segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Carta aberta a favor da Arlete na UFRN

Recebo carta aberta do professor Miguel Eduardo Moreno Añez, favorável à candidatura da professora Arlete Araújo à reitoria da UFRN (EB).

Caros Colegas;

Um novo olhar para a UFRN significa “um novo programa de inovação em gestão”, uma tecnologia em amadurecimento, em que as novas práticas de gestão irão diferenciar a vanguarda da velha guarda, como diz Gary Hamel, aclamado pela The Economist, pela Fortune e o Financial Times como “o principal guru de gestão do mundo”, no seu ultimo livro sobre o futuro da administração. Ele fala sobre as crenças herdadas, as quais impedem que as organizações do século XXI superem novos desafios e que os gestores possuam habilidades humanas que contribuirão para o sucesso competitivo da organização, em um mundo em que a eficiência, a disciplina e as pessoas são os recursos básicos. 

A Professora  Arlete possui essas habilidades, que, segundo Hamel estão ordenadas na seguinte hierarquia: na base está a obediência – a habilidade de aceitar instruções e seguir regras, seguindo a hierarquia da organização, encontramos a diligência. Pessoas diligentes são responsáveis, não pegam atalhos. São conscienciosas e bem organizadas.  O conhecimento e o intelecto estão no próximo nível. Acima do intelecto, está a iniciativa. Pessoas com iniciativa não esperam ser perguntadas e não precisam ser mandadas. Elas buscam novos desafios e estão sempre à procura de novas maneiras de agregar valor. Ainda mais acima, está a criatividade. Profissionais criativos são competentes e irreprimíveis. E finalmente, no topo, está  a paixão. Pessoas como Arlete têm paixão pelo que fazem, paixão pela coisa pública, transpondo os obstáculos, transformando as intenções em realizações.  

Além dessas habilidades, os gestores terão que possuir atributos e qualidades para enfrentar o futuro. Vou recorrer à trilha do livro escrito por Ítalo Calvino chamado “Seis propostas para o próximo milênio”, em que o escritor apresenta um conjunto de conferências feito para a Universidade de Harvard, onde são colocadas as qualidades ou atributos da escritura literária para o milênio em que então se avizinhava.

Atributos e qualidades, como sabemos, têm dois lados: podem ser positivos ou não. Talento e soberba, abstração e distração, rigidez e imobilidade, generosidade e prodigalidade, por exemplo,  nos mostram que os defeitos e as boas qualidades podem ser tão próximos como os lados de uma mesma moeda. No entanto, vou me restringir a indicar três atributos que vejo na Professora Arlete, como marcantes em sua personalidade, e que a faz merecedora do cargo que ora pleiteia.  As outras várias qualidades vocês poderão reconhecê-las através de sua atuação. 

O primeiro seria a integridade. Em sua vida profissional e pessoal este atributo tem uma marca forte. Ela leva muito a serio a atividade acadêmica e administrativa no desempenho profissional. O segundo atributo é a sua competência política e profissional, como demonstrada durante os oito anos a frente do CCSA e pelos seus conhecimentos na gestão pública. Finalmente, o compromisso com o interesse público como terceiro atributo, demonstrado em sua prática e atuação docente.

Arlete tem integridade, competência política e administrativa, visão institucional e compromisso com o interesse público, para caminhar nos próximos anos com a UFRN em direção ao futuro e avançar no que há de mais positivo. Conseguirá isto ao resgatar os princípios de um novo programa de inovação em gestão, para uma instituição de qualidade acadêmica e social nos planos  local, regional, nacional e internacional, em  suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. No entanto, sem perder de vista o seu compromisso com  uma gestão mais democrática, mais humana e em sintonia com a realidade social do estado do Rio Grande do Norte e do Brasil.

Por estas razões peço a meus colegas professores, funcionários e alunos da graduação e pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado), que na quarta feira 10 de Novembro, votem na Chapa 1, - “Um novo olhar para a UFRN” - escolhendo  a Professora Arlete Araújo e o Professor Manoel Lucas para a Reitoria da UFRN.
                                                  Miguel Eduardo Moreno Añez

Professor Titular da UFRN
Coordenador do PPGA/DEPAD
Recebo comunicado da chapa 2, liderada pela professora Ângela Paiva Cruz, relativo à campanha a reitor da UFRN. (EB)

Uma avaliação necessária

As mudanças vividas pela sociedade contemporânea, geradas por intensas transformações científicas e tecnológicas, disseminadas pela larga aplicação das novas tecnologias de informação e comunicação, impõem à Universidade do Século XXI a tarefa de elaborar respostas aos desafios da globalização de modelos financeiros e produtivos. 

A essa Universidade cabe um papel de afirmação de um projeto de desenvolvimento e da soberania nacionais, dado que a Educação Superior é responsável por parte substantiva da produção científica, tecnológica e cultural, sendo assim, elementos demarcadores da inserção internacional dos diferentes países. 

