos vinda da Guiné (oeste da África).

Mas admitem que as contradições apresentadas nos depoimentos podem tornar difícil para os jurados considerar o francês culpado.

"A força do caso foi afetada por questões de credibilidade", disse a procuradora Joan Illuzzi-Orbon.

A mudança ocorreu depois que a Procuradoria afirmou que a camareira mentiu não só sobre detalhes que ocorreram após o suposto ataque, em 14 de maio, como também sobre seu passado.

Em depoimentos anteriores, ela tinha afirmado que, após sair do quarto de Strauss-Kahn, ficou no corredor do andar até a saída do francês, para então reclamar com seu chefe.
Depois, porém, ela teria mudado a versão, dizendo que, antes de falar com seu chefe, limpou um quarto próximo ao do ex-diretor-gerente do FMI e também o dele.

Além disso, segundo a Procuradoria, a camareira admitiu ter mentido em seu pedido de asilo nos EUA e sobre ter sido vítima de um estupro grupal em seu país de origem.
A camareira também teria mentido ao colocar como dependente no Imposto de Renda o filho de um amigo para receber restituição maior.

Segundo o advogado dela, Kenneth Thompson, a camareira "cometeu alguns erros", mas "não significa que ela não seja vítima de estupro". "A única defesa de Dominique Strauss-Kahn é que o encontro sexual entre os dois foi consensual. Isso é uma mentira."

Strauss-Kahn esteve ontem no tribunal em Nova York acompanhado da mulher, Anne Sinclair. Os dois saíram lado a lado e sorrindo.

ELEIÇÃO
Uma possível absolvição de Strauss-Kahn pode mudar o panorama da eleição presidencial francesa do ano que vem, em que ele aparecia como favorito antes da prisão.
Membros do seu partido, o Socialista, já pediram para que o processo das primárias internas seja adiado, para dar mais tempo ao ex-diretor do FMI de concorrer.
............. 

Tenho a impressão de que trata-se, aí, de caso claro e clássico de abuso de poder, social, sexual e econômico. Mulher - pobre e trabalhadora - é ultrajada na intimidade alugada de um quarto de hotel, mas comete o crime de ter como agente ativo desse ultraje figurão da política francesa. Então, de repente, após o impacto inicial do escândalo, começam a ser destampadas culpas sociais da mulher. Pronto: a agressão, o abuso, o domínio do macho rico e poderoso sobre a fêmea trabalhadora suplantam seu assédio. E ela tem culpa de ser fêmea e desejada. Sculenta presa do tigre poderoso. Como deixar passar a oportunidade de sexo rapidinho sobre mulher à qual se atribuiu volúpia e desejo?

Mas, as cartas estão na mesa. O figurão pose ao lado da esposa bonitona, que apoia o marido.
Como contestar a família perfeita? Se a mulher-esposa aceitou as desculpas, como pode a sociedade contrariar tão sagrada circunstância? Não pode. Claro que não. E assim, o homem surge como elemento divinizado, o pai, o esposo que, de repente, foi cercado pela insídia de mulher vulgar e camareira.



É isso: não se sabe exatamente o que ocorre nas coxias dessa peça trágica. A vítima foi comprada para se assumir culpada? Houve consenso no ato banal do sexo hoteleiro? O bom senso diz que não. Mas, para a assessoria do figurão lúbrico, tudo pode ser legalizado e quem sofreu passa a ser agressora. Depois, o tempo passa e ele pode até ser eleito presidente da
França.






 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Beethoven: String Quartet op 130: V. Cavatina: adagio molto espressivo

Chico Buarque e Pablo Milanés - Cantam Yolanda

Leio na Folha e compartilho texto de Rui Castro a respeito do ódio que pessoas votam a Chico Buarque. Nem ele sabia.

RUY CASTRO

Ódio on-line

RIO DE JANEIRO - Na esteira de seu novo disco, à venda num site para o qual as pessoas podem escrever o que quiserem, Chico Buarque fez uma grave constatação. "Eu achava que era amado, porque as pessoas iam ao show, me aplaudiam, e, na rua, me cumprimentavam", ele disse. "Descobri, na internet, que sou odiado. As pessoas falam o que lhes vem à cabeça. Agora entendi as regras do jogo."

Sim, são as novas regras. Chico Buarque, possivelmente, nunca foi a unanimidade que se pensava -ao lado das multidões que lhe são gratas pela beleza que espalha em letra e música há quase 50 anos, sempre devem ter existido os inconformados com seu sucesso, com seu talento, com suas rimas, talvez até com seus olhos claros.

