Serra: vestido para ganhar
Emanoel Barreto
A entrevista ontem do ex-governador de S. Paulo José Serra à TV Tropical revelou um homem que sabe cumprir com o que lhe diz sua assessoria de marketing: foi comedido nas declarações a respeito do PT, admitiu que o governo Lula foi correto com sua administração - não o discriminando no repasse de verbas - e, habilidosamente, refluiu ao ser indagado a respeito do seu vice: é coisa lá para maio, sentenciou.
Um aspecto, contudo, merece realce: o modo como o ex-governador apareceu vestido: sem gravata e de camisas de mangas curtas. Isso lhe deu um ar de despojado; homem simples, desapegado da vaidade de vestir elegante camisa de mangas compridas, optando por um look tipo "estou apressado, tenho mais o que fazer."
Manifestou, para quem quisesse acreditar, conhecimentos a respeito do Rio Grande do Norte: falou sobre a importante fábrica de barrilha, defendeu o aeroporto de São Gonçalo e, pasme-se, citou até a necessidade de construção da barragem de Oiticica.
Aos desavidados isso parece o dircurso de quem sabe tudo a respeito do Rio Grande do Norte. Tanto, que chegou a mencionar as UPAs da então prefeita Rosalba Ciarlini em Mossoró, dizendo em seguida que quando prefeito de São Paulo fizera obra semelhante.
Resumindo: Serra está vestido para ganhar. Sabe ser um bom fingidor. Isso, em campanha, é o que importa.
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
sexta-feira, 23 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília e a Sagrada Família
Emanoel Barreto
Há um quê de clamor cabisbaixo nessa foto de família anônima. Perplexidade compartilhada ante a Brasília recém-inaugurada, 50 anos comemorados hoje. A foto, documento instantâneo, momento preciso, é tragicamente biográfica. Nela, de alguma forma, estão todas as vidas anuladas de brasileiros desconhecidos, multidão de sonhos incompletos - pesadelos, pelo fato mesmo da incompletude.
A Sagrada Família do trabalhador honesto e maltratado olha a monumental obra, epopéia pulsante em cimento e utopia. Cinquenta pesados anos se passaram. Mil vidas vividas nessa travessia.
Brasília, festa de portentosos monumentos; arquitetura erguida no espaço grande do planalto central.
E essa família, meu Deus? Que fim levou? Onde estarão o pai, a mãe e os quatro filhos? Perdidos, quem sabe, na multidão parda onde as sobras e as sombras se encontram, enquanto se constroi a tragédia brasileira.
A foto em si é poema, é elegia. O homem pequeno diante do destino. Perplexo e maravilhado, vive uma espécie de medo ungido de humilde esperança. É como se o dobre de um sino dissesse: "Brasil, capital Brasília... Brasil, capital Brasília. Para onde vai você, José, com sua Sagrada Família? Brasil, capital Brasília, Brasil, capital Brasília"
Eu nao pergunto nada, porque o resto o sino não sabe; o resto o sino não sabe... o resto... bom, é melhor parar por aqui. Porque, o resto, o sino não sabe.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjmX6Sg-JZ94tNdtC0Rcx8m7TDgzkNSVXeIdXWdFzHp2avtq5vplZn4hIekP8axsEmi46EFEyvWAlIkI9ektGkncQiF005Vt87fckQGWwnrm19q2nX5jCNJ4uCsruOUj37wyMVWXQ/s400/Bruno+Giorgi+candangos.jpg
Sentir Brasília
Walter Medeiros*
waltermedeiros@supercabo.com.br
Cinqüenta anos, Brasília! Cinqüenta anos de vida, a mais intensa. Cinqüenta anos que surgiste da natureza para ser o grande ponto de encontro da humanidade, com a tua energia envolvente e contagiante. Cinqüenta anos de convergências e divergências pela criação de um Brasil melhor. Cinqüenta anos hospedando o mundo, na tua beleza transcendente e sideral. Cinqüenta anos de mudança para além do trivial. Cinqüenta anos, Brasília! Oh! Amada capital!
Muitas vezes explorei tuas entranhas, no Venâncio 2000, no Conjunto Nacional, nas tesourinhas, na W3, Rodoviária, Aeroporto e na bela Praça dos Três Poderes, de gritos contidos, de gritos gritados, de cacetetes e gás lacromogêneo, de tantas flores, de tantas festas, de tanto amor à Pátria. Brasília, és a casa dos brasileiros, por isto precisamos cuidar de ti, como se cuida dos entes mais queridos. E neste teu novo aniversário, tão importante, refletir pelo melhor, pela tua grandeza, pela tua história.
Nestes tantos anos abrigaste tantos momentos, de todos os tipos, mas que te fizeram amadurecer e firmar-se como quimera. Daqueles que não sabem viver em cidades desorganizadas, mas também daqueles outros que findaram começando a te desorganizar. Daqueles que querem ser enterrados debaixo das lajes das tuas super-quadras. Daqueles poetas da 304 – “a namorada foi para o Rio / e fiquei aqui a ver ministérios”.
Brasília, cidade elegante, cidade do futuro, cidade de todos, dos que crescem na vida e dos que não têm rumo, de corações que bateram e batem nas lutas da nossa história, de celas que prendiam os revolucionários ao ecumenismo da Torre de TV, da orla do Lago encantado às efervescências das cidades satélites.
Brasília, o mundo todo te reverencia, por seres a prova de que é possível construir os próprios destinos e mudar paradigmas. És mais que o teu todo, pois teu significado é mais amplo até que os escândalos que levam para dentro de ti.
Vez por outra tenho saudade de cada vez que te vi, Brasília. Saudade dos primeiros dias, nos quais tua beleza era total, dos dias sem medo, dos dias contemplativos, dos sonhadores que te completavam a cada dia. Auxiliadora Targino, Amantino Teixeira, Alexandre Cavalcanti, Monte Filho, Meira Filho, Chico Pereira, Chico Maia, Arlete Azevedo, João Heredício Pinto, Paulo Cunha, Dona Ceci e tantos outros.
Nos teus cinqüenta anos dou esse testemunho humílimo de quem pisou teu chão vermelho e em ti deixou e tem muitos amigos que se encantaram com as flores do cerrado. Amigos que em dias e noites inesquecíveis por ti circularam em tua culinária universal, em tua arte de vanguarda, em tua atmosfera inexplicável.
Brasília, não dá para bem te descrever, pois para te entender precisa, mais que tudo, te sentir.
*Jornalista – Natal/RN (Residiu em Brasília no ano de 1979 e retornou várias vezes a serviço ou em trânsito)
Sentir Brasília
Walter Medeiros*
waltermedeiros@supercabo.com.br
Cinqüenta anos, Brasília! Cinqüenta anos de vida, a mais intensa. Cinqüenta anos que surgiste da natureza para ser o grande ponto de encontro da humanidade, com a tua energia envolvente e contagiante. Cinqüenta anos de convergências e divergências pela criação de um Brasil melhor. Cinqüenta anos hospedando o mundo, na tua beleza transcendente e sideral. Cinqüenta anos de mudança para além do trivial. Cinqüenta anos, Brasília! Oh! Amada capital!
Muitas vezes explorei tuas entranhas, no Venâncio 2000, no Conjunto Nacional, nas tesourinhas, na W3, Rodoviária, Aeroporto e na bela Praça dos Três Poderes, de gritos contidos, de gritos gritados, de cacetetes e gás lacromogêneo, de tantas flores, de tantas festas, de tanto amor à Pátria. Brasília, és a casa dos brasileiros, por isto precisamos cuidar de ti, como se cuida dos entes mais queridos. E neste teu novo aniversário, tão importante, refletir pelo melhor, pela tua grandeza, pela tua história.
Nestes tantos anos abrigaste tantos momentos, de todos os tipos, mas que te fizeram amadurecer e firmar-se como quimera. Daqueles que não sabem viver em cidades desorganizadas, mas também daqueles outros que findaram começando a te desorganizar. Daqueles que querem ser enterrados debaixo das lajes das tuas super-quadras. Daqueles poetas da 304 – “a namorada foi para o Rio / e fiquei aqui a ver ministérios”.
Brasília, cidade elegante, cidade do futuro, cidade de todos, dos que crescem na vida e dos que não têm rumo, de corações que bateram e batem nas lutas da nossa história, de celas que prendiam os revolucionários ao ecumenismo da Torre de TV, da orla do Lago encantado às efervescências das cidades satélites.
Brasília, o mundo todo te reverencia, por seres a prova de que é possível construir os próprios destinos e mudar paradigmas. És mais que o teu todo, pois teu significado é mais amplo até que os escândalos que levam para dentro de ti.
Vez por outra tenho saudade de cada vez que te vi, Brasília. Saudade dos primeiros dias, nos quais tua beleza era total, dos dias sem medo, dos dias contemplativos, dos sonhadores que te completavam a cada dia. Auxiliadora Targino, Amantino Teixeira, Alexandre Cavalcanti, Monte Filho, Meira Filho, Chico Pereira, Chico Maia, Arlete Azevedo, João Heredício Pinto, Paulo Cunha, Dona Ceci e tantos outros.
Nos teus cinqüenta anos dou esse testemunho humílimo de quem pisou teu chão vermelho e em ti deixou e tem muitos amigos que se encantaram com as flores do cerrado. Amigos que em dias e noites inesquecíveis por ti circularam em tua culinária universal, em tua arte de vanguarda, em tua atmosfera inexplicável.
Brasília, não dá para bem te descrever, pois para te entender precisa, mais que tudo, te sentir.
*Jornalista – Natal/RN (Residiu em Brasília no ano de 1979 e retornou várias vezes a serviço ou em trânsito)
terça-feira, 20 de abril de 2010
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEid28mjIL639Maj5O5fN1X5MUy9f4WuJkiVHo2M-HkFIwqGJMQTiY49KUAhV_leQZUTfA5kXWK1WtEnnB28viAggJof0wABb2R_SulSVG6PirmlNGVbFMtmYS16vf6j0SuRP5Xc/s320/blog-gente+muda1.jpg
Estou calado e não quero falar
Emanoel Barreto
Não, não foi bem assim, senhores. Eu não cheguei dizendo que sabia tudo; eu só pedi licença pra falar.
Como não deram, eu fechei os olhos, pra não ver tudo o que se fazia. Olhar, somente olhar, já seria ser criminoso, comparsa e ladrão.
Fechei os olhos mas fiquei atento.
E agora e hoje que me sinto mudo, só quero ver o que voces fizeram.
E então lhes digo que não sei de tudo.
Nesta assembléia não quero falar.
Suas palavras os levarão bem fundo.
E eu insisto não quero falar.
Vocês vão ver e vão sentir de tudo - e eu calado não quero falar.
Estou calado e não quero falar
Emanoel Barreto
Não, não foi bem assim, senhores. Eu não cheguei dizendo que sabia tudo; eu só pedi licença pra falar.
Como não deram, eu fechei os olhos, pra não ver tudo o que se fazia. Olhar, somente olhar, já seria ser criminoso, comparsa e ladrão.
Fechei os olhos mas fiquei atento.
E agora e hoje que me sinto mudo, só quero ver o que voces fizeram.
E então lhes digo que não sei de tudo.
Nesta assembléia não quero falar.
Suas palavras os levarão bem fundo.
E eu insisto não quero falar.
Vocês vão ver e vão sentir de tudo - e eu calado não quero falar.
Que horror, que horror, Brasília...
Emanoel Barreto
A charge do Bennet, na Folha, antecipa em um dia o aniversário de Brasília, 50 anos. A imagem diz tudo: a cor amarelada, a face de aspecto doentio deambulando entre o criminal e o louco, o furtivo ameaçador, insano e temível.
Os dentes mastigam, na metáfora medonha, aquela grande construção brasiliense que tem a forma de um H. E dos beiços pinga uma espécie de sangue sujo; o sangue maculado do povo do Brasil.
Que horror, que horror, Brasília...
segunda-feira, 19 de abril de 2010
http://images.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEim88-DwvoY-LwXh6xDOeTQEAuoqZgCXy9qY_8FFirLoS_oSY10_hMv01avXJXxg4oKwX1xivlWs1dwlsTp6nYDjDc3xbFpqnuJESB7YV4n9Ul8QxAXlwOpchywvJk3A0yw1hqpmw/s400/dilma-e-serra
O povo, na frente da televisão, esquece...
Emanoel Barreto
A próxima campanha presidencial levará aos pontos mais altos o sentido da política como espetáculo. Nas mídias eletrônicas, TV e internet, então, esse sentido se dará de maneira total, pelo menos na totalidade dos telespectadores que também tenham acesso à net.
Tanto Dilma quanto Serra não são candidatos carismáticos, arrebatadores. Assim, suas equipes de marketing terão grande trabalho em colocá-los, enfeixá-los, seria a palavra certa, em pacotes midiático-discursivos expondo-os como se fossem semideuses.
Capazes de, com apenas palavras, edulcoradas em cenários de convencimento, afirmar-se como aptos a ser vistos como grandes timoneiros da grande nau chamada Brasil.
Há, é claro, em uma e outro, uma essência bem própria e peculiar: suas convicções, visões de mundo. Até mesmo, quem sabe, utopias, intenções efetivamente boas. Mas aos diversos tipos de eleitorado a que se dirigirão será preciso vender o que entendem como sendo "bom para o Brasil" e, especialmente, "bom para aquela parcela de eleitorado".
É aí que entram em cena as bruxarias dos marqueteiros, suas fórmulas miraculosas de perfectibilidade das candidaturas, ajustadas milimetricamente ao senso comum de cada classe, cada segmento de classe, cada eleitorado.
Dilma sairá embalada pelo prestígio histórico de Lula, Serrá deverá desenvolver um discurso que o apresente como capaz de manter a atual situação de aparente equilíbrio da situação sócio-econômica. Tanto isso foi percebido, que sua assessoria já engendrou, de empréstimo ao americano Obama, o lema "o Brasil pode mais".
Isso admite a estabilidade vivida pelo país, mas acena que será preciso um grande condottiero a fim de que tudo continue seguindo bem. Ele, não Dilma, seria esse ser especial, dotado de competência e experiência administrativa suficientes e necessárias a tão grande empresa.
Haverá uma grande batalha de símbolos, discursos e propostas midiáticas. O probema é que, entre o alarde da propaganda, o anúncio de uma era fabulosa de paz, progresso e prosperidade, e a realidade dura e fervente, há um grande abismo.
O povo talvez até saiba disso, mas, na frente da televisão, esquece...
O povo, na frente da televisão, esquece...
Emanoel Barreto
A próxima campanha presidencial levará aos pontos mais altos o sentido da política como espetáculo. Nas mídias eletrônicas, TV e internet, então, esse sentido se dará de maneira total, pelo menos na totalidade dos telespectadores que também tenham acesso à net.
Tanto Dilma quanto Serra não são candidatos carismáticos, arrebatadores. Assim, suas equipes de marketing terão grande trabalho em colocá-los, enfeixá-los, seria a palavra certa, em pacotes midiático-discursivos expondo-os como se fossem semideuses.
Capazes de, com apenas palavras, edulcoradas em cenários de convencimento, afirmar-se como aptos a ser vistos como grandes timoneiros da grande nau chamada Brasil.
Há, é claro, em uma e outro, uma essência bem própria e peculiar: suas convicções, visões de mundo. Até mesmo, quem sabe, utopias, intenções efetivamente boas. Mas aos diversos tipos de eleitorado a que se dirigirão será preciso vender o que entendem como sendo "bom para o Brasil" e, especialmente, "bom para aquela parcela de eleitorado".
É aí que entram em cena as bruxarias dos marqueteiros, suas fórmulas miraculosas de perfectibilidade das candidaturas, ajustadas milimetricamente ao senso comum de cada classe, cada segmento de classe, cada eleitorado.
Dilma sairá embalada pelo prestígio histórico de Lula, Serrá deverá desenvolver um discurso que o apresente como capaz de manter a atual situação de aparente equilíbrio da situação sócio-econômica. Tanto isso foi percebido, que sua assessoria já engendrou, de empréstimo ao americano Obama, o lema "o Brasil pode mais".
Isso admite a estabilidade vivida pelo país, mas acena que será preciso um grande condottiero a fim de que tudo continue seguindo bem. Ele, não Dilma, seria esse ser especial, dotado de competência e experiência administrativa suficientes e necessárias a tão grande empresa.
Haverá uma grande batalha de símbolos, discursos e propostas midiáticas. O probema é que, entre o alarde da propaganda, o anúncio de uma era fabulosa de paz, progresso e prosperidade, e a realidade dura e fervente, há um grande abismo.
O povo talvez até saiba disso, mas, na frente da televisão, esquece...
domingo, 18 de abril de 2010
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=20204364&postID=7720942960738589146
Os lamentos do Estadão: do heroico ao ridículo
Emanoel Barreto
O Estadão, em seus lamentos diários, registra que está "há 261 dias sob censura". Claro que censura de jornal em uma democracia é um atentado à liberdade de imprensa, atentado que também se volta contra o público. A censura é exercida contra a sociedade, sendo o jornal o artefato que se emudece para atender aos interesses dos censores.
Fica-me uma indagação: o Estadão não conta com assessoria jurídica suficientemente competente para reverter o quadro? O que acontece no mundo jurídico, que tal situação não se altera? Agora, vejamos outro aspecto: o jornal não está, em seu sentido mais amplo, "sob censura"; o que está em tal condição é a abordagem de material noticioso mostrando negociatas da família Sarney.
Não estou, absolutamente, defendendo essa censura tópica. Antes, questiono se, por trás disso, não estaria o Estadão querendo assumir um falso heroísmo, como se estivesse em cruzada. Se até agora não conseguiu reverter o quadro que busque explicações do seu setor jurídico uma vez que, notoriamente, trata-se de um ato atentarório à liberdade de expressão.
Encerrando, uma abordagem paradoxal: e se a censura tópica não for sustada, ficará o jornal a dizer, por exemplo: "Sob censura há 10.340 dias? De heróico, estaria resvalando ao ridículo. Ao que parece, o que falta é apenas um bom advogado.
Os lamentos do Estadão: do heroico ao ridículo
Emanoel Barreto
O Estadão, em seus lamentos diários, registra que está "há 261 dias sob censura". Claro que censura de jornal em uma democracia é um atentado à liberdade de imprensa, atentado que também se volta contra o público. A censura é exercida contra a sociedade, sendo o jornal o artefato que se emudece para atender aos interesses dos censores.
Fica-me uma indagação: o Estadão não conta com assessoria jurídica suficientemente competente para reverter o quadro? O que acontece no mundo jurídico, que tal situação não se altera? Agora, vejamos outro aspecto: o jornal não está, em seu sentido mais amplo, "sob censura"; o que está em tal condição é a abordagem de material noticioso mostrando negociatas da família Sarney.
Não estou, absolutamente, defendendo essa censura tópica. Antes, questiono se, por trás disso, não estaria o Estadão querendo assumir um falso heroísmo, como se estivesse em cruzada. Se até agora não conseguiu reverter o quadro que busque explicações do seu setor jurídico uma vez que, notoriamente, trata-se de um ato atentarório à liberdade de expressão.
Encerrando, uma abordagem paradoxal: e se a censura tópica não for sustada, ficará o jornal a dizer, por exemplo: "Sob censura há 10.340 dias? De heróico, estaria resvalando ao ridículo. Ao que parece, o que falta é apenas um bom advogado.
sábado, 17 de abril de 2010

http://www.clubedorei.com.br/images/especialdiadasmaes.jpg
À rainha Lady Laura
Emanoel Barreto
Acabo de ver na net sobre a morte, aos 96 anos, de Lady Laura, rainha e mãe do rei Roberto Carlos. A notícia tocou-me. E chorei um pequeno pranto, íntimo e calado. Por que, se nunca a vi, não a conhecia?
É simples: na universidade, ensino aos meus alunos que uma notícia tem dois tipos de proximidade com o leitor: a proximidade espacial, quando o fato se dá no lugar onde você vive, tem suas raízes e ligações mais ou menos fortes, e a parximidade emocional ou afetiva: quando você, mesmo distante da ocorrência de um acontecimento alegre ou triste, de repente sente-se àquele ligado.
Exemplo: quem de nós não se condoeu com a morte do presidente da Polônia em desastre aviatório, ou com os terremotos do Haiti e Chile? Está aí a proximidade afetiva.
O mesmo se deu com a morte de Lady Laura. Roberto, para os da minha geração, era uma espécie de amigo, que cantava para nós, nos discos que animavam as festas dos jovens dos anos 1960. "Quero que vá tudo para o inferno" era uma espécie de hino de nossa rebeldia ingênua. Depois veio o Tropicalismo e a ingenuidade cedeu lugar ao protesto, à politização.
Mas Roberto ficou, como ícone de um tempo. Com o encantamento de Lady Laura de alguma forma se vai um pedaço daqueles anos 60. É isso: apenas um texto da lembrança de quem nunca conheci.
LOVE
Walter Medeiros
Um passarinho pousou no muro,
Olhou para mim,
Diante do Céu azul,
das nuvens brancas,
E foi embora.
No meu som tocava Love Story,
Tema de Lara,
Que belo!
Vou terminar,
Antes que as nuvens se desfaçam.
Walter Medeiros
Um passarinho pousou no muro,
Olhou para mim,
Diante do Céu azul,
das nuvens brancas,
E foi embora.
No meu som tocava Love Story,
Tema de Lara,
Que belo!
Vou terminar,
Antes que as nuvens se desfaçam.
O Rio Industrial João Motta e a súplica de um natalense
O rio Industrial João Motta é temporário, mas extremamente perigoso, manhoso e danado quando da época das chuvas. Fica no bairro de Capim Macio, Natal, situando-se entre as ruas Enrico Monteiro e Alexandre Câmara.
Segundo representantes da Prefeitura e da Caern, em entrevista à InterTVcabugi(http://intertvonline.globo.com/rn/noticias.php?id=5872),dia 8 deste mês, o problema estará resolvido dia 28 próximo.
Espero, e suplico, que tudo esteja resolvido mesmo. Afinal,chuva não é só problema do sertanejo. Pode afligir até mesmo quem esteja bem longe dos belos roçados que encantam os olhos de todos nós, nordestinos.(Emanoel Barreto)

A caravana que foi para Damasco
Emanoel Barreto
Ora, naquele tempo seguia eu em modorrenta caravana em direção a Damasco, e cochilava em meu camelo Yuossef, quando eis que surge, lá adiante, um oásis. Maravilha das maravilhas.
