A Justiça de topless"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
domingo, 11 de janeiro de 2009
A Justiça de toplesssábado, 10 de janeiro de 2009
A faixa de gazeMASSACRE DE GAZA É TEMA DE PALESTRA NA OAB
O Comitê Potiguar de Solidariedade ao Povo Palestino promove nessa terça-feira (13.01.2009), às 18h00, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção do Rio Grande do Norte, uma palestra sobre a questão palestina, com o Professor Hanna Safieh, palestino radicado no Brasil. A palestra faz parte da programação de protesto contra o massacre que Israel vem promovendo na Faixa de Gaza, onde o exército e a aviação israelenses vêm bombardeando e matando a população civil, o que é considerado crime de genocídio.
Na sexta-feira o Comitê realizou um Ato Público de Solidariedade ao Povo Palestino no calçadão da Av. João Pessoa, em Natal-RN, no qual foram exibidas faixas com fotos de crianças, mulheres e idosos trucidados pelas tropas de Israel na Faixa de Gaza e cartazes e faixas pedindo o fim do genocídio do povo palestino. Durante o ato foi queimada uma bandeira de Israel diante dos mais de cem militantes de partidos políticos, sindicados, outras entidades e cidadãos.
Na ocasião Hanna Safieh criticou a forma como o massacre vem sendo tratado pelas autoridades, mostrando que as Nações Unidas levaram catorze dias para encontrar um texto muito fraco para abordar o assunto. O representante do povo palestino afirma que “não podemos criar uma filosofia de ódio”, defendendo que “temos de combater essa tendência, porque ideologia de ódio só traz mais ódio”.
Nota distribuída pelo PSTU afirma que “Os judeus foram o povo que mais sofreu os horrores da Segunda Guerra Mundial, com a política de limpeza étnica e de assassinatos em massa desferidos pelo Estado nazista alemão, com a qual milhões de judeus morreram nos campos de concentração, vítimas dos horrores da guerra.”
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O mundo parou. Ou foi o disco rígido? terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O silêncio, o silêncio belo
O silêncio, o silêncio belo
*Emanoel Barreto
Silêncio.
Uma criança linda dorme atrás da porta.
Ali, o tranquilo berço enche de amores um sonho inocente.
Ali, o olhar tão meigo da mamãe-menina amamenta
a Vida que a ela chegou.
* Palavras de um Avô ao Neto que ainda vai nascer.
ZOORÓSCOPO
BICHO-PREGUIÇA - Quando alguém é lerdo, pesadão, compreende as coisas com dificuldade e comemora com um sorriso amolecido o fato de ter entendido por que dois mais dois são quatro, vôce está à frente de alguém nascido sob tal zoosigno. São pessoas absolutamente imprestáveis, não por serem más; apenas, por sua absoluta incapacidade de prestar-se a alguma coisa que não seja dormir e bocejar. São de boa índole, ingênuos e parvos. Ocasionalmente, podem ser utilizados pelos nascidos em cobra para fazer o mal, sem saber que estão prejudicando outra pessoa. Mas, se encontrar alguém assim, ajude: ele lhe retribuirá com um sorriso tão toscamente enternecido, que lhe valerá como um belo por de sol.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Se o jornalismo não mostra, a ficção nos traz o medo
Emanoel Barreto
Esse novo noticiário - Pouco depois das 11 da noite de hoje, a Record estreia a série "A lei e o crime". A produção pode ser tida como apenas mais um investimento da emissora na sua teledramaturgia, inspirada no sucesso do filme Tropa de elite. Todavia, pode-se lançar um olhar também jornalístico, uma visão mais aprofundada a respeito de uma realidade que o jornalismo mesmo não enquadra em sua cotidianidade televisiva.
A série, provavelmente, não tem intenção de questionar a realidade dos morros, sua miséria - moral e material - mas há uma possibilidade de ampliação do olhar sobre essa parcela da vida brasileira, das "comunidades" como hoje são chamadas suas populações. Mas, esse efeito não pretendido será inevitável, caso se tenha um olhar que vá além dos propósitos meramente comerciais e melodramáticos da emissora.