A diferença é que os que não gostavam dele não se dariam ao trabalho de ir a seus shows para hostilizá-lo e, se passassem por ele na rua, não se disporiam a desfeiteá-lo. A vida real tem seus códigos de convívio -nela, para melhor andamento dos trabalhos, somos mais tolerantes e evitamos dizer o que pensamos uns dos outros. Mas a internet está fora desses códigos.
Nesta, ao sermos convidados a "interagir" e a "postar" nossos comentários, podemos despejar tudo que pensamos contra ou a favor de quem quer que seja. Quase sempre, contra. Uma sequência de comentários -que, em poucas horas, são milhares- a respeito de qualquer coisa nas páginas on-line é uma saraivada de ódios, despeitos, rancores, recalques e ressentimentos. E, não raro, num português de quinta. Pode-se ofender, ameaçar e agredir sem receio, como numa covarde carta anônima coletiva.

Alguns dirão que isso tem um lado bom -com a internet, acabou a hipocrisia e, agora, as pessoas podem se revelar como realmente são. Que ótimo. Resta perguntar quando elas passarão à prática -do ódio on-line contra X ou Y para sua manifestação concreta na rua.
História suja

Reproduzo abaixo matéria da Folha a respeito de Strauss-Khann, aquele do FMI e seu envolvimento com a camareira de um hotel. De repente a mulher, de vítima, é acusada de ter "experiências - sexuais - prévias" e que seria envolvida com tráfico de drogas e por aí vai. É uma história suja em que pela demonstração de que a mulher não seria santa justifica-se o assédio do poderoso. Leia e se assoe.

Camareira mentiu sobre detalhes da acusação contra Strauss-Kahn

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Em carta enviada à Justiça de Nova York, os promotores do caso do ex-diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disseram que a camareira admitiu ter mentido sobre importantes detalhes da sua acusação contra o francês. De acordo com a nova versão, após o incidente ela teria continuado seu trabalho antes de avisar a gerência do hotel sobre a agressão sexual.
"A autora da queixa, desde então, admitiu que o depoimento era falso e que, logo depois do incidente no quarto 2086, passou a limpar um quarto próximo e só depois fez o mesmo no 2086, antes de denunciar o caso a seus supervisores", indicaram os promotores, segundo documentos do tribunal.

Mario Tama/France Presse
Ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn deixa corte de NY ao lado da mulher, Anne Sinclair; ele foi libertado sem fiança
Ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn deixa corte de NY ao lado da mulher; ele foi libertado sem fiança
Caso a nova versão do depoimento seja confirmada em audiência, a tese defendida pela defesa do ex-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional) --de que a relação sexual teria sido consensual-- deve ganhar força.
Na carta enviada pela promotoria, afirma-se que a suposta vítima deixou o quarto e limpou outro cômodo antes de denunciar a suposta agressão, ao invés de, em pânico, ter corrido imediatamente à gerência, como antes afirmara.
"No curso da investigação, a acusadora mentiu aos promotores distritais assistentes sobre vários outros assuntos, incluindo sua história, experiências prévias, circunstâncias presentes e relacionamentos pessoais", diz um trecho do documento.
Segundo Benjamin Brafman, um dos advogados de defesa do francês, Strauss Kahn será declarado inocente.
Os últimos elementos relacionados ao caso "reforçam nossa convicção de que será declarado inocente (...). É um grande alívio", disse.
A justiça nova-iorquina suspendeu nesta sexta-feira a prisão domiciliar de Strauss-Kahn, mas as acusações por crimes sexuais abertas contra ele não foram abandonadas.
REVIRAVOLTA
O Tribunal Penal de Nova York libertou nesta sexta-feira o ex-diretor-gerente do FMI que estava há um mês e meio em prisão domiciliar.
Strauss-Kahn foi libertado sem fiança --o que indicaria que as acusações são menos graves do que as inicialmente apresentadas.
Mary Altaffer/Associated Press
Ex-diretor-chefe do FMI chega a corte de Nova York para nova audiência; francês foi libertado após reviravolta no caso
Ex-diretor-chefe do FMI chega a corte de Nova York para nova audiência; francês foi libertado após reviravolta no caso
O canal de TV americano CNN diz ainda que há algumas condições para a libertação do francês, que continua sem o passaporte e deve voltar para novas audiências. As acusações não foram derrubadas e ele continua sendo processado.
A TV mostrou imagens de Strauss-Kahn deixando a corte, sorrindo, ao lado da mulher.
O caso de Strausss-Kahn sofreu uma reviravolta na noite de quinta-feira quando o jornal "The New York Times" revelou, com fontes ligadas ao caso, que havia fortes suspeitas sobre a credibilidade da vítima.
Estas suspeitas teriam sido apresentadas na audiência desta sexta-feira, o que teria resultado na libertação do francês.
ACUSAÇÕES
Strauss-Kahn, 62, foi preso em 14 maio sob suspeita de abuso sexual, tentativa de estupro, ato sexual criminoso, aprisionamento ilegal e toque violento contra uma camareira de 32 anos do luxuoso Hotel Sofitel, em Nova York. Ele nega as acusações.
O escândalo o levou a renunciar ao cargo no FMI e acabou com suas chances de concorrer à Presidência francesa em 2012, à qual era um dos favoritos.
Na noite de quinta-feira, contudo, o "NYT" afirmou, com base em fontes anônimas, que a suposta vítima mentiu sobre o incidente repetidas vezes.
Os advogados de defesa apuraram que a camareira recebeu depósitos que somaram US$ 100 mil nos últimos dois anos --em suposta evidência de que ela teria sido paga para inventar a acusação.