Ali chegando, havia já buliçoso ajuntamento. Misterioso grupo, trajando escuros indumentos, confabulava.
Apeei e fui em sua direção, pois queria beber água e eles estavam próximos de lá. Olhando-me à sorrelfa, os indivíduos dirigiram-me olhar enviesado. Aproximei-me, deselhei-les paz e bem e, como viram que eu não tinha intuitos malsãos, corresponderam.
Identifiquei-me como viajor e perguntei quem eram. Um disse-me: "Sou um ímpio." E fez profunda reverência."
Outro asseverou: "E eu, um réprobo. De tradicional cepa." Sorriu um sorriso mefistofélico e calou-se.
Terceiro afiançou: "Quanto a mim, néscio. Sempre a seu dispor"
Com o rosto encoberto por espesso tecido, à vista apenas os olhos, sombrio viandante anunciou-me: "Ímprobo."
Outro assim pronunciou-se: "Sou, honradamente, gentio. E sigo e respeito antigas e venerandas tradições."
Mais uma voz se fez ouvir: "Trate-me por biltre", disse, demonstrando orgulho por suas qualidades vis."
Ao meu ouvido fez-se outra voz, em seguida: "Quanto a mim, parvo, por vocação e legado paterno. E saiba que meu pai foi um grande parvo, se é que me entende.
"Somos de diversas especialidades, como vê", acentuou um escroque, que em seguida anunciou: "Toda esta grei trata de assuntos que lhes são competentes e vamos, como o senhor, a Damasco fazer fama e fortuna."
Eu disse "Epa! Não vou em busca de nenhuma das duas. Estou na companhia daquele homem, a quem chamam Marco Polo, que busca novas paragens para conhecer. Só isso." Como se nota, eu já estava preocupado por estar falando com aquele magote de trapaceiros, cujos pendores iam, da preguiça mais indolente à mais ignóbil cupidez pelo dinheiro e todos os seus prazeres.
Mesmo já assombrado com o potencial maléfico do grupo e já pensando em chamar meu amigo Marco Polo para, literalmente, fugir daquele bando, tomei coragem e indaguei: "Se me permitem, como pretendem acumular grandes cabedais em Damasco?"
"Ora", respondeu um néscio, "muito simples: ali reina grande licenciosidade. Na política, na economia, nos costumes. Até nas manifestações religiosas, todos buscam dinheiro e ganham, vamos dizer assim, óbolos fabulosos em secretas transações. Assim, como detemos grandes conhecimentos e secretas ciências, largas sabenças e truques monumentais na vida pública, vamos entrar para a política. Seremos reis e faraós, sultões, xeques e grãos-vizires, imperadores e tiranetes, chefes e maiorais."
Ante tais palavras, retirei-me. Marco Polo já queria seguir viagem. Viajamos dias e dias, até chegarmos a Damasco. Lá reinava grande alarido. Logo percebemos o motivo: um grupo de homens malissímos havia dominado o Poder e proclamava uma nova lei e uma ordem: o povo fora vendido como escravo e um país distante e imperial e todos, absolutamente todos, começavam a ser desterrados.
Preocupado com aquela situação, Marco Polo perguntou-me: "Ficamos para ver mais, conhecer a vida de Damasco e a hospitalidade tão famosa do seu povo?"
Antes de entrar em pânico e saltar sobre o meu camelo, gritei: "Vamos embora, Marco! Aqui não há mais vida. A hospitalidade exauriu-se. Aqui predominam a insânia e a barbaridade, nas ruas e nas instituições."
Quase em desespero Marco acompanhou-me, mas, antes de partir, ainda ouvimos quando um biltre anunciava: "Viemos do Brasil! E viemos para ficar!"
Ali chegando, havia já buliçoso ajuntamento. Misterioso grupo, trajando escuros indumentos, confabulava.
Apeei e fui em sua direção, pois queria beber água e eles estavam próximos de lá. Olhando-me à sorrelfa, os indivíduos dirigiram-me olhar enviesado. Aproximei-me, deselhei-les paz e bem e, como viram que eu não tinha intuitos malsãos, corresponderam.
Identifiquei-me como viajor e perguntei quem eram. Um disse-me: "Sou um ímpio." E fez profunda reverência."
Outro asseverou: "E eu, um réprobo. De tradicional cepa." Sorriu um sorriso mefistofélico e calou-se.
Terceiro afiançou: "Quanto a mim, néscio. Sempre a seu dispor"
Com o rosto encoberto por espesso tecido, à vista apenas os olhos, sombrio viandante anunciou-me: "Ímprobo."
Outro assim pronunciou-se: "Sou, honradamente, gentio. E sigo e respeito antigas e venerandas tradições."
Mais uma voz se fez ouvir: "Trate-me por biltre", disse, demonstrando orgulho por suas qualidades vis."
Ao meu ouvido fez-se outra voz, em seguida: "Quanto a mim, parvo, por vocação e legado paterno. E saiba que meu pai foi um grande parvo, se é que me entende.
"Somos de diversas especialidades, como vê", acentuou um escroque, que em seguida anunciou: "Toda esta grei trata de assuntos que lhes são competentes e vamos, como o senhor, a Damasco fazer fama e fortuna."
Eu disse "Epa! Não vou em busca de nenhuma das duas. Estou na companhia daquele homem, a quem chamam Marco Polo, que busca novas paragens para conhecer. Só isso." Como se nota, eu já estava preocupado por estar falando com aquele magote de trapaceiros, cujos pendores iam, da preguiça mais indolente à mais ignóbil cupidez pelo dinheiro e todos os seus prazeres.
Mesmo já assombrado com o potencial maléfico do grupo e já pensando em chamar meu amigo Marco Polo para, literalmente, fugir daquele bando, tomei coragem e indaguei: "Se me permitem, como pretendem acumular grandes cabedais em Damasco?"
"Ora", respondeu um néscio, "muito simples: ali reina grande licenciosidade. Na política, na economia, nos costumes. Até nas manifestações religiosas, todos buscam dinheiro e ganham, vamos dizer assim, óbolos fabulosos em secretas transações. Assim, como detemos grandes conhecimentos e secretas ciências, largas sabenças e truques monumentais na vida pública, vamos entrar para a política. Seremos reis e faraós, sultões, xeques e grãos-vizires, imperadores e tiranetes, chefes e maiorais."
Ante tais palavras, retirei-me. Marco Polo já queria seguir viagem. Viajamos dias e dias, até chegarmos a Damasco. Lá reinava grande alarido. Logo percebemos o motivo: um grupo de homens malissímos havia dominado o Poder e proclamava uma nova lei e uma ordem: o povo fora vendido como escravo e um país distante e imperial e todos, absolutamente todos, começavam a ser desterrados.
Preocupado com aquela situação, Marco Polo perguntou-me: "Ficamos para ver mais, conhecer a vida de Damasco e a hospitalidade tão famosa do seu povo?"
Antes de entrar em pânico e saltar sobre o meu camelo, gritei: "Vamos embora, Marco! Aqui não há mais vida. A hospitalidade exauriu-se. Aqui predominam a insânia e a barbaridade, nas ruas e nas instituições."
Quase em desespero Marco acompanhou-me, mas, antes de partir, ainda ouvimos quando um biltre anunciava: "Viemos do Brasil! E viemos para ficar!"
sexta-feira, 16 de abril de 2010
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgv1hy4yoIClXp4RTJXS6weqTr4ZND1z6THo8UVL4o35daW8WlrxR_qAkWmHONAEpSfXQYx1YIjDiPR-nFRgrhdbRzj3ZOfpDDtauDlsUbNxZDGSoj_FrPoPJnbjvglaPb2Gdtr/s320/=%3Fiso-8859-1%3FQ%3FJos=E9-Sarney-Pol=EDtico-Imoral-08de19---Um-abraco---Drauz%3F=%09=%3Fiso-8859-1%3FQ%3Fio-Milagres---O-Mundo-no-Seu-Dia-a-Dia-730683.jpg%3F=
O imoral que se transformou em moral
Emanoel Barreto
A intenção é nobre, claro, e já chegou ao senso comum. Ou seja: está em crescimento uma tendência de evitar-se o uso de palavras que, no final das contas, sentenciam pessoas a uma espécie de apedrejamento social, humilham muito mais que identificam.
Foi assim que um corrupto, ao ser denunciado, resolveu invocar a seu favor uma nova forma de deficiência: não aceitou mais ser chamado de "ladrão", exigindo tratamento respeitoso. A partir de agora somente deverá ser chamado de "deficiente moral".
Um dia, depois de beber muito, subiu em uma mesa e gritou para todos que estavam no bar que, sim, era realmente um corrupto: havia desviado fundos, praticado peculato, extorsão e coisas várias no mesmo setor.
Houve grande confusão, todos querendo puni-lo a socos e pontapés.
Nisso, entra no bar uma dupla de amigos do corrupto e alertam: ele é um intocável. E explicam: como ele é deficinte moral está mentindo, o que é bem próprio desses tipos. Assim, ao dizer que é corrupto ele mente. E, como mente, deverá ser liberado e ovacionado, pois não é corrupto e sim o mais limpo dos homens.
As pessoas choram de emoção, providenciam um andor e saem com ele em grande procissão.
Estava ali um homem de bem. Moral da história: é imoral como é fácil enganar o povo.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Lunaé Parracho/Agência A Tarde
Deus é pai
Emanoel Barreto
"Pré-candidato do PSDB, José Serra, acende vela na capela da Fundação Obras Sociais Irmã Dulce, durante visita a Salvador." Esta a legenda da foto na Folha Online. A imagem remete o imaginário social a reiterada prática na política brasileira: todos os candidatos são "tementes a Deus", ou seja: tornam-se equiparados à notória religiosidade do povo brasileiro.
Mais que isso, a mensagem da foto, retraduzindo o comportamento do candidato, diz o seguinte: "Eu sou igual a voces, viu?". O comportamento é uma forma de discurso, mimetiza o candidato - qualquer candidato -, ao senso comum. A foto, ademais, assume contornos de editorial por endossar, no seu subtexto, a atitude de empatia dirigida ao, digamos, "
Estamos no limiar de uma campanha eleitoral. Quando a manipulação de símbolos, todos objetivando nivelar os, vamos dizer, postulantes, ao "povoa", descarregará maciçamente promessas, anúncios de eras miraculosas, tempos há muito desejados.
Enfim, todos os candidatos apresentarão profundas convicções religiosas, intentos pios, disposições bondosos. Deus é pai.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Voltarei a publicar neste final de semana.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
Voltarei a publicar neste final de semana.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2009/12/beatles1.jpg
Vaticano comenta os 40 anos do fim dos Beatles
Da Redação, JB Online
RIO DE JANEIRO - Em um artigo intitulado "Sete anos que abalaram a música", o jornal do Vaticano "L'Osservatore Romano" elogiou os Beatles e, por ocasião dos 40 anos da dissolução da banda britânica, comemorados neste ano, chamou o grupo de "joia preciosa".
O texto lembra que, segundo alguns comentaristas, os Beatles divulgavam mensagens misteriosas, tidas por alguns até como "satânicas".
"É verdade que eles tomaram drogas, viveram uma vida de excessos por causa do seu sucesso, e até disseram que eram mais famosos do que Jesus".
"No entanto, ao ouvir suas canções, tudo isso parece distante e insignificante."