A extinta TV Manchete chegou a realizar programas jornalísticos em que o policiais, com microfones presos ao corpo, eram seguidos pelas equipes de jornalismo, obtendo-se assim um efeito de realidade. O telespectador sentia-se como que transportado, em presença do que ocorria. Os soldados ofegantes, cansados, tensos, falavam aos tropeços, enquanto davam andamento a suas missões.
Mesmo admitindo-se o sensacionalismo, percebia-se ali o ser humano em momentos pungentes, em perigo, em medo. Agora, com a investida da Record no filão aberto por Tropa de elite, será possível entrevivermos como se dá a vida no crime com uma profundidade algo maior que a do noticiário.
De alguma forma isso é jornalismo, pois é inevitável a comparação, tal a proximidade que há entre o noticiário e a ficção, unidos pelo hifen social da brutalidade. O discurso visual dos enquadramentos das câmeras é assemelhado, com o detalhe de que o panorama da favela será mostrado em detalhes pelo olho do cinegrafista cinematográfico.
Sintetizando: é preciso que uma obra de ficção venha a público para, de alguma forma, suprir algo deixado ao lado pelo jornalismo. A questão dos morros do Rio é um dado da realidade que as TVs não aprofundam, perdendo-se num noticiário episódico e superficial.
ZOORÓSCOPO
MOSCA - São os aproveitadores. Vivem de pequenos expedientes, contentam-se com pouco, mas infernizam a vida de quem trabalha. São inúteis, fúteis e inconsequentes. Festeiros que só eles, esquecem que sempre há um dia seguinte. E que, depois da festa, vem sempre a ressaca.
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ISRAEL BOMBARDEIA A HUMANIDADE
Walter Medeiros – walterm.nat@terra.com.br
Uma noite de horror, maior que o horror que Israel vem espalhando há décadas, se abate sobre a Faixa de Gaza. Um horror decorrente de uma reação furiosa, desmedida, covarde e vil. Uma invasão que chamam de guerra, quando de um lado estão os tanques, aviões, foguetes e bombas, lançados indiscriminadamente sobre uma população inteira, atingindo crianças, mulheres e idosos indefesos, que vão morrendo às centenas.
Já houve quem dissesse que Israel tem uma ânsia de destruição, uma sede de sangue, e uma torpe vontade de cometer assassinato em massa. Que dilacera a carne de um povo espoliado e massacrado na terra-mãe milenar. Mas a liberdade de um povo, assim como a sua poesia, dilacerada e bela – diz o poeta - ressurge e escapa da destruição, empunhando um fuzil ou um poema, armas de guerra.
Essa verdadeira tragédia não é apenas uma questão regional. É uma tragédia para o mundo inteiro, porque se trata da pratica de uma injustiça. E essa injustiça é considerada uma ameaça para a paz mundial.
O juiz federal Ali Mazloum e o promotor de justiça Nadim Mazloum definem muito bem juridicamente a situação ao afirmarem em artigo publicado na revista Consultor Jurídico que “Um pretexto é o emprego de uma razão fictícia para dissimular a verdadeira intenção. ‘Nós perseguimos os terroristas do Hamas, que se escondem intencionalmente no seio da população’, disse Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, para justificar a recente (atual) matança...’”
Lembram que “Essa crueldade ocorre no momento em que o mundo comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada em 1948 pelas Nações Unidas (ONU).
Pouco depois, esse mesmo intrigante organismo internacional veio a promulgar a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. Para a ONU, secundando a definição cunhada pelo judeu polaco Raphael Lemkin, genocídio é o assassinato deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e políticas. Pode referir-se igualmente a ações deliberadas com o objetivo da eliminação física de um grupo humano segundo as aludidas categorias.”