Todd Heisler/France Presse
Strauss-Kahn (segundo da dir. para a esq.) durante audiência; francês foi libertado mas não pode sair dos EUA
Strauss-Kahn (segundo da dir. para a esq.) durante audiência; francês foi libertado mas não pode sair dos EUA
Os promotores teriam ainda conversas gravadas da camareira com indivíduos sobre o pagamento pela acusação de agressão sexual, destaca o jornal.
A polícia descobriu ainda supostos vínculos da vítima, uma guineana de 32 anos, com atividade criminosa, incluindo lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. A mulher também teria mentido para obter seu visto de permanência nos Estados Unidos.
Segundo o "New York Times", as novas evidências poderiam resultar na libertação de Strauss-Kahn.
"É um desastre, um desastre para ambas as partes", disse um funcionário ao jornal.
 
CASO
A camareira alega ter entrado no quarto achando que não havia ninguém e que Strauss-Kahn saiu do banheiro nu, em sua direção. Ele a teria agarrado e tentado colocar seu pênis na boca da camareira por duas vezes, além de impedir que ela deixasse o local. 

Após ser detido em um avião quando se preparava para voltar à França, Strauss-Kahn passou duas noites em uma delegacia do Harlem e quatro na prisão de Rikers Island, antes de conseguir mudar para a prisão domiciliar em um luxuoso apartamento de Manhattan, depois de pagar uma fiança de um milhão de dólares. 

Além de pagar US$ 1 milhão de fiança e mais US$ 5 milhões em caução, o ex-diretor do FMI foi obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica, restringir-se a um regime de saídas e visitas muito rígido e entregar todos seus documentos de viagem.
A doce vida dos corruptos

Acompanho a olhar tardo o noticiário salpicado, difuso, relatando as coisas dos corruptos. Nas coisas de jornal é assim: no início há cobertura intensa mas os corruptos, esse seres dotados de alma encharcada, conseguem receber - e aparar - todos os golpes. Os amortecedores morais de seus corpos civis suportam a carga da artilharia da imprensa e meses depois já quase ninguém deles se lembra. O corrupto é um imoral bem assessorado.
Pois bem: passada a fase dura do noticiário,  o processo se amorna, acomoda-se entre os papéis de outros processos e todos dormitam entre o mofo e as traças. E assim o corrupto, protegido pelo silêncio caduco da lei processual, cobra forças para novas investidas, assume outros cargos, torna-se autoridade novamente. E vai, vai e vai; até que surge nova denúncia, mas ele nega até o fim. Sabe que nada lhe aconteceu e, sob a proteção pesada da cortina do seu próprio poder, bebe seu uísque e estira a mão para a fortuna, a deusa da sorte que há tanto o acompanha.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

O crme do Vectra prateado

Não se vende uma menina

A elegante mulher desceu do carro prateado, deixou o motor ligado, foi até a favela do Maruim e parou aquele mundo de dor e lama: ali ninguém entendia o que uma senhora tão distinta, tão bonita, tão fina, fazia em meio a tanta pobreza, sujeira, lodo. Simples: ela procurava Dona Maria Oduvalda, até que ouviu: “Está falando com ela.” Sem esperar mais um segundo a mulher sacou uma pequena pistola da bolsa, mirou a mulher e acertou-a no meio da testa. 
A assassina correu, enquanto todos ficavam paralisados. Entrou no carro e fugiu. O crime do Vectra prateado, como o caso ficou conhecido, abalou Natal não apenas pelo fato em si, mas pelo envolvimento dos personagens, o confronto social, a elegância criminosa e a miséria ofendida, indefesa e morta.