"Eles podem não ser o melhor exemplo da juventude da época, mas não eram, de maneira nenhuma, o pior. Suas belas melodias mudaram a música e continuam a dar prazer", diz o artigo.
Referindo-se à dissolução da banda em abril de 1970, o texto diz que "mais do que expressar tristeza pela separação deles, talvez a questão (a se refletir) deveria ser como a música pop teria sido sem os Beatles."
John Lennon causou grande polêmica em 1966 quando disse em uma entrevista à imprensa britânica que os Beatles eram mais populares do que Jesus.
"O cristianismo vai acabar (...) Eu não preciso argumentar, eu estou certo e isso será comprovado. Nós somos mais populares do que Jesus hoje em dia. Eu não sei o que vai acabar primeiro --o rock n' roll ou o cristianismo."
Há dois anos a Igreja Católica perdoou Lennon por este comentário. "A declaração de John Lennon, que provocou tanta indignação nos Estados Unidos, depois de todos estes anos soa como uma bravata de um jovem proletário inglês às voltas com um sucesso inesperado", disse artigo publicado no "L'Osservatore Romano" em 2008.
.........
Os Beatles são, apenas, irrepetíveis, inigualáveis e insuperáveis. (EB)
Vaticano comenta os 40 anos do fim dos Beatles
Da Redação, JB Online
RIO DE JANEIRO - Em um artigo intitulado "Sete anos que abalaram a música", o jornal do Vaticano "L'Osservatore Romano" elogiou os Beatles e, por ocasião dos 40 anos da dissolução da banda britânica, comemorados neste ano, chamou o grupo de "joia preciosa".
O texto lembra que, segundo alguns comentaristas, os Beatles divulgavam mensagens misteriosas, tidas por alguns até como "satânicas".
"É verdade que eles tomaram drogas, viveram uma vida de excessos por causa do seu sucesso, e até disseram que eram mais famosos do que Jesus".
"No entanto, ao ouvir suas canções, tudo isso parece distante e insignificante."
"Eles podem não ser o melhor exemplo da juventude da época, mas não eram, de maneira nenhuma, o pior. Suas belas melodias mudaram a música e continuam a dar prazer", diz o artigo.
Referindo-se à dissolução da banda em abril de 1970, o texto diz que "mais do que expressar tristeza pela separação deles, talvez a questão (a se refletir) deveria ser como a música pop teria sido sem os Beatles."
John Lennon causou grande polêmica em 1966 quando disse em uma entrevista à imprensa britânica que os Beatles eram mais populares do que Jesus.
"O cristianismo vai acabar (...) Eu não preciso argumentar, eu estou certo e isso será comprovado. Nós somos mais populares do que Jesus hoje em dia. Eu não sei o que vai acabar primeiro --o rock n' roll ou o cristianismo."
Há dois anos a Igreja Católica perdoou Lennon por este comentário. "A declaração de John Lennon, que provocou tanta indignação nos Estados Unidos, depois de todos estes anos soa como uma bravata de um jovem proletário inglês às voltas com um sucesso inesperado", disse artigo publicado no "L'Osservatore Romano" em 2008.
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Os Beatles são, apenas, irrepetíveis, inigualáveis e insuperáveis. (EB)
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLmlsuBREBzZLsP2afCeAbIsUB583bqWxgi5MDyo4Xc8WNvCgZX3Rny9_kAWKUczryNA_RQMq6T75h0__QKoZQPgjy9SwmpY8uuZTl6hsZ8AW5_wmwJ2hVld8Uf0-Hijc21K_f/s400/5050.jpg
BUSCA
Walter Medeiros
Que busco nas ruas
Escuras, úmidas,
Inquietas do mundo,
Senão o prazer do belo?
O belo da cor, do som,
Do gesto, da cena
- única de cada momento,
Da paisagem inesquecível,
Dos cheiros de cada hora...
BUSCA
Walter Medeiros
Que busco nas ruas
Escuras, úmidas,
Inquietas do mundo,
Senão o prazer do belo?
O belo da cor, do som,
Do gesto, da cena
- única de cada momento,
Da paisagem inesquecível,
Dos cheiros de cada hora...
sábado, 10 de abril de 2010
http://ipt.olhares.com/data/big/11/118260.jpg
O amor à pátria nos salvará, irmãos: eia!
Emanoel Barreto
Está na Folha Online: Ao lançar sua campanha à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não poupou críticas indiretas a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em várias áreas e voltou a repetir seu slogan de que o "Brasil pode mais", que tem sido rejeitado por petistas.
Serra arrancou aplausos dos militantes ao dizer que o Brasil precisa de "coragem para construir o Brasil melhor, o Brasil da União". "Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem", disse.
O ex-governador disse ainda que defende um país sem exclusão. "Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo", afirmou.
...
A transcrição de trechos do discurso indica que o slogan de campanha é notoriamente inspirado na recriação do lema de Barack Obama "Sim, nós podemos". Todavia, uma coisa preocupa no discurso de Serra: o recurso do chamamento ao "patriorismo".
A pátria, como elemento chave a unir falsamente todos, como se a pátria fosse um território libertário, é na verdade comportamento retórico nebuloso e vago. A pátria como instância moral-afetiva, induz a um sentimento coletivo de respeito a um passado antigo, heróico, atrator de todos e dissolvente de conflitos de classe e de interesses.
Seria ela, a pátria, uma espécie de liga social a solidificar artificialmente laços de irmanação, diluindo classes e fabricando uma situação histórica que, em si, não se posta: a igualdade absoluta, magicamente instaurada pelo simples momento de sermos todos irmãos na pátria.
É falso, é falacioso e caviloso o chamamento ao patriotismo. Não há convergência histórica entre trabalhadores e capital.
Ao que percebo, a campanha será centrada na evocação de um patriotismo atávico e apassivador. A pedra de toque será a consigna da campanha, convocando a um passo adiante, já que o Brasil "pode mais".
Dá para antever que a proposta será uma atitude salvacionista, como se de repente um césar tivesse surgido das brumas para, com sua poderosa legião, levar o país à condição de pátria: aquele território da felicidade plena, da irmandade política, bondosa e mansa.
Vamos conferir. Será uma campanha de mídia à rédea solta, trabalhando-se o imaginário coletivo a partir de material simbólico voltado para a emoção reducionista, maniqueísta e avassaladora. Vamos conferir.
* Só para lembrar, o escritor inglês Samuel Johnson já dizia: "A pátria é o último refúgio de um canalha."
O amor à pátria nos salvará, irmãos: eia!
Emanoel Barreto
Está na Folha Online: Ao lançar sua campanha à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não poupou críticas indiretas a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em várias áreas e voltou a repetir seu slogan de que o "Brasil pode mais", que tem sido rejeitado por petistas.
Serra arrancou aplausos dos militantes ao dizer que o Brasil precisa de "coragem para construir o Brasil melhor, o Brasil da União". "Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem", disse.
O ex-governador disse ainda que defende um país sem exclusão. "Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo", afirmou.
...
A transcrição de trechos do discurso indica que o slogan de campanha é notoriamente inspirado na recriação do lema de Barack Obama "Sim, nós podemos". Todavia, uma coisa preocupa no discurso de Serra: o recurso do chamamento ao "patriorismo".
A pátria, como elemento chave a unir falsamente todos, como se a pátria fosse um território libertário, é na verdade comportamento retórico nebuloso e vago. A pátria como instância moral-afetiva, induz a um sentimento coletivo de respeito a um passado antigo, heróico, atrator de todos e dissolvente de conflitos de classe e de interesses.
Seria ela, a pátria, uma espécie de liga social a solidificar artificialmente laços de irmanação, diluindo classes e fabricando uma situação histórica que, em si, não se posta: a igualdade absoluta, magicamente instaurada pelo simples momento de sermos todos irmãos na pátria.
É falso, é falacioso e caviloso o chamamento ao patriotismo. Não há convergência histórica entre trabalhadores e capital.
Ao que percebo, a campanha será centrada na evocação de um patriotismo atávico e apassivador. A pedra de toque será a consigna da campanha, convocando a um passo adiante, já que o Brasil "pode mais".
Dá para antever que a proposta será uma atitude salvacionista, como se de repente um césar tivesse surgido das brumas para, com sua poderosa legião, levar o país à condição de pátria: aquele território da felicidade plena, da irmandade política, bondosa e mansa.
Vamos conferir. Será uma campanha de mídia à rédea solta, trabalhando-se o imaginário coletivo a partir de material simbólico voltado para a emoção reducionista, maniqueísta e avassaladora. Vamos conferir.
* Só para lembrar, o escritor inglês Samuel Johnson já dizia: "A pátria é o último refúgio de um canalha."
Rio Industrial João Motta
A gravação foi feita em um celular. Isso, de alguma forma, amplia a sensação de objetividade e proximidade ante o problema da inundação da minha rua, onde a Prefeitura vem fazendo obras de drenagem.
Mas, se as "obras" ficarem do jeito que estão, com a pista acima das calçadas e as calçadas fechadas por meio-fios que funcionam como se fossem diques, as casas serão invadidas pela água. Dizem os maiorais da Prefeitura que vão dar um jeito, rebaixando a pista. Espero, rezo, oro, desejo e imploro. (Emanoel Barreto)
A gravação foi feita em um celular. Isso, de alguma forma, amplia a sensação de objetividade e proximidade ante o problema da inundação da minha rua, onde a Prefeitura vem fazendo obras de drenagem.
Mas, se as "obras" ficarem do jeito que estão, com a pista acima das calçadas e as calçadas fechadas por meio-fios que funcionam como se fossem diques, as casas serão invadidas pela água. Dizem os maiorais da Prefeitura que vão dar um jeito, rebaixando a pista. Espero, rezo, oro, desejo e imploro. (Emanoel Barreto)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiECHLwHgs-0qI-Az1KisSN7dhkK36gmrR1x1IuDLleVYoqyRVTPMutDeCW14xUUC15JREKV4yHj5etA3kF-XTMZIfUSB5siDI3-OADkicCGfoB2TpLNLvr4dmBE4ITut-bHFHZ/s320/depressao2.jpg
Alea jacta est...
Emanoel Barreto
Um dia, tirou a sorte grande.
Mas como era muito grande
a sorte se quebrou porque era feita de fina porcelana.
As pessoas pegaram os pedaços da sorte pensando que
iam ser felizes.
Mas como era muito pouca sorte para cada um
chegamos ao mundo em que hoje vivemos.
Alea jacta est...
Emanoel Barreto
Um dia, tirou a sorte grande.
Mas como era muito grande
a sorte se quebrou porque era feita de fina porcelana.
As pessoas pegaram os pedaços da sorte pensando que
iam ser felizes.
Mas como era muito pouca sorte para cada um
chegamos ao mundo em que hoje vivemos.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
http://fotos.sapo.pt/ZuNwsYkjpRjSkZ7ygreW/
Volto a escrever amanhã
Emanoel Barreto
Volto a escrever amanhã.
Hoje estou sem assunto.
Volto a escrever amanhã.
Mandei comprar uns assuntos, mas assunto é coisa que está em falta. De tanto se repetirem corrupções, escândalos, conchavos e que tais, os assuntos deixam de ser novidade e já são velhos, tão velhos, quando nascem...
Assim, volto a escrever amanhã.
Ah! Se você tiver um assunto, mande para mim. E me diga onde estão depositados os novos assuntos, os grandes temas, as discussões candentes, questões de alta indagação, conteúdos dignos de nota. Os indignos já ocuparam espaço demais. Assim, volto a escrever amanhã. Hoje es...
