quarta-feira, 12 de agosto de 2009


Em nome do Filho
Emanoel Barreto

Em Minas Gerais, a Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada, em agosto último, a devolver ao fiel Edson Luiz de Melo todos os dízimos e doações feitas por ele. De acordo com o processo movido por sua mãe, Edson, que é portador de enfermidade mental permanente, passou a frequentar a igreja em 1996 e desde então era induzido a participar de reuniões sempre precedidas e/ou sucedidas de contribuição financeira.

Segundo o advogado que representou o fiel, Walter Soares Oliveira, a quantia total a ser restituída será apurada com base nas provas, mas certamente ultrapassará os R$ 50 mil. Além de devolver as doações, a Igreja Universal ainda terá de indenizar o fiel em R$ 5 mil por danos morais.No processo consta que 'promessas extraordinárias' eram feitas na igreja, em troca de doações financeiras e dízimo.

Teria sido vendida a Edson Luiz, por exemplo, a 'chave do céu'. A vítima também recebeu um 'Diploma de Dizimista' assinado por Jesus Cristo.Com isso, as colaborações doadas mensalmente chegaram a tomar todo o salário do fiel, que trabalhava como zelador. Edson chegou a receber até um diploma de dizimista assinado por Jesus Cristo.

Em virtude do agravamento de sua doença, Edson foi afastado do trabalho, quando então passou a emitir cheques pré-datados para fins de doação à igreja. Ele ainda fez empréstimos em um banco e vendeu um lote por um valor irrisório, para conseguir manter as doações à instituição religiosa.
(Transcrição do Portal Uai a partir de post do Blog do Marcelo Moreno - as fotos não tinham crédito).
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A seita que age sob o nome de fantasia de Igreja Universal do Reino de Deus demonstra, mais uma vez, seus reais intentos: mobilizar uma multidude de ingênuos, reduzindo-os à condição de tolos. O mundo vive plenamente uma situação de incertezas. O chamado mundo secular está infestado - sempre esteve - de brumas e trevas sociais, que se traduzem junto ao senso comum em situação de angústia o que leva a muitos, facilmente, aos caminhos de apelo ao fantástico, ao sobrenatural para solucionar coisas terrenas.


Assim, qual o homem crédulo que, desesperado, impotente ante os descalabros que o acometem, não vê com boa-fé, satisfação, alegria até, o chamamento a uma religião que lhe promete inclusive a "chave do céu" e concede "diplomas" assinados por ninguém menos que Jesus Cristo, além de dinheiro e felicidade?


A manipulação das massas já nos levou a loucuras como o fascismo, o nazismo e adesão às pregações de gente como o pastor Jim Jones, cujos fiéis acabaram todos mortos, ele também, com um tiro na cabeça, em um ritual insano e macabro dia 18 de novembro de 1978.

É preciso pôr um fim a tudo isso. As ações na Justiça contra Edir Macedo precisam e devem prosperar até que, de alguma forma, pessoas, em sua candura dos simples não sejam mais exploradas, perdendo até mesmo o pouco que têm.

ZOORÓSCOPO

MOSQUITO - Quem nasce nessa casa zooastrológica é a pessoa mesquinha. Pela sua limitada capacidade intelectual ocupa sempre os pequenos cargos ou funções. Mas, dotada de inveja enorme, busca a qualquer preço satisfazer-se, mesmo que em pequenas porções. Com persistente trabalho, tiram proveito de qualquer situação em que tenham as mais mínimas possibilidades de lucrar. São os almoxarifes da corrupção e conseguem sempre apadrinhamento. Metem a mão na lama e dos seus protetores obtêm o sórdido privilégio de servir a tudo o que não presta.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Volto a atualizar o Coisas de Jornal nesta terça.
Emanoel Barreto

domingo, 9 de agosto de 2009


Um homem tão bom
Emanoel Barreto
Ele sofre. É um homem bom.
Trabalhador, honesto, é um homem bom.
Sua vida pública é impublicável.
Serviu-se sempre de ser
um homem tão bom.
Vote nele, apóie ele.
Ele é muito justo.
Vote nele. É um homem justo.
Um homem tão bom.

sábado, 8 de agosto de 2009

Volto a atualizar o Coisas de Jornal neste domingo.
Abraços.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A salvação está no disco-voador
Emanoel Barreto

Caminhava pela rua escura e estreita. Um vento frio escorria por aquele corredor de casas e batia em seu rosto encrespado, o corpo trêmulo. Lá adiante viu brilhar uma luz azul e calma. Caminhou sem pressa em sua direção. Era um disco-voador. A porta se abriu. Entrou. Antes, atirou para fora um jornal onde se lia: "Homem-bomba mata mais 15 no Iraque". O disco pratiu a velocidade estonteante. Felicidade. Afinal, estava livre da Terra.
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ZOORÓSCOPO
MINHOCA - Caros consulentes: os nascidos nesta casa zooastrológica têm, por isso mesmo, o destino traçado. São os trabalhadores humildes. Aqueles que fazem os serviços gerais, servem o cafezinho, os trabalhos de casas e mansões. São as assim chamadas pessoas invisíveis. Agem, mas não são notadas, estão presentes mas não se lhes dá atenção. Trabalham nos escuros túneis dos serviços subalternos e reclamam apenas o seu mínimo salário.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Já que está, deixa ficar
Emanoel Barreto

Um dos motivos para a manutenção de um estado de coisas onde imperam a desigualdade e injustiças sociais é a indiferença. A letargia social, que alheia o cidadão e obscurece seu juízo crítico, permite que situações históricas de exploração e espoliação se façam mais que permanentes, tornem-se eternas.

Percebemos isso agora, quando não se vê qualquer reação de sociedade civil frente ao covil em que se transformou o Senado. Aparentemente distante, a sociedade não se manifesta ante o descalabro, a imoralidade, os atos mais cínicos da tropa de choque que defende o soba maranhanse Jose Sarney.

A indiferença, assim, se transforma no motor da alienação. Tudo é festa, especialmente para aqueles que se nutrem da fome imposta ao povo. Ao que parece, salvo fato novo, nem Sarney nem os atos secretos serão banidos. As pessoas, qualquer pesquisa pode constatar, já se acostumaram com o "não vai acontecer nada", repetem esse refrão como um mantra e passam a entender as patranhas como coisa dada e natural.

