terça-feira, 9 de maio de 2017



Não está certo obrigar o Brasil a dar errado

Eu não sei se o Brasil vai dar certo, mas sei que não é certo obrigar o Brasil a dar errado. 

A tragédia nacional, que se alonga numa história cheia de tropelias lamentáveis não me traz à memória nenhum grande feito nacional, salvo, é claro, termos ganho Copas do Mundo. Esse o nosso grande feito: chutar bolas, fazer gols. 

Sim, ia esquecendo: Marta Rocha quase foi Miss Universo em 1954. Mas perdeu o título por ter duas polegadas a mais nos quadris. Chato, né? 

Nosso libertador era português e o fez por conveniência; e olhe que ainda pagamos a Portugal dois milhões a título de indenização. Rabo entre as pernas.

Claro, tivemos Getúlio, mas suicidou-se. Perdeu, povão. E agora amontoamos tudo o que pudemos acumular – incertezas e coisas terríveis, homens lamentáveis e líderes sob suspeita – e não se sabe bem aonde vamos chegar. 

Às vezes, penso: não sei se o Brasil acabou ou se, de fato, algum dia ele existiu. Se existiu foi muito pouco. Resta-nos, portanto, começar algum tipo de construção ou, quem sabe, a reforma dos nossos escombros.
Com novas colunatas, melhores fundações, um teto firme, um grande jardim. 

O momento que vivemos, intenso em seu espalhafato de autoridades ululantes, enlouquecido na confusão de acusações e defesas, lembra-me que estamos como que sentados sobre trilhos à espera da locomotiva colossal, o ápice da tragédia.

Suspeito que o ovo da serpente foi plantado. E se não tivermos cuidado o monstro chegará. 

Então, o cerco se apertará de tal forma que uma realidade perversa virá – já está chegando – para dizer que é preciso o Brasil nunca dar certo para que tudo o que está errado permaneça e puna com pena aterradora quem ousar dizer:  “Eu não sei se o Brasil vai dar certo, mas sei que não está certo obrigar o Brasil a dar errado.”




Nenhum comentário: