terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Até com mosquito reina a corrupção



Trouxe a muriçoca?

Era uma vez Brasileiro. Quando foi um dia, Brasileiro, sem saber como, estava numa fila enorme. Perguntava a um e a outro por que estava ali. E a resposta era essa: "Não sei. Eu  estou nessa fila e também não sei por quê." 


Nisso, chegou um funcionário. No peito um crachá que informava qual o órgão público onde ele trabalhava: Instituto das Instituições Instituídas para Instituir novas Instituições e Cobrança de Taxas e Emolumentos, Tributos, Contribuições de Melhoria, Propinas e Etc...".

Brasileiro dirigiu-se a ele: "Senhor, posso saber o que faço nesta fila?"
O funcionário respondeu: "Não sei. O senhor vai ter que pegar uma ficha para se informar. Vá até aquele guichê, para receber a sua ficha."
Brasileiro: "Obrigado."

Foi ao guichê, esperou em outra fila e afinal foi atendido.
"Ficha?", disse o funcionário.
"Ficha", respondeu Brasileiro.
Então, o funcionário perguntou: "Trouxe muriçoca?"
Brasileiro quase cai para trás e quis saber: "Muriçoca? Pra que muriçoca?"

A resposta: "Aqui só tira ficha quem traz uma muriçoca. Se não trouxe, vá para aquela fila. Lá eles dão fichas que dão direito a uma muriçoca. Você vai ao Criatório Nacional de Muriçocas, apresenta a ficha eles lhe dão a muriçoca, você volta aqui, pega nova ficha para eu atendê-lo novamente, eu lhe dou uma ficha e depois você vai para outra fila. Será atendido por outro funcionário e ele vai informar porque você está na fila."

Brasileiro dirigiu-se à fila para pegar a ficha de atendimento no Criatório Nacional de Muriçocas. Depois de muito esperar, recebeu a ficha de número 900.000.000.000.890.000.789.982.000.000.000.777.663.000.444. 000.767.980.765.000.000.123.456.789.3334-87.987.987.095.876.456.4329.899.999.678.543.765.900.888.076.776 etc e tal, pá-pá-pá, não sei o quê.

Quando Brasileiro viu a ficha sentiu que estava numa enrascada. Não tinha a menor idéia do motivo por que estava ali, ninguém sabia informar nada e ele ainda tinha que pegar fichas e mais fichas. 

Resolveu sair e ir para casa. Quando um guarda notou que ele estava saindo, disse: "Vai embora?" 
Brasileiro respondeu: "Vou, não aguento mais ficar aqui e vou embora."
O guarda foi curto e grosso: "Pode não. Depois de entrar aqui, só sai depois de atendido. Volte já para a fila, para pegar a ficha da muriçoca."
Brasileiro argumentou: "Mas, quando eu vou ser atendido? Já viu o número da minha ficha?" E mostrou o papel com o absurdo número ao guarda.

O sujeito fez uma cara de espanto: "Óóóóóóóóó." Então, chamou Brasileiro a um canto e disse: "Negócio seguinte. Eu posso dar um jeitinho..."
"Pode?", perguntou Brasileiro quase feliz.
"Posso", garantiu o outro. "Mas precisa rolar uma merreca. Sacomé, né?"
"Seicomé", disse Brasileiro. "E quanté?" 

Era pouco garantiu o guarda. Por um salário mínimo ele daria a Brasileiro uma muriçoca e ele poderia afinal saber porque estava ali, depois de cumpridas as demais formalidades, claro. O guarda facilitou: aceitava cheque. Brasileiro nem pensou duas vezes: passou um cheque sem fundos ao guarda. Poucos minutos depois estava com uma linda muriçoca num belo e transparente frasco. O guarda era contrabandista de muriçocas.

Em seguida Brasileiro encaminhou-se ao funcionário encarregado de receber as muriçocas. Chegando lá, o homem disse: "Adianta não. Tá faltando um carimbo que eles dão na asa direita da muriçoca, atestando a procedência. Além disso, tá faltando duas meias, um pedaço de pneu de caminhão e três palitos de fósforo, para fazer juntada ao processo."

Brasileiro deu um grito de desespero e quis fugir para outro país. Quando já ia pulando a cerca que dava para outro país, o mesmo guarda da muriçoca pulou em cima dele e disse. "Teje preso. Pra fugir, também tem que pegar ficha... Somente saiu daqui depois que os home deram ficha a ele..."
Brasileiro, então, implorou: "Posso ao menos me suicidar?"

O guarda: "Tá difícil. O país é pobre e só tem um revólver público para suicídios. E mesmo assim tá faltando bala. Pegue aquela fila ali e..."
Brasileiro nem esperou: caiu seco ali mesmo, mas não foi enterrado porque não tinha tirado ficha para morte... A família entrou com um processo pedindo direito a enterro, mas os juízes estão em greve...

---Falando nisso... você tirou ficha para ler este texto?
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Crédito imagem: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=20204364#editor/target=post;postID=8085881880550472082



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