Alguém anotou a placa? Não, ninguém anotara a placa, tal o pandemônio estabelecido na favela do Maruim. Mas na cidadde somente se falava na bela e seu Vectra fulminante. Passaram-se 15 dias, os jornais quase não tinham mais títulos para continuar segurando o assunto, até que ela pegou o telefone e ligou para o Delegado Eudóxio: “Doutor, amanhã vou me apresentar ao senhor. Matei aquele mulher. Não, não, não pergunte o meu nome. Apenas me espere às três da tarde que irei, sem escolta e sem medo, a seu gabinete.”

Dia seguinte, no horário aprazado, a elegante mulher chegou à Delegacia e foi direto à sala do delegado Eudóxio. Ele: “E então, por que a senhora matou aquela pobre mulher?” Ela disparou resposta aguda como lâmina de florete: “Matei porque ela era minha mãe.”

“Como?”, disse o delegado, que quase saltou da cadeira. Como seria possível que aquela mulher, finíssima, fosse filha de uma velha miserável, moradora da favela do Maruim? Ela explicou: a velha Oduvalda, viciada em álcool e faminta, a havia vendido ainda bebê a uma respeitável família natalense, família rica, porém impossibilitada de ter filhos. 

Oduvalda, bonita à época, disputada por todos os cafajestes da área, havia conseguido um bom dinheiro com a venda da criança e gastou todo ele em cachaça.

“Mas ela não lhe fez um bem? Não é hoje a senhora uma mulher rica, educada, bem de vida, tranqüila até o último dos seus dias?”, quis saber o delegado.

“Sim; mas não se vende  uma menina." Apontou a pistola para o delegado. E disparou.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Arraiás da memória

Walter Medeiros – waltermedeiros@supercabo.com.br
 

Os festejos juninos, principalmente para nós, nordestinos, proporcionam momentos agradáveis e felizes, que vêm das nossas raízes e ligações com a terra, a caatinga, o sertão. Algo como ouvir aquele acorde da sanfona e as batidas da zabumba e do triângulo; como comer aquela espiga de milho cozido ou assado; aquele pratinho de canjica; aquela pamonha. Tudo isso junto forma aquele tradicional arraiá, que antigamente era feito quase por rua, e há alguns anos passou a ser concentrado na disputa para saber quem faz o maior do mundo.

Meus arraiás estão guardados na memória, e deles tenho aquela saudade de quem já sabe que foram felizes e ficaram lá no passado. O “Arraiá do Xico Careca”, do tempo da Av. Rafael Fernandes – anos 60; o arraiá da Rádio Cabugi e Tribuna, feito aos pés da antena que ficava nos transmissores da estrada da Redinha, à época tão longe; o arraia do Movimento Estudantil, onde dançamos até ao som de Belchior; o Arraiá do Pinguinho de Gente, acompanhando a criançada; o Arraiá do SESC Taguatinga, quando morava em Brasília; o Arraiá de Alfama, com o manjerico, dois anos atrás (foi de lá que vieram tantos trejeitos bons); e hoje o “Arraiá da UNICAT”, nosso local de trabalho.

Sempre que se fala em arraia, vêm à mente aquelas músicas que tanto marcaram os citados momentos: “Ai, São João / São João do Carneirinho...”, “Tem tanta fogueira / tem tanto balão...”, “Zabé como é que pode / eu viver longe de você...”, “Eu fiquei tão triste / eu fiquei tão triste naquele São João...” mas para marcar as quadrilhas eram sempre as marchas animadas, porém não tanto. Hoje multiplicaram as batidas e as quadrilhas dançam num ritmo frenético e desconforme, que as distancia daquele passo tão confortável de antigamente.

Movimentando o arraia, agora vemos gente fantasiada com trajes meio carnavalescos, e na TV dizem também que a estrutura de confecção das vestes é idêntica à dos barracões das escolas de samba, algo meio Carnaval. Aos poucos foram sumindo aquela fogueira em que se assava milho e elegia os compadres, as comadres, os afilhados e as afilhadas, sob os versos inesquecíveis do “São João Disse / São Pedro confirmou...” tão fortemente cantados por Luiz Gonzaga.

Não sou contra os grandes forrós. Apenas não consegui ainda me situar neles. E até mesmo por bairrismo, torço para que Mossoró ganhe de Caruaru e Campina Grande, para que nossos conterrâneos passem a ostentar o título de maior São João do Mundo. Apesar da discriminação da mídia, que mostra até coisas menos importante, pois deixa de mostrar qualquer festejo junino do Rio Grande do Norte, haja vista o Globo Repórter passado.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

 A chuva em Natal

A chuva em Natal trocou a luz tropical da cidade por um cinza calmo, um silêncio salpicado pelo tamboril dos pingos e muitas vezes uma cachoeira que despeja litros de barulho no telhado. A chuva em Natal trouxe o inverno do sertão às ruas. A chuva em Natal trouxe a este meu início de férias a vontade de um bom livro e um pouco de descanso. A chuva em Natal aguou o meu jardim. A chuva em Natal vai fazer-me parar um pouco e ter tempo para escrever, mesmo que só um pouco.

sábado, 25 de junho de 2011

Meu Nome é trupizupe Zé Tamalho Ao Vivo

 Deu na Folha:
Documentário busca a verdade sobre o ET Bilu; veja

AMANDA DEMETRIO
DE SÃO PAULO


"Busquem conhecimento", disse o personagem que ficou conhecido como ET Bilu, em um vídeo que virou fenômeno na internet. O produtor de vídeo Fernando Motolese e o hacker Vinícius K-Max seguiram o conselho à risca e correram atrás da história do suposto ET. Os dois estão lançando a primeira parte de um documentário sobre Bilu e o Projeto Portal, grupo de pesquisadores que cuida da fazenda onde o suposto ET teria sido encontrado.

"Em outubro do ano passado, vimos o vídeo da 'TV Record'. Inicialmente, achamos que aquilo fosse uma palhaçada, mas o Vinícius começou uma investigação, analisando tudo o que já havia sido publicado sobre o assunto", afirma Motolese, com exclusividade à Folha.

Os dois conseguiram, então, a autorização para visitar a fazenda do Projeto Portal. "Nos primeiros quatro dias de expedição, aconteceram fenômenos impressionantes. Uma fenda se abriu no céu e vimos luzes inusitadas. Ficamos impressionados", conta Motolese.

Na segunda viagem, os dois amigos viveram como integrantes do projeto durante 15 dias. "É preciso ter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos", explica, enfatizando que não há consumo de drogas no projeto. O contato com Bilu veio de uma maneira inesperada. "Ele se movimentava no mato, sem que a gente pudesse escutar. Ele piscava luzes muito diferentes e de uma maneira muito rápida. Isso ajudou a gente a quebrar a imagem de que ele fosse uma pessoa disfarçada", diz.

Segundo ele, muita gente "ridicularizou" Bilu. "Adotamos um posicionamento sério, contratamos um locutor do 'History Channel' para dar um ar sóbrio ao documentário. Nossa investigação é totalmente independente", afirma Motolese. Acreditam na existência do ET? "Ainda não temos certeza total, porque não o vimos sentado do nosso lado, mas estamos tendendo mais a acreditar do que a não acreditar."

Um segundo episódio do documentário será lançado em breve, já que o Projeto Portal afirma que o ET Bilu passará uma mensagem importante para a Terra em menos de 20 dias. "A partir daí, vamos produzir a segunda parte", conta Motolese.

Assista à primeira parte do documentário (com narração em inglês e legendas em português):


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Quando for visitar a Câmara Municipal de Natal não se assuste com as figuras que verá. Aqueles rostos, aparentemente tão díspares do que se convencionou chamar de face, são apenas aspecto exterior. 

Na alma, são todos bons, seráficos e pios; rezam, comungam e distribuem óbolos aos mais necessitados e, semanalmente, organizam o Pão dos Pobres. São os vereadores, amigos. São bondosos, mas, aí sorte infeliz!, a natureza os privou da beleza superficial e tão em moda e eles apresentam o espetáculo facial dos circos de horrores. Mas afinal, como dizia o Pequeno Príncipe, o essencial é invisival para os olhos. Assim, confie na bondade dos vereadores. Verá: nada tem a perder. 

Agora, veja com que cara você será recebido:

1920's The Charleston

Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós

Tenho minhas desconfianças se a internet é assim esse reino da liberdade, anárquico e incontrolável, democrático e totalmente livre de injuções. Entendo que, em circunstâncias digamos normais, isso se aplique tomando-se como parâmetro o Ocidente. Mas, não esqueçamos que países como a China e a Coreia do Norte nos dão indicativos em contrário: ali a internet é sim controlada e dominada.

Comprovando o que temo, detalho: jamais aderi ao novo formato do Twitter. Acho que a versão atual é a melhor, mas para minha surpresa nos últimos dias, sempre que acesso, leio logo acima das caixinhas de TTs a seguinte informação que entendo como uma ameaça: "You will automatically be upgraded to New Twitter very, very soon."