Você imagina isso acontecendo nos Estados Unidos, França ou Itália? Certamente não. Primeiro, porque não aconteceria mesmo e, ocorrendo, sem dúvida as multidões acorreriam às ruas, em protestos e indignação.

Não se trata de qualidade ou característica de um povo essa indignação. Não, não é. Aqui, isso resulta de longo e leniente processo histórico de acatamento da ordem da desordem, da prevalência das elites, tornando universais os seus interesses. O brasileiro não "é", em essência, indiferente. Nenhum povo o é. Somos o amálgama secular do predomínio das elites.

E enquanto não nos acostumarmos a protestar - não falo em bagunça ou arruaças - a fazer valer nossa voz de sociedade civil, tudo ficará como está. E, como já está, tende a ficar.
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ZOORÓSCOPO

TUBARÃO BRANCO - Talvez você conheça alguém nascido neste zoosigno. São grandes, fortes - econômica e fisicamente - e podem ser facilmente vistos pilotando aquelas Hilux. As previsões indicam que seu futuro, próximo ou distante, será pleno de riquezas e fartura. Mas, acautelem-se. Não tentem casar como mulheres em Orca. Serão tragados ou se acabarão em grande luta judicial pela posse dos bens do casal em caso de divórcio.



quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Do conluio aos búfalos
Emanoel Barreto

Aos políticos, o mais das vezes, imprensa somente é boa quando deles lhes fala bem.
Quando se dá o contrário trata-se de "conluio", "conspiração de mídia". Os jornalistas cometemos erros, sim. Até por má intenção, dolo, interesses escusos do profissional ou da empresa jornalística. Mesmo assim, a presença do jornal é essencial para a manutenção da democracia, para irrigar o organismo social com a informação que brota desse mesmo social.

Jornalismo, medicina, pedagogia e direito formam os pilares de uma sociedade que se pretenda democrática. O jornal pela já mencionada divulgação; a medicina por pressupor acesso de todos à saúde; pedagogia pela presença direta na formação da consciência cidadã, e direito pela participação essencial ao arcabouço jurídico, que determina o proceder social disciplinado.

Todas, em complexo, têm ligação direta, mesmo que não percebida, com a realidade política e portanto histórica nos destinos de uma nação. O jornalismo, em sua ação cotidiana, é ator fundamental ao ecoar de alguma forma o falar e os gritos da rua. Portanto, precisa ser exercido com vigor. E todos aqueles que em seu exercício desabonam esse fazer, devem receber as punições legais.

Mas não é por isso que, sob o apanágio da legislação, se aplique a censura, com está se fazendo com o Estadão, proibido de continuar veiculando denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney.
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Zooróscopo

Búfalo: os nascidos neste zoosigno são brutais. Usam de sua capacidade para ferir, abater e atacar como forma de intimidação, portanto, de convencimento pela estupidez. Exemplo claro está no ex-presidente e hoje senador Fernando Collor, que, com olhar de fúria possessa, ameaçou o Pedro Simon quando este repudiava Sarney e citava Collor como figura nefasta à vida pública brasileira. Mulheres em Beija-flor não devem contrair matrimônio com homens de búfalo. Sofrerão horrores.


terça-feira, 4 de agosto de 2009


O leão contra os chacais
Emanoel Barreto

O que se viu ontem no Senado, com o senador Pedro Simon sob fogo cerrado de Collor de Melo e Renan Calheiros, é o que se poderia chamar de princípio da inversão: o primeiro, que a mim se afigura como uma espécie de reserva moral do Senado e do Congresso, desrespeitado por dois homens de passado e presente políticos no mínimo duvidosos.



O primeiro defendendo o que acho que já se tornou uma causa nacional: a retirada de Sarney da presidência do Senado, já que não se pode atirá-lo de lá pelas janelas da história; os dois defendendo alguém que a mim se afigura como a encarnação do que há de pior na vida pública brasileira, algo como uma síntese perfeita da corrupção e degenerescência política.
O leão contra os chacais, estes protegendo raivosamente o pedaço de lixo sob sua guarda.

Espero que hoje os canhões do parlamento voltem a troar, artilharia pesada martelando incessantemente. A imprensa, no caso, cumpre papel primordial. Jornalismo pode e deve ser a continuação da política por outros meios. Manchetes e textos devem estar a serviço da sociedade, ajudando a demolir os ídolos de pés de barro, cuja queda representará de alguma forma o resgate, mesmo que somente parcial, da honradez no Senado e no Congresso.


domingo, 2 de agosto de 2009

Desembargador Dácio Vieira; sua mulher Angela; a mulher de Agaciel, Sanzia; José Sarney; Agaciel Maia; e o senador Renan Calheiros no casamento da filha de Agaciel. (Foto: Reprodução)

O povo tá comendo vidro
Emanoel Barreto

Sob censura por decisão do desmbargador Dácio Vieira, amigo de Sarney, o Estadão assesta suas baterias procurando reverter a decisão e com isso continuar publicando matrial relativo à Operação Boi Barrica, que expõe o presidente do Senado como lamentável figura que se utiliza do cargo para beneficiar familiares, além de envolvido em sonegação de impostos.

As figuras da foto são amicíssimas. Compõem o que os americanos chamam de um "team", um time, equipe coesa e coerente com seus propósitos de continuar no olimpo do poder. É impreioso que se reverta essa decisão.

É meridianamente visível que Sarney pode e deve ser acusado por formação de família. A viscosidade moral imperante no Senado é feita à custa do sofrimento de milhões de brasileiros. Como diz Alceu Valença: "O povo tá comendo vidro. Se tá pior, vai piorar."

sábado, 1 de agosto de 2009

Sarney pede pra sair
Emanoel Barreto

A Veja informa que Sarney começa a aplainar o terreno para deixar a presidência do Senado. Isso depois de enorme mobilização da imprensa vocalizando a opinião pública nacional. Apresentado de corpo inteiro como político corrupto, portanto indigno de ocupar não apenas a presidência da Casa, mas o cargo de senador, Sarney é a expressão mais completa da cultura da indecência que contamina plenários e gabinetes decisórios.