Volto a escrever amanhã
Emanoel Barreto
Volto a escrever amanhã.
Hoje estou sem assunto.
Volto a escrever amanhã.
Mandei comprar uns assuntos, mas assunto é coisa que está em falta. De tanto se repetirem corrupções, escândalos, conchavos e que tais, os assuntos deixam de ser novidade e já são velhos, tão velhos, quando nascem...
Assim, volto a escrever amanhã.
Ah! Se você tiver um assunto, mande para mim. E me diga onde estão depositados os novos assuntos, os grandes temas, as discussões candentes, questões de alta indagação, conteúdos dignos de nota. Os indignos já ocuparam espaço demais. Assim, volto a escrever amanhã. Hoje es...
domingo, 4 de abril de 2010
Jessica Rinaldi/Reuters
Compre seu iPad, seja idiota e seja feliz
Emanoel Barreto
A jornalista Cristina Fibe, da Folha, informa de Nova Iorque:
Depois de invenções como o iPod e o iPhone, Steve Jobs, fundador da Apple, diz que agora, sim, criou um produto "mágico e revolucionário": o iPad. Versão simplificada de um laptop, o "tablet" permite navegar na internet, ler livros e gerenciar arquivos como música, fotos e filmes.
A expectativa em torno do iPad, lançado ontem nos EUA, fez com que a empresa vendesse mais de 200 mil aparelhos antes mesmo de ele chegar às lojas. Não há previsão de data para estreia no Brasil.
Segundo estimativas, no primeiro ano o iPad deve vender algo entre 2,7 milhões e 5 milhões de unidades, ao custo mínimo de US$ 499 (pouco menos de R$ 900).
Isso porque a Apple, os poucos que conheceram o iPad antes de seu lançamento oficial e a maior parte da mídia americana o propagandearam como um artefato que privilegia a simplicidade e a relação intuitiva com o consumidor.
O iPad, como o iPhone, não tem teclado ou mouse acoplados, sua tela obedece ao toque do dono. E, embora não funcione como telefone nem possua câmera, tem as outras facilidades com que os usuários do iPhone já se acostumaram, só que com mais velocidade e tela muito maior, de 24 cm por 19 cm, e só 1,25 cm de espessura.
Com acesso permanente à internet (Wi-Fi), bateria com durabilidade de dez horas e cerca de 700 gramas, o aparelho une e-mails, música, filmes, games, e-books, GPS, agenda, fotos -e, é claro, o navegador Safari e a loja do iTunes, que garante à Apple que o usuário continue rendendo mesmo depois de desembolsar mais de US$ 499 no aparelho.
O pacote causou alvoroço na mídia americana. Capa da "Newsweek" de 5 de abril questiona: "What's so great about the iPad?" -o que é tão formidável no iPad?, em tradução livre-, e responde: "Tudo".
Nas seis páginas internas, afirma que o produto "mudará o jeito como você usa computadores, lê livros e assiste à TV, desde que esteja disposto a fazê-los à maneira de Steve Jobs". A revista diz ainda que o executivo da Apple tem a habilidade para criar aparelhos "que não sabíamos que precisávamos, mas sem os quais de repente não podemos viver".
A revista "Time" chegou às bancas com o mesmo assunto na capa. Enviado em nome do veículo, o ator e comediante Stephen Fry pareceu deslumbrado depois de conversar com Steve Jobs e manipular o iPad durante dez minutos.
Ontem, o jornal "The New York Times" organizou um "live blogging" com repórteres de plantão para relatar as filas nas lojas da Apple (e na Best Buy, aonde o aparelho também chegou) e consumidores comentando o iPad.
O "Washington Post" foi um dos poucos a reagir e publicar que, com tudo isso, Steve Jobs pouco precisaria investir em publicidade -além do fato de que os jornais e as revistas também estão interessados em transformar os seus conteúdos para a leitura no aparelho.
No YouTube, consumidores postaram vídeos ontem para mostrar o iPad sendo desempacotado e fazer os primeiros comentários sobre a novidade. Entre os poucos defeitos apontados pela "Newsweek", o fato de que Steve Jobs subverte a liberdade de escolha característica da internet, fechando o sistema e obrigando os usuários a navegar no Safari e a fazer as compras no iTunes.
Outra reclamação é o fato de não ler imagens desenvolvidas com a plataforma Flash, da Adobe, responsável por cerca de 75% dos vídeos na internet. E um defeito do iPhone que por ora se repetirá: o novo computador da Apple não é multifuncional, ou seja, só é possível abrir um aplicativo de cada vez.
.......
O texto, a rigor um comercial disfarçado de notícia "objetiva", traz em sua - perdão pela palavra - semiose, uma espécie de cântico, um louvor dócil e delicadamente fanático: tens porque tem de comprar ao iPad, senão não serás feliz. O iPad será teu bezerro de ouro e somente a ele adorarás.
Lamentavelmente, nós, brasileiros, tristes trópicos,vira-latas do neoliberalismo e da globalização, ainda estamos sem data para a bênção de termos acesso, respeitoso e parvo, ao iPad. Mas o paraíso demora, irmãos. É preciso fé e esperança. Oremos.
Outra coisa: o comercial, enquanto texto jornalístico, falha em seu lide. Lide, para você que não é jornalista, é o primeiro parágrafo de uma notícia, aquele que, em tese, reúne o que há de mais importante em um fato e o relata de forma direta, clara e concisa.
O mais importante não é o lançamento em si, entende? E por que não? Porque o mais importante está no parágrafo que coloquei em itálico. Ou seja: que o usuários continuem rendendo aos donos da marca iPad. Está aí o "x" da questão: a criação de um mercado ávido por novidades, quaisquer novidades. E, desde que sejam ditas e tidas como importantes ("nós nem mesmo sabíamos que precisávamos"), passando a delas depender quase existencialmente.
O lide seria a denúncia da criação de um mercado cativo, o que a rigor não é mercado, pois mercado pressupõe competição entre marcas e produtos. O lide seria a exposição da faceta perversa desse processo comunicacional que em si, mercadologicamente, é um sistema de arquitetura fechada: as pessoas "precisam render" aos donos do iPod. Foram "feitas para isso": para gastar e dar lucro - e ninguém percebe nem se insurge ante essa atitude inumana, que é ao mesmo tempo tão humana.
Para encerrar: você acha que alguém, alguém que seja um leitor, um leitor na expressão da palavra, alguém que goste de livro, que veja no livro um ser vivo, um amigo, um parceiro, alguém refinado e de mente inquieta vai perder tempo "lendo" um livro nessa traquitana? Creia em Deus, amigo; creia em Deus...
Compre seu iPad, seja idiota e seja feliz
Emanoel Barreto
A jornalista Cristina Fibe, da Folha, informa de Nova Iorque:
Depois de invenções como o iPod e o iPhone, Steve Jobs, fundador da Apple, diz que agora, sim, criou um produto "mágico e revolucionário": o iPad. Versão simplificada de um laptop, o "tablet" permite navegar na internet, ler livros e gerenciar arquivos como música, fotos e filmes.
A expectativa em torno do iPad, lançado ontem nos EUA, fez com que a empresa vendesse mais de 200 mil aparelhos antes mesmo de ele chegar às lojas. Não há previsão de data para estreia no Brasil.
Segundo estimativas, no primeiro ano o iPad deve vender algo entre 2,7 milhões e 5 milhões de unidades, ao custo mínimo de US$ 499 (pouco menos de R$ 900).
Isso porque a Apple, os poucos que conheceram o iPad antes de seu lançamento oficial e a maior parte da mídia americana o propagandearam como um artefato que privilegia a simplicidade e a relação intuitiva com o consumidor.
O iPad, como o iPhone, não tem teclado ou mouse acoplados, sua tela obedece ao toque do dono. E, embora não funcione como telefone nem possua câmera, tem as outras facilidades com que os usuários do iPhone já se acostumaram, só que com mais velocidade e tela muito maior, de 24 cm por 19 cm, e só 1,25 cm de espessura.
Com acesso permanente à internet (Wi-Fi), bateria com durabilidade de dez horas e cerca de 700 gramas, o aparelho une e-mails, música, filmes, games, e-books, GPS, agenda, fotos -e, é claro, o navegador Safari e a loja do iTunes, que garante à Apple que o usuário continue rendendo mesmo depois de desembolsar mais de US$ 499 no aparelho.
O pacote causou alvoroço na mídia americana. Capa da "Newsweek" de 5 de abril questiona: "What's so great about the iPad?" -o que é tão formidável no iPad?, em tradução livre-, e responde: "Tudo".
Nas seis páginas internas, afirma que o produto "mudará o jeito como você usa computadores, lê livros e assiste à TV, desde que esteja disposto a fazê-los à maneira de Steve Jobs". A revista diz ainda que o executivo da Apple tem a habilidade para criar aparelhos "que não sabíamos que precisávamos, mas sem os quais de repente não podemos viver".
A revista "Time" chegou às bancas com o mesmo assunto na capa. Enviado em nome do veículo, o ator e comediante Stephen Fry pareceu deslumbrado depois de conversar com Steve Jobs e manipular o iPad durante dez minutos.
Ontem, o jornal "The New York Times" organizou um "live blogging" com repórteres de plantão para relatar as filas nas lojas da Apple (e na Best Buy, aonde o aparelho também chegou) e consumidores comentando o iPad.
O "Washington Post" foi um dos poucos a reagir e publicar que, com tudo isso, Steve Jobs pouco precisaria investir em publicidade -além do fato de que os jornais e as revistas também estão interessados em transformar os seus conteúdos para a leitura no aparelho.
No YouTube, consumidores postaram vídeos ontem para mostrar o iPad sendo desempacotado e fazer os primeiros comentários sobre a novidade. Entre os poucos defeitos apontados pela "Newsweek", o fato de que Steve Jobs subverte a liberdade de escolha característica da internet, fechando o sistema e obrigando os usuários a navegar no Safari e a fazer as compras no iTunes.
Outra reclamação é o fato de não ler imagens desenvolvidas com a plataforma Flash, da Adobe, responsável por cerca de 75% dos vídeos na internet. E um defeito do iPhone que por ora se repetirá: o novo computador da Apple não é multifuncional, ou seja, só é possível abrir um aplicativo de cada vez.
.......
O texto, a rigor um comercial disfarçado de notícia "objetiva", traz em sua - perdão pela palavra - semiose, uma espécie de cântico, um louvor dócil e delicadamente fanático: tens porque tem de comprar ao iPad, senão não serás feliz. O iPad será teu bezerro de ouro e somente a ele adorarás.
Lamentavelmente, nós, brasileiros, tristes trópicos,vira-latas do neoliberalismo e da globalização, ainda estamos sem data para a bênção de termos acesso, respeitoso e parvo, ao iPad. Mas o paraíso demora, irmãos. É preciso fé e esperança. Oremos.
Outra coisa: o comercial, enquanto texto jornalístico, falha em seu lide. Lide, para você que não é jornalista, é o primeiro parágrafo de uma notícia, aquele que, em tese, reúne o que há de mais importante em um fato e o relata de forma direta, clara e concisa.