É nesse contexto que a Universidade Federal do Rio Grande do Norte se situa: uma instituição social que desempenha um papel estratégico como agência indutora do desenvolvimento local, regional e nacional, conforme sua missão de "educar, produzir e disseminar o saber universal, contribuir para o desenvolvimento humano, comprometendo-se com a justiça social, a democracia e a cidadania." (conforme definido na Proposta do Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRN 2010-2019, p.03, disponível em www.ufrn.br). 

Na perspectiva de enfrentar os desafios contemporâneos, a Educação brasileira, em especial, a Educação Superior passa por um dos momentos mais importantes da sua história, com políticas públicas destinadas à sua ampliação, diversificação e melhoria de qualidade. Em especial, a Universidade Pública brasileira tem sido estimulada e apoiada a promover uma expansão e uma reestruturação que requalifiquem e tornem mais eficaz o exercício de seu papel no desenvolvimento social, econômico, ambiental e humano da sociedade brasileira.  

Nesse contexto, a comunidade acadêmica e a atual gestão da UFRN desenvolveram e implementaram propostas ousadas e iniciativas inovadoras, mobilizando e integrando docentes, técnicos, discentes e gestores na perspectiva de avançar, de forma marcante, na construção de uma universidade pública, gratuita e de qualidade. Dessa forma, a UFRN conseguiu avançar no atendimento às expectativas da sociedade e da comunidade universitária, aproveitando as oportunidades para expandir e melhorar a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão; aprimorar o acesso à universidade com o aumento das vagas, promovendo uma significativa inclusão de segmentos populacionais em condições socioeconômicas desfavoráveis; avançar nas políticas de assistência ao estudante e fortalecer seus vínculos e sua presença junto à sociedade potiguar. 

Todo esse crescimento foi devidamente articulado com a qualificação e a democratização da gestão universitária, com a expansão e a modernização da infraestrutura. Nesta direção, foram adquiridos equipamentos para os ambientes acadêmicos e administrativos, além de um forte investimento na admissão de novos servidores docentes e técnicos administrativos, mediante concurso público. Novas salas de aula foram e estão sendo construídas, assim como novos espaços administrativos e de convivência. 

Novos modelos acadêmico-formativos foram concebidos, discutidos e implantados, com a criação, por exemplo, do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia e do curso de Gestão em Políticas Públicas.

Também se puseram em prática novos formatos organizativo-institucionais no campo da pesquisa e da extensão, alicerçados na ampliação sistemática do número de bolsas e apoios institucionais. Foram também implantados novos arranjos institucionais estratégicos, tais como a Escola de Ciência e Tecnologia, a Secretaria de Educação a Distância, o Metrópole Digital e os Institutos Internacionais de Neurociências e de Física, por meio dos quais a UFRN intensifica suas conexões com a sociedade e com a comunidade científica nacional e internacional. Com estratégias e ações orientadas, esse crescimento não foi aleatório, mas resultou de planejamento, acompanhamento e avaliação cujos objetivos e metas foram discutidos nos diversos espaços consultivos e deliberativos da UFRN.

Considerando essa avaliação extremamente positiva, passamos a apresentar nossas diretrizes programáticas para enfrentar, na próxima gestão, desafios novos e propor à nossa comunidade NOVAS CONQUISTAS, com os seguintes eixos: UFRN E SOCIEDADE; ATIVIDADES ACADÊMICAS; ORGANIZAÇÃO E GESTÃO. 

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Paul McCartney in Porto Alegre/RS/BRAZIL - Live and Let Die - HEY JUDE.

George Bush lança livro de memórias: defende a tortura e tenta limpar seu passado
Emanoel Barreto

"O ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush (2001-2009) voltará nesta terça-feira ao cenário público com o lançamento de um aguardado --embora pouco surpreendente-- livro de memórias. 

"As 481 páginas de "Decision Points" (pontos decisivos, em tradução livre) não surpreenderão aqueles que forem às livrarias para saber o que levou Bush a declarar a guerra ao Iraque, como o furacão Katrina o afetou ou por que ele autorizou o uso das simulações de afogamento, técnica de tortura, no interrogatório de terroristas."

O trecho acima foi tirado da Folha. E, realmente, não há mesmo como surpreender: primeiro porque o personagem ainda está à quente na história; segundo e por isso mesmo, os noticiários são de alguma forma um diário público do que fez e perpetrou o personagem.
Se Bush realmente escreveu o livro, isto é, se sabe escrever no sentido de ação criativa, capacidade de expressar-se pela escritura, a única novidade será essa: a expressão íntima de alguém relatando-se. 

A imagem que tenho de Bush, todavia, não me inclina a supor que encontremos nesse livro, se e quando vier a ser publicado no Brasil, visões aprofundadas, dilemas de um estadista. Eu o vejo como um homem tacanho, mesquinho, que dirigiu a monumental máquina hegemônica estadunidense às suas finalidades mais imperiais e desumanizadoras.