Explicam mais que “Pelas Convenções de Genebra e pelo Estatuto de Roma, a utilização de força aérea contra a população civil é crime de guerra. O genocídio é crime contra a humanidade.” E indagam a seguir: “Por que o mundo está indiferente ao assassinato em massa na Palestina? Onde estão os promotores do Tribunal Penal Internacional – TPI – que não promovem os devidos indiciamentos de autoridades israelenses?”.
O mundo precisa perceber que cada bomba lançada por Israel solta estilhaços em toda a humanidade. Da mesma forma que a invasão ilegal do Iraque custou caro a esta mesma humanidade, principalmente àquela nação, que já sofreu cerca de 100.000 baixas, enquanto mais de 4.000 americanos também perderam a vida, segundo dados oficiais. É preciso que cidadãos de todas as nações digam “basta”, para que – no dizer daqueles juristas – “não roubem das crianças palestinas o direito à vida”.
domingo, 4 de janeiro de 2009

Em Gaza, a morte temporária
Emanoel Barreto
Nuvem de chumbo sobre Gaza - A morte vem do céu nas asas de uma bomba. De lado a lado ira, raiva, medo, decisão de chegar à solução final. Mas, enquanto essa solução não chega, enquanto um lado não consegue que o outro se transforme em cinzas e morra para sempre, eles vão morrendo temporariamente e renascem a cada nova bomba que garante, do outro, a morte temporária.
ZOORÓSCOPO
Pomba da Paz - São poucos, muito poucos, os que são desse zoosigno. É mais fácil ser falcão. São temidos, são temíveis, enquanto os de Pomba da Paz perdem-se em apelos e buscas incessantes para que este velho mundo encontre afinal um ramo de oliveira.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Nãum cei maiz ezkever quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
À Vida e à sua sagraçãoterça-feira, 30 de dezembro de 2008
Assim caminha a humanidadesegunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Israel agora prepara o holocausto dos palestinosEmanoel Barreto
Choro e ranger de dentes - Israel, ao que parece, prepara seu holocausto ao voltar-se contra o povo palestino na Faixa de Gaza. A desproporcional reação israelense em resposta a ataques feitos com foguetes de construção caseira, demonstra como o poderio desse aliado dos americanos pode ser usado contra pessoas indefesas.
Os atentados terroristas do Hamas, deploráveis pela requintada crueldade com que são praticados, não justificam o que Israel agora programa: perpetrar um ataque por terra, quando se sabe que esse tipo de guerra, com o apoio de carros de combate, equivale a um extermínio quando tem por alvo populações civis em área urbana. Se isso ocorrer, milhares de inocentes serão mortos.
O povo de Israel tem se apresentado ao mundo, há milhares de anos, como ente coletivo que vem padecendo sob a opressão de várias nações, desde os egípcios até Hitler. É verdade. Israel sangrou e sofreu brutalmente. Esse padecer chegou a seu ápice, exatamente, com a barbárie nazista. Mas agora, invertendo os Pólos, Israel, como nação, ameaça atirar-se sobre população indefesa e executar quem estiver pela frente.
ZOORÓSCOPO
Sucuri - Se homens, os nascidos nesta casa zooroscópica, são traiçoeiros. Têm atitudes disfarçadas e sabem a hora exata para dar o bote. Se mulheres, utilizam-se de todos os seus encantos para chegar a seus fins. Caras e caros consulentes de Sucuri: devem ter cuidado quando de suas manobras, pois muitas vezes se metem com pessoas de Carcará que, como se sabe, quando podem pegam, matam e comem.
sábado, 27 de dezembro de 2008

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Flexibililizar para melhor poder explorar
Emanoel Barreto
É sempre assim - Pelas coisas de jornal que vi na internet, há setores empresariais, especialmente na área de supermercado, que desejam a "flexibilização" das leis trabalhistas. Tomam como base as vendas de fim de ano, que não teriam sido tão boas como desejavam. E, "para conter o desemprego" que deverá advir com a crise, querem que a legislação mude.