Numa tradução livre, algo como "você será automaticamente remanejado para o novo Twitter, muito, muito em breve." Ou seja: quer queira ou não, serei levado à nova forma do Twitter por alguém que tem poder para isso. E pronto. Daí minha suspeita de que os donos de provedores ou seja lá o que for ou quem for que domine a internet têm, eles sim, a capacidade de nos dar a liberdade. E liberdade desse tipo, que é dada, não é liberdade, é uma espécie de território social onde eu posso trafegar, mas até certo ponto. E pronto.

Hackers LulzSecBrazil Atacam Site Brasileiro - Veja a Mensagem

Neste vídeo, os hackers que vêm atacando sites do governo brasileiro enfatizam sua ação com um discurso universalista. Algo como se estivéssemos vivendo um mundo guiado pelo Grande Irmão, sendo eles o grupo contra-hegemônico. Apresentam-se como onipresentes e capazes de denunciar e trazer a público atos e práticas corruptas mantidas em segredo. Utilizam-se de linguagem típica de filmes de ficção científica e têm no personagem de  "V de vingança" seu avatar. Veja o vídeo.

Um recado dos hackers LulzSecBrazil

O grupo hacker LulzSecBrazil que vem atacando sites do governo brasileiro divulgou no Youtube vídeo em que convoca uma grande mobilização contra "governos corruptos". Esse tipo de ação aparentemente busca assumir conotações político-ideológicas. Seria um neo-oposiconismo, cujos reais propósitos ainda precisam ser devidamente analisados.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

 Pela transcrição.

ADURN agora é SINDICATO!

Editorial publicado na coluna da ADURN no Jornal Tribuna do Norte, dia 17/06/2011

A data de 16 de junho de 2010 entrou para a história do Movimento Docente da UFRN, quando, em Assembléia, a categoria aprovou, de maneira definitiva, a criação do Sindicato Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Natal, Caicó, Currais Novos, Macaíba, Santa Cruz, Macau e Nova Cruz (ADURN-SINDICATO), num processo marcado pela ampla participação dos nossos professores. A criação do ADURN-SINDICATO recebeu o “sim” de 96,7% dos que participaram do processo.

A categoria enfim toma um rumo que aponta para o fortalecimento da participação dos docentes na entidade, com a criação da federação nacional dos sindicatos dos professores das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Teremos, a partir de agora a responsabilidade de forjar um sindicato que tenha a competência política de trazer à categoria discussões, debates e proposições que elevem a representatividade dos professores.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ADURN), foi criada em 1979, registrada em cartório em 1980, adquirindo identidade jurídica própria; e em 1992 tornou-se seção sindical do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), passando a denominar-se ADURN-Seção Sindical do ANDES-SN. A partir de 2004, com a criação do Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES-Fórum), a então Diretoria da ADURN, aliou-se ao mesmo e passou a contestar os rumos tomados pelo Sindicato Nacional, cada vez mais intransigente e voltado a construir uma central sindical “revolucionária e popular”, que mais tarde viria a ser chamada de Coordenação Nacional de Lutas – CONLUTAS, hoje CSP-CONLUTAS, ligado ao PSTU.

Com a eleição desta atual gestão,ocorrida em 2008 (e reeleita em 2010), a Diretoria optou por colocar, de forma definitiva, o debate sobre o nosso desligamento do ANDE-SN, a filiação ao PROIFES-Fórum e a criação do ADURN-SINDICATO.

Foi um longo processo, em que a Diretoria demonstrou que o caminho a ser seguido é o mais correto, na medida em que agora teremos o respaldo jurídico, consignado na organização sindical brasileira e teremos a força política necessária para a construção da Federação. Recebemos o apoio da categoria em várias ocasiões e, nesta quinta (16) o ato final transcorreu dentro da legitimidade consignada nas urnas e no voto.

O ADURN-SINDICATO nasce com o desafio de torna-se um representante efetivo da categoria docente da UFRN. Nasce com a força da participação dos professores na sua construção. Nasce soberana e independente.

domingo, 19 de junho de 2011

 Veja o que deu no Estadão:

Mundial tem orçamentos fictícios

Projetos precários e contestados pelo Ministério Público, como Maracanã e Mané Garrincha, abrem brecha para estouros propositais de gastos no evento


Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo
A conta da Copa do Mundo de 2014 é uma fantasia, um "chutômetro" calculado a partir de projetos básicos incompletos, mal feitos ou ambas as coisas. Essa precariedade, como se não bastasse, ainda serve para justificar estouros orçamentários. O projeto básico deve ter uma descrição suficientemente detalhada para caracterizar a obra ou serviço.
Beto Barata/AE
Beto Barata/AE
 