Os Estados Unidos são um país que ainda se guiariam de alguma forma pela doutrina do Destino Manifesto, surgida em 1840. Uma espécie de missão histórica; mais que isso, determinação divina para o domínio das Américas e do mundo por decorrência natural.

O livro é de qualquer forma documento a ser lido e pensado. Especialmente para que tudo o que ali está não venha a se repetir.


 A voz que veio do Além foi fabricada em estúdio
Emanoel Barreto

Capa do "novo" disco de Michael Jackson

A falsificação do real ganhou forma exemplar no mais "lançamento" do "mais novo" disco de Michal Jackson. Ao que entendi, trata-se de um lauto simulacro de canções, resultado de manipulações sofisticadíssimas em estúdio. 

O disco, encomendado pelos familiares do morto é nada mais nada menos que isso, a julgar pelas informações que li: um simulacro, um sarcófago de onde saiu a múmia de Jackson para alimentar a fome monetária da parentela e a sede de um mercado que nunca se aplaca. Uma fantasia sinistra, uma voz sem vida. Abaixo, a matéria da Folha, onde se registra o lançamento.

Pouco tempo após ser disponibilizada para audição no site de Michael Jackson na manhã desta segunda-feira, a música "Breaking News", do primeiro álbum póstumo do cantor, "Michael", já causou alvoroço na rede. 

Tantos comentários negativos a respeito da música fizeram um dos produtores envolvidos no projeto, Teddy Riley, se manifestar e defender o álbum póstumo. 

"Isso é para todo mundo que está apontando o dedo... Vocês me perguntaram, então vou dar minha resposta. Quem não acreditar em mim que se f... Eu fui chamado para esse projeto pela Sony, e a família [Jackson] aprovou. Essas músicas foram criadas pelo [produtor Eddie] Cascio. Eu não escrevi as músicas, eu fui chamado para mixar e terminar o que já havia sido começado, só por conta do meu relacionamento com Michael e com a família Jackson, que sentia que eu deveria estar no projeto, pelo meu relacionamento com ele. Todos os produtores que participaram desse projeto foram pagos antes do trabalho. Eu sinto que os vocais são sim do MJ. Eles só estão muito processados..."

domingo, 7 de novembro de 2010

Chuck Berry - Johnny B. Goode (Live 1958)

Status quo-Roll Over Beethoven

Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces

Maria Callas
Lereis abaixo a mais recente carta de Alberany, o abominável. Como demorou muito a enviar a missiva, registra-se aqui o final da última mensagem, a fim de que consigais entender o que se segue. Estava Alberany e seu grupo de sequezes na mansão do Marquês de Camisão, lídimo senhor que tinha por auxiliares um papagaio e uma anta, dedicando-se com esmero sem fim a explorar a espoliar, como também o faz Alberany. Eis o último parágrafo da carta: "E o que faremos, quis saber eu, para trazer luz às mentes mentecaptas e aos pensares pouco doutos? Eis a questão, respondeu aquele ser de grandes dotes. Eis a questão, continuou. Faremos grandes experiências com os parvos e os dementes, os grãos-bobos e os demais que veem do povo, a fim de que se capacitem ao trabalho mais elevado e contribuam para com o mundo, dando-lhe melhor feição."

Terra Brasilis, 12 de junho de 1730

Aos que acompanham minhas andanças e sórdidas tropelias, segue-se o que se diz:

Quem me falava assim era o douto papagaio do Marquês de Camisão, explicando planos para a elevação dos parvos. Disse, e com ele concordei, que tais seres precisam ser domados ao bom pensar. E como o faremos?, perguntei. Da seguinte forma, detalhou: na cabeça de cada um será aposto um círculo de ferro, uma espécie de cinturão, a ser apertado ao máximo. De tal forma, que este jamais será retirado, seja em futuro próximo ou longínquo. 

Para quê?, questionei. Muito simples disse-me o sábio papagaio: para que os poucos pensamentos que lhes subsistem em tais cérebros atrofiados ali permaneçam. E a esses pensamentos se lhes ajuntando informações e sabenças pelos sortilégios de aulas e exercícios. A anta, também conselheira do Marquês, aproximou-se e sussurrou: tais sabenças serão o manejo da pá e da enxada. Para quê?, busquei saber. Para que cavem buracos. Buracos? Sim, buracos. Buracos são importantíssimos, completou a anta. 

E para que tais buracos? Muito simples: eles serão mantidos ocupados e, mais que isso, tais buracos serão vendidos a grandes homens de países distantes e exóticos. Buracos de todos os tipos e tamanhos. Neles serão enterrados os mortos, que em tais países se mata muito e é grande a demanda por buracos. Esses líderes são famosos por suas atrocidades e como já mataram quase todo o seu povo falta-lhes mãos para cavar buracos. Vi que ali, em tão terrível companhia, poderia exercitar todos os meus misteres mais terríveis e propus: por que não vendemos também cárceres? 