Objetivamente, o que o empresariado quer é exatamente o oposto do que o seu discurso apregoa: que fique mais fácil demitir-se o trabalhador, ao invés de assegurar-se o seu emprego durante a crise. Dizem que, com uma legislação flexibilizada, será mais fácil assegurar o emprego e a empregabilidade.
"Flexibilização", para quem não percebeu ainda, é nada menos que um eufemismo para facilitação ne exploração dos trabalhadores, seu desamparo e perda de conquistas históricas. Não sei se a proposta, que está sendo analisada pelos supermercadistas de S. Paulo, que pretendem do governo a obtenção da derrubada de leis trabalhistas, ganhará força, formando um lobby perante o Congresso. Mas sei que em sua essência, esse movimento não tem qualquer boa intenção, ao contrário do que anda dizendo.
ZOORÓSCOPO
Mosca - Sabe aquela pessoa chata, insistente, que não tem nada o que dar, mas está sempre a exigir tudo? É de Mosca, pode ter certeza. Detalhista como aquela mosquinha insuportável que você espanta e ela volta um minuto depois, para o mesmo lugar, o mosquiano é assim. Não tem limites para suas investidas, seja no amor, no trabalho ou nas relações pessoais. Quer sempre ser o centro das atenções e, para isso, torna-se cada vez mais do contra. Quando está em bando, os de Mosca são como aquelas moscas que atacam o gado: o infeliz que esteja sob alvo de sua artilharia sofre, até pedir perdão por existir.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Coisas de Natalterça-feira, 23 de dezembro de 2008
As crianças em busca do NatalEmanoel Barreto
Eles sobem o morro da vida,
vão em busca do seu Papai Noel.
É Natal e esperam noite e dia
que um dia afinal lhes seja bom.
São crianças, são pobres, pequeninos.
Manjedoura é sempre o seu pão.
E caminham sem rumo numa vida
que sempre vazia de amor.
ZOÓROSCOPO
Aedes Aegypti - Quem nasce sob essa casa zoosígnica age em bando, é uma epidemia social. Não se cansa de sugar o que é dos outros e, depois disso, deixam como rastro a desolação. Facilmente encontráveis no serviço público e têm seus sonhos realizados mediante expedientes de suborno, falsificação, ganhos ilegais. Dizem aos filhos que devem ser bons, mas envergonham-se de informar como pagam seus estudos em escolas e universidades particulares.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Madonna é só uma ilusão de ótica
Emanoel Barreto
Não veio para ficar - A foto é da revista Serafina, da Folha. Trata-se de uma publicação mensal. Colocada alegoricamente como na tela como Cristo, a intenção é mostrar como a cantora Madonna tem a seu lado um grupo de assessores competentes, dedicados, quase que extensão de sua personalidade.
A idéia, uma grande sacada em termos de edição, busca retratar Madonna como figura central na cultura pop, o que é uma verdade. Como também é verdade que a artista é apenas um produto da indústria cultural. Não tem um trabalho "para sempre". Quando esmaecer, as músicas que canta jamais serão parâmetro para o futuro, como os Beatles, BB King ou Rolling Stones.
Madonna é um exemplo perfeito de como o transitório é trabalhado para parecer eterno. A repercussão intensiva de sua imagem pública é apenas isso: repercussão intensiva, pois não conseguirá escapar do poder do tempo, o que a faria extensiva e marco para sempre.
Madonna somente ganha força em função dos atos periféricos que traz atados à sua personalidade de palco: coreografia, sexualidade, jogo de luzes e bailarinos saltitando a seu redor.
Cantando sozinha, sem a parafernália tecno-humana que engendrou, jamais conseguiria chegar onde chegou. Madonna é somente isso: uma ilusão de ótica. Tão ilusão quando a montagem feita pela Serafina.
