domingo, 11 de janeiro de 2009

A Justiça de topless
Emanoel Barreto

E ela resolveu se mostrar - Fontes bem informadas comunicaram-me que há poucos dias, na França, uma mulher que posteriormente foi identificada como sendo Themis, a deusa da Justiça, apareceu sem a parte de cima do biquine numa praia de nudismo. Por mais estranho que possa parecer, foi presa. Levada a um juiz, ela ainda tentou defender-se, dizendo que na praia todos estavam nus, enquanto ela, pelo menos, usava a parte de baixo do maiô.

Perplexa, disseram ainda as fontes, Justiça disse que a ação da polícia era um absurdo. E quis saber o real motivo de sua prisão, lembrando que tivera a idéia de fazer topless porque no Olimpo as coisas estavam calmas demais, chegando quase ao tédio. Ao insistir com o magistrado quanto ao motivo de estar detida, manteve com ele o seguinte diálogo, revelaram as fontes:

- Sr. Juiz, por que estou aqui?
- O que a senhora estava fazendo naquela praia? - indagou o juiz.
- Eu estava, como as demais pessoas, experimentando a liberdade de expor meu corpo. Que mal há nisso, já que a praia era de nudistas? - rebateu Justiça.
- Mas, - reagiu o magistrado - a senhora não estava fazendo mais algo?
- Como assim? - respondeu, perplexa. - Fazendo o quê?

- A senhora estava falando, conversando com alguém? - detalhou ele.
- Estava, estava falando- admitiu ela.
- Então, estava fazendo mais do que exibir-se seminua - continuou o juiz.

- Mas, há algum problema em falar? - questionou a bela mulher.
O juiz sustentou seu olhar no olhar de Justiça e disse: - E o que dizia?
Ao que ela respondeu: - As pessoas estavam me perguntando quem eu era. Diziam que era bela como Themis e eu respondi que não era bela como Themis: eu era, ou melhor sou Themis, a deusa da Justiça. E agradeci os elogios.

Ao que o juiz respondeu: - Ahhhh... Está aí o motivo da sua prisão. A Justiça não existe. É uma balela. É apenas uma lenda, entende? Uma lenda belíssima, criada pelos gregos antigos. E como os deuses gregos, como se sabe, jamais existiram, a senhora também não existe, e ao dizer que existe estava enganando as pessoas, dizendo que a Justiça existe. Assim, cometeu um crime, foi presa. E insisto: como juiz, sei que a Justiça não existe, é apenas uma lenda grega. E, quem disser o contrário, será preso também.

Bateu o martelo, dando o caso por encerrado.

sábado, 10 de janeiro de 2009

A faixa de gaze
Emanoel Barreto
Os gritos e o sengue derramado - O sofrimento, a dor, o corpo ferido; a morte como perigosa companhia. Um povo preso na Faixa de Gaza, que a bala enlouquecida transformou em gaze a envolver os cadáveres e o pavor dos que ficaram. O furor, a hecatombe, o grito, o desespero. O sentido de humanidade é morto sempre e quando um inocente tomba. E seus corpos estarão sempre insepultos.

ZOORÓSCOPO

MARIMBONDO - Pessoas intratáveis, dão muito valor ao que lhes pertence. Por exemplo: você já conseguiu por a mão numa casa de marimbondos? Pois assim é como os desse zoosigno. Têm a seu favor, porém, algo muito importante: são trabalhadores, exigentes consigo mesmo. Perfeccionistas, cobram também de seus auxiliares o mesmo desempenho. São honestos. Mas, dotados de temperamento explosivo, usam de excessiva agressividasde e até violência quando se sentem ou se supõem atacados.
......

MASSACRE DE GAZA É TEMA DE PALESTRA NA OAB
Walter Medeiros

O Comitê Potiguar de Solidariedade ao Povo Palestino promove nessa terça-feira (13.01.2009), às 18h00, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção do Rio Grande do Norte, uma palestra sobre a questão palestina, com o Professor Hanna Safieh, palestino radicado no Brasil. A palestra faz parte da programação de protesto contra o massacre que Israel vem promovendo na Faixa de Gaza, onde o exército e a aviação israelenses vêm bombardeando e matando a população civil, o que é considerado crime de genocídio.

Na sexta-feira o Comitê realizou um Ato Público de Solidariedade ao Povo Palestino no calçadão da Av. João Pessoa, em Natal-RN, no qual foram exibidas faixas com fotos de crianças, mulheres e idosos trucidados pelas tropas de Israel na Faixa de Gaza e cartazes e faixas pedindo o fim do genocídio do povo palestino. Durante o ato foi queimada uma bandeira de Israel diante dos mais de cem militantes de partidos políticos, sindicados, outras entidades e cidadãos.

Na ocasião Hanna Safieh criticou a forma como o massacre vem sendo tratado pelas autoridades, mostrando que as Nações Unidas levaram catorze dias para encontrar um texto muito fraco para abordar o assunto. O representante do povo palestino afirma que “não podemos criar uma filosofia de ódio”, defendendo que “temos de combater essa tendência, porque ideologia de ódio só traz mais ódio”.

Nota distribuída pelo PSTU afirma que “Os judeus foram o povo que mais sofreu os horrores da Segunda Guerra Mundial, com a política de limpeza étnica e de assassinatos em massa desferidos pelo Estado nazista alemão, com a qual milhões de judeus morreram nos campos de concentração, vítimas dos horrores da guerra.”
Por outro lado, diz que “ao mesmo tempo em que é necessário reafirmar o repúdio aos crimes de guerra praticados pelo nazismo contra o povo judeu, é preciso também reconhecer que atualmente o que está sendo praticado pelo Estado de Israel contra o povo palestino se assemelha em muito ao método de eliminação física e limpeza étnica utilizado pelos nazistas na segunda guerra.”
Uma nota do Comitê Potiguar de Solidariedade ao Povo Palestino afirma que “Esses ataques de Israel ao Povo Palestino são parte integrante da política imperialista comandada pelos Estados Unidos da América no controle da região estratégica do Oriente Médio” e defende “uma tomada de posição clara do Conselho de Segurança da ONU condenando o genocídio e determinando que Israel cesse imediatamente a agressão”.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O mundo parou. Ou foi o disco rígido?
Emanoel Barreto

Computador, esse estranho - O computador, esse ser de alma virtual, enigmático em seus mecanismos impalpáveis, impediu-me de atualizar o blog nos últimos dias. Enquanto isso, as coisas de jornal informam que Israel continua matando sem compaixão ou limites; no Brasil, uma professora cortou o dedo de uma aluna; na Índia, outra cegou uma pequena estudante por ter errado a resposta de uma pergunta e as montadoras de automóveis reduziram a produção. É a crise, dizem.

Estranho mundo, estranhos computadores. Entre a enormidade de um e a complexa pequenez de outro, um liame forte: ambos manifestam a face do homem; esse sim, esquisito, excêntrico, implacável. E, nas coisas que faz, produz ou pensa, encontra sempre um meio de mostrar o quanto pode ser mau.

ZOORÓSCOPO

LIBÉLULA -Saltitantes, vazios e elegantes, voejam de lado a lado, sem rumo, destino ou pensar. No amor, jamais serão sinceros. No dinheiro, jamais pensam como resultado do trabalho, mas como coisa a ser esbanjada. Formam um péssimo par com Abelha.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O silêncio, o silêncio belo


O silêncio, o silêncio belo
*
Emanoel Barreto

Silêncio.

Uma criança linda
dorme atrás da porta.
Ali, o tranquilo berço enche de amores um sonho inocente.
Ali, o olhar tão meigo da mamãe-menina amamenta
a Vida que a ela chegou.
* Palavras de um Avô ao Neto que ainda vai nascer.

ZOORÓSCOPO

BICHO-PREGUIÇA - Quando alguém é lerdo, pesadão, compreende as coisas com dificuldade e comemora com um sorriso amolecido o fato de ter entendido por que dois mais dois são quatro, vôce está à frente de alguém nascido sob tal zoosigno. São pessoas absolutamente imprestáveis, não por serem más; apenas, por sua absoluta incapacidade de prestar-se a alguma coisa que não seja dormir e bocejar. São de boa índole, ingênuos e parvos. Ocasionalmente, podem ser utilizados pelos nascidos em cobra para fazer o mal, sem saber que estão prejudicando outra pessoa. Mas, se encontrar alguém assim, ajude: ele lhe retribuirá com um sorriso tão toscamente enternecido, que lhe valerá como um belo por de sol.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009


Se o jornalismo não mostra, a ficção nos traz o medo
Emanoel Barreto

Esse novo noticiário - Pouco depois das 11 da noite de hoje, a Record estreia a série "A lei e o crime". A produção pode ser tida como apenas mais um investimento da emissora na sua teledramaturgia, inspirada no sucesso do filme Tropa de elite. Todavia, pode-se lançar um olhar também jornalístico, uma visão mais aprofundada a respeito de uma realidade que o jornalismo mesmo não enquadra em sua cotidianidade televisiva.

A série, provavelmente, não tem intenção de questionar a realidade dos morros, sua miséria - moral e material - mas há uma possibilidade de ampliação do olhar sobre essa parcela da vida brasileira, das "comunidades" como hoje são chamadas suas populações. Mas, esse efeito não pretendido será inevitável, caso se tenha um olhar que vá além dos propósitos meramente comerciais e melodramáticos da emissora.

A extinta TV Manchete chegou a realizar programas jornalísticos em que o policiais, com microfones presos ao corpo, eram seguidos pelas equipes de jornalismo, obtendo-se assim um efeito de realidade. O telespectador sentia-se como que transportado, em presença do que ocorria. Os soldados ofegantes, cansados, tensos, falavam aos tropeços, enquanto davam andamento a suas missões.

Mesmo admitindo-se o sensacionalismo, percebia-se ali o ser humano em momentos pungentes, em perigo, em medo. Agora, com a investida da Record no filão aberto por Tropa de elite, será possível entrevivermos como se dá a vida no crime com uma profundidade algo maior que a do noticiário.

De alguma forma isso é jornalismo, pois é inevitável a comparação, tal a proximidade que há entre o noticiário e a ficção, unidos pelo hifen social da brutalidade. O discurso visual dos enquadramentos das câmeras é assemelhado, com o detalhe de que o panorama da favela será mostrado em detalhes pelo olho do cinegrafista cinematográfico.

Sintetizando: é preciso que uma obra de ficção venha a público para, de alguma forma, suprir algo deixado ao lado pelo jornalismo. A questão dos morros do Rio é um dado da realidade que as TVs não aprofundam, perdendo-se num noticiário episódico e superficial.

ZOORÓSCOPO

MOSCA - São os aproveitadores. Vivem de pequenos expedientes, contentam-se com pouco, mas infernizam a vida de quem trabalha. São inúteis, fúteis e inconsequentes. Festeiros que só eles, esquecem que sempre há um dia seguinte. E que, depois da festa, vem sempre a ressaca.

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ISRAEL BOMBARDEIA A HUMANIDADE
Walter Medeiroswalterm.nat@terra.com.br

Uma noite de horror, maior que o horror que Israel vem espalhando há décadas, se abate sobre a Faixa de Gaza. Um horror decorrente de uma reação furiosa, desmedida, covarde e vil. Uma invasão que chamam de guerra, quando de um lado estão os tanques, aviões, foguetes e bombas, lançados indiscriminadamente sobre uma população inteira, atingindo crianças, mulheres e idosos indefesos, que vão morrendo às centenas.

Já houve quem dissesse que Israel tem uma ânsia de destruição, uma sede de sangue, e uma torpe vontade de cometer assassinato em massa. Que dilacera a carne de um povo espoliado e massacrado na terra-mãe milenar. Mas a liberdade de um povo, assim como a sua poesia, dilacerada e bela – diz o poeta - ressurge e escapa da destruição, empunhando um fuzil ou um poema, armas de guerra.

Essa verdadeira tragédia não é apenas uma questão regional. É uma tragédia para o mundo inteiro, porque se trata da pratica de uma injustiça. E essa injustiça é considerada uma ameaça para a paz mundial.

O juiz federal Ali Mazloum e o promotor de justiça Nadim Mazloum definem muito bem juridicamente a situação ao afirmarem em artigo publicado na revista Consultor Jurídico que “Um pretexto é o emprego de uma razão fictícia para dissimular a verdadeira intenção. ‘Nós perseguimos os terroristas do Hamas, que se escondem intencionalmente no seio da população’, disse Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, para justificar a recente (atual) matança...’”
Lembram que “Essa crueldade ocorre no momento em que o mundo comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada em 1948 pelas Nações Unidas (ONU).


Pouco depois, esse mesmo intrigante organismo internacional veio a promulgar a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. Para a ONU, secundando a definição cunhada pelo judeu polaco Raphael Lemkin, genocídio é o assassinato deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e políticas. Pode referir-se igualmente a ações deliberadas com o objetivo da eliminação física de um grupo humano segundo as aludidas categorias.”

Explicam mais que “Pelas Convenções de Genebra e pelo Estatuto de Roma, a utilização de força aérea contra a população civil é crime de guerra. O genocídio é crime contra a humanidade.” E indagam a seguir: “Por que o mundo está indiferente ao assassinato em massa na Palestina? Onde estão os promotores do Tribunal Penal Internacional – TPI – que não promovem os devidos indiciamentos de autoridades israelenses?”.

O mundo precisa perceber que cada bomba lançada por Israel solta estilhaços em toda a humanidade. Da mesma forma que a invasão ilegal do Iraque custou caro a esta mesma humanidade, principalmente àquela nação, que já sofreu cerca de 100.000 baixas, enquanto mais de 4.000 americanos também perderam a vida, segundo dados oficiais. É preciso que cidadãos de todas as nações digam “basta”, para que – no dizer daqueles juristas – “não roubem das crianças palestinas o direito à vida”.

domingo, 4 de janeiro de 2009


Em Gaza, a morte temporária
Emanoel Barreto

Nuvem de chumbo sobre Gaza - A morte vem do céu nas asas de uma bomba. De lado a lado ira, raiva, medo, decisão de chegar à solução final. Mas, enquanto essa solução não chega, enquanto um lado não consegue que o outro se transforme em cinzas e morra para sempre, eles vão morrendo temporariamente e renascem a cada nova bomba que garante, do outro, a morte temporária.

ZOORÓSCOPO

Pomba da Paz - São poucos, muito poucos, os que são desse zoosigno. É mais fácil ser falcão. São temidos, são temíveis, enquanto os de Pomba da Paz perdem-se em apelos e buscas incessantes para que este velho mundo encontre afinal um ramo de oliveira.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Nãum cei maiz ezkever
Emanoel Barreto

Phara kê tamta mudanssa? - Por obra i graçça di huma rreforrrma hortográphica dezneceçária, toduz os paízes lusófonos aghora precizam mudhar a grafhia de muitaz palavraz. Thrata-si di umma confuzão babélica, improçedente e cen qualker hutilidade prrátika.

Rezultado: no kê me dis rezpeito, não cei maiz eskrrever. U akordo trans-forrma o huso simpl's, coztumeiro e ezato da palavra eskrita numa algaravia, kê maiz se açemelha a huma rreunião de loukos tratamdo do secso dos anjus.

Aliáz, kom as mudansas, ceria mezmo ótmo que começáçemos a diskutir eças koisas, não hé mezmo? Falamdo em secso dos anjus, serão êlis mninas ou mninos? Si foren, s'tá eixplikada a comfuzão do mundu. Komo si pode emtregar ha crianssas, messmu kê selestiais, a protessão do mundu? Tollinhos kê sóh êlis, us anjus deicharam kê u mundu si encaminhaçe aa cituassão kê oje vivemos: tirus, bonbas i u kê maiz si pouder inmaginar.

Maiz, si us anjus nãom foren mninos ou mninas? Será kê sãom diabretes, atiradus ezatamente ha nuiz levar au dezespêro e au mêdo? Por kê nimguém si abalanssou ha pegar akeles matreirinhoz, a seguirr metendu-us nhum reforrmatório? Nãom cei, nãum emtemdi.

Hi aghora, kuanto ha min, vélio homen de jorrnau, nasçido i crriado nais redassões, desdi us tempus di mákina di escrrever, nadha maiz rezta, ha nãom cer resar i temtar aprremder ais regras, novinhaz em fôlia.

Anteiz di encerrar, umma informassão: ven ahi oltrra rreforrma: ha da matemátika. Pêlu kê pude cer imformadu núz maiz aultuz sírculus sientíficus, ais reprezentassões numéricaz vão cer subistuídaz pêluz augariztimuz romanuz.

Ezenplu: phara çomar, vossê pega XXXI e coloca assima de XIV, depoiz pôi embaicho L, e maiz abaicho XL e açim suceçivamente.
Ezenplu: vamus çomar:
XIV
XXX
III
LXV
LVIII
XIX
IX
X - Rezultado da çoma: yu, 5959l99o99mmjaçpq,kid
Eintendeu? Quandu çomar tudu, therá forrmadu umma krônica. Ha krônica da loukura. Ôu a lethra de umma múzika. Depoiz, xame hum múziko, hele pôi us akordiz e ha melodhia i teremuz afinau u "Çamba du krioulo doidu". Prontu: çó fauta grravar ein cêdê i faser u maihor çuçeço. U gramde plobrema vhai cer camtar. Maiz issu hé oltra eistória... Toduz estharãom falandu matemátika i nãum maiz ein portugueis i ninguéin vahi emtemder ninguéin. Prontu. Nãum erha issu u kê êlis queriaum?

ZOORÓSCOPO

AVESTRUZ - Nossa primeira análise do ano volta-se para os nascidos em tal casa. completamente loucos, metem-se nas maiores confusões. Não por maldade, mas por sandice mesmo. E então, quando desesperados, atiram a cabeça num buraco esperando que o problema desapareça. Gostam de formular grandes planos. Na cabeça, tudo dará certo. Exemplo: divagam. Jogam na mega-sena e passam a deambular mil especulações. Alguns chegam a contrair dívidas, que serão pagas com a dinheirama. Quando despertam, estão mais pobres do que antes e escondem-se atrás da primeira porta que encontram.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

À Vida e à sua sagração
Emanoel Barreto
O brinde, a taça, o gesto alegre.
A sentença do tempo esquecida
na hora dos fogos.

É o Homem festejando sua louca aventura
grandiosa. Vertigem.

Vamos dar rédeas soltas aos cavalos.
Velocidade, rapidez, grandeza.

Sem medo, vamos prosseguir
na estrada.

Jamais alcançaremos o seu final,
pois a Vida não tem marca de chegada.

Viver é estar correndo sempre.
Evoé!

ZOORÓSCOPO -

UIRAPURU - Seu cantar é o mais belo da floresta. Neste zoosigno, os nele nascidos são os poetas. Mas seu canto não é apenas o de brindar a beleza, o gesto nobre, humano, belo. Suas vozes podem se erguer em gritos de denúcia, reclamando direitos, respeito, decisão, luta. São de Uirapuru os artistas, os loucos sublimes, que dentro de si tiram sons e cores, acordes e canções. Não gostam de acomodar-se e sempre se atiram aos mais altos desafios. Repelem o medíocre, o previsível, as regras caducas. Partem ao combate, pois não temem os riscos. Chegam à vitória, mesmo que os outros pensem que perderam.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Assim caminha a humanidade
Emanoel Barreto

Esse velho-novo todo dia - Como as páginas amassadas de um velho livro já muitas vezes lido, folheio a net. Jornais daqui e do mundo apenas requentam a pequena eternidade de todos os dias; seus conflitos, perplexidades, ganâncias, atrocidades. Aqui e ali, alguma coisa boa, mas são tão poucas...

Isarel prepara um morticínio ante a inação das grandes potências. Na África, a aids mata milhares. Ali, a fome e guerras internas dilaceram a humanidade de povos que vivem à miséria, depois de despojados de suas riquezas pelas potências européias. Nada de novo no front. Apenas a perpetuação de crimes dos fortes contra os fracos.

Como uma fogueira quase apagada, as chamas da brutalidade são sopradas com força pelos que mais podem. E logo as labaredas tornam a brotar, queimando, queimando, queimando...

Nas dobras do velho livro que olho, letras, palavras, frases, fotos, tudo se emaranha e se apresenta como uma mensagem sem nexo, sentido ou intenção. O que resta, afinal, depois da leitura, é a certeza de que tudo está incerto e tão certo como dois e dois são cinco.

ZOORÓSCOPO

TARTARUGA - As pessoas aparentamente lentas, quase invisíveis em seus movimentos calmos, são deste zoosigno. Na verdade não são lentas, são serenas. Sabem encaminhar os passos de sua vida sem alarde e mergulham quando sentem que é preciso sair de cena. Nem sempre são compreendidas, mas, sábias, não se atemorizam com as críticas. Afinal, conhecem bastante do mundo para pedir aplausos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Israel agora prepara o holocausto dos palestinos
Emanoel Barreto

Choro e ranger de dentes - Israel, ao que parece, prepara seu holocausto ao voltar-se contra o povo palestino na Faixa de Gaza. A desproporcional reação israelense em resposta a ataques feitos com foguetes de construção caseira, demonstra como o poderio desse aliado dos americanos pode ser usado contra pessoas indefesas.