Ó, disse o Marquês de Camisão. Ó mente privilegiada e humanista e culta. Eis que me chegastes, vós e vossos benfazejos sequazes em boa hora. Por que até então não havíamos pensado na venda de cárceres? Carceres portáteis, disse eu. Cárceres que serão vendidos a reis e imperadores, sultões e grão-vizires, déspotas, baronetes e tiranos de todos os tipos e estirpes. Sim, completou Peró, um dos malandros que me acompanhavam. Esbirros e beleguins, verdugos e matadores por lei serão os guardiães dos cárceres e terão assim diminuído o seu trabalho e prestimoso labor. 

Sim, porque, preso, todo o povo ficará admoestado a não se mover e a estar aprestado a qualquer hora e a qualquer momento a ser morto e levado, cada um, a buraco que lhe seja de direito. Que grande obra!, exultou o Marquês.

E ficou decidido que seríamos fabricantes de buracos e cárceres portáteis. Comandei a nossa turba que foi às ruas e aos arruados, às aldeias e aos rincões, aos longes e às misérias e de lá nos trouxe, acorrentadas, centenas de homens que logo foram postos a construir buracos e cárceres. E toda a nossa produção foi vendida.

Que mais podemos fazer?, indagou o Marquês. Senhor, disse-lhe eu, faremos maravilhas. Se mo permitis, vetiremos camisões iguais ao vosso, eu e toda a minha grei. E, como fazeis, daremos saltos enormes e, inflados pelo ar contido nas largas dos camisões, flutuaremos ao céu e todos nos verão como seres extraordiários, alumbrantes e faustosos em nosso voo de prodígios. 

Ó, exclamou o Marquês. E logo estávamos todos vestidos de camisões. Fomos à mais alta torre da mansão e de lá nos atiramos a flutuar pelos ares. E todo o povo se curvava ante tão subida demonstração de grandeza. O Marquês, à frente, liderava nossas evoluções. E todos nós gritávamos: dinheiro! Dinheiro, miseráveis! Não vedes que estais a presenciar coisas excepcionais e imponderáveis prodígios? Então, dinheiro! Dinheiro! Dinheiro! 

E pobres e ricos se dobravam e atiravam ao ar suas moedas. Que eram magistralmente recolhidas pelas mãos insolentes dos nossos mandriões, velhacos e cafajestes. Com o passar do tempo começamos a ficar pesados de tanto ouro que alguns de nós ameaçavam vir abaixo. Decidimos voltar à mansão do Marquês, ali depositando em um subterrâneo toda a fortuna recolhida aos tolos. 

Erguemos brindes e festejamos muito toda a noite. E eis que, ouvindo o nosso alarido festivo e irresponsável, aproximou-se da mansão um velho muito rico, tabelião e usurário. Soubera de alguma forma dos nossos solertes intentos e viera propor sociedade. Desmontou de seu cavalo ricamente ajaezado e foi convidado a entrar. Logo nos pôs a par de seus maléficos propósitos: tinha em seu poder documentos e contratos de ricos indivíduos. Forjaria a transferência de tais bens para o seu nome e o nosso se lhes déssemos participação em nossas execráveis empreitadas. 

Fingimos que sim e ele logo falsificou os papéis. Tão logo o fez, apoderamo-nos de sua figura e o surramos com inteligência e grande habilidade, enquanto gritava: que espécie de patifes sois? Nos vos acabei de dotar de grandes cabedais e imensos tesouros? Não sou vosso sócio, ó súcia de má-fé? E respondemos não o sois. Sois sim nosso prisioneiro e trata já de firmar documento abrindo mão de vossa sociedade. Ele resistiu, mas nada que uma nova e boa sova não o fizesse mudar de ideia.

E agora, o que faço?, perguntou, agora que estou na miséria e serão sombrios os meus dias? Logo lhe demos firme resposta: foi levado a cavar buracos e a construir cárceres, num deles sendo logo posto a ferros.

Numa próxima correspondência contarei como esse indigitado conseguiu se safar de nossas garras malsinadas e vir a se tornar colaborador de nossas infâmias e outras ameaças.

Do vosso respeitoso e mui,
Alberany, o abominável

Sônia Braga rides again à terra amada, mãe gentil; rides, pero no mucho
Emanoel Barreto

Vejo na Folha que Sônia Braga rides again. A informação me aparece como uma espécie de prêmio de consolação àquela que já foi espevitada e desejada atriz brasileira, mas que cometeu dois erros: primeiro: foi para os Estados Unidos, fazer não se sabe exatamente o quê; segundo: envelheceu. E isso a indústria cultural não perdoa. 

Gilberto Tadday/Folhapress
 Lá conseguiu qualquer papel digno de nota e a isso veio o aluvião dos anos, o peso do tempo, o desgaste da pela sedosa, o medo de dar até logo e a pelanca - perdão por essa palavra que jamais pensara em escrever na minha vida - balançar.