Sem campo. O Mané Garrincha, em Brasília, é um dos projetos problemáticos da Copa de 2014: no orçamento faltam os custos da cobertura, dos assentos, das traves e até do gramado
O caso de Brasília é emblemático do "voo cego". O governo do Distrito Federal alega que o novo Mané Garrincha vai custar R$ 671 milhões. Mas desse orçamento não constam cobertura, assentos, catracas e, pasmem, gramado e trave. "O preço final desse estádio é uma grande interrogação, que ninguém sabe responder", criticou o promotor Ivaldo Lemos Júnior, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

"Se fez licitação e excluiu o assento, iluminação e gramado, não pode atribuir à Fifa a responsabilidade, porque a Fifa estabeleceu que tem de ter iluminação, gramado, assento. Se alguém eventualmente fracionar a licitação por conveniência, que assuma a responsabilidade", disse o ministro do Esporte, Orlando Silva.

Em fevereiro, relatório do TCU sobre o Maracanã apontou que "não há qualquer segurança de que a planilha contratual, derivada do orçamento base, contemplará o custo real da obra".
Na Tribuna do Norte, coluna de Woden Madruga, encontro texto extraordinário, de inventiva certeira como flecha de Guilherme Tell. É a respeito da intetona da Copa do Mundo. Segue: 
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.apoio-sp.org.br/porta

A Copa e os sonhos de Vereda

No meio da semana cai na bacia das almas um bilhete de Florentino Vereda dando conta de uma passagem rápida por Natal e se desculpando por não ter tido tempo para um papo na Ribeira, apesar da vontade danada de rever o mestre Gaspar na calçada famosa do Cova da Onça. Estava fazendo uma baldeação (vinha do Tocantins) para o Arquipélago do Cabo Verde e a TAP só lhe tinha dado cinco horas de trânsito, mal dava para chegar em Lagoa Nova e pegar na casa de certo parente um livro de Luiz Romano que fala sobre os escritores cabo-verdianos, entre eles o Manoel Lopes, também poeta, uma de suas leituras preferidas (“E porque o teu coração encerra / a saudade do mar e a saudade da terra / - tua ilha é grande”). Na volta da África (iria até ao continente) marcaria um encontro na Bella Napoli. Gostaria de conhecer o poeta Volontê “e outros artistas natalenses”.

No bilhete, Vereda encaminha um texto que escrevera na véspera de vir para Natal, na noite friorenta que se derramava pelo Jalapão. Fala sobre a Copa do Mundo e um sonho que tivera nos cerrados. Vai na íntegra:

“Meu caro Woden:

Bom leitor que você é, certamente já leu ‘A interpretação dos sonhos’, de Sigmund Freud – que não entendia de churrascos nem de maracutaias, mas conhecia bem as desumanidades da mente humana. Pois bem: semana passada tive um sonho grotesco que – se me permite – gostaria de comentar agora.

Final da Copa de 2014. Por razões que só os sonhos podem explicar, jogam em Natal, as seleções do Irã e dos Estados Unidos. Natal está prestes de presenciar um acontecimento histórico, que poderá definir para sempre o conflito milenar entre muçulmanos e cristãos.

Antes do jogo, desfiles e alegorias dignas de Joãozinho Trinta, que nada tem a ver com um parente ilustre que compõem as hostes governistas locais. Desfiles alegóricos, lembrando fatos históricos desta brava terra de Poty. Motoboys ensanguentados e mutilados distribuem, aos espectadores, as pizzas cozinhadas em fornos das câmaras e assembleias legislativas. Pela passarela do Carnatal desfilam blocos multicores: verdes, vermelhos, rosados e outras tantas cores que ofuscam os olhares extasiados do público amontoado nas arquibancadas.

Há gente de todas as espécies: enfermos que, em macas e cadeiras de roda, abandonaram as filas dos hospitais; adolescentes – quase crianças – que deixaram os sinais onde ganham e perdem avida; funcionários públicos que interromperam as greves intermináveis e inexplicáveis. Palhaços, saltimbancos e malabaristas representam o povo em geral. Ninguém quer perder o espetáculo. Sapos barbudos cospem na plateia, em atitude de escárnio e desprezo.