Os atentados terroristas do Hamas, deploráveis pela requintada crueldade com que são praticados, não justificam o que Israel agora programa: perpetrar um ataque por terra, quando se sabe que esse tipo de guerra, com o apoio de carros de combate, equivale a um extermínio quando tem por alvo populações civis em área urbana. Se isso ocorrer, milhares de inocentes serão mortos.

O povo de Israel tem se apresentado ao mundo, há milhares de anos, como ente coletivo que vem padecendo sob a opressão de várias nações, desde os egípcios até Hitler. É verdade. Israel sangrou e sofreu brutalmente. Esse padecer chegou a seu ápice, exatamente, com a barbárie nazista. Mas agora, invertendo os Pólos, Israel, como nação, ameaça atirar-se sobre população indefesa e executar quem estiver pela frente.

ZOORÓSCOPO

Sucuri - Se homens, os nascidos nesta casa zooroscópica, são traiçoeiros. Têm atitudes disfarçadas e sabem a hora exata para dar o bote. Se mulheres, utilizam-se de todos os seus encantos para chegar a seus fins. Caras e caros consulentes de Sucuri: devem ter cuidado quando de suas manobras, pois muitas vezes se metem com pessoas de Carcará que, como se sabe, quando podem pegam, matam e comem.

sábado, 27 de dezembro de 2008



O tempo, a vida e o que mais será
Emanoel Barreto

O tempo, esse desafio - O tempo passa rápido como aquela gota que caiu de seu corpo - e você nem percebeu quando saía da água - no último mergulho do verão. Agora, vem novamente mais um verão e você também nem percebeu como foi depressa o ano, entre um e outro.

Você nem percebeu que, de repente, de menino encapetado ou menininha linda, tornou-se um adulto cheio de, por que não dizer, periféricos: contas para pagar, casa, automóvel, problemas os mais diversos, decepções, algumas alegrias.

O tempo anda ao nosso lado, caminha passo a passo conosco. Se temos serenidade, calma, um pouco de sabedoria que seja, ele será amigo, confidente, orientador, profeta do dia seguinte. Se não, será o pior dos nossos inimigos.

Há um minuto, 2008 estava começando. Agora, faltam poucos segundos para se acabar. Daqui a mais uns minutos, bom, daqui a mais alguns minutos estaremos frente a frente com a velhice - esse período que marca a nossa corrida para o fim, o não-tempo.

Se soubermos chegar à velhice trazendo dentro de nós a juventude domada e tornada sábia, seremos equilibrados e renascidos em nossos netos. Se não, teremos sido vividos pelo tempo. E no nosso último instante saberemos que tudo não valeu a pena.

Mas, sejamos otimistas. Cada cabelo branco, que seja um aliado; cada ruga de preocupação, uma irmã; cada passo já cansado, uma lembrança de que fomos vencedores na grande caminhada. E no abraços de nossos filhos e netos, uma réstia da alegria que ainda temos guardada em algum canto secreto da Vida que em nós se aninhou.

ZOORÓSCOPO

ÁGUIA - Coragem e decisão. Essa é a síntese dos nascidos nesse zoosigno. Terão sempre grande capacidade para enfrentar problemas e desafios. Os de Águia são assim: eternos lutadores. Capazes de enfrentar em solidão os piores momentos e deles sair sempre renovados. Aptos, permanentemente, a partir para a batalha sem temer em que resultará a sua luta. Coragem é a sua essência, desprendimento seu legado, firmeza a sua fortuna.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008


Flexibililizar para melhor poder explorar
Emanoel Barreto

É sempre assim - Pelas coisas de jornal que vi na internet, há setores empresariais, especialmente na área de supermercado, que desejam a "flexibilização" das leis trabalhistas. Tomam como base as vendas de fim de ano, que não teriam sido tão boas como desejavam. E, "para conter o desemprego" que deverá advir com a crise, querem que a legislação mude.

Objetivamente, o que o empresariado quer é exatamente o oposto do que o seu discurso apregoa: que fique mais fácil demitir-se o trabalhador, ao invés de assegurar-se o seu emprego durante a crise. Dizem que, com uma legislação flexibilizada, será mais fácil assegurar o emprego e a empregabilidade.

"Flexibilização", para quem não percebeu ainda, é nada menos que um eufemismo para facilitação ne exploração dos trabalhadores, seu desamparo e perda de conquistas históricas. Não sei se a proposta, que está sendo analisada pelos supermercadistas de S. Paulo, que pretendem do governo a obtenção da derrubada de leis trabalhistas, ganhará força, formando um lobby perante o Congresso. Mas sei que em sua essência, esse movimento não tem qualquer boa intenção, ao contrário do que anda dizendo.

ZOORÓSCOPO

Mosca - Sabe aquela pessoa chata, insistente, que não tem nada o que dar, mas está sempre a exigir tudo? É de Mosca, pode ter certeza. Detalhista como aquela mosquinha insuportável que você espanta e ela volta um minuto depois, para o mesmo lugar, o mosquiano é assim. Não tem limites para suas investidas, seja no amor, no trabalho ou nas relações pessoais. Quer sempre ser o centro das atenções e, para isso, torna-se cada vez mais do contra. Quando está em bando, os de Mosca são como aquelas moscas que atacam o gado: o infeliz que esteja sob alvo de sua artilharia sofre, até pedir perdão por existir.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Coisas de Natal
Emanoel Barreto

Chegou, é hoje o dia.
É noite também.
Noite de Natal.

Tem gente feliz,
tem gente que nem.
Tem gritos, tem festa,
tem ouro no ar.

Recebam, ó todos,
um abraço bem forte.
Na festa chamada
de Feliz Natal.
Zooróscopo

Tamanduá - Fortes, persistentes, capazes de chegar aos locais mais escondidos, quem é de Tamanduá tem também como característica a falsidade. Seu abraço é a marca maior e expressão mais vigorosa da traição. Na aparente confraternização está o momento preciso do gesto mais traiçoeiro. Quando as coisas não vão bem abaixam-se e andam engatinhando. Depois, erguem-se e partem para o ataque.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

As crianças em busca do Natal
Emanoel Barreto

Eles sobem o morro da vida,
vão em busca do seu Papai Noel.
É Natal e esperam noite e dia
que um dia afinal lhes seja bom.

São crianças, são pobres, pequeninos.
Manjedoura é sempre o seu pão.
E caminham sem rumo numa vida
que sempre vazia de amor.

ZOÓROSCOPO

Aedes Aegypti - Quem nasce sob essa casa zoosígnica age em bando, é uma epidemia social. Não se cansa de sugar o que é dos outros e, depois disso, deixam como rastro a desolação. Facilmente encontráveis no serviço público e têm seus sonhos realizados mediante expedientes de suborno, falsificação, ganhos ilegais. Dizem aos filhos que devem ser bons, mas envergonham-se de informar como pagam seus estudos em escolas e universidades particulares.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008



Madonna é só uma ilusão de ótica
Emanoel Barreto

Não veio para ficar - A foto é da revista Serafina, da Folha. Trata-se de uma publicação mensal. Colocada alegoricamente como na tela como Cristo, a intenção é mostrar como a cantora Madonna tem a seu lado um grupo de assessores competentes, dedicados, quase que extensão de sua personalidade.