Desta forma, as divas são punidas pelo que foram. Ou melhor, pelo que deixaram de ser. Para os cliques, é necessário que ela seja sempre ninfética, arfante, cruzadora de pernas em lances sensacionais. Se possível até mesmo aparecer um pouco bêbada às vezes. Só para fazer o charme de estar passando por algum pesadelo existencial, do you understand?

Mas veja a matéria da Folha. Está até razoavelmente redigida, mesmo sem qualquer força estilística que captasse o grande personagem homano que é Sônia Braga.
...
Sônia Braga volta à televisão no Brasil e nos Estados Unidos

KEILA JIMENEZ
COLUNISTA DA FOLHA

Falsa-certinha ou mãe-protetora europeia? Para quem estava com saudades, Sônia Braga volta à TV em diferentes prateleiras.

No dia 23, ela é a carioca da vez na série de Daniel Filho na Globo. Personagem batizada de Júlia, homenagem a Sônia em "Dancin' Days", que Daniel dirigiu.


Na TV paga viverá mais uma Gabriela, mãe de Luc (Gilles Marini) no seriado "Brothers & Sisters" (Universal), em episódio que vai ao ar nos Estados Unidos no dia 14, mas só no início do ano por aqui.

Sônia Braga, em Nova York, espera por convite para retornar às novelas brasileiras

Folha - Como foi o convite para "Brothers & Sisters"?


Sônia Braga - Aceitei assim que o recebi através da minha manager, pois adoro a série, que tem produção do Ken Olin e quase a mesma equipe de "Alias" [série da qual a atriz participou]. Não podia ser melhor.

Você acompanha a série?


Já tinha assistido e gostava muito. O elenco é realmente ótimo, liderado por Sally Field. Este meu episódio foi dirigido por Matthew Rhys, que na série faz o fantástico Kevin. Ele tem um belo e fortíssimo sotaque galês. Muito bonito!

Como será sua personagem?


Serei mãe do lindíssimo Gilles Marini, o Luc na série. Não posso contar mais, apenas que vivo em Paris mas sou... portuguesa!

O que achou de viver novamente uma Gabriela?


Sinto que o Jorge [Amado] está sendo homenageado quando uma personagem é batizada de Gabriela.

Se surpreendeu ao ser escalada para viver uma européia?
A personagem é portuguesa, mas sempre viveu na França. Então tive que falar em francês com "meu filho".

O que você tem em comum com as francesas?
Mulher é mulher no mundo inteiro! Com a aproximação global, acho que somos todos uma pequena aldeia.


Como foi viver a Júlia em "As Cariocas"?
Adorei rever [Antônio] Fagundes, Regina [Duarte] e conhecer o Dalton Vigh.
E o reencontro com Daniel Filho na TV...
Como sempre nos encontramos, não foi tão estranho. Estávamos procurando um projeto na TV faz um tempão, então finalmente aconteceu. Mas vamos continuar buscando um outro projeto para fazermos juntos no cinema.

Por que não volta a fazer novelas por aqui?
Ué, é só me chamarem que vou, né? (risos)



A primeira reportagem de um bebê jornalista

Meu sobrinho João Pedro Barreto faz importantes anotações para a sua primeira reportagem. Entrevistou uma linda nuvem, alguns passarinhos e dois duendes. E todos lhe garantiram que o mundo pode melhorar, com a ajuda e a participação de grandes jornalistas como certamente ele será. A Bruno Barreto, seu pai e herdeiro do meu jornalismo, colunista do jornal O Mossoroense, um grande abraço. (EB)

The shark and the man

Incrível foto por Brian Skerry
Recebo e publico íntegra de comunicado da Chapa Novas Conquistas, liderada pela professora Ângela Maria Paiva Cruz, candidata a reitor da UFRN. Demais concorrentes terão idêntico tratamento. (EB)


Novas Conquistas para os servidores técnicos

A UFRN obteve várias conquistas na gestão de pessoas e é impossível imaginar a instituição sem elas. Mas nem sempre foi assim: desde a criação da PRH, há 15 anos, muita coisa mudou.
Professora ângela fala de seus projetos à Reitoria da UFRN
A idéia de criar uma Pró-Reitoria de Recursos Humanos - composta de 03 departamentos para cuidar dos assuntos relativos às pessoas que fazem a instituição ? foi um marco decisivo para consolidar uma tendência na gestão universitária da UFRN: desenvolver-se com e através das pessoas!

As conquistas de hoje parecem simples e rotineiras, mas foram todas resultantes de muito esforço das sucessivas gestões e muita dedicação dos servidores, particularmente dos servidores técnico-administrativos que integram a PRH, o Departamento de Desenvolvimento de Recursos Humanos - DDRH, o Departamento de Assistência ao Servidor - DAS, e o Departamento de Administração de Pessoal - DAP. 