Na preliminar jogam os times das penitenciárias de Alcaçuz e de Mossoró, que são estrepitosamente ovacionadas pelos seus fãs, lobistas que vieram de Brasília para torcer por seus times e seus ídolos e garantir a sua parte no butim. De repente, milhões de borboletas verdes – com as asas manchadas de rosa – passam esvoaçando sobre o novíssimo estádio, são atacadas por esquadrões de “aedes egypti” e somem dentro dos buracos que não puderam ser tapados por falta de recursos, todos desviados para a obra faraônica.

Embora o tempo regulamentar já se tenha se esgotado, o juiz não se decide a encerrar a partida. A bola continua a correr e os jogadores querem a sua parte. Cada gol marcado é multiplicado por vinte, sem que se consiga explicar o motivo.

Cada minuto a mais representa alguns milhões de dólares, mostrados no placar eletrônico, para delírio da torcida, que não se apercebe que os seus bolsos estão ficando mais vazios.

Terminado o jogo, foguetões explodem, mas, ao invés de luzes, muito sangue derramado, misturado ao leite roubado da merenda escolar. Em lugar dos estrondos retumbantes, choros de crianças mal nascidas, abandonadas nas ruas, cujo destino não passará dos semáforos da Prudente de Morais ou das calçadas da Roberto Freire. A pólvora queimada cheira a crack e oxi, consumindo os cérebros carcomidos dos adolescentes, outrora conhecidos como ‘futuro da pátria’.

Mas aí já é tarde, Inês é morta e o show deve continuar.

A FIFA não pode faltar com os inúmeros compromissos assumidos.

E eu, então, acordei com o barulho da implosão do Machadão, em cujo terreno serão sepultados o bom senso e a decência. Na lápide, uma frase singela: ‘Do alto desta arena quarenta ladrões me contemplam’.

Um abraço sonolento de seu admirador,

Florentino Vereda”
Dez anos de solidão

Lançando olhos nas folhas de domingo e nas folhas encontrando as coisas de jornal, eis que a força gravitacional da página diagramada encaminha e prende a vista numa nota de falecimento; nota de falecimento não: na verdade, o registro de recordação de uma filha pranteando o encantamento de seu pai. Algo chamou-me a atenção: diz ela, em detalhe de texto maior, que "durante dez anos foi impedida de ver o pai'".
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://i772.photobucket.com/albums

Um estudioso de semiótica diria que estava aí, no adjetivo "impedida", um índice, ou seja um indício, uma pista para algo mais complexo e tocante que a simples presença da palavra no texto. Explico: estar impedido é sutilmente diverso de estar impossibilitado. A impossibilidade pode ser decorrente da incapacidade de alguém de fazer algo seja por incapacidade de deslocamento, limitação de comunicação ou restrição de movimentos; as ilações seriam muitas. Já impedimnto pressupõe que alguém esteja sendo cerceado em seu direito de fazer algo. Eis aí o sentido trágico que precebi: uma filha obrigada a ficar ausente do pai.

Percebi então nesse índice todo um texto, um texto mínimo que sobrelevou-se como onda ao discurso onde estava inserido, um largo drama. Drama vivido de forma pungente e íntima pela filha separada do pai. Impedimento, assim, significou, claro fica para quem está acostumado a palmilhar textos interpretando o discurso adjacente, que ali se postava um fragmento de história de vida ou parte de todo um drama, palavra que o Houaiss define como "um acontecimento comovente".
E foi desta forma que a palavra inserida naquela texto, e confrontada com seu contexto, me apareceu: inscrevia-se naquele pequeno mapa o percurso de uma história em espiral de sofrimento. Cumprido ao longo dos dez anos que a filha ficou impedida de encontrar, ver, viver o pai - sim porque pessoas amadas são vividas por nossos sentimentos, são vividas em nós, chegam ao íntimo do eu profundo e nele se enraízam.

Suponho que havia ali um grande mistério, pelo menos uma grande dúvida em mim: por que impedida, por que não "distante" ou "saudosa"? Que grilhões prenderam aquela filha, cercando-a de distância e sofrimento? Mais que isso: quem foi ou foram os autores dessa história comovente? Então, foi isso que chamou a minha atenção neste domingo chuvoso. Mas, as coisas de jornal são assim mesmo: têm meandros, praias distantes, intenções subliminares, recursos sutis, surpresas para aqueles que sabem se surpreender.

Agora, se estiver errado, se a minha viagem estiver navegando na nau do equívoco, e nada do que suponho aconteceu - cerceamento, grilhões etc... -, perdão. E se alguém que conheça essa filha, desta crônica tomar conhecimento e lha contar que escrevi estas linhas peço perdão pelo gesto de escrever, mas afirmo: de alguma forma com ela sofri esses dez anos de impedimento. E lhe apresento aqui minha tristeza.