A idéia, uma grande sacada em termos de edição, busca retratar Madonna como figura central na cultura pop, o que é uma verdade. Como também é verdade que a artista é apenas um produto da indústria cultural. Não tem um trabalho "para sempre". Quando esmaecer, as músicas que canta jamais serão parâmetro para o futuro, como os Beatles, BB King ou Rolling Stones.

Madonna é um exemplo perfeito de como o transitório é trabalhado para parecer eterno. A repercussão intensiva de sua imagem pública é apenas isso: repercussão intensiva, pois não conseguirá escapar do poder do tempo, o que a faria extensiva e marco para sempre.

Madonna somente ganha força em função dos atos periféricos que traz atados à sua personalidade de palco: coreografia, sexualidade, jogo de luzes e bailarinos saltitando a seu redor.
Cantando sozinha, sem a parafernália tecno-humana que engendrou, jamais conseguiria chegar onde chegou. Madonna é somente isso: uma ilusão de ótica. Tão ilusão quando a montagem feita pela Serafina.

Zooróscopo

Corcel - Zoosigno dos líderes, marca as pessoas que têm visão de futuro, estão adiante de seu tempo e têm energia e capacidade de chamar a si seguidores. Os corcelianos são enérgicos, exigentes, não suportam falhas nem perdoam tropeços. Está aí o lado mais difícil: agindo assim, vêem nas pessoas apenas sua função, esquecendo que o ser humano está acima da profissão ou papel que esteja desempenhando. Podem ser injustos e somente muito tempo depois reconhecem o seu erro. Como são imperiais, muito provavelmente terão a seu lado seguidores, mas dificilmente terão amigos. Quando em desgraça, poucos aparecerão para lhes valer.

sábado, 20 de dezembro de 2008



Era maconha? Tudo bem: é coisa de jovem...
Emanoel Barreto

É isso aí, bicho - Quando adolescente, Barack Obama usava drogas. Maconha e cocaína eram, vejamos, amigas suas. Ao que parece, nada de vício; o uso seria, digamos, recreativo. Nesta foto, feita por uma amiga sua, Lisa Jack, hoje psicóloga, ele porta o que aparentemente seria um cigarro de maconha.

As coisas de jornal que andei vendo pela internet contam que as fotos foram guardadas por ela desde então. Durante a campanha, Jack redobrou os cuidados para que as fotos não viessem a cair em mãos adversárias.

É aí que quero chegar. À concepção de notícia. Agora, as fotos são souvenirs, lembranças de uma juventude arrabatada, curiosa, quem sabe angustiada, às vezes, incerta, desafiante, transgressora. Somente isso. E por que as fotos são jrnalisticamente inofensivas?
Pelo fato simples de que Obama transformou-se em figura de mídia, é querido do mundo, é presidente eleito dos Estados Unidos. É carismático e representa no imaginário de milhões a possibilidade de ver no grande país do norte surgir algo que possa ser considerado como mais humanizado, menos bélico e explorador.
Se as fotos tivessem sido usadas durante a campanha, seria o contrário: ele seria apontado como alguém que fora desmascarado, flagrado num passado marginal, criminoso até. Obama, o farsante. E mais: se ele, mesmo presidente eleito, não tivesse uma imagem pública tão positiva, as fotos ainda fariam grande estrago seu capital político.
É fácil notar como os fatos, dependendo das circunstâncias, podem tomar esse ou aquele rumo. Nosso valores podem dar a um acontecimento uma visão boa ou má, dependendo de como forem conectados a outros acontecimentos. Bafejado pela fortuna, Obama pode olhar para essas fotos como lembrança de que apenas estava sendo jovem. Em caso contrário, ele as veria como um baú de lembranças a ser escondidas.
ZOORÓSCOPO
Golfinho - São boas as previsões para você, que é golfiniana ou golfiniano. Terá sempre bons amigos, dará e receberá abraços, apoio e, se preciso, amparo. São pessoas de personalidade fulgurante, sempre dispostas a participar. Gostam do sol, são arrojados, encorajadores. Em caso de dificuldade, conseguem lutar e vencer, encontrando sempre, mesmo em meio aos vendavais, a certeza de que podem transformá-los e uma grande onda para o mais belo surf. É bom gente assim, não é?
Uma saudade a mais

Amigo, poeta a jornalista, Walter Medeiros vez por outra me envia seus textos, belos, como o que se lê a seguir:

Uma saudade e mais

A jornalista e professora Nadja Lyra, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Santa Catarina, localizada no conjunto que tem este mesmo nome, convidou-me para proferir a Aula da Saudade dos alunos do 5º ano e sugeriu que falasse sobre “Saudade”. Que coisa! Passei uma semana refletindo sobre esse tema tão fascinante, a partir de experiências próprias e versos dos poetas e músicos que tanto mexem com o nosso coração.

De cara fui logo aos anos 50, quando aprendia a ler no Grupo Escolar Professor Demócrito Gracindo (homenagem ao pai de Paulo Gracindo) em Mata Grande, cidade do alto sertão de Alagoas aonde meu pai foi parar matando mosquito da dengue, após passar pela guerra sem matar nenhum alemão. Depois que aprendi a juntar as letras e sílabas, era belo entender o que estava escrito no pára-choque branco do caminhão de Nezinho, meu vizinho: “A saudade me fez voltar”. Ficava imaginando a saudade que le sentia a cada viagem que fazia com aquelas cargas altas de antigamente.

Em seguida, veio à mente uns versos que não poderia deixar de citar na aula: “Itabira é apenas uma fotografia na parede / mas como dói!”, escritos por Drummond no seu poema “Confidências de Itabirano”. E o significado da palavra – substantivo feminino abstrato - segundo Aurélio: “Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.”

Aí veio mais uma coisa interessante para aumentar a saudade, que tanto espaço ocupa nesse mundo: ela tem um dia para ser lembrada e comemorada. O Dia da Saudade – 30 de janeiro. Para lembrar que essa palavra não tem similar em nenhuma outra língua e que espanhóis, ingleses, franceses, alemães e outros tentam expressar o sentimento de falta com frases inteiras, tipo “ich vermisse dish” (alemães).

Aquela platéia me reconduzia mesmo era à minha sala de aula, onde Professora Josefina Canuto me ensinava e, depois, no Externato Saturnino – já em Natal, a professora Maria das Neves trazia novidades. Coincidentemente a professora de uma das turmas se chama Neves. Impossível não lembrar de Ataulfo Alves, exclamando: “Que saudade da professorinha / que me ensinou o be-a-bá!”.