Contar com a gestão da PRH, conduzida na sua totalidade por técnicos administrativos, é um avanço não só para a UFRN mas uma grande conquista desse segmento!
Não foi à toa que o DDRH conseguiu capacitar 2.750 servidores técnicos por ano e promover o incentivo à qualificação para 2.716 servidores técnicos. 

Os gastos em capacitação no ano de 2002 foram de R$ 80.000,00, enquanto em 2010 são de R$ 800.000,00, dando condições para custear a participação dos servidores em dezenas de treinamentos, cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado. Tudo isso por conta de uma visão de valorização e desenvolvimento para os servidores administrativos que conquistou as parcerias dos dirigentes e da área acadêmica.

Dedicar cuidados técnicos à saúde do servidor, assisti-lo em suas dificuldades, zelar por um melhor ambiente de trabalho, gerando uma melhor qualidade de vida no trabalho tem sido a busca constante do DAS.

A gestão exemplar do Departamento de Administração de Pessoal (DAP) implantando novas metodologias e moderno sistema de informação, além de um dedicado serviço de atendimento, tipifica a tendência de mudança, inovação e aperfeiçoamento, elementos presentes na atual gestão, mas extremamente necessários para ampliação e diversificação na gestão seguinte.

Conquistamos muito, mas vamos agora em busca de NOVAS CONQUISTAS, tais como:
  • Ampliação e reforma das instalações físicas para melhorar cada vez mais o atendimento ao servidor no DAS;
  • Oferta de novos cursos de graduação tecnológica e especialização, a partir do estudo da demanda apontada pelos servidores técnico-administrativos e gestores;
  • Aumento das vagas para servidores em cursos de mestrado e doutorado;
  • Ampliação e consolidação de programas de apoio social ao servidor;
  • Construção do novo Centro de Capacitação para os servidores;
  • Ampliação e diversificação de Programas de melhoria da qualidade de vida no trabalho;
  • Investimentos na melhoria dos serviços de atendimento ao público;
  • Modernização da gestão através da formação continuada de gestores, secretários e servidores, gerando um Banco de Competências para funções gerenciais;
  • Dimensionamento e movimentação interna das pessoas baseados em mapeamento das competências dos servidores para o melhor aproveitamento de suas capacidades em suas respectivas unidades;
  • Fortes investimentos nas ações de acessibilidade e inclusão das pessoas portadoras de necessidades especiais;
  • Modernização das ações de Perícia em Saúde e Vigilância à Saúde do Servidor;
  • Criação do Comitê Gestor de Capacitação para análise de afastamentos para qualificação.
A chapa Novas Conquistas convida os servidores técnicos a continuar avançado com a UFRN. No dia 10 de novembro vote na chapa 2 – Ângela e Fátima.

sábado, 6 de novembro de 2010





















Roberto Stuckert-nov.2010
 Quando a foto diz mil palavras
Emanoel Barreto

A foto está na Folha de hoje. Impressionante. Magnífico trabalho de composição e senso de oportunidade, típicos do profissional olho-de-lince. Ilustra matéria em que o marketeiro João Santana diz ao jornal que a campanha não foi ganha no primeiro turno em decorrência do chamado caso Erenice. 
  
Stuckert captou aquilo que em Bresson era chamado de image à la sauvette ou imagem captada - pelo olhar leopardo do fotógrafo - em momento preciso, sintético, vigoroso. Desvelador, pela imagem, daquilo que supostamente se passa no íntimo do fotografado. É isso: um grande flagrante. Um grande profissional.
O Poder nas mãos dos maus; a corrupção como norma padrão
Emanoel Barreto

A Operação Impacto volta às manchetes de Natal. O escândalo se arrasta há quatro e até hoje nenhum dos envolvidos foi declarado culpado - ou inocentado pela Justiça. A demora em si é preocupante porque revela e traz à tona mais uma vez nossa cultura de leniência, o lerdo e pesado caminhar na apuração de tais casos. 

Isso dá-me a sensação de que o ato corrupto ganhou no Brasil uma espécie de etnia sui generis, tornou-se gesto corrente, orgânico ao nosso fazer social, impregnando nossa cultura de um certo letargo conspícuo, adjetivo que uso aqui em seu sentido de facilmente perceptível, que salta aos olhos, acrescendo-se a isso o fato de que, tornado comum, transformou-se em normal.

Essa letargia contamina todos os escalões da vida pública, que passa a ser vivida como se privada fosse e faz com que pessoas achegadas ao Poder, pelo voto ou por alguma forma de contrato com os poderosos - por exemplo, a prestação de serviços - sintam-se no direito de invadir, mesclar e infectar o que é público com o lamentável vírus de uso da res pública em favor de si ou dos que compõem o seu magote de parentes, aderentes ou beneficiários. 

Somos uma sociedade que valoriza o "jeitinho", o arranjo, o acerto cordial das falcatruas. Isso gera a impunidade reiterada e a sensação, por parte daquele ou daqueles que não são punidos, de que podem evoluir da condição de impunes para o patamar, mais alto e confortável, de impuníveis. Ou seja: a impunidade passa a impunibilidade ou impossibilidade de ser punido. Isso é grave. 