O mais importante não é o lançamento em si, entende? E por que não? Porque o mais importante está no parágrafo que coloquei em itálico. Ou seja: que o usuários continuem rendendo aos donos da marca iPad. Está aí o "x" da questão: a criação de um mercado ávido por novidades, quaisquer novidades. E, desde que sejam ditas e tidas como importantes ("nós nem mesmo sabíamos que precisávamos"), passando a delas depender quase existencialmente.
O lide seria a denúncia da criação de um mercado cativo, o que a rigor não é mercado, pois mercado pressupõe competição entre marcas e produtos. O lide seria a exposição da faceta perversa desse processo comunicacional que em si, mercadologicamente, é um sistema de arquitetura fechada: as pessoas "precisam render" aos donos do iPod. Foram "feitas para isso": para gastar e dar lucro - e ninguém percebe nem se insurge ante essa atitude inumana, que é ao mesmo tempo tão humana.
Para encerrar: você acha que alguém, alguém que seja um leitor, um leitor na expressão da palavra, alguém que goste de livro, que veja no livro um ser vivo, um amigo, um parceiro, alguém refinado e de mente inquieta vai perder tempo "lendo" um livro nessa traquitana? Creia em Deus, amigo; creia em Deus...
sábado, 3 de abril de 2010
Na Folha falta até ombudsman
Emanoel Barreto
Dia 21 de fevereiro o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva assinou sua última coluna como ombudsman da Folha, sob o título "Um é pouco, dois é bom, três é demais", aludindo ao fato de que não permaneceria no posto por mais um ano, o terceiro. O cargo que o desencantou, em si não tem qualquer força ou expressividade já que não pode interferir diretamente no comando de Redação, alterar política editorial ou criticar ideologicamente o posicionamento da empresa.
Dizia o jornalistra que a iminência de um processo eleitoral em que trogloditas irão se digladiar não o interessa, por não "ter instrumental" para compartilhar situações de antropofagia política. Não com estas palavras, mas como este sentido.
Não acredito no cargo de ombudsman. Por isso, termino não acreditanto nos ombudsman. Eles são intelectuais orgânicos à empresa, fazem parte de um processo de fortalecimento de sua imagem junto ao mercado, colocando o jornal como "sério". Tanto, que sofreria uma espécie de "auditagem noticiosa" materializada na figura daquele profissional.
Não é verdade tal auditagem. Os ombudsman, a rigor, apenas ouvem reclamações de leitores e as repassam à chefia de Redação ou até mesmo à Direção do jornal. Que podem acatar a reclamação no todo ou em parte e fazer, em edição posterior, alguma retificação a respeito da matéria reclamada. Só isso.
O ombudsman é uma espécie de ornamento mercadológico regiamente pago, e integra a retórica do marketing da empresa jornalística, que com isso busca se reafirmar em termos de credibilidade. E credibilidade é coisa que falta, e muito, à Folha. No momento falta até ombusaman.
Emanoel Barreto
Dia 21 de fevereiro o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva assinou sua última coluna como ombudsman da Folha, sob o título "Um é pouco, dois é bom, três é demais", aludindo ao fato de que não permaneceria no posto por mais um ano, o terceiro. O cargo que o desencantou, em si não tem qualquer força ou expressividade já que não pode interferir diretamente no comando de Redação, alterar política editorial ou criticar ideologicamente o posicionamento da empresa.
Dizia o jornalistra que a iminência de um processo eleitoral em que trogloditas irão se digladiar não o interessa, por não "ter instrumental" para compartilhar situações de antropofagia política. Não com estas palavras, mas como este sentido.
Não acredito no cargo de ombudsman. Por isso, termino não acreditanto nos ombudsman. Eles são intelectuais orgânicos à empresa, fazem parte de um processo de fortalecimento de sua imagem junto ao mercado, colocando o jornal como "sério". Tanto, que sofreria uma espécie de "auditagem noticiosa" materializada na figura daquele profissional.
Não é verdade tal auditagem. Os ombudsman, a rigor, apenas ouvem reclamações de leitores e as repassam à chefia de Redação ou até mesmo à Direção do jornal. Que podem acatar a reclamação no todo ou em parte e fazer, em edição posterior, alguma retificação a respeito da matéria reclamada. Só isso.
O ombudsman é uma espécie de ornamento mercadológico regiamente pago, e integra a retórica do marketing da empresa jornalística, que com isso busca se reafirmar em termos de credibilidade. E credibilidade é coisa que falta, e muito, à Folha. No momento falta até ombusaman.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Charge do Laerte, na Folha
Vamos todos, irmãos
Emanoel Barreto
Vamos todos, irmãos,seguir as leis.
Vamos comprar, usar e consumir.
Pois é bom o que nos mandam os Senhores.
Desta pátria amada e mãe gentil.
Pois, se não somos o que eles determinam,
o que mais poderemos um dia ser?
Nada, a não ser tolos vazios,
que perderam de cumprir dócil destino. Eia!
Vamos todos, irmãos
Emanoel Barreto
Vamos todos, irmãos,seguir as leis.
Vamos comprar, usar e consumir.
Pois é bom o que nos mandam os Senhores.
Desta pátria amada e mãe gentil.
Pois, se não somos o que eles determinam,
o que mais poderemos um dia ser?
Nada, a não ser tolos vazios,
que perderam de cumprir dócil destino. Eia!
Bert Stern
Segredos e malícias de Marilyn Monroe
Vi esse material na Folha. Interessante registro sobre Marilyn Monroe.(EB)
"A Vida Secreta de Marilyn Monroe" (Planeta, 2010), do biógrafo de celebridades J. Randy Taraborrelli, conta a história da atriz não somente sob a luz dos holofotes e dos escândalos amorosos, mas agrupa acontecimentos dramáticos, como a esquizofrenia de sua mãe e o próprio declínio mental de Marilyn durante o processo.
O volume chegará às livrarias no dia 15 de abril. Segundo o autor, suas fontes de referência e consulta foram historiadores, chamados de "verdadeiros especialistas", atores, atrizes e até mesmo agentes do serviço secreto americano. Biógrafo de personalidades como Michael Jackson, Madonna, Grace Kelly, Diana Ross, Elizabeth Taylor e Frank Sinatra, Taraborrelli também consultou notas e matérias da década de 1950 para construir um relato preciso e esclarecedor.
Um deles é sobre o affair entre Marilyn e Sinatra. No trecho abaixo, extraído do livro, vemos uma atriz que se esforçava em chamar a atenção de um homem que havia acabado de perder a mulher (Ava Gardner). Percebemos também um artista excepcional que tentava lidar com a impotência sexual dividindo o mesmo teto com um dos símbolos sexuais de Hollywood.
Marilyn, que tinha o costume de andar nua em seu lar, perdeu aos poucos o hábito. Veja abaixo como se deu o processo, influenciado pelo próprio cantor.
Tempos difíceis
Quando passaram a morar juntos, Frank e Marilyn admitiram que ainda eram apaixonados pelos ex-parceiros. Portanto, por um tempo, não houve nenhuma ligação sexual entre eles. Apenas dividiam uma vasta solidão comum aos dois. Frank não estava interessado em nada além disso, embora fosse difícil para os amigos dele entenderem que, mesmo tendo no apartamento uma das estrelas do cinema mais assediadas, não havia nada entre eles.
O que se conta é que Marilyn havia adquirido o hábito de não se vestir quando estava em casa. Todos que a conheciam bem sabiam dessa mania. Sempre dizia que preferia ficar nua; amigos e criados estavam acostumados a vê-la au naturel. Quando se hospedou com Frank nessa época, Marilyn não alterou seus hábitos. Certa manhã, de acordo com um amigo de Sinatra, ele acordou, foi para a cozinha vestindo apenas um short, e encontrou Marilyn parada diante do refrigerador aberto, com o dedo mínimo na boca, tentando decidir se bebia suco de laranja ou de grapefruit. Estava nua. "Oh, Frankie", teria dito, provavelmente fingindo constrangimento. "Não sabia que você acordava tão cedo."
"Esse foi o fim de tudo que havia de platônico entre eles", relatou Jimmy Whiting. "Ele me contou que fez sexo com ela ali mesmo, na cozinha, contra a porta do refrigerador. 'Homem', ele comentou, 'nunca havia feito sexo daquele jeito. É uma mulher fantástica'."
"Na verdade, Frank enfrentava problemas de impotência naquele tempo. Muita bebida. O álcool estava arruinando sua vida sexual. Estava ficando velho demais para beber daquela maneira e ainda esperar uma boa performance na cama. E estava frustrado com isso, porque uma coisa de que Frank sempre se orgulhara era da habilidade de satisfazer uma mulher."
Aparentemente, Marilyn curou Sinatra de sua impotência, pelo menos por um tempo. Ela disse que não se importava com o tempo necessário para isso; estava decidida a se divertir na cama com ele. Os dois eram sexualmente inovadores. Por exemplo, de acordo com amigos de Sinatra, ele e Marilyn tinham intimidades à noite no telhado do Sands Hotel, sobre a faixa de Las Vegas. Curiosamente, um memorando datado de 30 de maio de 1959 e assinado por Jack Entratter para a equipe de segurança de hotel confirma essa história. O documento concede: "Permissão integral ao senhor Frank Sinatra para ir ao telhado do Sands Hotel nas 24 horas do dia. O senhor Sinatra se compromete a ser discreto ao entreter qualquer outro hóspede nesse local. Obrigado".
"O que ouvi no escritório foi que Marilyn e Frank tiveram uma discussão quando ela, bêbada, confessou que, enquanto tentava curá-lo da impotência, frequentemente 'fingia', não tendo obtido ela mesma satisfação sexual", lembrou Wesley Miller da Wright, Wright, Green & Wright. "Frank ficou muito aborrecido com a revelação e, aparentemente, disse: 'Jesus, se não posso satisfazê-la, então que diabos estou fazendo com ela? Por que ela tinha de me dizer isso? Precisava saber? Inferno, não, não precisava'." (Frank considerou a confissão de Marilyn uma afronta a sua masculinidade, mas outros que a conheciam bem afirmavam que ela raras vezes sentia prazer durante as relações sexuais, e que o problema era consequência dos inúmeros problemas psicológicos.)
Apesar de todos os problemas que tinha com ela, Frank sempre achara Marilyn inteligente, espirituosa, sexy e excitante. "Frank dizia que Marilyn era como um meteoro", observou a atriz Esther Williams, "e era impossível não ficar fascinado com sua jornada. Sabia-se que ela ia se chocar e se queimar, mas não se sabia como. Mas era certo que a jornada seria cintilante e incrível. A única razão que impedia Frank Sinatra de assumir um relacionamento mais sério com Marilyn, declarou, era o sofrimento que ainda experimentava com a perda de Ava. Era cedo demais. Além disso, nunca mais se envolveria com outra atriz. Prometera a si mesmo."
Mesmo se entendendo muito bem, Frank e Marilyn discutiam de vez em quando. Uma vez, ela apareceu distraída e nua em um jogo de pôquer de Frank com os amigos, algo que o enfureceu. "Leve esse traseiro gordo de volta para o quarto", explodiu. Mas não conseguia ficar zangado com ela por muito tempo. De fato amava Marilyn - embora não estivesse apaixonado por ela - e entendia suas fraquezas. Era frágil e delicada, características que Frank não apreciava em uma mulher. Jamais permitiria a nenhuma de suas mulheres o luxo da vulnerabilidade, mas, com Marilyn, era diferente. Era especial.