Para falar de saudade não poderia deixar de citar o Fado – gênero que tanto me toca e que tocou até Roberto Carlos, ao cantar Coimbra: “Aprende-se a dizer saudade”. Fernando Pessoa, em texto saudoso: “Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: quem são aquelas pessoas? Diremos... Que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!” E é claro que citei Casimiro de Abreu , cujos poemas eu os tinha decorados, e que versificou sua saudade da infância: "Oh! que saudades que eu tenho / Da aurora da minha vida / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais!".
Agora estou, sem dúvida, com uma saudade a mais.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A festa de Ali Babá; a farra dos 40 ladrões
Emanoel Barreto

O Projeto Ali Babá - A Câmara dos Deputados barrou o projeto que aumenta o número de vereadores dos atuais 51.924 para 57.267 em todo o território nacional. A alegação é que isso implicaria em aumento de despesas para os municípios, o que é uma aterradora verdade para a pobre cidadania brasileira.

As coisas de jornal que andei lendo na Folha e Estadão indicam que, agora, senadores e deputados estudam como farão para abrir novas vagas nos legislativos municipais, sem que isso represente ônus para o contribuinte.

Sinceramente, minha matemática ou até mesmo aritmética é rudimentar, é do tempo do ábaco, imagine. Assim, não sei dar resposta a tal pergunta, questão de alta indagação: como atulhar as Câmaras Municipais, sem que isso resulte em despesa?
Na verdade, a pergunta seria outra. A pergunta é a seguinte: para que mais vereadores? Para quê? Precisamos tanto assim de novos cérebros privilegiados, pessoas da mais alta compostura moral e estatura intelectual para decidir os destinos dos nossos burgos? Que assuntos de tamanha complexidade estão postos, para que se chamem novos sábios, demiurgos, estrategos e adivinhos do bem-comum?

Não, não. Não precisamos de mais gente na rinha política. Precisamos, isso sim, de seriedade, ética, sentido histórico da missão política. O que está posto, pelos farristas do Senado e da Câmara, é o chamamento de mais gente para esbulhar os dinheiros públicos. Uma gentalha que vai pilhar verbas que deveriam ser empregadas para aquele homem, honrado e pobre, lá nos arrabaldades da vida, que tanto precisa de um posto de saúde funcionando, escola decente para os filhos, moradia digna...

Essa proposta, esse trambolho, é o tipo da coisa a que podemos chamar de Projeto Ali Babá. Quando for aprovado, virão os quarenta ladrões, em busca dos trinta dinheiros.
* Quando eu era criança, a Rádio Rural de Natal tinha aos domingos um programa infantil. Sempre, sempre, eles colocavam um disco que que se contava a história de Ali Babá. Os quarenta ladrões cantavam bem assim: "Nós somos ao todo quarenta/Quarenta famosos ladrões/Roubar o ouro não compensa/Nós só queremos milhões."

ZOORÓSCOPO

VERME - É o zoosigno de todos os deputados e senadores que vão aprovar o Projeto Ali Babá. Todos os nascidos sob tal casa astral nasceram sem escrúpulos, não temem enterrar as mãos nos mais sórdidos esgotos da podridão moral e, o que é pior, serão sempre bafejados pela fortuna. Ditarão as leis e serão sagrados aos mais altos postos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O chope, o champanhe e o que virá
Emanoel Barreto

É isso, é isso aí - Vida velha, tempo besta. Natal, alegria cronometrada no tempo do ano, é festa sazonal. Obrigatório ser feliz. Depois réveillon, para lavar com champanhe as tristezas passadas e estimular na imaginação que o Bem virá no próximo ano, montado no cavalo branco da esperança.

Esperança, não. Expectativa. O que há em nós, em todos nós, é expectativa; seja aquela incerteza quanto àquilo que virá a nos assediar, ou vontade de que o ano tenha momentos de cristal. Dúvida. O ritual de finalização do ano é um grande ato coletivo em torno de uma pergunta: o que virá?

Sei que esta crônica nasceu antes do tempo. Deveria ter sido escrita dia 31. Mas é que hoje ouvi, num shopping, uma conversa entre dois senhores. Elegantes, mais de sessenta anos, bebiam chope. Um deles virou-se para o outro e disse, colocando a mão em seu ombro: "Amigo, esse negócio de festa de final de ano é sempre a mesma coisa. A gente se alegra de véspera. Depois, é rezar, para ver se a alegria se lembra de ficar."

ZOORÓSCOPO

Zebra - Zoosigno típico dos indecisos, dos tímidos, dos que não sabem escolher qual o caminho. Mas também é encontrado entre os falsos, disfarçados, hipócritas e vendilhões da honestidade. Como são indefinidos, podem meter-se em qualquer ambiente e tirar partido, querendo levar vantagem em tudo. As previsões para 2009 são as piores possíveis: se os tímidos não tomarem um rumo, se os espertinhos não se emendarem, podem dar de cara com alguém de Coruja. Aos primeiros, punirá com sua exclusão da vida competitiva, pois não têm coragem de lutar; aos segundos, dará a punição que suas patifarias exigem. É o que afirmam os grandes áugures da zooroscopia.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008


O velho Marx ainda tem razão
Emanoel Barreto

Grita a Crise, louca, venenosa.
Grita e diz não saber porque
seu dinheiro se foi e a conta é alta.

Grita e se diz vítima fatal, injustiçada,
de todos a quem, tanto, já prejudicou.
O Mercado, pai amado e louco,
bebeu demais, gastou, se embriagou.

E agora, ao berros, desesperado,
pede à filha amparo, um abraço, um teto.
Sabe que errou, jogou, irresponsável...

Sabe que não sabe tudo.
E que, no fundo, bem no fundo,
o velho Marx ainda tem razão.

ZOORÓSCOPO

Garça - Eis que encontramos o zoosigno dos calmos, serenos, bem resolvidos. Sua placidez muitas vezes é confundida com desconcentração ou até mesmo fraqueza. Ledo, grande engano.
Os de Garça sabem, sempre, o momento exato de levantar o vôo. E os laços e teias ficam para trás, embaixo e esquecidos.

domingo, 14 de dezembro de 2008

É dinheiro do povo? Então, mete bala!
Emanoel Barreto

Dá para acreditar? - O UOL, do Grupo Folha, diz: O Ministério da Defesa prevê investir R$ 1,27 bilhão na realização de uma olimpíada militar. Os chamados Jogos Mundiais Militares, que ocorrem a cada quatro anos, terão a quinta edição em 2011, no Rio de Janeiro. As provas serão realizadas nos estádios e ginásios do Pan-2007, como o parque aquático, o velódromo, o centro de tiro e o Maracanãzinho. Essa economia de infra-estrutura, no entanto, não evitará que o orçamento projetado pelo governo alcance a cifra bilionária.O evento, que o Brasil sedia pela primeira vez, custará mais que a conclusão do programa nuclear da Marinha (R$ 1,04 bilhão), considerado estratégico para colocar o país no seleto grupo dos que dominam o ciclo do combustível nuclear. Ainda para efeito de comparação, o valor da olimpíada da caserna é três vezes o que o Brasil já pôs na missão de paz no Haiti em quatro anos (R$ 431 milhões) e um quarto do pacote de reaparelhamento da Força Aérea, o FX2, estimado em R$ 4,5 bi.

Vamos gastar, vamos gastar
No mínimo lamentável a iniciativa do Governo. Ou muito me engano, ou há gente no país precisando de mais escolas, hospitais, polícia e as próprias Forças Armadas mais bem remuneradas e preparadas, universidades federais com mais verbas, e por aí vai. Um acontecimento bilionário como esse é, no mínimo, um tiro no pé. E tiro de canhão.

ZOORÓSCOPO

MOSQUITO - Incômodos, renitentes, ferinos, os mosquitianos sentem-se muito felizes em fazer a pequena pirraça do dia-a-dia, o inferno medíocre da difamação menor, o prejudicar alguém até mesmo tomando-lhe o lugar na fila. Previsões: como trabalham sempre na arraia-miúda, serão sempre facilmente destrutíveis por alguém com mais força e valor moral. E depois de desmoralizados, serão permanentemente excluídos e vistos como lamentáveis.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008


A corrupção, bicho que não se vê,
mas que está solto por aí
Emanoel Barreto

Coisas para se pensar - O caso da "venda" da cadeira de Barack Obama e a prisão do desembargador presidente do Tribunal de Justiça do estado do Espírito Santo, somente para citar dois casos mais recentes, é um demonstrativo de como a corrupção é algo preocupante e se instala, se alastra nos patamares do Poder.

A corrupção é como que um ente, algo incorpóreo, uma instância espiritual, intangível e vivo, impalpável mas presente. A rigor, de substantivo existem apenas os corruptores e os corrompidos. São pessoas, são materiais. Mas a corrupção, da forma como institucionalizou-se, ganhou a forma intocável de algo; a corrupção tornou-se um ser.

Em todos os países ela está presente. Suas conseqüências são sempre danosas e agravam o patrimônio público e, por decorrência, a sociedade, especialmente junto aos que dependem do Estado enquanto entidade de assistência.

O grande problema que gera, decorre do fato de que corruptores e corrompidos utilizam o Estado como coisa sua. Encontram-se taticamente instalados em postos-chave, de maneira que podem manipular verbas públicas em proveito próprio. Trata-se de grave questão de ataque à moral e à ética e, aparentemente, não há como fazer a limpeza, a sua retirada do corpo social.

Ser corrupto ou corrompido é hoje quase um estilo de vida, uma profissão, uma atividade marginal - no sentido de estar ao lado, paralelo -, do Poder Público. A sociedade civil deve estar atenta, ou então esses bandoleiros da nação tenderão a crescer em número e em eficácia, roubando da sociedade um dos seus bens mais preciosos, a honradez.

ZOORÓSCOPO

PAPAGAIO - São os bonachões, faladores, contadores de piada, brincalhões e boa gente. Como muitas vezes são críticos mordazes, podem dar uma grande contribuição na luta pela queda de ídolos-de-pés-de-barro. Devem porém ter cuidado, como muitas vezes os tais ídolos gostam de tender prendê-los com aquelas correntinhas a algum poleiro somente para ouvi-los falar, devem acautelar-se. O bom papagaiano não deve aprender o que lhe dizem, mas dizer o que muitos não querem escutar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


Veja só como são belas, tolas, fulgurantes
Emanoel Barreto

Enfeitadas, mas não, nunca são loucas: é assim o mundo, o mundo mesmo.
Risíveis, mas já foram elegantes.
Ridículas, mas então eram beldades.

E muitas viviam e vivem ainda hoje,
como se o ridículo que um dia serão,
seja belo, intenso, magnífico.
Pois esse é o pálido destino de
muitas vidas que em vão, se vão.


ZOORÓSCOPO

Libélula - É o tolo, inconstante, gazeteiro. Em nada pára e flutua pelo ar. Fala muito e nada diz. Seu futuro é apenas o momento que vive. As previsões não são nada alvissareiras: pela sua inconstância jamais terão amigos leais, pela sua frivolidade são também péssimos amigos ou amigas. Quem for de Corcel jamais deverá unir-se a Libélula.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Foto: Folha de S. Paulo
As mãos sobre o sangue derramado
Emanoel Barreto

O direito de ser humano - Há 60 anos a ONU aprovava a Declaração dos Direitos do Homem. Com 48 votos a favor e duas abstenções, o plenário reconhecia a necessidade de valorização do ser humano, após a barbárie nazista e a explosão de duas bombas atômicas nas cidades japonesas de Hiroxima a Nagasáqui.

Trata-se de lei de profundo conteúdo ético, um alarma, um grito agudo e penetrante em favor do respeito à vida. Assim, a declaração estabelece que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos", e coloca o homem como centro da história, definido por sua humanidade e não mais por sua classe social.


À vida em sociedade nem sempre correspondeu o respeito à vida enquanto valor inalienável e supremo. E vida, aqui encarada em seu sentido mais largo, pungente, belo, abrange as condições de trabalho, moradia, assistência aos que precisam, cuidados aos que se encontram em situação degradante e humilhante, promoção da pessoa em todos os sentidos.

Vivemos um momento especialmente dramático. As condições históricas nos encaminharam a dilemas universais, cujas conseqüências podem ser o armagedon, hecatombe sócio-bélica ou o Holocausto advindo da imersão de sociedades inteiras na miséria mais hedionda, resultado da exploração desses povos por nações mais poderosas e economicamente concupiscentes. A África é o exemplo mais clamoroso, ante o silêncio criminoso e omisso das grandes potências.
Se olharmos para trás, estendendo esse olhar às origens mais enevoadas do nosso gregarismo, veremos que o homem sempre esteve envolvido com enfrentamentos que resultaram em sacrifícios de vidas humanas, crueldades, morticínios. A par disso, a constituição das sociedade em classes contribuiu decisivamente para a formação de guetos, favelas, zonas de exclusão social, vivendo-se ali uma existência de privações e crueldades sociais inaceitáveis.

A Declaração dos Direitos do Homem é um documento que é moral em sua essência e ético em suas conseqüências. Diariamente, entretanto, é desrespeitado e muitos sucumbem em meio ao maremoto social mais repulsivo.

É preciso viver a vida em plenas condições de dignidade. E se não for dado ao homem a possibilidade de ser humano, que isso seja conseguido pela sua conscientização e progresso da democracia. Pela sua mobilização e movimento coletivo de protesto.

Não há mais como conviver com o escárnio das elites perante os desvalidos, com o cinismo dos poderosos em detrimento dos fracos, com o lamentoso pântano das injustiças, com a sufocação da decência, com o clamor dos inocentes. Não podemos mais nos dessangrar, bater, tripudiar. O Homem deve ter o destino da Paz.


ZOORÓSCOPO


CONDOR - São aqueles que pensam alto, lideram com firmeza e têm larga visão; são bons amigos, sérios e nunca faltam a quem deles precisa. Previsões: como pessoas raras, habitam um mundo truculento e cheio de abismos. Não raro, são vítimas de indignidades e traições. Devem ter cuidado com Lacrau, Cobra e Hiena.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Coisas de Jornal voltará a ser atualizado amanhã.
Emanoel Barreto

sábado, 6 de dezembro de 2008

Foto: Thaís Emy Ohata
De como resolver as coisas num país, calando-se a palavra
Emanoel Barreto

Tempos difíceis - As coisas no País não estavam nada boas. A inflação campeava, o desemprego crescia e a violência tornava-se institucional. As pessoas não agüentavam mais e cresciam os protestos proporcionalmente à ascensão do descalabro. Os partidos de oposição, minoritários, pouco ou quase nada podiam fazer.