Cria-se um estado de coisas tal que essa situação, generalizada, torna-se uma espécie de segunda natureza, e assim esse processo de naturalização sugere, em seus efeitos práticos, que é assim e assim deve continuar. Torna-se exemplo e padrão, desarticulando no cidadão íntegro e honrado a convicção de que esteja do lado certo: o exercício cotidiano da probidade e da honradez.

O honrado passa a ser visto como "otário" e aquele que é digno tratado como "digno de pena" pelo fato mesmo de sua dignidade.
Quantos bandidos de colarinho branco você já viu ser presos? Quantos? Tenho certeza que pPoucos, bem poucos. Lembro-me de repente do Juiz Lalau e sua malversação de dinheiros públicos e de outro magistrado, esse envolvido em venda de sentenças. No Rio Grande do Norte recordo de outro juiz, mandante do assassinato de um promotor.

Nos últimos dias foi capturado Gledson Maia, diretor do Dnit, e sobrinho do deptado João Maia, cujo irmão Agaciel Maia já fora noticiado amplamente como praticante de corrupção. Nada aconteceu. Temo que nada venha a acontecer. 

É que o ato corrupto já se configura na tal segunda natureza, densa e verdejante floresta onde se embrenham elementos de malíssimas intenções, voltados ao logro e ao descaminho de valores. A indecência estabeleceu-se e triunfa. Soam as trombetas da concussão e do impropério civil e nada se faz. 

O mestre Rui Barbosa tinha razão quando dizia: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."

Foto: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.destakjornal.com.br/images/news/20100923/2832662.jpg&imgrefurl=http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx%3Fid%3D14,74056&usg=__nTm3IHScaQmgvYYw8XT4ZBbN1xM=&h=280&w=317&sz=21&hl=pt-br&start=15&zoom=1&tbnid=ZRLwrxBA_G54kM:&tbnh=120&tbnw=136&prev=/images%3Fq%3Dbandeira%2Bdo%2Bbrasil%2Brasgada%2Bno%2Blixo%26um%3D1%26hl%3Dpt-br%26safe%3Doff%26client%3Dfirefox-a%26rls%3Dorg.mozilla:pt-BR:official%26biw%3D1024%26bih%3D546%26tbs%3Disch:10%2C380&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=218&ei=aYPVTJ6uL8OqlAfOiv24Cg&oei=BoPVTMyRCIH48Aauh4z2Bw&esq=9&page=2&ndsp=15&ved=1t:429,r:7,s:15&tx=56&ty=45&biw=1024&bih=546

Peter Paul and Mary, 500 Miles

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A menininha arrebitada e a mão do general

 Folha "mata" Lula e questiona a sua participação na transição do governo

Emanoel Barreto

Uma forma de o jornalismo dar acontecimentos como fatos consumados é forçar, na assertividade do título ou do texto, essa assertividade como fato que se sobrpõe ao acontecimento que lhe deu origem.

Trata-se, portanto, de um meta-acontecimento. Explico: a representação do real é imposta ao real e surge como fato substituto e acima daquilo que busca representar. É a verdade jornalística sobrepujando a verdade de mundo. Veja o titulo da matéria ao lado: "'Rei morto', Lula diz que negociará reforma em 2011". 

Com isso o jornal busca mostrar suposta incoerência entre o dizer e o fazer de Lula, arrimando-se no conteúdo da manchete para em tom acusativo indicar que o presidente buscará ser, nos bastidores, ventríloquo a comandar o espetáculo da transição e até mesmo, quem sabe, insinuar-se nos passos seguintes do governo Rousseff.

Diz o jornal: Um dia após ter afirmado que não vai interferir na composição do governo de Dilma Rousseff -"rei morto, rei posto"-, o presidente Lula disse ontem, em reunião ministerial no Palácio do Planalto, que pretende negociar com a oposição e emplacar uma reforma política no primeiro ano do novo governo.

O jornalão dos Frias tenta fazer valer ao pé da letra o ditado popular, determinando que o ator político Lula deveria recobrir-se de algo como uma espécie de ingênuidade política, retirando-se de cena. 

A "verdade" jornalística está no fato de que, na legalidade da formulação do título, justifica-se a paralisia de Lula reivindicada pelo próprio título. A verdade de mundo reside no fato de que ingênuo seria cobrar de um ator político seu silêncio em momento que exige naturalmente sua presença e participação. Eu não disse "atitude decisória", mas "participação".

É embaralhando o real com o prescrito que o jornal proscreve esse mesmo real.

Jornalismo é técnica, mas também é arte. Como técnica atém-se a  função fática: narrar de forma credível e fazer coincidir narração, descrição ou relato com o fato que lhe deu causa. Como arte, manifesta-se na clareza, elegância, originalidade e até mesmo na pontuação poética de texto ou título como ocorre com a crônica.