Depois daquele jogo de pôquer, quando os amigos foram embora, Sinatra voltou para o quarto dela, segundo recordações de Marilyn: "beijou-me no rosto, e fez que me sentisse muito especial. Daquele dia em diante, sempre me vesti para ele, mesmo que não houvesse mais ninguém em casa".
Segredos e malícias de Marilyn Monroe
Vi esse material na Folha. Interessante registro sobre Marilyn Monroe.(EB)
"A Vida Secreta de Marilyn Monroe" (Planeta, 2010), do biógrafo de celebridades J. Randy Taraborrelli, conta a história da atriz não somente sob a luz dos holofotes e dos escândalos amorosos, mas agrupa acontecimentos dramáticos, como a esquizofrenia de sua mãe e o próprio declínio mental de Marilyn durante o processo.
O volume chegará às livrarias no dia 15 de abril. Segundo o autor, suas fontes de referência e consulta foram historiadores, chamados de "verdadeiros especialistas", atores, atrizes e até mesmo agentes do serviço secreto americano. Biógrafo de personalidades como Michael Jackson, Madonna, Grace Kelly, Diana Ross, Elizabeth Taylor e Frank Sinatra, Taraborrelli também consultou notas e matérias da década de 1950 para construir um relato preciso e esclarecedor.
Um deles é sobre o affair entre Marilyn e Sinatra. No trecho abaixo, extraído do livro, vemos uma atriz que se esforçava em chamar a atenção de um homem que havia acabado de perder a mulher (Ava Gardner). Percebemos também um artista excepcional que tentava lidar com a impotência sexual dividindo o mesmo teto com um dos símbolos sexuais de Hollywood.
Marilyn, que tinha o costume de andar nua em seu lar, perdeu aos poucos o hábito. Veja abaixo como se deu o processo, influenciado pelo próprio cantor.
Tempos difíceis
Quando passaram a morar juntos, Frank e Marilyn admitiram que ainda eram apaixonados pelos ex-parceiros. Portanto, por um tempo, não houve nenhuma ligação sexual entre eles. Apenas dividiam uma vasta solidão comum aos dois. Frank não estava interessado em nada além disso, embora fosse difícil para os amigos dele entenderem que, mesmo tendo no apartamento uma das estrelas do cinema mais assediadas, não havia nada entre eles.
O que se conta é que Marilyn havia adquirido o hábito de não se vestir quando estava em casa. Todos que a conheciam bem sabiam dessa mania. Sempre dizia que preferia ficar nua; amigos e criados estavam acostumados a vê-la au naturel. Quando se hospedou com Frank nessa época, Marilyn não alterou seus hábitos. Certa manhã, de acordo com um amigo de Sinatra, ele acordou, foi para a cozinha vestindo apenas um short, e encontrou Marilyn parada diante do refrigerador aberto, com o dedo mínimo na boca, tentando decidir se bebia suco de laranja ou de grapefruit. Estava nua. "Oh, Frankie", teria dito, provavelmente fingindo constrangimento. "Não sabia que você acordava tão cedo."
"Esse foi o fim de tudo que havia de platônico entre eles", relatou Jimmy Whiting. "Ele me contou que fez sexo com ela ali mesmo, na cozinha, contra a porta do refrigerador. 'Homem', ele comentou, 'nunca havia feito sexo daquele jeito. É uma mulher fantástica'."
"Na verdade, Frank enfrentava problemas de impotência naquele tempo. Muita bebida. O álcool estava arruinando sua vida sexual. Estava ficando velho demais para beber daquela maneira e ainda esperar uma boa performance na cama. E estava frustrado com isso, porque uma coisa de que Frank sempre se orgulhara era da habilidade de satisfazer uma mulher."
Aparentemente, Marilyn curou Sinatra de sua impotência, pelo menos por um tempo. Ela disse que não se importava com o tempo necessário para isso; estava decidida a se divertir na cama com ele. Os dois eram sexualmente inovadores. Por exemplo, de acordo com amigos de Sinatra, ele e Marilyn tinham intimidades à noite no telhado do Sands Hotel, sobre a faixa de Las Vegas. Curiosamente, um memorando datado de 30 de maio de 1959 e assinado por Jack Entratter para a equipe de segurança de hotel confirma essa história. O documento concede: "Permissão integral ao senhor Frank Sinatra para ir ao telhado do Sands Hotel nas 24 horas do dia. O senhor Sinatra se compromete a ser discreto ao entreter qualquer outro hóspede nesse local. Obrigado".
"O que ouvi no escritório foi que Marilyn e Frank tiveram uma discussão quando ela, bêbada, confessou que, enquanto tentava curá-lo da impotência, frequentemente 'fingia', não tendo obtido ela mesma satisfação sexual", lembrou Wesley Miller da Wright, Wright, Green & Wright. "Frank ficou muito aborrecido com a revelação e, aparentemente, disse: 'Jesus, se não posso satisfazê-la, então que diabos estou fazendo com ela? Por que ela tinha de me dizer isso? Precisava saber? Inferno, não, não precisava'." (Frank considerou a confissão de Marilyn uma afronta a sua masculinidade, mas outros que a conheciam bem afirmavam que ela raras vezes sentia prazer durante as relações sexuais, e que o problema era consequência dos inúmeros problemas psicológicos.)
Apesar de todos os problemas que tinha com ela, Frank sempre achara Marilyn inteligente, espirituosa, sexy e excitante. "Frank dizia que Marilyn era como um meteoro", observou a atriz Esther Williams, "e era impossível não ficar fascinado com sua jornada. Sabia-se que ela ia se chocar e se queimar, mas não se sabia como. Mas era certo que a jornada seria cintilante e incrível. A única razão que impedia Frank Sinatra de assumir um relacionamento mais sério com Marilyn, declarou, era o sofrimento que ainda experimentava com a perda de Ava. Era cedo demais. Além disso, nunca mais se envolveria com outra atriz. Prometera a si mesmo."
Mesmo se entendendo muito bem, Frank e Marilyn discutiam de vez em quando. Uma vez, ela apareceu distraída e nua em um jogo de pôquer de Frank com os amigos, algo que o enfureceu. "Leve esse traseiro gordo de volta para o quarto", explodiu. Mas não conseguia ficar zangado com ela por muito tempo. De fato amava Marilyn - embora não estivesse apaixonado por ela - e entendia suas fraquezas. Era frágil e delicada, características que Frank não apreciava em uma mulher. Jamais permitiria a nenhuma de suas mulheres o luxo da vulnerabilidade, mas, com Marilyn, era diferente. Era especial.
Depois daquele jogo de pôquer, quando os amigos foram embora, Sinatra voltou para o quarto dela, segundo recordações de Marilyn: "beijou-me no rosto, e fez que me sentisse muito especial. Daquele dia em diante, sempre me vesti para ele, mesmo que não houvesse mais ninguém em casa".
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Um poema com o sentido do mundo
Emanoel Barreto
Garimpando a net encontrei o poema "Proa" de Edival Perrini.Uma pérola que compartilho, neste tempo de páscoa.
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Que venham as tormentas, que venha o que vier,
tenho o sonho comigo, o sonho é meu pastor.
O mundo da aparência não me engolirá.
Conheço bem suas manhas, meu ofício é interior:
girassol que é girassol tem proa pro amanhecer.
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Com ele eu teço o mundo, reinvento a via-láctea.
Mistérios são bem-vindos, o sonho é meu pastor.
Ou eu busco a verdade ou ela não me achará.
Minha verdade, o sonho, é pomar e é brasão.
Seu universo, os versos, fio do sim e do não.
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Encontro nele a luz, meu alimento e cor.
Que escorra a ampulheta, o sonho é meu pastor.
Emanoel Barreto
Garimpando a net encontrei o poema "Proa" de Edival Perrini.Uma pérola que compartilho, neste tempo de páscoa.
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Que venham as tormentas, que venha o que vier,
tenho o sonho comigo, o sonho é meu pastor.
O mundo da aparência não me engolirá.
Conheço bem suas manhas, meu ofício é interior:
girassol que é girassol tem proa pro amanhecer.
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Com ele eu teço o mundo, reinvento a via-láctea.
Mistérios são bem-vindos, o sonho é meu pastor.
Ou eu busco a verdade ou ela não me achará.
Minha verdade, o sonho, é pomar e é brasão.
Seu universo, os versos, fio do sim e do não.
O sonho é meu pastor, nada me faltará.
Encontro nele a luz, meu alimento e cor.
Que escorra a ampulheta, o sonho é meu pastor.
segunda-feira, 29 de março de 2010
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u713589.shtml
Ao mestre, com carinho
Emanoel Barreto
O mestre Armando Nogueira deixa os gramados da vida para encaminhar-se a outros maracanãs. No jornalismo, destacou-se como o homem que criou o Jornal Nacional. O jornalismo é assim: uma atividade para a qual parece que já nascemos talhados, pensando de um determinado modo, agindo de um certo jeito. O jornalista nasce para acompanhar a louca aventura do homem no mundo.
Quando a Globo revolucionou o telejornalismo, começando a implantar sua hegemonia, Armando foi o técnico e o artilheiro. Literalmente, gostava de alçar voos altos. Era piloto de ultraleve, águia do texto, viajor da música que tocava em sua gaita.
Viveu muito e viveu bem. Deixa uma lacuna e uma grande lição do que é ser um repórter.
Três olhares sobre minha casa
Emanoel Barreto
Ontem à noite, após 20 minutos de chuva, as "obras" de drenagem na zona sul mostraram seu resultado perverso. Fui obrigado a tirar o carro da garagem. Caso continuasse a chover, viria a inundação. E o carro, bom, o carro...
Emanoel Barreto
Minha casa vista por mim
Minha casa vista pelo avaliador, depois do que fez a Prefeitura e a sua "drenagem"
Minha casa vista pelo IPTU da Prefeitura
Ontem à noite, após 20 minutos de chuva, as "obras" de drenagem na zona sul mostraram seu resultado perverso. Fui obrigado a tirar o carro da garagem. Caso continuasse a chover, viria a inundação. E o carro, bom, o carro...
00:15 - madrugada do dia 29/03/2010, hora de colocar o carro na rua e abrir espaço para a água.
Lado interno
O gramado sumiu
A água invade a garagem
A calçada sumiu
A rua também
Lado interno - água invade a contenção de alagamento
A enchente lá fora
A enchente do lado interno
Isto foi só uma amostra daquilo que poderemos enfrentar durante o inverno.
domingo, 28 de março de 2010
http://pluralidade.files.wordpress.com/2009/03/caso-nardoni.jpg
O silêncio dos desgraçados
Emanoel Barreto
Passsada a fase sencacionalista do julgamento e condenação de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, o casal entrará para o que poderia ser chamado de o silêncio dos desgraçados. Trata-se, em todos os casos, de um acontecimento perverso: das suas origens hediondas até o comportamento jornalístico, que elevou a níveis de histeria a comoção do senso comum.
De alguma forma houve uma catarse coletiva, quando todos os males da nossa sociedade foram como que purgados na condenação dos dois. Crime houve, punição deve haver. Todavia, não é papel do jornalismo exarcerbar o tumulto dos ânimos populares. Se o Direito é manifestação de civilidade, o grito das multidões não deve servir, como mercadoria, às empresas jornalísticas para faturar audiência.
O silêncio dos dois desgraçados, seu calabouço social, deveria ser a pena em si. Jamais a imprensa agindo como falsa consciência desse mesmo social.
O silêncio dos desgraçados
Emanoel Barreto
Passsada a fase sencacionalista do julgamento e condenação de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, o casal entrará para o que poderia ser chamado de o silêncio dos desgraçados. Trata-se, em todos os casos, de um acontecimento perverso: das suas origens hediondas até o comportamento jornalístico, que elevou a níveis de histeria a comoção do senso comum.
De alguma forma houve uma catarse coletiva, quando todos os males da nossa sociedade foram como que purgados na condenação dos dois. Crime houve, punição deve haver. Todavia, não é papel do jornalismo exarcerbar o tumulto dos ânimos populares. Se o Direito é manifestação de civilidade, o grito das multidões não deve servir, como mercadoria, às empresas jornalísticas para faturar audiência.
O silêncio dos dois desgraçados, seu calabouço social, deveria ser a pena em si. Jamais a imprensa agindo como falsa consciência desse mesmo social.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Amigas e Amigos,
Tenho andado muito ocupado. Assim, não posso atualizar o Coisas de Jornal diariamente. Espero voltar a fazê-lo a partir deste fim de semana.
Abraços,
Emanoel Barreto
Tenho andado muito ocupado. Assim, não posso atualizar o Coisas de Jornal diariamente. Espero voltar a fazê-lo a partir deste fim de semana.
Abraços,
Emanoel Barreto
terça-feira, 23 de março de 2010
Acredito
Emanoel Barreto
Acredito na força das mãos que trabalham
o silêncio cúmplice dos que querem viver a sós.
Acredito nesse silêncio que
fala vozes invisíveis.
domingo, 21 de março de 2010
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg5Rvf-60cHFV6DXHbc5GiU-uvs4W-nf1N8eCoxZnK0ghOba0PEZ2s6ZouBwVyA1Vw7j9-lvNwWLUT7p7f1eiXCnkpLm04FiiKAZcOuBm3vZ_v9nnzUB3LuJaVMLYzT_T3F4BHS/s400/pobreza+67.jpg
Caras Amigas,
Caros Amigos,
Era uma vez, Pobre. Pobre era um sem-teto, sem-tudo, sem-nada, sem lenço e, principalmente, sem documento. "Sem documento", terrível e essencial detalhe. Esse foi seu grande erro: nunca ter tirado documento. Mas também pra quê? Ninguém sabia mesmo quem era ele...
Mas foi assim que, certa noite, deitado ao lado de amigos, sentindo o cheiro forte da cachaça de Marimba, velho companheiro de dias de fome, noites de frio, relento e abandono, Pobre morreu. Simplesmente, morreu. Esquecido e anônimo, foi recolhido como indigente e despejado numa vala. Sem nome, sem choro nem vela.
Chegando ao Outro Lado, encaminhou-se ao Departamento de Recepção, onde uma simpática velhinha o recebeu. Deu-lhe as boas-vindas, garantiu que ali finalmente ele seria feliz e disse para ele se encaminhar ao Setor de Cadastro. Pobre obedeceu, cabisbaixo e calado, como sempre. Lá chegando, o funcionário, um fantasma grandão, olhar de desagrado, pediu:"Documento." O problema é que Pobre, lembram?, não tinha documento algum.
Disse: "Tenho não."
O homem insistiu:"Documento."
"Que documento o senhor quer?"
O outro repondeu: "Certidão de óbito. Sem isso, nem vem que não entra."
Pobre quis saber se poderia conseguir algo, um registro provisório, alguma coisa assim. A resposta foi "não. Aqui é a eternidade, sabia? A eternidade é o para sempre do nunca mais. Não tem meio termo, nada é provisório."
Pobre perguntou então o que deveria fazer. Era muito simples, disse o homem: "Você volta, e lá no mundo você consegue o atestado de óbito. Vem para cá e entra. Vá logo, que a eternidade não espera por ninguém."
Pobre fez um esforço enorme para sair da cova rasa e, quando conseguiu chegar à superfície, estava em meio a um temporal. Calado, acostumado ao sofrimento, sofrido e abatido, encaminhou-se a uma rua deserta e ali passou a noite, deitado sob uma marquise. Dia seguinte, saiu perambulando pela cidade, à procura de uma certidão de óbito.
Foi primeiro a uma repartição pública, onde eram atendidos mendigos e explicou sua situação. Disse que tinha morrido, estava com pressa para ir para o Outro Mundo, mas os funcionários disseram que, mesmo entendendo sua situação, nada podiam fazer. Não dava para atender quem já tinha morrido. Gente morta era com o pessoal da Prefeitura, que cuidava de enterrar desvalidos. Sentiam muito.
Pobre foi até um Departamento qualquer da Prefeitura e nada. Também ali não atendiam os mortos. Pobre saiu caminhando, caminhando, até chegar a outra repartição. Ali causou sensação. Uma funcionária, toda apressadinha, anunciou aos colegas que ali estava um "morto legítimo, já pensou? Juntou gente, formou-se confusão. Um vereador que ia passando manifestou-se sensibilizado e disse que faria um pronunciamento na Câmara, em favor dos mortos sem documento. O pessoal de uma ONG se propôs a fazer uma manifestação de protesto, pois os mortos também têm direitos humanos e não podem ficar por aí, largados.
O alarido era enorme, até que uma radiopatrulha que passava, parou. Os soldados queriam saber o que se passava e logo chegaram até Pobre, que já estava desesperado e queria fugir, pois o vereador já conclamava a multidão a uma passeata reivindicatória e gritrava: "Os mortos/Unidos/Jamais serão vencidos!" Gente já pensava em se suicidar para unir-se organicamente à mobilização mortuária.
Pobre entrou em pânico e dizia: "Eu só quero meu atestado de óbito." Mas de nada adiantava. As pessoas só queriam saber "como era do outro lado e como ele havia voltado." O sargento que comandava a radiopatrulha, vendo que se tratava de um morto e, pior, de um morto desordeiro, resolveu prendê-lo. Mas, foi advertido pelo pessoal da ONG de que Pobre não estava promovendo o tumulto, era vítima dele. Assim, não poderia ser preso. Se fosse em cana, tome protesto.
Nisso, o sargento teve uma idéia, a solução para prender Pobre e acabar com a confusão. E disse: "O senhor esteje preso."
"Mas como?", quis saber o vereador. Este morto não fez nada. Morrer é crime?"
O sargento insistiu: "Morrer, pode. Morrer não é crime. Mas, no caso, trata-se de um zumbi. Zumbi é proibido. Zumbi só é permitido no Haiti e nosso país não quebrou essa patente nem tem verba para comprar os direitos de produzir zumbis. O senhor é um zumbi. Está dando alteração. Portanto, esteje preso."
Emanoel Barreto
Caras Amigas,
Caros Amigos,
Era uma vez, Pobre. Pobre era um sem-teto, sem-tudo, sem-nada, sem lenço e, principalmente, sem documento. "Sem documento", terrível e essencial detalhe. Esse foi seu grande erro: nunca ter tirado documento. Mas também pra quê? Ninguém sabia mesmo quem era ele...
Mas foi assim que, certa noite, deitado ao lado de amigos, sentindo o cheiro forte da cachaça de Marimba, velho companheiro de dias de fome, noites de frio, relento e abandono, Pobre morreu. Simplesmente, morreu. Esquecido e anônimo, foi recolhido como indigente e despejado numa vala. Sem nome, sem choro nem vela.
Chegando ao Outro Lado, encaminhou-se ao Departamento de Recepção, onde uma simpática velhinha o recebeu. Deu-lhe as boas-vindas, garantiu que ali finalmente ele seria feliz e disse para ele se encaminhar ao Setor de Cadastro. Pobre obedeceu, cabisbaixo e calado, como sempre. Lá chegando, o funcionário, um fantasma grandão, olhar de desagrado, pediu:"Documento." O problema é que Pobre, lembram?, não tinha documento algum.
Disse: "Tenho não."
O homem insistiu:"Documento."
"Que documento o senhor quer?"
O outro repondeu: "Certidão de óbito. Sem isso, nem vem que não entra."
Pobre quis saber se poderia conseguir algo, um registro provisório, alguma coisa assim. A resposta foi "não. Aqui é a eternidade, sabia? A eternidade é o para sempre do nunca mais. Não tem meio termo, nada é provisório."
Pobre perguntou então o que deveria fazer. Era muito simples, disse o homem: "Você volta, e lá no mundo você consegue o atestado de óbito. Vem para cá e entra. Vá logo, que a eternidade não espera por ninguém."
Pobre fez um esforço enorme para sair da cova rasa e, quando conseguiu chegar à superfície, estava em meio a um temporal. Calado, acostumado ao sofrimento, sofrido e abatido, encaminhou-se a uma rua deserta e ali passou a noite, deitado sob uma marquise. Dia seguinte, saiu perambulando pela cidade, à procura de uma certidão de óbito.
Foi primeiro a uma repartição pública, onde eram atendidos mendigos e explicou sua situação. Disse que tinha morrido, estava com pressa para ir para o Outro Mundo, mas os funcionários disseram que, mesmo entendendo sua situação, nada podiam fazer. Não dava para atender quem já tinha morrido. Gente morta era com o pessoal da Prefeitura, que cuidava de enterrar desvalidos. Sentiam muito.
Pobre foi até um Departamento qualquer da Prefeitura e nada. Também ali não atendiam os mortos. Pobre saiu caminhando, caminhando, até chegar a outra repartição. Ali causou sensação. Uma funcionária, toda apressadinha, anunciou aos colegas que ali estava um "morto legítimo, já pensou? Juntou gente, formou-se confusão. Um vereador que ia passando manifestou-se sensibilizado e disse que faria um pronunciamento na Câmara, em favor dos mortos sem documento. O pessoal de uma ONG se propôs a fazer uma manifestação de protesto, pois os mortos também têm direitos humanos e não podem ficar por aí, largados.
O alarido era enorme, até que uma radiopatrulha que passava, parou. Os soldados queriam saber o que se passava e logo chegaram até Pobre, que já estava desesperado e queria fugir, pois o vereador já conclamava a multidão a uma passeata reivindicatória e gritrava: "Os mortos/Unidos/Jamais serão vencidos!" Gente já pensava em se suicidar para unir-se organicamente à mobilização mortuária.
Pobre entrou em pânico e dizia: "Eu só quero meu atestado de óbito." Mas de nada adiantava. As pessoas só queriam saber "como era do outro lado e como ele havia voltado." O sargento que comandava a radiopatrulha, vendo que se tratava de um morto e, pior, de um morto desordeiro, resolveu prendê-lo. Mas, foi advertido pelo pessoal da ONG de que Pobre não estava promovendo o tumulto, era vítima dele. Assim, não poderia ser preso. Se fosse em cana, tome protesto.
Nisso, o sargento teve uma idéia, a solução para prender Pobre e acabar com a confusão. E disse: "O senhor esteje preso."
"Mas como?", quis saber o vereador. Este morto não fez nada. Morrer é crime?"
O sargento insistiu: "Morrer, pode. Morrer não é crime. Mas, no caso, trata-se de um zumbi. Zumbi é proibido. Zumbi só é permitido no Haiti e nosso país não quebrou essa patente nem tem verba para comprar os direitos de produzir zumbis. O senhor é um zumbi. Está dando alteração. Portanto, esteje preso."
Emanoel Barreto
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