Zooróscopo
Corcel - Zoosigno dos líderes, marca as pessoas que têm visão de futuro, estão adiante de seu tempo e têm energia e capacidade de chamar a si seguidores. Os corcelianos são enérgicos, exigentes, não suportam falhas nem perdoam tropeços. Está aí o lado mais difícil: agindo assim, vêem nas pessoas apenas sua função, esquecendo que o ser humano está acima da profissão ou papel que esteja desempenhando. Podem ser injustos e somente muito tempo depois reconhecem o seu erro. Como são imperiais, muito provavelmente terão a seu lado seguidores, mas dificilmente terão amigos. Quando em desgraça, poucos aparecerão para lhes valer.
sábado, 20 de dezembro de 2008

Era maconha? Tudo bem: é coisa de jovem...
Emanoel Barreto
Amigo, poeta a jornalista, Walter Medeiros vez por outra me envia seus textos, belos, como o que se lê a seguir:
Uma saudade e mais
A jornalista e professora Nadja Lyra, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Santa Catarina, localizada no conjunto que tem este mesmo nome, convidou-me para proferir a Aula da Saudade dos alunos do 5º ano e sugeriu que falasse sobre “Saudade”. Que coisa! Passei uma semana refletindo sobre esse tema tão fascinante, a partir de experiências próprias e versos dos poetas e músicos que tanto mexem com o nosso coração.
De cara fui logo aos anos 50, quando aprendia a ler no Grupo Escolar Professor Demócrito Gracindo (homenagem ao pai de Paulo Gracindo) em Mata Grande, cidade do alto sertão de Alagoas aonde meu pai foi parar matando mosquito da dengue, após passar pela guerra sem matar nenhum alemão. Depois que aprendi a juntar as letras e sílabas, era belo entender o que estava escrito no pára-choque branco do caminhão de Nezinho, meu vizinho: “A saudade me fez voltar”. Ficava imaginando a saudade que le sentia a cada viagem que fazia com aquelas cargas altas de antigamente.
Em seguida, veio à mente uns versos que não poderia deixar de citar na aula: “Itabira é apenas uma fotografia na parede / mas como dói!”, escritos por Drummond no seu poema “Confidências de Itabirano”. E o significado da palavra – substantivo feminino abstrato - segundo Aurélio: “Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.”
Aí veio mais uma coisa interessante para aumentar a saudade, que tanto espaço ocupa nesse mundo: ela tem um dia para ser lembrada e comemorada. O Dia da Saudade – 30 de janeiro. Para lembrar que essa palavra não tem similar em nenhuma outra língua e que espanhóis, ingleses, franceses, alemães e outros tentam expressar o sentimento de falta com frases inteiras, tipo “ich vermisse dish” (alemães).
Aquela platéia me reconduzia mesmo era à minha sala de aula, onde Professora Josefina Canuto me ensinava e, depois, no Externato Saturnino – já em Natal, a professora Maria das Neves trazia novidades. Coincidentemente a professora de uma das turmas se chama Neves. Impossível não lembrar de Ataulfo Alves, exclamando: “Que saudade da professorinha / que me ensinou o be-a-bá!”.
Para falar de saudade não poderia deixar de citar o Fado – gênero que tanto me toca e que tocou até Roberto Carlos, ao cantar Coimbra: “Aprende-se a dizer saudade”. Fernando Pessoa, em texto saudoso: “Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: quem são aquelas pessoas? Diremos... Que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!” E é claro que citei Casimiro de Abreu , cujos poemas eu os tinha decorados, e que versificou sua saudade da infância: "Oh! que saudades que eu tenho / Da aurora da minha vida / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais!".
Agora estou, sem dúvida, com uma saudade a mais.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
A festa de Ali Babá; a farra dos 40 ladrõesEmanoel Barreto
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
O chope, o champanhe e o que virásegunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O velho Marx ainda tem razão
Emanoel Barreto
Grita a Crise, louca, venenosa.
Grita e diz não saber porque
seu dinheiro se foi e a conta é alta.
Grita e se diz vítima fatal, injustiçada,
de todos a quem, tanto, já prejudicou.