Insatisfeito com as mobilizações, atos públicos, passeatas, gritos e manifestações do povo desesperado, o Governo fez aprovar uma lei: por ela, ficava determinado que cada pessoa teria um limite máximo de palavras em seu repertório. E quanto mais se falasse mal do governo, mais o estoque de palavras iria se acabando, até que todos ficariam mudos. Claro, quem falasse a favor, ganharia bônus e até aumentaria o vocabulário, passando até a conhecer termos sofisticados, já pensou?

Sim: depois de mudo, previa a lei, ninguém poderia se comunicar usando aquele sistema dos surdos-mudos, lembra? Era pena de morte na certa. Quem quisesse experimentar, que tentasse. Todos se curvaram.

E assim, a lei entrou em vigor logo depois de ser aprovada. Em menos de seis meses todo o povo estava mudo. Até os bandidos ficaram sem poder falar. Os bandidos não gostavam da ação da polícia, que mesmo corrompida os atacava. E como os bandidos reclamavam, ficaram também mudos. Resultado: ninguém escapou, até que afinal o Governo sentiu-se satisfeito.

Mas conseqüências não-programadas logo se fizeram ouvir: como a comunicação dos surdos-mudos estava proibida e somente os gestos básicos, esses que a gente faz para chamar alguém ou dar adeus, não conseguem uma comunicação muito eficiente, instalou-se o caos.

As fábricas pararam, os bancos deixaram de funcionar e escolas, hospitais, lojas enfim, tudo desmoronou. Os únicos lugares que ainda funcionavam eram bares, boates, motéis e bordéis, onde a voz não é essencial. Nos bares e etc, os músicos, impedidos de cantar, tocavam e isso garantia o público. Ou seja: somente em ambientes de baderna as coisas funcionavam bem.

O Governo então compreendeu que não poderia mais conviver com aquela situação. Todos bêbados e sem trabalhar. Prestes a chegar à bancarrota, o Governo decidiu: revogue-se a lei do silêncio. Todos poderão falar. Mas, de agora em diante, estarão impedidos de pensar.

ZOORÓSCOPO

TARTARUGA - Em matéria de preguiça são imbatíveis. Portanto, os prenúncios indicam que jamais chegarão a ganhar dinheiro, a não ser em loterias ou jogos de azar. No trabalho serão excelentes incapazes; na vida, eternos sonolentos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Eles querem matar a Amazônia
Emanoel Barreto

Veja só - A bancada ruralista tenta aprovar, com apoio do Ministério da Agricultura, proposta que libera a plantação de mudas de dendê na Amazônia e anistia todos os grandes agricultores que plantaram em áreas de preservação permamente até 31 de julho do ano passado.

A ação brutalizadora sobre a amazônia é reflexo do tipo da mentalidade que tem hegemonia nos patamares dirigentes da sociedade, seja do ponto de vista privado, seja da parte do Poder. Ou seja: uma compreensão estreita de que a natureza é um recurso, não um patrimônio da humanidade.

Nossa sociedade civil não é forte, é difusa e alienadiça, não tem porta-vozes suficientemente capazes de arregimentar a opinião pública para o crime de lesa-humanidade que está em curso. As conseqüências dessa ação predatória já se fazem funebremente sentir: aumento da temperatura, chuvas ácidas, degelo no pólo, destruição de rios e florestas.

Mentes voltadas somente para o capital e o lucro têm as rédeas do mundo e farão, sim, elas farão, do mundo um grande inferno. Lamentável, não?

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ZOORÓSCOPO

Beija-flor - É o zoosigno das mulheres belas, belíssimas; encantadoras fadas das mais lindas visões. Elas são alegres, sua presença reluz, tem tonalidades furta-cor nos cabelos e os olhos são meigos como a formosa dos cantares de Salomão. Mas, saibamos: podem ser, pela própria natureza do seu zoosigno, inconstantes, volúveis, voluntariosas. É um perigo uma mulher somente bela.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008


Cadeia para quem precisa de cadeia
Emanoel Barreto

A Folha informa - O ministro Tarso Genro (Justiça) comemorou nesta quarta-feira a decisão do Judiciário de condenar o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, a dez anos de prisão por corrupção ativa. Sem entrar no mérito da decisão, Tarso afirmou que o país vive um momento de "harmonia" entre as instituições, que cumprem suas funções, sem diferenciar os denunciados. "O Brasil não estava acostumado a ver figurões [condenados]. E aqui não estou julgando se ele é culpado ou não", disse.

Mas, em nota, a defesa de Dantas afirmou já ter pedido a anulação do julgamento e que as provas são "fraudadas".


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A decisão do juiz Fausto de Santis, é reveladora de sua postura de magistrado que age segundo o que dele espera a sociedade. É preciso que alguém neste país, alguém com poder decisório de punir as elites, tome a decisão, e a ponha em prática, de mandar para a cadeia criminosos ricos.

O processo deverá demorar ainda, como é comum, quando gente de colarinho branco está metida com a Justiça. Mas, de alguma maneira, aplaudo a ação do juiz de Sanctis.

O Brasil cultiva uma cultura solidamente afixada a uma estrutura: a de que figurões são virtualmente impuníveis. Essa impunidade se transforma em impunibilidade, ou seja: impunidade diz respeito a que alguém, mesmo devendo ser punido, não o é, pela negligência ou cumplicidade da autoridade; a impunibilidade, decorrência reiterada da impunidade, coloca como que acima da lei aquele que a infringiu repetidamente.

Seria assim uma imunidade social, uma espécie de salvo-conduto, decorrente do status do autor de crimes. O caldo de cultura que privilegia as elites até nesse ponto é algo infamante que precisa ser eliminado. É preciso, sim, pôr na cadeia todos os criminosos. Todos.

..ZOORÓSCOPO

Burro - Zoosigno predominante na população brasileira, nossas previsões são funestas: trabalharás a vida inteira, sofrerás nas filas e amargarás o fardo da pobreza, da dor, da fome, do temor pelo dia seguinte.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O lobo simpático e sua pele de cordeiro
Emanoel Barreto


Se o lobo tem pele de cordeiro, cara mansa, jeito meigo e cordial, tem calma, ó leigo viajante, que a fera não é feita de papel. Para fugir é preciso engenho e arte. Sutilezas de grande espertalhão.

Foge agora, quando ainda tens o tempo. Amanhã, estará a te atacar.E quando, por incauto, caíres na emboscada, lembra o conselho que antes te diziam: "É um lobo em pele de cordeiro." Mas será tarde, ó tolo desvairado. Os lobos, como ninguém, sabem ser os mais ternos e lindos cordeirinhos. E como mordem.

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...ZOORÓSCOPO

Abelha - Zoosigno das pessoas que são equilibradas: sabem trabalhar, mas também divertir-se, viajar. Podem parecer inconstantes, mas, na verdade, são apenas bastante ativos. Ou então, estão viajando. São corretos, prestativos, cumpridores de seus deveres. Mas, se são explorados ou ofendidos, ninguém se engane: o abelhinano sabe como ninguém se defender. Previsão de vida: saberão gozar das delícias do mel, pois trabalharam muito para ter esse direito.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008