Mas, que ninguém se engane: tipos como ele e outros que trabalham nos escaninhos do poder não nascem do nada, não vêm "de fora" da sociedade brasileira. Antes são amostras bastante exatas da nossa própria cultura do jeitinho, das facilidades, da molícia moral que tornou-se comum em nosso dia a dia, naturalizou-se, passou a ser "normal."

Assim, não são poucos os de nós que se aproveitam de um descuido do próximo para tomar-lhe o lugar na fila; se puderem dão o troco errado ao cliente; se não encontrarem resistência, levarão para casa papel e até clips da repartição onde trabalham. Você deve conhecer algum caso.

Essa macrorrealidade migra, se espalha, abrange e termina por parir no Congresso os ratos com mandato, que irão se aproveitar do cargo para enriquecer mais e mais. Nossa cultura de hedonismo civil, de misturar o público com o privado resulta no espetáculo do Senado desgraçado sob presidência degradada.

Mas o andar da história se leva o andor dos dominantes e todas as suas taras políticas, traz também a procissão dos que não são indiferentes. Sim, é possível tirar tais indivíduos da cena política. Sim, é possível, pelo menos, começar a pensar nisso.


sexta-feira, 31 de julho de 2009


O Papa é pop

Emanoel Barreto


A Folha Online diz: O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, confirmou hoje que a voz do papa Bento 16 estará presente em um CD de cantos, orações e músicas, que será lançado mundialmente até o Natal.

Com a declaração, a Santa Sé confirma a notícia que foi divulgada em Londres pela gravadora Geffen UK/Universal.
Segundo Lombardi, as gravações foram disponibilizadas pela Rádio Vaticana e o papa não teve nenhuma relação direta com a produtora britânica.
"A iniciativa nasceu da SanPolo Multimedia, que pediu à Rádio Vaticana alguns trechos da voz do Santo Padre para a produção de um CD", explicou o porta-voz.

De acordo com a Secretaria de Estado do Vaticano, fazem parte da produção oito trechos retirados de discursos e orações do pontífice em vários idiomas. No total, são menos de dez minutos de gravações da voz de Bento 16 que, depois, foram mixadas com as partes musicais.
A britânica Royal Philharmonic Orchestra gravará as composições clássicas nos estúdios Abbey Road, em Londres. O presidente da gravadora Geffen UK, Colin Barlow, disse que a voz do papa é "incrível".

"Nós estamos felizes que o papa Bento 16 mostrou apreciação e deu sua benção especial a esse projeto", disse Barlow. Mais detalhes do disco serão anunciados em setembro, em um lançamento oficial do projeto no Vaticano.
João Paulo 2º também realizou uma produção semelhante, o álbum "Abba Pater", lançado em 1999.

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A religião sempre teve um apelo ao espetacular. Missas, cultos dos mais diversos credos, cumprem rituais, liturgias grandiosas, procedimentos milenares e meticulosos. Há paramentos, roupagens dos sacerdotes, cumprindo-se de alguma forma uma encenação social, mesmo que pespegada de comportamento solene.

Com a midiatização da religiosidade a questão assume definitivamente a condição espetacular e funciona de maneira a traduzir catarse de problemas do cotidiano, suas angústias, indecisões, medos e limitações os mais diversos. A religião como válvula de escape, da mesma forma como acontece com o futebol como fenômeno de massa.

A voz do Papa agregada a um CD, mesmo guardadas as devidas reticências formais de seriedade e austeridade comportamental do pontífice, demonstra o quanto as religiões estão literalmente disputando esse tipo de "mercado" metafísico. A Igreja Católica é uma poderosa força milenar, que hoje vive momentos de confronto com outros credos cujas manifestações mágicas prometem a redenção na Terra, na forma de fortuna, fama e bem-estar.

Vamos ver se o marketing do Papa funciona nessa disputa.


quinta-feira, 30 de julho de 2009


32 anos sem Cascudo
Emanoel Barreto

Esta quinta marca os 32 anos da morte de Luís da Câmara Cascudo. Com ele fiz muitas entrevistas, conversas encantadoras sobre as coisas do povo, suas rezas, seus tempos arcaicos. Quando Cascudo morreu foi-se com ele todo um tempo. Mais velho que o século 20, como gostava de dizer, iluminava as tardes da Ribeira e luzia com o crepúsculo no Potengi. Eu estava na Tribuna do Norte. Antônio Melo era o editor-chefe. Na foto acima a figura imponente do Professor. A ilustração é do chargista Cláudio, hoje no Agora São Paulo. Saudades.

Sobre ele, recolhi na net o que abaixo se segue:
Você sabe que os contadores de histórias elegeram o historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo como protetor. A oração de "São Cascudo" faz referências ao mundo das histórias. Pare um momento e faça sua oração de hoje. “Ajude-me meu São Cascudo, / Que tem coisas nesse mundo / Que só existem nas memórias / Do povo mágico das histórias. / Quero uma lição de Geografia / Que um índio velho contaria / Para uma criança portuguesa / Se fartando com a sobremesa / De pé de moleque e brigadeiro / Junto com um peão boiadeiro. / São Cascudo, me diga o que é / Que vem de noite em um só pé, / E como me livro dessa assombração/ Meu Santo Padroeiro da Tradição. / Agora vou me deitar na rede, / Pois eu sei que o Santo entende, / Que amanhã é dia de festança / Vai ter música, aguardente e dança /Pro meu coração enamorado. /Valei-me meu São Cascudo!”

Deus virou máquina de fazer dinheiro
Emanoel Barreto

Entre perplexo e indignado vi ontem à noite, na TV, três "pastores" fazendo sentidíssimas orações quando pediam dinheiro a Deus para os fiéis de sua "Igreja". Eles estavam no mais alto ponto de uma montanha, morro, outeiro ou seja lá o que fosse. Fazia um frio de doer e os tais aparentavam contrição.