No caso do título analisado nesta matéria, houve o recurso algo poético de referência ao ditame popular, buscando verossimilhança entre essa licença e a realidade que a Folha intenta apor a Lula. Ou seja: requer que o presidente declare-se "morto" e se assuma como tal. 

Em suma, não há, a rigor, informação. Pelo menos não informação em sentido estrito, mas informação impregnada, nas entrelinhas, do espírito de fazer oposição.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Transcrevo artigo da Agência Adital (EB)
 
Desafios para a Presidenta Dilma Rousseff





Leonardo Boff *

Adital -
Celebramos alegremente a vitória de Dilma Rousseff. E não deixamos de folgar também pela derrota de José Serra que não mereceu ganhar esta eleição dado o nivel indecente de sua campanha, embora os excessos tenham ocorrido nos dois lados. Os bispos conservadores que, à revelia da CNBB, se colocaram fora do jogo democrático e que manipularam a questão da descriminalização do aborto, mobilizando até o Papa em Roma, bem como os pastores evangélicos raivosamente partidizados, sairam desmoralizados. Post festum, cabe uma reflexão distanciada do que poderá ser o governo de Dilma Rousseff.

Esposamos a tese daqueles analistas que viram no governo Lula uma transição de paradigma: de um Estado privatizante, inspirado nos dogmas neoliberais para um Estado republicano que colocou o social em seu centro para atender as demandas da população mais destituida. Toda transição possui um lado de continuidade e outro de ruptura.

A continuidade foi a manutenção do projeto macroeconômico para fornecer a base para a estabilidade política e exorcizar os fantasmas do sistema. E a ruptura foi a inauguração de substantivas políticas sociais destinadas à integração de milhões de brasileiros pobres, bem representadas pela Bolsa Familia entre outras. Não se pode negar que, em parte, esta transição ocorreu pois, efetivamente, Lula incluiu socialmente uma França inteira dentro de uma situação de decência. Mas desde o começo, analistas apontavam a inadequação entre projeto econômico e o projeto social. Enquanto aquele recebe do Estado alguns bilhões de reais por ano, em forma de juros, este, o social, tem que se contentar com bem menos.

Não obtante esta disparidade, o fosso entre ricos e pobres diminuiu o que granjeou para Lula extraordinária aceitação. 
 
Agora se coloca a questão: a Presidenta aprofundará a transição, deslocando o acento em favor do social onde estão as maiorias ou manterá a equação que preserva o econômico, de viés monetarista, com as contradições denunciadas pelos movimentos sociais e pelo melhor da inteligentzia brasileira?

Estimo que, Dilma deu sinais de que vai se vergar para o lado do social-popular. Mas alguns problemas novos como aquecimento global devem ser impreterivelmente enfrentados. Vejo que a novel Presidenta compreendeu a relevância da agenda ambiental, introduzida pela candidata Marina Silva. O PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) deve incorporar a nova consciência de que não seria responsável continuar as obras desconsiderando estes novos dados. E ainda no horizonte se anuncia nova crise econômica, pois os EUA resolveram exportar sua crise, desvalorizando o dólar e nos prejudicando sensivelmente.

Dilma Rousseff marcará seu governo com identidade própria se realizar mais fortemente a agenda que elegeu Lula: a ética e as reformas estruturais. A ética somente será resgatada se houver total transparência nas práticas políticas e não se repita a mercantilização das relações partidárias("mensalão").

As reformas estruturais é a dívida que o governo Lula nos deixou. Não teve condições, por falta de base parlamentar segura, de fazer nenhuma das reformas prometidas: a política, a fiscal e a agrária. Se quiser resgatar o perfil originário do PT, Dilma deverá implementar uma reforma política. Será dificil, devido os interesses corporativos dos partidos, em grande parte, vazios de ideologia e famintos de benefícios. A reforma fiscal deve estabelecer uma equidade mínima entre os contribuintes, pois até agora poupava os ricos e onerava pesadamente os assalariados. A reforma agrária não é satisfeita apenas com assentamentos. Deve ser integral e popular levando democracia para o campo e aliviando a favelização das cidades.

Estimo que o mais importante é o salto de consciência que a Presidenta deve dar, caso tomar a sério as consequências funestas e até letais da situação mudada da Terra em crise sócio-ecológica. O Brasil será chave na adaptação e no mitigamento pelo fato de deter os principais fatores ecológicos que podem equilibrar o sistema-Terra. Ele poderá ser a primeira potência mundial nos trópicos, não imperial mas cordial e corresponsável pelo destino comum. Esse pacote de questões constitui um desafio da maior gravidade, que a novel Presidenta irá enfrentar. Ela possui competência e coragem para estar à altura destes reptos. Que não lhe falte a iluminação e a força do Espírito Criador.

* Teólogo, filósofo e escritor

Reitor da UFRN declara apoio ao movimento #QueremosUmJornal - Vídeo editado e postado no You Tube por Jacques Noronha