segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Somos criminosos, não moleques diz PCC e ameaça atacar policiais






Os bandidos exigem respeito

Ante um governo estadual que nos passa a sensação de oscilar entre a atonia e a tibieza o pronunciamento dos criminosos afirma-se como discurso paradoxo: ao dizer “somos criminosos, não moleques”, os bandidos reivindicam para si uma inimaginável decoro, mais que isso: exigem deferência, afirmam seriedade.
Mais claramente: se o governo não se dá a respeito – pois não tem respondido à altura o desafio de enfrentar o crime organizado – os bandidos o fazem.
Incrível: bandidos exigindo respeito à sua expertise criminal, sua ética enviesada, seus valores de confronto à sociedade.
Observe que o discurso afirma “disciplina e hierarquia” entre os criminosos, ou seja: haveria entre eles uma forma de civilidade marginal – o que, pelo processo de inversão contido no pronunciamento, não se encontra do “outro lado”, o lado do governo, da justiça, da autoridade.
A seguir vêm as ameaças, a delimitação de espaços, quando se diz que há uma guerra entre as facções, podendo chegar ao “sistema e às ruas”.
O que se ouve, além do mais, é o anúncio de que a ação criminal seria uma forma de repelir “aqueles que nos oprimem”. Objetivamente: é como se os atos de violência fossem de alguma forma uma atitude política tosca, um esgar de luta ideológica.
O crime organizado, nas palavras dos seus fortuitos representantes, parece haver assumido conotações de algo que busca tornar-se orgânico à sociedade: não para dela participar ordeiramente, mas para daquela tirar o que, ao visto, os criminosos acham ser seu direito: acabar com a paz de qualquer um; exterminar a tranquilidade, quem sabe tomar um relógio, tomar um celular, até mesmo a vida, por que não a vida?
Estabelecido, como parece estar, o processo de fortalecimento do crime organizado é uma ameaça real, decidida e que tende a ser permanente.
É preciso reação efetiva no enfrentamento das facções, como também se exige que se busque a superação das desigualdades sociais.
A tibieza nos levará ao caos. A injustiça social nos afundará na barbaridade.

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