No estúdio, dois "bispos" reforçavam as orações e garantiam que uma corrente de 318 "pastores" uniria todas as suas energias espirituais para que os crentes daquele fé sanassem todas as suas dificuldades financeiras. Certamente, quando comparecerem ante os 318 sairão ungidos de notas de dólares, abrirão empresas e serão felizes para sempre.

Ao que parece, Deus não está no céu, mas na gerência de um banco...

Ao que vejo, a transformação de atos religiosos em acontecimentos de mídia, o que envolve também padres financistas, é uma espécie de sinal dos tempos. Cercada por infinidade de problemas sociais na conjuntura e na estrutura as pessoas em desespero atiram-se em direção ao divino, esperam milagres, salvação, bonança.

O resultado disso é o crescimento de seitas e igrejas midiáticas que recolhem dízimos e ganham, elas sim, muito dinheiro. Quanto aos fiéis, que continuem a rezar. Quem sabe, ganhem algo na Mega Sena.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A desgraça ou coisa parecida
Emanoel Barreto

A Globo anuncia mais um reality show, No Limite. Todos essses espetáculos cumprem um esquema básico: pessoas agrupadas para disputar dinheiro, numa espécie de representação da vida fora do show, onde é preciso lutar pela sobrevivência cotidiana. Só que ali, no teatro montado para a ação, o que se processa é uma sequência de conflitos, onde o ser humano se expõe e se dispõe a humilhações, angústias e degradações. Perversões, até.

E tudo apresentado como se fora a sagração da capacidade humana de se superar a realizar grandes feitos. É o glamour da indecência. O ritual da indignidade.

As pessoas são constrangidas a superar obstáculos e de alguma forma são seviciadas, abandonam-se às cruéis provas de resistência e asco. Tudo para ganhar um milhão. O número assume condição de coisa fabulosa, inacessível à maioria dos mortais por condições normais de trabalho, e funciona como ímã que torna remidas todas misérias morais a que se submetem os participantes.

Por instantes são alçados à condição de famosos e ao sofrimento se dá um certo charme doloroso, como se fossem heróis ou coisa parecida. Na verdade são desgraçados ou coisa parecida. E o show, no limite, comprova que a desonra tornou-se valor ou coisa parecida.

terça-feira, 28 de julho de 2009

A moça e a estátua trêmula
Emanoel Barreto

Depois, o frio que estava lá fora
caminhou para dentro da alma da
moça e ela se transformou em estátua
que tremia de medo de voltar a viver.

domingo, 26 de julho de 2009

A chuva e o humano gesto

A beleza, a grandeza, o mistério da chuva. Acompanhe nesse vídeo.
Abraços,
Emanoel Barreto


sábado, 25 de julho de 2009

Os ladravazes...
Emanoel Barreto

Os ladravazes, ah!, os ladravazes.
Os ladravazes são imunes, pois
impunes são.

Os ladravazes, ah!, os ladravazes.
Como são gordos, perfumados, cobiçosos.
Veem o mundo com seus óculos de alegria.
E riem, como riem os ladravazes.

Ganham milhões, bilhões, os ladravazes.
Estão no Congresso, nas empresas, em toda parte.
Os ladravazes, ah!, os ladravazes...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Trabalho de redação
Emanoel Barreto


A Liberdade lá vem, guiando o povo.
Muita gente morre no caminho.
Gente que até perdeu a roupa.
Porque esse homem nu em meio à guerra?

A Liberdade, essa louquinha, pensa que a vão deixar ficar.
Mas, não. Eles nunca deixam o livre exercer a Liberdade.
A Liberdade é apenas uma moça.
Que, de tão tola, esqueceu de usar o sutiã.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ouça, mas, depois, lave as mãos
Emanoel Barreto

O magnífico texto de Mauro Santayana, no Jornal do Brasil, ensina: "Há uma frase de Disraeli, o poderoso e controvertido primeiro-ministro britânico, que deveria servir para a nossa meditação. O filho de judeus convertidos ao cristianismo atribuiu a grandeza da Inglaterra ao fato de que, naquele país, os homens de bem têm (ou tinham naquele tempo) tanta ousadia quanto os canalhas. Falta essa ousadia à maioria dos homens de bem no Brasil, além de informação mais honesta. Muitos dos que, hipocritamente, berram, no Senado e pela imprensa, suas virtudes, não podem ser considerados homens honrados: basta examinar a sua vida conhecida."
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É verdade. A indiferença das mulheres e homens honrados evolui malignamente para silêncio militante a favor dos canalhas. A indiferença da nossa sociedade civil para com os movimentos felínicos de políticos, empresários e quejandos, quando em sua manifestação corrupta, permite que todos eles, em movimento sistemático, e até diria orquestral, se apoderem da coisa pública e dela façam uso.

Parece que a formação bacante de nossa sociedade migrou para a política, encontrando ali campo vasto, faustoso e debochado, que sacia fome e sede dos que tiram da boca dos desvalidos. Nada contra a adoração de Baco, a sensualidade liberta e refletida - não. Somos um povo tropical a dionisíaco.

Mas, a transformação do que é público em orgia, a transfiguração do que é sério em devassidão argentária, revela o lado inaceitável e perverso de um sistema político que se transformou em lodo.

E, nesse mundo viscoso, o Estadão online traz hoje novas gravações sobre os negócios da família Sarney. Se não ouviu, ouça. Não é gripe suína, mas, depois de ouvir, lave as mãos como recomendam os médicos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Da gripe à família Sarney
Emanoel Barreto

A Folha diz, em suas coisas de jornal, que a gripe suína matou mais seis em São Paulo; no país, já são 22 os mortos. O Estadão online traz áudio de conversas da família Sarney, se lambuzando com o dinheiro público. Assim, pendulamos de uma ameaça natural aos crimes. Esses eminentemente sociais, decorrentes de cultura política que mistura o público com o privado e faz do público coisa de uso particular.

No caso da gripe, não vejo ações de governo que venham de alguma forma assegurar que o problema seja enfrentado. A rede pública hospitalar está aos frangalhos, do Oiapoque ao Chuí. Medicação existe. E porque o Tamiflu não está sendo distribuído? É tão difícil assim? Mais difícil é a sociedade suportar o temor e as mortes decorrentes dessa pandemia que o governo mobilizar recursos para atender às emergências sociais. Lembrando que dinheiro, e muito, vai ser esbanjado com a Copa do Mundo.