O Mercado, pai amado e louco,
bebeu demais, gastou, se embriagou.
E agora, ao berros, desesperado,
pede à filha amparo, um abraço, um teto.
Sabe que errou, jogou, irresponsável...
Sabe que não sabe tudo.
E que, no fundo, bem no fundo,
o velho Marx ainda tem razão.
ZOORÓSCOPO
Garça - Eis que encontramos o zoosigno dos calmos, serenos, bem resolvidos. Sua placidez muitas vezes é confundida com desconcentração ou até mesmo fraqueza. Ledo, grande engano.
Os de Garça sabem, sempre, o momento exato de levantar o vôo. E os laços e teias ficam para trás, embaixo e esquecidos.
domingo, 14 de dezembro de 2008
É dinheiro do povo? Então, mete bala!sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Veja só como são belas, tolas, fulgurantes
Emanoel Barreto
Enfeitadas, mas não, nunca são loucas: é assim o mundo, o mundo mesmo.
Risíveis, mas já foram elegantes.
Ridículas, mas então eram beldades.
E muitas viviam e vivem ainda hoje,
como se o ridículo que um dia serão,
seja belo, intenso, magnífico.
Pois esse é o pálido destino de
muitas vidas que em vão, se vão.
ZOORÓSCOPO
Libélula - É o tolo, inconstante, gazeteiro. Em nada pára e flutua pelo ar. Fala muito e nada diz. Seu futuro é apenas o momento que vive. As previsões não são nada alvissareiras: pela sua inconstância jamais terão amigos leais, pela sua frivolidade são também péssimos amigos ou amigas. Quem for de Corcel jamais deverá unir-se a Libélula.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Foto: Folha de S. PauloAs mãos sobre o sangue derramado
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Emanoel Barreto
sábado, 6 de dezembro de 2008
Foto: Thaís Emy Ohata Emanoel Barreto
Tempos difíceis - As coisas no País não estavam nada boas. A inflação campeava, o desemprego crescia e a violência tornava-se institucional. As pessoas não agüentavam mais e cresciam os protestos proporcionalmente à ascensão do descalabro. Os partidos de oposição, minoritários, pouco ou quase nada podiam fazer.
Insatisfeito com as mobilizações, atos públicos, passeatas, gritos e manifestações do povo desesperado, o Governo fez aprovar uma lei: por ela, ficava determinado que cada pessoa teria um limite máximo de palavras em seu repertório. E quanto mais se falasse mal do governo, mais o estoque de palavras iria se acabando, até que todos ficariam mudos. Claro, quem falasse a favor, ganharia bônus e até aumentaria o vocabulário, passando até a conhecer termos sofisticados, já pensou?
Sim: depois de mudo, previa a lei, ninguém poderia se comunicar usando aquele sistema dos surdos-mudos, lembra? Era pena de morte na certa. Quem quisesse experimentar, que tentasse. Todos se curvaram.
E assim, a lei entrou em vigor logo depois de ser aprovada. Em menos de seis meses todo o povo estava mudo. Até os bandidos ficaram sem poder falar. Os bandidos não gostavam da ação da polícia, que mesmo corrompida os atacava. E como os bandidos reclamavam, ficaram também mudos. Resultado: ninguém escapou, até que afinal o Governo sentiu-se satisfeito.
Mas conseqüências não-programadas logo se fizeram ouvir: como a comunicação dos surdos-mudos estava proibida e somente os gestos básicos, esses que a gente faz para chamar alguém ou dar adeus, não conseguem uma comunicação muito eficiente, instalou-se o caos.
As fábricas pararam, os bancos deixaram de funcionar e escolas, hospitais, lojas enfim, tudo desmoronou. Os únicos lugares que ainda funcionavam eram bares, boates, motéis e bordéis, onde a voz não é essencial. Nos bares e etc, os músicos, impedidos de cantar, tocavam e isso garantia o público. Ou seja: somente em ambientes de baderna as coisas funcionavam bem.
O Governo então compreendeu que não poderia mais conviver com aquela situação. Todos bêbados e sem trabalhar. Prestes a chegar à bancarrota, o Governo decidiu: revogue-se a lei do silêncio. Todos poderão falar. Mas, de agora em diante, estarão impedidos de pensar.
TARTARUGA - Em matéria de preguiça são imbatíveis. Portanto, os prenúncios indicam que jamais chegarão a ganhar dinheiro, a não ser em loterias ou jogos de azar. No trabalho serão excelentes incapazes; na vida, eternos sonolentos.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Eles querem matar a AmazôniaEmanoel Barreto
Veja só - A bancada ruralista tenta aprovar, com apoio do Ministério da Agricultura, proposta que libera a plantação de mudas de dendê na Amazônia e anistia todos os grandes agricultores que plantaram em áreas de preservação permamente até 31 de julho do ano passado.
A ação brutalizadora sobre a amazônia é reflexo do tipo da mentalidade que tem hegemonia nos patamares dirigentes da sociedade, seja do ponto de vista privado, seja da parte do Poder. Ou seja: uma compreensão estreita de que a natureza é um recurso, não um patrimônio da humanidade.
Nossa sociedade civil não é forte, é difusa e alienadiça, não tem porta-vozes suficientemente capazes de arregimentar a opinião pública para o crime de lesa-humanidade que está em curso. As conseqüências dessa ação predatória já se fazem funebremente sentir: aumento da temperatura, chuvas ácidas, degelo no pólo, destruição de rios e florestas.
Mentes voltadas somente para o capital e o lucro têm as rédeas do mundo e farão, sim, elas farão, do mundo um grande inferno. Lamentável, não?
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ZOORÓSCOPO
Beija-flor - É o zoosigno das mulheres belas, belíssimas; encantadoras fadas das mais lindas visões. Elas são alegres, sua presença reluz, tem tonalidades furta-cor nos cabelos e os olhos são meigos como a formosa dos cantares de Salomão. Mas, saibamos: podem ser, pela própria natureza do seu zoosigno, inconstantes, volúveis, voluntariosas. É um perigo uma mulher somente bela.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Cadeia para quem precisa de cadeia
Emanoel Barreto
A Folha informa - O ministro Tarso Genro (Justiça) comemorou nesta quarta-feira a decisão do Judiciário de condenar o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, a dez anos de prisão por corrupção ativa. Sem entrar no mérito da decisão, Tarso afirmou que o país vive um momento de "harmonia" entre as instituições, que cumprem suas funções, sem diferenciar os denunciados. "O Brasil não estava acostumado a ver figurões [condenados]. E aqui não estou julgando se ele é culpado ou não", disse.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
O lobo simpático e sua pele de cordeiroEmanoel Barreto
Se o lobo tem pele de cordeiro, cara mansa, jeito meigo e cordial, tem calma, ó leigo viajante, que a fera não é feita de papel. Para fugir é preciso engenho e arte. Sutilezas de grande espertalhão.
Foge agora, quando ainda tens o tempo. Amanhã, estará a te atacar.E quando, por incauto, caíres na emboscada, lembra o conselho que antes te diziam: "É um lobo em pele de cordeiro." Mas será tarde, ó tolo desvairado. Os lobos, como ninguém, sabem ser os mais ternos e lindos cordeirinhos. E como mordem.
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...ZOORÓSCOPO
Abelha - Zoosigno das pessoas que são equilibradas: sabem trabalhar, mas também divertir-se, viajar. Podem parecer inconstantes, mas, na verdade, são apenas bastante ativos. Ou então, estão viajando. São corretos, prestativos, cumpridores de seus deveres. Mas, se são explorados ou ofendidos, ninguém se engane: o abelhinano sabe como ninguém se defender. Previsão de vida: saberão gozar das delícias do mel, pois trabalharam muito para ter esse direito.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Emanoel Barreto
