quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017



Alexandre Moraes, Nosferatu, César e Eduardo Cunha
O recém-indicado a ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes foi, como seria de se esperar, encaminhado ontem por seus iguais aos escaninhos da mais excelsa corte brasileira.
Moraes, que a mim lembra exemplarmente o vulto sinistro de Nosferatu, na figuração genial de Friedrich Wilhelm Murnau, cumpriu o rito de farsa que o elevou à condição de ministro.
Juiz que haverá de ter participação no julgamento de dez membros do senado envolvidos na Lava Jato.
Indicado pelo assim chamado presidente Michel Temer, Moraes é parte do processo tático voltado para deixar na impunidade poderosos que cometeram, digamos, deslizes, envolvimentos pouco condizentes com a moral e a ética.
A Lava Jato, a princípio metralhando firme nomes do PT que tinham ligações com atos criminosos de lavagem de dinheiro, propinas e que tais, começou a sair dos trilhos e respingou as vestes daqueles que de vestais não tinham nada.
Foi aí que surgiu firme a ideia de derrubar Dilma e levar à cadeira presidencial a figura de Temer, para estancar a sangria, nas sábias palavras do senador Romero Jucá.
O resto você já conhece, até o ponto de ontem, quando Moraes lavou as mãos, assegurando que terá isenção para julgar até mesmo aquele que o indicou.
O senador petista Lindbergh Farias, citando o jurista Walter Maierovitch, afirmou como aquele que para alguém integrar o Supremo precisa ter “postura e compostura”, uma vez que a Justiça precisa ter aparência de Justiça.
Alusão ao dito latino que diz: “Não é suficiente que a mulher de César seja virtuosa; ela precisa ter fama de ser virtuosa.” Coisa que, convenhamos, a imagem pública de Moraes não empalma.
Qualquer pessoa medianamente informada e minimamente sabedora do que sejam ética e moral sabe que é imoral a nomeação de Moraes para o cargo.
A tal nomeação foi uma medida preventiva, significa o voto de última hora que poderá salvar um mandado ou postergar ao deus-dará a decisão sobre a prisão de alguém, um poderoso, um corrupto notável e benquisto.
Vivemos a época da vergonha e do desencanto. E, já que não temos como aclamar a mulher de César, só falta, depois de Nosferatu, a libertação de Eduardo Cunha. 


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