Mas, é isso: de tragédia em tragédia vamos convivendo com uma e com outra. E então, pronto: tudo se torna tão comum que passa a ser normal. E sendo normal é natural. E fica tudo por isso mesmo. Nada muda e os erros somente fazem crescer.

terça-feira, 21 de julho de 2009

São Jorge, o dragão e a lua
Emanoel Barreto

Pois é: ontem foram comemorados os 40 anos da chegada do homem à lua. Preferi deixar para hoje comentário sobre o assunto. E isso porque, ontem, não consegui falar com São Jorge que, como se sabe, mora na lua, juntamente com seu cavalo branco e o dragão. Hoje falei com ele.

Demonstrou preocupação: Jorge é um cavaleiro medieval. Assim, está paramentado com sua armadura, espada, lança e escudo para enfrentar o dragão. O problema é que, desde a chegada do homem à lua, firmou-se um acordo entre as forças do mal, que uma parcela dos seres humanos representamos, e o dragão.

Agora, em vez de lançar fogo pela boca, ele dispara tiros de alto poder mortífero. E, se a armadura de S. Jorge não fosse tão poderosamente resistente, ele já teria sucumbido. Disso pode ter certeza.

Contou-me que, durante o último confronto, avançou corajosamente contra o dragão, mas ele, que agora voa, atirou-se sobre o cavaleiro numa metralha infernal. Se S. Jorge não fosse tão magnífico ginete não teria sobrevivido. Em meio ao fogo conseguiu, com a lança, atingir uma asa do dragão, que refugiou-se numa furna para tratar dos ferimentos.

Sou amigo de S. Jorge há muitos anos. Acho que desde meus oito ou nove anos nos conhecemos. Já cavalgamos juntos e participamos de grandes batalhas. Espero que meu amigo consiga continuar lutando contra o dragão. Que já abriu filial na Terra e transformou o mundo no que hoje dele conhecemos - e, pior, vivemos.


segunda-feira, 20 de julho de 2009


Psiu! Ei! Venha ser jornalista...
Emanoel Barreto

A arte de fazer jornalismo - Curso desenvolvido em parceria com a Faculdade Cásper Líbero. Direcionado a estudantes de graduação ou portadores de diploma de nível superior (de qualquer área do conhecimento) que queiram exercer ou se aperfeiçoar na profissão. A grade apresenta profissionais cuja competência permitirá esclarecimento teórico e debate de questões que se manifestam diariamente em relação à prática jornalística. Para tanto, o curso compreende desde metodologia e técnicas de redação, até os critérios de edição e implicações éticas. De 3 a 31 de agosto às segundas e quintas-feiras, das 19h30 às 22h.
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O texto acima chegou-me, enviado por colegas do Forum Nacional dos Professores de Jornalismo. É incrível, mas o que esse cursinho promete é formar um jornalista em apenas um mês. Nem corte e costura formaria em período tão, digamos, mixuruca, profissional qualificado. Trata-se, ao que sei, da primeira manifestação perversa, em termos práticos, do fim da exigência de diploma para o exercício do jornalismo.

A decisão do Supremo, que institucionalizou essa decisão mais parece resolução de um colegiado de dementes, decidindo pela revogação da lei da gravidade. Isso é grave, muito grave. E torna-se, por isso mesmo, a nova lei da gravidade a ameaçar a formação de jornalistas no país.

Agora, uma pergunta: por que em vez de fazer esse cursinho da Cásper Líbero, o pretendende a jornalista não faz vestibular e se forma numa universidade? Por quê?

domingo, 19 de julho de 2009


O novo davi... é você
Emanoel Barreto

Não, não, jamais, não é possível.
Não há davis. Jamais, só os golias.
Eles são gordos, lerdos, possessivos.
Ganham espaços à medida em que engordam.

Eles são ricos, preguiçosos, ociosos.
Estão aqui, ali, em toda parte.
Ditam leis, decretos e toda a ordem.

E neles, quando então se quer mexer,
pesam tanto, e oprimem tão maestros,
que se tornam em si a própria lei.

E você, pequeno, magro e fraco,
sucumbe - é que se curva ao peso do poder.
Não é gente; é só pequeno estorvo.
Que depois eles vão só esmagar.

sábado, 18 de julho de 2009

A luta, sempre a luta...
Emanoel Barreto

O vice-presidente José Alencar vem "lutando contra um câncer", como costumam dizer as coisas de jornal no cotidiano da imprensa. A expressão, lugar comum, é, todavia, suficientemente forte para sugerir algo de heroísmo pela resistência e capacidade pessoal de enfrentar a doença; ou martírio, pelo fato mesmo de sentir-se alguém atingido por mal terrível e do qual não há como libertar-se.

Num caso e noutro a condição humana de limitação, perplexidade e impotência perante as adversidades que, às vezes, invisivelmente nos cercam. E a possibilidade de que qualquer um de nós, eu e você incluídos, podemos sucumbir frente aos desvãos, terrores e medos da vida. Antecipadamente, espero que não.

Mas Alencar vem demonstrando, pelo que dizem as coisas de jornal, grande capacidade de luta. Uma espécie de resignação corajosa e persistente: internação após internação, cirurgia após cirurgia. O corpo invadido por medicação poderosa e ao mesmo tempo cruel; bisturis e pinças cumprindo com seu dever de maltratar para salvar.

Conheci o vice-presidente. Entrevistei-o no Xeque-Mate, TV Universitária, com meus alunos de jornalismo. Ele era candidato ao cargo. Então, perguntei se estaria numa espécie de sociedade com Lula e o PT. Uma sociedade de capital e trabalho, já que ele integra forças conservadoras em inusitada aliança com um partido de trabalhadores. Uma incoerência. Ele, como fiador junto aos segmentos conservadores, de que não havia "perigo" de se votar em Lula, cuja trajetória história o colocava como defensor do socialismo.

Descontraído, bonachão, disse que não. Que Lula podia se garantir por si só. Que não seria preciso aval dele, como empresário, para o petista conseguir chegar à eleição com o voto da conservação. Foi uma bela, instigante entrevista. Fiquei dele com a melhor das impressões. Como pessoa e como político bem-intencionado.

Dias depois do programa, recebi telegrama em que Alencar se congratulava com a iniciativa de existir um laboratório como o Xeque-Mate, e estimulava, a mim e aos jovens estudantes de jornalismo, a continuar com a proposta.

Espero que consiga superar as dificuldades. Que viva...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não é só com um chazinho
Emanoel Barreto

Não é só chá vitamina "C" e cama: a gripe suína está começando a se espalhar e as coisas de jornal da grande imprensa já falam em 11 mortos. Mais que isso, informam que a doença assumiu sua condição de "sustentada", em que a vítima não viajou a outros países em que há epidemia, nem entrou em contato com gente infectada. Ou seja: o vírus já circula no país.

O preocupante é que nossos serviços de atendimento médico-hospitalar, postos de saúde e desasistência a quem não tem plano de saúde formam quadro que podemos chamar de dramático. Caso a gripe suína se torne situação alastrada um expressivo contingente populacional estará literalmente ao abandono.

A frágil situação organizacional do Estado brasileiro o leva a colocar-se como instituição que falha na prestação de serviço público. Vamos mal na educação, segurança e saúde. O Estado não chega aos que mais precisam, aos que mais dependem do bom funcionamento de sua estrutura organizacional em termos de assistência.

Talvez seja o caso de se remeter o problema aos céus, esperando que o sobrenatural faça o que as autoridades com certeza não poderão fazer.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O castelão e seu castelo
Emanoel Barreto

Leio no Estadão: BRASÍLIA - O Conselho de Ética da Câmara arquivou nesta quarta-feira, 15, por 9 votos a 3, o processo contra o deputado Edmar Moreira (Sem partido-MG), que ficou conhecido por ser dono de um castelo. O arquivamento foi proposto pelo terceiro relator do caso, deputado Sérgio Brito (PDT-BA). As informações são da Agência Câmara. O arquivamento foi votado após duas tentativas infrutíferas de punição ao deputado do castelo.
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Há tempo, muito tempo, li o seguinte: "O lar de um homem é o seu castelo." Não sei a autoria da frase. Mas fica sugerido que ali o cidadão não poderá ser desrespeitado. E o peso da mão do Estado sobre ele não poderá se abater, desde que o senhor do castelo que se chama lar nada tenha feito de socialmente recriminável.

Agora a citação assume forma corpórea: trata-se mesmo de um castelo, e o castelão, em vez de respeitável senhor, trata-se de um arrivista, um aproveitador, protegido pelos seus iguais. É mais uma demonstração do tipo de gente que compõe o Congresso Nacional, cujas duas Casas notabilizam-se pela mais rasteira e solerte ação de rapina.

Aves de mau agouro cívico, muitos deputados e senadores dedicam seu tempo e energia a procurar formas e métodos para se locupletar, às custas de mais sofrimento ao povo a quem deveriam bem representar.

Mas a representação ali ocorre no sentido teatral do termo: eles encenam o espetáculo político em plenário. Baixado o pano, acorrem presurosos em busca das trinta moedas de Judas, que jorram de cofres apodrecidos.
Vergonha
Emanoel Barreto

Apenas para você comparar: na Noruega o ministro da Saúde foi demitido porque telefonou a um hospital público pedindo que amigo seu fosse atendido de forma preferencial. Pegou o telefone e fez o pedido. Isso causou tamanha indignação nacional que a saída foi a sua demissão imediata. A imprensa abriu manchetes, a população se indignou. E esse ato, lá entendido como de corrupção inaceitável, valeu, talvez, o fim da vida pública do envolvido.

Aqui, o presidente do Senado, José Sarney, faz contorcionismos incríveis. Está sob fogo cerrado da imprensa, a opinião pública nacional está perplexa, mas sabemos todos: nada lhe acontecerá. No máximo, talvez seja levado a renunciar ao cargo como estão pedindo as vozes mais honoráveis da Casa, como o senador Pedro Simon, do alto dos seus 80 anos, mais, muito mais da metade deles dedicados ao público.

Em conversas, tenho ouvido: para que serve o Senado? Talvez a indagação esteja fora de enquadramento. Na verdade, a pergunta seria: para que servem certos senadores? A legislação deveria contemplar com rigor esse tipo de gente, permitindo sua cassação de forma certeira e rápida, quando da ocorrência de indignidades como as perpetradas por Sarney.

sábado, 11 de julho de 2009

Diploma sim. E já!
Emanoel Barreto

Está para ser encaminhada proposta de emenda constitucional que restabelece a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. A proposta é do deputado Paulo Pimenta (PT). No Senado, tramita proposta do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).

Na Câmara o documento teve o apoio de 191 parlamentares.
Do Rio Grande do Norte, apenas Sandra Rosado (PSB) e Fátima Bezerra (PT). As informações relativas aos deputados me foram passadas por colega, integrante, como eu, do Forum Nacional dos Professores de Jornalismo.

Omitiram-se, pelo menos até agora, os deputados Henrique Alves, Betinho Rosado, Fábio Faria, Felipe Maia, João Maia, Rogério Marinho. A decisão do Supremo com relação ao diploma está eivada de um primarismo que desqualifica a condição intelectual e humanística da Corte. Revela os juristas como incapazes de entender a diferenciação palmar entre informação e opinião, sendo a primeira ato de relatar o que ocorreu, e a segunda gesto de emitir ponto de vista.

No segundo caso estaria, aí sim, o direito à livre expressão de pensamento. Os ministros confundiram tudo. Explico: quando um repórter sai à rua, ele busca encontrar no mundo acontecimento importante ou interessante, seja na rua mesmo, seja no parlamento ou locais onde se dá o confronto de ideias.

A responsabilidade, ou o direito, de manifestar opinião a respeito, está vedada ao repórter pelas próprias empresas. Em jornal somente opina quem a empresa deseja que opine, percebe? Somente pessoal da confiança da direção do jornal tem o direito, dentro da empresa jornalística, de manifestar opinião: colunistas, editorialistas, articulistas. A notícia, por sua vez, é apenas relato, sem opinião, do jornalista que a redigiu.

Colunistas e editorialistas são contradados para isso. Articulistas nem sempre são jornalistas, mas podem ser contradados, em razão de notório saber relativo a assunto ou tema, para que sobre estes façam comentários. Acho legítimo, por exemplo, Delfim Netto expor sobre economia e política, ou a filósofa Marilena Chaui tratar de questões também envolvendo o contencioso social, só para ficar nesses exemplos.

Agora, determinar que, para o exercício do jornalismo, uma pessoa não precisa ter qualquer qualificação, já que não se lhe exige o diploma, é pelo menos uma demonstração de alguma forma de ignorância ou má-fé.

Espero e confio que a legislação seja mudada e que nós, jornalistas, tomemos nosso destino em nossas mãos e passemos agir como corporação a fim de assegurar, no final do processo, o jovem estudante saia da universidade qualificado para o exercício profissional.


sexta-feira, 10 de julho de 2009


Texto para uma foto estranha
Emanoel Barreto

Devia cantar, mas, antes, não fez nada.
Devia dizer, mas, depois, calou-se.
Deveria saltar?


quinta-feira, 9 de julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O cansaço do pequeno brasil
Emanoel Barreto

O pequeno brasil cansou.
Se não de tudo, pelo menos de andar.
E depois, para aonde os passos o levarem,
chegará sempre e sempre a mais cansaço.


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Confirmada existência de funcionários-fantasmas
Emanoel Barreto

A Folha informa: Único instrumento de fiscalização das contas bancárias mantidas em sigilo no Senado, a comissão interna formada por um senador e dez servidores é uma peça de ficção. O grupo, que não se reúne há pelo menos cinco anos, é integrado por funcionários que não mais pertencem aos quadros do Senado e até por um servidor morto em 2005. Trata-se de Celso Aparecido Rodrigues, diretor financeiro do Senado. Ele foi designado para o Conselho de Supervisão do SIS (Sistema Integrado de Saúde) em agosto de 2003. Morreu dois anos depois.
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Comprovado: funcionários-fantasmas existem. Eles andam à noite pelas salas, ântecâmaras, corredores e escaninhos do Poder. Participam, influem, opinam e decidem coisas relativas aos vivos. No Senado, sabia?, têm até livro de ponto e cumprem fielmente com o seu dever, ou seja: fazer nada. Coisa que já faziam, e muito bem, quando estavam vivos. E somente porque eram vivos, "muito vivos", que conseguiram, já mesmo em vida, ser funcionários-fantasmas.

O Senado é o cenáculo onde se espicham, se espojam e vicejam tipos os mais condenáveis, que achincalham, na esbórnia de suas vidas lodosas, o dinheiro que falta ao posto de saúde, à escolinha de bairro, aos mais pobres da nação.

PS: Se você digitar neste blog a palavra "zumbi" saberá como surgiram os funcionários-fantasmas e a incrível história do seu surgimento. É de arrepiar.

domingo, 5 de julho de 2009

Ó Deus, ele morreu...
Emanoel Barreto

Deu na Folha: Mais de um milhão de pessoas se registraram na internet para o sorteio das apenas 17.500 entradas que permitirão acesso ao funeral de Michael Jackson na próxima terça-feira (7), em Los Angeles, informou neste sábado (4) em comunicado a empresa porta-voz da família do cantor.
Um total de 1.223.978 pessoas tinham se inscrito na página do ginásio Staples Center, que receberá a cerimônia, até as 17h (hora em Brasília) deste sábado.
Na sexta-feira, a empresa AEG, responsável pela organização do funeral, assinalou que abriu o processo de registro a pessoas que não vivem nos Estados Unidos, uma modificação ao anúncio realizado na manhã de quinta em Los Angeles.
Os que quiserem assistir ao memorial terão a sua disposição 11 mil entradas para o Staples Center e outras 6.500 para o teatro Nokia, a poucos metros do ginásio, onde a cerimônia será transmitida.
O funeral do rei do pop será transmitido para todo o mundo.

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A orgia midiática em torno da morte do cantor bem merece um estudo acadêmico. Há algo de profundamente histérico nesse concerto de insanidade. Histeria social pré-fabricada a partir e em torno da indústria de discos e da TV. Jackcon, um ídolo pop, um produto dessa indústria, conseguiu como que fazer a catarse da nossa idade, a idade da loucura administrada com fins de lucro.

É lamentável a sua morte, como assim também o é a morte dos que nos são próximos e nos deixarão saudades e até mesmo um dor pungente. A primeira morte, a morte do anônimo, causa a devastação amorosa dos que o querem bem. Vem o luto e a sua necessária superação. Não é o caso do saltitante artista.

A partir dela, o sistema de lucro da indústria cultural vai estabelecer seu esquema de ação: virão discos com músicas inéditas, CDs com últimas imagens, imagens raras de Jackson falando com amigos, Jackson andando, Jackson pensando, Jackcon isso, Jackson aquilo, Jackson aquilo outro...

Tudo uma manipulação até mesmo macabra, explorando até à última gota a vida de um ser humano que viveu disso e para isso: escândalos, frivolidades, bizarrices. Ah.!, dirão, mas era um artista, um ser sensível, pleno de virtudes, complexidades, problemas que somente a sua poética idissoncrática poderia fazer e se auto-compreender.

Pode até ser, mas, menos. Por favor, menos. Por trás de tudo estava o dinheiro, a narcísica e doentia necessidade da fama, o peter pan que gostava de meninos. Michael Jackson sim. Mas, por favor, menos...






sexta-feira, 3 de julho de 2009

Não há remorso
Emanoel Barreto

Não, não, não há remorso.
No vilão, no cínico, no trapaceiro.
Ele está sempre por perto, rondando os locais de oportunidade.
Audacioso e nato conspirador, atira-se sempre a maquinar intentos, levar vantagem, descobrir vítimas, fraudar a vida e viver às custas.
Não, não, não há remorso. O ladravaz terá sempre em sua mira aquele que se presta a ser roubado.


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vamos viajar
Emanoel Barreto

Vamos viajar, seguir do cais ao mar aberto.
E mesmo não sendo certo um porto de chegada,
pois é vão nosso saber insano, é preciso partir
a cada hora e chegar a sempre novos mares.



terça-feira, 30 de junho de 2009

O diabo no Senado
Emanoel Barreto

Amigos meus, versados em altos estudos, magia e grandes mistérios, acudiram a um e-mail que lhes enviei. Indagava eu a respeito da degradação moral dos senadores e seus cupinchas. Dizia estar perplexo e indignado com a fúria com que a sujeira explode dos esgotos senatoriais. Queria saber o motivo. Eles, após intensos e profundos estudos, depois de consultas as mais instigantes, cumpridos herméticos e antiquíssimos rituais, enviaram-me a seguinte mensagem:

"Barreto,

Vossas perguntas têm fundamentos que vão além do matafísico. Entendei o seguinte: os atos agora descobertos - e muitos outros virão - resultam de fenômeno jamais visto por nossos iniciados. Após lucubrarmos com grande labor, descobrimos que trata-se de coisa do Cão. Eis o que se passou nas profundas do Hades: um grupo de rezadores invadiu o inferno e começou a exorcizar todos os capetas. Os diabos entraram em pânico. Como não podiam mais ficar em suas instalações habituais, fizeram o quê? Partiram para a Terra.

"E o Senado, vale dizer, o Congresso Nacional, seria o melhor local para seu acolhimento. Chegaram a se deram bem. Assumiram postos elevados. Tornaram-se assessores, ou melhor, comparsas e ganharam muito dinheiro. Agora mesmo estão mantendo negociações com senadores. Objetivo? Garantir aos eleitores que, quem votar neles, irá para o Céu quando morrer. Claro que o pobre irá para o inferno, já que os demos estão criando um inferno novinho em folha, onde ficarão escondidos e lá receberão as novas e tolas almas.

"E os senadores, reeleitos, voltarão às patranhas, maracutaias e safadagens. Só que esquecem o seguinte: como estão negociando com diabos, com eles terão de se haver depois de passar para o outro lado...

"Cordiais Saudações,

Círculo Iniciático de Estudos Herméticos"

sábado, 27 de junho de 2009

Foto: Alize Freudenthal
Pátria amada
Emanoel Barreto

A Pátria é a mãe, o seio amado.
Aqui, de antemão o peito é morto.
E sabe-se lá quem lhe dá ao seio
a serpente que um dia a matará.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A morte de Michael Jackson
Emanoel Barreto

Vou contra a maré e sei disso: a morte de Michael Jackson mereceu destaque excessivo das coisas de jornal. Refiro-me a destaque de primeira página. Pelo tipo de pessoa que era, ou seja artista voltado para comportamentos escandalosos, sempre em busca de autopromoção, a TV seria o veículo típico para repercussão deste teor. O jornalismo impresso, mesmo devendo registrar o fato, que tem seu valor noticioso, deveria estar voltado para questões de maior essencialidade, como política e problemas sociais.

Isso demonstra o quando o formato televisivo contaminou o fazer do impresso, impregando-o com seus valores e enquadramentos. Parto de uma questão que sempre me faço se sou encarregado de determinar uma pauta aos repórteres: até que ponto esse notícia influirá na vida das pessoas? Qual o seu potencial de mudança socialmente positiva ? No caso de Jackson, nada.

Claro é de de lamentar a morte de alguém ainda jovem; claro que foi um artista importante. Mas, daí a ocupar radicalmente o lugar de uma manchete voltada para o social, vai uma larga distância. Que ele, depois de tudo o que fez e do que foi acusado, descanse em paz.

quinta-feira, 25 de junho de 2009






A resistência dos maus
Emanoel Barreto


O Estadão diz: Alvo de investigação da Polícia Federal, o esquema do crédito consignado no Senado inclui entre seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney - neto do presidente da Casa, o senador José Sarney (PMDB-AP). De 2007 até hoje, a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda, empresa de José Adriano, recebeu autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos aos servidores com desconto na folha de pagamento. Ao Estado, o neto de Sarney disse que seu "carro-chefe" no Senado é o banco HSBC. Indagado sobre o faturamento anual da empresa, ele resistiu a dar a informação, mas depois, lacônico, afirmou: "Menos de R$ 5 milhões."
...
Impressiona-me ao nível da perplexidade como o poder nas mãos dos corruptos chega a pontos tão elevados. O velho soba Sarney pai é uma espécie de ente tentaculado, a espalhar suas más influências de tal forma que torna a coisa pública algo privado.
Resiste com inenarrável capacidade a todas as pressões, oculta-se, move-se, age, dribla acusações e agora diz: está sendo alvo de campanha midiática que visa sua destituição do cargo de presidente da Casa.

Sarney é apenas um ator político, apenas a parte do iceberg que avulta no mar de lama em que flutua o Senado. A Casa é corrupta medularmente. Sarney e seus iguais, que são muitos, representam o que há de pior da cena política brasileira. E ao que parece, isso não vai mudar tão cedo.


terça-feira, 23 de junho de 2009

...e aí, em Mossoró ficou todo mundo com cara de otário...
Emanoel Barreto

Vi estarrecido, no YouTube, a presença de dois atores do Pânico na TV exopondo ao ridículo a cidade de Mossoró. O pior é que foram pagos pela Prefeitura para "fazer a divulgação" do evento Mossoró Cidade Junina. Fizeram e fizeram bem feito: a cidade foi escrachada como sendo o "inferno", "ovo podre" e distante da "civilização".

Caracterizados como o presidente Lula e como Cristian Pior (referência a Cristian Dior), deram um espetáculo de grosseria e brutalização dos valores de um povo. O ator que representava Lula desfazia e degradava qualquer pessoa com quem falasse. Cristian Pior, uma figura ridícula e efeminada, perpetrava cenas degradantes, ofendia as pessoas, agredia a dignidade de quem caísse sob as lentes de sua produção.

Acho que caberia à Prefeitura alguma atitude. Afinal, os atores agiram de má-fé e desprezaram qualquer resquício de ética. Suponho que algum advogado encontrará em seu comportamento alguma tipificação criminal que os faça receber punição.
Quanto à Prefeitura, pagou caro pela humilhação que ela própria mandou chamar.